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Quem venceu as invencíveis do Esporte Clube Radar?

Estamos em época de decisão do Campeonato Brasileiro de futebol feminino (Corinthians e Internacional se enfrentam na final) e, mais uma vez, haverá bons debates sobre o desenvolvimento profissional dessa prática esportiva no país. Quanto o futebol feminino brasileiro já avançou? Em que velocidade pode, realmente, continuar avançando? O quanto a CBF deve ajudar?

Nesses debates, inevitavelmente fala-se no que já foi feito, ou seja, comentam-se os êxitos do passado. E logo surge a lembrança do Esporte Clube Radar, o time que foi um fenômeno do futebol feminino brasileiro na década de 1980.

Mas já se falou muito sobre a hegemonia quase absoluta do Radar naquela época. Vamos variar um pouco, então. Falemos daqueles que desafiaram aquela hegemonia e ousaram vencer o time que foi hexacampeão brasileiro de 1983 a 1988.

O Radar nunca foi derrotado?

“O Radar jamais perdeu uma partida”. Essa é a lenda que consagra a imagem do time imbatível. No filme-documentário sobre a equipe (“Radar! Um time! Uma Nação!”, direção de Douglas Lima e Jefferson Rodrigues), é dita uma frase com esse tom de invencibilidade: “Que eu me lembre, no Radar, nós nunca perdemos um jogo”.

Mas está registrado: o Radar foi derrotado, sim. Poucas vezes, mas foi.

O Radar foi derrotado duas vezes?

Na internet, é comum ler que o Radar foi derrotado apenas duas vezes. Alguns sites, porém, corrigem essa informação: foram duas derrotas nas 71 partidas internacionais, não no total de partidas disputadas pela equipe.

As duas derrotas internacionais foram sofridas diante de equipes dos Estados Unidos. A primeira foi no ano de 1985, em um “Mundialito” disputado na cidade de Cabo Frio (Rio de Janeiro). O Radar, representando o Brasil, foi derrotado por uma equipe chamada Ajax Soccer Club (da Califórnia), que representava os Estados Unidos. O resultado foi 1 a 0.

A segunda derrota, em 1986, aconteceu em outro “Mundialito”, disputado na Itália. Dessa vez, não houve uma equipe representando os Estados Unidos. A própria seleção norte-americana disputou o torneio e venceu o Radar (que novamente representava o Brasil) pelo placar de 2 a 1.

Atletas do Ajax Soccer Clube, que venceu o Radar no Mundialito de 1985, em Cabo Frio (Revista Placar, 22/02/1985)

O Radar foi derrotado quatro vezes? Ou cinco?

Em 1996 (sete anos depois do Radar encerrar suas atividades), uma reportagem da revista Placar informou que a equipe havia sofrido, ao todo, “apenas quatro derrotas em trezentas partidas disputadas” (edição 1119). Então, seriam as duas derrotas internacionais já citadas e outras duas contra equipes brasileiras. A própria revista Placar, em outra edição (n. 767), já havia informado quais eram essas equipes: o Bangu e a seleção do Pará.

Acontece que a mesma revista Placar também já citou cinco derrotas do Radar, não quatro. Essa informação está na edição 848, de agosto de 1986. Pode ter sido um equívoco da revista. Ou há uma quinta derrota desconhecida do Radar em sua vitoriosa história?

Problema grave para quem quer pesquisar esse assunto é a falta de fontes. Os feitos do Radar foram muito mal registrados. O clube foi hexacampeão brasileiro, mas sua história não está assentada nos arquivos da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, da CBF e de várias outras instituições. Não se sabe com exatidão se o Radar foi derrotado quatro, cinco ou quantas vezes mais. É nesse ambiente nublado pela inexatidão que surge a versão lendária do “time que nunca perdeu” ou que perdeu apenas duas vezes. Versão repetida várias vezes e, naturalmente, absorvida por parte da imprensa e pela internet, mesmo que as escassas fontes existentes a contrariem.

Sobre a derrota do Radar diante da seleção do Pará, quase nada se sabe. Poderia (ou deveria) ser louvada pelos futebolistas paraenses como uma das vitórias mais gloriosas do futebol de seu Estado, mas o feito, lamentavelmente, caiu em esquecimento.

Já a derrota diante do Bangu foi muito melhor registrada. 

Bangu x Radar em 1983

Em 1983, o futebol feminino foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Desportos (CND). Antes, era uma prática formalmente ilegal. Depois da regulamentação, surgiu uma onda de interesse e entusiasmo. No mesmo ano, foi realizada a primeira Taça Brasil de futebol feminino e, em seguida, o primeiro campeonato carioca. A imprensa, animada, noticiou bastante.

Na Taça Brasil, o Radar foi campeão com certa facilidade. Disputou apenas duas partidas e não levou nenhum gol. Na decisão, venceu por 5 a 0 a equipe do Ponto Frio, de Goiás (uma partida que terminou em pancadaria e expulsão de todas as jogadoras da equipe goiana). No campeonato carioca, foi diferente: o bicheiro Castor de Andrade, patrono do Bangu Atlético Clube, decidiu montar um time capaz de se impor perante o Radar. A competição, com duas equipes fortes, tornou-se interessante.

O Radar, invicto, foi o campeão do primeiro turno. Continuou invicto no segundo turno, mas empatou com seus adversários em quatro partidas e o campeão foi o Bangu, que venceu mais e somou mais pontos.

Assim seria a decisão: o campeão do primeiro turno contra o campeão do segundo, em melhor-de-três. Na primeira das três partidas decisivas, o Bangu venceu por 1 a 0. Segundo o Jornal dos Sports, aquela foi a primeira derrota sofrida pelo Radar desde a sua fundação. Castor de Andrade, certamente, se orgulhou muito pela vitória do seu clube. Mas o título de campeão carioca feminino ficou com o Radar, que venceu a segunda partida por 1 a 0 e a terceira por 3 a 0. 

Para piorar, a disputa entre Bangu e Radar que se tornou mais conhecida em 1983 não foi nenhuma das três partidas decisivas do campeonato carioca. Foi a que decidiu o primeiro turno, semanas antes. Terminou com uma invasão de campo e perseguição feroz ao árbitro Ricardo Durans. Os perseguidores eram todos ligados ao Bangu. Até Castor de Andrade correu atrás de Durans, que foi agredido e quase terminou linchado. No dia seguinte, o acontecimento foi comentado nos jornais, rádios e TVs de todo o país. O Bangu não foi campeão e ainda ficou mal falado.

Ficou mal falado, mas entrou na galeria heroica dos poucos times femininos que conseguiram vencer o Radar.

Se o Radar ostentava com orgulho a imagem de time imbatível, imagine o quanto podem se orgulhar aqueles que, desafiando a lógica, venceram o time invencível.

Perseguição ao árbitro Ricardo Durans (Jornal dos Sports, 13/10/1983)
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Futebol: do patrocínio na camisa à era digital

O futebol parece estar finalmente aflorando para o mercado digital. Desde quando o Flamengo, em 2008, foi o primeiro clube a investir num canal do Youtube para cá, o que parecia ser visionário é quase que quesito obrigatório. Além dos perfis nas redes sociais, a criação das TVs de clubes tem sido uma realidade. O que ainda não está bem claro é como monetizar, ou seja, como fazer com que as redes sociais e os canais no Youtube sejam parte importante do planejamento orçamentário dos clubes. Pensando nisso, entrevistei dois ex-vice presidentes de Marketing de Flamengo e Vasco, Daniel Orlean e Bruno Maia, respectivamente.

Quando falamos da mídia digital, temos a questão da valoração. Tratando-se de uma mídia tangível, como, por exemplo, os patrocínios em uniformes, chegar ao resultado da equação valor + preço parece mais fácil. Mas quando pensamos no digital, ainda há muito o que se estudar, como aponta Bruno Maia:

Falando de maneira geral, um veículo – qualquer que seja ele, blog, TV – para gerar receita é um projeto de médio prazo, precisa gerar audiência e relevância e gestão do contato com a sua audiência. A VascoTV agora passou a ter uma plataforma própria e ela também funciona muito no Youtube, o que limita muito. Óbvio que se consegue algo com anúncio, mas parte da receita fica no Youtube. No começo é bom porque o Youtube já tem toda a estrutura e seria um alto investimento para o clube. Por exemplo, o patrocínio de camisas do clube que leva x minutos da Vasco TV, isso é ruim. A gente precisa fazer uma valoração do quanto vale aquele minuto. Tratar como complemento para vender uma mídia principal. O ideal seria saber qual o valor mensurável disso para realmente vender um pacote.

Fazendo um paralelo com a declaração de Bruno e com o que explica De Marchi (2018), os clubes entraram na lógica dos derivativos. Como ressalta o autor, as transações virtuais acontecem graças ao algoritmo, que é um conjunto de regras que fornecem resultado específico a partir de fórmulas matemáticas e dividem as informações em distintos fragmentos ou atributos, desenhando cenários possíveis. Desta forma, as plataformas digitais têm se valido das técnicas do mercado de derivativos.

De forma geral, programam-se algoritmos proprietários (de código fechado) para que fragmentem um ativo subjacente em diferentes atributos, utilizando parâmetros que lhes permitem tornar comparáveis entidades aparentemente incompatíveis. Em seguida, recompõem-se tais atributos num composto derivado, uma unidade informacional abstrata. Tal como ocorre no mercado de arbitragem, a este produto atribui-se algum valor monetário, a partir do qual outros compostos serão avaliados em seu valor intrínseco. Assim, uma ampla gama de práticas sociais se torna passível de codificação, pois são padronizadas e intercambiáveis (DE MARCHI, 2018, p. 204).

Transportando essa lógica para o futebol, se você segue um clube na rede social, por exemplo, podem aparecer anúncios de produtos deste mesmo clube em outras plataformas na rede. É como se você deixasse as suas pegadas e fosse construindo um caminho a ser seguido pelas empresas de materiais esportivos ou até mesmo pelo próprio clube. A partir dos seus dados, o conteúdo vai sendo retroalimentado. Desta forma, como nos conta Orlean, há a possibilidade de chegar ao público digital de maneira mais precisa:

Eu consigo dizer: eu quero atingir as mulheres de 25 a 35 anos, com este produto, os homens de 18 a 25 com este produto. Ou seja, trabalhar a informação digital dos meus torcedores. De maneira macro, eu não sei quem são os 40 milhões de torcedores, mas no digital, mesmo sendo, vamos supor, 6 milhões, eu consigo ter mais informações sobre ele. Já o esporte eletrônico, ele nasce digital, com target, eu sei quem é cada pessoa que está assistindo aquela partida porque ela assiste pela Twitch TV, comenta durante o jogo. O esporte eletrônico já veio com este modelo e fomos tentando adaptar ao futebol tradicional. Sair da visão de broadcasting, de transmitir para todo mundo e não sei para quem, para uma visão mais individualizada, mais digitalizada, e aí a gente consegue rentabilizar de várias formas. Eu rentabilizo porque posiciono a marca digitalmente, rentabilizo porque eu converto clientes de forma muito mais específica, rentabilizo porque eu consigo licenciar aquele conteúdo de várias formas diferentes, rentabilizo porque a própria plataforma me paga, seja o Youtube, seja o Twitch TV. 

Desta forma, ocorre uma segmentação de público-alvo e este público, digital, pode gerar também patrocinadores que estão nesta ambiência. É o caso do Vasco, que fechou parceria com a plataforma de apostas NetBet e com o banco digital da BMG, como conta Maia: “O Vasco foi o primeiro clube a ter um site de apostas como patrocinador. Parceiros com natureza mais digital acabam valorizando e tendo mais percepção da importância das mídias digitais”.

Já o Flamengo fechou, em abril de 2021, contrato com a empresa Mercado Livre: 30 milhões por 18 meses, ou seja, 1,5 milhão por mês[1]. No mesmo mês, o clube fez parceria pontual com a Amazon Prime Vídeo, para a partida final da SuperCopa[2], o que pode ainda se tornar, no futuro, uma parceria efetiva, apesar do fechamento do contrato com o Mercado Livre que, de certa forma, é concorrente em alguns segmentos de mercado da Amazon. Maia analisa o potencial dessa parceria:

Em relação ao patrocínio do Flamengo com a Amazon, eu acho promissora por um lado e problemática por outro. Uma empresa que trabalha com dados como a Amazon é bem vista no futebol. A maior marca de fãs do Brasil unida com a maior marca do mundo de tratamento de dados é lógico que você está falando de uma coisa com potencial absurdo. Mas você tem dezenas de complexidades que vão desde cultura de empresa, modelos estruturais de negócios, de cada um destes stakeholders, é uma empresa na bolsa de valores, uma das maiores do mundo e a outra é uma empresa política, que os acionistas são sócios estatutários, o presidente eleito a cada três anos. Você tem uma série de desafios a estruturar uma parceria como essa. É um terreno quase virgem no futebol brasileiro a exploração de dados em favor do negócio. É uma promessa grande em se tratando de teoria, mas não é simples.

Maia aponta ainda que o mercado do futebol no Brasil ainda é muito tradicional:

O futebol circula com patrocinadores que também têm uma visão que combina com a visão velha do futebol. Então é muito comum como passamos anos apresentando o digital como algo complementar à mídia principal, os próprios patrocinadores tinham pouco interesse sobre essas informações. Você lida com marcas menores no futebol brasileiro. No tempo que eu estive, nenhuma das 40 maiores empresas do país estava no futebol brasileiro. E eles usam atalho pra falar com o público pela televisão. Até as empresas digitais a gente tinha que mostrar os dados. Quanto mais digital o futebol for e tiver mais cases, ele vai conseguir atrair estes patrocinadores. 

Sendo assim, podemos dizer que a presença dos clubes na ambiência digital ainda encontra entraves na própria maneira de pensar o mercado de divulgação de produtos e serviços. Podemos inferir que, a partir do momento que os patrocinadores perceberem que podem obter lucros por meio da financeirização da vida cotidiana do próprio torcedor, ou seja, observarem que os hábitos cotidianos deles na rede são informações valiosas, mais contratos serão fechados. 

Seguindo esta tendência, tem sido comum os clubes criarem produtos para suas TVs próprias, com conteúdo específico. O Flamengo lançou, em 2021, um pacote de pay-per-view do Campeonato Carioca. Segundo o site do clube, os torcedores teriam: “uma cobertura muito ampla do pré e do pós-jogo e a narração totalmente rubro-negra dos jogos do Mengão[3]”. Além da cobertura pela FlaTV, alguns jogos também foram transmitidos pela TV Record. Ou seja, os clubes perdem em receita para a TV, porque não dão exclusividade a ela, mas podem transmitir as partidas buscando patrocinadores específicos, gerenciando os seus próprios dados. Foi a primeira vez que o Campeonato Carioca foi rentabilizado de forma digital, em multiplataformas. Orlean aponta que o ideal é justamente o modelo conteúdo exclusivo + transmissão na TV aberta: 

Fonte: Olhar digital.

É uma tendência ter estes canais mais exclusivos. Mas exclusivos não tem que ser elitista. Não precisa não passar na TV aberta. Pode passar também na aberta e ter uma venda de transmissão com uma pegada mais exclusiva, com um conteúdo mais exclusivo. Porque o Flamengo cresceu muito sendo popular, se você passa a transmitir somente via streaming para pouquíssimas pessoas, você começa a perder a essência popular que o clube tinha e começa a perder em outras frentes, vai vender menos camisa, vai vender menos ingresso quando voltar, vai ter menos sócio torcedor. Não podemos ir num caminho de elitizar. Tem rubro-negro que não tem 35 reais de sócio torcedor, mas o que tem, muitas vezes não têm uma internet boa o suficiente para essas transmissões. 

A fala do ex-dirigente vai ao encontro do que diz Schradie (2017) ao apontar que as formas democráticas de participação na internet não foram confirmadas, pois a filosofia igualitária da rede se choca com as desigualdades de classe social, em uma economia de livre mercado.

Ainda assim, se pensarmos que a probabilidade é de que o acesso à internet aumente, como tem crescido nos últimos anos e que há a possibilidade de quem ganha mais, acessar mais, este mercado é um grande potencial para os clubes, como diz Maia:

A plataforma nunca cria torcedor. O que ela faz é moldar o tipo de consumo.  A TV estimula você a torcer e os streamings fazem isso também. Nos estimulam para vender o que tem de tecnologia e de escala. O futebol está descobrindo um tamanho que ele não imaginava, precisa se entender. A gente consome futebol da mesma maneira que consome uma música instrumental em Botsuana. Agora o que é hegemônico é fragmentado. As plataformas contribuem para o que todas as mídias já contribuíram, para o que é característico de nossa espécie: a contação de história, a capacidade de emocionar. Os formatos que queiram fazer, a gente vai continuar vendo futebol, provocação, rivalidade, aquilo que transcenda a nossa vida em 90 minutos. Quanto mais ferramentas e linguagens as plataformas digitais criarem para estimular este tipo de coisa, que é humano, que é a mesma coisa que o cinema estimula, que os e-sports estimulam, que a música, que a moda, religião estimulam, essa transcendência, sensação de conseguir se superar, é com as características das próprias plataformas, com o que elas tiverem, e que case com isso, o esporte vai usar bem.

Partindo dessa lógica defendida por Maia, o próprio Vasco, em março, realizou parceria com a empresa MetaSoccer, além do patrocínio no short, os torcedores poderão criar seu próprio clube e gerar renda, nesta plataforma que é a primeira com jogo de futebol dentro do metaverso. Isto faz parte do projeto que o clube tem para a esfera digital, neste novo contexto, enquanto espera a formalização da venda de 70% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para o fundo de investimentos 777 Partners. Ou seja, muitas ainda são as possibilidades desconhecidas do universo digital.

BIBLIOGRAFIA

BETING, Erich. |Exclusivo: Vasco lança relatório digital de olho em venda para 777 Partners. Disponível em https://maquinadoesporte.com.br/futebol/exclusivo-vasco-lanca-relatorio-digital-de-olho-em-venda-para-777-partners/. Acesso em 04 maio. 2022.

BURLÁ, Leo. Flamengo terá patrocínio do Amazon Prime Video na final da Supercopa, Uol, 9 abr. 2021. Mais informações em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/09/flamengo-tera-patrocinio-da-amazon-na-final-da-supercopa.htm. Acesso em 17 mai. 2021.

DE MARCHI, Leonardo. Como os algoritmos do Youtube calculam valor? Uma análise da produção de valor para vídeos digitais de música através da lógica social de derivativo. Matrizes, v 12, nº2, maio/ ago. 2018, São Paulo, Brasil, pp.193-215.

EXTRA. Flamengo é o primeiro clube brasileiro a ter canal oficial no Youtube. Disponível em: https://extra.globo.com/esporte/flamengo-o-primeiro-clube-brasileiro-ter-canal-oficial-no-youtube-551770.html. Acesso em 28 jul.2022.

FLAMENGO. Mais informações disponíveis em https://www.flamengo.com.br/noticias/institucional/flamengo-lanca-pay-per-view-para-transmissao-do-carioca-2021-em-plataforma-propria-de-streaming. Acesso em 17 maio 2021.

IBOPE REPUCOM. Ranking digital dos clubes brasileiros. Maio de 2021. Disponível em https://www.iboperepucom.com/br/rankings/. Acesso em 9 mai. 2021.

LANCE. MyCujoo vai reembolsar torcedores do Flamengo; saiba como, 5 jul. 2020. Mais informações disponíveis em https://www.lance.com.br/flamengo/mycujoo-reembolsara-torcedores-saiba-como.html. Acesso em 17 maio. 2021.

MATTOS, RODRIGO. Flamengo fecha com Mercado Livre após negociar com concorrente Amazon, Uol, 27 abr. 2021. Mais informações disponíveis em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2021/04/27/flamengo-fecha-com-mercado-livre-apos-negociar-com-concorrente-amazon.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em 17 mai. 2021.

MOROZOV, Evgeny. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Ubu, 2018.

SCHRADIE, Jen. Ideologia do Vale do Silício e desigualdade de classe: um imposto virtual em relação à política digital. Parágrafo, jan / jun 2017, v 5, nº1, São Paulo, 2017.

TIC DOMICÍLIOS, maio de 2021. Disponível em https://cetic.br/pt/tics/domicilios/2019/domicilios/A4/. Acesso em 17 mai. 2021.

VASCO. Vasco e MetaSoccer iniciam parceria de patrocínio e licenciamento. Disponível em https://vasco.com.br/vasco-e-metasoccer-iniciam-parceria-de-patrocinio-e-licenciamento/. Acesso em 04 ago. 2022.


[1] Mais informações disponíveis em < https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2021/04/27/flamengo-fecha-com-mercado-livre-apos-negociar-com-concorrente-amazon.htm?cmpid=copiaecola>. Acesso em 17 mai. 2021.

[2] Mais informações em < https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/09/flamengo-tera-patrocinio-da-amazon-na-final-da-supercopa.htm>. Acesso em 17 mai. 2021.

[3] Mais informações disponíveis em < https://www.flamengo.com.br/noticias/institucional/flamengo-lanca-pay-per-view-para-transmissao-do-carioca-2021-em-plataforma-propria-de-streaming>. Acesso em 17 maio 2021.

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E torcedor entende de futebol?

A pergunta provocativa surge a propósito do antagonismo, aparentemente cada vez mais crescente, entre as expectativas de torcedores dos mais variados times e os diagnósticos de treinadores e do jornalismo esportivo. Não é incomum que vaias ou críticas nos estádios e nas redes sociais sejam apontadas por jornalistas esportivos como fruto do “imediatismo do torcedor” e sejam seguidas de conclamações, como a de que é “preciso dar tempo para o treinador mostrar os frutos do seu trabalho”. 

Embora o resultado dessa tensão pareça soar um tanto esquizofrênico – se só um time pode ser campeão e, se para um time vencer, o outro tem de perder, a conta não tem como fechar – é possível, no entanto, admitir que determinadas reclamações dos torcedores são críveis e portadoras de alguma consistência. Apesar de, teoricamente, um trabalho de médio e longo prazo ter mais chances de mostrar resultados, essa não é uma tese que independa da qualidade do treinador contratado. 

Afinal, como ensina um antigo ditado do mercado publicitário a melhor forma de destruir um produto ruim é expô-lo ao máximo. Ou seja, o torcedor não precisa esperar ver o seu time sofrer por cinco rodadas para ter a convicção – com grande margem de acerto – de que um determinado técnico não tem condições de produzir resultados. Um exemplo emblemático foi a apresentação de Waldemar Oliveira como treinador do Flamengo, em outubro de 2003. 

Uma rápida busca no Google por “O novo técnico do Flamengo é o senhor Waldemar”, pronunciada pelo então diretor de Futebol do clube, Eduardo Moraes, confirma que a reação da torcida rubro-negra ao anúncio virou um dos memes mais longevos do futebol. No entanto, para além do folclore, o tempo confirmou que os torcedores tinham razão para recusarem a contratação. Waldemar foi demitido, em dezembro daquele mesmo ano, após dirigir o time por apenas 11 partidas. O breve desfecho mostrou que os torcedores não precisavam esperar dois meses para formar seu juízo sobre a inconveniência da contratação, contrariando os tradicionais pedidos do jornalismo esportivo por mais tempo para os treinadores desenvolverem seu trabalho.

Fonte: Lei em Campo.

O mesmo feeling torcedor vale para determinadas contratações apresentadas como reforços que “precisam de tempo para mostrarem seu futebol”. Com poucas exceções que servem para reforçar a regra, muitos desses “reforços” costumam ser recebidos com desconfiança que, não raro, se confirma. Obviamente, que todas as torcidas erram, e muito, como confirma a perseguição de torcedores do São Paulo ao então jovem Kaká, cujo desempenho oscilava enquanto maturava o desenvolvimento do talento que viria a exibir na Europa, onde recebeu o prêmio de melhor jogador da temporada, que o forte marketing europeu promoveu a “Melhor jogador do mundo”. 

No entanto, embora possa errar e, eventualmente, não entender de meandros da técnica, o torcedor tem uma espécie de sentimento de que as coisas não vão dar certo, seja numa partida ou numa competição. Tal sentimento parece vir da experiência empírica forjada no acompanhamento do mesmo clube temporada após temporada, jornada que, não rara, começa na infância e vai sendo maturada, mas não desidratada com o passar dos anos.

Além disso, ele tem vantagens comparativas simbólicas e concretas sobre o jornalismo esportivo e, eventualmente, até sobre o treinador do momento: conhece a história do clube e segue de perto seus jogadores. O técnico, embora por obrigação profissional deva estudar o maior número de times, seja por ser um adversário, seja por ser um potencial futuro empregador, nem sempre tem a mesma compreensão do ethos do clube, não raro, tão ou mais decisivo para o desenvolvimento do trabalho do que seus méritos táticos, como comprovam declarações vistas como depreciativas pelos torcedores, principalmente quando envolvem comparações com os rivais que estes julgam desfavoráveis. 

Já o jornalismo esportivo se limita a acompanhar um número reduzido de clubes, basicamente os três grandes da capital de São Paulo e o Flamengo, no Rio, com acréscimos residuais de intrusos que se apresentem numa fase excepcional, situação que não afeta o espaço destinado aos quatro eleitos. 

Tais escolhas podem ser conferidas, tanto nos espaços extremamente assimétricos destinados nas mesas redondas ao quarteto num Campeonato Brasileiro com 20 clubes, dos quais, ao menos 12 tradicionais nacionalmente, quanto em comentários aleatórios nas transmissões de partidas de times fora do quarteto. Assim, vemos comentaristas, como Roger Flores, pedindo, para surpresa e revolta dos alvinegros que, num jogo da segunda divisão do ano passado em que o Botafogo lutava, no fim de uma partida, para conter o ímpeto do adversário para manter o resultado positivo , a entrada do He Man, que, próximo da aposentadoria, trotava em campo.

As percepções, cada vez mais divorciadas, entre jornalismo esportivo e torcedores são alimentadas, ainda, pelo fato de as ponderações para que os segundos reduzam suas expectativas de curto prazo sofram modulações diferentes quando a mesma questão apresenta-se em relação a outros times, em geral superestimados, tanto por seus torcedores, quanto por jornalistas.

A interseção do clubismo entre pontas que, oficialmente, se apresentam de lugares de fala diferentes, porém, está cada vez mais exposta na era da polifonia palavrosa e prolixa das mídias digitais. E também ajuda a explicar, ao menos parcialmente, o processo de erosão da credibilidade do jornalismo esportivo, que, durante muito tempo, foi reconhecido como autoridade sênior na matéria. Embora, por tratar-se de universo catártico como o futebol, tal poder sempre tenha sido passível de questionamentos, parece indiscutível que gozava de reconhecimento bem superior ao do que, ainda, lhe resta na era das mídias sociais.

O crescimento dos questionamentos à isenção dos profissionais desse campo contribui para o aumento das fricções quando se trata de analisar a expectativa dos torcedores em relação à performance dos seus times. Tem-se o choque entre torcidas (quase) permanentemente insatisfeitas com suas equipes e os pedidos de “moderação” e “paciência” de jornalistas esportivos, que, no entanto, não estendem tais conclamações aos torcedores de determinados clubes, percebidos pelos demais como favorecidos pela cobertura da imprensa.

É preciso, ainda, reconhecer que, enquanto tenha aparecido aqui como sujeito único, o torcedor ou a torcida deve ser visto como ente plural que engloba uma polissemia de fatores constitutivos do futebol, como idiossincrasias em relação a determinados jogadores, análise do nível dos adversários, maior ou menor tolerância a críticas ao seu time. No entanto, mesmo com a ressalva de que não deve ser considerado um ser monolítico nem muito menos infalível, o torcedor também tem as suas razões e, por vezes, mostra um número de acertos nas suas críticas superior ao dos movimentos prospectivos do jornalismo esportivo, principalmente quando este acompanha aquele clube apenas de forma panorâmica e/ou bissexta.

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O sucesso dos Clubes brasileiros na Libertadores para além do fator econômico.

Na última semana, o jornal Clarín, principal periódico argentino, suscitou o debate sobre a predominância cada vez maior dos clubes brasileiros na Copa Libertadores da América. Tal discussão também fora realizada anteriormente por analistas brasileiros e por diversos produtos de entretenimento esportivo nas televisões e rádios. 

As avaliações no Brasil, normalmente habitam dentro de um consenso de que o destaque das equipes do nosso país é, atualmente, maior do que eram nas últimas décadas. Diante do exposto, justificam que a principal razão para isso, deve-se ao poderio econômico dos clubes brasileiros frente aos rivais sul-americanos, cada vez mais fragilizados pelo valor do câmbio e do desenvolvimento econômico frente ao Brasil.

Ao analisar os dados sobre a Copa Libertadores da América deste século, ou seja, de 2001 até a atualidade, e os contextos político-esportivos do continente, podemos concluir que tais afirmações não conseguem captar por completo o fenômeno de ascensão dos clubes brasileiros ao posto de hegemônicos no continente.

O primeiro ponto a ser desconstruído é aquele sobre um destaque apenas recente das equipes brasileiras na Copa Libertadores. Neste século, das vinte e uma edições realizadas, os brasileiros estiveram em dezesseis finais, sendo que, em quatro dessas, fizeram uma final brasileira, respectivamente em 2005, 2006, 2020 e 2021. Os clubes brasileiros estiveram fora das finais apenas em 2001 (Boca Jrs X Cruz Azul); 2014 (San Lorenzo X Nacional); 2015 (River Plate X Tigres); 2016 (Atlético Nacional X Ind. Del Valle) e 2018 (Boca Jrs X River Plate). Isso significa que em 77% das finais deste século, os clubes brasileiros estiveram presentes e saíram vitoriosos em onze decisões, perfazendo 53% das edições do século vinte e um.

Fonte: Placar.

Posta essa questão, deveríamos dizer que o destaque dos clubes brasileiros, pelo menos nos últimos vinte e um anos sempre esteve presente, mas agora verificamos um aprofundamento do processo, rumo a uma hegemonia brasileira dentro da Copa Libertadores da América.

No século vinte e um, o Brasil possui destaque e protagonismo na Copa Libertadores da América com a disputa de seguidas finais, mas, normalmente, os clubes que alcançaram as decisões faziam campanhas solitárias, em que somente eles chegavam às fases mais agudas como representantes brasileiros. 

Entre 2001 e 2016, a quantidade de clubes brasileiros que alcançaram as quartas de final oscilaram entre dois e três participantes em catorze oportunidades, sendo a exceção as edições de 2012, 2010 e 2009 quando quatro representantes ocuparam as oito vagas possíveis da competição naquele momento. Cabe ressaltar, que, nesse mesmo período, a presença de clubes de diferentes países da América latina era muito mais acentuada. Verifica-se a partir de 2016, uma concentração das vagas entre os clubes brasileiros e argentinos com a tentativa de alternados clubes paraguaios, uruguaios, equatorianos e colombianos de transpor esse cenário.

A resposta, dada por muitos analistas esportivos, reside no argumento econômico do investimento acelerado e crescente feito pelos clubes brasileiros na última década. Tal argumento se baseia no aumento da arrecadação dos clubes, nos investimentos em estrutura e na contratação de jogadores destacados na América do Sul, bem como no repatriamento de atletas da Europa na liga brasileira. 

O argumento econômico é valido, mas não ajuda a explicar totalmente o avanço do processo hegemônico dos clubes brasileiros na Copa Libertadores da América. Durante o século vinte e um foram diversos os casos de clubes brasileiros que, com orçamento e estrutura muito superiores aos seus adversários sul-americanos, se viram eliminados de forma surpreendente na competição. 

Entre os casos mais emblemáticos temos as eliminações do Corinthians para o Tolima na pré-libertadores de 2011, a do Flamengo para o Racing nas oitavas de 2020, a do Corinthians para o Guaraní do Paraguai nas oitavas de 2015, a do Atlético Mineiro para o Jorge Wilstermann da Bolívia em 2017 e a do São Paulo para o Talleres na pré-libertadores de 2019. Os elementos comuns entre todas elas foram a diferença dos elencos e os investimentos realizados pelos clubes brasileiros e seus adversários.

Caso o argumento exclusivamente econômico se sustentasse, essas eliminações seriam exceções na história da Copa Libertadores neste século. Contudo, os exemplos florescem em quantidade e frequência. É importante salientar que das cinco vezes em que estiveram fora das finais da Copa Libertadores neste século, quatro delas ocorreram de 2010 para cá, quando os dados sobre investimentos dos clubes brasileiros já evidenciavam desequilíbrio financeiro do futebol na América latina.

Fonte: Mercado do Futebol.

Não se discorda que o fator econômico é relevante no avanço do processo de hegemonia do futebol brasileiro na Copa Libertadores da América, mas existem outros elementos a serem considerados. Um deles é a saída dos clubes mexicanos da competição desde 2016 para participarem somente do torneio organizado pela Concacaf. Não é por acaso que a partir da saída dos mexicanos da Copa Libertadores em 2016, as quartas de final passaram a ser “duopolizadas” por Brasil e Argentina com um mínimo de seis times entre os oito melhores.

A saída dos times mexicanos da competição trouxe duas consequências importantes para o torneio. A primeira foi a abertura de mais vagas para o Brasil e a Argentina, que passaram a ter sete vagas e não mais quatro, como era antes. A segunda consequência foi a retirada de um país que possui times com alto investimento dos clubes, bem como uma liga profissional fortalecida. O efeito combinado possibilitou que os dois países com mais investimento (Brasil e Argentina), herdassem vagas dos mexicanos e, ao mesmo tempo, tivessem menos concorrentes com a capacidade de investimentos que eles pudessem fazer.

Não foi apenas a questão econômica que proporcionou um avanço da hegemonia do Brasil na Copa Libertadores da América, mas também a movimentação de peças no tabuleiro político da CONMEBOL, com vistas a criar uma concentração de vagas nas duas federações mais influentes.

Em conjunto com aspectos econômicos e políticos, podemos verificar uma gradual transformação nos padrões táticos de jogo dos clubes brasileiros nos últimos dez anos, mas, em especial, de 2018 para cá. Influenciados pela chegada de técnicos estrangeiros da Europa e da América do Sul, algumas ideias sobre posicionamento, treinamentos, parte física e tática vem ganhando espaço nos clubes brasileiros. O intercâmbio de ideias vem oxigenando práticas e, paulatinamente, substituindo a concepção acerca da imutabilidade do futebol fora das quatro linhas.

A mudança no fator tático é um ponto importante, pois, nas diversas eliminações de clubes brasileiros na Copa Libertadores para adversários considerados de investimento mais modesto, a aplicação do time estrangeiro e a disciplina tática dos atletas foi vista como um elemento preponderante para a vitória da equipe adversária.

Diante do exposto, é preciso repensar algumas máximas contemporâneas do futebol e relativizar o fator econômico no processo de construção da hegemonia dos clubes brasileiros na Copa Libertadores da América. Outros fatores de ordem política, comportamental e tática precisam ser considerados para construir esse mosaico em conjunto com o fator econômico, considerado o elemento exclusivo para o sucesso do Brasil. 

Produção audiovisual

Já está no ar o episódio 54 do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo quarto episódio é a Copa do Mundo de 1958: o primeiro triunfo. Com apresentação de Filipe Mostaro e Abner Rey, gravamos com Diana Mendes, professora da Universidade Federal de São Paulo e doutora em História.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo quarto episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “A taça do Mundo é nossa”, de Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Abner Rey e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Abner Rey
Convidada: Diana Mendes

Artigos

Um golaço de Richarlyson ou um frangaço do futebol de homens

Na memória recente, o Flamengo de 2019, o Atlético MG de Hulk e o Palmeiras bicampeão da Libertadores podem aparecer como os grandes times dos últimos tempos no futebol brasileiro. Como clubista nada isento poderia citar o Grêmio de Marcelo Grohe, Arthur e Luan. Mas ao contrário do que pensam os jovens, o futebol já existia em anos anteriores. Na primeira década deste século, o São Paulo, campeão mundial em 2005 e tricampeão brasileiro em 2006, 07 e 08, parecia construir uma dinastia sem data para acabar. O time comandado por Paulo Autuori e, especialmente, por Muricy Ramalho teve grandes jogadores. Pessoalmente me encantava a dupla de volantes. Primeiro Josué e Mineiro. Depois, para grande surpresa mantendo a mesma qualidade, Hernanes e Richarlyson. Mais jovens, os dois últimos conseguiram tornar o meio campo ainda mais dinâmico. Richarlyson jogava e marcava com a mesma facilidade. Quando necessário, exagerava um pouco na virilidade e poderia ser excessivamente ríspido com seus adversários.

Apesar de ter sido protagonista em um meio campo campeão e de bom futebol, Richarlyson ficou marcado pela entrevista dada pelo ex-dirigente do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, que em 2007 insinuou que o jogador era homossexual. O jogador denunciou o dirigente por preconceito, mas teve seu caso arquivado. O juiz Manoel Maximiliano Junqueira Filho, à época, “sugeriu que se o jogador fosse homossexual, ‘melhor seria que abandonasse os gramados’”.

A própria torcida do São Paulo passou a tratar o talentoso e multicampeão jogador de forma discriminatória ao não citar seu nome quando “escalava” a equipe. Um integrante da torcida organizada Independente afirmava com orgulho. “Nós mandamos o Richarlyson embora”. Segundo o torcedor, “ele [Richarlyson] manchava a imagem da instituição”. Mesmo tendo defendido Richarlyson no processo, em 2007, “o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, Rinaldo Martorelli, também faz ressalvas. ‘Não aconselharia nenhum jogador a se assumir. É algo que traria muito desgaste à carreira’”.

Em 2012, o Palmeiras estudava a contratação do jogador. A torcida palmeirense protestou contra essa hipótese. Uma das faixas de protesto da torcida contra essa contratação dizia: “A homofobia veste verde”. Um integrante da Mancha Verde (principal torcida organizada do clube) negava o envolvimento da torcida na produção do material, ao mesmo tempo em que dizia que “não via nada de agressivo na faixa”.

Em 2017, Richarlyson foi contratado para jogar o Campeonato Brasileiro da série B pelo Guarani, de Campinas. Pouco antes de ser apresentado como jogador do clube, dois torcedores identificados com camisetas do clube “atiraram bombas em frente ao estádio Brinco de Ouro como forma de protesto pela contratação”. Na página oficial do Guarani no Facebook, apareceram diversas manifestações, algumas de apoio e outras com insultos. Esses insultos foram proferidos tanto por torcedores da equipe quanto por rivais. O vereador da cidade de Campinas, Jorge Schneider, torcedor do principal rival do Guarani, a Ponte Preta, ironizou: “A pessoa certa no lugar certo”.

Agora em junho de 2022 foi lançado o podcast do GE Nos armários dos vestiários, produzido pela Feel The Match apresentado por Joanna de Assis e William de Lucca. Em seu episódio de estreia, Richarlyson, hoje comentarista da Rede Globo, se sentiu à vontade para informar que já teve relacionamento sexual tanto com homens quanto com mulheres. No programa ele afirmou:

Com certeza minha carreira poderia ter sido muito melhor em termos midiáticos por aquilo que eu construí dentro do futebol se não tivesse essa pauta (sexualidade). Isso é visível, todo mundo sabe disso, mas chegou num ponto em que eu fiquei saturado mesmo. Chegou um ponto que alguém me pedia entrevista, e eu perguntava: “Vai falar sobre o quê?”. Mas questionamento de que poderia ser melhor? Sim, poderia.           

Foto extraída da página: Jornal de Brasília

A manifestação do ex-jogador foi muito bem recebida por militantes LGBTQIA+, especialmente aqueles vinculados aos esportes em geral e ao futebol em específico. Em um ambiente muito machista e cisheteronormativo, um jogador de grande qualidade e projeção “assumir” uma posição não-normativa além da direta ação afirmativa pode permitir que se tente, minimamente, implodir essa premissa esportiva masculina/machista e cisheteronormativa. Ao mesmo tempo em que a positividade da manifestação de Richarlyson se fez destacar e encheu de alegria meu coração de torcedor militante, não consegui abdicar do exercício intelectual de discutir nesse espaço do futebol de homens quais os comportamentos são definitivos para marcar um jogador e quais não são.

Meu amigo e idealizador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, afirma que uma das grandes dificuldades de engajar jogadores negros para que eles realizem denúncias contra casos de racismo é que na maioria das vezes todos os seus atributos profissionais são colocados a margem e o atleta fica sempre identificado como aquele do episódio de racismo. Mesmo com todo seu esforço, Richarlyson acabou ocupando o lugar da masculinidade em suspeição mesmo sem disposição de fazer isso.

Diego Maradona sempre teve a brilhante trajetória esportiva e midiática marcada por problemas que incluíram sobrepeso e o abuso de drogas ilícitas. O não reconhecimento da paternidade de Diego Sinagra, entretanto, parece ter pesado pouco sobre sua construção biográfica. Mesmo com teste de DNA confirmando, o rei Pelé nunca reconheceu sua paternidade em relação a Sandra Regina Machado. Richarlyson foi excelente, mas não foi Pelé nem Maradona, mas não me parece que a diferença de tratamento dada as suspeitas sobre sua sexualidade e as confirmadas ausências paternas dos maiores jogadores de todos os tempos se baseie no que fizeram em campo. Me parece que nossa “cultura futebolística” se preocupa muito mais com homens que não performam a cisheteronormatividade do que homens que abandonam a prole.

Além dos títulos com o São Paulo, Richarlyson também ganhou a Libertadores com o Atlético MG treinado por Cuca. Então jogador do Grêmio, Cuca foi condenado por participação em estupro coletivo de uma menina de 13 anos em 1987 enquanto o clube realizava uma excursão na Suíça. Vejam, Cuca foi condenado a 15 meses de prisão por violência sexual contra pessoa vulnerável, não foi acusado, denunciado ou suspeito. Ainda assim, segue sua brilhante carreira de treinador sem dar muitas explicações sobre o ocorrido sendo fortemente considerado como possível treinador para a seleção brasileira após a Copa do Mundo de 2022.Condenado em primeira instância em 2017 por estupro coletivo realizado contra uma mulher albanesa na Itália em 2013, Robinho conseguiu atuar sem maiores dificuldades no futebol turco por dois anos e meio. O jogador condenado em última instância no início de 2022 teve problemas apenas em seu retorno ao Santos em outubro de 2020. Mais do que o protesto de torcedoras, o clube paulista desistiu de sua contratação após pressão de seus patrocinadores.

Parece um tanto fora de qualquer possibilidade imaginar que jogadores condenados ou acusados de violência sexual ou agressão contra mulheres resolvam assumir essas condutas, mas me chama atenção que temos muito mais facilidade em colocar essas condutas como do âmbito do privado enquanto uma forma de correr que possa colocar a masculinidade de um atleta em risco vire assunto de domínio público.

Sem dúvida, Richarlyson marcou um golaço, mas não deixa de ser mais um frangaço do futebol de homens que permite que exige/obriga que um jogador LGBTQIA+ se assuma ao mesmo tempo em que toleram jogadores ou ex-jogadores que são pais ausentes. Quantos jogadores ou ex-jogadores acusados ou condenados por violência doméstica ou sexual seguem suas trajetórias sem serem importunados?

Artigos

A corrida pela sobrevivência do esporte diante da mudança climática

Em setembro do ano passado, Tottenham X Chelsea, pela quinta rodada da Premier League, entrou para a história como “a primeira partida de um grande campeonato de futebol a ter emissão zero de carbono”. As duas equipes se locomoveram em ônibus movidos a biocombustíveis, torcedores foram incentivados a pedalar ou a usar o transporte público para ir ao jogo, a comida servida dentro do estádio teve opções vegetarianas e as garrafas plásticas foram destinadas à reciclagem.

O objetivo não era apenas conscientizar, muito menos ganhar cliques em uma iniciativa de marketing. Eles ainda são exceção, mas os eventos “carbono zero” em todas as modalidades são uma corrida contra o tempo, na qual o esporte contribuiu para o caos climático e, agora, luta pela própria sobrevivência.

A pegada de carbono dos eventos esportivos é similar às emissões de gases de Bolívia e Espanha, segundo o estudo “Jogando contra o relógio: esporte mundial, emergência climática e mudanças urgentes”, da rede de organizações ambientais “Rapid Transition Alliance” (RTA).

No ano passado, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mudanças climáticas, a COP26, debateu o impacto do esporte no aquecimento global em um painel exclusivo. Organizações esportivas, como o Comitê Olímpico Internacional, a FIFA, a Premier League e a Fórmula 1 e Fórmula E, se comprometeram a alcançar as emissões zero até 2040 e reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50% até 2030.

Desde 2018, quando o painel “Esportes para Ação Climática” da ONU foi criado e chamou, pela primeira vez, a atenção do setor para o tema, cerca de 280 entidades esportivas se comprometeram a cumprir as metas do Acordo de Paris, que pretende, até o final do século, limitar em até 1,5°C o aumento da temperatura global. É uma mobilização sem precedentes e reflexo de que as consequências já são percebidas.

Tempestade inundou, em 2015, o campo do Carlisle, time da quarta divisão do futebol inglês. Clube foi forçado a sair do estádio por dois meses. Foto: Getty Images

A maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021 foi transferida da capital japonesa para outra cidade, Sapporo, devido ao intenso calor. Segundo o estudo da RTA, 25% dos campos de futebol da Inglaterra, onde aconteceu o “Tottenham x Chelsea carbono zero”, podem sofrer inundações. Metade dos países que já sediaram Olimpíadas de Inverno correm o risco de não conseguir mais realizar novamente o evento no futuro. Se o ritmo das mudanças climáticas não for freado até 2050, será praticamente impossível realizar atividades físicas ao ar livre por longos períodos, dada a elevação das temperaturas e a degradação da umidade e da qualidade do ar.

O esporte está em uma encruzilhada, em uma crise existencial. O futuro das competições e de novos atletas está ameaçado em meio ao aumento da temperatura global. A transição verde e a descarbonização precisam acontecer, motivadas ou por uma real preocupação quanto ao futuro da Terra, ou pela necessidade financeira de que os eventos simplesmente aconteçam.

Artigos

As redes de rádio: um pouco de história e reflexão sobre as transmissões esportivas de futebol

O ponto de partida da relação entre redes de rádio e transmissões esportivas é muito mais antigo do que parece. Segue um pouco o caminho da ligação entre o rádio e o futebol. Tudo isso nos remete ao início, nos anos 1920 e também à década de 1930. Se a gente pensar um pouquinho, admitindo espaço para reconstruções, dá para considerar que são histórias quase centenárias. 

Durante os anos 1920, alguns registros indicam o começo das primeiras transmissões esportivas, fossem elas de forma parcial ou não oficial. Isso se deu pelo fato de que transmitir um jogo de futebol naquela época era uma missão quase impossível e três dificuldades eram centrais: tecnologia inexistente, falta de estrutura nos estádios ou de pessoal, resistência política escassa. Essa última expressa pela resistência de clubes (a exemplo de Botafogo, Fluminense e da própria Confederação Brasileira de Futebol) que, naquela época, chegaram a proibir que as primeiras emissoras transmitissem partidas. O argumento era que o rádio gerava concorrência ao espetáculo e, com isso, o público deixaria de ir até os estádios para ouvir os jogos em casa. 

Nos anos 1930, o cenário muda um pouco e marca temporalmente a primeira transmissão internacional de futebol via rede de rádio. Um dos feitos do começo dessa década também é a já conhecida narração oficial e ininterrupta de uma partida de futebol, protagonizada por Nicolau Tuma em 19 de julho de 1931, o jogo válido foi entre as seleções de São Paulo e Paraná. A transmissão em rede de rádio seria protagonizada quase sete anos depois. No dia 05 de junho de 1938, a Rede Verde-Amarela transmite a partida da seleção do Brasil contra a Polônia diretamente da França, válida pela Copa do Mundo daquele ano. A recepção foi feita pela Rádio Club do Brasil (RJ), com formação da maior cadeia de estações de rádio da época. 

Fonte: Futebol Na Veia

O feito da Rede Byington pode ser atribuído, em parte, ao nome de Alberto Byington Júnior, que já havia atuado como secretário na Rádio Educadora Paulista, a qual, por sua vez, deu início (ainda nos anos 1920) ao sistema de permutas parciais de programação e de transmissões simultâneas entre emissoras. Alberto Jr. também foi atleta da delegação brasileira nas Olimpíadas de Paris (1924). Um ano antes, já competia pelo Clube Paulistano de Atletismo nos 110 metros com barreira. A transmissão de 1938 representou um momento de ápice da Rede Verde-Amarela, com emissoras espalhadas por diversos estados do país. Depois da transmissão feita diretamente da França, a rede se desfez por conta de questões técnicas e também políticas, uma vez que havia muito ruído nas transmissões e porque houve a negação da concessão de canais em ondas curtas por parte da Comissão Técnica de Rádio (criada por Vargas em 1932). 

O que se tem depois é um período no qual o futebol brasileiro e o próprio rádio se consolidam, ainda um momento em que as próprias coberturas esportivas são sistematizadas. Logo, vale considerar que as transmissões esportivas via rede de rádio praticamente passam por um momento de estagnação até o fim dos anos 1950. No ano de 1958, a Rádio Bandeirantes de São Paulo estrutura a Cadeia Verde-Amarela Norte Sul do Brasil. O objetivo era transmitir em rede as partidas da Copa do Mundo na Suécia. O feito envolveu mais de 400 emissoras em todo o país em um tempo no qual o rádio era o principal meio nas coberturas com transmissão via linhas telefônicas. 

Nos anos 1970, o destaque é para a parceria firmada entre a Rádio Guaíba de Porto Alegre e a Rádio Continental do Rio de Janeiro, para a Copa do Mundo, na chamada Grande Rede Brasileira dos Esportes. A rede incluiu, conforme o Blog “Uma História do Rádio no Rio Grande do Sul”, também emissoras de outros estados como Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, e uma estação do Uruguai. Na final, cada tempo da partida acabou sendo irradiado pela equipe de uma emissora.

As redes de rádio como conglomerados de mídias vão surgir mais ou menos nos anos 1980, numa perspectiva dominante de transmissão pela capacidade de alcance da programação radiofônica para uma grande audiência em diferentes mercados distribuídos pelo interior do país. Aqui o fator tecnológico são as transmissões via satélite e o econômico, baseado no suporte financeiro dos conglomerados que, por sua vez, concentram a maior parcela do bolo publicitário. Para as emissoras menores, a associação ou afiliação a uma grande rede significa redução de custos e conteúdo disponível para abastecer suas programações. As redes de rádio, conforme regulamentado pela Anatel (Decreto 52.975 de 31 de outubro de 1963) são definidas, no Artigo 5º, em algumas modalidades: a estação geradora, rede local, nacional e regional.

Com base especialmente na estrutura técnica, de pessoal e financeira é que as redes de rádio transmitem eventos esportivos como parte de suas programações (já que algumas também trabalham com informação ou entretenimento). No Brasil, por exemplo, a Rede Globo detém os direitos sobre as transmissões da Copa do Mundo de 2022. Nesse caminho, vendeu os direitos para as seguintes rádios: Itatiaia (MG), Grupo Bandeirantes (Bandeirantes e BandNews FM), Transamérica (SP), Gaúcha (RS), Joven Pan (SP), Energia 97 (SP) e Jornal (PE). Esse número de 8 emissoras (considerando a própria Rede Globo de Rádio) é muito pequeno se comparado, por exemplo, ao número de emissoras que transmitiu a Copa de 2014 realizada no Brasil. Naquele ano, 23 emissoras adquiriram os direitos de transmissão. Em 2010, na África do Sul, foram 22 emissoras credenciadas. A redução, praticamente a metade do número de rádios se comparado com 2018, tem entre os fatores os altos custos cobrados pela Fifa e também a outra modalidade de negociação, que aposta em canais de streaming (cujos acordos seguem abertos até o momento).

Pensar e compreender o papel das redes de rádio nas transmissões de futebol significa considerar todos os aspectos históricos e de transformações ao longo do tempo. Assim como nos primórdios, essa relação ainda permanece muito próxima e hoje é atravessada por novos canais de transmissão que se tornam concorrentes. Se antes a promoção do esporte – como espetáculo midiático – também passava pelo rádio, hoje a era do streaming condiciona e leva grande parte da audiência, especialmente a mais jovem.

 

Fonte: Torcida K

O encolhimento visível no número de redes com transmissão também traz reflexos a partir das reduções no próprio jornalismo esportivo, seja de pessoal, estrutura e investimentos. Para aquelas que se mantêm e têm base financeira para custear direitos, viagens e toda a cobertura em si, as transmissões são uma forma de realização de grandes coberturas e de impulsionamento de verbas publicitárias. Seguem ainda cumprindo seu papel primordial de documentar eventos esportivos. Já as emissoras que ficam de fora dos grandes eventos midiáticos têm como possibilidade a venda e a formação de parcerias para cobertura de jogos em campeonatos regionais também em períodos determinados. Têm um papel como geradoras de conteúdos para mercados interioranos. Se as grandes redes trazem uma programação mais genérica considerando o território nacional, as redes regionais têm a possibilidade de explorar além do futebol, aspectos da identidade local que também passam pelo esporte. 

Referências

AVRELLA, Bárbara. ALEXANDRE, Tássia Becker. A trajetória histórica das redes de rádio no Brasil. Encontro Regional Sul de História da Mídia, 5. Anais: Florianópolis: Alcar Sul, 2014.

GUIMARÃES, Carlos. O início da narração esportiva no rádio brasileiro. In: RADDATZ, Vera. KISCHINHEVSKY, Marcelo. LOPEZ, Cristina. ZUCULOTO, Valci (Org.). Rádio no Brasil: 100 anos de História em (Re)Construção.. Ijuí: Unijuí, 2020.

RUTILLI, Marizandra. A rede verde-amarela, o pioneirismo esquecido da Família Byington. In: RADDATZ, Vera. KISCHINHEVSKY, Marcelo. LOPEZ, Cristina. ZUCULOTO, Valci (Org.). Rádio no Brasil. 100 anos de História em (Re)Construção. Ijuí: Unijuí, 2020.

SOARES, Edileuza. A bola no ar. O rádio esportivo em São Paulo. São Paulo. Summus, 1994.

Produção audiovisual

Já está no ar o quinquagésimo episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo episódio é a Copa do Mundo de 1950. Com apresentação de Filipe Mostaro e Abner Rey, gravamos remotamente com Sérgio Souto, professor de jornalismo da UERJ e pesquisador do LEME.

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O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “O Brasil Há de Ganhar”, de Ary Barroso e Linda Batista.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

O dia em que meus pais saíram de casa [filme]

Dossiê 50 – Dossiê 50 Os Onze jogadores revelam os segredos da maior tragédia do futebol brasileiro – Geneton Moraes [livro]

Balada n. 7 – Moacyr Franco [música]

Imprensa e Memória na Copa de 50: a glória e a tragédia de Barbosa – Sérgio Souto [dissertação]

Maracanã [filme]

Barbosa [filme]

Anatomia de uma derrota – Paulo Perdigão [livro]

O Rio corre para o Maracanã – Gisella de Araujo Moura [livro]

Maracanazo e Mineiratzen: Imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas. Copas do Mundo de 1950 e 2014 – Francisco Brinati [tese]

“Gigante pela própria natureza”: as narrativas de um “Novo Brasil” encontradas na Copa do Mundo de 1950 – Filipe Mostaro, Ronaldo Helal e Fausto Amaro [capítulo de livro]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Abner Rey e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Abner Rey
Convidado: Sérgio Souto

Produção audiovisual

Já está no ar o quadragésimo nono episódio do Passes e Impasses

O tema do nosso quadragésimo nono episódio, é o Jornalismo Esportivo na era digital. Com apresentação de Filipe Mostaro e Caroline Rocha, gravamos remotamente com Alexandra Carauta, doutor em Comunicação pela PUC-Rio e especialista em Administração Esportiva pela FGV-RJ.

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O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quadragésimo nono episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Pela Internet 2”, interpretada por Gilberto Gil.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Doutor Castor [série]

The English Game [série]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Caroline Rocha e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Caroline Rocha
Convidado: Alexandre Carauta