Produção audiovisual

Já está no ar o episódio 51 do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo primeiro episódio é a Capoeira como patrimônio imaterial do Brasil. Com apresentação de Filipe Mostaro e Anabella Léccas, gravamos remotamente com Vivian Fonseca, coordenadora do programa de História Oral do CPDOC da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) e professora adjunta do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo primeiro episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Malandragem”, de Mestre Capu & Grupo Gingado Capoeira.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

  • Capoeira de Besouro – Paulo Cesar Pinheiro [álbum musical]
  • Roberto Pereira, Luis Renato Vieira, Carlos Eugênio Líbano Soares, Leticia Reis, Simone Vassalo, Mestra Janja [referências no tema]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Anabella Léccas e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Anabella Léccas
Convidada: Vivian Fonseca

Artigos

A leifertização da transmissão da Copa do Brasil

Na noite do Dia do Trabalho, o Flamengo venceu o Altos-PI por 2×1, para a alegria de quase 30 mil espectadores no Albertão em Teresina. A última vez que o Flamengo jogou no estado foi há 10 anos, em crise com a iminente saída de Ronaldinho Gaúcho. Mas o inusitado ficou muito além de um jogo de Copa do Brasil em pleno domingo. A partida foi exibida com exclusividade no Amazon Prime Video, serviço de streaming da Amazon, e contou com Casemiro e Tiago Leifert na transmissão.

A ação envolvendo os influenciadores é uma mudança no planejamento da Amazon, que, em dezembro do ano passado, anunciou um acordo com a Globo para sublicenciar os direitos de transmissão da Copa do Brasil. Inicialmente, porém, a empresa receberia não apenas o sinal da emissora de TV, mas também a narração, os comentários e as reportagens dos jogos. Isso aconteceu nas duas primeiras rodadas da competição. Agora, porém, com o torneio entrando em suas fases mais decisivas e com a entrada de times mais populares, como Flamengo e Corinthians, a Amazon decidiu investir em uma equipe própria de transmissão.

Tiago Leifert, apresentador com notável trabalho na Rede Globo, através dos campeões de audiência como o Big Brother Brasil e The Voice Brasil, foi responsável por grandes mudanças nos formatos do jornalismo da Globo, principalmente no esporte. Os visuais menos sérios e o humor do Globoesporte chamou a atenção do público mais jovem, agregando na audiência do programa.

Apenas no Instagram Tiago Leifert tem mais de 8,2 milhões, enquanto Casimiro conta com mais de 2,5 milhões de seguidores. Mas convenhamos, nessa rede social o Cazé está jogando fora de casa. O streamer de 28 anos despontou na Twitch, como um dos nomes mais carismáticos do momentos. Casimiro reagiu a pré-estreia do primeiro episódio da série sobre a vida de Neymar na Netflix, e mesmo acostumado com números expressivos, o streamer se assustou com os quase 540 mil espectadores sintonizados na live.

A transmissão

Para a partida, a Amazon ofereceu outra opção de transmissão, com Clayton Carvalho e comentários de Pedro Moreno, que seguiram todas as regras e técnicas do bom jornalismo tradicional. A gigante do streaming falhou em não comunicar essa possibilidade de divisão de interesses do público. Enquanto existiam os espectadores que privilegiam a informação contínua durante a transmissão e foco total na exibição, surge uma nova geração multi-tela e, cada vez mais, multitarefa, que parou de assistir tv e não tem paciência para ouvir um áudio na sua velocidade padrão de reprodução. Esse público, curtiu.

Do outro lado, muitos dos comentários negativos vêm carregados de uma intolerância rubro-negra à figura de Cazé e Leifert, marcados pela ligação com times rivais. Prova de que os pré-conceitos foram preponderantes no tom das críticas, foi o elogiado trabalho da repórter Pâmella Maranhão da TV Cidade Verde, afiliada do SBT, que foi cedida para a transmissão. A piauiense esbanjou referências locais, explicou a história do futebol piauiense de forma didática, em doses homeopáticas durante toda a transmissão e também usou do humor para conquistar a audiência. Passou detalhes sobre a atuação do técnico Diá e arrancou ótimas gargalhadas. 

Outro ponto de discussão é sobre a formação e oportunidade de mercado de trabalho de profissionais do futebol em praças não tão competitivas, como no caso do poderoso Campeonato Piauiense. Muito mais do já batido “estava no lugar certo, na hora certa”, Pâmella qualificou-se, soube aguardar a oportunidade e possivelmente teve a maior vitrine da sua carreira. Passou pelo teste bem avaliada e mostrou que está preparada para vôos mais altos. 

Outros não entenderam o conceito. O perfil @falso92 conhecido por conteúdo voltado para debate táticos de partidas, fez duras críticas à transmissão e em seguida se retratou.

“Sobre a polêmica da transmissão estilo gamer, eu já mudei de opinião e todas as vezes que o fizer, admitirei aqui que fui infeliz no comentário anterior. A empresa disponibilizou dois tipos de transmissão, logo, não excluiu ninguém. Pelo contrário, acabou abrangendo um público maior. Isso acaba trazendo um público novo pro futebol, ou fidelizando quem estava em vias de ser perdido. Podem evoluir em algumas coisas, como falar menos e deixar o som ambiente mais alto, mas é uma tendência pra atender uma geração nova, que tem que consumir o jogo também! A opinião que dei anteriormente foi antes de saber que era possível assistir da forma mais tradicional. O fiz e achei muito boa de outra maneira, inclusive. Viva a diversidade, sempre”, disse @falso92.

A leifertização

O termo “leifertização” representa essa mudança nos padrões do jornalismo esportivo, trazendo um ar mais cômico e menos sério para o estilo (que é utilizado até hoje). Ao mesmo tempo em que muitos espectadores e profissionais apoiaram esse movimento, muitos também o criticaram, como o jornalista esportivo Juca Kfouri, que em entrevista ao programa Voz Ativa, no ano de 2018, criticou esse fenômeno, falando do excesso de gracinhas presentes nas produções jornalísticas atualmente. 

Fonte: Purepeople

Marcio Telles, Doutor em Comunicação e Informação pela UFRGS, aborda a sobreposição do entretenimento em relação ao jornalismo esportivo.

“No  que  também parece  ser  consensual  à  crítica  teórica  da  “leifertização”  do  telejornalismo esportivo, o novo “Padrão Globo de Jornalismo Esportivo” não passa de  um   epifenômeno do capitalismo avançado, do espetáculo, da indústria cultural e sua voraz  fome  por  dinheiro/audiência, que  leva  à  “prostituição”  da  informação  travestida  de  entretenimento”

Artigos

“Nível Europa”

Semana passada uma discussão tomou conta das redes sociais e dos debates nas mesas redondas esportivas. A declaração do atacante do Flamengo Gabriel Barbosa após o empate contra o Palmeiras, em jogo adiantado pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro, falando que precisamos de uma arbitragem “nível Europa” provocou reflexões sobre a qualidade do jogo e de todos os atores envolvidos.

“ A gente fez um bom jogo, acho que fomos melhores em todos os momentos. Eles não nos assustaram em nenhum lance. Tivemos um gol impedido, perdemos outras chances, mas creio que fizemos um bom jogo. O juiz atrapalhou muito. A gente fala muito que quer um futebol nível europeu, mas o árbitro também precisa ser nível Europa. Escolheram uma pessoa que não deixava a bola rolar, toda hora parou o jogo”.

Foto: Delmiro Junior

Há aqueles que questionaram se também não precisamos de jogadores nível Europa. Outros concordaram com o atacante. Alguns ficaram em cima do muro e, no fim, sobrou até para imprensa com torcedores pedindo “jornalistas nível Europa”.  

Estendendo o debate poderíamos dizer que precisamos de gramados nível Europa, VAR nível Europa, treinadores nível Europa, torcedores nível Europa, e assim chegaríamos à conclusão de que é mais fácil ligar a televisão e assistir a uma partida europeia. 

Lá trás, Nelson Rodrigues já alertava para o nosso complexo de vira-latas. A frase já é batida, um clichezão e às vezes até um pouco cafona, já que é usada nos mais variados contextos. Esse poderia ser mais um, e, talvez para a sua decepção, ou costume, meio que é.  

Mais do que almejar esse padrão, porém, é preciso entender o que faz o “nível Europeu” ser “nível Europeu”. Logo o Brasil, pátria das chuteiras (ou agora ex?), tendo que buscar lá, o que nós ensinamos daqui, dentro das quatro linhas do gramado. Precisando olhar para fora, para enxergar problemas extra-campo que dizem respeito da nossa sociedade, muito mais do que sobre o nosso futebol. 

Nós queremos ser como eles?

Que fase! Como diria Milton Leite. Que fique claro, eu não acho que está tudo bem com o futebol brasileiro, nem que o nível da arbitragem seja excepcional. Estamos vivendo um futebol precário, em todos os sentidos. Banalização da violência, qualidade baixíssima da arbitragem, maus exemplos em campo, desrespeito a jornalistas, respostas evasivas de quem deveria dar uma satisfação ao torcedor.  

É necessário, com ou sem nível europeu, tratar o esporte de forma séria, em sua totalidade. Regulamentar a profissão de árbitro, oferecer punições justas em caso de infrações, coibir todos e quaisquer tipos de violência, inclusive aquelas que não contém agressão física, afinal, considerar apenas um tapa como violência abre perigosos precedentes.  

Para quem defende essa tese, um lembrete, transferir responsabilidades, ao invés de assumi-las não é “nível Europa”. 

Produção audiovisual

Já está no ar o quinquagésimo episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo episódio é a Copa do Mundo de 1950. Com apresentação de Filipe Mostaro e Abner Rey, gravamos remotamente com Sérgio Souto, professor de jornalismo da UERJ e pesquisador do LEME.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “O Brasil Há de Ganhar”, de Ary Barroso e Linda Batista.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

O dia em que meus pais saíram de casa [filme]

Dossiê 50 – Dossiê 50 Os Onze jogadores revelam os segredos da maior tragédia do futebol brasileiro – Geneton Moraes [livro]

Balada n. 7 – Moacyr Franco [música]

Imprensa e Memória na Copa de 50: a glória e a tragédia de Barbosa – Sérgio Souto [dissertação]

Maracanã [filme]

Barbosa [filme]

Anatomia de uma derrota – Paulo Perdigão [livro]

O Rio corre para o Maracanã – Gisella de Araujo Moura [livro]

Maracanazo e Mineiratzen: Imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas. Copas do Mundo de 1950 e 2014 – Francisco Brinati [tese]

“Gigante pela própria natureza”: as narrativas de um “Novo Brasil” encontradas na Copa do Mundo de 1950 – Filipe Mostaro, Ronaldo Helal e Fausto Amaro [capítulo de livro]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Abner Rey e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Abner Rey
Convidado: Sérgio Souto

Artigos

O provincianismo da dita mídia “nacional”

“Ex-Botafogo-PB, Durval é campeão da Libertadores da América de 2011 pelo Santos”.

A manchete, caro leitor, ainda que não tenha sido de fato publicada e que aqui sirva de mera ilustração, é rigorosamente correta.

O zagueiro Durval, um dos maiores campeões do futebol brasileiro entre os anos de 2003 e 2016, que passou por clubes como Botafogo-PB, Brasiliense, Athletico Paranaense, Sport e Santos, tendo sido campeão em todos eles e tendo acumulado 11 títulos estaduais, duas Copas do Brasil e uma Libertadores ao longo da carreira, é paraibano de Cruz do Espírito Santo e teve como primeiro título o Campeonato Paraibano de 2003.

Fonte: Globo

Ainda assim, você há de convir que a manchete, embora rigorosamente correta, não haveria de fazer o menor sentido se escrita em 2011, oito anos e tantos títulos depois de Durval ter iniciado a carreira e ter conquistado a sua primeira taça.

Aliás, aqui vai uma pequena correção.

A manchete haveria de fazer sentido se escrita, sei lá, pela assessoria de imprensa do próprio Botafogo-PB ou por algum veículo local da Paraíba, que quisesse destacar os feitos de um conterrâneo que, um dia tendo jogado em sua própria terra, estava a conquistar a América, a conquistar horizontes jamais imaginados por ele antes disso.

Mas então, se a referência ao Belo e à Paraíba parecem inimagináveis no caso acima citado, por que então a imprensa dita nacional (e não paulista, saliente-se) normaliza manchetes que idealizam um centro em detrimento de uma suposta periferia?

Quem, afinal, define o valor-notícia? Quem decide que um clube do Sudeste é mais importante do que um clube do Nordeste, por exemplo?

Todo esse preâmbulo, pois, é para analisar uma reportagem que foi publicada recentemente pelo portal da ESPN, em 9 de abril de 2022, sobre a estreia do Campeonato Brasileiro deste ano.

Fonte: Portal RMC

A manchete é assim:

“Ex-Corinthians dá show, e Palmeiras abre o Brasileirão com derrota para o Ceará em casa”.

Sim, eu estou mesmo propondo uma espécie de análise do discurso, um debate sobre um portal de notícias que se arvora nacional mas que, em casos como esse, demonstra um provincianismo difícil de entender.

Se o campeonato é o Brasileiro, se o portal é nacional, se a cobertura é total, por que, então, a referência, o centro, o que aparentemente importa, é tudo o que cerca o estado de São Paulo?

Para começo de debate, por que é o Palmeiras quem perde e não o Ceará quem vence?

Por que é o “ex-Corinthians” Mendonza (informação, aliás, que embora esteja na manchete, só aparece no oitavo parágrafo do texto) o craque do jogo, se faz quatro anos que o atacante colombiano não atua mais pelo clube paulista e se já há algum tempo ele é destaque do time cearense?

Tem mais.

Por que, afinal, em certo momento do texto, surge um intertítulo alertando que “poderia ser pior”?

Pior para quem, oras?

Para o Ceará, que venceu fora de casa, ao menos que eu saiba, melhor impossível.

Mas então…

Por que a ênfase total no Palmeiras? Por que diminuir o mérito cearense? Por que o destaque a um Corinthians que nem mesmo participava do jogo em si? Por que lamentar um suposto cenário mais catastrófico de um clube sem nem se importar com o feito do vencedor? Por que a cobertura da mídia é apequenada ao ponto de imaginar que o futebol que importa é apenas o do Sul e do Sudeste brasileiro?

Enfim, pesquisadoras como Hévilla Wanderley e outros nomes da Rede Nordestina de Mídia e Esporte (ReNEme) discutem amplamente a “questão nordestina” no futebol brasileiro. Os leitores que quiserem poderão se aprofundar no tema, visto que aqui é impossível fazer isso.

Mas é imperativo lembrar que portais como a ESPN, que relegam o Ceará à margem, a uma posição coadjuvante e de menor importância aos clubes do chamado “eixo”, é o mesmo que se infla sempre que possível para chamar sonsamente de “xenofobia” (sim, Mauro Cezar Pereira, eu estou falando de você, mesmo que você não faça mais parte do grupo) as tentativas de resistência dos clubes nordestinos contra essa hegemonia predatória que, muitas vezes financiadas pela própria mídia, tenta classificar de “nacional” apenas aquilo o que lhes cerca.

Mas, se a resistência não partir dos clubes do Nordeste, e de todos os demais de fora do “eixo”, quem haverá de resistir a esse tipo de abordagem que institucionaliza o preconceito? Que classifica como estrangeiro (um “estranho”, um “não proprietário do solo”, nas palavras de Georg Simmel), todos os clubes que estão para além da província que a “mídia nacional” se sente parte?

No fim de tudo, era esse o questionamento que eu queria deixar.

Referências

FERNANDES, Hévilla Wanderlley. Não é Apenas um Jogo: a questão meridional no futebol. 2020. Dissertação. Mestrado em Ciência Política – Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, UFPB.

SIMMEL, Georg. O Estrangeiro. Trad. Mauro Guilherme Pinheiro Koury. Revista Brasileira de Sociologia da Emoção, v. 4, n. 12, pp. 265-271, dez. 2005.

Produção audiovisual

Já está no ar o quadragésimo nono episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quadragésimo nono episódio, é o Jornalismo Esportivo na era digital. Com apresentação de Filipe Mostaro e Caroline Rocha, gravamos remotamente com Alexandra Carauta, doutor em Comunicação pela PUC-Rio e especialista em Administração Esportiva pela FGV-RJ.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quadragésimo nono episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Pela Internet 2”, interpretada por Gilberto Gil.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Doutor Castor [série]

The English Game [série]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Caroline Rocha e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Caroline Rocha
Convidado: Alexandre Carauta

Artigos

Paulo André e a polêmica do bolsa atleta 

Paulo André Camilo, jovem de 23 anos, nasceu em Santo André, no ABC Paulista, mas cresceu em Vila Velha, no Espírito Santo. Velocista multipremiado, atleta olímpico, recordista sul-americano sub-18 dos 100m rasos, terceiro homem mais veloz da história do Brasil e campeão no Mundial de Revezamento no 4x100m rasos de 2019.

Fonte: Veja

Embora referência no seu esporte, antes de sua entrada no reality Big Brother Brasil, Paulo André não era um rosto conhecido pelo povo brasileiro. Após aceitar o desafio de ingressar no BBB, o atleta passou a ser citado e muitos dos seus feitos no esporte vieram à tona nas redes sociais – e foram recebidos por muitos com curiosidade e surpresa.

Muitos dos usuários das redes sequer tinham ouvido falar no atleta enquanto outros o conheciam mas não sabiam do seu destaque no atletismo. Atualmente, Paulo é assunto constante, seja por sua atuação no reality, seja por sua aparência ou por notícias relacionadas ao esporte.

Polêmica

Durante a estada na casa, o ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos), questionou a bolsa atleta paga mensalmente ao velocista Paulo André, gerando diversos comentários nas mídias sociais, principalmente no Twitter.

Fonte: Twitter

Na última semana, o Governo Federal suspendeu o pagamento da bolsa ao velocista após entender que, uma vez que o atleta estava confinado, não estava cumprindo o programa anual de treinamento apresentado em janeiro de 2021 para aquele ano.

O que é o bolsa atleta?

Segundo o governo federal, o investimento anual no esporte é de R$ 750 milhões. Esse valor é destinado majoritariamente para atletas olímpicos e paraolímpicos – através da Lei das Loterias, do Bolsa Atleta e Lei de Incentivo ao Esporte.

Dos 302 atletas olímpicos convocados ao Japão, 242 (80%) fazem parte do programa Bolsa Atleta. Ainda assim, 41 fizeram algum tipo de vaquinha (financiamento coletivo) para arrecadar dinheiro. E 33 atletas não se sustentam unicamente com o esporte.

Segundo o site da Caixa Econômica, responsável pelos pagamentos, “o Bolsa-Atleta é um programa do Governo Federal, gerido pelo Ministério da Cidadania, que visa garantir a manutenção pessoal aos atletas de alto rendimento que não têm patrocínio. O programa dá as condições necessárias para que eles se dediquem ao treinamento esportivo e possam participar de competições que permitam o desenvolvimento de suas carreiras”.

O valor do benefício varia entre parcelas de R$370,00/mês (para Atleta Estudantil) e R$ 15.000,00/mês (para Atleta Pódio). Veja a lista abaixo:

Valor do benefício:

Atleta Estudantil: R$ 370,00/mês.

Atleta de Base: R$ 370,00/mês.

Atleta Nacional: R$ 925,00/mês.

Atleta Internacional: R$ 1.850,00/mês.

Atleta Olímpico e Paralímpico: R$ 3.100,00/mês.

Atleta Pódio: até R$ 15.000,00/mês.

E o que isso revela sobre a atual situação do esporte brasileiro?

Como o investimento financeiro em esporte é concentrado nos atletas de alto rendimento, a formação de talentos entre crianças e adolescentes torna-se escassa no Brasil. Esse cenário exibe não só o desperdício do potencial da juventude, mas também a ignorância em não pensar o esporte como fator importante para a geração de empregos.

“O discurso de usar o esporte para tirar a molecada da rua é ultrapassado. A gente precisa pensar no esporte como carreira e profissão. Ele emprega não só o atleta, mas cerca de 30 tipos diferentes de profissionais envolvidos”. (comentou Diogo Silva, ex-atleta olímpico e campeão panamericano no taekwondo, em live sobre iniciativas públicas para formação de atletas)

Fonte: Vírgula

Além de gerador de empregos, o esporte atua como forma de prevenção de doenças – impedindo gastos evitáveis na área da saúde, melhora a concentração, reduz o estresse, estimula o desenvolvimento cognitivo, colabora para socialização e contribui para a formação física e psíquica. 

Referências:

BBB 22: conheça Paulo André, campeão mundial e atleta olímpico | atletismo | ge (globo.com)

CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo

https://www.gov.br/cidadania/pt-br/noticias-e-conteudos/esporte/noticias_esporte/com-mais-de-r-750-milhoes-de-investimento-anual-governo-federal-se-consolida-como-maior-patrocinador-do-olimpismo-no-brasil

Bolsa-Atleta, Apoio aos Atletas de Alto Rendimento (caixa.gov.br)

(1) Novo ciclo olímpico: iniciativas públicas para formação de atletas | Interolímpico – YouTube

Produção audiovisual

Já está no ar o quadragésimo oitavo episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quadragésimo oitavo episódio, o primeiro do ano, é a Copa do Mundo de 1938: football mulato e imaginário nacional. Com apresentação de Leticia Quadros e Christian Domingues, gravamos remotamente com Tiago Maranhão, doutor em História pela Universidade Vanderbilt (EUA) e professor na Universidade de Michigan (EUA), e Ronaldo Helal, professor titular da Faculdade de Comunicação Social da UERJ e coordenador do LEME.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quadragésimo oitavo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Um a zero”, interpretada pelo maestro brasileiro Pixinguinha

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Diamante Negro: biografia de Leônidas da Silva – André Ribeiro [livro]

Apolíneos e Dionisíacos – Tiago Maranhão [artigo]

A invenção do país do futebol – Ronaldo Helal, Antonio Jorge Soares e Hugo Lovisolo

A Copa de 1938 – artistas primitivos – Arlei Damo [artigo]

A vitória do futebol que incorporou a pelada – José Sérgio Leite Lopes [artigo]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Christian Domingues e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Leticia Quadros e Christian Domingues
Convidados: Tiago Maranhão e Ronaldo Helal

Artigos

Atualização sobre o mercado de transmissões de futebol no Brasil

2022 é um ano importante para o próximo ciclo de transmissão de eventos de futebol no Brasil. Libertadores e Sul-Americana começaram a ser negociadas; a Copa do Brasil e a Série C do Campeonato Brasileiro devem ser em breve, por estarem no último ano de contrato; além de as Séries A e B do Campeonato Brasileiro de futebol masculino também poderem ser.

Este texto serve como atualização da minha publicação neste Comunicação e Esporte (SANTOS, 2019a), em que ponderei especialmente sobre as plataformas pagas, algo que tratei naquele momento, para tratar da situação atual para estas disputas.

Fonte: TV História

Mudanças no cenário

Apontei há mais de dois anos a necessidade de aguardar como o mercado iria se estabelecer frente às novas possibilidades de exibição, partindo de análises da economia heterodoxa usadas pela Economia Política da Comunicação brasileira. Claro, não imaginava que uma pandemia iria acelerar certos processos e tornar o mercado de direitos de transmissão mais competitivo.

Na TV aberta, o Grupo Globo precisou se desfazer da transmissão da Libertadores e foi surpreendido com a aquisição pelo SBT para 2020, 2021 e 2022 – que ficou ainda com o ciclo trienal da Liga dos Campeões da Europa (2021-2022 a 2023-2024).

A Record TV adquiriu o Campeonato Carioca para 2021 e 2022, ainda que pagando pouco, mas surpreendeu ao ter o pacote TV aberta do Campeonato Paulista para 2022 a 2025. Enquanto a Band transmitiu a Copa do Mundo de Clubes FIFA 2021, com participação do Palmeiras e recorde de audiência, em fevereiro de 2022.

A “TV fechada” segue com assinaturas minguando, sendo melhor falar de “plataformas pagas de transmissão”. As empresas que atuam no setor, inclusive, passaram a priorizar seus serviços de streaming. O Grupo Disney (canais ESPN + Fox Sports 2) criou o Star+ em 2021, com vários torneios sendo adquiridos para lá. Enquanto a Warner Media criou o HBO Max, com início no Brasil também em 2021, com direitos exclusivos para essa plataforma – e migrando o conteúdo esportivo do Estádio TNT, antigo EI Plus, para lá.

Nos dois casos, representou um foco maior em plataformas ligadas a mais conteúdos, o que pode facilitar procedimentos de assinatura. Ou seja, no caso da Warner Media, não é preciso assinar o Estádio TNT para futebol e outra plataforma para filmes e séries. Também neste sentido que a Sky tem o DirecTVGo e a Claro tem assinaturas à parte para acesso via internet.

Além desses serviços oriundos de conglomerados internacionais históricos para transmissão de audiovisual, importante tratar da mudança de atuação do Facebook (Grupo Meta). Deixou de disputar os direitos de transmissão para ser parceiro de quem desejar usar a plataforma, ou seja, não é mais um agente de mercado relevante.

Em compensação, a Amazon, até pouco tempo um agente extra-mídia, passou a transmitir futebol no Prime Video, estabelecendo para 2022 uma parceria de sublicenciamento com o Grupo Globo para exibir a Copa do Brasil. Também plataforma da empresa, a Twitch vem sendo usada como plataforma para transmissão de influenciadores digitais de torneios como o Campeonato Carioca de 2022.

Ao mesmo tempo, o YouTube atua como parceiro e alguém que adquire direitos pontuais, sem entrar em grandes disputas. E um conjunto de outras plataformas como TV NSports, One Football e Eleven (antigo My Cujoo) atuam no que sobra de conteúdo, com a DAZN mantendo apenas aqueles conteúdos com contrato vigente para exibição no Brasil.

Assim, o cenário de disputas pode aparecer com três agentes dispostos a gastar em alguns direitos na TV aberta, Globo, Record e SBT; com a Band de olho em conteúdos que podem sobrar para apostas pontuais (como foi com o Mundial de Clubes e a Fórmula 1). Enquanto nas plataformas pagas, Disney e Warner Media vêm disputando tudo, com vitórias dos dois lados; mas com a Amazon devendo ser mais uma.

Fonte: print do Prime Video

Libertadores como referência

A CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol), a partir da agência FC Diez, iniciou semanas atrás o processo para venda dos direitos de transmissão de seus torneios a partir de 2023. Espera-se uma competição dura pelos direitos com o cenário que apontamos para a disputa.

Dentre as novidades, há duas sinalizações: primeira opção de transmissão ser de plataformas pagas para metade dos jogos da primeira fase e a possibilidade de um mesmo agente adquirir direitos de exclusividade, ou seja, os dois pacotes em negociação (transmissão gratuita e paga) – ver Beting (2022) e Simon (2022).

Assim, a FC Diez aposta na disputa das plataformas pagas para ganhar mais no mercado brasileiro, que é responsável por mais da metade das receitas da entidade (BETING, 2022). Isso se justificaria porque não se espera um valor maior do que era pago pela Globo até romper o contrato em 2020, crescendo nos valores de transmissões pagas.

Se apontamos anos atrás os problemas da transmissão de quase todos os torneios mais importantes por apenas uma emissora na TV aberta (SANTOS, 2019b), que tinha muito controle sobre jogos a serem exibidos e no próprio formato disso, uma exclusividade de transmissão para plataforma paga pode ampliar problemas.

Primeiro que a escolha da Conmebol TV (pay-per-view disponível apenas em Claro, Sky e DirectvGo) praticamente fez sumir a Copa Sul-Americana nos últimos anos. A TV aberta é uma plataforma fundamental para transmissão de esporte no Brasil, como mostra o sucesso da escolha da Fórmula 1 pela Band mesmo com a ativação da F1TV no país em 2021.

Além disso, é preocupante para o público, considerando ser um torneio relevante no mercado local, que muitas pessoas buscam acompanhar ao vivo. Tratei dessa preocupação no texto anterior aqui no site: “A maior ‘oferta’ de canais para acompanhar futebol faz com que o torcedor tenha que ser assinante de diversas plataformas, o que, na soma, pode dar mais que o pacote básico da TV fechada” (SANTOS, 2019a).

Se os problemas econômicos acentuados pela pandemia afetaram grupos midiáticos, imagina a população brasileira, com alto índice de desemprego e sob efeito da consequência de reformas legais que flexibilizaram direitos trabalhistas.

Essa preocupação está no que apresentei na minha tese de doutorado, defendida em novembro de 2021 (SANTOS, 2021). É necessário garantir que partidas de interesse social relevante tenham acesso gratuito pela TV aberta, considerando os problemas de acesso à internet banda larga de qualidade e ao atraso desse tipo de transmissão.

Referências

BETING, Erick. Venda de Libertadores e Sul-Americana será definida no dia 4 de abril. Máquina do Esporte, São Paulo, 14 fev. 2022. Disponível em: https://maquinadoesporte.com.br/futebol/venda-de-libertadores-e-sul-americana-sera-definida-dia-4-de-abril. Acesso em: 19 fev. 2022.

SANTOS, Anderson David Gomes dos Santos. Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Curitiba: Appris, 2019. 2019b

SANTOS, Anderson David Gomes dos Santos. Um modelo para regulação dos direitos de transmissão de futebol. 2021. 461 f. Tese (Doutorado em Comunicação) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade de Brasília, Brasília, 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/356969776_Um_modelo_para_regulacao_dos_direitos_de_transmissao_de_futebol. Acesso em: 19 fev. 2022.

SANTOS, Anderson. Qual o estágio das transmissões de futebol no Brasil? Comunicação e Esporte, Rio de Janeiro, 17 out. 2019. Disponível em: https://comunicacaoeesporte.com/2019/10/17/qual-o-estagio-das-transmissoes-de-futebol-no-brasil/. Acesso em: 19 fev. 2022. 2019a.

SIMON, Allan. CONMEBOL define PACOTES da LIBERTADORES. Sem TV? + TRANSMISSÕES DA RODADA. Blog do Allan Simon, 11 fev. 2022. Disponível em: https://youtu.be/PMbbgPMG1ec. Acesso em: 19 fev. 2022.

Artigos

LEME divulga: Museu do Futebol abre edital para seleção de pesquisadores e pesquisadoras do futebol de mulheres

Reprodução: Museu do Futebol

O Museu do Futebol, em parceria com o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB) e o IDBrasil, abre edital de seleção para jovens pesquisadores(as). Serão duas vagas de bolsista pesquisador(a) neste ano de 2022. Com esta iniciativa, as instituições pretendem incentivar o desenvolvimento de pesquisas acerca da modalidade feminina de futebol e todos os desafios englobados nesta realidade. 

Serão selecionados(as) candidatos(as) recém-formados(as) e/ou pós-graduandos(as). A vigência da bolsa será de oito meses (de abril a novembro) com um valor de R$1680,00 mensal. Interessados(as) deverão enviar um e-mail para o Museu demonstrando intenção na vaga e anexando os documentos solicitados pelas instituições. 

Para saber mais sobre a vaga e o processo seletivo, clique aqui.