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Reeducação do futebol brasileiro

O seminário sobre a Copa do Mundo de 2014, realizado na última segunda-feira no hotel Windsor Atlântica, teve a presença de Carlos Alberto Parreira, Mário Jorge Lobo Zagallo e Mano Menezes. Os dois primeiros já tem uma identificação muito grande com a Seleção(ambos foram campeões mundiais), enquanto Mano, atual treinador do Brasil, terá a difícil missão de  estar à frente da equipe durante a competição mais importante do futebol. Copa esta que será disputada aqui, em uma nova chance para a Seleção de vencer a competição em sua própria casa. As paixões estarão mais afloradas, mas as cobranças também. E Mano Menezes sabe disso.

Desde a década de 40, na qual o futebol começou efetivamente a se tornar um elemento de integração nacional(ver Helal e Gordon, 1999), o período da Copa do Mundo é um período especial na vida brasileira. É o momento em que o sentimento de aglutinação do povo em torno de um ideal( no caso, futebolístico) é  absolutamente evidente. E chamou a atenção, durante o evento, o fato de que os três técnicos( a mesa ainda tinha o jornalista João Máximo) falarem sobre uma tal “reeducação” para que se apóie a Seleção. Essa reeducação, por sua vez, envolve torcida e imprensa.

É necessário perguntar: o que estaria presente nesse processo de reeducação? Mano Menezes usou seguidas vezes a frase: “ Ressaltar também os pontos positivos da realização da Copa.” Ora, é lógico que não se pode pintar uma caveira de tudo. Mas não queiram construir uma situação de tranquilidade na organização da Copa que absolutamente não existe. Obras atrasadas (Mineirão, Castelão), superfaturamento (O Maracanã é o maior exemplo), favorecimento a dirigentes (Andrés Sanches, com fortes ligações com o Governo, conseguiu recursos para o Itaquerão, futuro estádio do Corinthians e que já foi cogitado como local de abertura da Copa), além de diversos problemas sociais envolvidos na realização de uma competição de tal porte (veja, por exemplo, essa matéria).

Zagallo disse que o Brasil tem de vencer em 2014, “ Custe o que custar”. Parreira, ao ser perguntado pelo jornalista Antônio Nascimento como a imprensa poderia fazer esse apoio ao Brasil sem perder o senso crítico, falou sobre a necessidade de novos debates e a importância do tema. Responder objetivamente sobre o tema, aí é outra história.

Percebia-se latentemente que a seleção das perguntas era feita de modo a não causar muito desconforto, aos entrevistados e, em uma esfera mais ampla, à própria CBF, que não tolera críticas ao seu presidente, Ricardo Teixeira, assim como à organização da Copa do Mundo no Brasil. Tanto que Teixeira tenta barrar de qualquer jeito a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Copa 2014.

Outros assuntos também foram trazidos à baila durante as duas horas de evento: o aproveitamento de Neymar e Ganso na Copa América, os jogadores de hoje que podem fazer a diferença na Copa daqui a três anos, a influência dos times campeões no futebol jogado no mundo inteiro no período entrecopas….  Mas a tal da “ reeducação de torcida e imprensa” não saiu da minha cabeça até agora. E não deve sair até 2014.

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