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Não é só por R$ 0,20. Nem por R$ 8,5 bilhões.

A culpa é da Copa?  Pergunto-me desde o início das manifestações em todo o país. Afinal, “o futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”, já dizia o ex-técnico italiano Arrigo Sacchi. Para quem esperava uma cobertura “full” Copa das Confederações nos veículos, teve que se contentar, muitas vezes, com um pouco mais do que já estamos acostumados no dia-a-dia dos clubes na imprensa. O futebol perdeu espaço para o povo. O pretexto para tanta mobilização não são apenas os centavos da passagem paulistana. Nem só os gastos públicos e os possíveis desvios nas obras do Mundial, o que já teria ultrapassado os R$ 8,5 bilhões.

Mas a engrenagem de corrupção por trás de serviços que deveriam, pelo gasto que está no papel, ser muito melhores.

Nos meios de comunicação, vemos craques eternos como Pelé, Romário e Ronaldo envolvidos nos protestos. Pelé pede menos atitude, mais futebol. O Baixinho, mais atitude, menos futebol. E o Fenômeno tem uma fala sobre hospitais e verbas distorcida. Concordo com os que defendem a realização da Copa no País com o discurso de que foram 63 anos de Brasil sem Mundial e que, mesmo assim, não foi investido em saúde, educação, transporte. Os estádios estão prontos. Alguma melhoria virá nos transportes. Se houve desvio, há indícios, mas não posso provar. Agora é a hora de lucrar com o turismo, com a prestação de serviços, com a bola.

Cartazes pedem salários de Neymar para os professores. Nas manifestações, os gritos de estádio são transformados em hinos contra corrupção e amor ao país. O basta do brasileiro no ritmo do futebol foi tema, inclusive, do post de Joaquim Tavares Júnior, aqui no site.

Não era essa a “rua como arquibancada” que a Fifa e os patrocinadores imaginavam. A entidade máxima do futebol, inclusive, admitiu que o estádio não é lugar para protestos.

Acostumados a ver a Copa como eventos de manipulação de regimes totalitários (como a Azzurra de Mussolini em 1934, “la mano del dictador” Jorge Rafael Videla para a Argentina em 1978, e o Brasil-70), os brasileiros entendem que é a hora de usar o evento para chamar a atenção do mundo para nossos problemas. O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, chegou a declarar que governos democráticos atrapalham a organização de uma Copa do Mundo. Pode o futebol conviver com tantas manifestações?

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Se em campo, vemos uma histórica Espanha. Um emocionado Brasil, com o lampejo de um craque que nasce com a camisa amarela, Neymar. Um simpático Taiti. Uma Itália diferente, de frente. Fora dele, temos ainda problemas de estrutura e de segurança, como jogadores espanhóis assaltados.

Não se sabe ainda se a Copa das Confederações, torneio teste, vai ser aprovada neste ano. Não consigo, inclusive, imaginar na Copa-14. Você consegue?

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