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A trama e os silêncios: Mídia, futebol e compadrio em negociatas

“Sempre leio primeiro a página de esportes, que registra os triunfos das pessoas. A primeira página não me diz nada além dos fracassos do homem”. A frase é de Earl Warren, político e ex-chefe da Justiça dos Estados Unidos. Contudo, nem sempre a seção de esportes trata de triunfos. Nos últimos dias, abriu espaço para, se assim podemos chamar, “fracassos do homem”. Suborno, corrupção, propina, delações, mortes. Poder. Uma trama que envolve dois setores de grande visibilidade e, por isso, muita influência na sociedade: as redes de televisão e o futebol.

Com o, no mínimo estranho, assassinato no último domingo, dia 19/11, do vice-presidente da Televisa, Adolfo Lagos, na Cidade do México, já são dois mortos entre os citados na delação de Alejandro Burzaco – executivo argentino que confessou participar de corrupção no futebol sul-americano, nos desdobramentos das investigações do escândalo da FIFA, revelado em 2015. Além dele, na terça-feira passada, o advogado Jorge Alejandro Delhon teria se jogado na frente de um trem, em Lanús, na Argentina. A polícia local fala em suicídio. As mortes aconteceram pouco depois das denúncias de Burzaco. Coincidência… Em depoimento no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, o ex-executivo da empresa “Torneos y Competencias” disse que pagou propina para diversos altos executivos da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol. Nem só os cartolas foram envolvidos. Grupos de Televisão também foram citados e acusados de pagar propina a Julio Grondona, ex-presidente da Associacao de Futebol Argentino (AFA) e então membro do comitê financeiro da FIFA, na compra dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030.

Alejandro Burzaco, responsável pelas delações chacoalhou o mundo dos negócios envolvendo futebol. Foto: La Nación.
Entre eles, a Rede Globo – principal grupo de comunicação do Brasil, detentor dos direitos de transmissão dos principais eventos esportivos – que, segundo a testemunha, juntamente com a Televisa, teriam pago US$ 15 milhões em propinas, em março de 2013, à Torneos y Competencias (TyC), empresa de marketing esportivo responsável por negociar a venda dos direitos de transmissão no continente. Este dinheiro teria sido repassado a Julio Grondona. A emissora brasileira noticiou o fato e negou as denúncias em seus telejornais, dizendo que não pagou propina e que fez investigação interna que comprova os valores dentro do que consta em contrato.

As investigações do “FIFA Gate” continuam. Um dos nomes citados, desde 2015, é o do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Ele é acusado de três crimes nos EUA: conspiração, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica. Isso por supostamente ter recebido propinas por contratos da CBF. Já é clássico e sabido: Del Nero não pode viajar para países onde os Estados Unidos têm acordo de extradição. Senão, é preso!

Por si só, são denúncias graves que a imprensa, a meu ver, deveria trazer mais em sua cobertura jornalística. Contudo, o número de reportagens dentro do noticiário sobre os crimes está aquém ainda. São poucas as vozes e tão frágeis em sua cobertura, que configura quase um silêncio da mídia. Não me recordo de assistir a uma incessante busca por respostas sobre a possível participação dos dirigentes brasileiros nessa conspiração envolvendo FIFA, confederações, meios de comunicação, dirigentes etc. E as denúncias sobre o possível pagamento de propina dos meios de comunicação jogam dúvidas sobre a real relação entre cartolas e empresas de comunicação.

Com a Seleção Brasileira bem em campo, com Tite como ídolo e “garoto propaganda”, frequente em anúncios publicitários, é cada vez mais escasso assistirmos ou lermos uma cobrança sobre a situação do dirigente. A CBF, assim, torna-se um retrato da política nacional atual: denúncias, provas, crimes e nenhuma punição. Imunidade.

O uso da Confederação Brasileira de Futebol para se levar vantagem em acordos é algo que nos leva a uma reflexão: Como interferir numa organização privada? Mas não é uma organização qualquer, é uma entidade de interesse público, já que ela é responsável por gerir um dos símbolos nacionais. É uma dúvida, confesso. Está tudo imbricado nessa relação público e privado no futebol brasileiro. Veja a “construção” da Copa de 2014: estádios, cidades, negociatas…

Com anuência de parte da mídia e da própria Fifa – que alegou documentação insuficiente para punir o dirigente, diante das acusações -, Del Nero tem o jogo nas mãos. Candidato único, foi eleito ainda em 2014, antes da Copa, com ampla maioria dos votos. Agora, segue a cartilha de Ricardo Teixeira e José Maria Marín para se perpetuar no poder. O compadrio de Federações, cartolas corruptíveis e clubes amedrontados, além de uma imprensa com o “rabo-preso” o mantêm no alto do posto.

Blatter oficialmente é carta fora do baralho, mas a  FIFA e o mundo dos negócios no futebol não mudaram. Foto: Marca.
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O Rio corre “do” Maracanã

Construído como um dos símbolos de um Brasil “próspero e grande” que se posicionava mundialmente no cenário pós-Guerra, o então Estádio Municipal se tornou um templo do esporte mundial. Palco de duas finais de Copas do mundo, de abertura e encerramento de Olimpíadas, casa dos cariocas que transformaram o “domingo eu vou ao Maracanã” em… Continuar lendo O Rio corre “do” Maracanã

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Da várzea à Fifa

No Sertão da Paraíba, nos recantos de uma cidadezinha qualquer, há um clube amador de futebol. Um time de peladeiros, com poucos recursos, sem campo próprio, sem dinheiro para manter o jogo de bola em níveis aceitáveis de qualidade. Jogam em nome do prazer. Para se socializar na base da cachaça e da feijoada ao… Continuar lendo Da várzea à Fifa

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Significado de Corrupção

s.f. Ação ou efeito de corromper.  Ação ou resultado de subornar (dar dinheiro) uma ou várias pessoas em benefício próprio ou em nome de uma outra pessoa; suborno. Utilização de recursos que, para ter acesso a informações confidenciais, pode ser utilizado em benefício próprio. Alteração das propriedades originais de alguma coisa: corrupção de um livro.… Continuar lendo Significado de Corrupção

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O Custo de oportunidade da Copa do Mundo

Autor:  Artur Salles Lisboa de Oliveira  Torcer ou não torcer, eis a questão. Eu apoio a segunda opção convicto que esta não representa a solução dos problemas do Brasil, mas ao escolhê-la levo em consideração o conceito de custo de oportunidade aplicado à Copa do Mundo. A realização do Mundial em território brasileiro não mudará… Continuar lendo O Custo de oportunidade da Copa do Mundo

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Adeus ano novo. Feliz ano velho!

O ano de 2014 tinha tudo para começar de forma empolgante para os brasileiros apaixonados por futebol. Afinal, em poucos meses, sediaremos o torneio mais importante do esporte mundial. Estádios novos estão ficando prontos e muitos imaginavam que isso seria suficiente para gerar um clima de otimismo (e até euforia) entre torcedores e jogadores. No… Continuar lendo Adeus ano novo. Feliz ano velho!

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Copa das Confederações e Manifestações Políticas

Soa como opinião culta dizer que o “futebol é o ópio do povo”, como se com isso se afirmasse que os brasileiros se deixam ser enganados por eventos futebolísticos. As atuais manifestações batem de frente com a suposta opinião culta. Com todo o descontentamento em relação ao fantasma da inflação, à possibilidade de aprovação da… Continuar lendo Copa das Confederações e Manifestações Políticas

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