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Intercom 2012: Esporte e Comunicação

Este ano, o XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2012terá como temaEsportes na Idade Mídia – diversão, informação e educação”. Sendo a Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – a entidade mais representativa da área da comunicação, a escolha do tema de seu 35º Congresso é, sem dúvida, um reconhecimento ao campo de estudos sobre esporte e comunicação no país.

Recordemos que houve um momento em que os estudos acadêmicos sobre esporte eram escassos e possuíam uma perspectiva apocalíptica, no sentido de entenderem o fenômeno como um instrumento de alienação das massas pela elite dominante. Naquele período – estou me referindo ao final da década de 1970 – parecia que a única maneira de se pesquisar o esporte de massa era entendendo-o como um narcótico da população. Era como que se agindo desta forma os pesquisadores tivessem “permissão” da academia para realizar suas pesquisas. Do contrário, o olhar era de preconceito. Afinal, por que e para que se estudar futebol, por exemplo? O preconceito da academia não era, muitas vezes, manifesto, mas se fazia sentir na ausência de estudos e grupos de pesquisa e na falta de apoio das agências de fomento ao tema, segundo relato de alguns.

Neste sentido, dois trabalhos do antropólogo Roberto DaMatta foram fundamentais para aproximar a academia dos estudos sobre esportes de massa, particularmente o futebol, no país: Carnavais, Malandros e Heróis de 1978 e Universo do Futebol de 1982. Ainda que as teses de DaMatta pudessem ser questionadas, o fato dele ter focado seus estudos para o carnaval e o futebol, coisas que seriam consideradas “não sérias” pela academia nativa, contribuiu para a mudança de olhar em relação a estes fenômenos. Em Universo do Futebol, DaMatta organiza uma coletânea de quatro ensaios antropológicos (incluindo o dele) sobre o futebol no Brasil. Em comum, o fato dos ensaios lamentarem o então “descaso” das ciências sociais sobre o fenômeno.

Em meados da década de 1980, realizei meus estudos de mestrado e doutorado em sociologia na New York University. Neste período, constatei que a sociologia do esporte era uma disciplina respeitada no país, com vários trabalhos publicados e a realização de congressos e grupos de trabalhos em diversas universidades estadunidenses. Quando retornei ao Brasil, verifiquei que muito ainda precisava ser feito para a construção de um campo acadêmico sobre o futebol brasileiro. Não imaginava que em pouco mais de duas décadas tivéssemos a proliferação de estudos, publicações e de grupos de pesquisa nos congressos mais importantes de ciências sociais no país.

Quando fundamos nosso grupo de pesquisa “Esporte e Cultura”, Hugo Lovisolo e eu tampouco tínhamos ideia de que este seria o primeiro do país com o foco voltado para a relação entre comunicação e esporte. Isto foi constatado na pesquisa de Wilson Bueno, publicada na Revista Organicom, número 15, de 2011.

Ainda naquele momento, os questionamentos de Lovisolo, muitos deles desenvolvidos por Antonio Jorge Gonçalves Soares em sua tese de doutorado, sacudiam os argumentos repetidos muitas vezes sem reflexão a respeito da simbologia do futebol brasileiro e da equação futebol-nação no país. Os dois, Lovisolo e Soares, ousaram questionar o já clássico O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho. Não exatamente o livro, mas o seu uso como fonte fidedigna de história.

Estou convencido de que os questionamentos de Lovisolo e, por conseguinte, dos que foram influenciados pelas suas argumentações, tiveram papel importante na consolidação do campo, principalmente em sua interface com a comunicação.

O atual momento é muito produtivo e único. Teremos no país a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas em 2016. A Intercom sai na frente colocando o esporte como tema do seu congresso mais importante. Nós, do grupo de pesquisa Esporte e Cultura, estaremos representados, tanto na Intercom Sudeste, em Ouro Preto, onde fui convidado – e fiquei muito honrado por isso – para realizar a palestra de abertura, como na Intercom Nacional, quando Édison Gastaldo e eu, participaremos de algumas mesas. Isto sem contar com os trabalhos de nossos pesquisadores no grupo de pesquisa Comunicação e Esporte, tão bem liderado por Márcio Guerra.

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