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Pequenas reflexões

Profissão paixão
Após amargar mais um péssimo resultado no Campeonato Brasileiro, a queda do Vasco  para a Segunda Divisão parece questão de tempo. Mas não são só os torcedores que estão demonstrando revolta em relação à situação que o clube vive. Após a goleada por 6 a 0, sofrida para o Internacional, na noite de 2 de setembro, o repórter Rafael Marques usou o microfone da Rádio Globo para fazer um depoimento emocionado sobre a situação do clube.
Vasco é derrotado por 6×0 para o Inter

 

Misturando algumas informações com muitas opiniões sobre a forma como o clube é conduzido ele se confunde entre torcedor e jornalista. Muitos dirão que o rádio é o veículo ideal para esse tipo de demonstração e que o torcedor gosta de se sentir representado. No entanto, o próprio profissional reconheceu que, em alguns momentos, pode ter se deixado levar pela paixão.
Apesar do Manual de Radiojornalismo ter sido deixado de lado por alguns momentos, aprovei a iniciativa do repórter. Ao deixar claro que estava falando no calor de um momento específico, ele se licenciou da necessária e hipotética postura equilibrada e independente exigida pela função. Quando falamos de esporte, podemos ter essa licença. É claro que precisa ser usada com moderação. Mas, a partir do momento que se deixe claro para o interlocutor qual tipo de texto está sendo produzido, o profissional não estará enganando ninguém.
Futebol & TV
Não existe mais qualquer possibilidade de se desvincular o futebol do espetáculo televisivo que ele se tornou. Não que isso seja um problema, mas é algo que ainda não aprendemos a lidar. A discussão nem é sobre a introdução da tecnologia para solucionar erros de arbitragem. Mesmo que isso nunca aconteça na prática, a transmissão já interfere na condução dos jogos. A informação de que um árbitro errou chega para os treinadores e, consequentemente aos jogadores, minutos depois do ocorrido.
Antes, um árbitro era questionado pela possibilidade de ter errado. Agora, com a informação confirmada pela transmissão televisiva, o jogador afirma com convicção que foi prejudicado. O árbitro, por sua vez, também informado no intervalo, fica mais pressionado e, invariavelmente muda seu comportamento na tentativa de compensar os erros.
Essa situação impacta diretamente os profissionais que trabalham nas transmissões. Não só narradores, comentaristas e repórteres. Cresce a importância de um trabalho preciso de toda a equipe técnica. Não podemos esquecer que os recursos gráficos, que determinam se o jogador estava ou não impedido, muitas vezes são operados por profissionais que também podem falhar e, por consequência, alterar o veredito. Mudando toda a atmosfera de uma partida.
Bandeiras pela paz
Não poderia terminar esse texto sem falar de um assunto realmente relevante. A crise migratória na Europa e Oriente Médio foi o assunto mais importante da semana que passou. As dificuldades vividas pelos refugiados que tentam, a qualquer custo, chegar ao continente europeu, sonhando com a possibilidade de devolver dignidade às suas vidas, emocionaram boa parte do mundo. Principalmente depois que a web foi inundada pela comovente foto de um bebê sírio, morto afogado em uma praia na Turquia. Neste cenário sombrio em que é fácil dizer que há motivos para perder a fé na humanidade, de onde veio a esperança? Do futebol! Ou melhor, das arquibancadas! Apesar da onda xenófoba que, há muito, ganha força na Europa, torcedores alemães protagonizaram diversas manifestações em defesa dos refugiados. Pode parecer pouco, mas as demonstrações de apoio estimularam muitos clubes a se posicionarem sobre o assunto e, inclusive, a se comprometerem com doações.

A questão é muito complexa e não será resolvida apenas com bandeiras ou gestos benevolentes de dirigentes. No entanto, talvez estejamos diante de uma oportunidade única para o futebol mundial. Manchado por escândalos de corrupção e movimentando cifras inexplicávies, quem sabe um dos ambientes realmente globalizados do planeta não possa assumir o protagonismo nessa questão. Taí uma grande oportunidade para a FIFA usufruir todo o seu prestígio político e econômico para tentar intermediar negociações bilaterais e desenvolver campanhas que tentem diminuir o preconceito contra imigrantes.

refugees welcome
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