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LEME convida para o 9º CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol 2018

Convidamos para a Sessão Especial de Abertura do 9º CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol 2018. Em destaque a exibição do longa “Para Sempre Chape” (Uruguai, 2018, Luis Ara) e do curta-metragem “Superstição e Futebol” do cineasta homenageado Sylvio Lanna (Brasil, 1968). A Sessão Especial de Abertura contará com a presença dos diretores e acontece na quinta, 20/09, às 20h, na Estação NET Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 88).

Confirme a sua presença pelos emails: cinefoot@gmail.com ou reservascinefoot@gmail.com

CINEfoot – Praticamos o Futebol Arte

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O menino que queria jogar bola

Estou escrevendo um livro-reportagem que deve ser publicado em dezembro de 2018. Inicialmente em João Pessoa, mas podendo se expandir para quantos lugares houver leitores interessados em conhecer essa história incrível de fé, superação, vida e futebol.

É a história de um menino que sonhava em ser jogador de futebol. É a história de uma criança feliz e (até então) saudável, que era pleno com uma bola no pé, com a camisa de seu Fluminense e de seu Botafogo-PB, calçado com os tênis ou com as chuteiras que lhe faziam parecer um verdadeiro herói.

Mas é a história também de um menino que aos oito anos de idade foi diagnosticado com um tumor maligno no cérebro, com uma mazela que mudaria sua vida para sempre.

O menino, que jogara bola ainda no dia anterior, reclamou de dores de cabeça. Foi levado à oftalmologista para procurar saber se precisaria usar óculos e saiu da clínica diagnosticado com o tal tumor. Dali para fazer os exames que comprovariam a gravidade do problema até a cirurgia passaram-se apenas 48 horas.

Ele foi operado. Curado. Mas teve um outro problema decorrente do primeiro. Voltou ao hospital, desta vez apresentando um quadro clínico infinitamente mais grave e aparentemente definitivo.

Chegou a morrer. Ou quase, visto que ressuscitou. Ficou em coma profundo, enfrentou a morte por longos dias de angústia, mudou as vidas das pessoas próximas que presenciaram indefesos tudo aquilo que ele enfrentou. Enfrentou, e venceu, bravamente, ainda que naquele primeiro momento ninguém soubesse que de fato venceria.

Pois, é sobre essa história que (em paralelo ao meu mestrado, onde pesquiso torcidas de futebol na Paraíba) estou debruçado há alguns meses e que devo seguir trabalhando até o dia do lançamento. Estou na fase de escrita. Mas já entrevistei médicos, fisioterapeutas, familiares, amigos, treinadores.

Estou tão impactado com tudo o que venho vivendo, descobrindo e refletindo, que uso este espaço como uma espécie de sala de terapia para falarmos de nossas angústias, nossas emoções, nossos temores. E sobre futebol também.

Futebol de valor imensurável na mente e no coração de muitos brasileiros. De importância vital para aquele menino. Futebol aqui como símbolo da sobrevivência, da teimosia, do heroísmo, da insistência em se manter vivo. Como algo muito mais profundo do que apenas um jogo de bola. Algo que, ao mesmo tempo, é igualmente simples e profundo.

Futebol como símbolo maior de um menino que simplesmente ousou se negar a morrer para poder por bem mais tempo viver a inexplicável sensação de liberdade, de amor e de felicidade que só uma partida de futebol pode proporcionar.

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Fonte: Depositphotos

Porque ele lutou. Brigou. Bradou. As vezes no silêncio mórbido do coma. Às vezes nos gritos de dor das sessões de fisioterapia. As vezes nas comemorações alegres em meio às pequenas conquistas. Para, como prêmio maior de tanto esforço, poder uma vez mais desafiar as previsões médicas.

Não era um menino qualquer. Era o menino que queria jogar bola. Ou voltar a jogar, que seja. E isso não é pouco na mente apaixonada do boleiro.

Correr atrás de uma bola, marcar forte um adversário, abraçar o companheiro no extravasamento incontido do gol, vivenciar um esporte mágico que move multidões, mas move também o imaginário de uma criança que estava decidida a não perder para sempre aquelas sensações mágicas.

De certa forma, é um livro também sobre milagres. E o milagre pode estar num chute na bola que faz o coração voltar a pulsar forte. Emocionando para sempre pais, avós, amigos que sonhavam poder voltar a ver o menino reverenciar o futebol.

Afinal, o livro é sobre um menino que foi dado como morto e que, depois de sobreviver, disseram que ele nunca mais teria uma vida normal. Hoje tem. E o que lhe movia a cada momento na dolorida recuperação foi o sonho imensurável de um dia voltar a jogar bola. Hoje joga.

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Breve balanço do GP Comunicação e Esporte no Intercom 2018

Acabo de retornar do 41º Congresso Nacional da Intercom, realizado em Joinville. Desde 2011, tenho participado desse que é o principal encontro da área de Comunicação. O GP Comunicação e Esporte, do qual faço parte, é um dos mais importantes espaços na área de Ciências Humanas e Sociais para o debate sobre a interface entre práticas esportivas e mídia.

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Fonte: Portal Intercom

Desde que comecei a participar desse grupo, em 2011, pude perceber o crescimento consistente que tem se dado, tanto em número de trabalhos quanto na qualidade dos mesmos. Nesta edição do Congresso da Intercom, o GP recebeu 35 trabalhos, o que o coloca como o 11º grupo com o maior número de submissões. Dentre os grupos antigos, o GP de Esporte foi o que apresentou menor redução no número de artigos submetidos. Ao longo desses oito anos, os temas de pesquisa têm progressivamente se ampliado para além do futebol, o que a meu ver é um ponto bastante positivo. Tive a oportunidade de mediar uma mesa este ano que contava com dois trabalhos sobre o esporte paralímpico, além de outros dois sobre crônicas futebolísticas.

Foram 10 sessões divididas em três dias de evento, abrangendo diversos eixos temáticos dentro do campo esportivo: crônicas, torcedores, redes sociais, transmissões esportivas, esporte paraolímpico, cobertura esportiva, mulheres no esporte, aspectos institucionais do esporte, voluntariado, lazer, jogos olímpicos e memória. A programação completa pode ser conferida aqui e a lista de trabalhos completos nesse outro endereço. Cumpre destacar a presença de alunos de graduação, mestrandos, mestres, doutorandos, doutores e professores, o que torna o GP de Esporte um espaço de debate plural e inclusivo, uma marca do próprio Intercom.

Ano que vem, o Congresso Nacional da Intercom será realizado em Belém (PA). Para aqueles interessados na inter-relação entre esporte e mídia, vale a pena planejar sua ida, seja como ouvinte das discussões no GP, seja como apresentador de trabalho. Até lá!

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A Copa do Mundo e a polarização das eleições presidenciais

A camisa da seleção brasileira de futebol não é apenas um símbolo de um país, mas uma marca de um grupo político para algumas pessoas e isto fica mais evidenciado ainda em uma competição como a Copa do Mundo de futebol. A matéria “Camisa da seleção, o símbolo contaminado por rixas ideológicas e negociatas dos cartolas”, com o subtítulo: “Visto como instrumento político em manifestações, uniforme amarelo enfrenta rejeição após escândalos de corrupção que abateram o país e a CBF”, publicada em 17 de junho de 2018, no site El País, mostra entrevistas com pessoas que se recusaram a vestir a camisa da seleção brasileira de futebol, durante a competição, realizada na Rússia, por a associarem aos manifestantes pró-impedimento em 2015 / 2016.

Este forte movimento de ligação da camisa da seleção à política se iniciou na Copa do Mundo anterior. De acordo com De Campos (2015, p. 37), a principal característica da Copa de 2014, que marcou definitivamente a história do futebol, foi a intensa politização. Para o autor, futebol e política entraram em campo com uma disposição tática nunca vista.  Neste mesmo ano, além do megaevento, ocorreram as eleições presidenciais e Aécio Neves, principal adversário de Dilma Rousseff, foi fotografado várias vezes utilizando a camisa da seleção brasileira de futebol e seus eleitores também usaram, por diversas vezes, este vestuário.

As eleições de 2014 estão dentre as mais acirradas do cenário político brasileiro. Durante a campanha, as pesquisas indicavam ora a candidata do PT Dilma Rousseff como a vitoriosa, ora o candidato do PSDB Aécio Neves. Porém, a história foi confirmada: nunca um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno, ganhou a eleição no segundo turno. Apesar disso, a disputa foi muito grande. Dilma ganhou com uma diferença de 3,4 milhões de votos – a mais apertada vitória desde a redemocratização do país. Em 2010, a própria Dilma bateu o também candidato do PSDB José Serra com uma diferença de 12 milhões de eleitores.

“A derrota apertada contribuiu para que muitos eleitores e seguidores da oposição assumam um comportamento de torcida apaixonada, que estimula a rivalidade e aposta no confronto. Resta saber até quando, em nosso país, saberemos diferenciar os adversários dos inimigos. De qualquer modo, vale insistir, foi através do futebol e de sua importância para a sociedade brasileira, que se tornaram mais explícitos esses conflitos de interesses. Esse é, talvez, o maior legado da Copa. O enfrentamento político com o Brasil diante do espelho.  (DE CAMPOS, 2015, p.38)”

O cenário de rivalidade, muitas vezes, era similar ao futebolístico, uma arena de emoções. Neste caso, gerando até apelidos para designar os “dois lados”, como explicam Chaia e Brugnago (2015:107): “A sociedade foi dividida aos olhos das discussões ideológicas em dois grandes blocos: ‘coxinhas’ e ‘petralhas’. Quem não se encaixa em um desses dois grupos se torna uma anomalia política, um alienado”. (2015, p. 107).

Jessé Souza (2015, p. 250) explica que esta polarização mostra os conflitos reais que racham a sociedade contemporânea brasileira. “A contradição das classes sócias no projeto de construção de uma sociedade para 20% e o projeto inconcluso e incipiente de um Brasil para a maioria da população” (SOUZA, 2015, p. 250).  Desta forma, seguindo esta lógica, o candidato Aécio Neves governaria para uma minoria ligada aos empresários, segmento financeiro e políticos, enquanto Dilma Rousseff tinha uma proposta mais inclusiva, contemplando maior parte da população e, esta diferença de proposta, também contribuiria para a polarização.

Durante a campanha, eleitores de ambos os lados demostraram suas preferências por meio não apenas de comentários, como também de vestimentas, como mostra reportagem do site El País, de 26 de outubro de 2014: “Eleitores vestem azul e amarelo por Aécio, e vermelho por Dilma”. Na reportagem, alusão à camisa da seleção brasileira amarela e à camisa de cor azul em referência ao PSDB, em apoio a Aécio Neves e camisetas vermelhas (cor do PT) em apoio à Dilma, por eleitores que foram confirmar seu voto, neste que foi o dia do segundo turno das eleições presidenciais.

A camisa da Seleção Brasileira passou a ser tão utilizada no âmbito político que a própria Nike, patrocinadora responsável por confeccionar o uniforme, emitiu nota proibindo impressão de nomes que fizessem ligação aos candidatos, já que eleitores tentaram utilizar nomes de Dilma e Aécio e termos como “Fora” em composição de palavras para impressão. Em nota, a empresa explica a medida:

“A Nike não é filiada a nenhum partido político, não só no Brasil como no mundo todo. Além disso, o sistema do website nike.com, como descrito na própria página, não permite customizações com palavras que possam conter qualquer cunho religioso, político, racista ou mesmo palavrões. Este sistema é atualizado periodicamente visando cobrir o maior número de palavras possíveis que se encaixem nesta regra. (Estadão, 11/07/2014) ”

Como o país parecia, de fato, dividido, a ex-presidente Dilma Rousseff teve, durante boa parte do seu mandato, que conviver com manifestações contra sua política de governo. Vale ressaltar que a Copa do Mundo no Brasil ocorreu no final do primeiro mandato e, na cerimônia de abertura na Arena Corinthians, ela foi hostilizada por xingamentos após a execução do hino nacional. A intercorrência iniciou na arena vip e, em pouco tempo, se espalhou por outros espaços do estádio.

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Fonte: Meu Timão

O próprio candidato perdedor, Aécio Neves, também foi visto com a camisa da Seleção Brasileira, da janela de seu apartamento, em Ipanema, enquanto manifestantes estavam nas ruas em protestos, segundo reportagem publicada em 15 de março de 2015, pelo jornal O Estado de Minas. Neste ano, Dilma Rousseff teve que enfrentar diversas manifestações, mas esta foi considerada, pela imprensa como uma das maiores da história. As informações referentes ao número de participantes são conflitantes, mas números da Polícia Militar apontam que cerca de 3,6 milhões de pessoas protestaram em todo o país. As vestimentas mais utilizadas durante os protestos foram as camisas de cores verde e amarela e a camisa da seleção brasileira.

Em agosto de 2016, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aprovado pelo Senado por 61 votos favoráveis e 20 contrários. Não se pode afirmar ligação direta das manifestações à saída, já que a presidente foi afastada sob a acusação de ter cometido as chamadas “pedaladas fiscais”, mas sim que o uso político da camisa, neste contexto, gerou uma outra visão de alguns integrantes da sociedade para um símbolo que até então estaria no campo do “sagrado”.

Bibliografia

BRUGNAGO, F.; CHAIA; V. A nova polarização política nas eleições de 2014: radicalização ideológica da direita no mundo contemporâneo do Facebook. Aurora: revista de arte, mídia e política, São Paulo, v.7, n.21, p. 99-129, out.2014-jan.2015.

DE CAMPOS, F. A Copa da política em um país do futebol. In MARQUES, J.C. A Copa das Copas? Reflexões sobre o mundial de futebol de 2014 no Brasil. São Paulo: Edições Ludens, 2015.

SOUZA. J. A tolice da inteligência brasileira. São Paulo: Leya, 2015.

Camisa da seleção, o símbolo contaminado por rixas ideológicas e as negociadas dos cartolas. El País, São Paulo, 17 jun. 2018. Disponível em:

<https://brasil.elpais.com/brasil/2018/06/16/deportes/1529108134_704637.html?id_externo_rsoc=whatsapp>. Acesso em 20 de junho de 2018.

Desinteresse de brasileiros pela Copa do Mundo bate recorde, diz Datafolha. O Globo, Rio de Janeiro, 12 jun. 2018. Disponível em: https://oglobo.globo.com/esportes/desinteresse-de-brasileiros-pela-copa-do-mundo-bate-recorde-diz-datafolha-22769299. Acesso em 28 de junho de 2018.

Paraíso do Tuiuti supera tragédia de 2017, e é vice do Carnaval do Rio. Uol, São Paulo, 14 fev. 2018. Disponível em:

<https://carnaval.uol.com.br/2018/noticias/redacao/2018/02/14/paraiso-do-tuiuti-supera-tragedia-de-2017-e-e-vice-do-carnaval-do-rio.htm>. Acesso em 28 de junho de 2018.

Aécio veste camisa da seleção, mas não se junta a protesto no Rio. Estado de Minas, Minas Gerais, 15 mar. 2015. Disponível em:

https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/03/15/interna_politica,627766/aecio-veste-camisa-da-selecao-mas-nao-se-junta-a-protesto-no-rio.shtml. Acesso em 28 de junho de 2018.

Dilma é hostilizada durante abertura da Copa do Mundo em São Paulo. G1, São Paulo, 12 jun. 2014. Disponível em:

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/06/dilma-e-hostilizada-durante-abertura-da-copa-do-mundo-em-sao-paulo.html. Acesso em 28 de junho de 2018.

Patrocinadora veta nome de políticos em camisetas da seleção. O Estado de São Paulo, São Paulo, 11 jun. 2014. Disponível em

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,copa-do-mundo,patrocinadora-veta-nome-de-politicos-em-camisetas-da-selecao,1527122. Acesso em 28 de junho de 2018.

BENITES, Afonso; ROSSI, Marina. Eleitores vestem azul e amarelo por Aécio, e vermelho por Dilma. El País, Brasília São Paulo, 26 out. 2014. Disponível em:

https://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/26/politica/1414337499_841458.html. Acesso em 28 de junho de 2018.

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Cinza é a cor mais quente: sobre estádios para sentar

Já é um caso consumado no futebol brasileiro: torcidas organizadas são disciplinadas e colocadas obrigatoriamente no fundo de um dos gols, espremidas em um lance minoritário de uma arena invariavelmente repleta de assentos vazios, concentrando e/ou sobrepondo a festa de quatro ou cinco agrupamentos. A festa é confusa, descompassada. As torcidas disputam entre si o… Continuar lendo Cinza é a cor mais quente: sobre estádios para sentar

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80 anos do artigo Foot-Ball Mulato de Gilberto Freyre: a eficácia simbólica de um mito

No dia 17 de junho de 1938, Gilberto Freyre publicou no Diário de Pernambuco um artigo que se transformaria, algumas décadas depois, em objeto de estudo de cientistas sociais no Brasil. No artigo “Foot-ball Mulato”, Freyre diz que estava respondendo a um repórter que queria sua opinião sobre as “admiráveis performances brasileiras nos campos de… Continuar lendo 80 anos do artigo Foot-Ball Mulato de Gilberto Freyre: a eficácia simbólica de um mito

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Mais que uma disputa de tênis

O filme A Guerra dos Sexos (2017), dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, narra uma disputa de tênis entre o ex-campeão Bobby Riggs (interpretado por Steve Carell) e a líder da classificação mundial Billie Jean King (interpretada por Emma Stone). Essa partida de tênis vira centro de um debate global sobre igualdade de gêneros. Influenciados… Continuar lendo Mais que uma disputa de tênis

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