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O fardo de Ramírez

O jogador Ramírez. Reprodução: Internet

O racismo é uma atitude detestável.

E precisa ser combatido.

Dito isso (são as duas primeiras frases deste artigo), é importante dizer também que a luta contra o racismo não se faz com injustiças.

O atleta colombiano Juan Pablo Ramírez Velásquez (também conhecido como Índio Ramírez), do Esporte Clube Bahia, carrega um fardo de injustiça que já não devia mais estar em suas costas.

Foi acusado, em dezembro de 2020, de ter praticado racismo em uma partida contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Teria ofendido com injúria racial o jogador Gerson. Ramírez negou.

O colombiano foi afastado do time pela direção do próprio Bahia. O clube, sem demora, contratou peritos para analisar o caso. Esses peritos não encontraram nenhuma prova de que houve injúria racial. O presidente do Bahia, diante disso, reintegrou o atleta ao time. “A gente se esforçou, esforçou e não conseguiu identificar uma outra prova ou circunstância além da palavra da vítima”.

Nem os peritos contratados pelo Bahia, nem qualquer outra investigação comprovou a prática de racismo por parte de Ramírez. O STJD, então, fez o óbvio: arquivou o caso por falta de provas.

Ramírez poderia respirar aliviado. Ou não?

O fardo continua. No último dia 9 de outubro, o GE (mais especificamente, o GE São Paulo) produziu uma matéria televisiva que foi veiculada nacionalmente. O assunto era um relatório sobre casos de racismo no esporte em 2020.

A matéria de 3 minutos e 16 segundos dedicou meio minuto à denúncia contra Ramirez.

Disse a reportagem:

  • na súmula da partida, o árbitro declara que não ouviu nenhuma ofensa
  • o atleta Gerson prestou queixa e foi registrado um boletim de ocorrência, mas o Ministério Público solicitou o arquivamento do inquérito (solicitação atendida por um juiz)

Evidência contra Ramírez, além da acusação de Gerson, nenhuma.

Eis a situação: para o árbitro da partida, para os peritos contratados pelo Bahia, para o STJD, para o Ministério Público e para a Justiça comum, não se pode dizer que Ramírez praticou racismo. Para o GE, a denúncia contra Ramírez pode ser chamada (como foi) de “caso de discriminação racial no futebol”, desprezando-se a palavra “denúncia” e sem qualquer ênfase para o fato dessa denúncia não ter sido comprovada.

Por quanto tempo mais a denúncia contra Ramírez (não comprovada e judicialmente arquivada) será exposta nacionalmente em matérias recheadas de casos de racismo (esses outros, sim, documentados e comprovados)?

Por quanto tempo mais Ramírez carregará esse fardo?

GUILHERME BELLINTANI (Presidente do E. C. Bahia). Afastou Ramírez do time e o reintegrou três dias depois. Reprodução: Internet

Para completar, algumas palavras sobre o princípio da presunção de inocência.

O Esporte Clube Bahia, em nota oficial publicada horas depois da denúncia contra Ramírez, declarou que o seu atleta negava “veementemente” a acusação, mas seria afastado assim mesmo, pois “a voz da vítima” deveria ser preponderante nesses casos.

Passaram-se dez meses e ainda não se comprovou que houve um ofensor e, portanto, um ofendido (ou seja, uma “vítima”). Já o Bahia, muito apressado, chamou Gerson de “vítima” menos de seis horas depois de encerrada a partida contra o Flamengo e o fez em uma nota oficial divulgada pela internet.

Alguém poderia ter advertido o presidente do Bahia que, se Gerson já era considerado “vítima”, Ramírez já era considerado “culpado”. E poderia também, logo em seguida, lembrar-lhe que isso afrontava o princípio da presunção de inocência, consolidado ao longo de muitas décadas e à custa de muito esforço intelectual.

Talvez até alguém o tenha feito, já que o presidente decidiu reintegrar Ramírez quatro dias depois daquela famigerada partida contra o Flamengo.

Atualmente, Ramírez ainda é atleta do Bahia e disputa partidas normalmente.

Parte da imprensa (dita progressista e que adotou a bizarra tese do “a voz de quem denuncia é a voz da vítima e deve predominar desde o momento em que a denúncia é feita”) poderia seguir o exemplo do presidente do Bahia e retirar das costas de Ramírez esse fardo que não lhe cabe.

Talvez aconteça algum dia. O GE, por enquanto, ainda acha que não é o momento, apesar do que já decidiu o STJD e a Justiça comum.

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A faculdade de comunicação social da UERJ apresenta a próxima semana de comunicação – 25, 26 e 27 de outubro

Com duração de 3 dias, o evento conta com a participação de palestrantes convidados para falar sobre a saúde mental dentro das universidades.
Reprodução: Semana de Comunicação

Sucesso desde seu lançamento, a Semana de Comunicação traz inovação e novos convidados para os alunos da UERJ.

Neste ano, o assunto abordado a vida on-line, como foco na saúde mental dentro da universidade, os processos de adaptação das rotinas, muitas vezes com duas jornadas, o trabalho e os estudos. Um momento repleto de relações e encontros com o novo, de descoberta de novos caminhos sem saber para onde seguir. Como é possível em meio a isso tudo, ter um olhar para os sentimentos e entender os sinais que o corpo da.

O evento conta com a participação da Juliana Hampshire, que é psicóloga e consultora pedagógica do LIV. Mestra em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, traçou seu percurso pela pesquisa e pela clínica, atuando em consultório particular e no SUS. Também haverá a contribuição da Naiara Ambrósio, que é Graduada em Engenharia Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no ano de 2019, Naiara tem atuado nos últimos 3 anos na área de gestão e tecnologia e esteve envolvida com projetos de construção e gestão de produto digital, condução de operação M&A, redesenho de modelo de operação, transformação de processos e dimensionamento de força de trabalho. Além disso, também terá a participação dos palestrantes José Alessandro, com todo seu renome na área de Marketing educacional e o workshop do ator Claudio Cinti & muito mais!

Reprodução: Semana de Comunicação

Sobre a semana de comunicação UERJ

A Semana de Comunicação Uerj é um evento consagrado pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que há mais de 20 anos tem proporcionado a enriquecedora troca entre alunos e profissionais já inseridos no mercado de trabalho. Ao longo das edições contou com participações e parcerias de renome como B2W, Agência Lupa, Wizard, Som Livre, o artista Hélio de La Peña e os jornalistas Fernando Molica, da CNN Brasil, e Aline Midlej, apresentadora da GloboNews.

Contato para imprensa

Turma de produção de eventos:

(21) 987857507

Ana Oliveira- olivanaoliveira@hotmail.com

(21) 964908658

Brunna Barbosa – balvesbarbosa0505@gmail.com

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Transmissões televisivas e a elitização do sofá de casa

Reprodução: Internet

Desde a virada do século XX para o século XXI é possível perceber a estruturação de um processo de elitização do público nos estádios brasileiros, por meio do aumento nos valores dos ingressos e da busca por uma disciplinarização dos comportamentos esperados pelos torcedores nas arquibancadas (GAFFNEY, 2004). Amparados por uma noção do futebol cada vez mais atrelada à mercadoria e a espetacularização, os clubes brasileiros, bem como as empresas promotoras de eventos ligados ao esporte procuraram transformar os estádios em espaços voltados para o consumo e entretenimento. Lojas, alimentação, experiências no campo de jogo, e tudo mais que possa ser explorado comercialmente são feitos tendo a partida como fio condutor (HOLZMEISTER, 2005).

O processo de elitização dos estádios se aprofunda no Brasil a partir do fim da primeira década do século XXI, quando motivados pela promoção da Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016) passam a ser reformados ou construídos novos estádios que materializaram o novo projeto de torcedor/fã e arena de consumo esportivo.

A construção ou remodelamento desses estádios atrelados a uma nova forma de torcer e consumir constitui o processo de arenização na qual as praças esportivas passam a ser pensadas não mais a partir daqueles que frequentam – a torcida- mas sim das exigências das empresas consumidoras/patrocinadoras e dos indivíduos que pretendem desfrutar de um entretenimento. O estádio-nação, ou seja, o espaço de representação da identidade social dá lugar ao estádio-shopping, local estritamente comercial (MARCELLINO, 2013).

O avanço dessa realidade de elitização, na qual a arenização é sua característica mais atual acabou por paulatinamente afastar grande parte das camadas populares dos estádios, mas também parte da classe média intitulada atualmente como “nova classe C”. A principal razão para esse afastamento está nos altos custos dos ingressos que acabam por alijar os mais pobres do acesso ao estádio.

Tendo seu acesso dificultado e/ou impedido, essas classes sociais encontraram nas transmissões televisivas um meio de continuar acompanhando seus clubes, mesmo que à distância. Para a maioria por meio da “televisão aberta” e para uma parcela, principalmente da nova classe C, também por meio da “televisão fechada”. Se o estádio de futebol cada dia mais estava “fechado” para esses grupos, pelo menos as transmissões televisivas ajudavam a mitigar os efeitos da desigualdade de acesso as partidas. Esse fato que já havia sido observado no processo de elitização do futebol inglês como evidenciou Alvito (2014).

No Brasil o televisionamento das partidas se difundiu no final da década de 1980, quando mais de 70% dos lares do país possuíam aparelhos televisores (BOLAÑO,1988). Durante o período entre 1980 e 2020 pôde-se perceber que o avanço das transmissões foi feito através de um controle cada vez maior da Rede Globo e suas afiliadas, que passaram a ter o direito de transmissão dos principais campeonatos esportivos tais como: Estaduais, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, Copa do Nordeste, entre outros. Nesse caminho passou também a monopolizar a expertise no processo de produção técnica dos jogos e consolidou-se como a “dona” do futebol brasileiro ofertando nos meios de semana e finais de semana partidas na televisão aberta.

Nos anos de 1990 com a chegada dos canais pagos da televisão fechada, a oferta de transmissão de jogos aumentou com a introdução de canais esportivos, sendo que nos anos 2000 ocorreu a chegada da ESPN e SPORTV à grade de programação, bem como a oferta de pacotes de transmissão completa como o pay-per-view. A existência dessa oferta de canais pagos possibilitou a determinada parcela da população, principalmente da classe C, acompanhar todos os jogos de futebol do seu time a um custo inferior do que aquele gasto no valor dos ingressos.

O monopólio da Rede Globo nessas transmissões abertas e fechadas permitia aos torcedores terem acesso a todas as partidas (do seu time e dos adversários) adquirindo somente um produto, a saber o pay-per-view (SANTOS, 2013). No entanto, nos últimos anos podemos perceber mudanças na dinâmica das transmissões televisivas com o aparecimento de novas plataformas de comunicação com destaque para o serviço de streaming, além do interesse de novos players na transmissão das partidas devido o aumento do potencial comercial delas.

Entre os novos interessados nas transmissões das partidas temos emissoras tradicionais como Bandeirantes e SBT, mas também novos atores como é o caso do Facebook, da Conmebol e dos próprios clubes de futebol. A disputa pelas transmissões evidencia uma visão de que os campeonatos transmitidos são uma mercadoria valorizada que pode se converter em crescimento de receita para esses possíveis proprietários. O desenvolvimento dessa concorrência também está relacionado a uma difusão das tecnologias e técnicas de transmissão dos eventos esportivos entre os meios tradicionais (televisão), e os novos meios (redes sociais e streaming).

A configuração desse cenário concorrencial inicialmente nos permitiria concluir que o torcedor ganharia com esse processo, pois segundo as leis do mercado, com a quebra do monopólio da Globo e o aumento da oferta de opções de produtos por vários canais e plataformas, o preço cairia. Essa concepção do monopólio da emissora como algo ruim ganhou força durante muito tempo e foi reforçada através do processo de demonização da Rede Globo, vista como a principal culpada pelos calendários, horários e regras do futebol brasileiro (SANTOS, 2013).

No entanto, a quebra do monopólio das transmissões, seja pela não renovação de contratos vencidos e/ou pelo aparecimento de novos meios de vinculação não cobertos pelos contratos, fez surgir um efeito perverso sobre o acesso ao televisionamento dos jogos em “televisão fechada”, a saber o fatiamento dos produtos com segmentação e sobreposição de propriedades sobre os campeonatos transmitidos. Essa situação pôde ser verificada, por exemplo, com a transmissão dos jogos da Libertadores da América e Sul-americana, que saíram do portfólio da Globo e, passaram a ser oferecidos somente pela Conmebol TV. A consequência imediata disso para o torcedor/telespectador se traduz num aumento do custo para acompanhar todas as competições do seu time ou a necessidade de escolha dos campeonatos que mais lhe agradam para serem pagos e consumidos.

Se na televisão fechada esse movimento de aumento dos custos para acompanhamento das partidas já avança a passos largos, na televisão aberta ele começa a se desenhar principalmente nos campeonatos estaduais, nos quais os contratos que estão vencendo não estão sendo renovados por discordância nos valores ofertados pela Globo e a expectativa dos clubes.

Livres no mercado para disponibilizarem a transmissão das partidas como bem entenderem, alguns clubes, como é o caso do Flamengo e do Athletico Paranaense, criaram recentemente serviços de streaming com pacotes pagos para a transmissão dos campeonatos estaduais em 2021. Consequentemente os jogos desses times pararam de ser transmitidos na televisão aberta nos estaduais e a possibilidade de assisti-los estava atrelada ao pagamento de um valor de 129,00 por todo o campeonato. O desdobramento disso foi a impossibilidade das camadas mais pobres de acompanharem esses jogos na televisão.

 Com a recente aprovação da lei do mandante (lei nº14.205/2021), que permite aos clubes de futebol o direito de negociação das transmissões e reproduções dos seus próprios jogos quando forem mandantes sem a necessidade de anuência do visitante, o movimento de avanço da oferta de serviços de pacotes de campeonatos pelos clubes sobre os seus próprios jogos deve ganhar fôlego. Diante disso, podemos nos deparar com uma realidade na qual os jogos migrariam da televisão aberta para esses serviços de streamings oferecidos pelos clubes.

 O desenvolvimento desse processo visa diretamente o interesse dos clubes em obter novas receitas através do oferecimento de um serviço que antes estava vedado a eles. Contudo, aprofunda o processo de elitização do futebol, pois cria um novo nível de exclusão dos torcedores/telespectadores no objetivo de acompanhar o seu time do coração. Se num primeiro momento o aumento do valor dos ingressos significou a elitização dos estádios e a exclusão dos mais pobres do acesso as partidas em loco, agora a fragmentação dos pacotes de transmissão de jogos e a diminuição da oferta de partidas na televisão aberta caminha para ser um segundo estágio desse processo.

Com a elitização do sofá de casa, o torcedor mais pobre ficará ainda mais distante do seu clube do coração e terá novamente que obter novos meios para alimentar a sua paixão diante de um esporte que se propõem cada dia mais comercial e menos passional.

Referências

ALVITO, M. A Rainha de Chuteiras: Um ano de futebol na Inglaterra. Rio de Janeiro. Ed Apicuri, 2014.

BOLAÑO, C. Mercado Brasileiro de Televisão. Aracaju, Universidade Federal de Sergipe, PROEX/CECAC/ programa Editorial, 1988.

GAFFNEY, C. T.; Mascarenhas, G. O estádio de futebol como espaço disciplinar. In: Seminario Internacional Michel Foucault, 2004, Florianopolis. Seminario Internacional Michel Foucault – Perspectivas, 2004.

HOLZMEISTER, A. A nova economia do futebol: uma análise do processo de modernização de alguns estádios brasileiros / Antônio Holzmeister Oswaldo Cruz. – Rio de Janero: UFRJ/PPGAS, Museu Nacional, 2005.

MARCELLINO, N. C. Legados de megaeventos esportivos. Campinas: Papirus, 2013.

SANTOS, A. David G. dos. A consolidação de um monopólio de decisões: a Rede Globo e a transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol. UNISINOS 2013.

Produção audiovisual

Já está no ar o quadragésimo segundo episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quadragésimo segundo episódio é A Copa do Mundo de 1930. Com apresentação de Fausto Amaro e Abner Rey, gravamos remotamente com Alvaro do Cabo, doutor em História Comparada pela UFRJ, mestre em Comunicação Social pela UERJ e professor.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quadragésimo segundo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi Uruguay nomás” de Jorge Drexler.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Fútbol, identidad y poder – Andreas Morales [livro]

Maracanã: Os labirintos do caráter – Franklin Morales [livro]

Textos do pesquisador Gaston Laborido [artigos]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Abner Rey e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Fausto Amaro e Abner Rey
Convidado: Alvaro do Cabo

Artigos

Pensar transmissões esportivas mais plurais

Reprodução: Internet

É bastante recorrente que sujeitos mais associados as lógicas conservadoras em nossa sociedade reiterem a afirmação, no mínimo equivocada, de que política e esportes não se misturam. O raciocínio que sustenta este tipo de argumento é o mesmo que afirma que não se pode discutir política nas escolas ou em outras instituições que deveriam, por sua natureza, ser “apolíticas”. Todos os conceitos normativos que ordenam os entendimentos nos esportes ou na escola, por exemplo, são resultado de disputas por significação que possuem um acordo extremamente pontual e limitado que nos permitem ler os entendimentos que possuem status de senso comum. Negar a participação e a disputa política nesse espaço é um esforço para naturalizar esses acordos tirando os de seu espaço de construído politicamente para transformá-los em conceitos naturalizados.

Desde a década de 1980, talvez mais explicitamente a partir da hegemonia das democracias representativas burguesas, os movimentos de política identitária têm ganhado destaque nas formas de organização das diferentes militâncias. Nas próximas linhas pretendo problematizar algumas das formas com que essa política identitária tem aparecido nas transmissões esportivas. Como as emissoras têm utilizado algumas identidades e de que maneira a representatividade já começa a produzir efeitos nestes espaços.

Com um ano de atraso os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020 foram realizados em Tóquio, mesmo que sem público. É lugar comum nas transmissões dos megaeventos esportivos a contratação de comentaristas especializados, quase sempre atletas ou ex-atletas, para ajudarem na transmissão esportiva, podendo estabelecer alguma informação mais qualificada de alguma modalidade ou traduzir para um público leigo ou para os jornalistas algum vocabulário específico dos praticantes. Para a transmissão dos Jogos Paralímpicos, dentro dessa perspectiva, foram convocados e convocadas paratletas e ex-paratletas que teriam essa função. Verônica Hipólito extrapolou, e muito, o que se espera desses comentaristas. A paratleta, medalhista no Rio em 2016, mostrou um conhecimento sobre os participantes e as modalidades que causaram fortíssimo constrangimento entre comentaristas consagrados que insistentemente repetem lugares comuns e indicam que uma equipe poderia melhorar seu desempenho a partir da entrada de um atleta lesionado… Minha impressão neste caso é de telespectador e me faltam elementos técnicos que atravessam as decisões das direções das emissoras, mas Verônica subiu a vara de qualidade das transmissões. É inaceitável que os demais comentaristas não estudem como ela e, o mais importante para meu argumento, é inaceitável que ela comente apenas jogos paralímpicos. Verônica foi brilhante por ter realizado um trabalho jornalístico de excelência, não por ser paratleta. Isso não é a exaltação da meritocracia, mas uma reclamação pela falta de estudo de outros profissionais com espaços midiáticos muito maiores.

Não são apenas paratletas que são chamados para comentar o paradesporto. Quando eclodem casos de racismo ou machismo, pessoas negras e mulheres são chamadas para opinar. Alguns dos especialistas convidados falam somente destes conteúdos. Isto gera um problema duplo. A partir dos processos de políticas identitárias se transformam sujeitos marcados como pertencentes as “minorias” como identitários enquanto outros não teriam identidade. Ou seja, as mulheres falariam de problemas de mulheres, mas os homens não falam dos problemas dos homens, falam da humanidade, falam de tudo. E aí aparece o segundo problema: eles falam de tudo, mas nesse tudo não se incluem violências contra essas chamadas “minorias”. Neste caso, essas violências não são um problema da humanidade, mas acabam sendo reportados como problemas identitários ou, o que seria ainda pior, problemas de identidade. O muito utilizado e pouco estudado conceito de “lugar de fala” reporta justamente essa dificuldade de quem está e de quem não está autorizado a falar sobre qual assunto.

As comentaristas mulheres no futebol jogado por homens trabalham com uma lógica inclusiva distinta. Ali elas estão autorizadas a falar sobre futebol, sem gênero. Mulheres, da mesma forma que os homens, são capazes de falar sobre qualquer assunto para os quais tenham se preparado. O mesmo vale para pessoas negras que possuem capacidade de discorrer sobre qualquer assunto para o qual estudaram e não somente para relatar suas vivências. Então não faria diferença se quem comenta é homem ou mulher, branco ou negro? Sim, segue fazendo diferença. A presença das mulheres obriga a um esforço reflexivo maior dos homens (ao menos deveria exigir). Machismo travestido em piadas começam a ser menos oportunos. Nosso chamado país do futebol por muito tempo excluiu as mulheres. Quando elas entram seja no campo, nos microfones e até na direção do futebol de mulheres da CBF (conduzidas graças a luta das mulheres no mandato de um presidente afastado por acusação de assédio sexual), inevitavelmente elas apresentam novas pautas. E isso fará o país do futebol ser mais país do futebol. Um país que exclui as mulheres não é um país. Quando muito é a metade de um país. Acredito que se tivéssemos mais mulheres ou homens não brancos em nossas transmissões esportivas ou mesas redondas, seria mais difícil ouvir ridículos argumentos que associam o mal desempenho esportivo com o esforço estético para a manutenção de um penteado afro.

É a partir da ampliação da participação de diferentes sujeitos atravessados por diferentes marcadores identitários com o aumento de representatividade que poderemos colocar a disputa política no centro dos nossos esportes e das nossas transmissões esportivas. É lugar comum (em alguns lugares de forma equivocada) entender que os esportes em geral e, no caso sul-americano, o futebol em específico, como microcosmos ou espelho da sociedade (eu sigo preferindo pensá-lo como integrado com). Ampliarmos a participação de atores e desnaturalizarmos a posição normativa dos homens cisgênero brancos, heterossexuais é ampliar a democracia. Poderia ser um catalisador para qualificarmos as discussões desses mesmos problemas em outros espaços de nossa cultura.

Produção audiovisual

Já está no ar o quadragésimo primeiro episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quadragésimo primeiro episódio é A estreia do surfe nos Jogos Olímpicos. Com apresentação de Mattheus Reis e Abner Rey, gravamos remotamente com Bruno Bocayuva e André Tavares. Bruno é jornalista, apresentador, repórter e pesquisador de surfe e esportes de ação. André é pesquisador do LEME e mestrando em Comunicação da UERJ.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quadragésimo primeiro episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Misirlou”, composta em 1962 por Dick Dale.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

The World in the Curl: An Unconventional History of Surfing – Peter Westwick e Peter Neushul [livro]

Afro Surf -Mami Wata [livro]

The Critical Surf Studies Reader – Dexter Zavalza Hough-Snee, Alexander Sotelo Eastman (Eds.) [livro]

O surfe nas ondas da mídia: esporte, juventude e cultura – Rafael Fortes [livro]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro: André Tavares
Produção: Eduardo Ribeiro
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Mattheus Reis e Abner Rey
Convidados: Bruno Bocayuva e André Tavares

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Raducanu: uma campeã entre a diversidade e a exceção

Reprodução/Redes sociais

Restringir a chegada de imigrantes ao Reino Unido esteve no cerne da campanha a favor do Brexit, vitoriosa em 2016. O controle migratório foi o principal argumento daqueles que queriam se divorciar da União Europeia e que flertavam, sem pudor, com a xenofobia. Portanto, quando uma tenista nascida no Canadá, filha de mãe chinesa, de pai romeno e naturalizada britânica vence um Grand Slam, acabando com um jejum de 44 anos, o discurso do “troco” já está pronto.

Foi o que aconteceu com Emma Raducanu, que chegou ao Reino Unido aos 2 anos de idade e conquistou, duas semanas atrás, o US Open, aos 18. Desde 1977, uma representante do Reino Unido não conseguia o feito. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, não perdeu tempo. Filho de imigrantes paquistaneses, o político, provavelmente emocionado e relembrando sua própria história de vida, tuitou: “Aqui em Londres, abraçamos e celebramos nossa diversidade. E se você trabalhar duro e conseguir uma mão amiga, você pode conseguir qualquer coisa”. Quase um conto de fadas.

A pergunta, no entanto, é inevitável, por mais hipotética que seja: isso tudo aconteceria se Raducanu não fosse campeã, ou não fosse finalista?

Parece coerente supor que a repercussão seria menor. Logo, a valorização, o respeito e a aceitação do imigrante e do multiculturalismo representados por Raducanu estariam, nesse caso, mais atrelados ao sucesso do que ao que realmente importa: a diversidade em si, o ser humano. E “sucesso” como sinônimo de vencer. Nada menos do que isso.

Usar vitórias de imigrantes e de outros grupos sociais minorizados como exemplo de integração bem-sucedida pode invisibilizar questões que precisam ser debatidas.

A seleção brasileira masculina de futebol na Copa do Mundo de 1938 foi a primeira a dar protagonismo ao País nos gramados. Um time em que, pela primeira vez, negros e brancos atuaram juntos, algo visto corretamente, à época, como um avanço civilizatório. No entanto, as narrativas em torno da característica multiétnica daquela equipe acabaram por transmitir a falsa sensação da existência de igualdade racial no Brasil, o que infelizmente nunca foi alcançado até hoje. Desde então e por muito tempo, o racismo estrutural chegou a ser até negado por aqui.

O mesmo pode se dizer da seleção francesa masculina de futebol em 1998. O título mundial inédito sob o protagonismo de um descendente de argelinos parecia um ponto final nas desavenças entre brancos, negros e árabes ainda oriundas dos tempos da colonização francesa na África. Zidane, porém, não tem super poderes, e menos de dez anos depois, em 2005, uma série de protestos liderados por imigrantes e franceses descendentes de imigrantes nos subúrbios de Paris mostrou que não estava tudo bem.

É esta reflexão que deve ser feita quando Raducanu ou a seleção multiétnica francesa vencem: seus pares imigrantes e descendentes estão bem? Terão eles oportunidades para, de fato, fazerem o mesmo que Zidane e Raducanu? Ou a idolatria é apenas fruto de casos isolados e esporádicos? Refletir perante essas indagações é o primeiro passo para políticas e comportamentos que, de fato, promovam a inclusão.

Da mesma forma, até que ponto a própria tenista deseja “carregar” essa associação com a diversidade? É preciso estar atento ao que se coloca nos ombros dos atletas, ainda mais em início de carreira. Afinal, o foco deve ser na própria afirmação de Raducanu no tênis ou em qualquer causa que ela representa? Ídolos, como o heptacampeão de Fórmula 1 Lewis Hamilton, se sentem muito confortáveis em debater abertamente questões sociais, mas é importante lembrar que posicionamentos dessa natureza aconteceram de forma frequente somente após o piloto ter uma carreira sólida, em que não mais precisava provar nada a ninguém. Por outro lado, Simone Biles e sua experiência nos Jogos Olímpicos de Tóquio mostram o fardo de lidar com cobranças além da performance esportiva.

Esses são dilemas para os quais nem Raducanu tenha respostas ainda. No entanto, as redes sociais da tenista são um indício. Na “Bio”, a atleta apenas colocou as cidades que fazem parte da sua história: Londres (onde vive), Toronto (onde nasceu), Bucareste (origem do pai romeno) e Shenyang (lar da mãe chinesa). Nada de “tenista”; nada de “campeã de Grand Slam”. Talvez seja “apenas” isso que Raducanu espera: ser vista e respeitada como ser humano por onde passar pelo mundo, independentemente de ter títulos ou não nas quadras.

Eventos

LEME divulga programação dos GTs do Seminário Agora é com elas

O Seminário “Agora é com elas” já tem sua listagem de apresentação de trabalhos. Divididos em dois GTs (GT1: História, memórias e resistências e GT2: Futebol feminino nos rastros da profissionalização”), os trabalhos serão apresentados nos dias 8 e 9 de novembro, com início às 9h (horário de Brasília). Cada resumo deverá ser apresentado em até 15 min e é facultativo o uso de slide.

Solicitamos que os participantes dos GTs estejam presentes nos dois encontros, contribuindo assim para as discussões sobre os trabalhos. 

Informações adicionais sobre os links para acesso à sala de reunião virtual serão enviadas posteriormente.

Acompanhe aqui a ordem de trabalhos do GT1 e GT2.

  • Para assistir ao GT1, se inscreva por esse link. Para assistir ao GT2, clique aqui.
  • Artigos

    Anotações sobre a transmissão dos Jogos Paralímpicos Tóquio 2020

    Os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 foram realizados de 24 de agosto a 5 de setembro de 2021. Em meio à melhor campanha brasileira, com mais ouros (22) e que igualou o total de medalhas (72) e a melhor classificação (7º), pretendo aqui trazer algumas observações da minha experiência enquanto espectador desta Paralimpíada de Verão.

    Falha minha, apesar de lembrar de atletas paralímpicos de diferentes momentos, desde Adria Santos (atletismo) e Clodoaldo Silva (natação) a Daniel Dias (natação) e Petrúcio Ferreira (atletismo), além do histórico da multicampeã seleção do Futebol de 5, nunca tinha acompanhado os Jogos Paralímpicos com o mínimo de atenção que dou às Olimpíadas de Verão.

    Neste ano mesmo, minha ideia era seguir acompanhando como em edições anteriores, ou seja, lendo e vendo notícias e reportagens audiovisuais. Até por estar na reta final da escrita da tese, após a imersão numa edição olímpica com competições do final da noite ao início da manhã, optei por sair das mídias sociais para focar no trabalho docente na universidade, em momento final de semestre letivo, e na pesquisa.

    Mas bastou uma noite no terceiro ou quarto dia das Paralimpíadas para mudar de ideia. Ia assistir a um filme, mas acabei colocando no SporTV2 e estava passando as competições de atletismo, com comentários da Verônica Hipólito. Dali em diante, virei espectador quase tão assíduo quanto fui nos Jogos Olímpicos. Não avancei tanto nas madrugadas, com exceção dos jogos finais do Futebol de 5, mas também as opções de canais sobre isso não eram tão amplas.

    Assim, com esse contexto, a escolha por “anotações” no título é para tratar aqui de coisas que me chamaram a atenção enquanto pesquisador, mas que, dado o fato de não ter sido meu objeto de estudo anterior, não seria honesto da minha parte usar referências e deixar reflexões formadas adequadamente.

    Quem transmitiu?

    Há um comentário em comum ao se avaliar a supremacia do futebol para o interesse popular e da cobertura esportiva no Brasil: o esporte do país é o futebol, o segundo é o que tiver brasileira ou brasileiro ganhando. Ainda que por pesquisas de torcida já dê para pensar até na primeira frase, o caso da Paralimpíada é interessante porque há muitas vitórias brasileiras, logo, era para haver muita vontade em transmitir.

    Entretanto, entre o final do encerramento dos Jogos Olímpicos e a abertura dos Paralímpicos, havia uma dúvida sobre quem iria transmitir. Na semana de iniciar, confirmou-se que a TV Brasil (da Empresa Brasil de Comunicação, público-estatal) e o SporTV, normalmente no segundo canal, iriam exibir a competição. Além deles, o site internacional do evento também fazia a exibição com acesso gratuito.

    A novidade da edição no Brasil, ao menos do que eu lembro das anteriores, foi um boletim noturno diário e a transmissão dos jogos eliminatórios do Futebol de 5 sendo transmitidos pela Rede Globo. Aposta, por sinal, tranquila: era futebol e que ganhou todas as edições paralímpicas sem perder um jogo sequer!

    Fonte: Perfil da CPB no Twitter

    Detalhes sobre a transmissão

    Aproveitei a (cara) assinatura do pacote TV fechada + internet para assistir pelo SporTV 2. A opção do Grupo Globo foi por ter narradores mais novos, casos de Luiz Felipe Prota, Natália Lara e Sergio Arenillas. Nos comentários, atletas ou ex-atletas paralímpicos, com destaque (e afeto) para a dupla Verônica Hipólito (atletismo) e Clodoaldo Silva (natação).

    Em todas as situações houve uma preocupação em seguir um jornalismo anticapacitista[1], que não seguissem, por um lado, o senso comum das histórias de superação, ainda que a “jornada de herói/heroína” façam parte da cobertura esportiva; e, por outro, de entender que o público contava com Pessoas com Deficiência (PcD), o que gerava momentos de audiodescrição e a preocupação em explicar bem quais os motivos de categorias para provas semelhantes, com correções quando necessário.

    Confesso ainda que só tentei ver a TV Brasil no dia 4 de setembro, durante a final do Futebol de 5. Pareceu-me que a imagem tinha qualidade inferior do SporTV2, como se o sinal fosse reproduzido do site dos Jogos. Voltei ao canal horas depois, quando havia a exibição de outros eventos das Paralimpíadas, e a impressão foi a mesma.

    Mas a transmissão do SporTV2 também teve suas limitações. Em alguns momentos, especialmente no atletismo, as provas de “campo” eram apresentadas como se fossem ao vivo, inclusive ficava o “ao vivo” na tela. Como eu estava acompanhando em paralelo no minuto a minuto do Ge.globo, sabia que determinado arremesso já havia sido realizado e, até, que a competição tinha terminado com certo resultado.

    Nesse caso, o problema ainda é da geradora do sinal. O Comitê Paralímpico Internacional (CPI) não tem a mesma capacidade do seu referente olímpico para produzir e enviar ao vivo as imagens de todas as competições ao mesmo tempo. Mesmo no caso do atletismo, o sinal era apenas para uma prova por vez. Tendo competição na pista, prioridade, saia-se do campo.

    Esse problema ficou ainda mais claro em competições em que só foram liberados posteriormente os vídeos, caso da canoagem, e trechos da bocha. Em alguns esportes, como o taekwondo, só havia foto ou vídeo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) postados nos perfis das mídias sociais, que eram utilizados na transmissão do SporTV2 – e nas reportagens da Rede Globo.

    Fonte: Site dos Jogos Paralímpicos

    Na expectativa da 73ª medalha brasileira, entrei no site do CPI antes de dormir no dia 4 de setembro para saber o resultado da semifinal do badminton, com Vitor Tavares. Mas não havia transmissão, tive que acompanhar pelo minuto a minuto do Ge.globo, que também não tinha muita possibilidade de atualização, e então tive que esperar acabar o jogo para saber do resultado

    Por curiosidade, fui ver o perfil do CPB no Twitter[2]. No dia 4, a programação de atuação de atletas brasileiras e brasileiros contava com a “transmissão”, mas sinalizando apenas Rede Globo e SporTV 2 ou espaços vagos. Voltando alguns dias no perfil, havia programação com indicações e dias que não havia.

    Aguardemos que o aumento do interesse a cada edição dos Jogos Paralímpicos amplie as formas de transmissão daqui a três anos em Paris.


    [1] Ainda que eu tenha prometido não colocar referências, Silva (2021) tratou disso num texto do Ludopédio, vale a leitura. Disponível em: https://ludopedio.org.br/arquibancada/paralimpiadas-de-toquio-e-a-caminhada-por-um-jornalismo-inclusivo/. Acesso em: 21 set. 2021.

    [2] Disponível em: twitter.com/cpboficial. Acesso em: 21 set. 2021.

    Eventos

    LEME divulga instituição beneficiada pelo Seminário “Agora é com elas”

    A taxa de inscrição para o Seminário Internacional “Agora é com elas” será direcionada para a ACAFF – Academia de Futebol Feminino, um projeto social que atende mulheres e meninas em São Bernardo do Campo, São Paulo.

    A iniciativa conta com mais de 300 atletas de diversas idades e cerca de 20 voluntários, dentre eles professores e profissionais de apoio. Os treinos são gratuitos e acontecem, principalmente, no Centro Esportivo Baetinha, graças à parceria com a secretaria de Esportes de São Bernardo do Campo. 

    Imagem extraída do perfil no Instagram da ACAFF.

    Autores com resumos expandidos aprovados devem realizar o pagamento diretamente para a instituição e enviar o comprovante para os seguintes endereços de e-mail:

    acaff.oficial@gmail.com

    seminariocopadomundodemulheres@gmail.com

    Caso um mesmo resumo expandido seja escrito por mais de uma pessoa, todos os autores devem efetuar o pagamento da inscrição se desejarem receber certificado de participação. Cada trabalho terá até 15 minutos para ser apresentado, podendo esse tempo ser dividido entre um ou mais autores do resumo. Ao final das sessões, haverá discussão dos trabalhos entre os autores presentes na sala de reunião do Meet.

    Os autores receberão certificado digital de participação.

    Valores das taxas

    Estudantes de graduação: R$ 10

    Demais: R$20 ou mais (fica à critério dos autores)

    Novo prazo de pagamento

    22 de setembro a 15 de outubro

    Dados bancários da ACAFF

    Banco Santander

    Agência 0060

    C/C 130093264

    CNPJ 28.805.082/0001-60 (caso deseje efetuar o pagamento por PIX, use esse número)

    Mais informações sobre a instituição podem ser obtidas nos perfis do Instagram e Facebook.