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Maradona – uma reverência além do Bem e do Mal

Maradona morreu. Tristeza no mundo futebolístico, comoção em diversos locais do planeta, pauta midiática em todos jornais e programas televisivos, o eterno retorno de polêmicas insolúveis e por vezes fatigantes como o gol de mão contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, a comparação com Pelé, a questão das drogas, a rivalidade entre brasileiros e argentinos, suas relações pessoais com diversas personalidades etc.

Temas importantes da vida desse grande personagem real que foi o craque argentino, um ídolo que transcende o universo esportivo na Argentina e entre apaixonados por futebol. Entretanto nesse post não pretendo continuar reproduzindo mais do mesmo ou estereótipos como fizeram recentemente diversos jornalistas e até mesmo pesquisadores da área. De uma conversa com um aluno sobre Nietzsche em sala de aula virtual na semana da morte do jogador, veio a ideia de escrever algo distinto sobre esse super-homem real, cheio de virtudes, contradições, vícios e paixões.

Paulo César Caju afirmou em interessante artigo que Maradona não está acima do bem e do mal e que a idolatria, inclusive de brasileiros, seria exagerada. Se colocou na contramão da maior parte das reverências feitas com a coragem que lhe é peculiar. Filosoficamente, não necessariamente pode estar acima, mas pode ter ido além, em outra esfera, assim como, na minha opinião, o próprio Garrincha, que ele, Paulo César, menciona como referência de gênio e ídolo nacional.

Para alguns, ele seria um Deus, como julgam os adeptos da Igreja Maradoniana, para outros um símbolo pueril de resistência progressista anti-mercantilização. Apesar de ter sido amigo de Fidel, ter apoiado no Brasil Lula, na Bolívia Evo Morales, também esteve próximo de Carlos Meném, da máfia italiana e se utilizou muito do marketing mercadológico para vender produtos na Argentina e no mundo todo e para alavancar uma carreira de técnico sem nunca ter sido efetivamente reconhecido pela sua qualidade para essa profissão. Eu tenho na minha coleção a camisa abaixo que foi comprada em um bar de esportes “Locos por Fútbol’ que ficava localizado na frente do cemitério Recoleta em 2000. Vejam que belo símbolo de mercantilização progressista.

Camisa de Maradona / Che – Fútbol Revolución – Acervo pessoal do autor

Para mim, Maradona foi um gênio que, a partir da perspectiva filosófica de Nietzsche, se coloca além do bem e do mal, ou seja, uma fusão de Apolo e Dionísio que teria sido quebrada pelo Sócrates filósofo, um homem que não seguiu nenhuma moral de rebanho na sua vida pessoal e que profissionalmente se destaca pela sua arte ao jogar futebol de forma lúdica, improvisada, técnica, mas também pela sua grande força física.

Passou pelas três metamorfoses de Zaratustra: camelo em 1978 suportando o corte da seleção campeã na Copa realizada no seu país, leão ao lutar bastante durante a Copa da Espanha em um momento de luto do país com a traumática derrota na Guerra das Malvinas e o espírito de uma criança para trazer a esperança de uma vida nova e conquistar a épica Copa do Mundo de 1986.

Após ter passado uma infância difícil e uma careira futebolística brilhante transformou-se em um crítico veemente de alguns valores burgueses e de instituições poderosas como a FIFA, associando sua popular imagem a diferentes líderes políticos, mas continuou a viver intensamente suas paixões, seus vícios, as amizades e o futebol.

Podemos considerá-lo um niilista moderno que inspirou até uma seita de adoradores que ainda não acredita que “Deus está morto”, pois não foram os homens que mataram Maradona. Seria o Anticristo por inspirar uma nova seita marginal mas midiática?

A idolatria por esse verdadeiro homem que rompeu os valores impostos pela sociedade, que não se acomodou com a glória das conquistas, que superou sempre a dicotomia maniqueísta agostiniana do Bem e o Mal, é legítima. A maior parte dos indivíduos permanecem carneiros no rebanho em função de uma submissão irrefletida aos valores dominantes da civilização moderna. Maradona não foi carneiro, também não foi Deus, nem diabo, vilão e nem mesmo herói, por mais que venham citar a trajetória de Joseph Campbell em trabalhos acadêmicos sobre ele.

Diego foi um ser humano que viveu intensamente seus sonhos e pesadelos, autêntico e apaixonante não só pela sua habilidade em campo ou pelo número de gols e scouts modernos, mas pela representação simbólica de seus atos fora de campo. Seus gols e declarações eram como aforismas de Nietzsche – “Ouse conquistar a si mesmo” talvez tenha sido sua maior derrota em função das drogas, mas sua vida foi repleta de vitórias brilhantes.

Para muitos, ele não é um exemplo de moralidade, seria um viciado, ex-presidiário, que ao longo da sua vida teve diversos comportamentos anômicos; para outros, ele é um deus, gênio, até um símbolo de resistência revolucionária. Maradona não pode ser visto apenas por um lado da moeda da existência , ele não está acima de tudo, mas está além do bem e do mal como jogador e ser humano.

Não descanse em paz. Parta para algum lugar com serenidade, mas também com a mesma intensidade que viveste.

– Deus está morto. Viva perigosamente! Qual o melhor remédio? Vitória! (Friedrich Nietzsche)

Como a morte de Maradona está repercutindo nas redes sociais | Exame
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Sobre a arte do engano no futebol

Os argentinos Mauricio Pochettino e Eduardo Coudet são, respectivamente, os treinadores do Tottenham Hotspur Football Club em Londres e do Racing Club de Avellaneda. Além de colegas, eles compartilham algumas ideias básicas em sua concepção do futebol. Não é por acaso que ambos sejam elogiados por promover um estilo de jogo vistoso e ofensivo. No… Continuar lendo Sobre a arte do engano no futebol

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O já eterno debate entre Pelé e Maradona é ainda mais amplo na Academia

As comparações entre Pelé e Maradona serão eternas, pelo que esses craques representaram dentro e fora de campo. Para a academia essas comparações precisar ir além dos “lugares comuns”, e incorporar conceitos políticos, de identidade e representação de Brasil e Argentina. É o que conta, neste vídeo, um dos coordenadores do Grupo de pesquisa “Comunicação… Continuar lendo O já eterno debate entre Pelé e Maradona é ainda mais amplo na Academia

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Messi: sociologia de um gênio

Recentemente fui abordado por um amigo que me perguntou como eu poderia explicar o futebol do Messi. Surpreendido com a pergunta, lhe respondi que genialidade não tem explicação. De qualquer forma, passei a refletir sobre a questão a partir do livro Mozart: sociologia de um gênio, do sociólogo alemão Norbert Elias. Nesta obra, Elias analisa… Continuar lendo Messi: sociologia de um gênio

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O país do futebol e o confronto entre O Rei Pelé e o Pibe Maradona?

*Esse texto é uma versão estendida e modificada do post publicado ontem. Após a publicação do post “Porque os brasileiros torcem pela Alemanha” no dia 13 de julho, recebi vários comentários críticos, algum deles colocados no próprio blog, entre eles de pessoas que aprecio em termos pessoais e intelectuais. Apenas posso manifestar meu apreço incorporando… Continuar lendo O país do futebol e o confronto entre O Rei Pelé e o Pibe Maradona?

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O Rei deveria renunciar?

Durante a Copa do Mundo que acaba de finalizar, a televisão mostrou a presença do Rei Pelé no Maracanã.  Galvão Bueno, nosso ícone do jornalismo esportivo, comentou que é necessário que os brasileiros mostrem em relação ao Pelé o tipo de atitudes que os argentinos têm em relação à Maradona. Sua afonia após a transmissão… Continuar lendo O Rei deveria renunciar?

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Argentinos e Brasileiros

Faltando ainda mais de dois meses para o início da Copa do Mundo, um comercial da rede Casas Bahia já “tira um sarro” com os argentinos. Os “hermanos” (como são chamados nossos vizinhos no referido comercial) estão uniformizados com a camisa da seleção de seu país gritando “Argentina”, quando o “vendedor” anuncia que, se o… Continuar lendo Argentinos e Brasileiros

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Participações na mídia

Ronaldo Helal e Pablo Alabarces participam do Esporte Espetacular

Ronaldo Helal e Pablo Alabarces participaram da matéria “Amor ou ódio? Argentinos mostram carinho pelo Brasil, sem esquecer rivalidade no futebol”, que foi ao ar nesse domingo (15/09) no Esporte Espetacular. Confira aqui o vídeo completo.

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Amor e ódio

Você sabia que nas finais das Copas de 1994, 1998 e 2002, contra Itália, França e Alemanha, respectivamente, a maioria dos argentinos queria que o Brasil vencesse? Até mesmo no “Olé”, que provocou o Brasil durante toda a Copa de 2002, 56% dos internautas entrevistados preferiam que Brasil ganhasse da Alemanha na final. E o… Continuar lendo Amor e ódio

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Eventos · Produção audiovisual

“Maradona: a Mão de Deus” no Sportv

O canal de TV por assinatura SPORTV exibe neste sábado, dia 30/10,  às 22h, o filme “Maradona, A Mão de Deus”. Baseado na vida de Diego Armando Maradona, o longa metragem dirigido por Marco Risi homenageia esse grande ídolo do futebol argentino que completa 50 anos neste sábado. Para aqueles que não puderem assistir no sábado, o… Continuar lendo “Maradona: a Mão de Deus” no Sportv

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