Artigos

Muralha: a arquitetura de um vilão

Poucos jogadores nos últimos tempos apresentaram uma trajetória de queda tão intensa quanto a do goleiro Alex Roberto, mais conhecido como Muralha. Poucos jogadores nos últimos tempos passaram por um processo de depreciação da imagem tão categórico e quase que irremediável. Convocado para a seleção brasileira no final de 2016, Muralha terminou a temporada de 2017 como tema de incontáveis memes que o transformaram em piada, alvo de raiva, deboche e ironia. Considerado como um dos principais responsáveis por importantes derrotas do Flamengo, Muralha transfigurou-se em um vilão, execrado pela torcida rubro-negra e por parte da mídia esportiva.

Consagrado pelo melodrama francês do século XIX, os vilões são personagens que se mantiveram vivos no imaginário ocidental por intermédio de romances, telenovelas, quadrinhos e uma série de outras produções que fizeram deles personagens muito populares. O melodrama é um gênero teatral que convoca a emoção e objetiva deixar a plateia com os nervos à flor da pele. Ele fez imenso sucesso no final do século XVIII, na França, deixando herdeiros em outras instâncias, inclusive no jornalismo, sobretudo via folhetim, sendo possível apontarmos a contiguidade existente entre alguns noticiários da imprensa e o melodrama, pois ambos investem no apelo aos sentidos e às emoções do público receptor, ao darem total preferência aos acontecimentos de impacto, ricamente descritos e teatralizados.

É a partir de uma perspectiva dual, uma das características marcantes do melodrama e de seus aparentados, que os vilões se consagraram como personagens sobre cujas ações concentram-se os efeitos desse gênero teatral que teve seu auge durante a Revolução. Nesse período, grande parte da França sentia a necessidade de exaltar valores como honra, família e coragem, sendo que os vilões representavam teatralmente o lado oposto de um mundo idealmente virtuoso. Por isso, seu castigo – inevitável ao final da história – saciava a sede de justiça de um público que vivia um cotidiano marcado por uma atmosfera de crise.

No caso do futebol e das narrativas jornalísticas dele derivadas, a crise é gerada pela derrota e os vilões surgem para personificar os vícios e defeitos que imaginadamente estão por trás de um fracasso em campo, daí a necessidade de puni-los, mesmo que de forma simbólica. Se o futebol – assim como os esportes de um modo geral – se transformou em um dos mais importantes produtores de figuras heroicas nas sociedades modernas, certamente, não poderia deixar de produzir as vilânicas.

Quando digo vilões, faço referência a jogadores que foram considerados culpados por alguma derrota. Não uma derrota qualquer, mas aquelas ocorridas em jogos decisivos, pois esse é o palco perfeito para o surgimento desse personagem. Enquanto o herói percorre uma trajetória ascendente, em que um status de superioridade lhe é conferido, o vilão é lançado numa queda que o conduz a um território de acusações das quais, muitas vezes, não consegue se livrar.

É válido dizer que os vilões do futebol não são criações aleatórias. Sua imagem se sustenta tanto no desempenho atlético em campo, quanto nos modos pelos quais esse fato é interpretado. No processo de arquitetura de um vilão, é fundamental o papel das narrativas produzidas pela mídia esportiva, que comumente converte jogos em histórias repletas de dramatizações em que o tom superlativo prepondera na tentativa de provocar os afetos do leitor/espectador/torcedor, fomentando identificação fácil e imediata.

Isso é bastante evidente no caso de Muralha que desde abril de 2017 tem sua atuação questionada devido a má atuação no jogo válido pela Libertadores, Flamengo X Atlético Paranaense, no qual, segundo alguns jornais, o goleiro teria falhado no primeiro gol sofrido pelo clube carioca. O Globo, por exemplo, considerou que Muralha errou, mas que por outro lado, também havia sofrido uma falta, o que deveria ter gerado como consequência a anulação do gol atleticano. Interpretação diferente foi mostrada pelo jornal Extra que estampou em sua primeira página a manchete: “Falhas derrubam o Fla. Goleiro tem erro de principiante, atacantes desperdiçam chances claras e Flamengo perde por 2 a 0 para o Atlético- PR em Curitiba” (grifos meus, 27/04/2017).  Na capa do caderno de esportes dessa mesma publicação, o goleiro mais uma vez apareceu em destaque com a manchete: “Muralha baixa. Defesa do Flamengo falha, desperdiça chances, time é derrotado pelo Atlético-PR por 2 a 1 na Arena da Baixada e perde a liderança do grupo” (Jogo Extra, 27/04/2017).

Esse é um momento importante na caminhada de Muralha rumo ao panteão dos vilões do futebol, pelo menos do Flamengo. Um relevante fator a ser considerado nesse percurso, diz respeito à eliminação do clube da Taça Libertadores da América, ocorrida em junho, o que criou uma atmosfera de maior cobrança e desconfiança em relação ao time. É de se destacar, nesse caso, o papel do jornal Extra que dará constante ênfase as más atuações de Muralha, desembocando no polêmico editorial sobre o qual falaremos mais tarde. Até chegar a esse ponto é preciso mencionar a edição do dia 08 de junho de 2017, em que na primeira página do referido periódico podemos ler “Muralha entrega mais uma vez”. No Jogo Extra desse mesmo dia, a derrota do Flamengo para o Sport é avaliada como resultado da péssima atuação coletiva do time carioca, especialmente a “falha bisonha do goleiro Muralha” (08/06/2017, p.7).

Na edição do dia seguinte, Muralha ocupa o protagonismo desse mesmo caderno esportivo cuja capa é composta por uma montagem em que o jogador aparece sentado sob as traves com várias bolas indo em sua direção. Acima lê-se: “Desabou”.

primeira
Arquivo Extra, Caderno de Esportes, 09/06/2017

Nas páginas internas, anuncia-se a possível barração do goleiro, critica-se sobre a insistência do Flamengo em não contratar outro jogador para a posição e, em tom de brincadeira, faz-se a pergunta “Engenheiros do Fla avaliam: é Muralha ou mureta?” Os engenheiros em questão são torcedores que opinam negativamente sobre o desempenho do goleiro. Um dos entrevistados afirma que: “Não dá mais para defendê-lo. Aquele paredão poderoso virou um murinho baixo” (09/06/2017). O enfoque em Muralha cessa com sua ida para o banco de reservas e com a posterior boa fase do Flamengo que no início mês de julho chegou a ocupar o 2º lugar do Campeonato Brasileiro. Na metade desse mesmo mês, Diego Alves foi apresentado como novo goleiro, o que mereceu a seguinte manchete do Extra, feita sem o atleta ter feito nenhum jogo pelo rubro-negro carioca: “A verdadeira muralha” (18/07/2017).

segunda
Acervo Extra. 18/07/2017

No final de agosto, Muralha voltou a ser titular em uma partida e retornou com toda força às páginas do Extra como protagonista de mais uma derrota, desta vez para o Paraná, resultado que eliminou o Flamengo da Copa da 1ª Liga: “Muralha entrega de novo” (31/08/2017). Essa atuação ruim e a possível escalação do goleiro para a final da Copa do Brasil – competição em que Diego Alves não fora inscrito -, motivaram o polêmico editorial do Extra, na qual se afirmava que, dali em diante, o jornal faria referência ao goleiro não mais pelo seu apelido: “Em nome da precisão jornalística, o leitor do Extra não encontrará, a partir de hoje a palavra Muralha relacionada ao senhor Alex Roberto Santana Rafael” (01/09/2014). No caderno de esportes o tom continua ácido com a manchete “Ex-Muralha” (01/09/2014).

terceira
Acervo Extra
quarta
Acervo Extra 01/09/2017

O texto causou irritação no próprio meio jornalístico chegando mesmo a motivar uma declaração do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, repudiando tal atitude. Cumprindo a promessa de não fazer uso da denominação Muralha, o jornal pediu desculpas, afirmando que tudo se tratava de uma brincadeira cujas consequências até poderiam ser positivas: “Torcedores abraçam goleiro. Brincadeira do Extra gera comoção nas redes sociais e Alex ganha apoio do clube e de torcedores. Atleta se sente ofendido e jornal pede desculpas. Mas sem abrir mão do bom humor se o goleiro voltar a fechar o gol vamos chama-lo até de Muralha da China” (Grifo meu, 02/09/2017). Coincidência ou não, o goleiro foi para o banco de reserva, o que não se mostrou uma solução, pois seu substituto, Thiago, “falha feio, bate roupa e Flamengo cede empate em casa na primeira partida da final contra o Cruzeiro” (08/09/2017).

No segundo jogo da decisão, Muralha voltou ao gol. A partida terminou empatada em 0 a 0, o que levou a decisão para os pênaltis. Seria uma ótima chance de redenção, pois caso Muralha defendesse alguma penalidade e. ao final. o Flamengo conseguisse o título, é muito provável que de vilão, o goleiro experimentasse dias de herói. Afinal, a vilania não é um estado permanente, até mesmo porque, antes de tudo, o vilão deve ser compreendido como um personagem, típico e necessário às narrativas da mídia esportiva. Mídia cujos sentidos atribuídos aos atores de uma partida, dependem em grande medida do resultado final de um jogo. Sendo assim, sempre existe a possibilidade de redenção que se dará, necessariamente, em um contexto de vitória. Dunga, um dos jogadores considerados culpados da eliminação da Copa de 1990, é um ótimo exemplo de vilão redimido, já que em 1994 saiu da Copa consagrado, como o capitão do Tetra. [1]

Mas esse não foi o caso de Muralha que não conseguiu pegar nenhum pênalti, enquanto Fábio, seu adversário, foi decisivo na vitória cruzeirense. O jornal Extra criticou severamente a atuação do jogador Diego, mas não perdeu a oportunidade de continuar a fazer de Muralha seu alvo preferido: “Alex em dia de Alex.” (28/09/2017). Na primeira página da edição do dia 29, uma sequência de fotos de Muralha durante as cobranças de pênaltis aparece cercada da manchete carregada de ironia: “Departamento de inteligência do Fla mandou o goleiro pular só num canto” (29/09/2017). No caderno de esportes publica-se uma matéria na qual o goleiro Fábio, do Cruzeiro, explica suas técnicas para pegar pênalti, entre as quais “Tem hora que você alterna um canto ou outro”, o que faz o jornal concluir que “A estratégia se mostrou mais eficaz do que a adotada por Alex Roberto”. (Jogo Extra, 29/09/2017)

Quando tudo parecia que não podia piorar, em novembro, Muralha foi colocado novamente como titular em um jogo contra o Santos, desta vez pelo Campeonato Brasileiro. Sua atuação foi desastrosa. Ao sair jogando com os pés, perde a bola, é driblado pelo atacante adversário e sofre um gol improvável. No decorrer do jogo, Muralha não segura o chute de Arthur Gomes e o Flamengo perde um jogo importante, colocando em risco sua classificação para a Libertadores de 2018. A capa do Jogo Extra recorre a um jogo de palavras e publica a manchete “Indefensável” (27/11/2017). Essa foi a última atuação do goleiro pelo Flamengo.

[1] Dunga é um caso fascinante. Vilão em 1990, foi ele o capitão e herói que ergueu a taça do mundo após gritar uma série de palavrões. O ex-jogador tornou-se técnico da seleção indo à Copa de 2010 retornando sem título e voltando ao reino dos vilões da seleção Brasileira. De modo improvável novamente tornou-se técnico da seleção, em 2014, substituindo Felipão. Após a eliminação da Copa América em 2016, Dunga foi mais uma vez vilanizado ao ser considerado um dos responsáveis pelas más atuações da seleção brasileira. Mais uma vez vilão, Dunga até a escrita deste texto não voltou a experimentar o comando de um time.

quinta
Acervo Extra

2018 começou com boatos de uma possível transferência, mas são apenas boatos. Sua continuidade no clube, à primeira vista, não parece fazer muito sentido, por outro lado, quem, no Brasil, se arriscaria a contratar um goleiro cuja imagem ainda está tão anexada ao declínio e à derrota? Quem contrataria um vilão alvo de críticas e, também, de escárnio e deboche? A sorte de Muralha é que existe um mercado futebolístico imenso e que extrapola a fronteira do Brasil.

O que de fato podemos afirmar é que a arquitetura do vilão Muralha mostrou-se muito bem construída. A trajetória do goleiro que no final de 2016 chegou – mesmo que de modo contestável – a ser convocado pela seleção, mas que em cerca de um ano tornou-se um jogador indesejado, fornece por si só uma ótima história. Uma história que conseguiu alto grau de verossimilhança, pois de fato Muralha cometeu algumas importantes falhas na sua função de goleiro. Isso significa que por mais que se amplifiquem os acontecimentos, a mídia – e, aliás, qualquer narrativa, mesmo a ficcional – não é capaz de criar a partir de uma tábula rasa. Seu conteúdo é produzido em diálogo com realidades e imaginários possíveis. Isso não significa que devemos presumir que estejamos diante de uma verdade incontestável, mas que ao contrário, estamos frente a discursos que se erguem a partir de uma perspectiva, entre tantas outras, lançada sobre o mundo.

No caso Muralha, as más atuações em campo deram sustentáculo para o jornal Extra torná-lo protagonista de muitas de suas matérias, ajudando, assim, a construir um vilão narrativamente convincente. Até mesmo seu apelido mostrou-se fundamental, viabilizando trocadilhos, ironias, chegando a ser considerado como pouco condizente a um goleiro que falhava constantemente, segundo o jornal. É interessante perguntarmos em que medida, a frequente e enfática desqualificação do goleiro, contribuiu para sua não-escalação no primeiro jogo da Copa do Brasil. Decisão que pode ter sido equivocada, afinal seu substituto também falhou. É interessante, também, perguntarmos em que medida as representações negativas em torno de Muralha contribuíram para que ele não tivesse conseguido seu momento de redenção, devido à falta de oportunidade e a atmosfera de desconfiança e zombaria extrema que passou a cercar seu cotidiano.

Entretanto, mais importante do que essas especulações é poder percebermos que personagens como os vilões – e os heróis – do futebol, dão mostras de como as narrativas da mídia esportiva estão longe da neutralidade. Se na ficção e outras produções, os vilões estão se complexificando e, muitas vezes, ganhando a predileção do público como ocorre em recentes produções da teledramaturgia brasileira, o mesmo não podemos dizer em relação as narrativas da mídia esportiva. Na arquitetura dos vilões do futebol, segue-se o modelo vilânico tradicional, construído a partir de um simples olhar judicativo e da tentativa de transcendência da notícia na direção do espetáculo e do entretenimento. Mas são justamente essas questões que tornam os vilões personagens tão interessantes para pensarmos o papel daqueles que se consideram – e são considerados – porta-vozes dos discursos autorizados sobre o esporte mais popular do país.

Anúncios
Artigos

No futebol uma mentira repetida várias vezes… não qualifica nem se torna verdade

Algumas construções midiáticas, muito difundidas no Brasil, como  “a maior indústria automobilística da América Latina” ou “o país autossuficiente em petróleo”, deveriam ser para o jornalismo sério motivo de análise e crítica e não de multiplicação ou amplificação . O mesmo serve para o tal epíteto de “país do futebol”.

Uma indústria não é uma montadora, uma indústria pressupõe outros requisitos vitais como: desenvolvimento de produtos, investimento em tecnologia, pesquisas laboratoriais de novos materiais, estudo de processos métodos e tempos, desenvolvimento de ferramental, etc. Fora disso só podemos dizer que o Brasil tem a maior “montadora” da indústria automobilística da América Latina.

Um país que explora e exporta petróleo cru, mas depende da importação de gasolina e derivados do petróleo, para colocar sua frota de automóveis e caminhões em movimento, ou importação de termoplásticos para tocar a indústria de transformação, nunca será autossuficiente.

O Brasil foi, é e será, se não mudarem as políticas públicas de educação e de desenvolvimento industrial, no que tange à formação de elementos da área técnica, em todos os níveis, e de tecnologia e pesquisa, um país dependente das oscilações das commodities , um exportador de matéria-prima e mão de obra barata.

No futebol não poderia ser diferente. Exportamos “pé de obra” (Arlei Damo), que carece de alto investimento material e econômico, e importamos o espetáculo pronto, junto com a repatriação de atores em final de carreira. Técnicos e staff  executivo não entram nesse rol de exportações, só pé de obra, e às vezes em formação ainda.

O fato de saber jogar futebol não significa excelência no gerenciamento de grupos, nem qualidade na arte de obter o máximo de cada peça, assim como dominar um instrumento não converte nenhum  músico num maestro.

O Brasil  é o maior exportador de jogadores de futebol do mundo, mas relativamente é o que menos jogadores tem atuando nas 6 maiores ligas da Europa. Quando falamos em técnicos ou treinadores o índice é nulo: não existem técnicos brasileiros nas 10 maiores ligas do futebol mundial.

Pesquisando sobre a nacionalidade dos técnicos das equipes da última edição da Copa Libertadores de América, verifiquei que das doze seleções, 6 eram treinadas por argentinos, dos quais 4 levaram suas equipes às quartas de final: Argentina (Gerardo Tata Martino); Paraguai (Ramon Diaz); Chile (Jorge Sampaoli) e Peru (Ricardo Gareca), somando  os eliminados nas oitavas de final: Colômbia (José Pekerman) e na fase de grupos: Equador (Gustavo Quinteros).

Essa  supremacia não é evidente somente no nosso continente, ela se repete entre os técnicos das seleções classificadas para Rússia 2018. Os técnicos argentinos são a maioria: Argentina (Jorge Sampaoli); Colômbia (José Pekerman); Egito (Héctor Cuper) e Peru (Ricardo Gareca). Fora os argentinos, os países com 2 técnicos são: Portugal, Espanha, Bósnia, Colômbia e França.

Esse  panorama deixa claro que algo acontece com os técnicos e com as autoridades do país do futebol, em primeira instância, já que os cursos de treinador da CBF não têm o reconhecimento dos órgãos com maior prestígio do futebol mundial. Nem a UEFA nem a FIFA reconhecem que os cursos ministrados no Brasil tenham nível para que seus formandos tenham aceitação nas principais ligas do futebol mundial.

A contratação de Luxemburgo pelo Real de Madrid e Felipão pelo Chelsea passaram por um expediente diferenciado, de caráter excepcional. Foram liberados sem a Licença Pró e não deixaram títulos nem saudades.

felipao
Fonte: Rádio Cultura

Inicialmente, lancei o desafio nas redes sociais em busca de pistas, e foram várias as opiniões proferidas sobre o assunto. A barreira idiomática e o fato da CBF não possuir um curso certificado pela FIFA ou UEFA seriam os maiores empecilhos para que os técnicos brasileiros atuassem nas  maiores ligas da Europa.

A barreira idiomática existe para todos os técnicos, se fosse esse um motivo, a China e o Oriente Médio não seriam mercados tão explorados por técnicos brasileiros; e, em compensação,  deveríamos ter vários técnicos brasileiros em Portugal ou nos países de língua portuguesa na África.

Não obtive opiniões que levantassem outros motivos, portanto algumas especulações pertinentes geradas nas minhas observações serão trazidas à tona neste artigo com o propósito de tentar entender  esse contraste , entre elas:

–  a falta de rigidez tática por parte dos técnicos e jogadores brasileiros, basta o time ir perdendo para que cada um decida ser o herói da virada e  se esqueça da tática, do conjunto, enfim do time;

–  a classe dos técnicos brasileiros é composta na sua quase totalidade por ex-jogadores – medíocres, com raras exceções – todos oriundos de classes sociais com baixa escolaridade, que na sua maioria não tem curso superior ou se tem é na área de Educação Física; a gestão de grupos humanos e a liderança exigidos de um comandante passam longe desse curriculum;

– o culto ao individualismo, em detrimento do conjunto, onde “a qualquer momento o craque faz um gol” e ganhamos o jogo, também conta negativamente.

Enfim, me parece que o fato de o  Brasil ter ganho 5 campeonatos mundiais, num esporte onde ganhar nunca significou ser o melhor – vide a Hungria de 1954, a Holanda de 1974, o Brasil de 1982 ou a Argentina de 1994  –, não é  . Hoje comprovadamente, sabemos que existem corrupção e manipulação política na FIFA – comandada num período de 24 anos por um brasileiro – somadas a uma promiscua relação com os grandes conglomerados da mídia. Caberia à CBF como entidade maior, buscar recursos e conhecimento na área acadêmica para promover um curso cujo curriculum  se adequasse às exigências da Licença Pró. Por outro lado, se os técnicos formassem uma classe unida poderiam somar forças e obter os resultados esperados. À mídia hegemônica, caberia – se a seus interesses atendesse – dar força ou não a esta iniciativa.

Artigos

Ela está chegando…

Aguardada pelos amantes do futebol, a Copa do Mundo é um objeto amplamente estudado nas pesquisas voltadas para o esporte no campo acadêmico. Antropólogos, sociólogos, historiadores, geógrafos, publicitários e jornalistas encontram um ambiente fértil na produção de símbolos que esta competição oferece, desde a sua primeira edição em 1930. Seja na produção de mitos, heróis… Continuar lendo Ela está chegando…

Avalie isto:

Artigos

Futebol, Vândalos e Descontentes

Após a partida final da Copa Sul-Americana, alguns amigos me cobraram uma reflexão sobre o ocorrido no estádio e em seu entorno. Meu filho estava lá e passou por dificuldades ao retornar pela rampa de acesso à estação Maracanã do metrô. Passado o susto, o que podemos dizer do ocorrido? Vandalismo foi a palavra mais… Continuar lendo Futebol, Vândalos e Descontentes

Avalie isto:

Artigos

O Drama no (do) Futebol

A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2017 demonstrou como é o drama vinculado à paixão clubística o que mais atrai e fascina os torcedores de times de futebol. Não se falou em futebol-arte, como não se falou nisso durante todo o campeonato. Não se falou em belas jogadas ou em gols espetaculares, ainda que… Continuar lendo O Drama no (do) Futebol

Avalie isto:

Artigos

O desafio do silêncio

Em 2009 participei pela primeira vez do Play the Game, experiência que se repetiria por outras duas vezes.  Play the Game é uma conferência internacional que tem como objetivo fortalecer as fundações éticas do esporte e promover a democracia, transparência e a liberdade de expressão. Naquele ano, pela primeira vez, ouvi o jornalista britânico Andrew… Continuar lendo O desafio do silêncio

Avalie isto:

Artigos

A trama e os silêncios: Mídia, futebol e compadrio em negociatas

“Sempre leio primeiro a página de esportes, que registra os triunfos das pessoas. A primeira página não me diz nada além dos fracassos do homem”. A frase é de Earl Warren, político e ex-chefe da Justiça dos Estados Unidos. Contudo, nem sempre a seção de esportes trata de triunfos. Nos últimos dias, abriu espaço para,… Continuar lendo A trama e os silêncios: Mídia, futebol e compadrio em negociatas

Avalie isto: