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Uma provocação: as cotas mudaram o ranking do Brasileiro?

Com o rebaixamento de Botafogo e Vasco, no Brasileiro de 2020, e o não retorno do Cruzeiro à primeira divisão em 2021, pela primeira vez, três das 12 equipes mais tradicionais do país [1] vão disputar, numa mesma edição, a série B. O fato de 1/4 dos integrantes do que chamamos aqui de tradicionais nacionalmente (TN) estarem excluídos, ao menos provisoriamente, da elite do futebol brasileiro ensejou diversas tentativas de explicação e hipóteses.

Má gestão e incompetência são as mais recorrentes. O diagnóstico tecnicista parece ganhar maior densidade explicativa quando contraposto a um reivindicado maior profissionalismo dos clubes que têm se mantido no topo do ranking do Brasileiro. Sem desconsiderarmos ambas, queremos analisar outro ângulo que parece negligenciado, principalmente pelo jornalismo esportivo: os efeitos da implosão do Clube dos 13, em 2011, com a consequente concentração das cotas de televisão em apenas dois clubes.

Fábio Koff, ex-presidente do Clube dos 13
Fonte: Trivela

Pergunta-se se o novo paradigma deflagrou um processo de reconfiguração do TN, instaurando novo patamar de competitividade, em que, da multiplicidade de candidatos a campeão nacional, tem-se padrão próximo ao da maioria dos principais campeonatos europeus, restritos a dois ou, no máximo, três concorrentes ao título. Para responder a essa hipótese, comparou-se a classificação nos noves Brasileiros seguintes ao fim do Clube dos 13, de 2012 a 2020 – o novo modelo de contrato da TV Globo só começou a vigorar em 2012 – com as nove edições imediatamente anteriores, de 2003 a 2011. Vamos nos abster de uma historiografia da criação e do fim do Clube dos 13 [2]. O que nos mobiliza aqui são as consequências, nos níveis de competitividade, dos times TN a partir da negociação individual da Globo com as equipes.

Optou-se por uma visão panorâmica, em que não se cotejou apenas os campeões do Brasileiro nos dois períodos. A comparação estendeu-se aos que, num intervalo e outro, alcançaram as quatro primeiras posições – o G4 – com vaga automática à Libertadores, competição que se tornou o principal foco de clubes, torcedores e imprensa. Analisou-se, ainda, os rebaixados à segunda divisão – o Z4 – o que, também, dá pistas sobre a reconfiguração em curso. Neste último recorte, subdividiram-se as equipes entre os 12 tradicionais nacionalmente (TN) e as não integrantes desse grupo, os tradicionais regionalmente (TR) ou localmente (TL).

O primeiro intervalo de nove anos tem início em 2003, quando instaura-se o sistema de pontos corridos no Brasileiro. A partir dessa edição, os quatro primeiros classificados garantem vaga à Libertadores. Não se considerou, na comparação, nem o campeão da Copa do Brasil nem o da Sul-Americana, ambos com vaga à Libertadores – no caso da segunda apenas a partir de 2010. Por se tratar de competições que envolvem jogos mata-mata, estão sujeitas a maior imprevisibilidade, diferentemente do campeonato por pontos corridos, o que distorceria o objetivo aqui buscado.

Descartou-se, ainda, a inclusão, no comparativo, do quinto e do sexto lugares do Brasileiro, que, a partir de 2016, quando a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) ampliou o número de vagas na Libertadores para Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, asseguram vaga à fase eliminatória da Libertadores. Pensa-se que nossa opção metodológica dá uma percepção mais nítida sobre o caráter competitivo dos clubes, antes e depois, da implosão do Clube dos 13.

Cotas (quase) iguais no TN até 2011

Concentrou-se, basicamente, no valor pago pela TV aberta, ainda a principal plataforma do país e a mais valorizada por grande parte dos anunciantes de futebol. Da criação da Copa União, em 1987, até 2000, a cota da TV era dividida em partes iguais pelos filiados ao Clube dos 13, com quantias inferiores aos “convidados”. Segundo cálculo do jornalista Mauro Beting, citado no blog do jornalista Allan Simon, em 1987, cada integrante da associação recebeu 12,8 milhões de cruzados, equivalente a quase R$ 2 milhões em valores atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre dezembro de 1987 e dezembro de 2019. (SIMON, 2000).

A partir de 2001, a entidade separou Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Vasco em um grupo que ganharia mais, e outro com Botafogo, Fluminense, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro e Bahia, com valores menores. Outros ajustes ocorreram até que, em 2011, a última divisão antes do fim do Clube dos 13 contemplava quatro grupos distintos:

Fonte: LEITE JR (2015, P.61) [4]

Com tal distribuição de valores, tivemos, entre 2001 e 2010, seis clubes campeões: São Paulo (3 títulos), Corinthians (2), Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e  Santos (1 cada). Classificaram-se para o G4, nesse novênio, 13 equipes: São Paulo (6 vezes); Santos e Cruzeiro (4 cada); Grêmio, Palmeiras, Internacional, Flamengo e Fluminense (3), Corinthians, Vasco, Athletico-PR, São Caetano e Goiás (1). Foram rebaixados à segunda divisão, nesses nove anos, quatro clubes do TN: Vasco, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG – todos com uma única queda. Entre as equipes fora desse grupo, 25 caíram de série: Fortaleza, América-MG, Coritiba, Vitória, Avaí e Guarani (2 vezes cada); Bahia, Ceará, Portuguesa-SP, Sport, Santa Cruz, Paraná, Juventude, Figueirense, Ipatinga, Santo André, Náutico, Goiás, Barueri, São Caetano, Ponte Preta, Payssandu, Crisciúma, Brasiliense, Athletico-PR (1).

Vê-se, assim, uma briga bastante competitiva pelo título, com apenas dois clubes, São Paulo (3) e Corinthias (2), vencendo mais de uma vez a competição, e com seis campeões diferentes em nove anos. O G4 também mostra grande pluralidade: dez dos 12 TN – Botafogo e Internacional são as exceções – participaram, ao menos uma vez, em nove anos, da Libertadores, assim como três equipes TR: São Caetano, Athletico-PR e Goiás. Os clubes TN rebaixados no período – 4 – só caíram uma vez de divisão em nove anos, com todos retornando à série A após apenas um ano na B.

Com o fim do Clube dos 13, o contrato para o triênio 2012 a 2015 já ampliou consideravelmente a assimetria do pagamento pelas partidas na TV aberta:

Fonte: LEITE JR. (2015, p. 83)

No triênio 2016 a 2018, a concentração se acentuou ainda mais.

Fonte: LEITE JR. (2015, p. 84)
* Demais clubes: negociações anuais com a Globo, a depender da participação na Série A

Com isso, a partir de 2016, Flamengo e Corinthians elevam a diferença de R$ 30 milhões sobre o São Paulo para R$ 60 milhões. Em relação a Vasco e Palmeiras, avança de R$ 40 milhões para R$ 70 milhões. Sobre o Botafogo, que na transição do Clube dos 13 para as negociações individuais, vira sua cota avançar de R$ 16 milhões para R$ 45 milhões, a distância para o Flamengo saltou, de R$ 9 milhões em 2011, “para inacreditáveis R$ 110 milhões”. (LEITE JR, p 85).[5]

Nesse modelo, entre 2012 a 2020 temos cinco campeões brasileiros: Corinthians (3 vezes); Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo (2 cada) e Fluminense (1). Classificaram-se para o G4, no período, 12 equipes: Grêmio e Flamengo (5 vezes); São Paulo, Corinthians, Atlético-MG e Palmeiras (4); Internacional e Santos (3), Cruzeiro, Fluminense e Athletico-PR (2); Vasco e Botafogo (1). O número de rebaixados do TN avançou de quatro para cinco – Vasco (3 vezes); Botafogo (2); Internacional, Cruzeiro e Palmeiras (1 cada). Entre os clubes fora do TN foram 20: Avaí (3); América-MG, Vitória, Goiás, Figueirense, Coritiba e Ponte Preta, Atlético-GO e Sport (2); Crisciúma, Joinville, Santa Cruz, Paraná, CSA, Chapecoense, Athletico-PR, Ceará, Portuguesa-SP [6], Náutico e Bahia (1).

Vê-se que, entre um período e outro, o número de campeões recuou de seis para cinco. Para além dessa redução, parece mais significativo que, nos últimos seis anos, apenas dois times de São Paulo – Corinthians e Palmeiras (2 vezes cada) – e um do Rio – Flamengo (2) venceram o Brasileiro. Se na década anterior, houve seis campeões diferentes em nove edições, no intervalo seguinte, em seis dos últimos anos, foram só três os vencedores, sinalizando concentração rara na história do futebol brasileiro. O número de times no G4 caiu só de 13 para 12, sendo 11 do TN – a exceção foi o Vasco – contra dez no intervalo anterior. A estabilidade no número de frequentadores da Libertadores permite duas leituras complementares. Por um lado, à parte Flamengo e Corinthians, temos seis dos outros dez clubes do TN em ao menos três das nove edições – Grêmio (5) São Paulo, Palmeiras e Atlético-MG (4), Internacional e Santos (3). Isso pode indicar que, com a emblemática exceção do Palmeiras [7], os demais, sem condições de brigar pelo título, tiveram de se contentar com a ida à Libertadores.

Simultaneamente, o número de quedas de alguns integrantes do TN deu salto importante: de uma vez para três (Vasco) e de zero para duas (Botafogo). E, pela primeira vez desde o início dos pontos corridos, em 2003, um integrante do grupo – o Cruzeiro, campeão do primeiro ano da segunda década – não logrou retornar à série A no ano seguinte [8]. Também pela primeira vez, três TN – Cruzeiro, Botafogo e Vasco, 1/4 daquele universo – vão disputar a série B. Fora do TN, a presença no G4 caiu de dois para um, embora este – Athletico-PR – tenha se classificado duas vezes, sinalizando que o time paranaense pode ter encontrado um modelo competitivo superior ao de outros mais tradicionais, mas insuficiente para disputar, e vencer, o Brasileiro.

Expostos os dados comparativos, nos limitamos a deixar uma provocação à reflexão dos que pensam o futebol como manifestação cultural e identitária para além do clubismo: seria a gestão explicação suficiente e única para a nova configuração de competividade no TN?



[1] Considera-se aqui como tais 12 clubes: quatro do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco); quatro de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos); dois de Minas Gerais (Atlético-MG e Cruzeiro); e dois do Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional). Serão doravante nomeados tradicionais nacionalmente (TN), em contraponto aos tradicionais regionalmente (TR) ou localmente (TL).

[2] Para uma análise detalhada do Clube dos 13 ver SANTOS, 2019; LEITE JR, 2015 e CHRISTOFOLETTI, 2015.

[3] Por estar na segunda divisão, recebeu apenas 50%.

[4] Os clubes que não faziam parte do Clube dos 13 tinham que negociar diretamente com a entidade e não recebiam mais do que 45% do valor do Grupo 3.

[5] Em 2019, um ano após o Grupo Turner, via Esporte Interativo, entrar na disputa da TV fechada, a Globo mudou a fórmula de cotas da TV aberta: 40% dos valores passaram a ser distribuídos igualmente pelos clubes, 30% pela colocação no campeonato e 30% pelo número de partidas exibidas. Embora essa mudança aparentasse reduzir as assimetrias, a Globo ampliou o número de partidas do Corinthians na TV aberta e, aproveitando o ano excepcional do Flamengo, priorizou transmitir os jogos deste time via pay-per-view. Com essas duas opções, elevou ainda mais a diferença dos valores pagos à dupla. O detalhamento das consequências dessa mudança ampliaria excessivamente o espaço desta comunicação. Consideramos que os números já expostos já dão conta do foco aqui escolhido.

[6] O rebaixamento da Portuguesa-SP, em 2013, ocorreu por fatores extracampo. Sob a alegação de que, quase ao fim do último jogo – 0 x 0 contra o Grêmio –, a equipe paulista colocou em campo o meia Heverton, suspenso por duas partidas, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu a Lusa com a perda de quatro pontos (três da partida disputada mais o ponto do empate). Com isso, a equpe caiu de 48 pontos, no 12º lugar, para 44 pontos, no 17º lugar, salvando o Fluminense, que, com 46 pontos, ocuparia essa posição, sendo rebaixado no campo. O STJD também retirou quatro pontos do Flamengo, por escalar o lateral esquerdo André Santos, suspenso por um jogo. Com isso, o rubro-negro caiu de 49 pontos, na 11º posição, para 45 pontos, na 16ª colocação.

[7] Com uma injeção de € 24 milhões (cerca de R$ 153 milhões) desde 2015 até 2021, o time paulista passou a deter um dos maiores patrocínios do mundo, atrás apenas dos espanhóis Barcelona e Real, do alemão Bayern de Munique, “do novo rico francês Paris Saint-Germain e do top 6 inglês: Liverpool, Manchester City, Manchester United, Arsenal, Chelsea e Tottenham”.

[8] Sobre a crise financeira do Cruzeiro

Referências bibliográficas

CHRISTOFOLETTI, Danilo Fontanetti. O fim do Clube dos 13: Como a Rede Globo controla o futebol brasileiro. São Paulo, Monografias Brasil Escola UOL, 2015.

LEITE JR., Emanuel. Cotas de televisão “apartheid futebolístico” e risco de “espanholização”. Recife, Ed. do Autor, 2015.

SANTOS, Anderson David Gomes dos. Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol. Curitiba: Appris, 2019

SIMON, Allan. Brasileirão: como o dinheiro da TV foi distribuído entre os fundadores do C!3 desde 2001, São Paulo: https://allansimon.com.br/2020/01/12/brasileirao-como-o-dinheiro-da-tv-foi-distribuido-entre-os-fundadores-do-c13-desde-2001 acessado in 12/05/2021

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Artigos

A História feminina do esporte argentino

Há mais de 100 anos, em seu relatório anual de 1918, P.P Phillips, diretor de educação física da Asociación Cristiana de Jóvenes (ACJ) de Buenos Aires, escreveu: “Ao contrário de sua tendência tradicional, os argentinos agora estão desenvolvendo uma sede insaciável pela educação física e os esportes estrangeiros”. Por outro lado, ressaltou que em um rápido olhar para os estudantes em seu ginásio, podia observar “os tipos de homens e crianças bem educados” que a ACJ atraía, assim como “o clima democrático, gentil” que se mantinha nelas. Para mostrar a aprovação que geravam as iniciativas da instituição, Phillips citou um médico local, para quem seus colegas portenhos poderiam enviar mulheres jovens o suficiente para abrir uma seção feminina se a ACJ estivesse disposta a realizar o mesmo trabalho “para nossas meninas gordas”.

O Relatório de Phillips demonstra a crescente importância do esporte na Argentina no começo do século XX e a ordem genérica que prevalecia. O esporte estava reservado e era controlado por homens, que estavam habilitados para beneficiarem-se de todos os valores atribuídos à sua prática. Entretanto, como indica a prescrição do médico, as mulheres tinham permissão para participar dos esportes se isso resultasse na melhora da saúde (sobretudo reprodutiva), e não alterasse o ideal feminino estabelecido. Vale a pena destacar que a Asociación Cristiana Femenina (ACF) de Buenos Aires teve seu início em 1890, sendo uma das instituições femininas mais antigas do país. O fato do médico citado por Phillips ignorá-la também expõe as enormes dificuldades que enfrentava, e ainda enfrenta, o esporte feminino. 

A história da ACF demonstra que, apesar dos discursos esportivos dominantes que durante muito tempo o silenciaram ou minimizaram, e que ainda o fazem, sempre houve, e há, mulheres e instituições que favoreceram, materializaram e exemplificaram a emancipação e o empoderamento feminino através da prática esportiva. Se pode, e deve, considerá-las como pioneiras no sentido de que eram, e muitas ainda seguem sendo, as primeiras a ingressarem em um espaço novo. Da mesma forma que se pode, e deve, considerá-las lutadoras e militantes no sentido de que nesse corajoso ingresso, criaram novos espaços participativos por meio dos quais se questionaram estereótipos de gênero e se imaginaram visões políticas alternativas. Teria mencionado algo sobre isso Alicia Moreau quando a ACJ a convidou para falar sobre “O feminismo como problema social” em seu ciclo de conferências de 1919?

Sabe-se relativamente pouco da vida dessas mulheres e instituições pioneiras, lutadoras e militantes do campo do esporte, visto que elas estão em grande parte ausentes da narrativa histórica e jornalística tradicional. Felizmente, o trabalho paciente de várias colegas começa a interpretar o complexo processo pelo qual as mulheres e instituições pioneiras, lutadoras e militantes, em suas buscas, suas conquistas, e seus fracassos, contribuíram para resistir, negociar e ressignificar a ordem genérica que operava no esporte ao longo do último século. Ao torná-las visíveis, percebemos sua larga e importante, mas agora latente, presença no esporte nacional. 

O exemplo de Lilian Harrison é norteador. Anos depois de converter-se como a primeira pessoa a cruzar a nado o Río de la Plata em 1923, declarou:

“Nunca posso me esquecer que um dos presentes [em Colonia] não se cansava de dizer que eu estava louca e que não chegaria nem ao penhasco. Veja que estranho, quando toquei a terra, em Punta Colorada, próximo de Punta Lara, a primeira coisa que me aconteceu foi pensar naquela pessoa que havia comentado de minha loucura um dia antes”.

Lilian Harrison

Se nos interessa a produção de discursos e de sentidos genéricos, assim como a igualdade de gênero no esporte, nem a fala e nem a vida de figuras como Harrison, nem o seu significado, deveriam ser esquecidos. Resgatá-las, mantê-las presentes e problematizá-las ajuda a tornar visível o papel vital da mulher no esporte e em outros espaços sociais.


Texto originalmente publicado no site El Equipo no dia 29 de maio de 2021

Tradução: Abner Rey e Fausto Amaro

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Produção audiovisual

Já está no ar o trigésimo quinto episódio do Passes e Impasses

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O tema do nosso trigésimo quinto episódio é “O futebol na obra de Nelson Rodrigues”. Com apresentação de Mattheus Reis e Leticia Quadros, gravamos remotamente com Zeca Marques, professor associado da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru).

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o trigésimo quinto episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “A Vida Como Ela É, Bonitinha, Mas Ordinária… Assim Falou Nelson Rodrigues”, samba-enredo da escola de samba Viradouro no Carnaval de 2012, homenageando o centenário do escritor e dramaturgo.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Fla-Flu… E As Multidões Despertaram! – organizado por Oscar Maron Filho e Renato Ferreira [livro]

O boca de ouro [peça teatral de Nelson]

A vida como ela é – Nelson Rodrigues [livro]

O futebol em Nelson Rodrigues – José Carlos Marques [livro]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Leticia Quadros, Fausto Amaro e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Mattheus Reis e Leticia Quadros
Convidado: Zeca Marques

Artigos

Reflexões sobre Jogos Olímpicos, Pandemia e Imagem

Há cerca de 2 meses para o início dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2021 (previsto para iniciar em 23 de julho) as notícias sobre os protocolos sanitários e os preparativos para o desenvolvimento do evento vão ganhando mais espaços nas editorias dos grandes portais e em blogs e sites especializados. Entre relatos sobre a vacinação de atletas e dirigentes e as discussões sobre a presença, ou não, de torcida nas arenas e estádios, um dado chama atenção. Divulgada na segunda-feira, 17 de maio (há 10 semanas do evento), uma pesquisa realizada pelo jornal japonês “Asahi Shimbun”, revela que mais de 80% dos japoneses não querem a realização dos Jogos esse ano, a maior porcentagem revelada em relação às pesquisas feitas anteriormente.

O Japão tem enfrentado desde o fim de abril uma quarta onda da Covid-19 e encontra-se em um processo lento de vacinação, o que tem pressionado o sistema de saúde. Apesar de ser um país com números de casos e mortes menores que muitas outras nações, o ritmo de contaminação encontra-se acelerado devido às novas variantes do Coronavírus que circulam por lá. As principais cidades do país, incluindo Tóquio (sede dos Jogos), encontram-se em “estado de emergência”, com restrições na circulação pelo menos até o dia 31 de maio.

Nesse contexto, a população japonesa tem se manifestado descontente com a realização do evento, argumentando que é preciso “priorizar a vida”. Uma petição chamada “Cancelem os Jogos Olímpicos para proteger nossas vidas”, com mais de 350 mil assinaturas, foi entregue à governadora de Tóquio. Já o Sindicato dos Médicos do Japão afirmou que é impossível organizar Jogos Olímpicos seguros durante a pandemia, contrariando as falas do Comitê Organizador Local.

Outra preocupação revelada é com a presença de estrangeiros no país. Pesquisa realizada pela agência Kyodo aponta que 87% dos entrevistados temem a propagação do vírus com a chegada das delegações. O temor com a disseminação do vírus por meio dos viajantes não está restrito ao povo japonês. O Governo dos Estados Unidos, por exemplo, pediu à população que não viaje ao Japão, neste momento, para acompanhar os eventos teste e pré-Olímpicos. No sistema de recomendação de viagens norte americano, o país oriental foi rebaixado para o nível 4 (não viajar), o mesmo em que se encontra o Brasil.

Fonte: g1.globo.com

Tamanha rejeição aos Jogos no país sede, e aparentemente em outros países, abre espaço para reflexões acerca da imagem que o evento pode estar concebendo sobre si.

Desde sua criação, baseado nos princípios do Olimpismo, vislumbrados por Pierre de Coubertin, os Jogos Olímpicos são considerados o maior evento esportivo do mundo, em que atletas de diferentes países competem e confraternizam entre si. O simbolismo que compõem o evento ultrapassa a prática esportiva, que por si só já é constituída por aspectos importantes, como garra, superação, disciplina, competência, sucesso, orgulho, entre outros. Os Jogos Olímpicos, enquanto evento, ainda agregam em si: consciência de nação, senso de pertencimento, amizade, respeito ao diferente, empatia etc. Além disso, participar dos Jogos Olímpicos (de Verão ou de Inverno) faz com que atletas garantam um lugar de destaque não apenas no nicho esportivo, mas também na sociedade em geral.

Esse universo simbólico também transborda para o público. Acompanhar os Jogos, seja presencialmente ou pelas transmissões midiáticas, coloca-os dentro desta mesma esfera positiva e de um universo composto por homens e mulheres acima dos padrões ordinários, possibilitando uma vivência (mesmo que midiatizada) inalcançável em suas rotinas.

Os eventos esportivos são um meio ‘mais seguro’ para experimentar, de forma secundária a emoção da competição, já que os espectadores não precisam fazer nada para ter essa experiência. Eles podem estar fora de forma, com problemas de saúde, não ter coordenação e não ser nada atléticos e ainda assim desfrutar das emoções associadas à vitória, aquele momento quando tudo para e seu time faz outro ponto que o levará a vencer.

MORGAN, SUMMERS, 2008, p.20

Todo esse aspecto imagético é formado por dois pontos essenciais: as características identitárias do evento esportivo e as percepções que seus interlocutores criam, a partir de suas experiências quando em contato com ele. Para o entendimento desta constituição é possível recorrer às teorias da Comunicação Organizacional, área que se aprofunda nas questões relativas ao universo da identidade, imagem, reputação e cultura das instituições e suas interfaces com os processos comunicacionais estabelecidos com seus diferentes públicos.

Fonte: thegamecollective.com.br

A identidade de uma empresa, organização ou mesmo de um evento é constituída por sua missão, visão, valores, pelos seus processos, produtos e serviços, sua cultura organizacional e até mesmo por seus processos comunicacionais (BUENO 2012; LUPETTI, 2012; GRUNING; FERRARI; FRANÇA, 2011; YANAZE 2011). No caso dos Jogos Olímpicos, além da missão, visão e valores do evento, determinados pelo Comitê Olímpico Internacional, é possível considerar também as modalidades, os espaços de competição, os mascotes, os elementos visuais, os preços dos ingressos, as regras de organização etc, como aspectos de sua identidade. Se ampliarmos a análise, é possível incluir neste prisma a cidade sede. Questões relacionadas à mobilidade urbana, hospedagem, segurança, opções de alimentação, entre outras, são características formadoras de cada uma das edições, que impactam diretamente na constituição do evento.

Os aspectos tangíveis que formam a identidade de uma organização e de um evento, quando associados às experiências individuais, e/ou coletivas, daqueles que com ele interagem formará sua imagem. Este campo constitui uma perspectiva mais intangível, uma espécie de interpretação individual elaborada não apenas pelo contato direto com o evento, ou com a organização, mas também (e principalmente) pelo universo que compõe a vida desse interlocutor, seus gostos e desejos, sua história e aspectos de seu passado, suas expectativas e anseios futuros etc, (BUENO, 2012).

Evidentemente a identidade e a imagem dos Jogos Olímpicos são coerentes e bastante positivas, o que resulta em uma reputação sólida e promissora. Vale destacar que este é o aspecto mais profundo na constituição de uma organização. É na reputação em que se encontram a história, a credibilidade e a solidez, que junto da qualidade dos produtos, serviços e atendimento, bem como das relações que ela estabelece com seus interlocutores, vai posicionar a organização como um ícone em seu segmento e uma referência para o público e para sociedade em geral. Argenti (2006, p.103) destaca que “uma organização com uma identidade corporativa clara, que represente sua realidade subjacente e esteja alinhada com as imagens partilhadas por todos os seus públicos, será beneficiada com uma reputação forte.”

Os Jogos Olímpicos possuem todas essas dimensões muito bem constituídas de forma coerente e favorável aos seus objetivos, contudo, é inegável que também existem questionamentos e problemas relacionados ao evento. Estes, muitas vezes, alusivos à organização local. Casos de corrupção, exploração de mão de obra, estrutura mal construída, dívida financeira como legado e outras situações negativas que envolvem as cidades sede não são tão raras quanto deveriam. E não é preciso ir muito longe na história, nem na localização geográfica, para exemplificar essas situações, afinal, os Jogos Olímpicos Rio 2016 não foram noticiados apenas por seu caráter puramente esportivo aqui no país.

Nesse contexto de críticas aos Jogos, em que podem ser incluídos também seus elevados custos de realização – que fizeram, por exemplo, a Suécia desistir de sua candidatura para ser sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2022 -, é que se encontra a atual situação do Japão mencionada no início deste artigo.

A rejeição da população local à realização dos Jogos é um fator importante, que deve ser levado em consideração quando se analisa o evento sob a ótica aqui apresentada. Como já mencionado, a hospitalidade e o envolvimento positivo da comunidade sede são elementos que contribuem para a constituição da identidade e imagem do evento. No caso dos Jogos deste ano, o fator de rejeição local tem compreensão em âmbito global, o que o torna muito relevante.

Fonte: dw.com

Apesar de muitos países europeus, bem como os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, já considerarem a situação pandêmica de certa forma controlada, tendo suas rotinas retomadas, a Covid-19 ainda se faz presente de maneira avassaladora em muitos país, como Brasil e Índia, e permanece sendo considerada uma ameaça global devido às novas variantes do vírus. Diante dos números de mortes em todo o mundo e da dificuldade em se controlar a pandemia, com o trânsito de pessoas no mundo globalizado, a preocupação do povo japonês parece ser legítima.

Nessa dualidade de perspectivas, em que de um lado encontram-se o COI, os organizadores e governos locais e os patrocinadores (com foco na necessidade esportiva e financeira de realização dos Jogos) e de outro a população local (assombrada pela crise sanitária mundial), fica a dúvida sobre qual lado tem razão. O fato é que nesse imbróglio, a imagem e a credibilidade do evento podem estar sendo colocadas em uma situação bastante delicada, afinal, parte dos significados dos Jogos é constituída pela alegria, diversão, fraternidade, empatia e o espírito de festa e confraternização entre povos. Elementos estes que podem ser mal interpretados no momento global de apreensão, medo e mortes.

A reputação dos Jogos Olímpicos é consistente, construída ao longo de uma história vitoriosa e não será destruída facilmente. Mas nem só de problemas na reputação pode se constituir uma crise. No âmbito da imagem, elas também podem fazer grande estrago e é este o risco que correm os responsáveis pelas Olimpíadas deste ano.

Que as próximas semanas possam ser de melhoria no cenário mundial da pandemia. E que, se forem realizados, os Jogos garantam a segurança para todos, a fim de se manter a coerência longamente construída entre sua identidade e imagem e, consequentemente, assegurar sua boa reputação. Que a perseverança, o otimismo e a superação presentes no universo esportivo transbordem para o mundo todo.

Referências

BUENO, Wilson da Costa. Auditoria de imagem das organizações: teoria e prática. São Paulo: All Print/Mojoara, 2012.

GRUNING, James E.; FERRARI, Maria Aparecida; FRANÇA, Fábio. Relações Públicas: teoria, contexto e relacionamentos. São Caetano do Sul, SP: Difusão, 2011.

LUPETTI, Marcélia. Gestão estratégica de comunicação mercadológica: planejamento. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

MORGAN, Melissa Johnson; SUMMERS, Jane. Marketing esportivo. Tradução de Vertice Translate. Revisão técnica de João Candido Gomes Saraiva. São Paulo: Thomson, 2008.

YANAZE, Misturu Higuchi (Org). Gestão de marketing e comunicação: avanços e aplicações. São Paulo: Saraiva, 2011.

Eventos

LEME entra em campo para o Seminário Internacional Copa do Mundo de Futebol de Mulheres

Em 2021, comemoramos 30 anos da primeira edição oficial da Copa do Mundo de Futebol Feminina. Na competição, a seleção brasileira foi a única representante da América do Sul e, logo na estreia, venceu o Japão com gol de Elane. Para comemorar essa data e analisarmos alguns aspectos da trajetória do futebol de mulheres no Brasil e na América do Sul, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) realizará o Seminário Internacional Copa do Mundo de Futebol de Mulheres, nos dias 8 e 9 de novembro.

O evento contará com apresentação de trabalhos via Meet, divididos em dois GTs e ciclos de palestras com transmissão ao vivo pelo canal do LEME no Youtube (programação ainda a ser divulgada).

Regras e prazo para submissão de trabalhos

Recebimento de resumos expandidos em Português ou Espanhol: de 04 de junho a 15 de agosto de 2021.

Atenção especial a este item: o resumo expandido deve ter no mínimo 7.000 e no máximo 12.000 caracteres, com espaços, incluindo resumo e bibliografia e deve estar no template do evento, seguindo todas as suas regras de formatação.

Grupos de trabalho

GT 1: História, memórias e resistências

A participação das mulheres no futebol é fenômeno derivado de um processo que envolve fatores diversos relacionados tanto a aspectos esportivos quanto a um conjunto de reivindicações e lutas das mulheres pela equidade de direitos. Este GT pretende discutir as dimensões históricas e sociais da trajetória do futebol de mulheres no Brasil e em outros países, contemplando a prática esportiva e a dimensão torcedora.

Coordenação: Leda Costa

GT2: Futebol feminino nos rastros da profissionalização

A participação profissional das mulheres no futebol para além dos gramados tem sido objeto de importantes investigações. Este GT se propõe a discutir os obstáculos e horizontes futuros para as mulheres no exercício de algumas funções como, por exemplo, a arbitragem, a ocupação de cargos em Federações e clubes, no jornalismo esportivo assim como sua presença na pauta de políticas públicas voltadas ao esporte.

Coordenação: Carol Fontenelle

Envio de resumos expandidos

O template pode ser baixado aqui.

Devem ser enviados para o e-mail: seminariocopadomundodemulheres@gmail.com

No campo assunto deve ser colocado o nome do GT para qual o trabalho se destina.

O arquivo final deve ser salvo em .doc ou .docx e deve ter o nome+sobrenome do autor principal.

Ex.: Joaodasilva.docx

Quem pode enviar os resumos expandidos?

Graduandos, graduados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores, que vinculem seus textos aos GTs e às áreas de Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Educação Física, Linguística, Letras e Artes. Não é permitido o envio de mais de um trabalho de um mesmo autor para um mesmo GT. No caso de um autor desejar enviar um trabalho para cada GT, ele deve ser autor principal em um e coautor no outro.

Divulgação dos resumos expandidos aprovados: 6 de setembro

Pagamento de inscrições de trabalhos aprovados

A taxa de inscrição deverá ser realizada a título de doação para uma instituição (ainda a ser escolhida). Só haverá pagamento da referida taxa para os autores que tiverem seus trabalhos aprovados. Caso um mesmo resumo expandido seja escrito por mais de uma pessoa, todos os autores devem fazer o pagamento da inscrição, caso queiram receber certificado online. No momento da apresentação, é permitida a escolha de somente um autor para explanação, que será de 15 minutos, seguida de discussão entre os presentes na sala de reunião do Meet.

Estudantes de graduação: R$ 10.

Demais: R$20.

Prazo de pagamento: 6 a 30 de setembro (informações detalhadas serão comunicadas posteriormente).

Artigos

Pensar a luta no jogo do engajamento e da representatividade nas narrativas futebolísticas

Um apresentador de televisão em suas redes sociais constantemente reclama de que querem transformar o futebol em matéria de faculdade e se vangloria de fazer um “programa raiz”. Nosso glorioso Universo do Futebol (DAMATTA, 1982), não necessariamente o pioneiro, o Charles Miller dos estudos nas áreas de ciências humanas e futebol completará quarenta anos em 2022. Caro apresentador, não é porque você não estuda que as coisas não existem.

Essa lógica “raiz” e a desvinculação do futebol com os estudos ou o que se poderia entender como circuito mais amplo da cultura quase sempre se associa a um raciocínio conservador como resposta quando práticas naturalizadas são colocadas em questão. Dentro desta matriz de pensamento o comportamento adequado de jogadores, comunicadores, torcedores e clubes deveria repetir o que ocorria em nossa juventude, mesmo que tal comportamento seja muito mais uma construção de memória coletiva do que episódios comprovados historicamente.

Apesar da importância normativa que possui dentro do futebol de espetáculo, o discurso “raiz” convive com uma série de outras discursividades. Essas discursividades não convivem em harmonia ou em igualdade de condições, mas estão constantemente participando de lutas por significados. Essas lutas não são novas. A novidade, talvez, esteja no protagonismo que discursividades até então relegadas a espaços muito pontuais passaram a ocupar na cultura futebolística.

Em artigo publicado com a jornalista, e especialista em jornalismo esportivo, Caroline Patatt (PATATT; BANDEIRA, 2020), discutimos o engajamento dos clubes de futebol no Brasil a pautas sociais que variavam da paternidade responsável, racismo, homofobia até a demarcação de terras indígenas. Apenas durante o mês de maio corrente, em sua página no Facebook, o Grêmio compartilhou postagens sobre o dia mundial da criança desaparecida, dia mundial do combate à LGBTfobia, além de homenagens ao dia do gari e ao dia das mães.

Existem alguns grupos de torcedores e torcedoras progressistas (esse adjetivo foi escolhido por sua abrangência dada a diversidade de grupos que têm tentado desnaturalizar as práticas da cultura futebolística) que criticam os clubes de futebol por limitarem-se a posicionamentos nas redes sociais, muito mais na lógica publicitária ou das próprias redes do que efetivamente engajados com demandas sociais. A crítica me parece absolutamente justa e correta. Entretanto ainda é muito recente essa “permissividade” para abordar temas sociais que durante muito tempo foram marcados como não tendo relação com o futebol.

Em 2015 e 2016, durante a produção do material empírico de minha tese de doutorado (BANDEIRA, 2019), a partir de certo retorno da Coligay as memórias dos torcedores do Grêmio e a historiografia oficial do clube[1], questionei os torcedores sobre a possibilidade da experiência da torcida homossexual entre o final da década de 1970 e princípios da década de 1980 poderia autorizar uma descrição do clube como mais plural em relação as sexualidades não normativas. As respostas dos torcedores também pareciam estar nessa lógica entre diferentes legitimidades nas práticas dos estádios de futebol:

Poderia acontecer, mas eu acho que não teria aceitação pelo fato de que seria motivo de chacota dos outros”.

“O clube faz muito bem em resgatar isso aí para fazer uma nova imagem perante às outras torcidas, perante à imprensa, perante à opinião pública”.

Eu acho que não vai fazer porque vai sofrer muita crítica velada, lá dentro mesmo, os próprios conselheiros”.

“Não é uma coisa que um time de futebol, que um clube, deva se preocupar como uma questão cultural, do mundo”.

Não é aqui o lugar. Aqui é lugar para se ver futebol, curtir futebol”.

Não há dúvidas de que os cards nas redes sociais são muito pouco dentro do engajamento que os clubes com seu alcance midiático poderiam fazer. Tenho receio, também, se meu entendimento de que esse deslocamento dos últimos anos seja algo significativo não esteja autorizado pelo meu local de privilégio como um sujeito cis-gênero, branco e heterossexual quase sempre muito bem contemplado nas normatividades dessa cultura futebolística.

Talvez os clubes possam começar a copiar o, também tímido, passo dado por nosso jornalismo esportivo hegemônico ou normativo. A presença das jornalistas nas redações já permitiu uma curta alteração das percepções sobre fenômenos até então naturalizados nas discursividades do esporte e do próprio jornalismo futebolístico. Em janeiro, aqui mesmo neste espaço, comentei que um canal pago de esportes tinha celebrado uma frase machista dita pelo, felizmente, ex-treinador do Grêmio Renato Portaluppi. Trinta anos mais jovem, Neymar repetiu a mesma frase comparando posse de bola e mulheres. Ele disse a mesma frase. Em trinta anos esse raciocínio machista não conseguiu nem ao menos construir uma frase nova…

Renata Silveira, Ana Thais Matos, Natália Lara, Renata Mendonça e Fernanda Colombo formam o time de narradoras e comentarista do esporte da Globo, no Brasileirão 2021. Fonte: https://oglobo.globo.com/

A diferença nesta ocasião é que foi possível localizar uma matéria falando sobre o machismo de Neymar em sites esportivos. Ao ler os comentários sobre a reportagem nas redes sociais (eu sei que não deveria fazer isso, mas tem vezes que é inevitável) um homem indignado bradou que essa discussão só acontecia porque tinha muita mulher jornalista atualmente e que elas estariam levando pautas identitárias para o jornalismo esportivo. Em um primeiro momento, meu desejo foi apenas de xingar o torcedor revoltado, mas ele estava correto. Sim, quando se aponta para a necessidade de representatividade é disso que se trata. Deslocar o pensamento normativo é mais fácil quando pluralizamos as experiências. Essa pode ser outra metodologia para o enfrentamento das violências naturalizadas na cultura futebolística e, também, no circuito mais amplo da cultura. Precisamos de mais mulheres, mais pessoas negras, mais LGBTQIA+ com protagonismo discursivo. Precisamos multiplicar a representatividade, multiplicar as experiências, multiplicar as narrativas!

Temos que exigir mais de nossos clubes! E que cada um exija do seu, de rivalidade tratamos em outro momento. Ao mesmo tempo não podemos esquecer que estamos em permanente luta por significados. Os cards de data são muito pouco, mas essa não é uma vitória garantida. Vamos por mais e estejamos atentos para não permitirmos regredir nos poucos passos dados até agora. Se hoje um clube não tem medo da chacota dos outros e publica mensagens favoráveis às sexualidades não normativas o discurso “raiz” também ganha espaço, eventualmente até entre alguns de nós saudosos não necessariamente das práticas, mas de nossas memórias juvenis.

Referências

BANDEIRA, Gustavo Andrada. Uma história do torcer no presente: elitização, racismo e heterossexismo no currículo de masculinidade dos torcedores de futebol. 1. ed. Curtiiba: Appris, 2019.

BANDEIRA, Gustavo Andrada; SEFFNER, Fernando. A Coligay e as memórias dos torcedores do Grêmio. REVES – Revista Relações Sociais, v. 3, p. 35-49, 2020.

DAMATTA, Roberto. ______. (Org.). Universo do futebol: esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 1982.

PATATT, Caroline; BANDEIRA, Gustavo Andrada. Paixão e representatividade: a percepção dos torcedores brasileiros quanto às campanhas sociais dos clubes nacionais de futebol. Culturas Midiáticas, v. 13, p. 261-279, 2020.


[1] Ver BANDEIRA; SEFFNER, 2020.

Artigos

A nona edição do boletim Replay já está publicada

Já está publicada mais uma edição do Replay, o boletim mensal do LEME! Nele, nós disponibilizamos as principais produções do Laboratório, episódios do Passes & Impasses, participações do LEME na mídia, eventos sobre esporte e ainda trazemos um panorama geral sobre o que aconteceu no mês no mundo do esporte, articulando informação com reflexão, como é uma das marcas do LEME.

O boletim é, em geral, veiculado através da nossa conta de e-mail. Este mês tivemos pequenos problemas técnicos com a plataforma utilizada (Mailchimp), o que inviabilizou o envio dessa forma. Entretanto, o boletim é também um compromisso do LEME com seus seguidores. Por isso, encontramos uma outra maneira de deixá-lo disponível para vocês. Para acessá-lo, é só clicar aqui.

Esperamos mês que vem poder voltar à disponibilizá-lo da forma tradicional.

Artigos

Seis anos após escândalo em que manchou o futebol, a Fifa mudou?

“Vou lutar com todas as minhas forças para que ela seja aprovada”. Em 1999, o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, declarou seu apoio à proposta de realização da Copa do Mundo de futebol masculino a cada dois anos, e não mais em quatro. Blatter é hoje carta fora do baralho na entidade, mas, duas décadas depois, essa possibilidade volta à tona.

A Fifa vai elaborar um novo estudo de viabilidade sobre a realização do torneio a cada dois anos. Não há prazo para o documento ser concluído. A autorização para o início desse estudo foi dada à administração da Fifa no último dia 21 pelo Congresso anual da entidade – 166 associações nacionais de futebol votaram a favor e 22 votaram contra.

Em 1974, quando assumiu a presidência da FIFA, João Havelange cumpriu a promessa de campanha e expandiu o número de participantes da Copa do Mundo, de 16 até então para 24, a partir do mundial de 1982. Eram tempos de descolonização na África e na Ásia, e os impérios europeus, sobretudo o inglês e o francês, já não eram capazes de deter movimentos de libertação nacional que geraram, entre 1955 e 1970, quarenta novos países. Mais que proclamar a independência, esses novos Estados precisavam de reconhecimento da comunidade internacional, em especial de três instituições e entidades: a Organização das Nações Unidas (ONU), pela influência geopolítica, e a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI), organizadores dos maiores eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, respectivamente.

Novas vagas no mundial de futebol foram destinadas para seleções desses dois continentes, o que colaborou para a autoafirmação dessas nações recém-emancipadas. No entanto, a solidariedade política não era o objetivo principal da entidade máxima do futebol mundial, e sim uma estratégia. Havelange e membros do Comitê Executivo deram o passo inicial para a engrenagem de corrupção, clientelismo e perpetuação no poder fortemente abalada em 2015, com a investigação conduzida pelo FBI e pela Justiça da Suíça, mas que continua de pé na Fifa. Cumprindo também uma promessa de campanha, o atual presidente Gianni Infantino, aumentou para 48 as seleções classificadas para a Copa do Mundo a partir de 2026. Cogitar agora transformar o torneio em algo mais frequente no calendário mundial é a nova fase do “Padrão Fifa”, que maltrata um patrimônio da humanidade e o seu clímax, em prol de interesses individuais.

Após expandir Copa do Mundo masculina de 32 para 48 seleções, Gianni Infantino, presidente da Fifa, analisa realizar torneio a cada dois anos. 
Foto: Arnd Wiegmann / Reuters

Com essa expansão, a FIFA pretende lucrar ainda mais com a venda de ingressos e de direitos de transmissão, além da valorização de contratos de patrocínio. No entanto, a expansão e a articulação global de movimentos e ativistas contra o modelo suntuoso de organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos têm mostrado a falácia do legado desses eventos, influenciando governos quanto à decisão de se candidatar para sediar tais eventos.

Fontes: Comitês organizadores das Copas de 2010 e 2018, e Tribunal de Contas da União (TCU)
Fonte: Fifa

O Comitê Olímpico Internacional (COI) já entendeu o recado. Em tempos de baixo crescimento econômico mundial, de iniciativas ambientalmente sustentáveis e de contestação aos custos dos megaeventos esportivos, a entidade reformulou, em 2014, suas exigências quanto à organização dos Jogos Olímpicos, as tornou menos rígidas, priorizando candidaturas de cidades onde já existam instalações prontas e infraestrutura sem necessidade de grandes e caros ajustes.

Na contramão do mundo, porém, está a Fifa, ao cogitar realizar a cada dois anos um evento sustentável apenas para a entidade. Não haveria problema algum em relação ao crescimento dos lucros da Fifa com a Copa do Mundo masculina se eles fossem investidos no fortalecimento das categorias de base, do futebol feminino e da estrutura de treinamento em diversos países, sobretudo os mais pobres. Mas a realidade envolve o envio de dinheiro para dirigentes de confederações continentais e nacionais que não é revertido para o fortalecimento de clubes, campeonatos e para a inclusão social através do esporte. Vão para os bolsos alheios, sem fiscalização e punição pelos líderes da entidade máxima do futebol, que, em troca, recebem votos para a permanência no poder em eleições presidenciais. A Copa do Mundo a cada dois anos é a nova moeda de troca, em que as federações ganhariam maior exposição e dinheiro no maior torneio de futebol do mundo acontecendo de forma mais rotineira.

Foi essa estrutura que, ao se locupletar a um nível de ganância sem precedentes na história do futebol, levou à situação atual de penúria na Fifa. Há exatos seis anos, em 27 de maio de 2015, dirigentes da entidade eram presos em um hotel de Zurique, na Suíça, onde participavam do congresso que elegeria o novo presidente da entidade. Cartolas acusados de venderem seus votos para o Qatar ganhar a sede da Copa do Mundo de 2022, aquela em que paquistaneses, nepaleses e indianos constroem estádios climatizados no calor do deserto e em condições análogas à escravidão. Tudo sob o silêncio da entidade.

Desde então, os prejuízos se acumulam nos balanços financeiros da Fifa. Déficit de 122 milhões de dólares em 2015; 369 milhões de dólares em 2016; 1 bilhão de dólares em 2018; 683 milhões de dólares em 2020, sob efeitos da pandemia de Covid-19.

Em 1999, a proposta de organizar a Copa do Mundo a cada dois anos não foi adiante. Resgatá-la duas décadas depois mostra que a Fifa não mudou. A necessidade fala mais alto e as lições recentes da história já viraram uma memória a ser esquecida.

Artigos

A coroa de Luis V

Em sua última entrevista no Camp Nou, em 24 de setembro de 2020, Luis Suárez disse (com a voz embargada pela emoção) que além de ser um jogador era “um ser humano que tem sentimentos”. É exatamente isso que faz o futebol ser algo que desperta tantas paixões e sonhos. Ele consegue unir os dois mundos: o da idolatria dos deuses e dos atos falhos dos mortais. Arrisco a dizer que todo jornalista ou roteirista deve adorar o atacante uruguaio. Ele reúne diversos temperos necessários para uma boa novela. Tem história de amor, polêmica, revanche, superação, choro e emoção. Todos os ingredientes que caem bem a uma narrativa.

O mais recente capítulo do livro aberto de Luis Alberto Suárez foi escrito em Valladolid, no dia 22 de maio, após tornar-se campeão da liga espanhola pela quinta vez. Não pelo Barcelona, clube que o estendeu a mão após a punição da FIFA na Copa de 2014. Naquela época, muitos “inimigos” sentiam-se à vontade para odiar o “delantero”; críticos o desestimulavam, mas ele estourou a bola em um dos melhores trios do futebol moderno, atuando ao lado de Messi e Neymar. O “MSN” fez história. No clube Culé, conquistou vários títulos e foi até “pichichi”, ou artilheiro de “La Liga” com 40 gols, em 2015-2016. Ali, ele mostrou, mais uma vez que o mundo capota, ah, se capota.

Seis anos se passaram e voilà! O mundo dava mais uma de suas voltas. O treinador Ronald Koeman chegou a Barcelona com a missão de enfrentar os problemas internos e retomar um projeto vencedor. Entretanto, o centroavante de 33 anos não fazia parte de seus planos e logo deixou claro que não desejava aproveitar um jogador “velho” na sua equipe. A bomba pegou os catalãs de surpresa. Como a sua participação era indesejada, o centroavante decidiu ir de malas para a cidade vizinha. Messi, seu melhor amigo dentro e fora da cancha, disse não acreditar que o clube estava abrindo mão de Suárez de graça e para um time rival na mesma liga. A “pulga” argentina tinha razão para acreditar no potencial do companheiro.

Suárez com sua família lembra os títulos que conquistou na despedida do Camp Nou. Foto: Site Oficial do Barcelona

Suárez em Madrid era uma aposta que poderia cair bem no time de Simeone, o espírito latino poderia dar alguma liga, mas dava para imaginar tanto barulho? Quem apostava? Está certo, alguns poucos, é verdade. Havia mais um tom de dúvida do que certeza. Será que ele vai conseguir de novo dar a volta por cima? Talvez, só quem conhecia bem a história de Suarez acreditava que sim. Tentaram enterrá-lo, mas ele estava vivo.

Olhar apenas para a linha de chegada não traduz a beleza do título. Tem coisas que só um colchonero poderia explicar. Seguir o Atlético de Madrid era a melhor coisa na pandemia para quem gritava “Aupa Atleti”. Ao menos, até a metade do campeonato, quando a vantagem sobre o segundo colocado chegou a ser de dez pontos. Os deixaram sonhar, e sonho que se sonha junto…. Pois é, virou realidade. Só que não foi fácil. No segundo turno, aqueles dez pontos foram minguando, minguando e restaram apenas dois. Faltando duas rodadas para o final, Simeone disse em uma entrevista: “agora entramos na zona Suárez”, se referindo ao momento no torneio em que aparecem os craques, os “distintos”.

Era quase um pedido de socorro do treinador, pois percebia que seus comandados estavam ansiosos. Era visível a queda de rendimento do líder e a ameaça do Real no retrovisor era forte. Contra Osasuna, na penúltima rodada, o Atlético perdia quando o brasileiro Renan Lodi empatou a partida aos 82 minutos. Um alívio, mas insuficiente. Aos 87, um tal de pistoleiro enfim voltou a brilhar. Foi uma catarse geral. Pilha humana sobre Suárez, com a devolução da liderança que por pouco estava perdida. A troca ainda poderia acontecer. E foi quase. No último jogo, os colchoneros sofreram 62 minutos. Tempo para virar a partida com os gols de Correa e Suárez. Agora sim, herói coroado.

Suárez faz sinal de cinco vezes campeão da Liga Espanhola. Foto: Getty Images

Luisito fez 21 gols em 32 jogos disputados no campeonato espanhol, fez os mais decisivos para o título. Foram dois bônus salariais (por ter atingindo 15 gols e depois 20). Foi um “tombo para o alto”. Individual e coletivo. Desde a temporada de 2015-2016, ninguém fazia algo tão significativo no campeonato pelo Atlético de Madrid, quanto Antoine Griezman, que fez 22 gols (mas, sem título). E onde estava o Barcelona? Em terceiro. Seus atacantes, juntos, fizeram 25 gols, quatro a mais que Suárez (Griezman 13 gols, Dembélé, seis gols, Ansu Fati, quatro e Martin Braithwaite, dois gols.  Messi, teve 30). “Me menosprezaram, mas o Atlético abriu as portas para seguir demonstrando que estava vigente e por isso sempre vou agradecer a esse grandíssimo clube”, disse Suárez na entrevista para a televisão espanhola. Bem agradecido, ele poderia rescindir o contrato de dois anos em junho, mas já assegurou que permanecerá na próxima temporada.

Uma coincidência salta aos olhos e não poderia deixar de ser mencionada. Em seu primeiro título espanhol como técnico, na temporada 2013-2014, Simeone contou com a ajuda de um uruguaio – o zagueiro Godin, ídolo e autor do gol da conquista. Sete anos depois, outro gol uruguaio trouxe a taça para o Club Atlético de Madrid, a décima primeira na competição. Os feitos foram lembrados pelo membro do partido do povo (PP) e da câmara administrativa da capital espanhola, José Luiz Martínez, durante a cerimônia de premiação que aconteceu no dia seguinte (23 de maio): “O que temos entre uruguaios e Atleti? Estamos entre duas grandes potências, mas nunca nos rendemos. Nem Uruguai, nem o Atlético”. É curioso como as narrativas desses uruguaios se misturam com a dos colchoenros. A bandeira celeste é sempre carregada nas conquistas pelos jogadores. No sábado, 22/05, ela foi exposta por Suárez, Torreira e Giménez.

Os uruguaios do time colchonero. Foto Reprodução Instagram do Atlético de Madrid.

O que vai ser da temporada de 2021-2022 não podemos prever, contudo faz bem ao esporte ver a hegemonia merengue-catalã ser tombada na Liga. Numa época em que clamamos por um futebol mais competitivo, ver os atleticanos campeões enriquece a Liga. Suárez vai continuar decisivo? Sabiamente, o atacante já admite estar perto da aposentadoria. Certeza, só a de que queremos o fim da pandemia e estádios cheios. Ojalá así sea.

Time campeão do Campeonato Espanhol 2020/2021 – Foto Reprodução Instagram Atlético de Madrid