Eventos

SEMINÁRIO INTERNACIONAL “COPA AMÉRICA – 2019: ESPORTE, MÍDIA, IDENTIDADES LOCAIS E GLOBAIS”

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Em 1919, no Rio de Janeiro, a seleção brasileira conquistou o campeonato Sul-Americano de futebol. Já em pleno processo de popularização desse esporte no Brasil, o sul-americano daquele ano pode ser considerado como um momento fundamental em que foram dados contornos mais nítidos de uma identidade coletiva que se construía em torno do futebol. 100 anos se passaram. O Sul-americano se transformou em Copa América e o futebol, especialmente a seleção brasileira, se consolidou como um dos mais importantes pilares identitários do Brasil. 100 anos se passaram e, novamente, o Brasil sedia o mais importante campeonato de seleções do continente americano.

A realização do Seminário “Copa América-2019: Esporte, mídia, identidades locais e globais” pretende promover uma discussão de cunho acadêmico e transdisciplinar, objetivando refletir sobre o fenômeno futebolístico e esportivo de um modo geral tendo como centro articulador os debates sobre a realização da Copa América de 2019, no Brasil e os cem anos da primeira conquista internacional da Seleção Brasileira. Nesse evento, o LEME (Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte) propõe promover uma oportunidade de divulgação e circulação de conhecimento que não se restrinja ao futebol em si, mas sim sobre as repercussões e apropriações feitas dessa prática esportiva que, desde o início do século XX, tem mostrado sua força de popularidade.

Normas para submissão de resumos e trabalhos completos para a sessão de trabalhos do Seminário Internacional COPA AMÉRICA – 2019: ESPORTE, MÍDIA, IDENTIDADES LOCAIS E GLOBAIS

1) Em um primeiro momento, o (a) autor(a) e co-autor (a), caso haja, deverão encaminhar, até o dia 28 de fevereiro de 2019, para a comissão científica do evento, resumo do artigo completo, no qual devem estar expostas suas ideias principais, a metodologia utilizada e os resultados parciais e/ou totais da pesquisa.

2) Os resumos devem conter, no máximo, 2500 caracteres, incluindo espaços. As regras de formatação para envio dos artigos (de 10 a 15 páginas) serão enviadas por email aos trabalhos selecionados.

A submissão de resumos deve ser realizada exclusivamente por meio deste formulário.

Email de contato: comunicacaoeesporte@gmail.com

3) O Seminário “Copa América-2019: Esporte, mídia, identidades locais e globais” recebe trabalhos de graduandos, graduados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores.

4) O Seminário “Copa América-2019: Esporte, mídia, identidades locais e globais” aceita trabalhos escritos em Português, Inglês e Espanhol.

5) Grupos de trabalho – A sessão de trabalhos tem como objetivo estimular a produção científica de pesquisadores das Ciências Sociais e Humanas no que tange à temática do futebol. Além disso, é um espaço acadêmico que visa possibilitar a divulgação desta produção, permitindo o debate e a reflexão acerca de questões contemporâneas exponenciadas pelos pesquisadores em formação.

 

GT1 – Esporte, cidade e identidades – 09 de abril de 2019 (terça-feira) – 10h às 12h30min

GT2 – Mídia, esporte e representação – 14h às 17h

GT3 – Estádios, arenas e os modos de torcer – 10 de abril de 2019 – Quarta-feira – 10h às 12h30min

 

GRUPOS DE TRABALHO

GT1- Esporte, cidade e identidades

O esporte desempenha um papel fundamental tanto na construção quanto afirmação de uma pluralidade de Identidades que atuam dentro e fora de fronteiras territoriais. Essa relação com a territorialidade confirma a necessidade de compreensão do esporte como prática que se entrecruza com o espaço urbano, estabelecendo com ele, uma trama de relações e significados que põe em movimento o jogo das identidades em um contexto de tensionamentos entre o local e o global.

Coordenação: Carol Fontenelle

 

GT2- Mídia, esporte e representação

A mídia, gradualmente, se consolidou como um importante veículo mediador entre os esportes e o público, participando não apenas da circulação, mas também da produção de um vasto imaginário construído em diálogo com uma série de representações presentes dentro e fora do território esportivo. As representações produzidas são um material cuja análise pode nos possibilitar o acesso às tensões e contradições dos valores e discursos que estão em jogo.

Coordenação: Álvaro do Cabo

 

GT3 – Estádios, arenas e os modos de torcer

A diversidade dos modos de torcer fomenta variadas possibilidade de construção identitária de torcedores e torcedoras nas arquibancadas. Essa pluralidade faz do ato de torcer um fenômeno complexo, muitas vezes, contraditório e que faz dele um locus de análise das reações, adaptações e resistência às mudanças ocorridas no cenário futebolístico, sobretudo, em diálogo com as transformações gerados pelo intenso processo de mercadorização e midiatização dos eventos esportivos

Coordenação: Irlan Simões

 

Comitê Científico

Leda Costa (UERJ)

Irlan Simões (UERJ)

Carol Fontenelle (UERJ)

Sérgio Settani Giglio (UNICAMP)

Coordenação-geral

Ronaldo Helal (UERJ)

NÃO HÁ TAXA DE INSCRIÇÃO. ENTRADA GRATUITA.

Data e horário

Início: 9 de abril de 2019

Encerramento: 10 de abril de 2019

Localização

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Auditório 91, 9º andar

Rio de Janeiro / RJ

Rua São Francisco Xavier, 524

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Projeto de incentivo à prática esportiva sofre com precarização

Centros de Iniciação ao Esporte são alvos de reclamações envolvendo instalações inadequadas, infraestrutura péssima, fechamento de unidades, redução do horário de funcionamento e até atraso de salários dos funcionários

Os Centros de Iniciação ao Esporte (CIE), segundo o recém extinto  Ministério do Esporte, são legados da infraestrutura esportiva provenientes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016.  A proposta visa a formação de novos atletas e possibilitar à prática esportiva a população, mantendo o contato com escolas, núcleos de esporte sociais e comunitários.

Lançado em 2013, o CIE faz parte da Rede Nacional de Treinamento, programaque interliga instalações esportivas existentes ou em construção em todo o país.  A Rede foi instituída pela lei 12.395/2011 que trata das normas gerais de desporto, Bolsa-Atleta, Programas de Atleta Pódio, Cidade Esportiva, além de outras providências.

Em 2017,cerca de 263 municípios foram selecionados para receber 285 unidades de CIEs espalhados por todas as regiões do Brasil, com 13 modalidades olímpicas (atletismo, basquete, boxe, handebol, judô, lutas, tênis de mesa, taekwondo, vôlei, esgrima, ginástica rítmica, badminton e levantamento de peso), seis paralímpicas  (esgrima em cadeira de rodas, judô, halterofilismo, tênis de mesa, vôlei sentado e goalball) e uma não-olímpica (futsal).

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Modelo de Centro de Iniciação ao Esporte. Fonte: Ministério do Esporte

Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), até setembro de 2017, dos 285 empreendimentos previstos em 263 municípios, apenas um foi concluído. Em seu relatório, a CGU identificou atrasos nos cronogramas, fragilidades da estrutura e dos controles internos administrati­vos mantidos pela Secretaria Nacional de Esportes de Alto Rendimento (SNEAR), responsável pela implementação dos CIEs e gastos acima do estipulado para as obras.

A previsão total de investimentos para a construção dos 285 CIEs era de R$ 967 milhões, no período compreendido entre 2014 e julho de 2016. No entanto, até o final do exercício de 2016 a Ação de implantação dos Centros de Iniciação ao Esporte registrava um total de R$ 38.678.390,86 em recursos liquidados e mesmo após 4 anos de início da execução da Ação nenhum equipamento esportivo havia sido entregue à sociedade para efetiva utilização. A conclusão, com pendências, do primeiro CIE, em Franco da Rocha/SP, veio a concretizar-se em 2017.

Foram destinados recursos nas Leis Orçamentárias Anuais (LOA), nos montantes apresentados no Quadro a seguir.

Exercício LOA-Dotação Inicial (R$)
2014 100.000.000,00
2015 188.000.000,00
2016 35.984.919,00
2017 195.000.000,00
Quadro – Dotações da Ação 14TR nas LOA 2014 a 2017. Fonte: LOA 2014, 2015, 2016 e 2017

A CGU apontou que os critérios de avaliação para a seleção das propostas dos CIEs carecem de objetividade e suficiente detalhamento. Cerca de 59% das propostas selecionadas possuíam algum tipo de desacordo com os requisitos estabelecidos (titularidade da área, infraestrutura do terreno, porte do município e indicador de extrema pobreza).

Enquanto isso, os atrasos das obras e os gastos extrapolados dos órgãos públicos proporcionam a degradação e o descaso de locais esportivos já construídos. A construção de novos CIEs sem o planejamento correto, resulta além do desperdício de dinheiro, na perda de espaços esportivas já concluídos e que carecem de investimentos para a manutenção. Nesses casos, são constantes as reclamações envolvendo instalações inadequadas, infraestrutura péssima, fechamento de unidades, redução do horário de funcionamento e até atraso de salários dos funcionários.

Como no caso do Centro Esportivo Miécimo da Silva, localizado em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi uma das principais sedes dos Jogos Pan-Americanos de 2007, além de eventos esportivos como o jogo de exibição de Magic Johnson contra Oscar Schmidt, em 1997, até o Sul-Americano Masculino de Voleibol, em 2003.

Em 2017, o Bom Dia Rio informou que dos 120 professores do Centro Esportivo Miécimo da Silva, apenas 41 foram mantidos. Isso porque o contrato de trabalho temporário deles, que havia sido prorrogado, foi cancelado.

“Sou aluna do Miécimo há muitos anos. Há 20 anos. Estou lá por recomendação médica porque tenho artrose cervical e lombar. Depois que as aulas pararam, eu comecei a sentir muitas dores. Muito difícil mesmo para mim. Eu preciso muito da hidroginástica. Além disso, somos uma família dentro da piscina. Um ajuda o outro. Tem pouco tempo que perdi meu filho por doença e lá me ajuda muito, porque fiquei com depressão”, contou Elisa Carolina ao Bom dia Rio.

No Centro Esportivo Waldir Pereira, o Didi, localizado no Recreio, Zona Oeste do Rio de Janeiro, após seis meses de reabertura como Vila Olímpica, funcionários estavam com salário atrasado. Além da redução de ofertas de vagas para alunos, uma “vaquinha” foi realizada para custear o transporte dos professores. “Dizem que fizeram a reforma, mas não dá para perceber. Sempre corri atrás de informações sobre o Didi porque queria botar minha filha em algum esporte. Espero que ele continue funcionando, porque é a única opção pública de esporte que existe no Recreio”, conta Patrícia Leite, integrante da turma de ginástica funcional, em entrevista ao jornal O Globo.

Em Manaus, no Centro Esportivo do Armando Mendes, conhecida como Minivila Olímpica, casos de transmissão do vírus Zika,Dengue e Chikungunya pelo mosquito Aedes Aegypti, são frequentes. Moradores denunciam o abandono do local devido à falta de manutenção, propiciando um ambiente para a proliferação do mosquito e doenças. Em entrevista ao jornal A Crítica, o mecânico Ricardo Nascimento Araújo, 23, afirmou “a gente queria que cortassem esse mato, pois está muito grande. E, apesar do abandono, muitos moradores vêm praticar exercícios aqui. À tarde fica cheio de gente correndo, jogando bola. Esse é o único local que nós temos para fazer isso”.

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Campo de futebol do Centro Esportivo do Armando Mendes. Fonte: O Globo

Cabe, portanto, esclarecer tais irregularidades do projeto de desenvolvimento dos Centros de Iniciação ao Esporte, bem como, compreender de que forma diante do atual cenário político, com o recente fim do Ministério do Esporte, quais impactos e propostas serão desenvolvidas para de fato promover a prática esportiva a população.

Referências

CGU avalia implantação dos centros de iniciação ao esporte no país.Governo Federal, 27 fev. 2018. Disponível em: < http://www.cgu.gov.br/noticias/2018/02/cgu-avalia-implantacao-dos-centros-de-iniciacao-ao-esporte-no-pais >. Acesso em 23 de janeiro de 2019.

Centros de Iniciação ao Esporte. Ministério do Esporte, 01 jan. 2016. Disponível em: < http://www.esporte.gov.br/index.php/ultimas-noticias/209-ultimas-noticias/54711-centros-de-iniciacao-ao-esporte >. Acesso em 23 de janeiro de 2019

Rede Nacional de Treinamento. Ministério do Esporte, 17 jul. 2017. Disponível em: < http://www.esporte.gov.br/index.php/institucional/legado-esportivo>. Acesso em 23 de janeiro de 2019.

Centro esportivo do Armando Mendes sofre com o descaso e abandono. A crítica, Manaus, 26 abr. 2016. Disponível em: < https://www.acritica.com/channels/manaus/news/terca-feira-centro-esportivo-do-armando-mendes-na-zona-leste-conhecido-como-minivila-olimpica-sofre-com-o-descaso-e-abandono-do-poder-publico >. Acesso em 23 de janeiro de 2019.

Seis meses após reabrir como Vila Olímpica, Centro Esportivo Didi sofre com salários atrasados. O GLOBO, Rio de Janeiro, 15 maio. 2018. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/rio/bairros/seis-meses-apos-reabrir-como-vila-olimpica-centro-esportivo-didi-sofre-com-salarios-atrasados-22688306>. Acesso em 23 de janeiro de 2019.

Alunos reclamam que centros esportivos estão sem luz há uma semana. Globoplay, Rio de Janeiro, 5 jul. 2018. Disponível em: < https://globoplay.globo.com/v/6851700/ >. Acesso em 23 de janeiro de 2019.

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O Flamengo “da gente” não é um CNPJ

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Foto: Pablo Jacob

O debate público, em tempo de redes sociais tão presentes, requer bastante cuidado. Ele é composto de várias vertentes, onde se formam blocos de discussão (principalmente discordância) que se confundem no panorama mais amplo. O caso do incêndio no Centro de Treinamento “Ninho do Urubu”, do Flamengo, segue essa lógica, em uma apressada necessidade de apontamentos de culpas, de responsabilidades, de reflexões sobre o futebol-negócio, e tantas outros recortes cabíveis para abordar a tragédia que vitimou 10 jovens postulantes a craques de futebol.

Não era esse um tema sobre o qual eu pretendia escrever. Para um dos convites recebidos, expliquei que tanto as causas do acidente quanto a imputação de responsabilidades mereciam um trato mais cuidadoso e apurado. E no calor da emoção era algo que não valeria a pena falar, senão para receber uma onda de ataques nas redes sociais.

Mas seguiu o tema. Dias depois da tragédia, ainda se fala sobre “O Flamengo”. Em uma desses blocos de discussão (principalmente discordância) que se formaram nas redes sociais, estava a indignação de muita gente com o fato do mote do luto e das homenagens serem #ForçaFlamengo. Para essas pessoas, “O Flamengo” era o culpado pela morte desses jovens, portanto não merecia homenagem, mas repúdio e achincalhamento.

Mesmo os flamenguistas se dividiam nesse assunto, e não era difícil compreender as razões da comparação com o crime ambiental e social ocorrido na barragem de Brumadinho, pertencente à Vale. São tragédias possivelmente evitáveis, ocasionadas por negligência, irresponsabilidade e ganância. Nesse bloco de discordâncias, as pessoas percebem os jovens como trabalhadores de uma organização de orçamento  superior ao de grande maioria dos municípios brasileiros, cuja ânsia pelo lucro e o desapreço pela vida de seus contratados estaria na origem do problema.

Um dos tweets que provocou a produção desse texto perguntava se as pessoas concordariam com enterros das vítimas de Brumadinho com a bandeira da multinacional Vale cobrindo os caixões. Para esse, a empresa estava para aqueles mortos no mesmo patamar que “O Flamengo” estaria para os jovens. O que não é de todo errado, mas definitivamente não encerra o assunto.

Os próprios familiares das vítimas do Ninho do Urubu fizeram questão de usar adereços, camisas e bandeiras do Flamengo, cantaram o hino, entoaram gritos de torcedores. Nenhum familiar de um vitimado pela Vale, nem mesmo dos funcionários (sob o eufemismo de “colaboradores”), jamais aceitaria tal equivalência.

Aí parece que estamos perdendo um debate importante, que interfere em muito do que falamos aqui Na Bancada.

Há alguma coisa aí que nos parece em falta nessa discussão e discordância. Algo denso e relevante ainda persiste em um futebol tão massificado, ofertado como produto de consumo espetacular; de uma relação tão alienada dos torcedores frente ao círculos diretivos do clube; de uma dinâmica de exploração de “pés-de-obra” descartáveis onde “você compra dez jogadores e, se um der certo, já paga os outros nove” (nas palavras de Ronaldo Nazário) ; de preços impeditivos e planos de associação insustentáveis para o cidadão comum; de normas que disciplinam as festas e violentam a cultura torcedora.

Criticar o potencial destrutivo do futebol-negócio na vida das pessoas não pode nos impedir de perceber os laços que se estabelecem ao redor da entidade que é o clube. São milhões de sentimentos coletivos que se formam na base do pertencimento a uma comunidade, do afeto a um estádio, que não depende necessariamente de instrumentos políticos e jurídicos sacramentados para ocorrer.

O Flamengo “da gente”, dessas pessoas comuns que choram desde sexta-feira, não é o edifício aristocrático e elitizado que beira a Lagoa, na altura da Gávea. Não é um CNPJ que movimenta 700 milhões por ano e remunera jogadores com valores surreais. Não é uma cúpula diretiva com interesses políticos e particulares. Não é uma peça de marketing.

O Flamengo “da gente”, dessas pessoas comuns, como os parentes dos dez jovens jogadores, é a amizade causada pelo futebol, é a farra no trem rumo ao Maracanã, é o delírio com o gol de Petkovic aos 43, é o lamento de duas finais perdidas em um mês, é a loucura quando o Setor Norte canta junto, é o olho lacrimejado do primeiro jogo da filha.

O Flamengo “da gente”, dessas pessoas que cantam o hino no último adeus aos jovens, é o de uma comunidade afundada em sentimentos de tristeza e dor, que viu alguns dos seus – ou um daqueles que ansiavam em ser alguns dos seus – morrerem de forma tão trágica.

Isso é algo que persiste no futebol e que nós, do lado de fora do Flamengo, não temos o menor direito de interferir. Porque a solidariedade entre aqueles que vestem a mesma cor é tão intensa como aqueles que partilham a mesma origem, cultuam o mesmo deus, celebram as mesmas datas, convivem no mesmo bairro.

Negar-lhes o direito de buscar forças no sentimento “Flamengo”, além de injusto, é deixar de perceber as dinâmicas e as razões da associação entre as pessoas e os grupos. O saudoso Eduardo Galeano foi quem melhor definiu essa persistência: “o clube de futebol é a única cédula de identidade na qual o torcedor acredita”. Sem o Flamengo, boa parte dessa gente não se enxerga no mundo.

Recorrer ao “Flamengo” como o símbolo de sua comunidade, o símbolo do qual emana a sua identidade, não é se fechar e se negar a reconhecer as responsabilidades reais e a gravidade do acontecimento, tampouco coadunar com um suposto consenso reinante dentro de um clube. É apenas a prática do sentimento mais primitivo que faz o futebol ser o que é até hoje, em que pese a sua espetacularização massificada, sua mercantilização excludente, e sua exploração nociva.

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