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LEME esteve presente na Cerimônia de Premiação da 28ª UERJ SEM MUROS

Na última terça, dia 13, aconteceu  a Cerimônia de Premiação da 28ª Semana da UERJ SEM MUROS que engloba a 17ª Semana de Graduação, a 27ª Semana de Iniciação Científica (SEMIC) e a 21ª Mostra de Extensão. O evento foi realizado no dia 13 de novembro de 2018, às 14h, na Capela Ecumênica, campus Maracanã.

Em sua 27ª edição, a SEMIC recebeu 904 inscrições, demonstrando o vigor e o compromisso de orientadores, bolsistas e corpo técnico envolvidos no evento. Além dos alunos integrantes do PIBIC UERJ, também, entre os inscritos, houve a participação de bolsistas IT da FAPERJ, IC CNPq, oriundos de editais específicos dessas agências de fomento, e de outras modalidades de bolsa.

A bolsista do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte, Clara Quintaneira, recebeu Menção Honrosa por seu trabalho “Comunicação e Esporte: da pesquisa à disseminação do conhecimento acadêmico”, sob a orientação do professor Ronaldo George Helal, apresentado na 27ª Semana de Iniciação Científica, realizada de 24 a 28 de setembro de 2018.

SEMIC 2018 Premiação

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Vitória de Bolsonaro põe fim a 15 anos de desenvolvimento do esporte brasileiro

Presidente eleito pretende extinguir Ministério e incorporar esporte à pasta da Educação em seu governo

Embora o Brasil seja o único pentacampeão mundial de futebol e o segundo maior medalhista da América Latina nos Jogos Olímpicos, o país não tinha até 2003 um ministério próprio para o esporte. Fazendo valer o artigo 217 da Constituição, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu autonomia à gestão federal do esporte, após ela ser vinculada por anos aos ministérios da Educação e do Turismo.

“É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, com direito à autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento”.

Artigo 217, Inciso I, da Constituição Federal

O Ministério, no entanto, não buscou apenas estimular a prática esportiva em escolas ou elaborar políticas de incentivo a atletas em competições. Foi parte de um ambicioso projeto de protagonismo da diplomacia brasileira entre as nações “emergentes”, em contraposição à influência global de Estados Unidos e Europa em questões políticas, econômicas e militares.

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Crédito da foto do Ministério do Esporte: Roberto Castro / Ministério do Esporte

O auge dessa presença do Brasil no cenário internacional veio com a conquista do direito de sediar a Copa do Mundo em 2014 e, sobretudo, dos Jogos Olímpicos de 2016. Superfaturamentos e atrasos em obras, ataques à soberania jurídica brasileira com a “Lei Geral da Copa” e elitização dos estádios à parte, o esporte pegou carona nesses megaeventos esportivos para implementar uma série de investimentos inéditos na profissionalização de atletas e em melhorias na estrutura de treinamento em todo o Brasil. Os resultados foram a boa avaliação da imprensa internacional sobre a organização das competições, geração de empregos e a melhor participação do país, no Rio de Janeiro, na história das Olimpíadas, com 19 medalhas conquistadas, duas a mais que em Londres-2012.

 

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Fonte: Diário de Pernambuco

De 2005 pra cá, a pasta sempre recebeu aportes de, ao menos, 1 bilhão de reais por ano. Com esses recursos, o Ministério pode, por exemplo, incluir 7295 esportistas em 2016 no Bolsa-Atleta, programa que financia a compra de equipamentos e evita que atletas sejam obrigados a cumprir uma quase sempre inconciliável jornada dupla de trabalho e treinamento.

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A eleição de Jair Bolsonaro, do PSL, porém deve causar o maior retrocesso na gestão esportiva do país desde o início deste século. Sua ânsia de enxugar a administração pública a ponto de inviabilizar a capacidade do Estado de movimentar a economia tem como um dos alvos o ministério criado em 2003. Integrá-lo à pasta da Saúde ou Educação, que é mais provável, é tirar a autonomia que fez o esporte brasileiro olímpico ter sua fase mais vitoriosa, nos últimos quinze anos. Países governados por grupos de orientações político-ideológicas diversas contam com uma pasta específica, como é o caso da França, China, Coreia do Sul e Rússia. O Canadá, 12° melhor IDH do planeta segundo a ONU e liderado pelo liberal Justin Trudeau, tem 30 ministérios, um a mais que o Brasil, sendo um deles dedicado ao esporte.

“Junta lá o Esporte ao Ministério da Saúde, né…”

Jair Bolsonaro, em entrevista após o debate presidencial da TV Bandeirantes em 10 de Agosto.

Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), 94% da verba do esporte no Brasil (exceto futebol) vêm do Brasília, via Ministério do Esporte. Tanta dependência tem a ver com a gestão aquém de Confederações Esportivas e oportunismo de patrocinadores privados, que, em sua maioria, estampam suas marcas apenas em épocas de competições de grande porte, como as Olimpíadas, e não acompanham atletas no restante da preparação.

Na ausência de uma diversificação de fontes de financiamento, coube ao Governo Federal bancar a conta. Nessa encruzilhada, o que está em jogo é a garantia de um direito presente na Constituição. Desmontar completamente uma estrutura que trouxe frutos aos esporte nacional é reflexo do comprometimento zero de um Presidente que — pasmem — é formado em Educação Física.

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O que fizeram com você, amarelinha?

Em diversos momentos da nossa história, a seleção brasileira foi alvo de setores conservadores da política. Após o tri campeonato mundial, em 1970, a seleção considerada para muitos “a melhor da história” foi usada como propaganda do governo militar na época. Com uso de jingles, como o conhecido “Pra Frente Brasil”, o governo militar se apropriava do bom desempenho da seleção para associá-la ao progresso do regime. Mesmo contando com muitos jogadores que não concordavam com o governo militar, os mesmos foram recebidos em um carro do Exército pelo então presidente gremista Médici. Desde a conquista do tricampeonato, quando perguntados sobre o por que de não se pronunciarem sobre a conjuntura política da época, a grande maioria dos jogadores campeões em 1970 preferiam não se pronunciar. Apenas pensavam em jogar bola. O técnico da seleção até as vésperas do mundial, João Saldanha, foi demitido por Médici, visto que era simpatizante da ideologia comunista, em um ato totalmente político, embora o silêncio dos jogadores persistisse. João sem-medo, como era conhecido, não aceitava as sugestões do presidente militar Médici, que constantemente tentava escalar os titulares da seleção. “Ele escala o ministério, eu convoco a seleção”, afirmou o técnico, quando indagado por um repórter sobre o pedido do General pela convocação do atacante Dadá Maravilha. O zagueiro titular da conquista do “tri” e ídolo do Cruzeiro, Wilson Piazza, comentou sobre a seleção e a conjuntura política daquela conquista: “Infelizmente, faltava consciência política à Seleção. Mas não passou pela nossa cabeça. Só queríamos jogar bola. Se era ditadura, democracia, pouco importava.”

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Fonte: O Tempo

Pelé, principal jogador daquela seleção, prefere o silêncio quando indagado sobre a importância da seleção para o contexto da época e os motivos que levaram os jogadores a se isentarem da luta pela democracia. Por compartilhar da forma como o governo militar caminhava, Pelé se tornou o garoto propaganda do regime, além de voltar ao México, “com imensa satisfação”, para representar o governo militar na inauguração da Plaza Brazil, em Gualadajara. Um dos principais jogadores da seleção de 70, embora tenha uma representatividade ímpar, visto que é , no Brasil, que ele é o maior jogador da história do futebol, procurou se omitir de causas sociais que o mesmo poderia representar uma identidade. Negro e de origens humildes em Bauru, demonstra ser uma pessoa pública apolítica, ao desperdiçar todo seu potencial de engajamento social através do futebol. O objeto em questão é “apenas” o melhor jogador da história do esporte mais popular do mundo.

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Pelé levantando a taça ao lado do presidente Médici, na recepção do time campeão do mundo em 1970. Fonte: Gazeta Esportiva

Coincidência ou não, o cenário atual da Confederação Brasileira de Futebol e da política brasileira não são muito diferentes e lembram bastante o vivido em 1970. A grande maioria dos jogadores de futebol no Brasil vieram de origens humildes e, através do esporte, conseguiram mudar sua posição social. Apesar disso, poucos reconhecem realmente sua classe, além de não terem a consciência necessária no âmbito sociopolítico. Juninho Pernambucano, ex-jogador do Vasco, Lyon e da seleção brasileira, disse em entrevista ao jornal El País sobre a falta de consciência de classe dos jogadores de futebol: “Me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?”

Desde as primeiras manifestações em 2013, que culminaram no Impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, a presença da camisa canarinho foi marcante nas ruas, ao representar o patriotismo político e o combate, se ela existe, à ameaça comunista. A apropriação da camisa da CBF por setores conservadores é reflexo da crise de identidade presente na confederação e da falta de empatia entre o povo brasileiro e a entidade. Os sucessivos casos de corrupção envolvendo os ex-presidentes, as derrotas em competições importantes, inclusive a maior delas no 7 a 1 na Copa de 2014, e o perfil despolitizado dos principais jogadores, refletem no que a camisa amarela e verde representa hoje. Recentemente, o campeão do mundo em 2002 Ronaldinho Gaúcho, declarou apoio ao candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro. Entretanto, o Barcelona, que tem o craque como embaixador do clube, não gostou da atitude do craque brasileiro, ao emitir uma declaração institucional para demonstrar o repúdio da equipe catalã: “Nossos valores democráticos não coincidem com as palavras que escutamos desse candidato. De todas as formas, respeitamos a liberdade de expressão, inclusive as palavras de Ronaldinho.

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Ronaldinho foi mais um ex-jogador da seleção que declarou apoio ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Fonte: Exame

Enquanto a CBF procura amistosos com pouco brilho técnico, contra seleções sem prestígio internacional — Estados Unidos e Arábia Saudita — a camisa cinco vezes campeã do mundo é usada como objeto político por setores reacionários. Além disso, a escolha pela Arábia Saudita não prezou pela , visto que o forte calor do médio oriente e a baixa posição do adversário no ranking da FIFA, não justificam sua escolha. Vale destacar também que os sauditas vivem em uma monarquia hereditária, que mostra ter pouco apreço pelos direitos humanos. Eric Cantona, ex-jogador do Manchester United e da seleção francesa, criticou a postura da CBF: “Quando vejo a Seleção Brasileira aceitar jogar um amistoso na Arábia Saudita — por muito dinheiro, tenho certeza — , consigo entender por que milhões de brasileiros estão dispostos a votar em Bolsonaro.”

Embora o discurso que predomina entre os eleitores de Jair Bolsonaro seja o combate à corrupção, os mesmos usam a camisa da CBF, uma das entidades mais corruptas do país, para representar sua causa. Ao andar nas ruas das cidades brasileiras e se deparar com alguém vestindo a tradicional amarelinha, surge a dúvida se é dia de jogo do Brasil ou dia de eleições.

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O recomeço do zero d’Os Belenenses e os paradoxos do “negócio” do futebol

Eis uma história que ganhou contornos surreais para qualquer torcedor. Em comum acordo, sócios e dirigentes decidem criar um novo time de futebol dentro do clube, inscrevendo-o na sexta e última divisão nacional. O motivo: manter-se enquanto um clube. Agora são dois times com o mesmo nome – e até a publicação desse texto, com… Continuar lendo O recomeço do zero d’Os Belenenses e os paradoxos do “negócio” do futebol

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Pense duas vezes antes de comprar uma jersey

É notória a mudança em que vive a NBA. O tradicional all-star game que antes era disputado entre os melhores das conferências Leste e Oeste, agora é feito por uma seleção de capitães decididos pelos fãs da liga via internet. As restrições aos jogadores em quadra é maior se comparada com épocas passadas, quando as provocações e… Continuar lendo Pense duas vezes antes de comprar uma jersey

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LEME convida a todos para Mini Simpósio de Estudos sobre o Futebol

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) convida a todos para o evento: Mini Simpósio de Estudos sobre o Futebol que acontecerá, no dia 16 de outubro, a partir das 18h, no Salão Nobre (Sede Gávea do Clube de Regatas do Flamengo). O evento contará com a presença dos professores Ronaldo Helal (coordenador do… Continuar lendo LEME convida a todos para Mini Simpósio de Estudos sobre o Futebol

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13º Encontro LEME 2018

Encontros LEME é uma proposta do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte que visa a partir da leitura de textos e análise de produções fílmicas realizar debates com professores, pesquisadores, graduandos e convidados interessados em estudar as interseções da Comunicação com o Esporte. Os encontros têm ocorrido semanalmente e pretendem oferecer um espaço de… Continuar lendo 13º Encontro LEME 2018

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