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Exposição “Relíquias do Futebol” movimenta o Maracanã em meio à escassez de jogos.

Nada melhor que ter o maior palco do esporte mundial como cenário para relembrar a história do futebol. No último sábado, colecionadores – entre eles alguns que participaram das gravações do documentário “Segunda Pele Futebol Clube”, produzido pelo LEME – e fanáticos por futebol se reuniram no Maracanã para prestigiar a exposição “Relíquias do Futebol”. Organizado pelo Tour Maracanã em parceria com a Associação de Colecionadores de Camisas de Futebol do Rio de Janeiro (ACCFRJ), o evento possibilitou ao público ver de perto camisas de craques dos clubes do Rio, do Brasil, do exterior e estrangeiros, da seleção Brasileira e de outras seleções campeãs mundiais, além de taças, medalhas e bolas.

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O Maracanã vive um imbróglio administrativo cujo desfecho está longe de ser resolvido para que o estádio volte a ter um calendário de jogos e receba as coloridas torcidas dos clubes brasileiros e, em especial, do Rio de Janeiro. Enquanto o “Maraca” não volta a ser nosso, eventos como o do último sábado atraem público e trazem vida ao “maior do mundo”. Para Paulo Pires, presidente da ACCFRJ e um dos organizadores da exposição, é importante o Maracanã se autoafirmar como um local que respire história:

“O próprio Maracanã, em sua parte histórica de exposição, ainda precisa ter mais e mais itens que contem a glória do futebol, e esses itens, muitas vezes, estão nas mãos de colecionadores. E os colecionadores gostam de expor nossas peças, então nada melhor do que fazer uma exposição desse porte dentro do maior estádio do mundo”.

Mário Carvalho, organizador da exposição do último sábado e representante da “Inova Gestão de Eventos”, empresa responsável por gerenciar o Tour Maracanã, planeja novas atrações para a visitação, que voltou em junho após um ano de paralisação.

“Pensamos em fazer eventos privados, como aniversários de clubes, datas comemorativas de títulos, mas também outros eventos abertos. Em agosto, pretendemos fazer um campeonato de futebol de botão, com a presença de jogadores amadores e profissionais”.

No período entre as gravações do documentário “Segunda Pele Futebol Clube” e a exposição, alguns colecionadores, como o flamenguista Vitor Eidelman e o vascaíno Paulo Pires, conseguiram expandir suas coleções, adquirindo as camisas mais desejadas por eles e que, até então, não faziam parte de seus respectivos acervos. Vitor agora possui a camisa branca do Flamengo usada na final do Mundial de Clubes de 1981, contra o Liverpool; camisa de um dos próprios jogadores que estavam em campo naquela decisão: Lico. Já Paulo pode se orgulhar de possuir em sua coleção a rara e polêmica camisa vascaína da final da Copa João Havelange de 2000, marcada pelo embate entre duas das maiores emissoras de TV do país: a Rede Globo e o SBT.

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Vitor com seu novo xodó, a camisa utilizada por Lico na final do Mundial de Clubes de 1981, no Japão. Foto: Débora Gauziski
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Com sorriso estampado no rosto, Paulo posa ao lado da camisa da conquista da Copa João Havelange obtida na semana da exposição que ocorreu n Maracanã. Foto: Débora Gauziski

Apesar da concorrência muitas vezes acirrada entre colecionadores por uma camisa ou outro item raro relacionado ao futebol, o maior legado desses fanáticos por futebol são a paixão, o zelo com a história e transmissão desses sentimentos para as próximas gerações. Os tricolores Márcio e Maurício passaram a paixão pelos seus clubes e pelo colecionismo aos filhos, uma garantia de que a história do futebol mais vitorioso do planeta não se perderá.

“Ontem, eu fiquei acordado até tarde ajudando meu pai e queria que ele levasse mais camisas ainda porque de carro dá pra levar mais coisa… e quase que meu pai afundou a mala do carro”, disse Lucas, filho do Maurício, que levou cerca de 140 camisas do Fluminense ao Maracanã no último sábado, entre as quais estava a usada por Fred quando marcou o gol número 300 de sua carreira, em vitória do tricolor por 2 a 1 contra o Botafogo, em abril de 2015.

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Lucas segue os passos do pai, Maurício, e quer ter uma coleção própria. Foto: Débora Gauziski
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Para Eduardo e Frederico, a maior alegria é ir ao Maracanã com o pai, Márcio, para ver o Fluminense em campo. Foto: Débora Gauziski
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O Rio corre “do” Maracanã

Construído como um dos símbolos de um Brasil “próspero e grande” que se posicionava mundialmente no cenário pós-Guerra, o então Estádio Municipal se tornou um templo do esporte mundial. Palco de duas finais de Copas do mundo, de abertura e encerramento de Olimpíadas, casa dos cariocas que transformaram o “domingo eu vou ao Maracanã” em… Continuar lendo O Rio corre “do” Maracanã

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Não tão “Loco” assim.

Nascido no Uruguai, mas há 30 anos morando no Brasil, Juan Silvera é pesquisador de comunicação e esporte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, integrante do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte e tem como objeto de estudo as relações entre o futebol e a cultura dos dois países. Como parte de… Continuar lendo Não tão “Loco” assim.

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Reflexões sobre a Copa – carta a Ronaldo Helal

A Copa nos deixa sem oportunidades para encontros que permitam brincar com ideias e observações. Decidi voltar ao velho caminho de lhe escrever uma carta. Talvez fique longa por falta de tempo. Para maior clareza e autocontrole enumero minhas observações. 1)      Tenho a impressão de que o futebol latino americano, assim incluo México, Costa Rica… Continuar lendo Reflexões sobre a Copa – carta a Ronaldo Helal

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Copa do Mundo: mesmo vencendo, não seremos campeõs

Autor: Mauro Wainstock, jornalista O “Nobel de Economia” Milton Friedman foi certeiro: “Se colocarem o governo para administrar o deserto do Saara, vai faltar areia em 5 anos”. Desde 2010, o Brasil investiu R$825,3 bilhões em educação e saúde. Não sei se é muito ou se é pouco; o que tenho certeza é que estes… Continuar lendo Copa do Mundo: mesmo vencendo, não seremos campeõs

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Desrespeito, Racismo, Violência e Tapetes voadores: Imagina depois da Copa!

Vou começar este tragicômico post relatando o que aconteceu comigo na final da Copa do Brasil: desrespeito. Desde 1983 estive presente em quase todas as finais que o Flamengo disputou no Maracanã. Ao longo de 30 anos presenciei vitórias épicas como a própria conquista da Copa que uniu o legítimo futebol brasileiro em cima do… Continuar lendo Desrespeito, Racismo, Violência e Tapetes voadores: Imagina depois da Copa!

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O “velho” e o “novo”: construindo uma tradição

Creio que tenha sido o antropólogo Howard Becker que tenha dito, certa vez, que as mudanças sociais eram visíveis e evidentes, mas que o que o interessava era justamente o que não se modificava em meio a tantas modificações. Gostaria de aplicar o mesmo raciocínio ao futebol. É fácil observar o quanto o futebol mudou,… Continuar lendo O “velho” e o “novo”: construindo uma tradição

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