Artigos

“Paraibadas”

Repercutiu enormemente nos últimos dias na Paraíba, de onde escrevo, as declarações de uma subcelebridade brasiliense, dessas com muitos seguidores nas redes sociais, em que ela, ao se revoltar com um grave caso de violência contra a mulher, lembrava a origem do autor do crime e dizia que aquilo era coisa de “paraíba”.

A declaração, óbvio, não pegou bem. Repercutiu pela Paraíba e pelo Nordeste. Causou revolta.

Mas o pior foi a emenda que estava por vir.

Ao responder as críticas iniciais, disse que não fez nada demais. Que “paraíba” era uma mera força de expressão que vinha de “paraibada”, alcunha que segundo ela serviria para se referir a quem faz algum tipo de besteira. “Como por exemplo bater em mulher”, exemplificou.

Vocês entenderam bem, não foi? Para a tal subcelebridade, quem comete um crime faz, no fim das contas, uma “paraibada”. E ela dizia isso jurando que não estava cometendo nenhum tipo de preconceito.

Pois é justo nesse detalhe que eu queria me apegar no presente texto.

A facilidade que as pessoas têm de naturalizar a violência, de minimizar os efeitos do preconceito, de dizer que o alvo dos ataques é que estão exagerando. Ou, em sentido completamente oposto, as dificuldades dessas pessoas em entenderem que algumas expressões cotidianas, aparentemente livres de intencionalidades, tem uma carga terrível. Que, invariavelmente, leva ao preconceito – e à violência – para outros espaços.

Como, por exemplo, ao esporte.

Xenófobos, afinal, nunca se admitem como tal. E, sem se admitir, apenas disseminam o preconceito nas áreas mais distintas possíveis.

E, ao falar dessa questão numa perspectiva esportiva, é impossível não lembrar do famoso caso de Edmundo, à época jogador do Vasco da Gama. Tão longínquo, tão incrivelmente atual.

O ano era 1997. O jogo válido pelo Brasileirão daquele ano, entre o Vasco e o América-RN, era em Natal. O árbitro que acabou expulsando o jogador naquela partida, ainda nos primeiros minutos de jogo, era o cearense Francisco Dacildo Mourão. Mas, para Edmundo, tudo não passava indiscriminadamente de “paraibas”. Fazendo “paraibadas”, oras.

A frase ficou célebre:

– Viemos para a Paraíba e colocam um “paraíba” para apitar – disse ao microfone enquanto deixava o campo de jogo.

Momento em que Edmundo é xenofóbico durante entrevista. Fonte: Bol

Depois, quando a coisa se voltou contra ele, foi mais um a repetir o mantra dos preconceituosos:

– É que no Rio temos o costume de chamar os nordestinos de “paraíba”, só isso.

Só isso, pessoal.

Mas, não é só isso, a gente sabe bem.

Esse preconceito regional regular, naturalizado a ponto de não ser percebido pela maioria da população, gera consequências em todos os cenários possíveis.

Resulta, muitas vezes, numa precarizada cobertura esportiva daquilo que é praticado no Nordeste. Numa mudança de peso daquilo que é notícia para a chamada “grande mídia” – sugiro, a propósito, a leitura de novíssimo artigo de Ana Flávia Araújo (2021) sobre o tema. Numa Série A de Brasileirão pouco nordestina, numa Copa do Brasil cada vez mais anti-democrática e pouco interessada nos clubes fora do “eixo”, e por aí em diante.

Mas o preconceito não para por aí.

Apenas a título de ilustração, queria citar uma experiência que vivi durante minha pesquisa de mestrado, quando certa vez acompanhei torcedores do Botafogo da Paraíba a Ribeirão Preto, para um jogo da Série C do Brasileirão, que valia vaga na Série B do ano seguinte.

Imagine o bonito Estádio Santa Cruz completamente abarrotado.

Torcedores do Botafogo-PB no estádio Santa Cruz.

Milhares de torcedores do time do interior paulista circundando toda a arquibancada e espremendo cerca de 400 paraibanos num pequeno pedaço.

Cânticos, gritos, xingamentos, provocações ao longo de 90 minutos. Em quase todo o tempo, a mensagem era violenta, depreciativa, lembrando o lado supostamente negativo de ser “paraíba”. Falava-se de ignorância, de seca, de cabeças chatas, outros tantos estereótipos. Tudo sob o selo da “brincadeira”, da “simples expressão”, do “hábito”.

Pois não é brincadeira. Não é expressão. Não é modo de falar. É preconceito e violência que reverbera no cotidiano dos paraibanos e nordestinos. Por anos e anos a fio.

Nesta lógica, se me permitem parafrasear Miguel Vale de Almeida (2004) em sua reflexão sobre sinais diacríticos, o ser nordestino não é o outro lado da moeda de ser sudestino, por exemplo. É o lado pior, negativo, inferior, mais desvalorizado, enquadrado de forma genérica sob a pecha de “paraíba”. Numa homogenização, a propósito, que apaga toda riqueza e pluralidade da região.

Isso precisa ser combatido, repelido, ser tratado como de fato é: o mais puro e xenofóbico preconceito regional. Sem mais.


Referências

ALMEIDA, Miguel Vale de. O Manifesto do Corpo. Lisboa, Revista Manifesto, nº 5, pp. 17-35, 2004.

ARAÚJO, Ana Flávia Nóbrega. Até quando precisaremos salvar os times do sudeste e invisibilizar os nordestinos, PVC?. Ludopédio, São Paulo, 2021.

Artigos

Uma provocação: as cotas mudaram o ranking do Brasileiro?

Com o rebaixamento de Botafogo e Vasco, no Brasileiro de 2020, e o não retorno do Cruzeiro à primeira divisão em 2021, pela primeira vez, três das 12 equipes mais tradicionais do país [1] vão disputar, numa mesma edição, a série B. O fato de 1/4 dos integrantes do que chamamos aqui de tradicionais nacionalmente (TN) estarem excluídos, ao menos provisoriamente, da elite do futebol brasileiro ensejou diversas tentativas de explicação e hipóteses.

Má gestão e incompetência são as mais recorrentes. O diagnóstico tecnicista parece ganhar maior densidade explicativa quando contraposto a um reivindicado maior profissionalismo dos clubes que têm se mantido no topo do ranking do Brasileiro. Sem desconsiderarmos ambas, queremos analisar outro ângulo que parece negligenciado, principalmente pelo jornalismo esportivo: os efeitos da implosão do Clube dos 13, em 2011, com a consequente concentração das cotas de televisão em apenas dois clubes.

Fábio Koff, ex-presidente do Clube dos 13
Fonte: Trivela

Pergunta-se se o novo paradigma deflagrou um processo de reconfiguração do TN, instaurando novo patamar de competitividade, em que, da multiplicidade de candidatos a campeão nacional, tem-se padrão próximo ao da maioria dos principais campeonatos europeus, restritos a dois ou, no máximo, três concorrentes ao título. Para responder a essa hipótese, comparou-se a classificação nos noves Brasileiros seguintes ao fim do Clube dos 13, de 2012 a 2020 – o novo modelo de contrato da TV Globo só começou a vigorar em 2012 – com as nove edições imediatamente anteriores, de 2003 a 2011. Vamos nos abster de uma historiografia da criação e do fim do Clube dos 13 [2]. O que nos mobiliza aqui são as consequências, nos níveis de competitividade, dos times TN a partir da negociação individual da Globo com as equipes.

Optou-se por uma visão panorâmica, em que não se cotejou apenas os campeões do Brasileiro nos dois períodos. A comparação estendeu-se aos que, num intervalo e outro, alcançaram as quatro primeiras posições – o G4 – com vaga automática à Libertadores, competição que se tornou o principal foco de clubes, torcedores e imprensa. Analisou-se, ainda, os rebaixados à segunda divisão – o Z4 – o que, também, dá pistas sobre a reconfiguração em curso. Neste último recorte, subdividiram-se as equipes entre os 12 tradicionais nacionalmente (TN) e as não integrantes desse grupo, os tradicionais regionalmente (TR) ou localmente (TL).

O primeiro intervalo de nove anos tem início em 2003, quando instaura-se o sistema de pontos corridos no Brasileiro. A partir dessa edição, os quatro primeiros classificados garantem vaga à Libertadores. Não se considerou, na comparação, nem o campeão da Copa do Brasil nem o da Sul-Americana, ambos com vaga à Libertadores – no caso da segunda apenas a partir de 2010. Por se tratar de competições que envolvem jogos mata-mata, estão sujeitas a maior imprevisibilidade, diferentemente do campeonato por pontos corridos, o que distorceria o objetivo aqui buscado.

Descartou-se, ainda, a inclusão, no comparativo, do quinto e do sexto lugares do Brasileiro, que, a partir de 2016, quando a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) ampliou o número de vagas na Libertadores para Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, asseguram vaga à fase eliminatória da Libertadores. Pensa-se que nossa opção metodológica dá uma percepção mais nítida sobre o caráter competitivo dos clubes, antes e depois, da implosão do Clube dos 13.

Cotas (quase) iguais no TN até 2011

Concentrou-se, basicamente, no valor pago pela TV aberta, ainda a principal plataforma do país e a mais valorizada por grande parte dos anunciantes de futebol. Da criação da Copa União, em 1987, até 2000, a cota da TV era dividida em partes iguais pelos filiados ao Clube dos 13, com quantias inferiores aos “convidados”. Segundo cálculo do jornalista Mauro Beting, citado no blog do jornalista Allan Simon, em 1987, cada integrante da associação recebeu 12,8 milhões de cruzados, equivalente a quase R$ 2 milhões em valores atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre dezembro de 1987 e dezembro de 2019. (SIMON, 2000).

A partir de 2001, a entidade separou Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Vasco em um grupo que ganharia mais, e outro com Botafogo, Fluminense, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro e Bahia, com valores menores. Outros ajustes ocorreram até que, em 2011, a última divisão antes do fim do Clube dos 13 contemplava quatro grupos distintos:

Fonte: LEITE JR (2015, P.61) [4]

Com tal distribuição de valores, tivemos, entre 2001 e 2010, seis clubes campeões: São Paulo (3 títulos), Corinthians (2), Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e  Santos (1 cada). Classificaram-se para o G4, nesse novênio, 13 equipes: São Paulo (6 vezes); Santos e Cruzeiro (4 cada); Grêmio, Palmeiras, Internacional, Flamengo e Fluminense (3), Corinthians, Vasco, Athletico-PR, São Caetano e Goiás (1). Foram rebaixados à segunda divisão, nesses nove anos, quatro clubes do TN: Vasco, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG – todos com uma única queda. Entre as equipes fora desse grupo, 25 caíram de série: Fortaleza, América-MG, Coritiba, Vitória, Avaí e Guarani (2 vezes cada); Bahia, Ceará, Portuguesa-SP, Sport, Santa Cruz, Paraná, Juventude, Figueirense, Ipatinga, Santo André, Náutico, Goiás, Barueri, São Caetano, Ponte Preta, Payssandu, Crisciúma, Brasiliense, Athletico-PR (1).

Vê-se, assim, uma briga bastante competitiva pelo título, com apenas dois clubes, São Paulo (3) e Corinthias (2), vencendo mais de uma vez a competição, e com seis campeões diferentes em nove anos. O G4 também mostra grande pluralidade: dez dos 12 TN – Botafogo e Internacional são as exceções – participaram, ao menos uma vez, em nove anos, da Libertadores, assim como três equipes TR: São Caetano, Athletico-PR e Goiás. Os clubes TN rebaixados no período – 4 – só caíram uma vez de divisão em nove anos, com todos retornando à série A após apenas um ano na B.

Com o fim do Clube dos 13, o contrato para o triênio 2012 a 2015 já ampliou consideravelmente a assimetria do pagamento pelas partidas na TV aberta:

Fonte: LEITE JR. (2015, p. 83)

No triênio 2016 a 2018, a concentração se acentuou ainda mais.

Fonte: LEITE JR. (2015, p. 84)
* Demais clubes: negociações anuais com a Globo, a depender da participação na Série A

Com isso, a partir de 2016, Flamengo e Corinthians elevam a diferença de R$ 30 milhões sobre o São Paulo para R$ 60 milhões. Em relação a Vasco e Palmeiras, avança de R$ 40 milhões para R$ 70 milhões. Sobre o Botafogo, que na transição do Clube dos 13 para as negociações individuais, vira sua cota avançar de R$ 16 milhões para R$ 45 milhões, a distância para o Flamengo saltou, de R$ 9 milhões em 2011, “para inacreditáveis R$ 110 milhões”. (LEITE JR, p 85).[5]

Nesse modelo, entre 2012 a 2020 temos cinco campeões brasileiros: Corinthians (3 vezes); Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo (2 cada) e Fluminense (1). Classificaram-se para o G4, no período, 12 equipes: Grêmio e Flamengo (5 vezes); São Paulo, Corinthians, Atlético-MG e Palmeiras (4); Internacional e Santos (3), Cruzeiro, Fluminense e Athletico-PR (2); Vasco e Botafogo (1). O número de rebaixados do TN avançou de quatro para cinco – Vasco (3 vezes); Botafogo (2); Internacional, Cruzeiro e Palmeiras (1 cada). Entre os clubes fora do TN foram 20: Avaí (3); América-MG, Vitória, Goiás, Figueirense, Coritiba e Ponte Preta, Atlético-GO e Sport (2); Crisciúma, Joinville, Santa Cruz, Paraná, CSA, Chapecoense, Athletico-PR, Ceará, Portuguesa-SP [6], Náutico e Bahia (1).

Vê-se que, entre um período e outro, o número de campeões recuou de seis para cinco. Para além dessa redução, parece mais significativo que, nos últimos seis anos, apenas dois times de São Paulo – Corinthians e Palmeiras (2 vezes cada) – e um do Rio – Flamengo (2) venceram o Brasileiro. Se na década anterior, houve seis campeões diferentes em nove edições, no intervalo seguinte, em seis dos últimos anos, foram só três os vencedores, sinalizando concentração rara na história do futebol brasileiro. O número de times no G4 caiu só de 13 para 12, sendo 11 do TN – a exceção foi o Vasco – contra dez no intervalo anterior. A estabilidade no número de frequentadores da Libertadores permite duas leituras complementares. Por um lado, à parte Flamengo e Corinthians, temos seis dos outros dez clubes do TN em ao menos três das nove edições – Grêmio (5) São Paulo, Palmeiras e Atlético-MG (4), Internacional e Santos (3). Isso pode indicar que, com a emblemática exceção do Palmeiras [7], os demais, sem condições de brigar pelo título, tiveram de se contentar com a ida à Libertadores.

Simultaneamente, o número de quedas de alguns integrantes do TN deu salto importante: de uma vez para três (Vasco) e de zero para duas (Botafogo). E, pela primeira vez desde o início dos pontos corridos, em 2003, um integrante do grupo – o Cruzeiro, campeão do primeiro ano da segunda década – não logrou retornar à série A no ano seguinte [8]. Também pela primeira vez, três TN – Cruzeiro, Botafogo e Vasco, 1/4 daquele universo – vão disputar a série B. Fora do TN, a presença no G4 caiu de dois para um, embora este – Athletico-PR – tenha se classificado duas vezes, sinalizando que o time paranaense pode ter encontrado um modelo competitivo superior ao de outros mais tradicionais, mas insuficiente para disputar, e vencer, o Brasileiro.

Expostos os dados comparativos, nos limitamos a deixar uma provocação à reflexão dos que pensam o futebol como manifestação cultural e identitária para além do clubismo: seria a gestão explicação suficiente e única para a nova configuração de competividade no TN?



[1] Considera-se aqui como tais 12 clubes: quatro do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco); quatro de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos); dois de Minas Gerais (Atlético-MG e Cruzeiro); e dois do Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional). Serão doravante nomeados tradicionais nacionalmente (TN), em contraponto aos tradicionais regionalmente (TR) ou localmente (TL).

[2] Para uma análise detalhada do Clube dos 13 ver SANTOS, 2019; LEITE JR, 2015 e CHRISTOFOLETTI, 2015.

[3] Por estar na segunda divisão, recebeu apenas 50%.

[4] Os clubes que não faziam parte do Clube dos 13 tinham que negociar diretamente com a entidade e não recebiam mais do que 45% do valor do Grupo 3.

[5] Em 2019, um ano após o Grupo Turner, via Esporte Interativo, entrar na disputa da TV fechada, a Globo mudou a fórmula de cotas da TV aberta: 40% dos valores passaram a ser distribuídos igualmente pelos clubes, 30% pela colocação no campeonato e 30% pelo número de partidas exibidas. Embora essa mudança aparentasse reduzir as assimetrias, a Globo ampliou o número de partidas do Corinthians na TV aberta e, aproveitando o ano excepcional do Flamengo, priorizou transmitir os jogos deste time via pay-per-view. Com essas duas opções, elevou ainda mais a diferença dos valores pagos à dupla. O detalhamento das consequências dessa mudança ampliaria excessivamente o espaço desta comunicação. Consideramos que os números já expostos já dão conta do foco aqui escolhido.

[6] O rebaixamento da Portuguesa-SP, em 2013, ocorreu por fatores extracampo. Sob a alegação de que, quase ao fim do último jogo – 0 x 0 contra o Grêmio –, a equipe paulista colocou em campo o meia Heverton, suspenso por duas partidas, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu a Lusa com a perda de quatro pontos (três da partida disputada mais o ponto do empate). Com isso, a equpe caiu de 48 pontos, no 12º lugar, para 44 pontos, no 17º lugar, salvando o Fluminense, que, com 46 pontos, ocuparia essa posição, sendo rebaixado no campo. O STJD também retirou quatro pontos do Flamengo, por escalar o lateral esquerdo André Santos, suspenso por um jogo. Com isso, o rubro-negro caiu de 49 pontos, na 11º posição, para 45 pontos, na 16ª colocação.

[7] Com uma injeção de € 24 milhões (cerca de R$ 153 milhões) desde 2015 até 2021, o time paulista passou a deter um dos maiores patrocínios do mundo, atrás apenas dos espanhóis Barcelona e Real, do alemão Bayern de Munique, “do novo rico francês Paris Saint-Germain e do top 6 inglês: Liverpool, Manchester City, Manchester United, Arsenal, Chelsea e Tottenham”.

[8] Sobre a crise financeira do Cruzeiro

Referências bibliográficas

CHRISTOFOLETTI, Danilo Fontanetti. O fim do Clube dos 13: Como a Rede Globo controla o futebol brasileiro. São Paulo, Monografias Brasil Escola UOL, 2015.

LEITE JR., Emanuel. Cotas de televisão “apartheid futebolístico” e risco de “espanholização”. Recife, Ed. do Autor, 2015.

SANTOS, Anderson David Gomes dos. Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol. Curitiba: Appris, 2019

SIMON, Allan. Brasileirão: como o dinheiro da TV foi distribuído entre os fundadores do C!3 desde 2001, São Paulo: https://allansimon.com.br/2020/01/12/brasileirao-como-o-dinheiro-da-tv-foi-distribuido-entre-os-fundadores-do-c13-desde-2001 acessado in 12/05/2021

Clique na imagem acima para se inscrever no boletim do LEME.
Eventos

Seminário #Maraca70 é sucesso online de público

Mais de duas mil visualizações de vídeos – é esta a marca que o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) chegou em menos de 24 horas do término de seu  Seminário #Maraca70, no Youtube. Com uma programação que reuniu acadêmicos consagrados, jornalistas da grande imprensa e pesquisadores de todo o país (nos Grupos de Trabalho), o Seminário #Maraca70 fica na história do LEME como um evento de acolhimento, aprendizagem e escuta, em meio a tantas adversidades.

As manhãs dos dias 5, 6 e 7 de outubro contaram com a apresentação de trabalhos em três GTs distintos, com reuniões via Meet. Nessas discussões acadêmicas, conseguimos reunir pesquisadores de diversos estados do país, com destaque para a forte presença do Nordeste.

Na noite do dia 5, Vanessa Riche (jornalista e apresentadora do Fox Sports) e Carol Barcellos (jornalista e repórter da TV Globo) abriram o evento com a mesa “Narradoras do espetáculo” (sob mediação de Leda Costa). Além de abordarem as suas relações com o Maracanã, Vanessa e Carol falaram das dificuldades de serem jornalistas em uma editoria na qual ainda há poucas mulheres e lembraram também pontos importantes de suas carreiras, como a cobertura do ônibus 174, realizada por Vanessa, e uma reportagem no Nepal, para o Planeta Extremo, feita por Carol.

No dia seguinte, de tarde, tivemos a mesa “O Maracanã na literatura e na arte”. Luiz Antonio Simas, historiador e autor do livro Maracanã: Uma biografia, Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola de Ciências Sociais da FGV, e Gisella Moura, mestre em História Social e Cultural pela UFRJ e autora do livro O Rio Corre Para o Maracanã, com a mediação de Alvaro do Cabo, doutor em História Comparada pela UFRJ, abordaram aspectos históricos do estádio, bem como suas representações em livros, músicas, filmes e outros produtos culturais.

Para terminar o segundo dia de evento, à noite, a tabelinha ficou por conta de Edson Mauro (radialista e narrador esportivo da Rádio Globo/CBN) e Luis Roberto (jornalista e narrador da Globo/SporTV). Com mediação de Ronaldo Helal, coordenador do LEME, tivemos uma noite de muitas memórias afetivas do Maracanã, no qual parecia estarmos assistindo a uma mesa redonda de domingo.

Já na quarta (07), último dia do evento, pesquisadores consagrados se reuniram para a mesa “Maracanã: patrimônio cultural e palco de megaeventos”. Vivian Fonseca (historiadora e professora da UERJ e da FGV), diretamente da França, nos contou sobre as intervenções realizadas no estádio, sob o ponto de vista do patrimônio cultural. Arlei Damo (antropólogo e professor da UFRGS) abordou as simbologias presentes na construção dos estádios ao longo da história, com foco na integração com o público, e Antônio Jorge Soares (professor titular da UFRJ) nos brindou com reflexões próprias de um intelectual dos esportes, que também frequenta, desde a infância, o Maracanã. A mesa foi mediada por Filipe Mostaro, doutor em Comunicação pela UERJ e pesquisador do LEME.

Para fechar o Seminário com chave de ouro, às 18h30, Juca Kfouri (escritor, jornalista e autor do Blog do Juca) e Marcelo Barreto (jornalista, editor-chefe e apresentador do Redação SporTV), sob a mediação do professor Ricardo Freitas, vice-diretor da FCS/UERJ e coordenador do Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon), conversaram sobre suas experiências nas dependências do estádio enquanto jornalistas e torcedores.

Produção bibliográfica

LEME lança novo livro organizado por seus pesquisadores

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) acaba de lançar um novo livro. Organizado pelo coordenador do grupo, Ronaldo Helal, e pelo pesquisador do LEME, Filipe Mostaro, o livro Narrativas do Esporte na Mídia – Reflexões e Pesquisas do LEME traz uma coletânea de dez artigos, todos assinados por mestres, doutores, pós-doutores e pesquisadores que fizeram ou fazem parte do Laboratório.

O livro começou a ser pensado em 2017, quando houve o convite de Helal e Filipe para os autores fazerem parte da coletânea. Com uma boa troca de passes e um time em sintonia, o resultado final ficou pronto agora, em 2020. Trazendo diferentes recortes dentro do universo da relação esporte-mídia, os artigos apresentam um conjunto de pesquisas denso, fruto de um trabalho sério de cada pesquisador, que contribuem para um debate mais profundo sobre esse campo, ajudando a compreender e ressignificar o papel do jornalismo esportivo na produção de narrativas.

Os textos fazem um percurso que vai desde o início do século até os dias atuais, passando por diferentes meios de comunicação e mostrando a intensa relação do esporte com a mídia. O time que compõe o livro é formado por Ronaldo Helal, Fausto Amaro, Francisco Brinati, Alvaro do Cabo, Juan Silvera, Leda Costa, Carol Fontenelle, Irlan Simões, Anderson Gomes, Tatiane Hilgemberg e Filipe Mostaro.

O lançamento presencial já está acertado com a editora Appris, mas ainda não tem data para acontecer, por conta da pandemia e das consequentes medidas de restrição.

Enquanto isso, os interessados podem comprar o livro direto no site da editora.

Serviço

Título: Narrativas do Esporte na Mídia – Reflexões e Pesquisas do LEME

Editora: Appris

Ano de Lançamento: 2020

Organizadores: Ronaldo Helal e Filipe Mostaro

Preço sugerido para venda: R$66,00 (versão impressa); R$29,00 (versão digital)

Sumário

  1. Futebol, mídia e nação: um breve relato do campo acadêmico
    Ronaldo Helal
  2. O olhar da imprensa carioca sobre o esporte olímpico nacional na década de 1910
    Fausto Amaro
  3. Maracanazo e Mineiratzen: imprensa e representação da Seleção Brasileira nas      derrotas das copas do mundo de 1950 e 2014
    Francisco Brinati
  4. Futebol força x futebol arte. O debate em torno do “estilo” brasileiro no mundial da Argentina em 1978
                Alvaro Vicente do Cabo
  5. O mito Pelé: nacionalismo, fanatismo ou religião, fatos bons para pensar
    Juan Silvera
  6. Quem diz não ao futebol moderno. Juventude, mídia, contracultura e imagens da resistência
                Leda Maria da Costa
  7. Futebol e consumo: hábitos e paixões de jovens da Baixada Fluminense
    Carol Fontenelle e Ronaldo Helal
  8. A invenção do “Nordestão” e o futebol-arte: investigações a partir do jornal dos      sports
    Irlan Simões e Anderson dos Santos
  9. Jogos Paralímpicos de 2012: a perspectiva individual dos atletas paralímpicos e          a sua representação na mídia
                Tatiane Hilgemberg
  10. De “professor” a “comandante”: os rumos narrativos sobre os técnicos da Seleção Brasileira de futebol na primeira metade do século XX
    Filipe Mostaro
Eventos

Seminário #Maraca70 recebe trabalhos em fluxo contínuo

Anotação 2020-05-29 135848

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) informa que, a partir de agora, receberá os resumos expandidos para o Seminário Internacional #Maraca70 em fluxo contínuo. O prazo para envio de textos seria até o dia 30 deste mês, mas, diante do contexto da pandemia, julgamos pertinente alterá-lo. Pelo mesmo motivo, não temos ainda a definição se o evento realmente acontecerá de forma presencial, em 6 e 7 de outubro, se iremos aderir a modalidade online ou ainda se haverá adiamento de data.

Sendo assim, continuamos recebendo resumos expandidos de trabalhos de graduandos, graduados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores, divididos nos seguintes eixos temáticos:

GT1- Esporte, cidade e identidades

O esporte desempenha um papel fundamental tanto na construção quanto na afirmação de uma pluralidade de identidades que atuam dentro e fora de fronteiras territoriais. Essa relação com a territorialidade confirma a necessidade de compreensão do esporte como prática que se entrecruza com o espaço urbano, estabelecendo com ele, uma trama de relações e significados que põe em movimento o jogo das identidades em um contexto de tensionamentos entre o local e o global.

Coordenação: Carol Fontenelle

GT2- Mídia, esporte e representação

A mídia, gradualmente, se consolidou como um importante veículo mediador entre os esportes e o público, participando não apenas da circulação, mas também da produção de um vasto imaginário construído em diálogo com uma série de representações presentes dentro e fora do território esportivo. As representações produzidas são um material cuja análise pode nos possibilitar o acesso às tensões e às contradições dos valores e discursos que estão em jogo.

Coordenação: Álvaro do Cabo

GT3 – Estádios, arenas e os modos de torcer

A diversidade dos modos de torcer fomenta variadas possibilidades de construção identitária de torcedores e torcedoras nas arquibancadas. Essa pluralidade faz do ato de torcer um fenômeno complexo, muitas vezes, contraditório e que faz dele um locus de análise das reações, adaptações e resistência às mudanças ocorridas no cenário futebolístico, sobretudo, em

diálogo com as transformações geradas pelo intenso processo de mercantilização e midiatização dos eventos esportivos.

Coordenação: Irlan Simões

***

Os trabalhos devem ter no mínimo 7.000 e no máximo 12.000 caracteres e necessitam estar no template do evento (clique no link para acessar) e devem ser enviados para o e-mail “seminariomaraca70@gmail.com”. Serão aceitos para análise resumos em Português ou Espanhol e que versem sobre um dos GTs. Não será possível o envio de um mesmo resumo ou de resumos diferentes para mais de um GT.

No prazo de um mês antes do evento, iremos divulgar a lista de resumos aprovados e, para garantir a apresentação presencial dos trabalhos, será necessário o pagamento da taxa de inscrição:

Graduando – gratuito;

Graduados – R$ 20,00

Mestrandos, mestres e doutorandos – R$ 40,00

Doutores – R$ 50,00

Não será necessário o envio de trabalhos completos.

Apenas após a divulgação da lista de resumos aceitos, será necessário efetuar o pagamento da inscrição.

Obs.: Não haverá ajuda de custo para a participação presencial do evento.

Eventos

Encontros LEME virtual discute clube-empresa

Com a impossibilidade de discussões presenciais, devido à pandemia da Covid-19, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esportes realizará seu próximo Encontro no dia 15 de maio (sexta-feira), às 19h, na modalidade on-line. Nosso convidado será Irlan Simões, doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UERJ.

Na ocasião, será discutido o texto “Club Universidad de Chile: recuperar o clube para os seus torcedores, superando o fracasso das S.A.”, produzido pela Asociación de Hinchas Azules, grupo de torcedores e antigos sócios do Club Universidade de Chile.  Este texto é parte integrante do livro Clube Empresa: abordagens críticas globais às sociedades anônimas no futebol.

O encontro será aberto a participação de estudantes da UERJ (graduação e pós-graduação) e de outras instituições de ensino superior, mediante inscrição prévia e condicionado ao limite de 40 participantes. Caso não seja aluno de graduação, é também possível realizar a inscrição, mas salientamos que será dada prioridade aos primeiros.

Para se inscrever, basta enviar para o nosso e-mail (lemeuerj@gmail.com) seu nome completo, curso de graduação, instituição de ensino e, caso possua, nome de usuário (@) em redes sociais (Facebook e/ou Instagram). Após o cadastro, o participante receberá o texto para leitura, bem como o link para reunião (via Zoom).

Encontros 15.05.png

Artigos

A representação midiática do CSA na Série A do Brasileiro

Tratar da representação midiática do futebol no Brasil possibilita diferentes perspectivas de comentários e análise. Mas há quase que um consenso que os principais veículos de comunicação que se propõem a ser nacionais partem de uma base do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, onde se encontram as sedes das redes nacionais de TV aberta e… Continuar lendo A representação midiática do CSA na Série A do Brasileiro

Avalie isto:

Artigos

A vida pulsa longe da Libertadores

“O Flamengo é o Brasil na Libertadores”. A frase é velha. Batida. Tola. Muito tola. Tão tola, que é quase inacreditável perceber que ainda ontem parte da mídia tentasse vender essa ideia na hora de divulgar a transmissão da final da competição continental. Várias emissoras de TV fizeram isso à exaustão nesses dias de novembro.… Continuar lendo A vida pulsa longe da Libertadores

Avalie isto:

Eventos

LEME recebe os pesquisadores Gustavo Bandeira e Vivian Fonseca

Encontros LEME é uma proposta do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte que visa realizar debates com professores, pesquisadores, graduandos e convidados interessados em estudar as interseções entre Comunicação, Cultura e Esporte. Os encontros pretendem oferecer um espaço de diálogo e formação acadêmica. Neste semestre, já recebemos pesquisadores proeminentes da área de esportes –… Continuar lendo LEME recebe os pesquisadores Gustavo Bandeira e Vivian Fonseca

Avalie isto:

Participações na mídia

Ludopédio entrevista coordenador do LEME (parte 1)*

Ronaldo Helal, coordenador do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME/UERJ), foi entrevistado pelo site Ludopédio. Há muito tempo queríamos entrevistar o professor Ronaldo Helal. Foram muitos anos de desencontro até que conseguimos realizar a entrevista por ocasião de um evento no Rio de Janeiro. O professor Helal nos recebeu em sua residência e… Continuar lendo Ludopédio entrevista coordenador do LEME (parte 1)*

Avalie isto: