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LEME divulgação programação completa do Seminário #Maraca70

Uma seleção repleta de craques pronta para entrar em campo e nos proporcionar debates memoráveis. Está chegando na área o Seminário #Maraca70. Com a confirmação dos últimos participantes, a equipe do #Maraca70 está pronta para o jogo! Sem mais delongas vamos apresentar esse timaço: Vanessa Riche, Carol Barcellos, Gisella de Araújo Moura, Luiz Antônio Simas, Bernardo Buarque de Hollanda, Luis Roberto, Edson Mauro, Arlei Damo, Antônio Jorge Soares, Vivian Fonseca, Marcelo Barreto e Juca Kfouri. Todos esses grandes nomes do jornalismo esportivo e da academia estarão nessa homenagem aos setenta anos do “Maior do Mundo”. O Seminário Internacional “#Maraca70: mídia, memória e patrimônio” começa dia 05 e vai até 07 de outubro.

Logo de início, na conferência de abertura, dia 05/10 às 18h30, contaremos com Vanessa Riche (radialista e comentarista da Fox Sports) e Carol Barcellos (jornalista e repórter da Tv Globo). Elas já cobriram diversas partidas no estádio e são referências do jornalismo esportivo  brasileiro. Essa mesa será mediada por Leda Costa, professora visitante da UERJ e pesquisadora do LEME.

A primeira mesa do Seminário, no dia 06/10 às 16h, terá a presença de Luiz Simas, historiador e autor do livro Maracanã:Uma biografia, Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola de Ciências Sociais da FGV, e Gisella Moura, mestre em História Social e Cultural pela UFRJ e autora do livro O Rio Corre Para o Maracanã, que vão discutir a representação do Estádio Jornalista Mário Filho na literatura e na arte. A mediação será feita por Alvaro do Cabo, doutor em História Comparada pela UFRJ.

Para terminar o segundo dia de evento, às 18h30, Edson Mauro (radialista e narrador esportivo da Rádio Globo) e Luis Roberto (jornalista e narrador do SporTV) vão chegar cheios de energia para dividir histórias e experiências na mesa “Os artistas do jogo e o Maracanã”. O moderador será Ronaldo Helal, professor titular da FCS/UERJ e coordenador do LEME.

O terceiro e último dia do #Maraca70 começará com um tema imperdível. Às 16h, Vivian Fonseca (historiadora e professora da UERJ e da FGV), Arlei Damo (antropólogo e professor da UFRGS) e Antônio Jorge Soares (professor titular da UFRJ) são os nomes escalados para a mesa “Maracanã: patrimônio cultural e palco de megaeventos”. Doutor em Comunicação pela UERJ e apresentador do podcast Passes & Impasses, Filipe Mostaro cuidará da mediação dessa mesa.

Para fechar o Seminário com chave de ouro, às 18h30, Juca Kfouri (escritor e jornalista) e Marcelo Barreto (jornalista, editor-chefe e apresentador do Redação SporTV), que sempre têm análises e comentários precisos sobre as partidas que acontecem no Maraca, vão falar sobre a relação da imprensa com o estádio. A mediação dessa conferência de encerramento ficará a cargo do professor Ricardo Freitas, vice-diretor da FCS/UERJ e coordenador do Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon).

O evento será transmitido pelo canal do LEME no YouTube. Ao longo das transmissões, serão disponibilizados formulários para quem desejar obter certificado de participação no evento. A programação completa pode ser conferida aqui.

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O esporte profissional norte-americano: entre a pandemia, o negócio e a cultura política

Por David M. K. Sheinin* y César R. Torres**

Em março de 2020, quando a pandemia do COVID-19 interrompeu repentinamente as temporadas de duas das grandes ligas desportivas profissionais norte-americanas (a National Basketball Association [NBA] e a National Hockey League [NHL]), ambas começaram a planejar seus retornos. Seus dirigentes traçavam possíveis cenários enquanto os prognósticos epidemiológicos, políticos e econômicos mudavam diariamente. Em contrapartida, os dirigentes da Major League Baseball (MLB) e da National Football League (NFL) não sentiam a mesma urgência da NHL ou da NBA, já que, por sorte, no ponto de vista deles, esses esportes estavam fora de temporada.

Ao final de julho, a MLB começou uma temporada mais curta que o habitual, de apenas sessenta partidas por equipe. Em agosto, a NBA e a NHL lançaram uma liga modificada para finalizar a temporada interrompida em março e a NFL abriu seus campos de treino para a temporada que começa em setembro. Ao mesmo tempo em que cada liga desportiva anunciava precauções para evitar a transmissão do vírus, os planos de retorno de cada uma e seus resultados eram mistos. A NBA e a NHL têm registrado muitos poucos casos de COVID-19 entre suas centenas de jogadores, treinadores, árbitros e outros integrantes. Por outro lado, a MLB e a NFL não têm tido tanto êxito. Cada dia há novos contágios e casos de comportamentos perigosos e irresponsáveis de parte dos jogadores.

A consequência tem sido partidas canceladas na MLB, jogadores que decidiram não jogar este ano para não colocar em risco sua saúde e muita incerteza. À primeira vista, a diferença entre sucesso e fracasso no controle do vírus se estabelece na estratégia da NHL e da NBA de colocar todas as equipes e suas comitivas (sem familiares) em uma bolha, sem contato com o exterior, e a falta dessa estratégia na MLB e na NFL. Entretanto, as estratégias das ligas desportivas e suas repercussões refletem políticas nacionais, culturas organizacionais e aproximações com o negócio do esporte com diferenças notáveis, anteriores à aparição do COVID-19. Representam também resultados, até certo ponto, previsíveis. Tudo isso é particularmente relevante em um ano-chave de eleições nos Estados Unidos.

NHL suspends play over coronavirus
NBC News

A urgência do negócio

Há quatro décadas o negócio das ligas desportivas nos Estados Unidos e Canadá excede a venda de bilhetes. Os lucros provêm da venda de mercadorias, patrocínios de empresas a venda de direitos de transmissão e, na última década, as apostas online. Este tipo de apostas tem sido especialmente importante para a MLB e a NFL. Nos pequenos mercados como Cincinnati ou Baltimore, onde as equipes pouco jogam, empresas como DraftKings e FanDuel mudaram o negócio do esporte profissional. Antes da chegada dessas empresas, as partidas dos times de cidades com pouco apelo comercial contavam com baixa audiência, tanto online como na televisão. Porém, com a legalização das apostas online nos Estados Unidos, milhares de pessoas começaram a acompanhar as partidas, não por sua qualidade, mas pelo interesse monetário no resultado. Uma década atrás teria sido impensável uma relação entre as ligas desportivas e as empresas de apostas. Entretanto, na atualidade, a DraftKings é sócia oficial das quatro grandes ligas esportivas com sua logomarca colocada nas plataformas digitais de cada uma delas.

Apesar das queixas midiáticas pelas mudanças na cultura desportiva por conta da pandemia, com estádios sem público (ou com público de papelão), a ausência de espectadores ao vivo representa cifras relativamente menores para as empresas multimilionárias donas das equipes. Em 2020, a demanda tem sido voltar a jogar o mais rápido possível – com o público fora do estádio, protegido em suas casas, vendo os jogos pela televisão e, em milhares de casos, apostando online.

Canadá vs. Estados Unidos

Em julho, a cidade de Toronto e a província de Ontario aprovaram o pedido da única equipe canadense da MLB, os Toronto Blue Jays, para jogarem suas partidas como mandantes em Toronto. Porém, de última hora, o governo canadense anulou essa determinação. A MLB havia decidido não restringir o deslocamento dos times. O problema era que o Canadá não permitia que as equipes cruzassem a fronteira, já que em junho a curva da pandemia estava achatando e nos Estados Unidos o vírus continuava avançando rapidamente. Assim, os Blue Jays tiveram que utilizar um estádio inferior em Búfalo para seus jogos em casa.

A decisão canadense ressaltou as diferenças na maneira com a qual os dois países enfrentaram a pandemia desde março. Nos Estados Unidos, o governo nacional não tomou uma posição de liderança durante a crise. Não apensas ignorou os conselhos de seus especialistas em saúde pública, como também o presidente Donald Trump desarmou, ameaçou e marginalizou as entidades científicas governamentais. Enquanto isso, no Canadá, o governo nacional coordenou uma resposta centralizada, confiou na comunidade científica e deixou de lado as diferenças políticas com os governos provinciais e municipais para adotar uma estratégia comum e coordenada contra o COVID-19.

Em março, com exceção do tráfego comercial, o Canadá fechou a fronteira com os Estados Unidos. O exílio dos Blue Jays representa a posição da maior parte da população canadense: a fronteira deve permanecer fechada e o funcionamento da MLB é arriscado – um risco generalizado nos Estados Unidos, apoiado (ou tolerado) por seu governo nacional.

Coronavirus: MLB pushes back start of the season to mid-May - Los Angeles  Times
LA Times

Esporte e cultura política

A NFL e a MLB são ligas desportivas que dependem muito mais da cultura política encarnada por Trump do que a NHL e NBA, especialmente no que se refere à questão racial, que cada vez define mais as crescentes diferenças entre o Partido Democrata e o Partido Republicano. Existem cada vez menos jogadores brancos em ambas as ligas, com um aumento notável nos últimos vinte anos de jogadores latinos na MLB e negros na NFL. De todo modo, em um país no qual a porcentagem de pessoas brancas segue diminuindo, o público da MLB e da NFL, tanto nos estádios, como na televisão, é cada vez menor, e, por sua vez, mais branco e mais velho. Faz pouco tempo que os Atlanta Braves abandonaram seu estádio no centro da cidade, colocando em perigo dezenas de pequenos negócios que dependiam da atividade comercial ao seu redor. Mudaram-se para um estádio novo fora da cidade. Para a segregação racial que segue definindo muitas cidades estadunidenses, essa mudança marcou o abandono de um lugar povoado por pessoas negras para uma área percebida como mais “tranquila” pelo público branco que assiste às partidas. O beisebol como negócio que confirma a segregação racial pode ser visível em muitas cidades. Em Detroit, os estádios de futebol e beisebol ficam a poucos metros de uma estrada que permite a um público quase completamente branco chegar a municípios suburbanos de carro, estacionar em vagas de estacionamento localizadas ao lado dos estádios, assistir à partida e voltar para os subúrbios sem entrar na cidade “perigosa” e com uma população majoritariamente negra.

Em 2016, Colin Kaepernick, o quarterback do San Francisco, se ajoelhou durante o hino nacional antes das partidas, em protesto pela brutalidade policial contra a comunidade negra. Os dirigentes da NFL, perplexos, não sabiam o que fazer. Trump os criticou pela indecisão, assim como por não terem punido Kaepernick e sua suposta falta de respeito com a bandeira e o hino nacional. Como no caso da MLB, o futebol acabou cedendo às demandas de um público cada vez mais branco e mais velho, um grupo demográfico do qual Trump depende eleitoralmente: a liga e as equipes conspiraram para negar um contrato a Kaepernick e, desde aquela temporada, ele nunca mais voltou a jogar.

A decisão da MLB e da NFL de não embarcar em um modelo de isolamento em bolhas para organizar suas temporadas acaba manifestando a cultura política de seu público, que tende a apoiar Trump. Esse apoio inclui hesitações sobre o perigo do COVID-19, ressentimento racial com as pessoas negras e latinas nas cidades que supostamente são fontes do vírus e a ideia de que a retomada das economias local e nacional está parada pelos controles “desnecessários” (distanciamento social, máscaras, quarentenas, lojas fechadas) impostos por governos locais e nacionais.

Essa política pode ser notada também nas temporadas de futebol universitário, outro negócio multimilionário, e suas duas ligas mais importantes. A Big 10 inclui universidades públicas dos estados de meio-oeste do país (Illinois, Indiana Michigan e Wisconsin, entre outros), que, em geral, conseguiram controlar a pandemia com uma política de distanciamento social, máscaras, quarentenas, lojas fechadas. A Big 10 cancelou sua temporada 2020. A Southeastern Conference (SEC) inclui universidades públicas de estados que não conseguiram controlar a pandemia (Alabama, Florida, Luisiana y Texas, entre outros) e nos quais se resiste ao uso de máscaras, muitos negócios permanecem abertos e prevalece uma suspeita generalizada sobre as autoridades de saúde pública. A SEC ainda segue com a ideia de organizar a temporada 2020.

O efeito David Stern

Por que a NBA e a NHL optaram pelo modelo da bolha? Ainda que esteja em Nova York, a NHL conta com capitais e fortes influência culturais canadenses. A metade dos jogadores, assim como sete das trinta equipes da liga são oriundas do Canadá. O Canadá também conta com um público numeroso, leal e fervoroso. Por outro lado, a política canadense frente à pandemia (incluindo os êxitos) também influenciou a rápida decisão da NHL de basear suas duas bolhas nas cidades de Toronto e Edmonton.

No entanto, existe um fator mais importante. Nem as políticas, nem os negócios das duas ligas desportivas são ligadas ao Partido Republicano nos Estados Unidos, o que abriu a possibilidade de uma estratégia contra o vírus livre da visão de Trump. Em parte, isso representa o legado de David Stern, o ex-dirigente da NBA que fez crescer o negócio de sua liga a nível nacional e internacional de 1990 a 2014, enquanto que a MLB e a NFL estavam em declínio. A sua postura no esporte levava em conta – e fomentava – as mudanças culturais nos Estados Unidos e o fato de que o público de basquete estava cada vez mais diversificado, com ampla representação da comunidade negra. Os dirigentes atuais da NBA (Adam Silver) e da NHL (Gary Bettman) começaram suas carreiras sob a liderança de Stern na NBA e se formaram com seu modelo de gestão – mais distante das influência de um ou outro partido político e mais ágeis para adaptarem-se a um cenário cultural, político e econômico que muda constantemente.

Como no caso da NFL, há uma história importante de discriminação racial na NBA. Mas, diferentemente da indecisão da NFL frente aos protestos de Kaepernick e de sua reação conspiratória, em 2015 quando o dono do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, deu uma declaração racista, Silver o expulsou da liga e Sterling teve que vender as ações da equipe. Como discípulos de Stern, Silver e Bettman entendem como enfrentar as circunstâncias variáveis melhor que os dirigentes e que os donos das equipes de beisebol e de futebol americano. Assim, quando chegou a pandemia, ao contrário da MLB e da NFL, e com mais liberdade para agir, ponderaram as alternativas e elegeram a opção mais segura e mais rentável.

Uma bolha comprometida

Desenvolver sua atividade em uma bolha não implica abdicar da realidade política e social. Após o reinicio da temporada, e depois do assassinato do cidadão negro George Floyd pelas mãos da polícia no final de maio, muitos dos jogadores da NBA decidiram substituir seus nomes nas camisas por mensagens que remetessem à luta contra o racismo e a brutalidade policial, entre outras causas políticas e sociais. Os jogadores, muitos dos quais têm uma larga história de ativismo político e social, contaram com a anuência da NBA. Ao final de agosto, Jacob Blake, outro cidadão negro, foi baleado pela polícia. Indignados com o episódio, os jogadores boicotaram várias partidas, interrompendo a temporada. O grande protesto se propagou rapidamente para outros esportes, incluindo a NHL, a MLB e a NFL. Há poucos dias a NBA decidiu, junto com as outras ligas e com os donos das equipes, retomar a temporada, comprometendo-se com uma série de medidas “para abordar uma ampla gama de temas, incluindo o aumento do acesso ao voto, a promoção do compromisso cívico e a defesa da reforma policial e da justiça penal”. Silver declarou que aprova o “compromisso (dos jogadores) de lançar luz sobre temas importantes de justiça social” e continuou dizendo que “embora não caminhe nos mesmos sapatos que os homens e mulheres negros, posso ver o trauma e o medo que causa a violência racial e como continua o doloroso legado da desigualdade racial que persiste no nosso país”. Enquanto isso, Trump, incomodado pelo ativismo dos jogadores e o apoio da NBA, manifestou que a associação dirigida por Silver “se converteu em uma organização política” e que não pensa que “isso seja algo bom para o esporte ou para o país”. LeBron James, estrela da NBA e articulador dos protestos declarou: “Estamos fartos. Exigimos uma mudança”. Resta ver se a mudança que prevalecerá, não apenas no esporte, mas nas esferas culturais, políticas, sociais e econômicas mais amplas, é a impulsionada pelos jogadores e dirigentes da NBA ou a que promove Trump. As eleições de novembro indicarão, em parte, o rumo da mudança.

Texto originalmente publicado no site Marcha no dia 01 de agosto de 2020.

Doutor em História. Professor na Universidade de Trent.

** Doutor em Filosofia e História do Esporte. Professor na Universidade do Estado de Nova York (Brockport).

Tradução: Leticia Quadros e Fausto Amaro

Produção audiovisual

Já está no ar o vigésimo terceiro episódio do Passes & Impasses

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O tema do nosso vigésimo terceiro episódio é “Futebol e nacionalismos”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Mattheus Reis, recebemos o Professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro Victor Andrade de Melo e o doutor em História Comparada pelo Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ Maurício Drumond.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o vigésimo terceiro episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Sou brasileiro”, composta por Nelson Biasoli e cantada pela torcida em época de Copa do Mundo

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

ARTIGOS, LIVROS E OUTRAS PRODUÇÕES:

Equipe
Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Letícia Quadros
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Mattheus Reis
Convidados: Victor Melo e Maurício Drumond

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Sobre contar uma história que não deveria ter acontecido

Durante a realização da sexta rodada do absurdo Campeonato Brasileiro de 2020, o Grêmio sagrou-se campeão gaúcho de 2020. Essa foi a trigésima nona conquista do tricolor gaúcho, a terceira consecutiva. O clube quebrou muitos recordes ao conquistar esse campeonato que não deveria ter sido retomado. Foi o primeiro tricampeonato desde 1987. Tirando as brincadeiras que eu, nascido em 1983, e meu amigo Felipe, nascido em 1984, realizamos com meu irmão, Gabriel, que nasceu em 1988, foi o meu primeiro tricampeonato. Renato Portaluppi, ou Gaúcho, como vocês o chamam no Brasil, igualou uma marca ainda mais distante. A última vez que um mesmo treinador havia conquistado três títulos estaduais em sequência pelo Grêmio foi em 1964, quando Oswaldo Rolla alcançou tal façanha.

A qualidade técnica do campeonato não é das mais empolgantes. Ao longo dos anos vemos “craques do Gauchão” sucumbirem dos quadros da dupla Grenal e acabarem realizando trajetórias modestas em clubes de segundo ou terceiro escalão do futebol nacional. O campeonato que era chamado de “charmoso” pelo narrador Paulo Britto, agora virou o Gauchão “raiz” na voz do atual narrador da RBS, Luciano Périco. Em ambos os casos, um apelo afetivo ao tradicional, marca tão premente na cultura gaúcha, é o elemento mais “vendável” dessa competição.

 A temporada de 2020 começou empolgante para o futebol do Rio Grande do Sul. Grêmio e Internacional disputariam juntos a Libertadores da América e, muito provavelmente, se enfrentariam pela fase de grupos da principal competição do continente, o que enquanto escrevo esse texto aconteceu uma única vez, no último jogo de todos os tempos[1]. Mais uma vez a dúvida que aparecia era sobre quem seria o campeão gaúcho: Internacional ou Grêmio. Neste século, apenas uma vez o campeão não foi Grêmio ou Internacional. No século passado, desde 1940, apenas em 3 oportunidades um dos dois grandes de Porto Alegre não se sagrou campeão.

Para além da previsibilidade e de uma eventual deficiência técnica, o campeonato gaúcho de 2020, tal qual o mundo todo, enfrentou a pandemia da Covid-19. O campeonato que iniciou ainda durante o mês de janeiro, com derrota do Grêmio frente ao Caxias, ficou interrompido de 15 de março até 22 de julho. Quando de sua interrupção, o Rio Grande do Sul apresentava 6[2] casos registrados da doença. Na data de seu retorno, 3.233 casos novos somavam-se chegando ao total de 53.073. Somente no dia em que Internacional e Grêmio se enfrentaram na cidade de Caxias do Sul, Porto Alegre não permitia a realização de partidas de futebol, 53 pessoas faleceram no Estado em função da pandemia.

Por melhores que fossem as condições de prevenção e de cuidados de saúde dos clubes, e nessa lógica parece que todos os clubes possuiriam as mesmas condições técnicas e financeiras para dar conta dos protocolos, não faz muito sentido que você proponha a paralisação de um campeonato no início da pandemia no Estado para retomá-lo com sua curva ascendente.

Imagem enviada pelo autor

A continuação do campeonato foi apenas a explicitação de um longo processo que acompanha o futebol brasileiro ao menos desde o final da década de 1980. O futebol de espetáculo, e não somente no Brasil, assume, definitivamente, que pode prescindir do público nos estádios. Alguns mecanismos como totens de torcedores, vídeos, faixas e áudios se propõem a criar um “clima” de jogo de futebol. Não consigo precisar se esse “clima” é criado para os jogadores ou para a televisão (estaria mais inclinado a apostar nessa segunda hipótese). Para mim, torcedor de estádio, o campeonato acabou no dia 15 de março quando o Grêmio enfrentou o São Luiz, da cidade de Ijuí, na Arena do Grêmio com os portões fechados. Ao ser, corretamente, proibido de frequentar o estádio, o jogo de futebol perdeu, para mim, torcedor de estádio, sua parte mais importante: a socialização torcedora.

Em 1993 fui a minha primeira “final” de Gauchão. A fase decisiva daquele campeonato foi realizada em formato hexagonal. Após conquistar o título no interior do Estado, o Grêmio enfrentaria o Internacional para a entrega das faixas. Foi, também, meu primeiro Grenal. Desde lá, excluído 2020, o Grêmio esteve em mais 14 finais do Campeonato Gaúcho. A única em que não estive no jogo de ida ou de volta, sempre como mandante, foi em 2010 quando minha lua de mel coincidiu com a data da decisão no antigo estádio Olímpico. Ganhei oito e perdi cinco, mas sempre estive. Quando da volta do futebol (sem eu poder ir ao estádio, seria futebol?) já sabia que em caso de uma eventual classificação à final, não poderia estar presente.

Fomos então para a final do turno (nosso campeonato tem imitado a forma do Campeonato Carioca nos últimos anos) enfrentar nosso maior rival. Em 5 de agosto (precisei adiantar o jantar de comemoração de aniversário da minha esposa) realizamos o quarto Grenal da temporada. Foi nossa terceira vitória (certamente a com maior diferença técnica). Mantivemos nossa invencibilidade de dois anos contra o rival. Neste ano só não ganhamos o clássico com o apoio de nossa torcida. Será que demos azar ao Grêmio? (Se sim, azar do Grêmio. Eu é que não deixarei de ir aos jogos – quando isso for sanitariamente possível).

Mais três semanas de intervalo, dessa vez por culpa das primeiras rodadas do campeonato brasileiro, e voltamos ao estádio Centenário, palco do Grenal da retomada. Na verdade, eles voltaram. Com torcida estamos juntos, sem torcida são eles: o time, os jogadores… Ganhamos por 2 a 0. O segundo gol, um golaço (ou uma bucha conforme a emissora mecenas do campeonato) marcado por um jogador que fazia sua estreia no campeonato. Sim, tivemos estreia na final do campeonato (e não foi a única). No domingo seguinte, atrasamos nosso percurso no campeonato brasileiro (provavelmente apenas adiamos mais um empate) e recebemos (eles receberam, mas não consigo me pensar de fora do clube) o Caxias, o mesmo que nos derrotou em janeiro (e, também, na final do primeiro turno), para terminarmos, finalmente, nosso Covidão 2020. Iniciamos aumentando nossa vantagem com gol de Diego Souza. Sim, Diego Souza. Grande artilheiro do campeonato aos trinta e cinco anos com nove gols, praticamente o dobro dos segundos colocados que marcaram cinco. O que parecia ser uma jornada futebolisticamente tranquila virou mais um daqueles jogos horrorosos do Grêmio que conseguiu sofrer a virada e viu seu goleiro salvar nos minutos finais e garantir o tricampeonato. Curiosamente, nosso goleiro Vanderlei e nosso centroavante Diego Souza já eram nascidos na última vez que conquistamos o tricampeonato.

Para não perdermos totalmente a sociabilidade torcedora, meu irmão Gabriel, meu amigo Felipe e eu conversamos um pouco antes de cada partida para mantermos um pouco de nossos encontros associados as partidas. “Empolgadíssimo” com a conquista, meu irmão resolver nos ligar após o jogo para “comemorarmos”. Nossa cara de desolação com a atuação do time, mas também com tudo o que foi esse campeonato nessas condições e nossa ausência do estádio seria um ótimo resumo do que é presenciar uma história que nunca deveria ter acontecido. Como temos alguma responsabilidade por nossas saúdes mentais nesse período tão difícil, obviamente não tiramos um print da tela. Se meu texto não foi o suficientemente explícito para dizer o quão o campeonato não deveria ter sido retomado, e não divulgaremos nossas imagens para vocês, sugiro que assistam ao segundo tempo de Grêmio e Caxias. Se vocês conseguirem assistir essa partida como se fossem torcedores do Grêmio será bastante fácil entender o que é pensar em jogar futebol nesse Brasil 2020 em que a pandemia da Covid-19 consegue a façanha de não ser o maior problema nacional.


[1] Ver O último jogo de todos os tempos. Disponível em: https://www.ludopedio.com.br/arquibancada/o-ultimo-jogo-de-todos-os-tempos/

[2] Disponível em https://www.ufrgs.br/sig/mapas/covid19-rs/

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As estátuas e o esporte caem do pedestal

Represada por séculos, a onda antirracista conseguiu, finalmente em 2020, romper os diques que mantinham, sob conforto e segurança, os privilégios de uma sociedade discriminatória.

A derrubada e a retirada de monumentos de personalidades identificadas com o racismo têm sido rotineira nos recentes protestos de rua que vêm exigindo justiça racial. Uma por uma, essas estátuas caem dos seus pedestais e geram o debate em torno da reinterpretação da história. E o caso de uma delas, no estádio olímpico de Amsterdã, mostra que essa onda pode causar transformações sem precedentes no esporte.

Turistas desavisados que até pouco tempo atrás passavam pelo estádio na capital holandesa invariavelmente se sentiam constrangidos.

Isso porque, desde 1928, estava lá uma estátua de bronze em que um homem saudava a todos com o braço direito retilíneo e esticado para frente. Ela foi idealizada pela escultora holandesa Gerarda Rueb na reforma do estádio para os Jogos daquele ano e em homenagem ao Barão Van Tuyll van Serooskerken, fundador do Comitê Olímpico da Holanda.

A intenção do monumento era recordar e exaltar uma suposta saudação da Antiguidade Romana, um dos berços da formação cultural do Ocidente. No entanto, apesar de ter sido erguida 5 anos antes da ascensão de Hitler, a estátua passou a ser associada, ao longo do tempo, ao nazismo, que influencia até hoje grupos racistas, como a Ku Klux Klan nos Estados Unidos. 

Estátua com o braço esticado para frente na entrada do Estádio Olímpico de Amsterdam causou polêmica. Foto: Evert Elzinga/EFE.

 

Diante das cobranças para a estátua ser removida, a Fundação do Estádio Olímpico de Amsterdã consultou um grupo de historiadores e concluiu que a saudação aos romanos é um mito. Não há relatos da época que comprovem que ela, de fato, existiu. Além disso, a estátua com a saudação acabou se tornando uma coincidência acidental e – por que não – trágica: o mesmo gesto com o braço esticado para frente tinha sido introduzido pelo Barão de Coubertin, fundador do Comitê Olímpico Internacional, nos Jogos Olímpicos de 1924, como símbolo de desportividade e respeito entre os atletas (VAN DER VOOREN, 2018).

Anos depois, os nazistas incorporaram o gesto aos seus rituais culturais, e a história fez desaparecer a saudação em meio ao constrangimento coletivo perante o terror causado pelo regime. Mas restava a estátua, bem intencionada no início, porém anacrônica, e que, por isso, já foi removida para um museu dentro do estádio

O esporte pouco havia feito para combater o racismo nas últimas três décadas em que se tornou um espetáculo global, bilionário e, por isso, um produto com grande capacidade de mobilização coletiva. Políticas afirmativas para negros foram raríssimas em clubes e outras entidades esportivas. Em meio às incontáveis injúrias sofridas por atletas negros, o que havíamos visto, no máximo, foi uma faixa “Diga não ao racismo” em estádios ou a frase “Vidas negras importam” em uniformes. Mas nada disso adiantou. 

Portanto, boicotar jogos da NBA e remover estátuas já compõem um avanço sem precedentes, embora ainda tímido. O esporte, em troca de lucros bilionários, frequentemente traçou estratégias para evitar debates raciais e de outros temas de ordem política. Para não desagradar patrocinadores, atletas foram compelidos a manter um comportamento “manso” em meio aos pedidos por engajamento social. Mas a impressão agora é a de que o silêncio da falsa normalidade e que, um dia, taxou o esporte de “alienado” definitivamente acabou.

 

Referências:

VAN DE VOOREN, J. Amsterdam 1928: Het onbekende verhaal van de Nederlandse Olympische Spelen. Balans, Uitgeverij, 2018.

Saluting statue to be removed from Amsterdam Olympic Stadium. Associated Press, Amsterdam, 14 de agosto de 2020. Acesso em: 04 set. 2020.

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Nordeste tem sua primeira Jornada de pós-graduandos/as em Comunicação e Futebol

Como estão as pesquisas de Comunicação e Esporte no Nordeste? Pensando em unir o que há de melhor na região nesta intercessão de estudos, a recém criada Rede Nordestina de Estudos em Mídia e Esporte (ReNEme) promove, de 09 a 11 de setembro, a primeira Jornada Nordestina de pós-graduandos / as em Comunicação e Futebol. O LEME é um dos apoiadores da iniciativa, haja vista que a ideia de formação desta rede surgiu durante os Encontros LEME online.

A programação começa na noite da quarta-feira (09), com a abertura do evento, às 19h. Na sequência, às 19h30, começam as apresentações, que seguem pela quinta e sexta-feira com sessões temáticas a partir das 14h30 e das 19h. Ao todo, 19 trabalhos estão inscritos, divididos em cinco eixos temáticos: 1) A apropriação política do futebol, 2) Representações de gênero no futebol, 3) Programas midiáticos de futebol, 4) Economia Política do Futebol e 5) Formas de torcer.

A Jornada Nordestina de pós-graduandos/as em Comunicação e Futebol emitirá certificado gratuito aos ouvintes – a partir de formulário de frequência disponibilizado durante cada sessão.

O evento conta ainda com a organização do grupo de pesquisa Crítica da Economia Política da Comunicação (CEPCOM), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL); e tem também os apoios do capítulo Brasil do União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e da Cultura (Ulepicc-Brasil), com a jornada sendo um dos pré-eventos do 8° Encontro Ulepicc-Brasil, e do Ludopédio, portal de produção e divulgação científica sobre futebol.

Veja a programação completa aqui.

Serviço

Jornada nordestina de pós-graduandas/os em Comunicação e Futebol

Data: de 9 a 11 de setembro de 2020

Local: transmissão pelo canal do Youtube do Ludopédio

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Vamos falar mesmo sobre uma efetiva democratização do futebol?

A campanha de clubes brasileiros para que o mandante da partida seja o único possuidor do direito de arena vem sendo marcada por reuniões com o presidente da República, mas também por tuitaços e campanhas conjuntas nas mídias sociais. Dentre elas, em 19 de agosto, uma faixa foi colocada nas arquibancadas da Arena da Baixada informando que Athletico e Palmeiras, que se enfrentavam no gramado, estavam juntos pela “lei do mandante” e pela “democratização do futebol”. Na hora me veio à mente: será que entendem o mesmo que eu sobre democracia no futebol?

Desde a promulgação da Medida Provisória 984, em 18 de junho, que venho falando muito sobre os direitos de transmissão do futebol brasileiro, tema de pesquisa já há 10 anos, quando formulei o projeto para o mestrado, e que teve como resultado, além da dissertação, o livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Print do canal de Youtue do Esporte Interativo

Publicada após uma reunião do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, com o atual presidente da República, a MP criou imbróglios jurídicos, com liminares para diferentes partes mudando em cima da hora a transmissão de partidas, mas tem apoio da maior parte dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro de Futebol (35 em 40) para ser transformada em lei no Congresso Nacional.

Os manifestos dos clubes, fossem os das Séries A e B ou da Liga do Nordeste usam “democratização da transmissão do futebol”, mas, numa rápida busca, além da faixa da Arena da Baixada, pelo menos Flamengo, Bahia e Athletico utilizaram “democratização do futebol”. Temos neste recorte três modelos distintos de democracia interna e de como a democracia, de forma geral, é entendida.

Deles, o Bahia vem desde 2013 num processo de maior participação torcedora e tem sua atual gestão muito bem marcada pelas suas ações sociais, com destaque para a criação do Núcleo de Ações Afirmativas – escrevi sobre a #BahiaClubedoPovo em artigo científico publicado no ano passado (SANTOS, 2019).

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Já os rubro-negros carioca e paranaense não são modelos de participação torcedora nas suas instâncias internas e suas diretorias atuais não escondem o apoio ao atual grupo político no poder presidencial, assumidamente de extrema-direita.

Não me aprofundarei nas especificidades, mas para conhecimento do quão parece ser contraditória a frase no Athletico, veja artigo de André Pugliese na Gazeta do Povo, publicado no dia seguinte à partida contra o Palmeiras.

Pugliesi não se aprofunda no mérito da MP 984, que até considera “que não há nada de errado na campanha athleticana”, mas questiona: “se virá uma nova política, de ingressos populares em setores ociosos e planos variados de associação. Ou ‘democratização do futebol’ é só no bolso dos outros?”.

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Elementos democráticos

Ampliar o acesso da torcida a uma forma de entretenimento marcada por relações de afeto e sentimento de comunidade, caso do futebol, é algo fundamental para a sociedade. Trabalho na tese, em andamento, com o conceito de “conteúdos de interesse social” como proposta básica para garantir que algumas partidas de futebol possam ter a garantia de acesso amplo e gratuito, seguindo o que países como Argentina, Uruguai e México colocaram em mudanças de leis sobre os meios de comunicação neste século.

Assim, independentemente da minha avaliação pessimista sobre o que consta neste momento no Art. 42 da Lei Pelé, com as modificações da MP 984, não posso ser contrário a um entendimento que destaque a importância da ampliação do acesso aos jogos transmitidos por uma plataforma audiovisual.

Entretanto, isso pode significar apenas “democratização das transmissões esportivas”. E, mesmo assim, é preciso considerar algo que os próprios clubes destacaram numa série “fato e fake” nas mídias sociais – com alguns problemas, começando pela linguagem que faz tratar divergências como “fake” (news): “cabe a TV decidir”. A Turner, por exemplo, decidiu não exibir em TV fechada Fortaleza X Athletico na primeira rodada da Série A deste ano por “escolha da programadora”, que preferia transmitir Palmeiras X Vasco – utilizando-se de uma interpretação da MP, mas que acabou não ocorrendo porque o jogo foi adiado.

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Além disso, como bem aponta Pugliese (2020) sobre o Athletico, quando for possível frequentar estádios de futebol é preciso saber se teremos ingressos com valor que possibilite que diferentes pessoas possam entrar nos estádios ou se seguiremos com a lógica arenizada de públicos que precisam pagar caro para apoiar seu time. Fora outro limite que está se espalhando: presença da torcida visitante.

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É importante sempre lembrar que:

O “público família” mais pobre não está contemplado no novo projeto de futebol que abrange as arenas multiuso, apesar de terem sido poucos os momentos históricos que ele esteve. Os torcedores mais pobres sempre foram obrigados a se amontoar em espaços ditos “populares”, ainda que pouco tenham se queixado. Agora, como ocorreu na Europa, parece estar sendo encaminhando à intermediação de um meio de comunicação. A maior presença do broadcasting nas receitas dos clubes tende a aumentar com mais possibilidades de transmissão do audiovisual – caso dos aparelhos móveis (A. SANTOS; I. SANTOS, 2019, p. 35).

Da mesma forma, é preciso saber se a liberdade de se expressar dentro do estádio será permitida ou o Estatuto de Defesa do Torcedor seguirá sendo usado contra nós, torcedoras e torcedores, quando queremos torcer com instrumentos musicais e bandeiras ou quando nos vemos no direito de protestar contra organizadoras de torneios – para não falar contra decisões de agentes do Estado que interferem diretamente nas nossas vidas.

Ampliar a possibilidade de acesso também nas instâncias decisórias dos clubes é tão importante quanto, refletindo ainda em melhoria nas relações de transparência para a torcida de tudo o que ocorre, com processos político-eleitorais mais amplos. Além de permitir que a “comunidade” seja mais do que um sentimento, abrindo mais os espaços do clube para a presença da torcida, não só o estádio.

Isso que ainda não pretendemos prolongar esse texto para questionar as perspectivas gerais sobre democracia, pensando na reversão de relações de exploração e de subalternização de classes sociais, o que, no meu entender, também envolve o devido posicionamento pelos agentes do futebol, considerando este esporte de “interesse social”, como disse mais acima.

Esqueci de algum outro elemento? Coloca aqui nos comentários. O Brasil atual nos mostra o quanto é importante ponderar sobre esses diferentes modelos democráticos que anunciam.

Referências Bibliográficas

PUGLIESI, A. O Athletico, clube mais elitista do país, fala agora em “democratização do futebol”. Gazeta do Povo, Curitiba, 19 ago. 2020. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/andre-pugliesi/athletico-lei-do-mandante-democratizacao-do-futebol-elitista/&gt;. Acesso em: 01 set. 2020.

SANTOS, A. D. G. dos. #BahiaClubedoPovo: A diversidade em campanhas de um time de futebol brasileiro. Dispositiva, v. 8, p. 100-117, 2019.

SANTOS, A.D. G. dos. Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Curitiba: Appris, 2019.

SANTOS, A. D. G.; SANTOS, I. S. da C. História do espectador dos jogos de futebol no Brasil: da elitização amadora às novas formas de exclusão das Arenas Multiuso. In: SANTOS, V.; MOTTA, J. S. M.; MARTINS, B. T. de S. (Org.). XIII Seminário OBSCOM/CEPOS e I Fórum Regional ALAIC Cone Sul: Compilação de trabalhos apresentados. São Cristóvão; São Paulo: OBSCOM/CEPOS/ALAIC, 2015. p. 28-41.

Produção audiovisual

Já está no ar o vigésimo segundo episódio do Passes & Impasses

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O tema do nosso vigésimo segundo episódio é “Marketing esportivo”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Carol Fontenelle, recebemos o professor da Universidade Mackenzie, Anderson Gurgel, e com o gerente de Marketing e Negócio do Bahia, Lênin. Franco.

Neste episódio também gravamos o nosso terceiro Prorrogação, respondendo as perguntas que nossos seguidores direcionaram para o Lênin sobre a atuação do marketing do Bahia.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o vigésimo segundo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Replay”, do Trio Esperança.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

ARTIGOS, LIVROS E OUTRAS PRODUÇÕES:

Equipe
Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Carol Fontenelle
Convidados: Anderson Gurgel e Lênin Franco

Artigos

Quando as arquibancadas também não serviam ao torcer: imagens do Estádio Nacional do Chile em 1973

Vivemos, com a pandemia, uma situação singular nos estádios de futebol do mundo. As partidas ocorrem normalmente dentro de campo, mas as arquibancadas estão completamente vazias: a circulação do vírus impede aglomerações e, consequentemente, a festa das torcidas. Enquanto os gramados, depois de meses, voltaram a ser ocupados pelos jogadores, as arquibancadas seguem praticamente desertas. Contam somente com a presença das bandeiras, sem ninguém para tremulá-las.

Há quase 50 anos, uma outra situação de excepcionalidade envolveu um estádio de futebol específico. Em 11 de setembro de 1973, ocorreu o golpe militar no Chile que tirou do poder o governo democraticamente eleito de Salvador Allende. No seu lugar, chegava Augusto Pinochet, que implantaria uma ditadura que duraria quase vinte anos.

Um dia depois do golpe, o maior estádio do país, inaugurado em 1938, principal palco da Copa do Mundo de 1962 e com capacidade para 80.000 torcedores, se transformava no maior centro de detenção e tortura da América Latina. Com os jogos no local suspensos, o gramado do “Coloso de Nuñoa” não presenciava mais os jogadores e a bola, mas sim os militares e seus fuzis. Nas arquibancadas, não estavam mais os torcedores, e sim os presos políticos.

Os detentos sofriam com torturas físicas e psicológicas, simulações de fuzilamento e interrogatórios incessantes. Muitos foram assassinados.

Dormiam nos vestiários e no piso frio dos corredores internos sob as tribunas. De dia, ficavam nas arquibancadas, à espera de não serem chamados para os temíveis interrogatórios.

Após 10 dias de total reclusão, o estádio foi liberado para visitas da Cruz Vermelha e da imprensa. A ditadura pinochetista sofria muita pressão internacional, e os militares queriam passar uma imagem de normalidade e respeito aos direitos humanos.

Deixaram que os fotojornalistas entrassem. O governo parecia entender que as fotografias, como afirma Boris Kossoy (2009, p.21), são “fragmentos selecionados da aparência das coisas”. Tratam-se de seleções a partir do real, com determinados cortes espaciais e temporais, definidos pelo operador da câmera. A ideia era que as fotografias mostrassem uma determinada realidade, que corroborasse a versão dos militares.

Presos bem cuidados, bem alimentados, e um ambiente prisional como qualquer outro. Mas não seria exatamente esse o papel cumprido pela fotografia nesse contexto histórico de excepcionalidade.

O governo contava que os fotógrafos poderiam criar uma realidade de acordo com a versão oficial dos fatos, mas não imaginava que eles poderiam construir um modelo de representação diferente do desejado. Ainda segundo Kossoy (2009, p. 30), “a imagem fotográfica é antes de tudo uma representação a partir do real segundo o olhar e a ideologia de seu ator”.

Os fotógrafos que estiveram no Estádio Nacional naquele período, grandes nomes como Marcelo e Christian Montecino, buscaram mostrar, dentro dos limites impostos, o absurdo daquela situação.

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Fonte: Biblioteca Nacional de Chile

As cenas de reencontros familiares e trocas de carinhos entre pessoas que se amam não poderiam deixar de sensibilizar os operadores das máquinas fotográficas. E estão presentes entre as imagens produzidas naquele contexto. Beijos, carinhos e carícias por entre as grades mostram que o amor consegue sobreviver às condições mais extremas. Mas também serviam ao desejo dos militares de tentar normalizar o absurdo.

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Fonte: Biblioteca Nacional de Chile

Talvez com essa consciência, os fotógrafos buscaram brechas para documentar outros aspectos daquela realidade. As arquibancadas cheias, mas sem as camisas e bandeiras dos tradicionais clubes chilenos. Indivíduos de expressões angustiadas sob a mira dos fuzis do exército.

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Imagem: Marcelo Montecino

Parecia que desejavam – e precisavam – documentar aquele estádio absurdo. Joan Fontcuberta (2014, p.188) discorre sobre a subjetividade inerente à produção imagética. Por não ser um robô, e sim um ser humano, o fotógrafo imprime seus sentimentos no fazer fotográfico, produzindo imagens que tomam partido.

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Imagem: Marcelo Montecino

E a tomada de posição parecia ser clara: de oposição a um governo que foi capaz de tomar de sua população até a principal praça esportiva do país. O Estádio Nacional foi centro de detenção e tortura por 59 dias, de 12 de setembro de 1973 a 9 de novembro daquele ano. Pelo local, passaram nesse período cerca de 40 mil pessoas, e aproximadamente 400 delas foram assassinadas.

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Fonte: Biblioteca Nacional de Chile

O estádio só deixou de ser prisão com a proximidade da partida válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 74. A seleção chilena deveria enfrentar no país o selecionado soviético na busca pela vaga no Mundial da Alemanha Ocidental. A União Soviética se recusou a jogar no estádio que servia como prisão, mas o governo chileno, com o aval da FIFA, preparou o campo para a realização do jogo. A URSS não foi a Santiago, o Chile venceu por WO e foi para a Copa.

Desde então, o estádio nunca mais voltou a servir como presídio. Seu gramado histórico foi novamente ocupado pelos jogadores, e as arquibancadas pelos torcedores de Colo Colo, Universidad de Chile, Universidad Católica e outras equipes chilenas e latino-americanas.

As fotografias produzidas naquele momento são fundamentais para entendermos o que aconteceu ali naquele período. Eduardo Galeano (2010, p. 20) dizia que “não há nada menos mudo que as arquibancadas sem ninguém”. Talvez aquelas arquibancadas cheias de prisioneiros fossem ainda mais mudas.

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Imagem: Christian Montecino

Referências

FONTCUBERTA, Joan. A câmara de Pandora. São Paulo: Gustavo Gili, 2014.

GALEANO, Eduardo. El fútbol a sol y a sombra. 2a edição. Buenos Aires: Siglo Veintiuno Editores, 2010.

KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009.

Site Memória Chilena

GE

El Pais Brasil

La Nacion

Artigos

A era de ouro do rádio é agora

Nunca participei de uma roda de samba. Nunca tive o ouvido musical que gostaria. Nunca trabalhei em rádio. Mas o som, a música, sempre exerceram um poder de sedução sobre mim. Ouvir uma determinada canção pode me fazer chorar ou, como num toque de mágica, arrancar um sorriso do meu rosto e me remeter a um tempo que hoje só existe na memória.

Nesse momento de tantas incertezas e questionamentos sobre o que realmente importa, ganhei um rádio de presente. Não aquele pequeno aparelho transistorizado de comunicação ponto a ponto, mas um vovô-garoto, um rádio reconfigurado que, no auge do seu centenário, se apresenta expandido, capaz de transmitir em diferentes plataformas ondas de emoção jamais imaginadas. Estudar rádio com um time de especialistas  como Marcelo Kischinhevsky, Debora Cristina Lopez e Lena Benzecry fez com que, enfim, o som entrasse pra ficar na minha vida.

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Fonte: br.pinterest.com

Mas, como sou da área de comunicação e, durante um tempo trilhei um caminho na área esportiva, o estudo do rádio imediatamente me remeteu às noites passadas atrás do gol em que dividia espaço com os colegas de rádio. Eles acompanhavam as partidas sempre ávidos por um furo de reportagem e por levar ao ouvinte aquela notícia de última hora sobre o time do coração que todo apaixonado por futebol está louco pra saber.

Não posso dizer que foram noites fáceis pra mim. Como mãe de filhas na época pequenas e mulher numa seara ainda cultivada por um machismo estrutural, não podia dar bola fora, o que certamente me fazia gramar mais do que muitos dos meus colegas radialistas.

No entanto, agora, com olhar de fora e talvez mais isento, consigo observar que o jornalismo esportivo assim como todo o fazer radiofônico passou por uma metamorfose nos últimos anos. Mudaram os modos de fazer,  de circular e, também, de produzir conteúdos.

Talvez essas mudanças não sejam totalmente perceptíveis para a maior parte da audiência. Principalmente para aqueles que ouvem rádio de forma desatenta, apenas como uma trilha de som do cotidiano. No entanto, alguns ouvintes, entre eles, amantes de futebol, têm uma relação meio ritualística com o rádio. Chegam até mesmo a acompanhar a narração das partidas pelo rádio independentemente de estarem no estádio ou diante da televisão com um delay que torna impossível a sincronia perfeita entre o som do rádio e a imagem da tv. A sonoplastia, muito adotada pelo rádio, principalmente no geladão, quando os narradores transmitem a partida de seus estúdios, reforça o hábito e dá ao torcedor a sensação de não estar perdendo nenhum detalhe.

Arriscaria dizer que é mais do que isso. Trata-se de laços de afeto tecidos durante anos através de relatos e diálogos que misturam o real e a imaginação. E é exatamente aí, nesse terreno dos bens intangíveis, que futebol e rádio se encontram num casamento perfeito. Mas, como qualquer outro casamento,  também está sujeito a crises. E o pivô das últimas crises tem sido a distância.

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Fonte: Clip Gallery Word

O jornalista Whashington Rodrigues, há 18 anos líder de audiência na Rádio Tupi com o Show do Apolinho, lembra da coletiva comandada pela FLA TV após a conquista do último campeonato carioca pelo Flamengo. Assim como ele, milhões de torcedores de todo Brasil, queriam saber se Jorge Jesus permaneceria, ou não, no comando do Flamengo. O jogador convocado para coletiva foi o meia Arrascaeta e, a pergunta que não queria calar, não foi ouvida.

A exemplo do que já acontecia na Europa, os clubes brasileiros adotaram a onda da privacidade. Os treinamentos sem a presença da imprensa tem sido cada vez mais frequentes, assim como a suspensão do direito dos jornalistas de escolherem o jogador a ser entrevistado nas coletivas. A mudança não é nova mas continua gerando muita polêmica.

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Fonte: Foto enviada pelo comunicador.

“Repórter hoje é a internet. Você vai a Vargem Grande e fala de fora, não pode ver nada. Então, o repórter acaba ficando na emissora mesmo. Até 1980 repórter entrava no vestiário, ficava perto das suas fontes. Hoje não pode nem entrar em campo porque a televisão exige um produto limpo. Com isso, a cobertura está se deteriorando”, lamenta o radialista.

Mas apesar do saudosismo de alguns radialistas, definitivamente não  dá pra dizer que a era de ouro do rádio ficou lá atrás. Muito pelo contrário. A era de ouro do rádio, segundo Apolinho, é agora. Com uma penetração que em muitos mercados varia entre 75 e 90% da população acima de 12 anos, o rádio se vê diante do desafio de integrar-se rapidamente às novas tecnologias e a cultura da convergência. Isso, é claro, inclui o trabalho dos radialistas de todos os setores. Os radialistas esportivos precisam agora encontrar novas pautas para driblar as proibições dos clubes e dos detentores dos direitos de transmissão. E, mais do que isso, entender que é possível fazer jornalismo de qualidade com fontes confiáveis sem necessariamente estar in loco.

Como bem coloca Débora Cristina Lopez, é preciso repensar o rádio como um todo, compreender sua inserção nesse novo ambiente, assim como as relações estabelecidas com  o ouvinte, as fontes e as ferramentas de construção da informação.

Considerado um dos meios de comunicação mais inclusivos por ser democrático e também portátil, o rádio deve continuar acompanhando a vida dos ouvintes tanto nas cidades como nas zonas rurais, mesmo nas mais distantes. Essa tendência  pode ser potencializada com a adoção do rádio digital no Brasil. A internet, que já foi vista como uma ameaça pelas emissoras de rádio, entra em campo como uma aliada no fazer jornalístico. Ela possibilita, por exemplo, que o comunicador use as ferramentas digitais para interagir com o público e, ao mesmo tempo, fazer pesquisa de informações atualizadas. Em alguns casos, pode recorrer ao próprio banco de dados da emissora. A Rádio BandNews FM, por exemplo,  possui um banco de dados comum, que congrega o conteúdo produzido por todo o grupo Bandeirantes.

Com a disseminação das conexões em banda larga, a rádio online passou a ser uma extensão das emissoras com a vantagem do baixo custo de funcionamento. Ouvintes do Brasil e de outras partes do mundo passaram  a buscar na web rádio conteúdos variados, sonoros, ou não. O que aponta para a necessidade cada vez maior das emissoras fazerem uma escuta ativa do seu ouvinte. Afinal, a própria concorrência exige esse olhar diferenciado para a audiência.

As pesquisas de audiência se tornaram ferramentas importantes para identificar o perfil dos ouvintes e buscar saídas para lidar melhor com os atuais problemas ligados à concorrência  e ao envelhecimento da audiência. Se as emissoras de rádio e seus comunicadores souberem extrair o valor dessas pesquisas, que podem fornecer, entre outras informações relevantes, o perfil do ouvinte, o tempo que passa ouvindo determinada programação, além do lugar em que se encontra, certamente o futuro do rádio continuará promissor por mais um século e, qualquer conjectura sobre uma possível extinção motivada pelo determinismo tecnológico, terá que ser definitivamente descartada.

Referências Bibliográficas

LOPEZ, D. C. Radiojornalismo Hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica. Covilhã: Labcom Books, 2010.

KISCHINHEVSKY, M., DE MARCHI, Leonardo. Expanded radio. Rearrangements in Brazilian audio media markets. Radio, Sound & Society Journal, v. 1, n. 1, 75-89.