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Resenha crítica sobre “The Queen of Basketball”

Por Hugo Lage, Jean Ferreira e Rodrigo de Araújo.

Uma obra necessária. Talvez essa seja a melhor definição para o documentário “The Queen of Basketball” (A rainha do basquete), obra dirigida por Ben Proudfoot e com Stephen Curry e Shaquille O’Neal como produtores executivos, ambos astros da NBA. Além deste documentário, Proudfoot também co-dirigiu o “A Concerto in Conversation”, duas obras com algumas semelhanças, especialmente ao tratar de pessoas negras que conseguiram superar as gigantes barreiras raciais nos EUA dos anos 50 e 60.

Para quem gosta de esportes, especialmente o basquete, o filme “The Queen of Basketball” é fundamental para entender o papel de Lusia Harris, uma das pioneiras do basquete feminino nos EUA. Única mulher convidada para ser jogadora de um time da NBA, Lucy, como era carinhosamente chamada, tem uma história que merece ser exaltada. Esse é um ponto de destaque do filme. Suas glórias esportivas como o tricampeonato nacional na universidade, o chamado da NBA, o fato de ter feito a primeira cesta nos jogos olímpicos em sua modalidade e a prata na mesma edição. Todas são conquistas que merecem celebração.

Na linha do que argumenta Goulart (2018), o documentário se aproveita da nostalgia para criar uma narrativa na qual seleciona momentos de alegria e felicidade. É a seletividade do passado. Não há, necessariamente, um mal nisso, tendo em vista que o passado é contado e reconstruído diversas vezes. Vale ressaltar que, no âmbito esportivo, a escolha da direção em ocultar momentos ruins é nítida. Nas cenas de lances de jogos, Lucy não comete erros, ela sempre pontua e é o destaque das partidas. Entendendo que até uma jogadora do mais alto nível como ela comete erros, é importante destacar essa escolha do filme.

Apontar essa questão não é uma forma de desmerecer a história da protagonista. Lusia, uma mulher negra estadunidense, venceu. Em uma sociedade marcada pelo racismo, na qual os negros só tiveram direito a voto na década de 1960, e também na qual o Ensino Superior não é público, Lusia se graduou. Seus filhos também conseguiram diploma de nível superior. Toda sua família entrou na Universidade.   

Outro ponto relevante na construção narrativa nostálgica é que quando o time perdia, os vídeos mostrados eram apenas das companheiras de Lucy errando. Isso acaba criando uma aura quase divina para a protagonista, como se ela não errasse. Vale destacar um silêncio na parte esportiva do documentário. Nas Olimpíadas de 1976, a seleção americana ficou com a prata, e quem ganhou a final foi a URSS, rival política, econômica e esportiva durante a Guerra Fria. Para não estragar o sentimento nostálgico, o filme opta por não nomear esse fato.

Em outro momento da narrativa que remete ao passado, Lusia mostra fotos antigas, reportagens e vídeos falando sobre o passado dela. A discussão em torno dos grandes momentos da vida de Lucy no basquete é traçada em uma conversa bastante carismática, O resgate da carreira de da protagonista vai além da identificação dela como a primeira mulher negra a entrar no hall da fama dentro do esporte. Mostra, da mesma forma a compreensão de sua atuação nas Olimpíadas e jogos importantes. 

Fonte: JustWatch

Não se atendo apenas as  histórias de Lucy, o filme também conta com imagens de lendas da NBA. Em diversos momentos, são mostrados jogadores como Magic Johnson, Larry Bird, Michael Jordan, Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar, Oscar Robertson. Mesmo que de forma indireta, só com a presença dessas figuras, a memória coletiva, aqui não sendo algo negativo e repressor (POLLAK, 1989), é reavivada. Para os fãs da modalidade, ao ver essas imagens e perceberem que Lucy tinha nível para estar no mesmo patamar esportivo dessas estrelas, só aumenta a estima e a valorização dela.

Em outra face do documentário, Lucy trata da sua vida pessoal. Ela revela que tem um problema de saúde, a bipolaridade. Contudo, nada parece que pode impedi-la de ter sucesso. Mesmo  não seguindo carreira profissional, pela ausência de uma liga de basquete feminino, não conseguindo um emprego logo de cara, o tom do documentário ainda consegue se manter positivo. Logo em seguida, ela fala que seus maiores sucessos são sua família e a educação. Lucy argumenta que faria tudo de novo, não se arrepende de nada do que fez. Mais uma vez, o elemento nostálgico é reforçado. Aqui, o passado é visto como um caminho que deveria ter acontecido, mesmo com percalços, pois, no final, deu tudo certo.

Apesar de ser um ótimo filme, há questões que causaram incômodo. Uma obra que fala de uma mulher negra nos EUA dos anos 60 quase ignorar o racismo é bastante estranha. Ainda que tenha sido comentado indiretamente, como na cena em que Lucy fala ser a única atleta negra da universidade, pouco se aborda sobre esse tema tão importante. Parece ser uma opção da narrativa para tentar não ter episódios tristes e tirar o clima positivo da nostalgia. O machismo é melhor tratado quando a protagonista comenta sobre não poder continuar sua carreira pela falta de uma liga feminina profissional, ou pelo fato dos atletas homens estarem ricos, e ela não. No entanto, ao final, o filme os coloca no mesmo nível, visto que todos acabaram indo para o Hall da Fama do basquete.

Ao analisar “The Queen Of Basketball”, juntamente com a leitura do artigo “Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais” (GOULART, 2018), a sensação é de que o mercado para se vender memórias é quase inesgotável. Com as ausências do filme, outro poderia ser feito usando uma perspectiva diferente que, ainda assim, fosse nostálgica. Talvez voltada para uma visão mais crítica da sociedade da época que Lucy jogou. As histórias podem ser contadas várias vezes e haverá consumidores. Há sabedoria no passado, que pode ser usada pelo mercado. 

Referências:

GOULART, Ana Paula. Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais. E-compós, Brasília, v. 21, n. 3, set/dez. 2018.

POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio.” Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, 1989.

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As delegações olímpicas, a carne e a identidade nacional argentina

Depois de quase duas décadas de tentativas fracassadas, as elites argentinas conseguiram enviar uma delegação aos Jogos Olímpicos de 1924 em Paris. Rapidamente, as participações olímpicas argentinas se articularam, citando o antropólogo Eduardo Archetti, como “um espelho de onde se vê e é visto ao mesmo tempo”. Desta maneira, as andanças dos/as desportistas argentinos no estrangeiro construíam, disseminavam e afirmavam uma identidade nacional. Até meados dos anos cinquenta, a tipificação e a diferenciação nacional através das excursões olímpicas incluíram uma crescente relação com outro elemento central do sentimento coletivo de pertencimento argentino: a carne.

Dadas as dificuldades para estabelecer o Comitê Olímpico Argentino (COA) no ano anterior, a inexperiência da incipiente direção olímpica nacional e a estrutura dos Jogos Olímpicos, a conformação da delegação que viajou a Paris em 1924 esteve repleta de inconvenientes. Um destes ressaltaria, obliquamente, o papel da carne na vida nacional. Antes da partida à Europa, houve queixas porque o barco onde viajaram os esgrimistas e os remadores não contava com as acomodações necessárias para que chegassem em condições competitivas adequadas. Tratava-se de um barco frigorífico contratado por empresas do ramo “que deviam carregar seus porões com carnes congeladas”. O barco atrasou sua partida pelo processo de carga, embora o capitão tenha consentido instalar dois estandes de esgrima no convés e embarcar um aparato de treinamento de remo. Criticando o COA por sua falta de planejamento, Román López, presidente da Federação Argentina de Esgrima, manifestou: “Para viajar em um barco como o ‘Vasari’ é necessário ser um verdadeiro patriota”. Esse barco transportou, inesperadamente, duas marcas identitárias da nação argentina: desportistas e carne. 

Publicidade do Vasari (The Review of the River Plate, 10 de outubro de 1919, p. 952).
Vista do Vasari (Bulletin of the International Union of American Republics, junho de 1909, p. 1018).

A Confederação Argentina de Esportes-Comitê Olímpico Argentino (CADCOA), instituição que substituiu o COA em 1927, também teve sérios inconvenientes, principalmente econômicos, para enviar uma delegação aos Jogos Olímpicos de 1928 em Amsterdã. Uma vez ali, a alimentação holandesa foi percebida como um obstáculo para a correta aclimatação dos desportistas. O capitão da equipe de luta declarou que os lutadores deveriam “acostumar seu organismo a mudança de alimentação, que entre parênteses não era grande coisa, em termos de variação e seu sabor, apesar de ser saudável”. Acrescentou: “Só o grande apetite que despertava o treinamento, fazia com que se ingerisse esta comida deficiente e monótona a que não está acostumada a maioria dos nossos atletas”. Ou seja, a delegação sentia saudades da comida “crioula” e possivelmente da carne, aspecto que a CADCOA tentaria corrigir no futuro.

Treinamento no convés de parte da delegação para os Jogos Olímpicos de 1928 em Amsterdã (Federico Dickens, Manual técnico de atletismo, 1946, sp).

Apesar da CADCOA ter lidado com numerosos problemas administrativos, econômicos e de condução relacionados à delegação nos Jogos Olímpicos de 1932 em Los Angeles, a alimentação não foi um deles. De fato, os desportistas parecem ter estado satisfeitos a respeito. Por exemplo, poucos dias antes que Juan Carlos Zabala ganhasse a medalha de ouro na maratona, Alejandro Stirling, seu treinador austríaco radicado na Argentina desde 1922, explicou que seu pupilo “come com grande apetite dois bifes no almoço e dois na janta” e que, além de treinar, lia e escutava discos “que lhe recordam a pátria distante”. O fulgurante triunfo do “nandú crioulo”, o apelido com que a crítica havia batizado Zabala, foi utilizado pela imprensa dominante para gerar imagens identitárias nacionais. Uma semana depois de ter ganhado a maratona, a delegação japonesa ofereceu uma festa em sua honra durante a qual lhe perguntaram por seu regime de treinamento e de alimentação. É de se supor que ressaltou os benefícios dos quatro bifes diários. 

Para os Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, a CADCOA, que havia ignorado a intenção argentina de boicotar o evento organizado pela Alemanha nazista, implementou medidas para que toda a delegação tivesse “carne na quantidade e da qualidade a que estavam habituados os atletas”. Por um lado, a CADCOA argumentou que a carne favorecia o rendimento esportivo. Por outro, afirmou que “constitui a base da alimentação de nossos desportistas”. É que a carne, como diria mais de cinco décadas depois o escritor Juan José Saer, “não é unicamente o alimento base dos argentinos, mas o núcleo de sua mitologia e inclusive de sua mística”. Em Berlim, esporte e carne sincretizaram a nação argentina e seu imaginário. Considerando “o sério inconveniente que supunha a insegurança de encontrar durante a viagem e na estadia na Alemanha” o precioso e significativo alimento, a CADCOA conseguiu que a Junta Nacional de Carnes, um órgão criado em 1933 para regular o mercado em questão, doasse quinze toneladas de carne. O regime alimentício da delegação recomendava entre 250 e 350 gramas de carne diários. De todas as maneiras, o maratonista Luis Oliva consumia 500 gramas de carne diários, “preferentemente assada”, aludindo, como assinalou o antropólogo Jeff Tobin, a “comida mais fortemente associada ao nacionalismo argentino”.

A CADCOA inclusive enviou um cozinheiro a Berlim, Arnoldo Damm. Graças a sua “arte culinária crioula”, na Vila Olímpica “qualquer um logo e gostosamente se esquece da cozinha alemã”.  Damm conseguiu que ali “se respirasse um ambiente do país alegre e confiante, sempre menos pesado e rígido que o ambiente germânico”. A dieta da delegação servia para afirmar o nacional e diferenciar-se do outro significante. Em uma “significativa cerimônia” ao terminar os Jogos Olímpicos, Alberto León, presidente da delegação, entregou 300 quintais de carne às autoridades municipais berlinenses para que se distribuíssem em hospitais e sociedades de beneficência. Essa carne, destacou León, “testemunha a amizade germano-argentina e a gratidão da Argentina pela acolhida que teve sua delegação”. Segundo a CADCOA, “o gesto foi elogiosamente comentado pelas autoridades e diários berlinenses”.

Membros da delegação para os Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim no refeitório nacional (La Nación, 21 de julho de 1936, p. 12).

Após a interrupção pela Segunda Guerra Mundial, os Jogos Olímpicos voltaram a ser organizados em 1948 em Londres. A CADCOA enviou uma numerosa delegação, bancada pelo governo de Juan Domingo Perón. Ao se despedir do grupo, Perón pronunciou: “É uma imensa satisfação que o Governo teve ao apoiar este tipo de manifestação, e é somente o início desse apoio que temos de levar até limites que muitos não imaginavam ainda”. Também acrescentou: “Para o futuro, procuraremos organizar melhor essas viagens, para que os atletas argentinos cumpram sua missão com o mínimo de sacrifício e o máximo de proveito”. A delegação enviada a Londres contou com uma remessa de carne própria, visibilizada além das fronteiras argentinas. Assim, no Chile se perguntaram se o rendimento nacional teria sido tão destacado “se a equipe não tivesse levado toneladas de carne”. Além de seu efeito no rendimento esportivo, a carne foi utilizada para festejar as conquistas em Londres. De acordo com o Noticias Gráficas, Delfo Cabrera celebrou sua medalha de ouro na maratona com um “assado a la criolla, sobre a grama de um parque jamais pisado pelo mais insignificante piquenique”, que surpreendeu aos “fleumáticos ingleses”.

Quatro anos mais tarde, quando Perón se despediu dos/as desportistas rumo aos Jogos Olímpicos de Helsinki, declarou que para esse tipo de evento era conveniente transportar “um pedaço da República ao lugar onde se realizam [os Jogos]”. Dessa maneira, a delegação teria todo o necessário para render plenamente. Por isso, Perón achou “oportuno mandar um barco, como fazemos, para que essa seja nossa casa, onde haja carne argentina, comida argentina, e água argentina; sabemos que isso não nos faz mal e, se não é a melhor, é boa”. Perón acreditava que um regime alimentício baseado na carne não era “científico”. Entretanto, sua abundância na delegação manifestava a Nova Argentina, na qual o crescente poder aquisitivo fomentava o consumo de carne e o esporte era promovido em todos os seus níveis como nunca antes e nunca depois. 

Juan Domingo Perón subindo no barco que transportou a delegação para os Jogos Olímpicos de 1952 em Helsinki (Mundo Deportivo, 19 de junho de 1952, p. 22).

Em parte devido às mudanças estruturais nos Jogos Olímpicos, que requeriam aos/às participantes residir na Vila Olímpica durante o evento, a partir do golpe de Estado que derrubou Perón em 1955, as delegações deixaram de projetar uma marcada relação com a carne, que sintetizou a identidade nacional. Não obstante, essa relação permanece. Por exemplo, dias antes do começo dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, o COA, instituição que substituiu a CADCOA em 1956, ofereceu um churrasco aos/às desportistas “para demonstrar que estão com as forças necessárias para fazer um bom papel na China”. Por uma ou outra via, as delegações e a carne continuam condensadas, com maior ou menor força, naquilo que se imaginava como meio que tipifica e que diferencia a identidade nacional. 

Texto originalmente publicado pelo site El Furgón no dia 17 de setembro de 2022.

Produção audiovisual

Já está no ar o episódio 57 do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo sétimo episódio é a “Copa do mundo de 1962: a Copa do Rádio”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Júlio César Barcellos, gravamos com José Carlos Marques, professor associado da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru).

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo sétimo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Garrincha”, de Antonio Nóbrega.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Júlio César Barcellos e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Filipe Mostaro
Apresentação: Filipe Mostaro e Júlio César Barcellos
Convidado: José Carlos Marques

Artigos

Quem venceu as invencíveis do Esporte Clube Radar?

Estamos em época de decisão do Campeonato Brasileiro de futebol feminino (Corinthians e Internacional se enfrentam na final) e, mais uma vez, haverá bons debates sobre o desenvolvimento profissional dessa prática esportiva no país. Quanto o futebol feminino brasileiro já avançou? Em que velocidade pode, realmente, continuar avançando? O quanto a CBF deve ajudar?

Nesses debates, inevitavelmente fala-se no que já foi feito, ou seja, comentam-se os êxitos do passado. E logo surge a lembrança do Esporte Clube Radar, o time que foi um fenômeno do futebol feminino brasileiro na década de 1980.

Mas já se falou muito sobre a hegemonia quase absoluta do Radar naquela época. Vamos variar um pouco, então. Falemos daqueles que desafiaram aquela hegemonia e ousaram vencer o time que foi hexacampeão brasileiro de 1983 a 1988.

O Radar nunca foi derrotado?

“O Radar jamais perdeu uma partida”. Essa é a lenda que consagra a imagem do time imbatível. No filme-documentário sobre a equipe (“Radar! Um time! Uma Nação!”, direção de Douglas Lima e Jefferson Rodrigues), é dita uma frase com esse tom de invencibilidade: “Que eu me lembre, no Radar, nós nunca perdemos um jogo”.

Mas está registrado: o Radar foi derrotado, sim. Poucas vezes, mas foi.

O Radar foi derrotado duas vezes?

Na internet, é comum ler que o Radar foi derrotado apenas duas vezes. Alguns sites, porém, corrigem essa informação: foram duas derrotas nas 71 partidas internacionais, não no total de partidas disputadas pela equipe.

As duas derrotas internacionais foram sofridas diante de equipes dos Estados Unidos. A primeira foi no ano de 1985, em um “Mundialito” disputado na cidade de Cabo Frio (Rio de Janeiro). O Radar, representando o Brasil, foi derrotado por uma equipe chamada Ajax Soccer Club (da Califórnia), que representava os Estados Unidos. O resultado foi 1 a 0.

A segunda derrota, em 1986, aconteceu em outro “Mundialito”, disputado na Itália. Dessa vez, não houve uma equipe representando os Estados Unidos. A própria seleção norte-americana disputou o torneio e venceu o Radar (que novamente representava o Brasil) pelo placar de 2 a 1.

Atletas do Ajax Soccer Clube, que venceu o Radar no Mundialito de 1985, em Cabo Frio (Revista Placar, 22/02/1985)

O Radar foi derrotado quatro vezes? Ou cinco?

Em 1996 (sete anos depois do Radar encerrar suas atividades), uma reportagem da revista Placar informou que a equipe havia sofrido, ao todo, “apenas quatro derrotas em trezentas partidas disputadas” (edição 1119). Então, seriam as duas derrotas internacionais já citadas e outras duas contra equipes brasileiras. A própria revista Placar, em outra edição (n. 767), já havia informado quais eram essas equipes: o Bangu e a seleção do Pará.

Acontece que a mesma revista Placar também já citou cinco derrotas do Radar, não quatro. Essa informação está na edição 848, de agosto de 1986. Pode ter sido um equívoco da revista. Ou há uma quinta derrota desconhecida do Radar em sua vitoriosa história?

Problema grave para quem quer pesquisar esse assunto é a falta de fontes. Os feitos do Radar foram muito mal registrados. O clube foi hexacampeão brasileiro, mas sua história não está assentada nos arquivos da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, da CBF e de várias outras instituições. Não se sabe com exatidão se o Radar foi derrotado quatro, cinco ou quantas vezes mais. É nesse ambiente nublado pela inexatidão que surge a versão lendária do “time que nunca perdeu” ou que perdeu apenas duas vezes. Versão repetida várias vezes e, naturalmente, absorvida por parte da imprensa e pela internet, mesmo que as escassas fontes existentes a contrariem.

Sobre a derrota do Radar diante da seleção do Pará, quase nada se sabe. Poderia (ou deveria) ser louvada pelos futebolistas paraenses como uma das vitórias mais gloriosas do futebol de seu Estado, mas o feito, lamentavelmente, caiu em esquecimento.

Já a derrota diante do Bangu foi muito melhor registrada. 

Bangu x Radar em 1983

Em 1983, o futebol feminino foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Desportos (CND). Antes, era uma prática formalmente ilegal. Depois da regulamentação, surgiu uma onda de interesse e entusiasmo. No mesmo ano, foi realizada a primeira Taça Brasil de futebol feminino e, em seguida, o primeiro campeonato carioca. A imprensa, animada, noticiou bastante.

Na Taça Brasil, o Radar foi campeão com certa facilidade. Disputou apenas duas partidas e não levou nenhum gol. Na decisão, venceu por 5 a 0 a equipe do Ponto Frio, de Goiás (uma partida que terminou em pancadaria e expulsão de todas as jogadoras da equipe goiana). No campeonato carioca, foi diferente: o bicheiro Castor de Andrade, patrono do Bangu Atlético Clube, decidiu montar um time capaz de se impor perante o Radar. A competição, com duas equipes fortes, tornou-se interessante.

O Radar, invicto, foi o campeão do primeiro turno. Continuou invicto no segundo turno, mas empatou com seus adversários em quatro partidas e o campeão foi o Bangu, que venceu mais e somou mais pontos.

Assim seria a decisão: o campeão do primeiro turno contra o campeão do segundo, em melhor-de-três. Na primeira das três partidas decisivas, o Bangu venceu por 1 a 0. Segundo o Jornal dos Sports, aquela foi a primeira derrota sofrida pelo Radar desde a sua fundação. Castor de Andrade, certamente, se orgulhou muito pela vitória do seu clube. Mas o título de campeão carioca feminino ficou com o Radar, que venceu a segunda partida por 1 a 0 e a terceira por 3 a 0. 

Para piorar, a disputa entre Bangu e Radar que se tornou mais conhecida em 1983 não foi nenhuma das três partidas decisivas do campeonato carioca. Foi a que decidiu o primeiro turno, semanas antes. Terminou com uma invasão de campo e perseguição feroz ao árbitro Ricardo Durans. Os perseguidores eram todos ligados ao Bangu. Até Castor de Andrade correu atrás de Durans, que foi agredido e quase terminou linchado. No dia seguinte, o acontecimento foi comentado nos jornais, rádios e TVs de todo o país. O Bangu não foi campeão e ainda ficou mal falado.

Ficou mal falado, mas entrou na galeria heroica dos poucos times femininos que conseguiram vencer o Radar.

Se o Radar ostentava com orgulho a imagem de time imbatível, imagine o quanto podem se orgulhar aqueles que, desafiando a lógica, venceram o time invencível.

Perseguição ao árbitro Ricardo Durans (Jornal dos Sports, 13/10/1983)
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Resumo do livro Que la cuenten como quieran: pelear, viajar y alentar en una barra del fútbol argentino, de Nicolás Cabrera

Cabrera, Nicolás. Que la cuenten como quieran: pelear, viajar y alentar en una barra del
fútbol argentino. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Prometeo libros, 2022.

O que significa ser “barra brava” no futebol argentino? Por que alguém está em uma barra? Herança, amor, honra ou dinheiro? Estas são algumas das perguntas que traz o livro Que la cuenten como quieran: pelear, viajar y alentar en una barra del fútbol argentino a partir de um estudo etnográfico com “Los Piratas”, a torcida organizada do Clube Atlético Belgrano de Córdoba, que existe desde 1968. O trabalho de campo foi realizado entre 2011 e 2019 e consistiu em um acompanhamento diário com os integrantes da barra antes, durante e depois de cada jogo e em vários momentos íntimos de um grupo sobre o qual se fala muito e se sabe pouco.

O livro estrutura-se em torno a três experiências fundamentais através das quais “Los Piratas” se identificam entre diferentes e se hierarquizam entre iguais. Na primeira delas, o lutar, veremos as dinâmicas das violências: como os “barras” se enfrentam trocando socos, facadas e tiros com diferentes alteridades, que são definidas em diferentes espaços e tempos. Na seção viajar são narradas as diferentes maneiras pelas quais estes apaixonados torcedores acompanham ao seu time pelos bairros, cidades, estados e países onde o clube joga.

Fonte: YouTube

Veremos como se procura atravessar fronteiras sem tropeçar. Na parte torcer há uma história mínima da estética pirata. Uma descrição densa do trabalho cotidiano que envolve a organização da festa e o carnaval dos estádios. Finalmente, o livro se encerra procurando discutir a problemáticas das “barras” e a sua ligação com o fenômeno da violência no futebol a partir de duas dimensões: de um lado, analisam-se as políticas públicas historicamente implementadas nessa área; assim como se propõe um estudo comparativo do caso argentino com outras experiências internacionais, tanto latino-americanos, quanto europeias.

O livro conta, em poucas palavras, como se forma “La barra de Los Piratas” ao mesmo tempo em que descreve o que “los barras” fazem na sua cotidianidade.  Vocês verão tradições de bairro e linhagens familiares; reconhecimento e progresso social; fome de adrenalina; sentimentos patrióticos; orgulho das músicas criadas; caixa dois de ingressos; pactos entre homens; humor de estrada; facas, armas e punhos fechados; ou, simplesmente, a serenidade de ter encontrado um lugar no mundo torcendo pelo Belgrano.

Essas são algumas das chaves para entender a durabilidade de grupos que existem além do que “diga la gilada”, aquela manézada onde “Los Piratas” incluem jornalistas acaguetes, cartolas mercenários, jogadores passageiros, torcedores de fachada, políticos charlatões e antropólogos enrolados.


Contato:

Nicolás Cabrera
E-mail: nico_cab@hotmail.com
Instagram: niqo_cabrera

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Normal por Normal, Brilhante por Brilhante

Em ano de Copa do Mundo, uma coisa é certa: ÁLBUM DA COPA!!

Esse ano a atividade ficou sob judice para uma grande parte das pessoas, afinal, a inflação de 100% que acometeu os pacotinhos desde a última Copa não promovia uma decisão favorável para essa causa na qual o Juiz, ou a Juíza, era uma mãe, um pai, ou você mesma/o.

Olhar para os números dá vontade de chorar. Em 2006, os pacotinhos custavam R$ 0,50 (!!!). Na Copa de 2010, R$ 0,75. Quatro anos depois, aqui no Brasil, R$ 1,00. Na última Copa, R$ 2,00 e até que chegamos a esse ano, em que o papel parece ser um produto em escassez e a tinta colorida uma espécie em raridade, o que leva o torcedor a pagar suados 4 reais por pacotinho.

Nem tudo, porém, joga contra essa atividade. O suspense ao abrir cada pacotinho, o frisson da troca, a corrida por completar o álbum e a concentração na hora de colar são fortes argumentos a favor dos colecionadores. E ainda sobre o preço, um ponto a favor é que, em determinados lugares, você pode parcelar as figurinhas! Para que pagar hoje, se podemos deixar para o mês que vem?!

E vale destacar, além disso, que o colecionismo é uma atividade democrática. Tem gente, pingo de gente, gente que nem sabe que é gente, tem gente que tá no segundo álbum, no terceiro álbum, no de capa dura, no de capa norma, tem gente que tá colecionando para o filho ou para a filha (aham, sei), tem gente que tá colecionando para o namorado ou para a namorada (aham, sei), tem gente que só quer o time do Brasil, e gente que só quer o time da Islândia, e por aí vai…

Engana-se quem pensa, porém, que a troca de figurinhas é uma atividade simples. Talvez seja o momento mais sensível do processo. Não existem leis escritas, mas há algumas convenções. Em geral, normal por normal, brilhante por brilhante, ou três normais por uma brilhante. Mas é preciso ressaltar uma coisa. A troca de figurinhas pode revelar o lado mau do ser humano. Algumas pessoas usam o momento para passar a perna nos outros, ou fazer negócios nada justos. Tem quem venda por preços não compatíveis com a realidade, e quem faça a famosa chantagem emocional do tipo “eu te dou as que você precisa, se você me der todas as suas figurinhas”. Para alguns, uma máfia. Para outros, um negócio. Para a maioria, uma diversão.

Fonte: Agência Brasil

Ah, e tem uma outra coisa muito importante. Eu peço, imploro, ajoelho, clamo pelos deuses do futebol: botem as figurinhas em ordem!!!! Pode ser crescente, decrescente, organizar por grupo, por país, de cabeça para baixo, de cabeça para cima, mas que seja em ordem! Um bolinho em ordem intimida muitos bolinhos por aí, rende elogios e até simpatia na hora da troca. É daquelas leis não escritas. É uma espécie de dever moral ético do cidadão trocador!

Mas talvez, nessa atividade, a missão mais difícil seja explicar para as pessoas a importância do Álbum da Copa. Tenho uma humilde teoria de que nós, torcedores, formamos uma classe de incompreendidos por aqueles que não compartilham nossa paixão. Como não entender que devemos, a cada nova banca de jornal, comprar ao menos 5 pacotinhos? Como não entender que é necessário sair à noite, no frio do Rio de Janeiro, para tentar completar a seleção do País de Gales? E, por fim, como não entender que colar as figurinhas é uma atividade de altíssima precisão, e não pode ser feita por qualquer um?

Protejam seus álbuns e troquem figurinhas!! Aliás, estou com umas repetidas aqui… quem quiser trocar é só deixar nos comentários. As regras, vocês já sabem, normal por normal, brilhante por brilhante…

Produção audiovisual

Já está no ar o episódio 56 do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo sexto episódio é o Futebol feminino no Brasil. Com apresentação de Filipe Mostaro e Alice Lichotti, gravamos com Aira Bonfim, Mestre em História, Política e Bens Culturais pela FGV-RJ, Especialista em Estudos Brasileiros pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e Linguagens das Artes pelo Centro Universitário Maria Antônia – USP.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo sexto episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Vem jogar”, de Olívia, Carine Luup e Janine Mathias.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Alice Lichotti e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Alice Lichotti
Convidada: Aira Bonfim

Artigos

Piscinas de ondas: mídia, consumo e novas territorialidades do surfe

Frame do comercial do condomínio Praia da Grama. Agência Ginga.

Esportes considerados de aventura, como o surfe, são esportes que tendem a expandir o espaço esportivo, pois usualmente não são praticados em ambientes fechados ou artificiais, como as quatro linhas de um campo de futebol (MASCARENHAS, 2003). Por exemplo, a descoberta de novas ondas em novos picos[1] é um fato gerador de motivação para os surfistas ao apresentar novos desafios e até novos perigos, e essa busca contínua está arraigada à cultura do surfe que foi eternizada no filme de 1964 chamado The Endless Summer, assim como em uma das campanhas publicitárias mais emblemáticas do esporte, a The Search, da empresa de surfwear Rip Curl.

Em ambos, e em boa parte da comunicação relacionada ao esporte, a narrativa, o cenário e a estética são similares: surfistas aventureiros viajando o mundo atrás de ondas perfeitas, nunca surfadas, sem crowd[2], em paraísos distantes e isolados. Esse sonho faz parte do imaginário de gerações de surfistas, mas pode ser que comece a mudar com a proliferação de piscinas de ondas como a projetada pelo onze vezes campeão mundial Kelly Slater, localizada no Surf Ranch, no interior da Califórnia, ou como as que estão desembarcando no Brasil, a Praia da Grama, inaugurada em julho de 2021, situada em um condomínio de luxo no interior de São Paulo[3], mais duas que estão em fase de construção: a Surfland, que fica em Garopaba, Santa Catarina, outra, também no interior de São Paulo, dentro do condomínio Boa Vista Village, e mais uma que está planejada para começar a ser construída em 2023 na capital de São Paulo, no São Paulo Surf Club.

Estas piscinas são capazes de gerar ondas de até dois metros de altura desenhadas com o auxílio de supercomputadores para que tenham características específicas que se adaptem ao nível de experiência dos surfistas, sejam eles iniciantes, intermediários ou profissionais. Dessa forma, podem ser menores e mais lentas para facilitar o aprendizado, tubulares para proporcionar um tubo limpo e profundo, triangulares e com junções para a execução de aéreos altos e manobras de alta performance. Na Praia da Grama, por exemplo, a tecnologia pode produzir mais de trinta tipos de ondas, com características completamente diferentes entre elas.[4]

Enquanto isso, na natureza a capacidade de gerar ondas perfeitas é reduzida e um dia de mar clássico[5] é raro, pois é necessário um alinhamento de uma série de condições como ondulação, vento, maré e perfil do fundo para que a mágica aconteça[6]. Ou seja, ter ondas semelhantes ou até melhores que as encontradas na natureza a um simples apertar de botões sugere que a busca pela onda perfeita talvez tenha chegado ao fim. Com a novas piscinas de ondas desaparece a incerteza de quando será possível surfar o próximo mar inesquecível, assim como alguns valores historicamente incorporados no imaginário dos surfistas também saem de cena, como a conexão com a natureza e aventura de encontrar mais uma onda espetacular e “selvagem”. Portanto, essas piscinas podem começar a ressignificar a cultura do surfe de uma maneira geral, mas os seus desdobramentos e possibilidades não param por aí.

Em relação aos aspectos do espetáculo esportivo e midiático, o surfe sempre foi um esporte problemático devido a escassez de infraestrutura tecnológica em lugares remotos para realização das transmissões, o caráter impreciso das condições climáticas (qualidade das ondas, que podem impedir a realização da etapa; neblina, que pode dificultar que os juízes enxerguem e julguem os atletas), a imprevisibilidade de incidentes, como casos envolvendo tubarões[7], o julgamento subjetivo e a dificuldade de entendimento pelos fãs. Dirk Ziff, dono da World Surf League, a WSL[8], relatou as dificuldades em um discurso, em 2018:

Esperar que o oceano nos traga as condições ideais tem sido uma questão. Tal como a cultura do acesso gratuito. Os fãs de outros esportes sabem que a transmissão inicia às 3h de sábado à tarde, e não em algum momento dos próximos 12 dias quando o comissário faz a chamada. E os eventos ocorrem em arenas e estádios lotados. Se todos os horários de início da competição fossem completamente incertos e a participação fosse gratuita, gostaria de saber quantos esportes seriam bem-sucedidos hoje? A capacidade miraculosa de se tornar nosso próprio distribuidor de difusão, enviando notificações e transmitindo ao vivo para dispositivos móveis e de desktop em todo mundo, foi essencial para a nossa missão (…). Os eventos ainda são mais longos do que a maioria dos bons swells, e vários dias de lay day podem ser um matador para a empolgação da audiência. Imagine um jogo de basquete que faz uma pausa no intervalo e será retomado em algum ponto desconhecido nos próximos dias. Quantos fãs permaneceriam envolvidos?[9]

Com o novo ambiente estável e previsível das piscinas um leque de possibilidades se abriu para o mercado, como a realização de competições com data e hora marcada, que reduz os custos de produção do evento e viagem dos atletas e suas equipes, que podem fazer reservas com mais precisão[10], possibilidade de cobrança de ingressos, venda de comidas e bebidas, venda de publicidade e direitos de transmissão (CAVALCANTI, 2018). Não é à toa que desde 2016 a WSL se tornou sócia majoritária do Surf Ranch[11]e desde então já realizou três etapas do circuito mundial no local. Segundo a ex-CEO da entidade, Sophie Goldschmidt, a piscina de ondas é uma importante aposta para tornar a primeira liga do surfe mundial lucrativa[12]. Mas a despeito do suposto sucesso operacional, alguns atletas e espectadores se queixaram da monotonia tanto em surfar quanto em assistir uma competição de surfe em uma piscina. O surfista profissional sul-africano Jordy Smith disparou: “não é tão emocionante para os telespectadores depois de assistir o décimo surfista voltar para o tubo por mais dez segundos. É o evento mais desinteressante da turnê.”[13]    

Na perspectiva nacional, essas piscinas estão surgindo atreladas a empreendimentos de luxo, como condomínios e resorts, e são vendidas como equipamentos âncoras que se destacam na publicidade desses locais entre esportes voltados paras as classes mais altas, como golfe, tênis e hipismo, o que nos leva a crer que há um deslocamento simbólico em curso, que está transformando a prática esportiva do surfe em objeto de desejo a ser consumido pela elite como um novo estilo de vida. É certo que hoje, no contexto mundial, o surfe brasileiro vive um dos seus melhores momentos: o país é uma das três grandes potências no esporte e já garantiu cinco títulos mundiais, três com Gabriel Medina, em 2014, 2018 e 2021, mais um com Adriano de Souza, o Mineirinho, em 2015, e outro com Ítalo Ferreira, em 2019[14].

Praia da grama. Fonte: Waves.

Após a estreia do surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e a vitória histórica de Ítalo Ferreira, a quantidade de fãs de surfe no Brasil saltou de 14 milhões de indivíduos, em 2013, para 45 milhões em 2021.[15] Mas esses não parecem ser os únicos motivos para atrair investimentos da ordem de centenas de milhões de reais[16] de incorporadoras como a KSM[17], de Oscar Segall, para a criação cópias hipe-reais da natureza (ECO, 1984). Há uma fetichização da praia ideal, hipermoderna, hiperespetacular (LIPOVETSKY; SERROY, 2015), segura, onde os muros deixam tudo que não é desejado na natureza estetizada do lado de fora: os perigos do mar, a poluição, os ambulantes.

Neste sentido, mais do que ser uma solução para uma demanda crescente por um recurso escasso e valorizado pelos surfistas, as ondas perfeitas, as novas piscinas de ondas são bens que quando consumidos assumem usos, valores e papeis distintos na nossa sociedade, e portanto, aprofundar as investigações sobre esse fenômeno que está em curso pode ser útil para ampliar os estudos em comunicação e antropologia do consumo.


Referências

CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Edusp, 2000.

ECO, Umberto. Viagem na irrealidade cotidiana / Umberto Eco; tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade – Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.

LIPOVETSKY, Gilles; SERROY, Jean. A estetização do mundo. Viver na era do capitalismo artista. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

MASCARENHAS, G. . A leviana territorialidade dos esportes de aventura: um desafio à gestão do ecoturismo. In: BRHUNS, H.; MARINHO, A. (Org.). Turismo, lazer e natureza. Campinas: Manole, 2002, v. 1, p. 75-99.

PISCINA dos sonhos. Direção: Rosaldo Cavalcanti. Brasil: 2018


[1] A definição de pico utilizada por Alves Neto (2011) demonstra como as territorialidades no surfe podem ser flexíveis: “Defino como uma territorialidade móvel, fluida e flexível, que surge a partir das condições oceânicas e é delimitado pelas relações de sociabilidade entre os surfistas. O pico pode ser pensado como um território do vazio (CORBIN, 1988) que é criado e recriado por e pelas ondas e por e pelas relações sociais (ALVES NETO, 2011, p. 121).

[2] Aglomeração de surfistas em um mesmo pico, motivo de disputas acirradas por ondas.

[3] Itupeva, cidade próxima de Campinas.

[4] Disponível em: <https://www.praiadagrama.com.br/tecnologia/&gt;. Acesso em: 22 maio 2022

[5] Dia com boas ondas.

[6] Segundo o historiador Matt Warshaw: “As diferenças de onda para onda são quase infinitas, mas os princípios básicos da formação e deslocamento das ondas são constantes: ventos de tempestade sopram pela superfície do oceano e criam uma transferência de energia para a água; a energia é parcelada, armazenada, organizada e transmitida ritmicamente nos oceanos e mares circundantes até atingir águas rasas (geralmente um litoral, muitas vezes a milhares de quilômetros de distância da fonte da tempestade) e liberar a energia como ondas quebrando” (WARSHAW, 2005, p. 684). 

[7] “Após ataque de tubarão, WSL anuncia que feminino mudará de local no Havaí; Pipe é uma opção.” Disponível em: <https://globoesporte.globo.com/radicais/surfe/mundial-de-surfe/noticia/apos-ataque-de-tubarao-wsl-anuncia-que-feminino-mudara-de-local-no-havai-pipe-e-uma-opcao.ghtml&gt;. Acesso em: 14 jan. 2021

[8] Entidade que representa a divisão de elite do surfe.

[9] Disponível em: https://www.waves.com.br/variedades/novidade/dirk-ziff-dono-da-wsl-abre-o-jogo/&gt;. Acesso em: 22 maio 2022

[10] Atualmente os campeonatos utilizam uma janela de duas semanas para que as disputas sejam realizadas nas melhores condições do mar.

[11] Disponível em: <https://www.uol.com.br/esporte/surfe/ultimas-noticias/2018/09/06/de-olho-em-olimpiada-piscinao-de-kelly-slater-inicia-nova-era-do-surfe.htm&gt;. Acesso em: 14 jan. 2021

[12] A Association of Surfing Professionals (ASP) foi comprada em 2014 pelo bilionário americano Dirk Ziff. um dos herdeiros do magnata da mídia William Ziff Jr. Desde então, a WSL vem tendo dificuldades de encontrar formatos atrativos que possam torná-la lucrativa. Disponível em: <https://www.waves.com.br/variedades/novidade/dirk-ziff-dono-da-wsl-abre-o-jogo/&gt;. Acesso em: 22 maio 2022

[13] Disponível em: <https://beachgrit.com/2021/06/why-did-surf-ranch-fail-as-wave-pool-tech-and-as-a-contest-so-spectacularly-a-dull-ache-of-unrealised-desire-at-the-deathless-sight-of-that-impossibly-perfect-wave/>. Acesso em: 7 ago. 2021

[14] Disponível em:<https://ge.globo.com/radicais/surfe/mundial-de-surfe/noticia/confira-a-lista-dos-campeoes-do-circuito-mundial-de-surfe.ghtml&gt; Acesso em: 8 maio 2022 

[15] Disponível em: <https://www.waves.com.br/variedades/novidade/pesquisa-do-ibope-recorde-de-fas-do-brasil/&gt;. Acesso em: 11 ago. 2022

[16] A piscina da praia da Grama custou R$180 milhões. Disponível em: < https://exame.com/casual/com-praia-artificial-de-700-metros-condominio-em-sp-anuncia-ultimos-lotes/&gt;. Acesso em 14 ago. 2022

[17] Empresa que construiu a piscina do condomínio Praia da Grama.

Artigos

Futebol: do patrocínio na camisa à era digital

O futebol parece estar finalmente aflorando para o mercado digital. Desde quando o Flamengo, em 2008, foi o primeiro clube a investir num canal do Youtube para cá, o que parecia ser visionário é quase que quesito obrigatório. Além dos perfis nas redes sociais, a criação das TVs de clubes tem sido uma realidade. O que ainda não está bem claro é como monetizar, ou seja, como fazer com que as redes sociais e os canais no Youtube sejam parte importante do planejamento orçamentário dos clubes. Pensando nisso, entrevistei dois ex-vice presidentes de Marketing de Flamengo e Vasco, Daniel Orlean e Bruno Maia, respectivamente.

Quando falamos da mídia digital, temos a questão da valoração. Tratando-se de uma mídia tangível, como, por exemplo, os patrocínios em uniformes, chegar ao resultado da equação valor + preço parece mais fácil. Mas quando pensamos no digital, ainda há muito o que se estudar, como aponta Bruno Maia:

Falando de maneira geral, um veículo – qualquer que seja ele, blog, TV – para gerar receita é um projeto de médio prazo, precisa gerar audiência e relevância e gestão do contato com a sua audiência. A VascoTV agora passou a ter uma plataforma própria e ela também funciona muito no Youtube, o que limita muito. Óbvio que se consegue algo com anúncio, mas parte da receita fica no Youtube. No começo é bom porque o Youtube já tem toda a estrutura e seria um alto investimento para o clube. Por exemplo, o patrocínio de camisas do clube que leva x minutos da Vasco TV, isso é ruim. A gente precisa fazer uma valoração do quanto vale aquele minuto. Tratar como complemento para vender uma mídia principal. O ideal seria saber qual o valor mensurável disso para realmente vender um pacote.

Fazendo um paralelo com a declaração de Bruno e com o que explica De Marchi (2018), os clubes entraram na lógica dos derivativos. Como ressalta o autor, as transações virtuais acontecem graças ao algoritmo, que é um conjunto de regras que fornecem resultado específico a partir de fórmulas matemáticas e dividem as informações em distintos fragmentos ou atributos, desenhando cenários possíveis. Desta forma, as plataformas digitais têm se valido das técnicas do mercado de derivativos.

De forma geral, programam-se algoritmos proprietários (de código fechado) para que fragmentem um ativo subjacente em diferentes atributos, utilizando parâmetros que lhes permitem tornar comparáveis entidades aparentemente incompatíveis. Em seguida, recompõem-se tais atributos num composto derivado, uma unidade informacional abstrata. Tal como ocorre no mercado de arbitragem, a este produto atribui-se algum valor monetário, a partir do qual outros compostos serão avaliados em seu valor intrínseco. Assim, uma ampla gama de práticas sociais se torna passível de codificação, pois são padronizadas e intercambiáveis (DE MARCHI, 2018, p. 204).

Transportando essa lógica para o futebol, se você segue um clube na rede social, por exemplo, podem aparecer anúncios de produtos deste mesmo clube em outras plataformas na rede. É como se você deixasse as suas pegadas e fosse construindo um caminho a ser seguido pelas empresas de materiais esportivos ou até mesmo pelo próprio clube. A partir dos seus dados, o conteúdo vai sendo retroalimentado. Desta forma, como nos conta Orlean, há a possibilidade de chegar ao público digital de maneira mais precisa:

Eu consigo dizer: eu quero atingir as mulheres de 25 a 35 anos, com este produto, os homens de 18 a 25 com este produto. Ou seja, trabalhar a informação digital dos meus torcedores. De maneira macro, eu não sei quem são os 40 milhões de torcedores, mas no digital, mesmo sendo, vamos supor, 6 milhões, eu consigo ter mais informações sobre ele. Já o esporte eletrônico, ele nasce digital, com target, eu sei quem é cada pessoa que está assistindo aquela partida porque ela assiste pela Twitch TV, comenta durante o jogo. O esporte eletrônico já veio com este modelo e fomos tentando adaptar ao futebol tradicional. Sair da visão de broadcasting, de transmitir para todo mundo e não sei para quem, para uma visão mais individualizada, mais digitalizada, e aí a gente consegue rentabilizar de várias formas. Eu rentabilizo porque posiciono a marca digitalmente, rentabilizo porque eu converto clientes de forma muito mais específica, rentabilizo porque eu consigo licenciar aquele conteúdo de várias formas diferentes, rentabilizo porque a própria plataforma me paga, seja o Youtube, seja o Twitch TV. 

Desta forma, ocorre uma segmentação de público-alvo e este público, digital, pode gerar também patrocinadores que estão nesta ambiência. É o caso do Vasco, que fechou parceria com a plataforma de apostas NetBet e com o banco digital da BMG, como conta Maia: “O Vasco foi o primeiro clube a ter um site de apostas como patrocinador. Parceiros com natureza mais digital acabam valorizando e tendo mais percepção da importância das mídias digitais”.

Já o Flamengo fechou, em abril de 2021, contrato com a empresa Mercado Livre: 30 milhões por 18 meses, ou seja, 1,5 milhão por mês[1]. No mesmo mês, o clube fez parceria pontual com a Amazon Prime Vídeo, para a partida final da SuperCopa[2], o que pode ainda se tornar, no futuro, uma parceria efetiva, apesar do fechamento do contrato com o Mercado Livre que, de certa forma, é concorrente em alguns segmentos de mercado da Amazon. Maia analisa o potencial dessa parceria:

Em relação ao patrocínio do Flamengo com a Amazon, eu acho promissora por um lado e problemática por outro. Uma empresa que trabalha com dados como a Amazon é bem vista no futebol. A maior marca de fãs do Brasil unida com a maior marca do mundo de tratamento de dados é lógico que você está falando de uma coisa com potencial absurdo. Mas você tem dezenas de complexidades que vão desde cultura de empresa, modelos estruturais de negócios, de cada um destes stakeholders, é uma empresa na bolsa de valores, uma das maiores do mundo e a outra é uma empresa política, que os acionistas são sócios estatutários, o presidente eleito a cada três anos. Você tem uma série de desafios a estruturar uma parceria como essa. É um terreno quase virgem no futebol brasileiro a exploração de dados em favor do negócio. É uma promessa grande em se tratando de teoria, mas não é simples.

Maia aponta ainda que o mercado do futebol no Brasil ainda é muito tradicional:

O futebol circula com patrocinadores que também têm uma visão que combina com a visão velha do futebol. Então é muito comum como passamos anos apresentando o digital como algo complementar à mídia principal, os próprios patrocinadores tinham pouco interesse sobre essas informações. Você lida com marcas menores no futebol brasileiro. No tempo que eu estive, nenhuma das 40 maiores empresas do país estava no futebol brasileiro. E eles usam atalho pra falar com o público pela televisão. Até as empresas digitais a gente tinha que mostrar os dados. Quanto mais digital o futebol for e tiver mais cases, ele vai conseguir atrair estes patrocinadores. 

Sendo assim, podemos dizer que a presença dos clubes na ambiência digital ainda encontra entraves na própria maneira de pensar o mercado de divulgação de produtos e serviços. Podemos inferir que, a partir do momento que os patrocinadores perceberem que podem obter lucros por meio da financeirização da vida cotidiana do próprio torcedor, ou seja, observarem que os hábitos cotidianos deles na rede são informações valiosas, mais contratos serão fechados. 

Seguindo esta tendência, tem sido comum os clubes criarem produtos para suas TVs próprias, com conteúdo específico. O Flamengo lançou, em 2021, um pacote de pay-per-view do Campeonato Carioca. Segundo o site do clube, os torcedores teriam: “uma cobertura muito ampla do pré e do pós-jogo e a narração totalmente rubro-negra dos jogos do Mengão[3]”. Além da cobertura pela FlaTV, alguns jogos também foram transmitidos pela TV Record. Ou seja, os clubes perdem em receita para a TV, porque não dão exclusividade a ela, mas podem transmitir as partidas buscando patrocinadores específicos, gerenciando os seus próprios dados. Foi a primeira vez que o Campeonato Carioca foi rentabilizado de forma digital, em multiplataformas. Orlean aponta que o ideal é justamente o modelo conteúdo exclusivo + transmissão na TV aberta: 

Fonte: Olhar digital.

É uma tendência ter estes canais mais exclusivos. Mas exclusivos não tem que ser elitista. Não precisa não passar na TV aberta. Pode passar também na aberta e ter uma venda de transmissão com uma pegada mais exclusiva, com um conteúdo mais exclusivo. Porque o Flamengo cresceu muito sendo popular, se você passa a transmitir somente via streaming para pouquíssimas pessoas, você começa a perder a essência popular que o clube tinha e começa a perder em outras frentes, vai vender menos camisa, vai vender menos ingresso quando voltar, vai ter menos sócio torcedor. Não podemos ir num caminho de elitizar. Tem rubro-negro que não tem 35 reais de sócio torcedor, mas o que tem, muitas vezes não têm uma internet boa o suficiente para essas transmissões. 

A fala do ex-dirigente vai ao encontro do que diz Schradie (2017) ao apontar que as formas democráticas de participação na internet não foram confirmadas, pois a filosofia igualitária da rede se choca com as desigualdades de classe social, em uma economia de livre mercado.

Ainda assim, se pensarmos que a probabilidade é de que o acesso à internet aumente, como tem crescido nos últimos anos e que há a possibilidade de quem ganha mais, acessar mais, este mercado é um grande potencial para os clubes, como diz Maia:

A plataforma nunca cria torcedor. O que ela faz é moldar o tipo de consumo.  A TV estimula você a torcer e os streamings fazem isso também. Nos estimulam para vender o que tem de tecnologia e de escala. O futebol está descobrindo um tamanho que ele não imaginava, precisa se entender. A gente consome futebol da mesma maneira que consome uma música instrumental em Botsuana. Agora o que é hegemônico é fragmentado. As plataformas contribuem para o que todas as mídias já contribuíram, para o que é característico de nossa espécie: a contação de história, a capacidade de emocionar. Os formatos que queiram fazer, a gente vai continuar vendo futebol, provocação, rivalidade, aquilo que transcenda a nossa vida em 90 minutos. Quanto mais ferramentas e linguagens as plataformas digitais criarem para estimular este tipo de coisa, que é humano, que é a mesma coisa que o cinema estimula, que os e-sports estimulam, que a música, que a moda, religião estimulam, essa transcendência, sensação de conseguir se superar, é com as características das próprias plataformas, com o que elas tiverem, e que case com isso, o esporte vai usar bem.

Partindo dessa lógica defendida por Maia, o próprio Vasco, em março, realizou parceria com a empresa MetaSoccer, além do patrocínio no short, os torcedores poderão criar seu próprio clube e gerar renda, nesta plataforma que é a primeira com jogo de futebol dentro do metaverso. Isto faz parte do projeto que o clube tem para a esfera digital, neste novo contexto, enquanto espera a formalização da venda de 70% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para o fundo de investimentos 777 Partners. Ou seja, muitas ainda são as possibilidades desconhecidas do universo digital.

BIBLIOGRAFIA

BETING, Erich. |Exclusivo: Vasco lança relatório digital de olho em venda para 777 Partners. Disponível em https://maquinadoesporte.com.br/futebol/exclusivo-vasco-lanca-relatorio-digital-de-olho-em-venda-para-777-partners/. Acesso em 04 maio. 2022.

BURLÁ, Leo. Flamengo terá patrocínio do Amazon Prime Video na final da Supercopa, Uol, 9 abr. 2021. Mais informações em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/09/flamengo-tera-patrocinio-da-amazon-na-final-da-supercopa.htm. Acesso em 17 mai. 2021.

DE MARCHI, Leonardo. Como os algoritmos do Youtube calculam valor? Uma análise da produção de valor para vídeos digitais de música através da lógica social de derivativo. Matrizes, v 12, nº2, maio/ ago. 2018, São Paulo, Brasil, pp.193-215.

EXTRA. Flamengo é o primeiro clube brasileiro a ter canal oficial no Youtube. Disponível em: https://extra.globo.com/esporte/flamengo-o-primeiro-clube-brasileiro-ter-canal-oficial-no-youtube-551770.html. Acesso em 28 jul.2022.

FLAMENGO. Mais informações disponíveis em https://www.flamengo.com.br/noticias/institucional/flamengo-lanca-pay-per-view-para-transmissao-do-carioca-2021-em-plataforma-propria-de-streaming. Acesso em 17 maio 2021.

IBOPE REPUCOM. Ranking digital dos clubes brasileiros. Maio de 2021. Disponível em https://www.iboperepucom.com/br/rankings/. Acesso em 9 mai. 2021.

LANCE. MyCujoo vai reembolsar torcedores do Flamengo; saiba como, 5 jul. 2020. Mais informações disponíveis em https://www.lance.com.br/flamengo/mycujoo-reembolsara-torcedores-saiba-como.html. Acesso em 17 maio. 2021.

MATTOS, RODRIGO. Flamengo fecha com Mercado Livre após negociar com concorrente Amazon, Uol, 27 abr. 2021. Mais informações disponíveis em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2021/04/27/flamengo-fecha-com-mercado-livre-apos-negociar-com-concorrente-amazon.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em 17 mai. 2021.

MOROZOV, Evgeny. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Ubu, 2018.

SCHRADIE, Jen. Ideologia do Vale do Silício e desigualdade de classe: um imposto virtual em relação à política digital. Parágrafo, jan / jun 2017, v 5, nº1, São Paulo, 2017.

TIC DOMICÍLIOS, maio de 2021. Disponível em https://cetic.br/pt/tics/domicilios/2019/domicilios/A4/. Acesso em 17 mai. 2021.

VASCO. Vasco e MetaSoccer iniciam parceria de patrocínio e licenciamento. Disponível em https://vasco.com.br/vasco-e-metasoccer-iniciam-parceria-de-patrocinio-e-licenciamento/. Acesso em 04 ago. 2022.


[1] Mais informações disponíveis em < https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2021/04/27/flamengo-fecha-com-mercado-livre-apos-negociar-com-concorrente-amazon.htm?cmpid=copiaecola>. Acesso em 17 mai. 2021.

[2] Mais informações em < https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/09/flamengo-tera-patrocinio-da-amazon-na-final-da-supercopa.htm>. Acesso em 17 mai. 2021.

[3] Mais informações disponíveis em < https://www.flamengo.com.br/noticias/institucional/flamengo-lanca-pay-per-view-para-transmissao-do-carioca-2021-em-plataforma-propria-de-streaming>. Acesso em 17 maio 2021.

Produção audiovisual

Já está no ar o episódio 55 do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo quinto episódio é o Basquete Feminino: História e Legado. Com apresentação de Fausto Amaro e Júlio César Barcellos, gravamos com Claudia Maria Guedes, doutora em Educação Física pela Unicamp e Professora Associada na San Francisco State University, no Departamento de Cinesiologia.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo quinto episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Essa moça tá diferente”, de Chico Buarque de Hollanda.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Júlio César Barcellos e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Fausto Amaro e Júlio César Barcellos
Convidada: Claudia Maria Guedes