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A corrida pela sobrevivência do esporte diante da mudança climática

Em setembro do ano passado, Tottenham X Chelsea, pela quinta rodada da Premier League, entrou para a história como “a primeira partida de um grande campeonato de futebol a ter emissão zero de carbono”. As duas equipes se locomoveram em ônibus movidos a biocombustíveis, torcedores foram incentivados a pedalar ou a usar o transporte público para ir ao jogo, a comida servida dentro do estádio teve opções vegetarianas e as garrafas plásticas foram destinadas à reciclagem.

O objetivo não era apenas conscientizar, muito menos ganhar cliques em uma iniciativa de marketing. Eles ainda são exceção, mas os eventos “carbono zero” em todas as modalidades são uma corrida contra o tempo, na qual o esporte contribuiu para o caos climático e, agora, luta pela própria sobrevivência.

A pegada de carbono dos eventos esportivos é similar às emissões de gases de Bolívia e Espanha, segundo o estudo “Jogando contra o relógio: esporte mundial, emergência climática e mudanças urgentes”, da rede de organizações ambientais “Rapid Transition Alliance” (RTA).

No ano passado, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mudanças climáticas, a COP26, debateu o impacto do esporte no aquecimento global em um painel exclusivo. Organizações esportivas, como o Comitê Olímpico Internacional, a FIFA, a Premier League e a Fórmula 1 e Fórmula E, se comprometeram a alcançar as emissões zero até 2040 e reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50% até 2030.

Desde 2018, quando o painel “Esportes para Ação Climática” da ONU foi criado e chamou, pela primeira vez, a atenção do setor para o tema, cerca de 280 entidades esportivas se comprometeram a cumprir as metas do Acordo de Paris, que pretende, até o final do século, limitar em até 1,5°C o aumento da temperatura global. É uma mobilização sem precedentes e reflexo de que as consequências já são percebidas.

Tempestade inundou, em 2015, o campo do Carlisle, time da quarta divisão do futebol inglês. Clube foi forçado a sair do estádio por dois meses. Foto: Getty Images

A maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021 foi transferida da capital japonesa para outra cidade, Sapporo, devido ao intenso calor. Segundo o estudo da RTA, 25% dos campos de futebol da Inglaterra, onde aconteceu o “Tottenham x Chelsea carbono zero”, podem sofrer inundações. Metade dos países que já sediaram Olimpíadas de Inverno correm o risco de não conseguir mais realizar novamente o evento no futuro. Se o ritmo das mudanças climáticas não for freado até 2050, será praticamente impossível realizar atividades físicas ao ar livre por longos períodos, dada a elevação das temperaturas e a degradação da umidade e da qualidade do ar.

O esporte está em uma encruzilhada, em uma crise existencial. O futuro das competições e de novos atletas está ameaçado em meio ao aumento da temperatura global. A transição verde e a descarbonização precisam acontecer, motivadas ou por uma real preocupação quanto ao futuro da Terra, ou pela necessidade financeira de que os eventos simplesmente aconteçam.

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Por que tantas transmissões de jogos ficam restritas a pagamento?

Na semana em que escrevo este texto, o atual campeão da Taça Libertadores da América jogará a partida de ida das oitavas-de-final da competição com transmissão audiovisual exclusiva a uma plataforma paga, cujo acesso é restrito a assinantes de duas distribuidoras de TV fechada e suas respectivas possibilidades na internet. Não só, pois todos os jogos da Copa Sul-Americana no Brasil estão restritos a esta plataforma, independentemente de ser fase decisiva e/ou envolver grandes equipes brasileiras. Há o que fazer?

Fonte: print do Prime Video

O que me motivou a escrever este texto e responder a isso foi um tuíte do perfil @cornetafpfpe com o seguinte conteúdo:

“Tem que se regulamentar a transmissão por streaming, times como Bahia, CAP, a dupla cearense, o choque rei, não podem ter seus jogos exclusivos neles, acaba excluindo muita gente, até no ponto de acesso à informação. O que acha, Anderson?”.

A citação à dupla cearense se refere à transmissão do Clássico-Rei da Copa do Brasil pela Amazon Prime Video, na semana passada; mas pode ser aplicada aos jogos sul-americanos. Mesmo caso de Bahia X Athletico.

Após a resposta inicial, veio um novo comentário:

“Acho que deveria ter alguma regulamentação que jogos de times que possuem mais de 1mi de torcedores tem que ser disponibilizados em tv se a competição tiver vendido direitos de tv”.

A justificativa dele era que essa exclusividade restringia o acesso para quem poderia pagar e sabia usar os aplicativos.

Vamos às respostas

Eu também queria e defendo o maior acesso possível para o público torcedor ao programa futebol quando o seu time está na tela e em campo. Tanto a minha dissertação de mestrado, transformada em livro (SANTOS, 2019), quanto a minha tese de doutorado (SANTOS, 2021) partem da premissa de que alguns jogos de futebol são “conteúdos de interesse social”, como consta em legislações de vários países, inclusive na Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), que considera assim os jogos da seleção brasileira de futebol.

Não há muito o que fazer para garantir a transmissão de todas as partidas na TV aberta de tantos clubes. Tudo não dá e, na minha avaliação, delimitar por quantidade de torcida em torneios nacionais seria também gerar privilégios.

Fonte: canal do CAP no YouTube

No caso de Athletico (Brasileiro) e Bahia (Baiano e Copa do Nordeste) passa ainda por opção das diretorias em certos campeonatos. Ou seja, apresentar tudo na TV aberta acabaria com uma fonte de receitas importante para o próprio clube.

Desde o contrato para transmissão da Série A do Brasileiro, a partir de 2019, que a partilha de receitas de transmissão está mais próxima entre as plataformas de transmissão, caminhando para as plataformas pagas colocarem mais dinheiro. E aí, onde tem mais dinheiro vira prioridade para os clubes, mesmo que seja a torcida o público-alvo também da transmissão.

As licitações para a transmissão dos torneios sul-americanos demonstraram isso. Se não passarão mais pela Conmebol TV (ainda bem!), com jogos exibidos pela Globo (Libertadores) e SBT (Sul-Americana), mas também pelo Paramount+ e, provavelmente com mais jogos exclusivos no Star+.

O mercado se encaminha para poucos jogos por rodada na TV aberta, como quase sempre foi, aliás. Num momento inicial, por falta de condições técnicas para exibir todos os jogos. Depois, para não acabar com o modelo de negócio dos canais esportivos na TV paga e no pay-per-view (ppv), iniciados em momentos diferentes da década de 1990.

Vale ressaltar que os jogos transmitidos em plataformas pagas sempre foram de acesso restrito porque poucas pessoas, proporcionalmente falando, podiam pagar TV fechada e, a mais, o ppv. Nem precisava falar qual era a prioridade para transmissão em rede na TV aberta nas décadas de 1980 a meados da de 2010: times de Rio de Janeiro e São Paulo.

A diferença de agora é que a maior parte dos jogos estão/estarão espalhados em uma ou mais plataformas pagas. Cenário realmente pior para quem assiste/paga porque precisará ter a assinatura de mais de um serviço, talvez pagando muito por isso – considerando ainda a necessidade de uma boa internet banda larga – e com a necessidade de ter mais conhecimento sobre como cada aplicativo funciona.

Importante ressaltar ainda que o modelo de TV paga segue minguando no Brasil, então não pode ser mais considerado isolado, mas dentre as possibilidades de acesso pago aos jogos. Por um lado, os problemas econômicos que afetam o país a partir de 2015 diminui a base de assinantes por questões financeiras individuais. Por outro, a mudança do mercado de audiovisual, com a entrada do streaming, faz com que o público opte pela assinatura de plataformas de streaming e que os grandes grupos empresariais escolham focar mais nessa mídia que nos canais de TV fechada – como mostra a ESPN com o Star+.

Isso se dá por uma questão simples. Se falamos em “futebol-negócio” é porque esta prática de lazer foi normatizada, controlada por um agente privado (ou de característica paraestatal), com extensão da mercantilização sobre o jogo a partir das transformações do modo de produção capitalista a partir da década de 1970.

Não ter tanto jogo de “graça” é porque o próprio esporte se voltou mais ao estímulo ao consumo, ou seja, à compra de produtos e serviços ligados a ele, inclusive o acesso à assistência dos jogos; que para uma aproximação social. Enfim, reflexos de uma prática profissional que se desenvolve no âmbito da disputa e das contradições capitalistas.

Fonte: print de canal do YouTube “Lances Hoje” com melhores momentos de The Strongest 1X2 Ceará

Mas o que dá para fazer?

A possibilidade que defendo na tese, dentro de uma proposta regulatória mais ampla, é garantir que jogos relevantes (número restrito) sejam transmitidos na TV aberta. Considero que o acesso é mais amplo, irrestrito e de forma igual no tempo (sem muito atraso por condições técnicas estruturais) que a internet, mesmo que nesta seja de forma gratuita.

É preciso entender que cabe às agências reguladoras evitarem prejuízos de ordem econômica para a concorrência entre os agentes (que transmitem ou em competição). Porém, é necessário que elas tratem também de determinados produtos como de interesse social, que devem ter acesso facilitado ou gratuito a quem é cidadã/o.

É por isso que as leis normalmente tratam do “flagrante jornalístico”, ou seja, a possibilidade de acesso ao principal do evento esportivo enquanto informação, inclusive com imagens, mas sem que isso possa ocorrer ao vivo e prejudique quem adquiriu o evento. Ou também de quais jogos devem ter transmissão em TV aberta, casos de partidas decisivas de torneios importantes.

Ampliar isso para jogos em escala regional envolve outros tipos de acordos ou indicação de necessidades, especialmente num país do tamanho do Brasil. Recordando ainda que a nossa radiodifusão por sons e imagens, para usar os termos da lei, nunca se preocupou na regionalização do conteúdo, privilegiando os centros econômicos (inclusive, dentro dos estados).

Referências

SANTOS, A. D. G. dos. Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Curitiba: Appris, 2019.

SANTOS, A. D. G. dos. Um modelo para regulação dos direitos de transmissão de futebol. 2021. 461 f. Tese (Doutorado em Comunicação) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade de Brasília, Brasília, 2021. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/42947. Acesso em: 19 fev. 2022.

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As redes de rádio: um pouco de história e reflexão sobre as transmissões esportivas de futebol

O ponto de partida da relação entre redes de rádio e transmissões esportivas é muito mais antigo do que parece. Segue um pouco o caminho da ligação entre o rádio e o futebol. Tudo isso nos remete ao início, nos anos 1920 e também à década de 1930. Se a gente pensar um pouquinho, admitindo espaço para reconstruções, dá para considerar que são histórias quase centenárias. 

Durante os anos 1920, alguns registros indicam o começo das primeiras transmissões esportivas, fossem elas de forma parcial ou não oficial. Isso se deu pelo fato de que transmitir um jogo de futebol naquela época era uma missão quase impossível e três dificuldades eram centrais: tecnologia inexistente, falta de estrutura nos estádios ou de pessoal, resistência política escassa. Essa última expressa pela resistência de clubes (a exemplo de Botafogo, Fluminense e da própria Confederação Brasileira de Futebol) que, naquela época, chegaram a proibir que as primeiras emissoras transmitissem partidas. O argumento era que o rádio gerava concorrência ao espetáculo e, com isso, o público deixaria de ir até os estádios para ouvir os jogos em casa. 

Nos anos 1930, o cenário muda um pouco e marca temporalmente a primeira transmissão internacional de futebol via rede de rádio. Um dos feitos do começo dessa década também é a já conhecida narração oficial e ininterrupta de uma partida de futebol, protagonizada por Nicolau Tuma em 19 de julho de 1931, o jogo válido foi entre as seleções de São Paulo e Paraná. A transmissão em rede de rádio seria protagonizada quase sete anos depois. No dia 05 de junho de 1938, a Rede Verde-Amarela transmite a partida da seleção do Brasil contra a Polônia diretamente da França, válida pela Copa do Mundo daquele ano. A recepção foi feita pela Rádio Club do Brasil (RJ), com formação da maior cadeia de estações de rádio da época. 

Fonte: Futebol Na Veia

O feito da Rede Byington pode ser atribuído, em parte, ao nome de Alberto Byington Júnior, que já havia atuado como secretário na Rádio Educadora Paulista, a qual, por sua vez, deu início (ainda nos anos 1920) ao sistema de permutas parciais de programação e de transmissões simultâneas entre emissoras. Alberto Jr. também foi atleta da delegação brasileira nas Olimpíadas de Paris (1924). Um ano antes, já competia pelo Clube Paulistano de Atletismo nos 110 metros com barreira. A transmissão de 1938 representou um momento de ápice da Rede Verde-Amarela, com emissoras espalhadas por diversos estados do país. Depois da transmissão feita diretamente da França, a rede se desfez por conta de questões técnicas e também políticas, uma vez que havia muito ruído nas transmissões e porque houve a negação da concessão de canais em ondas curtas por parte da Comissão Técnica de Rádio (criada por Vargas em 1932). 

O que se tem depois é um período no qual o futebol brasileiro e o próprio rádio se consolidam, ainda um momento em que as próprias coberturas esportivas são sistematizadas. Logo, vale considerar que as transmissões esportivas via rede de rádio praticamente passam por um momento de estagnação até o fim dos anos 1950. No ano de 1958, a Rádio Bandeirantes de São Paulo estrutura a Cadeia Verde-Amarela Norte Sul do Brasil. O objetivo era transmitir em rede as partidas da Copa do Mundo na Suécia. O feito envolveu mais de 400 emissoras em todo o país em um tempo no qual o rádio era o principal meio nas coberturas com transmissão via linhas telefônicas. 

Nos anos 1970, o destaque é para a parceria firmada entre a Rádio Guaíba de Porto Alegre e a Rádio Continental do Rio de Janeiro, para a Copa do Mundo, na chamada Grande Rede Brasileira dos Esportes. A rede incluiu, conforme o Blog “Uma História do Rádio no Rio Grande do Sul”, também emissoras de outros estados como Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, e uma estação do Uruguai. Na final, cada tempo da partida acabou sendo irradiado pela equipe de uma emissora.

As redes de rádio como conglomerados de mídias vão surgir mais ou menos nos anos 1980, numa perspectiva dominante de transmissão pela capacidade de alcance da programação radiofônica para uma grande audiência em diferentes mercados distribuídos pelo interior do país. Aqui o fator tecnológico são as transmissões via satélite e o econômico, baseado no suporte financeiro dos conglomerados que, por sua vez, concentram a maior parcela do bolo publicitário. Para as emissoras menores, a associação ou afiliação a uma grande rede significa redução de custos e conteúdo disponível para abastecer suas programações. As redes de rádio, conforme regulamentado pela Anatel (Decreto 52.975 de 31 de outubro de 1963) são definidas, no Artigo 5º, em algumas modalidades: a estação geradora, rede local, nacional e regional.

Com base especialmente na estrutura técnica, de pessoal e financeira é que as redes de rádio transmitem eventos esportivos como parte de suas programações (já que algumas também trabalham com informação ou entretenimento). No Brasil, por exemplo, a Rede Globo detém os direitos sobre as transmissões da Copa do Mundo de 2022. Nesse caminho, vendeu os direitos para as seguintes rádios: Itatiaia (MG), Grupo Bandeirantes (Bandeirantes e BandNews FM), Transamérica (SP), Gaúcha (RS), Joven Pan (SP), Energia 97 (SP) e Jornal (PE). Esse número de 8 emissoras (considerando a própria Rede Globo de Rádio) é muito pequeno se comparado, por exemplo, ao número de emissoras que transmitiu a Copa de 2014 realizada no Brasil. Naquele ano, 23 emissoras adquiriram os direitos de transmissão. Em 2010, na África do Sul, foram 22 emissoras credenciadas. A redução, praticamente a metade do número de rádios se comparado com 2018, tem entre os fatores os altos custos cobrados pela Fifa e também a outra modalidade de negociação, que aposta em canais de streaming (cujos acordos seguem abertos até o momento).

Pensar e compreender o papel das redes de rádio nas transmissões de futebol significa considerar todos os aspectos históricos e de transformações ao longo do tempo. Assim como nos primórdios, essa relação ainda permanece muito próxima e hoje é atravessada por novos canais de transmissão que se tornam concorrentes. Se antes a promoção do esporte – como espetáculo midiático – também passava pelo rádio, hoje a era do streaming condiciona e leva grande parte da audiência, especialmente a mais jovem.

 

Fonte: Torcida K

O encolhimento visível no número de redes com transmissão também traz reflexos a partir das reduções no próprio jornalismo esportivo, seja de pessoal, estrutura e investimentos. Para aquelas que se mantêm e têm base financeira para custear direitos, viagens e toda a cobertura em si, as transmissões são uma forma de realização de grandes coberturas e de impulsionamento de verbas publicitárias. Seguem ainda cumprindo seu papel primordial de documentar eventos esportivos. Já as emissoras que ficam de fora dos grandes eventos midiáticos têm como possibilidade a venda e a formação de parcerias para cobertura de jogos em campeonatos regionais também em períodos determinados. Têm um papel como geradoras de conteúdos para mercados interioranos. Se as grandes redes trazem uma programação mais genérica considerando o território nacional, as redes regionais têm a possibilidade de explorar além do futebol, aspectos da identidade local que também passam pelo esporte. 

Referências

AVRELLA, Bárbara. ALEXANDRE, Tássia Becker. A trajetória histórica das redes de rádio no Brasil. Encontro Regional Sul de História da Mídia, 5. Anais: Florianópolis: Alcar Sul, 2014.

GUIMARÃES, Carlos. O início da narração esportiva no rádio brasileiro. In: RADDATZ, Vera. KISCHINHEVSKY, Marcelo. LOPEZ, Cristina. ZUCULOTO, Valci (Org.). Rádio no Brasil: 100 anos de História em (Re)Construção.. Ijuí: Unijuí, 2020.

RUTILLI, Marizandra. A rede verde-amarela, o pioneirismo esquecido da Família Byington. In: RADDATZ, Vera. KISCHINHEVSKY, Marcelo. LOPEZ, Cristina. ZUCULOTO, Valci (Org.). Rádio no Brasil. 100 anos de História em (Re)Construção. Ijuí: Unijuí, 2020.

SOARES, Edileuza. A bola no ar. O rádio esportivo em São Paulo. São Paulo. Summus, 1994.

Produção audiovisual

Já está no ar o episódio 52 do Passes e Impasses

O tema do nosso quinquagésimo segundo episódio é a Copa do Mundo de 1954: o milagre de Berna. Com apresentação de Filipe Mostaro e Abner Rey, gravamos remotamente com Elcio Cornelsen, coordenador do FULIA (Núcleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem e Artes) e Professor Titular da Faculdade de Letras da UFMG.

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no SpotifyDeezerApple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quinquagésimo segundo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Preto e branco”, de Oliver Pocher.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Abner Rey e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Abner Rey
Convidado: Elcio Cornelsen

Artigos

Da Idolatria ao racismo: como o preconceito se disfarça de decepção

Em seu artigo “Foot-ball mulato”, Gilberto Freyre destaca as qualidades individuais dos jogadores negros, propondo que eles seriam influenciados por uma dança dionisíaca, responsável por uma forma de jogo única, mais coreografada e improvisada, inspirada pela capoeira, um patrimônio que estava no cerne da negritude brasileira. Essas qualidades seriam responsáveis por destacar a figura do indivíduo negro no futebol e por dar a ele uma espécie de vantagem contra os adversários, que, sem essas características, estariam prejudicados. Pensando nessa observação, a questão é: até que ponto essas “características” integram o jogador negro enquanto cidadão na sociedade brasileira?

Bom, em 1950, no Brasil, era realizada a quarta edição da Copa do Mundo. A seleção brasileira, anfitriã do evento, era a favorita para ganhar o torneio da FIFA, devido ao seu grande elenco composto por Bigode, Ademir de Menezes, Juvenal, Nilton Santos e pelo goleiro Barbosa. Com bons resultados na competição, o time conseguiu chegar à final do torneio no Maracanã, disputada contra a seleção uruguaia de Ghiggia e Obdulio Varela.

O estádio estava lotado, com quase 180 mil telespectadores ansiosos para ver o Brasil ser campeão do mundo; contudo, para desagrado da torcida brasileira, Ghiggia fez um gol de desempate no segundo tempo, conquistando o título para o Uruguai com uma vitória de 2 a 1. Além de dar ao Brasil um inédito, ainda que melancólico, segundo lugar, essa competição também nos ofereceu uma análise muito interessante acerca da visão sobre a negritude no futebol brasileiro

Após a derrota, um jogador da seleção brasileira foi alvo principal de críticas e de acusações da torcida canarinho. Não existia mais um time, e sim um culpado, um carrasco, um homem responsável pela desgraça de toda uma nação: o goleiro Moacir Barbosa. Enquanto Barbosa fazia defesas mirabolantes e difíceis, a torcida demonstrava toda a sua devoção e admiração por ele. O goleiro era um ídolo do povo brasileiro: ninguém podia negar seu talento individual nem o seu lado dionisíaco.

Fonte: Terceiro Tempo (UOL)

No entanto, esse lado dionisíaco também traz um fardo muito grande: o jogador que detém habilidades individuais ajuda a todos e favorece o time, mas, quando esse mesmo jogador falha, ele falha e sofre sozinho. E, geralmente, o sujeito detentor dessas características e que é acusado sem pudor é o indivíduo negro, visto como uma espécie de animal exótico, do qual se pode esperar tudo, pois, ainda que admirável em alguns momentos, é incerto e não se pode confiar

Por isso, quando Barbosa leva o fatídico gol contra o Uruguai, mesmo já tendo feito outras inúmeras defesas brilhantes, a sua carreira e a sua integridade pessoal foram postas à prova; é como se ele tivesse até então assumido um comportamento de fachada e, a partir do momento em que errou, a partir do momento em que a bola de Ghiggia entrou na rede do Maracanã, o goleiro mostrou a sua verdadeira face e a máscara de bom jogador de Barbosa caiu. Essa ideia tem uma forte relação com a análise de Irving Goffman sobre o indivíduo desacreditado e o indivíduo desacreditável: enquanto o primeiro já é estigmatizado desde o primeiro contato com outrem, o segundo não possui um atributo estigmatizante aparente, mas que eventualmente pode ser “revelado”. No caso de Barbosa, ele se torna “desacreditável” quando a cor de sua pele passa a ser um elemento definidor de sua qualidade enquanto goleiro. 

Além de Barbosa, outros jogadores negros daquela equipe, como Juvenal e Bigode, também sofreram com atos racistas e acusatórios após a derrota. Era como se tivesse faltado aos jogadores negros espírito coletivo, característica essencialmente apolínia e que seria decisiva para a vitória. Com isso, além de sofrerem pela derrota dentro de campo, esses jogadores também sofriam fora dele, devido simplesmente a sua origem étnico-racial.

Mais recentemente, outro caso para pensarmos a negritude no futebol foi a final da Eurocopa de 2021, disputada entre Inglaterra e Itália, no estádio de Wembley. A final do campeonato chegou à disputa de pênaltis, terminando em 3 a 2 para a Itália, que se consagrou campeã.  Na seleção inglesa, foram escolhidos três jogadores negros para bater os pênaltis; entre eles, estavam Marcus Rashford, Bukayo Saka e Jadon Sancho. Infelizmente, nenhum dos três jogadores converteu a cobrança.

Como esperado, a reação da torcida inglesa foi hostil e extremamente injusta, atribuindo, sem pudor, a culpa aos três jogadores. Marcus Rashford foi responsável por realizar em um projeto contra a fome no Reino Unido em 2020, em meio à pandemia da COVID-19, ajudando inúmeras famílias e suprindo a negligência do governo nessa questão. Entretanto, isso não foi levado em consideração pela torcida na hora de avaliar o caráter do jogador, posto que, a partir do momento em que Rashford errou um pênalti, prejudicando a equipe, ele se tornou uma figura desprezível. Essa situação se assemelha muito ao tratamento desprezível e racista sofrido por Barbosa, Bigode e Juvenal, evidenciando que o racismo após a derrota já se tornou algo corriqueiro no mundo futebolístico.

Ao analisar essa questão, nota-se que, talvez, seja o momento de eliminar “Dionísios” e “Apolos” no futebol para que, no lugar deles, tenhamos times que joguem juntos e percam juntos e não indivíduos que sofram devido à sua origem étnica racial.

Referências:

FREYRE, Gilberto. Foot-ball mulato. Diário de Pernambuco, Recife, 17 jun. 1938, p. 4.

MUYLAERT, Roberto. Barbosa: Um gol silencia o Brasil. Editora SESI-SP; 1ª edição, 12 novembro 2018.


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O Maracanã como plataforma de marketing para marcas: case Reserva

Roberto Da Matta, na introdução do livro Universo do Futebol (1982), nos leva a refletir acerca da importância de compreendermos o futebol como um sistema, emoldurado pelo capitalismo, capaz de mobilizar dirigentes, jogadores, torcedores, mídia, entidades esportivas e muitos outros agentes. E é isso que buscamos realizar neste ensaio, considerando que, se o futebol foi e é capaz de servir de ferramenta para corroborar um projeto cultural brasileiro, atrelado a ideia de democracia racial, tem-se como palco deste jogo um dos espaços esportivos mais prestigiados em nosso país: o Maracanã.

A partir dos estudos de Mascarenhas (2013), compreendemos que os contextos históricos e culturais moldam a construção e a maneira com que a população brasileira dialoga com os estádios. De espaços com capacidades modestas, privilegiando as trocas sociais da aristocracia, passando por ambientes superdimensionados visando a popularização do esporte, até chegarmos às arenas esportivas do século XXI, onde a busca pela maximização de receitas dita as regras do jogo. Inúmeros desafios, histórias, memórias e momentos foram perpetuados diante destas fases, que se acumularam e construíram a vida simbólica destes espaços na memória de centenas de milhares de pessoas.

E refletir sobre esta rica trajetória nos impulsiona para analisar e compreender o cenário que se desenha no século XXI para o Maracanã. Onde, na vida material, os atores se reconfiguram e as dinâmicas sociais trazem novas camadas e desafios para todos nós. Neste caminho, vamos concentrar aqui nossos esforços para analisar o estádio como plataforma de marketing para marcas que buscam criar vínculos com seus consumidores. Isso será realizado a partir de uma ativação de marca que a Reserva realizou no estádio no ano de 2018.

Para tal, precisamos localizar o conceito de marketing de experiência, amplamente discutido no mercado corporativo como uma das principais estratégias do marketing para atrair os consumidores a partir da montagem de experiências em eventos de entretenimento. Dessa forma, é importante levarmos em consideração que, conforme estamos discutindo, não é um desafio trivial tornar o Maracanã uma plataforma atrativa para as marcas, levando em consideração, principalmente, os casos de corrupção e as polêmicas na administração que orbitam o estádio. Ainda que, por outro lado, haja uma extensa história e simbologia que contribui para que esse trabalho comercial dos executivos seja um pouco menos desafiador, afinal, estamos falando do estádio conhecido como “templo do futebol” e palco da última final de Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

O Rock in Rio é um exemplo de evento no Brasil que conseguiu se consolidar como uma plataforma de marketing e comercial de sucesso para as marcas conseguirem captar a atenção de seus espectadores e ampliar suas mensagens-chave. E, para compreendermos o feito deste festival, precisamos levar em consideração um mundo onde os comportamentos dos consumidores são influenciados por diversos fatores, como a política, a economia e conteúdos audiovisuais. E é justamente em virtude desse cenário que as marcas buscam estratégias para se tornarem cada vez mais relevantes a partir das experiências que podem proporcionar para os seus consumidores. Não é mais suficiente ser visto pelo consumidor, seja nas prateleiras dos supermercados ou nas propagandas da televisão. É necessário se fazer presente até mesmo onde o racional não está em jogo, onde suas emoções dão o tom (AZAMBUJA, C. P.; BICHUETI, R. S, 2016). Do ponto de vista da comunicação, esta é uma área que está sendo cada vez mais pesquisada e cujo objetivo é compreender os desafios, as estratégias e as consequências tanto para as marcas e os consumidores quanto para os eventos que pretendem se posicionar neste aspecto como plataformas de marketing e comunicação, como é o caso do Rock in Rio e, em um passado recente, do Maracanã.

Do ponto de vista teórico, podemos classificar esse movimento como marketing de experiência, cujo nome é um desdobramento do conceito de marketing. Segundo a American Marketing Association (AMA) (2013), o marketing pode ser definido como um conjunto de processos que cria, comunica, entrega e troca ofertas de valor para os clientes, os parceiros e a sociedade civil. Nesse sentido, o marketing vai além da propaganda que estamos comumente acostumados a assistir na televisão, por exemplo. O marketing é a busca incessante pela criação de desejo e valor a fim de atrair os consumidores.

E isso ocorre tendo como um guia, o que o meio corporativo denomina como “quatro P’s do marketing” (KOTLER; ARMSTRONG, 1998). São eles: produto, preço, praça e promoção. Este conjunto de iniciativas tradicionais do marketing ganha, portanto, mais uma camada: o marketing de experiência. Dessa forma, conseguimos compreender que o marketing de experiência é mais uma ferramenta para complementar os conceitos de comunicação e marketing visando aproximar a marca e o consumidor, fortalecendo vínculos emocionais (HOLBROOK; HIRSCHMANN, 1982). É o que conseguimos apreender com a foto abaixo da ativação da Reserva, marca de roupa carioca, no Maracanã. O que inicialmente era o tradicional lugar onde a comissão técnica, reservas, dentre outros funcionários do clube ficavam assistindo ao jogo, se tornou neste novo Maracanã uma propriedade comercial para conectar as marcas aos torcedores. Esta foto materializa todo o esforço empreendido neste artigo: o trabalho das marcas na busca de se conectar com o Maracanã e seus atributos simbólicos a fim de captarem reputação, cultura e estilo de vida que o estádio reverbera para a sociedade brasileira, em um aspecto amplo, e carioca, mais especificamente.

Jornal O Globo / 2018

Por fim, apesar de inúmeros processos comerciais que orbitam neste novo estádio, neste breve trabalho olhamos com maior atenção em como as marcas se posicionam a fim de se atrelar às emoções produzidas pelos torcedores dentro das arenas esportivas, cuja atividade fim é fortalecer vínculos emocionais, aumentar a reputação, atingir um maior índice de loving branding[1] do consumidor, dentre outros KPIs (Key Performance Indicator) possíveis de medir dentro desse cenário.

Na vida material, onde as relações se dão, não há esta divisão didática destes processos. Os movimentos convergem e divergem a todo o momento, com comportamentos, narrativas, acontecimentos que se colocam constantemente por meio dos jogos, dos ídolos, das marcas, dos dirigentes, da imprensa, dentre outros atores sociais.


[1] Referimo-nos à love brand quando as marcas conseguem construir um vínculo com os consumidores a ponto de se identificarem com a personalidade, a cultura e o estilo de vida que ela representa. Comumente, recebem apelidos como é o caso dos nubankers, que se refere aos apaixonados pelo banco Nubank.

Referências

AMERICAN MARKETING ASSOCIATION. Definition of Marketing. 2013. Disponível em: <www.ama.org/AboutAMA/Pages/Definitionof-Marketing.aspx>

AZAMBUJA, C. P.; BICHUETI, R. S. Marketing de Experiência: Estratégias para Impulsionar o Market Share e Fortalecer a Marca do Energético Energy. Revista de Administração da UFSM, v. 9, n. Ed. Especial, p. 88-106, 2016.

KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 7. ed. Rio de Janeiro: PrenticeHall, 1998. 527 p.

HOLBROOK, M. B.; HIRSCHMAN, E. C. The experiential aspects of consumption:Consumer fantasies, feelings, and fun. Journal of Consumer Research, v. 9, n. 2, p. 132-140, 1982.

Artigos

LEME e Ronaldo Helal são indicados ao Prêmio Luiz Beltrão

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) e seu coordenador geral, Ronaldo Helal, foram indicados para o prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação.

A Diretoria Cultural da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) anunciou no dia 18 de maio de 2022 os indicados para o prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação. A intenção do prêmio é homenagear grupos e pesquisadores que se destaquem no mundo acadêmico da comunicação, contribuindo, assim, para a valorização de profissionais e acadêmicos brasileiros dessa área.

Referência no campo dos estudos sociais do esporte, o LEME foi indicado na categoria “Grupo inovador”, responsável por premiar grupos que inovam durante as suas pesquisas nos planos tecnológicos, teóricos e pragmáticos, servindo como um parâmetro de modernização no mundo acadêmico.

Já o coordenador geral do laboratório, Ronaldo Helal, foi indicado para a categoria “Maturidade Acadêmica” do mesmo prêmio. Essa categoria premia a coletânea de obras de um pesquisador sênior que tenha reconhecimento nacional e/ou internacional, com uma carreira notória e influente já consagrada no campo da comunicação social.

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte e seu coordenador geral, Ronaldo Helal, agradecem as indicações e esperam continuar contribuindo para o campo da comunicação social tanto no Brasil, quanto no exterior.

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Museu do Futebol abre inscrições e submissão de trabalhos para o 4º Simpósio Internacional de Estudos sobre Futebol

Evento terá como tema “Às margens da memória: o futebol nacional entre o regional e o global”. ​Inscrições e submissões de trabalhos vão até o dia 10 de julho

A partir desta segunda-feira (16), estão abertas as inscrições e a submissão de trabalhos para o 4º Simpósio Internacional de Estudos sobre Futebol, organizado pelo Museu do Futebol, instituição do Governo do Estado de São Paulo. Os interessados devem se cadastrar pelo site (link) até o dia 10 de julho.

Este ano, o Simpósio terá como tema “Às margens da memória: o futebol nacional entre o regional e o global”. Diante das efemérides de 2022 (bicentenário da Independência e centenário da Semana de Arte Moderna), e da primeira Copa do Mundo de futebol masculino disputada no Oriente Médio, a edição colocará em perspectiva a questão da identidade nacional, levando em consideração processos históricos tanto regionais quanto globais. 

Para os interessados em apresentar seus artigos nos Grupos de Trabalho ou expor e-Pôsteres, é necessário o pagamento de uma taxa de inscrição, havendo opção de isenção ou meia-entrada (confira os critérios no site). Já para aqueles que desejarem apenas acompanhar o evento, há a opção de inscrição gratuita para ouvintes. Todos receberão certificado digital.

Serão 20 áreas temáticas propostas, incluindo clube-empresa, direitos de transmissão, esportes eletrônicos, expressões artísticas, formas de jogar e de torcer, futebol amador e de várzea, mulheres, negros(as) e pessoas LGBTQIA+ no futebol, gestão e marketing, museologia e processos museológicos, política, regionalidades, dentre outros.

O evento acontecerá entre os dias 6 e 9 de setembro em formato híbrido (presencial e on-line). As mesas-redondas serão realizadas no Auditório do Museu do Futebol e no Sesc Pompeia, com transmissão ao vivo e tradução simultânea​, enquanto as apresentações dos trabalhos (GTs e e-Pôster) serão feitas de forma virtual.

Ao todo, serão seis mesas-redondas divididas entre os quatro dias do evento. Entre os temas em debate estarão gênero e diversidade, memória, regionalidades, futebóis, Islã, racismo e antirracismo, sempre atrelados à temática do futebol. A programação completa, com os convidados, será divulgada em breve.

Sobre o Simpósio Internacional de Estudos Sobre Futebol

O Simpósio organizado pelo Museu do Futebol é um evento quadrienal, que mobiliza a mais expressiva produção de pesquisadores brasileiros e estrangeiros de diversas áreas de conhecimento, voltados para a temática do futebol. Desde a primeira edição, em 2010, o evento proporciona conferências com pessoas renomadas dos mais variados temas neste campo. ​

Para a quarta edição, a proposta é não só oferecer o que de melhor tem sido produzido por pesquisadores no Brasil e no exterior sobre a temática, mas também as experiências daqueles(as) que vivenciaram o esporte, seja como atletas, seja como jornalistas.

SERVIÇO  

IV Simpósio Internacional de Estudos Sobre Futebol  

Inscrições: De 16 de maio a 10 de julho – link

Data: 6 a 9 de setembro

Local: Auditório do Museu do Futebol, Sesc Pompeia e transmissão online

Programação: Em breve

Museu do Futebol   

Praça Charles Miller, s/n – Pacaembu – São Paulo 

De terça a domingo, das 9h às 18h (entrada permitida até as 17h) 

Toda primeira terça-feira do mês, até as 21h (entrada até 20h) 

R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) 

Crianças até 7 anos não pagam 

Grátis às terças-feiras 

Garanta o ingresso pela internet: https://bileto.sympla.com.br/event/67330

Estacionamento com Zona Azul Especial – R$ 5,75 por três horas   

SOBRE O MUSEU DO FUTEBOL

Localizado numa área de 6.900 m² no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – o Pacaembu, o Museu do Futebol foi inaugurado em 29 de setembro de 2008 e é um dos museus mais visitados do país. Sua exposição principal, distribuída em 15 salas temáticas, narra de forma lúdica e interativa como o futebol chegou ao Brasil e se tornou parte da nossa história e nossa cultura. É um museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, concebido pela Fundação Roberto Marinho e administrado pela Organização Social de Cultura IDBrasil Cultura, Educação e Esporte.

PATROCÍNIOS E PARCERIAS

A Temporada 2022 do Museu do Futebol tem patrocínio máster da Goodyear. Os patrocinadores são: EMS Farmacêutica, Movida Aluguel de Carros e Grupo Eurofarma. Tem como apoiadores: Evonik Brasil, Syngenta, Yamaha e Lojas Torra; e como empresas parceiras: Banco Safra, Eaton, Perfetti Van Melle Brasil e Grupo Zanchetta. A Rádio CBN, UOL, Revista Piauí, Gazeta Esportiva e Guia da Semana, Dinamize e JCDecaux são seus parceiros de mídia. A Temporada é realizada pelo Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Museu do Futebol – Comunicação

Renata Beltrão | renata.beltrao@idbr.org.br | 11 99267 5447
Fernanda Zalcman | fernanda.zalcman@idbr.org.br | 11 98602 6636

Assessoria de imprensa – Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo
(11) 3339-8116 / (11) 3339-8162   
(11) 98849-5303 (plantão)   
imprensaculturasp@sp.gov.br

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Artigos

A história do voto que frustrou a candidatura de Buenos Aires 1956

A escolha de Melbourne como sede olímpica é atribuída a um membro chileno do COI. Não foi assim.

Os membros argentinos do COI Ricardo C. Aldao e Horacio Bustos Morón na abertura da reunião em Roma em 1949 (terceiro e quarto da esquerda na primeira fila da direita).

Recentemente me referi neste jornal ao malfadado complexo olímpico idealizado pelo peronismo para os Jogos Olímpicos de 1956. Mencionei que o projeto foi abandonado quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolheu Melbourne, em vez de Buenos Aires, como cidade organizadora do evento. Da mesma forma, aludi ao fato de que a votação que determinou aquela eleição em abril de 1949 foi, e continua sendo, a mais próxima (21 votos a 20) para uma sede olímpica na história daquela instituição.

Um jornalista e um dirigente desportivo entraram em contato comigo para me dizer que o voto decisivo a favor de Melbourne havia sido do membro chileno do COI. Embora não o mencionassem, referiam-se a Enrique Barbosa Baeza, que ingressara no COI em 1948. A razão para justificar seu voto, prosseguiram, era que Barbosa Baeza preferia viajar para Melbourne, porque Buenos Aires era um destino mais acessível. Em seus livros de 2010, 2012 e 2004, respectivamente, Ezequiel Fernández Moores, Ernesto Rodríguez III e Víctor Lupo fizeram declarações semelhantes, embora com cautela. Assim, Lupo escreveu: o voto “que mudou a história do esporte argentino, segundo especialistas, foi de um representante de um país vizinho, que, ao ser repreendido por sua mudança de decisão, respondeu: ‘Conhecer a Austrália de outra forma seria impossível, ir para Buenos Aires é muito fácil para mim’”.

Essa explicação pitoresca da candidatura fracassada de Buenos Aires por um voto é bastante difundida no imaginário esportivo nacional, mas é apócrifa e merece ser esclarecida. Uma vez que a Confederação Argentina de Esportes-Comitê Olímpico Argentino (CADCOA) informou ao COI em janeiro de 1948 que Buenos Aires estava solicitando a organização dos Jogos Olímpicos de 1956, as autoridades olímpicas nacionais começaram a promover a candidatura. Por exemplo, naquele mesmo mês, Horacio Bustos Morón e Ricardo C. Aldao, os membros argentinos do COI, informaram à instituição que apoiavam a comunicação do CADCOA. Seis meses depois, enviaram uma carta a Sigfrid Edstrøm, presidente do COI, e outra aos demais colegas da instituição detalhando a candidatura de Buenos Aires e solicitando seu consentimento. Na carta diziam: “esperamos sinceramente que os nossos Colegas e Amigos apoiem esta iniciativa e votem a seu favor quando chegar o momento de o fazer”. A oferta provavelmente também foi vigorosamente empurrada durante as Olimpíadas de Londres em julho e agosto de 1948.

Em março de 1949, o CADCOA escreveu novamente ao COI insistindo em seu desejo de organizar os Jogos Olímpicos de 1956. Também produziu um livro suntuoso que serviu como “seu convite formal para celebrar a XVI Olimpíada nele (Buenos Aires) em 1956”. O COI acusou o recebimento do material e lembrou que a votação ocorreria em sua reunião em Roma, marcada para os dias 24 e 29 do mês seguinte. Os esforços das autoridades olímpicas nacionais deram alguns frutos, como mostra o telegrama de apoio à candidatura de Buenos Aires que o Comitê Olímpico Uruguaio enviou ao COI pouco antes de se reunir na capital italiana. Ao contrário, em dois telegramas também enviados naqueles dias, os dois membros brasileiros do COI votaram por Detroit, uma das nove cidades candidatas.

Na sessão de 25 de abril, o COI decidiu que o voto por correspondência não seria admitido na votação que ocorreria três dias depois. Em outras palavras, apenas os 41 membros presentes em Roma podiam votar. Nesse grupo, os únicos sul-americanos eram Bustos Morón e Aldao. Em 28 de abril, os dois membros argentinos do COI, acompanhados por Rafael Ocampo Giménez, embaixador argentino na Itália, e Mario L. Negri, líder argentino de natação, apresentaram a candidatura de Buenos Aires ao COI e tentaram convencer seus membros da conveniência de organizar ali os Jogos Olímpicos de 1956. As demais delegações também tiveram a oportunidade de apresentar as candidaturas de suas cidades.

Em seguida, o COI, que havia decidido “proceder por eliminação” (“que o número de cidades a serem eliminadas será decidido após cada (rodada)” e que na última “era necessária maioria absoluta”), iniciou a votação. Chicago, Minneapolis, Filadélfia e San Francisco foram eliminados na primeira rodada. Na segunda, Cidade do México e, na terceira, Detroit e Los Angeles. Buenos Aires obteve 9, 12 e 13 votos nas três primeiras rodadas de votação; Melbourne 14, 18 e 19. Buenos Aires conquistou 7 dos 9 votos em disputa no quarto turno, mas essa finalização impetuosa foi insuficiente para impedir Melbourne de obter a vaga (21 votos a 20). Nesse processo, Barbosa Baeza não teve influência, pois estava ausente em Roma e, se votou pelo correio a favor de Melbourne, seu voto foi rejeitado.

Aqui estão outras hipóteses da votação enganosa que teria transformado Buenos Aires na sede dos Jogos Olímpicos de 1956. Quatro meses antes da votação, no final de 1948, Aldao escreveu a Edstrøm, confidencialmente, alertando que algumas ações do peronismo em matéria esportiva estavam à beira de transgredir os princípios olímpicos. Embora Aldao não tenha mencionado irregularidades na candidatura de Buenos Aires, é possível que Edstrøm tenha se alarmado com a carta de Aldao –já que o peronismo era seu promotor– e a desvalorizado. Mesmo que ele não revelasse seu alarme aos outros membros do COI, seu voto, involuntariamente influenciado por Aldao, poderia ter sido decisivo. Claro, também é provável que nada disso tenha acontecido e que a maioria dos membros do COI acreditasse que Melbourne era uma candidata melhor do que Buenos Aires. De qualquer forma, apesar de perder por um voto, a capital argentina deixou uma imagem positiva entre os membros do COI. Como afirmou o presidente do CADCOA após a reunião daquela instituição em Viena em 1951, “a maioria dos delegados […] reconheceu a Argentina como o país mais adequado [para substituir Melbourne, se necessário]” ​​. Essa substituição, no entanto, foi desnecessária.

* Doutor em Filosofia e História do Esporte. Professor da State University of New York (Brockport).


Texto originalmente publicado pelo site Página12 no dia 11 de maio de 2022

Tradução: Caroline Rocha Ribeiro e Fausto Amaro

Notícias

Vaga de estágio no Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte

O LEME – Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte – está selecionando um bolsista de extensão para início em junho. O laboratório, fundado em 2014, na Faculdade de Comunicação Social da UERJ, trabalha com atividades de ensino, pesquisa e extensão na área dos estudos sociais do esporte.

O bolsista estará diretamente envolvido nas demandas do LEME, que incluem: 

a) participar das reuniões on-line do grupo de pesquisa “Esporte e Cultura”;

b) revisar textos de artigos e livros quando for preciso;

c) desenvolver, caso tenha interesse, alguma pesquisa própria (com o auxílio dos pesquisadores do grupo);

d) prestar auxílio na organização de eventos (palestras, seminários, lançamentos de livro);

e) elaborar as artes para as redes sociais do laboratório;

f) roteirizar e produzir os episódios do podcast Passes & Impasses;

g) editar vídeos do Preleção (teaser em vídeo do Passes & Impasses);

h) editorar o blog do LEME (comunicacaoeesporte.com);

i) monitorar as redes sociais e produzir o relatório de presença on-line do laboratório.

As atividades são supervisionadas pelo coordenador do laboratório, Ronaldo Helal, e pelos bolsistas Qualitec e Proatec.

O valor da bolsa é de R$ 606,00. É exigido o cumprimento de 20 horas semanais de estágio (flexíveis de acordo com a grade curricular do(a) bolsista). Para se candidatar à vaga, é necessário ser aluno(a) da UERJ em Comunicação Social (Relações Públicas ou Jornalismo). Alunos de todos os períodos podem participar. Buscamos alguém que tenha iniciativa, vontade de desenvolver novas habilidades, goste de esportes e escreva muito bem.

Os interessados devem enviar e-mail com currículo anexado até o dia 18 de maio (quarta-feira) para o endereço: lemeuerj@gmail.com. O processo seletivo será todo on-line e consistirá em triagem curricular, prova escrita (redação) e entrevista em datas a serem definidas.