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As suecas: uma conquista feminina do mundo esportivo masculino

Por David M.K. Sheinin* e César Torres**

Como sempre, no âmbito do Turismo de Autoestrada (Turismo de Carretera – TC), o Grande Prêmio Standard de 1962 produziu triunfos heroicos e decepções profundas. Apesar das famosas marcas estadunidenses Ford e Chevy desaparecerem na rota Pilar-Villa Carlos Paz, o grande condutor Jorge Cupeiro conseguiu um tempo digno em sua Pontiac. Com uma velocidade média de 121 km/hora, Ricardo “O Gordo” Sauze – vestido de bombacha e tênis – liderou um trio de Alfa Romeos Giulietta TI que encabeçaram a categoria “D” do evento. Por sua vez, Gastón Perkin pilotou sua Renault Gordini a 150 km/hora nas partes retas da estrada, ganhando a primeira etapa da competição. Mas a grande surpresa do evento foi a vitória geral de duas mulheres suecas, Ewy Rosqvist e Ursula Wirth.

O TC era, e ainda segue sendo, um mundo de homens, onde se forja e se reproduz a identidade social masculina. Milhares de fanáticos seguiam cada corrida, à beira da estrada ou em suas casas, por meio das famosas transmissões de rádio do jornalista Luis Elías Sojit, nas páginas do El Gráfico e no El Deporte es Así, do Canal 7, com Dante Panzeri, Ernesto Lazzatti, Raúl Goro e Ulises Barrera, e outros programas de televisão. O TC associou a masculinidade argentina com o trabalho mecânico, o perigo da rota e o heroísmo do condutor. Em 1947, quando o carro de Juan Manuel Frangio capotou durante o Grande Prêmio da América do Sul (mais conhecido como “O Buenos Aires-Caracas”), seu acompanhante Daniel Urrutia morreu tragicamente. Pedro Fangio saiu do acidente caminhando ileso e sua coragem confirmava sua lenda quase mítica.

Juan M. Fangio e Daniel Urrutia (Foto: http://www.jmfangio.org)

Mais que qualquer outro piloto, os irmãos Emiliozzi, Dante e Torcuato, definiram o arquétipo do homem do TC. Competidores ferozes, durante a semana trabalhavam em sua oficina de Olavarría, fazendo milagres mecânicos. Aos seus seguidores, lhes fascinava a imagem de uma oficina onde os irmãos mergulhavam sob o capô, despretensiosamente, dando as boas-vindas a qualquer visitante interessado nas reformas mecânicas mais recentes, às vezes comendo um assado com amigos. Todo fanático sabe que, em 1949, os irmãos adaptaram um motor Ford a um novo sistema de válvulas aéreas – cinco anos antes da Ford desenvolver um modelo parecido. Em 1958, durante uma corrida na cidade de Mercedes, entrando em uma curva com uma velocidade muito alta, os pilotos capotaram o carro. Um grupo de fãs tentaram ajudar Dante, mas acabaram prejudicando sua coluna vertebral. Enquanto Torcuato sofreu apenas ferimentos leves, um médico local o vacinou contra tétano, uma doença comum das fazendas de porcos da região. O acidente contribuiu para consagrar os Emiliozzi como pilotos valentes nas memórias dos fãs.

Os irmãos Emililozzi (Foto: Facebook Museo Municipal Hermanos Emiliozzi)

O mundo masculino do TC foi abalado em 1962 pela chegada das pilotas suecas, cujas trajetórias automobilísticas eram praticamente desconhecidas na Argentina. Suas passagens pelo rali europeu haviam sido breves. Em meados dos anos cinquenta, tanto Rosqvist como Wirth trabalharam como ajudantes veterinárias em diferentes zonas rurais da Suécia. Cada uma gostava de dirigir as longas distâncias entre as granjas. As duas começaram a competir em rali e em 1960 formaram uma equipe. Nesse mesmo ano, Rosqyst firmou cum contrato para dirigir carros Volvo e, em 1962, mudou para a equipe Mercedes-Benz, a qual representou com Wirth na Argentina, pilotando um modelo 220-SE. Foram o primeiro binômio feminino que competiu em um Grande Prêmio argentino. Inesperadamente, para os fãs argentinos, elas não apenas ganharam, como dominaram a competição com uma marca de carros quase desconhecida no mundo do TC. Ganharam em cada uma das seis etapas da rota contra condutores como Cupeiro e Perkins e com um novo recorde de velocidade média na estrada (127 km/hora). Anos mais tarde, ambos os corredores [Cupeiro e Perkins] participaram nas 84 horas de Nürburgring, formando parte da famosa “Missão Argentina” dirigida pelo designer de carros Oreste Berta. Com sua vitória, Rosqvist e Wirth romperam a aura masculina do TC, ainda que apenas momentaneamente, chamando atenção da mídia argentina.

Ewy Rosqvist com uma Ferrari, 1957

As duas condutoras suecas não foram as primeiras esportistas celebradas na Argentina. Por exemplo, nos anos vinte, a nadadora Lilian Harrison foi seis vezes capa do El Gráfico por suas proezas aquáticas. Nos anos trinta, Jeannette Campbell (natação) e Lotte Standl (atletismo), entre outras, também foram capa desse jornal. Em 1951, a mídia argentina exaltou o desempenho das tenistas Mary Terán de Weiss (campeã no torneio individual) e Felisa Piédrola de Zppa (ganhadora do torneio de duplas junto com Mary) nos Jogos Panamericanos. No ano seguinte, tomaram nota da morte de Edith Noble, capitã da equipe de hóquei sobre grama do Club Atlético Belgrano. Em 1953, Ana María Festal ganhou três eventos no campeonato nacional de natação e, em 1959, a revista Mundo Deportivo ressaltou os “vários recordes” da nadadora Silvia Hofmeister. Entretanto, nas páginas do Mundo Deportivo, El Gráfico, as revistas de temas gerais e os jornais, as imagens mais comuns de mulheres não foram de atletas, mas sim de modelos, atrizes e cantoras – como Elder Barber ou Olinda Bozán. Quando eram mencionadas, não era raro que as esportistas recebessem comentários sexualizados. Dessa maneira, Terán de Weiss triunfou, mas em uma categoria feminina. Noble era “magra, loira, veloz”. Brillaba, segundo El Gráfico, por sua personalidade “simpática e bondosa” e por “seu rosto suave, com sorriso terno, sua figura ágil e graciosa, seu modo de ser tão cativante”. As quatro linhas sobre Hofmeister no Mundo Deportivo apareceram abaixo de uma foto da nadadora em traje de banho. A imagem ocupou quase uma página inteira.

El Gráfico, 31 de outubro, 1962

A conquista automobilística de Rosqvist e Wirth não teve precedentes no mundo masculino do esporte argentino. Na Suécia e em outros países europeus, a maioria dos meios de comunicação trivializaram a vitória com comentários sobre a beleza. “Anjas da Estrada”, anunciou The Irish Times, por exemplo. Mas na Argentina muitos jornais qualificaram as campeãs sem prestar maior atenção aos termos padrões para escrever sobre as mulheres no esporte. Ou seja, analisaram o desempenho das corredoras nórdicas focalizando em seus méritos esportivos. Assim, o jornalista Federico B. Kirbus escreveu nas páginas do El Gráfico que Rosqvist e Wirth “conduziram com firmeza e decisão” e que “dominam seu esporte à perfeição”, agregando que a vitória das condutoras suecas foi “um triunfo absoluto”.

Apesar do triunfo absoluto de Rosqvist e Wirth no Grande Premio Standard de 1962 do TC e da atenção que gerou, o progresso em termos de igualdade de gênero tem sido lento no automobilismo argentino. Tamara Vital, fundadora e chefa da equipe Vitarti da categoria Top Race Junior, a primeira formada integralmente por mulheres e que estreou faz poucas semanas, explica essa situação. “Na atualidade, são mais de 150 mulheres correndo em todo o país”, mas somente “há dois anos vem se notando cada vez mais forte a presença da mulher no automobilismo”. Aixa Franke, uma dessas pilotas, declarou que ainda existem homens que “se ofendem quando ela ganha”. O triunfo absoluto de Rosqvist e Wirth, de sessenta anos atrás, será ainda mais absoluto quando essa atitude for banida do automobilismo nacional e as mulheres forem incorporadas integralmente na atividade em condições de igualdade e respeito sincero.


Texto originalmente publicado no site El Furgón no dia 22 de abril de 2021

*David M.K. Sheinin. Doutor em História. Docente na Universidade de Trent.

**César Torres. Doutor em Filosofia e História do Esporte. Docente na Universidade do Estado de Nova York (Brockport).

Tradução: Leticia Quadros e Fausto Amaro

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Direitos das atletas gestantes: o caso Allyson Felix e a relação com patrocinadores

A velocista norte-americana Allyson Felix é detentora de vinte e cinco medalhas entre Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais de Atletismo, sendo dezoito delas de ouro – os dois últimos conquistados nas Olimpíadas do Rio em 2016. Competidora dos 100, 200 e 400 m raso, ela é a única atleta do mundo a somar seis medalhas de ouro no atletismo olímpico. Em sua maior especialidade, os 200 m rasos, Felix tem uma medalha de ouro olímpica e três como campeã mundial, sendo 21,69 segundos sua melhor marca nessa distância – sexto melhor tempo da prova na história, feito que inclusive a coloca como a quarta velocista mais rápida do mundo. Em 2018, Alysson Felix decidiu ser mãe. Sua filha Camryn nasceu em novembro, de um parto prematuro de 32 semanas. No mês de maio daquele ano, a atleta se juntou às denúncias de discriminação feitas por outras desportistas, o que culminou em um texto de grande repercussão publicado no The New York Times, no qual Felix relatava que a Nike, sua então patrocinadora, reduziu em cerca de 70% os valores de seu contrato de patrocínio após o nascimento de Camryn.

Durante a gravidez, a atleta ainda pediu garantias à patrocinadora de que não seria penalizada caso rendesse abaixo de seu nível nos meses anteriores e posteriores ao parto. A princípio, a resposta da empresa foi negativa. Porém, cerca de três meses após ser exposta no jornal, a Nike escreveu à atleta para anunciar que não rescindiria o contrato e nem reduziria os valores durante os dezoito meses de gestação e maternidade, sendo oito deles anteriores ao parto. Dez meses após o nascimento da filha, Alysson Felix integrou o revezamento 4×400 misto composto de duas mulheres e dois homens, no Mundial de Atletismo em Doha, de 2019. Na ocasião, a equipe de Felix ganhou a medalha de ouro e ainda estabeleceu o recorde mundial da prova. Essa foi a décima segunda medalha de ouro de Alysson Felix em mundiais de Atletismo, superando o recorde do jamaicano Usain Bolt, detentor de onze ouros na competição. O feito foi marcante não só por se tratar de uma mulher batendo o recorde de um homem, mas, sobretudo, porque contradiz o argumento de empresas patrocinadoras que insinuam o suposto baixo rendimento de atletas que retornam da licença maternidade.

Legenda: Allyson Felix e a filha Camryn em 2019/Reprodução Instagram @af85

Sabemos que o mercado de trabalho para as mulheres, qualquer que seja a profissão, ainda é terreno fértil para práticas discriminatórias e relações abusivas pautadas pela hierarquia de gênero. Prova disso é que, mesmo ocupando posições correlatas às dos homens, as mulheres recebem salários inferiores em todas as ocupações, segundo pesquisa divulgada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa mentalidade se deve ao machismo estrutural no qual o papel do homem é supervalorizado, o que no mundo do trabalho é ilustrado pela falsa acepção de que a mulher produziria menos e, portanto, contribuiria menos para uma lógica econômica de mercado. Para as que trabalham no meio esportivo, esse cenário tende a ser ainda mais duro, tanto é que o Brasil – justamente a nação que ostenta o imaginário de país do futebol, precisou esperar até setembro de 2020 para que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) finalmente anunciasse a equiparação de valores de premiações e diárias entre a modalidade futebolística masculina e feminina.

Embora nos últimos anos os espaços midiáticos – em especial os alternativos, isto é, que não fazem parte da imprensa hegemônica – venham subvertendo essa lógica do machismo estrutural em diversas esferas da sociedade (que não só o esporte), é impossível não retomar as previsões da pesquisadora Miriam Adelman (2006) já no início do século, em relação ao papel da mídia na luta de gênero:

Como a filósofa feminista Susan Bordo (1994) nos adverte, estamos ainda longe de um momento “pós-gênero”, as práticas subversivas ainda não se afirmam como majoritárias, e a cultura pós-moderna, atrelada ainda aos discursos hegemônicos disseminados poderosamente nos meios de comunicação de massas, produz a cada momento novas formas de disciplinar os corpos e os sujeitos, segundo critérios dicotômicos e desiguais sobre o que pode/deve ser e fazer, uma mulher, ou um homem. (ADELMAN, 2006, p. 13).

Adelman (2006) ainda traz para o debate a escritora feminista Susan Brownmiller e sua definição de feminilidade como “estética da limitação”, sob a qual se resumem os impulsos dominantes de vários séculos de cultura moderna. Nessa ótica, entende-se por que o esporte é terreno de luta sobre o que pode ser ou fazer uma mulher, tendo em vista que as práticas esportivas – pelo menos nas modalidades mais competitivas – “desafiam os limites” das habilidades corporais. “Para as mulheres, torna-se uma disputa por acesso a espaços, legitimidade, e recursos materiais e simbólicos, que encena de forma muito sensível, a luta maior para ter controle sobre o próprio corpo, e sobre a vida.” (ADELMAN, 2006, pp. 13/14). Nessa luta, naturalmente, inclui-se o direito de decidir-se ou não pela maternidade.

Foi justamente por priorizar o esforço corporal exigido pelo atletismo, que a empresa de material esportivo Nike não hesitou ao reduzir em cerca de 70% os valores de patrocínio concedidos à velocista Allyson Felix após a atleta anunciar sua gravidez. Em um artigo publicado no jornal The New York Times no dia 22 maio de 2019, Felix se posicionou a respeito, acusando a patrocinadora Nike de discriminar atletas que tiram licença maternidade: “Se eu, uma das atletas mais comercializadas da Nike, não podia conseguir essas proteções, quem poderia?”. Ela não foi a primeira atleta a denunciar publicamente a marca por reduzir contratos de patrocínio de atletas logo depois de se tornarem mães:

Na semana passada, duas de minhas ex-companheiras de equipe da Nike, as corredoras olímpicas Alysia Montaño e Kara Goucher, heroicamente quebraram seus acordos de sigilo com a empresa para compartilhar seus relatos da gravidez em uma investigação do The New York Times. Elas contaram histórias que nós, atletas, sabemos que são verdadeiras, mas temos medo de contar publicamente: se tivermos filhos, corremos o risco de cortes nos salários de nossos patrocinadores durante a gravidez e depois. É um exemplo de uma indústria esportiva onde as regras ainda são feitas principalmente para e por homens (Allyson Felix – The New York Times).

Legenda: Alysia Montaño em 2014, competindo no Campeonato de Atletismo dos Estados Unidos em sua 34ª semana de gravidez/Reprodução Instagram @alysiamontano

Allyson Felix decidiu ser mãe em 2018, mesmo ciente do que isso poderia acarretar para a sua carreira. Nessa mesma época, ela estava negociando a renovação de seu contrato com a Nike, que havia terminado em dezembro de 2017. Embora seja uma das atletas mais vitoriosas já patrocinadas pela marca, Felix não apenas teve seu contrato de patrocínio significativamente reduzido pela Nike, mas, também, recebeu uma negativa quando solicitou à empresa que não a punisse caso rendesse abaixo do seu melhor desempenho nos meses anteriores ao parto.

Além disso, Felix alega em seu artigo que foi pressionada pela empresa para voltar à forma o mais rapidamente possível após o nascimento da filha em novembro de 2018, mesmo tendo passado por uma cesariana de emergência quando completou 32 semanas de gravidez e teve sua vida (e a da sua bebê) ameaçada por uma pré-eclâmpsia: “Apesar de todas as minhas vitórias, a Nike queria me pagar 70% menos do que antes. Se é isso que eles acham que valho agora, eu aceito. O que não estou disposta a aceitar é o status quo duradouro em torno da maternidade.”. Ainda no mesmo artigo, Felix afirma que um dos fatores decisivos para ela assinar com a empresa há quase dez anos foi, ironicamente, o que pensou ser um dos princípios fundamentais da empresa: a igualdade de gênero:

Eu poderia ter assinado em outro lugar por mais dinheiro. […] Mas quando me encontrei com a liderança da empresa em 2010, uma mulher me contou sobre uma iniciativa patrocinada pela Nike chamada Girl Effect, baseada na crença de que, quando as meninas têm oportunidades, elas são capazes de tirar seus países da pobreza. Ao ingressar na Nike, ela disse, eu poderia ajudar a empoderar mulheres. Ela me afirmou que a Nike acreditava em mulheres e meninas, e eu acreditei nela. Isso também explica por que minha experiência recente foi tão dolorosa (Allyson Felix – The New York Times).

A ironia da pseudo-política não-discriminatória da Nike também apareceu no relato da atleta Alysia Montaño para o mesmo jornal: “A Nike me disse para ter sonhos loucos, até que eu quis ter um bebê.”. A atleta se referia à uma campanha publicitária da empresa, “Dream Crazier”, lançada em fevereiro de 2019 na cerimônia do Oscar e narrada pela tenista norte-americana Serena Williams. Com tom de voz enérgico, Williams narra as discriminações diversas as quais atletas mulheres estão sujeitas apenas por tentarem acreditar em seus sonhos:

Se demonstramos emoção, somos chamadas de dramáticas. Se queremos jogar contra os homens, somos loucas. E se sonharmos com oportunidades iguais, estamos delirando. Quando lutamos pelo que é justo, somos desequilibradas. Quando estamos muito bem, há algo errado com a gente. E se ficamos com raiva, somos histéricas, irracionais ou simplesmente doidas. […] Se eles querem te chamar de ‘louca’, tudo bem, mas mostre a eles o que as loucas são capazes de fazer (Trecho do comercial Dream Crazier, da Nike, narrado por Serena Williams).

O problema do anúncio feminista da Nike é que ele incorre na contradição salientada pelas atletas no The New York Times: ao mesmo tempo em que a empresa lança uma série de campanhas ativistas denominada “Just Do It” (“Simplesmente faça”), ela também reduz o patrocínio de esportistas gestantes e pune quem tira licença-maternidade depois de apostar na “loucura” de ser mãe enquanto se está no auge da carreira. Diante dos relatos expostos no jornal nova-iorquino, a Nike respondeu que colocaria em andamento uma nova política de salários-padrão às atletas durante suas gestações. Cerca de três meses depois, formalizou seu compromisso em um e-mail assinado por John Slusher, vice-presidente de Marketing global da marca, e endereçado à Allyson Felix. No comunicado, a Nike afirmou que não mais rescindiria nem aplicaria reduções econômicas em contratos de atletas gestantes durante os dezoito meses de gravidez e maternidade.

Contudo, em julho de 2019 – cerca de um mês antes de receber o comunicado oficial da empresa e após voltar a competir pela primeira vez depois do parto – Felix encerrou as negociações com a Nike e assinou um contrato com a Athleta, uma marca de roupas esportivas que nunca havia patrocinado atletas – homens ou mulheres. Pode-se dizer que Allyson Felix também “formalizou” seu rendimento pós-parto ao conquistar, em outubro daquele mesmo ano, sua décima segunda medalha de ouro em mundiais. O feito foi no revezamento 4×400 metros com a equipe dos Estados Unidos no Mundial de Doha, no Qatar. Além de ter sido campeã do torneio, Felix ainda bateu o recorde do jamaicano Usain Bolt – registro que se mantinha desde 2013 quando o velocista conquistou seu décimo primeiro ouro.

Legenda da foto: Allyson Felix no Mundial de Doha em 2019/Getty Images

Essa vitória foi bastante simbólica para as atletas mulheres – e para o Esporte em geral – não apenas porque se trata de uma mulher batendo o recorde de um homem, mas, sobretudo, porque o feito se deu apenas 10 meses após Allyson Felix ter dado a luz à filha Camryn em meio ao imbróglio da queda de seu patrocínio com a Nike. Na ocasião em que recebeu o e-mail onde a empresa anunciava sua nova política contratual não-discriminatória, Felix publicou a resposta em sua conta pessoal no Instagram, demonstrando-se realizada com a decisão da Nike em dar proteção às atletas mulheres as quais patrocina, que já não serão penalizadas economicamente por decidirem ter filhos. Na postagem, Felix conclui: “Nossas vozes têm poder. […] Agradeço a John Slusher e Mark Parker por sua liderança e seu desejo de guiar a Nike como empresa que acha que somos mais do que atletas. Obrigada às marcas que já assumiram esse compromisso. Quem será o próximo?”.

No âmbito trabalhista, a ausência de profissionalização e, consequentemente, da garantia de direitos previdenciários como a licença-maternidade, faz com que as desportistas precisem pensar duas (ou centenas de vezes) antes de decidir ter um filho. Ao escolherem tê-lo, ainda correm o risco de estarem submetidas a cláusulas de redução de ganhos por perda de performance nos contratos de exclusividade com patrocinadores, a exemplo da norte-americana Allyson Felix. Não se sabe, por exemplo, de nenhum caso relevante em que um atleta homem teve o patrocínio diminuído em função da paternidade.

Quando Felix competiu no Mundial de Doha dez meses após ter dado luz à sua filha Camryn, sagrando-se campeã e ainda batendo o recorde do consagrado velocista jamaicano Usain Bolt, muitos jornais estamparam a vitória da atleta na primeira página de seus cadernos esportivos. Poucos, porém, contextualizaram o simbolismo que aquela conquista trazia em termos de representatividade, visibilidade, reconhecimento e, sobretudo, direito da mulher ao próprio corpo. Considerando o esporte como um “espaço de transgressão, empoderamento, e/ou disciplinamento patriarcal das mulheres” (ADELMAN, 2006, p. 11) e o papel social do jornalismo como um dos vetores da igualdade de gênero, convém finalizar este texto retomando um trecho de Allyson Felix na denúncia que fez ao The New York Times, a qual felizmente culminou em significativas alterações contratuais na política de patrocínio esportivo da Nike: “Sempre soube que me expressar poderia prejudicar minha carreira. Então tentei antecipar o que as pessoas esperam de minhas conquistas e não fazer isso. Eu não gosto de decepcionar as pessoas. Mas não se pode mudar nada ficando em silêncio.”.

*Uma versão mais completa deste texto integra o Simpósio Temático “Educação de corpos, gêneros e sexualidades nas práticas esportivas e de lazer: entre resistências e reificações” da edição 2020 do Seminário Internacional Fazendo Gênero. Além disso, a versão completa também foi apresentada à disciplina Debates Contemporâneos em Estudos Feministas e de Gênero, ministrada remotamente no segundo semestre de 2020, pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da Universidade Federal de Santa Catarina, sob supervisão das professoras Miriam Pillar Grossi, Caroline Soares de Almeida, Claudia Lazcano, Marie Leal Lozano e Vera Gasparetto.

Referências bibliográficas

ADELMAN, Miriam. Mulheres no Esporte: Corporalidades e Subjetividades. Revista Movimento, Porto Alegre, v.12, n. 01, p. 11- 29, janeiro/abril de 2006.

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Competições olímpicas de arte e a história das mulheres no esporte

A trajetória das mulheres no esporte durante algum tempo foi contada a partir da ênfase naquilo que não foi ou naquilo que poderia ter sido. Trata-se de uma perspectiva importante e justa que chamou a atenção para o longo silêncio sobre uma parte importante da história do esporte. Essa parte cabe às mulheres e ela é composta de inúmeros eventos e ações que precisam ser trazidos à cena, montando assim um quadro não de lacunas somente, mas de atos e gestos movidos por esforços solitários e coletivos. Esforços que possuem laços com diferentes esferas da cultura e da sociedade, entre as quais a arte.

Diversas foram as vezes em que o esporte foi artisticamente representado. As vanguardas europeias são um exemplo dessa aproximação. A ânsia por tematizar o frenesi da modernidade e seus ícones – entre os quais o esporte – moveu a tinta de artistas futuristas como Giacomo Balla, Umberto Boccioni e Carlo Carrà[1].

Porém, uma das mais fortes demonstrações da relação entre arte e esporte está nas Olympic Art Competitions (Competições Olímpicas de Arte) quase esquecidas hoje em dia, mas que já fizeram parte do programa dos Jogos Olímpicos. Essas competições começaram oficialmente, em 1912, nos Jogos de Estocolmo e terminaram em 1948, em Londres. Elas surgiram da vontade de Pierre Coubertin de relacionar esporte, arte e literatura, pois essa união representaria o que Coubertin considerava como a verdadeira essência dos Jogos Olímpicos, do modo como acreditava terem sido concebidos na Antiguidade.

Essas disputas artísticas foram um momento importante para as mulheres no esporte. Em 1928, o mexicano Ángel Zárraga levou para as competições seus quadros La Futebolista Rubia e La Futebolista Morena nos quais são retratadas jogadoras de futebol parisienses que atuavam nos gramados franceses em uma época considerada como a “idade de ouro” do futebol feminino[2].

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La futebolista morena, obra pintada, em 1926, por Ángel Zárraga e inscrita nas Competições Olímpicas de arte de 1928

Porém, as mulheres, também, se destacaram como artistas. E várias delas conseguiram medalhas.

Competições Olímpicas de arte e as mulheres

Pelo menos desde a metade dos anos de 1910, Pierre Coubertin não mediu esforços para a organização de uma conferência consultiva que visava convencer o Comitê Olímpico Internacional sobre a necessidade de se integrar ao Jogos, manifestações que fossem além dos esportes e abarcassem as artes. Richard Stanton, em seu livro The forgotten Olympic Art Competitions, nos mostra o empenho de Coubertin em convidar importantes artistas da época para comporem a conferência, enviando-lhes cartas individuais.

Em 1906, na abertura desse evento, Coubertin fez a leitura intitulada “A Grand Merriage” na qual enfatiza a necessidade de unir músculo e mente[3]. Seu esforço gerou resultado:

A conferência aprovou por unanimidade a ideia de instituir cinco concursos, arquitetura, escultura, pintura, literatura e música, que se juntarão a seguir as Olimpíadas e farão parte delas com o mesmo status das provas atléticas. Os trabalhos apresentados devem ser inspirados na ideia do esporte ou referir-se diretamente ao esporte. Eles seriam examinados por um júri internacional. As obras vencedoras seriam, na medida do possível, exibidas, publicadas ou executadas (como se fossem pictóricas, arquitetônicas, escultóricas ou literárias, ou finalmente, musicais ou dramáticas) ao longo dos Jogos. (tradução minha) [4]

Após alguns percalços, finalmente nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912, as competições artísticas foram oficializadas. As principais categorias incluíam Arquitetura, Escultura, Pintura, Música e Literatura[5] tendo sua organização orientada pela nacionalidade. Assim como nos jogos esportivos, as premiações se dividiam em medalhas de ouro, prata e bronze. Em 36 anos foram concedidas 147 medalhas, sendo no total 24 para a Alemanha, 14 para Itália e 13 para a França.

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Competições Olímpicas de arte, 1932, Los Angeles. Júri observando as obras. Fonte: Olympic Museum

O único representante de destaque da América do Sul foi o Uruguai que obteve uma menção honrosa, em 1948, na categoria literatura, prêmio obtido por Clotilde Luisi, uma advogada, escritora e militante do direito das mulheres[6].

Várias foram as mulheres que participaram das Competições Olímpicas de Arte e que ganharam medalha como é o caso da escultora alemã Renée Sintenis que, em 1928, recebeu prata pela obra Footballeur. René era uma mulher que chamava atenção em sua época por seu estilo andrógino e por uma vida pública agitada, sendo com frequência vista em eventos esportivos ou dirigindo carros pelas ruas de Berlim.

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Footballeur, 1928, Renée Sintenis, medalha de bronze. Fonte: Playing Pasts

Outro destaque pode ser dado a Laura Knight que, em 1913, impactou a crítica e o público com seu Self-portrait with nude (Autorretrato com nu). Essa composição mostra uma cena ambientada em um estúdio no qual aparece Knight – vestida – em frente a uma tela em que pinta a modelo nua, Ella Naper.  Ao lado de Laura podemos ver um espelho refletindo o corpo real dessa modelo que posava para a artista. É uma pintura complexa que ao duplicar a imagem, atinge três planos de representação feminina: pintora, modelo e figuração.

Vale lembrar que no período de formação artística de Laura Knight, nas escolas de arte, era desaconselhado e até mesmo vedado que mulheres pintassem diretamente modelos nus, tendo que se limitar a trabalhar a partir de moldes ou copiar desenhos preexistentes. O quadro Autorretrato com nu, em grande medida, pode ser interpretado como uma provocação a essa sanção sofrida pela própria artista.

Knight foi alvo de críticas negativas de quem a considerou imoral e com uma postura considerada como incompatível com uma mulher. Entretanto com o passar do tempo, sua técnica que conjugava realismo e traços de impressionismo, a tornaram um dos principais nomes das artes plásticas da Inglaterra em sua época.  Uma artista muito popular, também, devido às suas pinturas sobre o cotidiano do circo. Laura Knight, em 1936, tornou-se a primeira mulher eleita para membro efetivo da Royal Academy desde sua fundação.

Antes disso, em 1928, Laura Knight foi medalhista das Competições Olímpicas de Arte ganhando a prata com a pintura Bouxeurs. Essa modalidade esportiva, aliás, já havia recebido atenção da artista em obras anteriores como é o caso de Physical Training at Witley Camp (1918), inspirada em cenas presenciadas pela própria artista no campo de treinamento militar Witley, onde soldados canadenses, francês e Belgas se preparavam para a primeira guerra mundial. Desde, então, a pintora costumava representar o boxe em suas produções como é o caso de Youngsters at the ring, Blackfriars (1937). Ainda em relação à temática esportiva, a artista fez o famoso cartaz Rugby at Twickenham by Tram, em 1921.

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Boxeurs, Medalha de prata, Competições Olímpicas de Arte 1932. Fonte: Olympic Museum

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Physical Training at Witley Camp (1918), Laura Knight. Fonte: Allpainter

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Youngsters at the ring, Blackfriars (1937), Laura Knight. Fonte: Artnet

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Rugby at Twickenham by Tram, cartaz feito por Laura Knight
Fonte: London Transport Museum

Agora é a vez de falar de Ruth Miller, nascida em Chicago, em 1904, filha de uma família abastada e conservadora da qual tentou desvencilhar-se e ir em busca de mais liberdade. Ruth chegou a fingir um colapso nervoso para não ser matriculada no tradicional Vassar College. Viajou para a Europa, casou-se sem autorização dos pais e estudou artes plásticas durante a efervescência das vanguardas europeias. Provavelmente desse contato surgiram os traços surrealistas que acompanham muitas de suas obras.

Já de volta aos Estados Unidos, em 1932, nos Jogos de Los Angeles, Ruth ganhou a medalha de prata nas competições artísticas com a interessantíssima pintura The Struggle, em que é possível observarmos dois homens, um negro e um branco, cuja luta corpórea pode ser interpretada como uma alusão ao embate racial comum à sociedade americana da época.

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Ruth Miller Kempster, The Struggle, Medalha de prata. Competições Olímpicas de Arte de 1932.
Fonte.: http://lacmaonfire.blogspot.com/

A pintora não deixou de lançar um olhar crítico também sobre os padrões femininos de sua época, como ocorre na bela e provocativa obra Housewife, de 1935. Nela, a partir da técnica de enquadramento usada, nos é passada uma forte impressão do enclausuramento do cotidiano doméstico das mulheres.

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Housewife, 1935, Ruth Miller Kempster. Fonte: Los Angeles Times.

As pintoras aqui mencionadas, de algum modo, deram mostras tanto na arte quanto em suas vidas de que havia espaços mais amplos a serem ocupados pelas mulheres na sociedade. E esse é um dos motivos que norteou a escolha delas para compor este texto. Além desse aspecto, o destaque dessas artistas, nesta postagem, também se justifica pela maior quantidade de informações acessíveis sobre suas carreiras e as obras que as levaram a ser premiadas nas Competições Olímpicas de Arte.

Foram 148 mulheres artistas que concorreram nessa disputa, sendo que 10 ganharam medalhas e cinco conseguiram menção honrosa. São números que dão mostras de uma participação exitosa. Desde a primeira edição oficial, em 1912, foi permitida a presença de mulheres, o que dá mostras de que pelo menos nas competições artísticas dos Jogos, essa questão não foi um problema. Nas regras das Competições Olímpicas de Arte não há passagens que façam alusão a regulações específicas em relação a artistas mulheres, assim como não se encontrava menção à sua exclusão das competições[7].

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Quadro de medalhistas mulheres nas Competições Olímpicas de Arte nas Fonte.: Natalia Camps Y Wilant. A Female Medallist at the 1928 Olympic Art Competitions: The Sculptress Renée Sintenis. The International Journal of the History of Sport. Volume 33, 2016

Tudo bem diferente do que ocorria com os Jogos Olímpicos esportivos cuja presença feminina foi algo contra o qual o próprio Barão de Coubertin manifestou-se explicitamente diversas vezes. Essa e outras oposições dificultaram sobremaneira a participação de mulheres atletas, mas como já disse, no início desta postagem, a trajetória das mulheres no esporte é fascinante devido ao seu caráter alternativo e em certa medida desobediente.

Afinal enquanto Barão de Coubertin dizia não, a francesa Alice Milliat, criou, e depois dirigiu, a Fédération Sportive Féminine Internationale (F.S.F.I.). Essa instituição durou 15 anos – (1921-1936) – e no decorrer desse esse tempo foi responsável pela organização de quatro edições dos Jogos Olímpicos Femininos.

Mas esse é tema para a próxima postagem.

[1] Sobre a relação arte e esporte há livros e artigos de Victor Andrade de Melo que podem ser consultados

[2] Uso a expressão de Xavier BREUIL no seu Histoire du football féminin en Europe. Paris.: Nouveau Monde Editions, 2011

[3] “to reunite a long-divorced couple – Muscle and Mind”, assim consta no discurso original que pode ser lido no livro de Richard Stanton The forgotten Olympic Art Competitions

[4] Pérez-Aragón, P. y Gallardo-Pérez, J. (2017). Coubertin and the Artistic Competitions in the Modern Olympic Games. Revista Internacional de Medicina y Ciencias de la Actividad Física y el Deporte vol. 17 (68) p.633-649.

[5] Com o tempo outras subdivisões foram acrescentadas

[6] Clotildi Luisi foi uma artista atuante no cenário político da América Latina saindo em defesa de ideias anti-imperialistas. Ela foi amiga de Alfonso Reys, poeta e diplomata Mexicano, com quem manteve intercâmbio intelectual frequente. Sobre a atuação de Luisi ver Mariana Moraes Medina. Crónica de una efusión: Alfonso Reyes, Luisa Luisi y el Comité Uruguay-México. Revista de Historia de América núm. 156, 2019.

[7] Ver  Natalia Camps Y Wilant. A Female Medallist at the 1928 Olympic Art Competitions: The Sculptress Renée Sintenis. The International Journal of the History of Sport. Volume 33, 2016 – Issue 13: Special Issue: Women and Sport

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Leda Costa faz participação no programa Globo Esportivo

Nesta quarta-feira (17), o LEME  marcou presença no programa Globo Esportivo, transmitido pela Rádio Globo, onde a pesquisadora e professora Leda Costa foi convidada a falar  sobre a pesquisa realizada pelo Datafolha que, dentre vários pontos, mostra que um em cada cinco brasileiros torce para o Flamengo. O assunto foi  considerado por muitos polêmico no… Continuar lendo Leda Costa faz participação no programa Globo Esportivo

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Árbitra no Futebol: reflexões

Ao começar a assistir no sábado passado, dia 7 de setembro, a partida entre Flamengo e Avaí, algo me chamou a atenção e não era o terceiro uniforme usado pela equipe, o que nós, rubro-negros, costumamos acreditar que não traz boa sorte. O que me chamou a atenção foi que o “árbitro” da partida era… Continuar lendo Árbitra no Futebol: reflexões

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LEME promove seminário sobre mulheres no esporte na próxima semana

Nos dias 6 e 7 de novembro, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte convida todos para participarem do seminário “Mulheres Esportivas: Mídia, Memória e Representação”. Pesquisadores e jornalistas, como a apresentadora e repórter Carol Barcellos, da TV Globo, estão confirmados para o evento no auditório do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, na UERJ, 10º andar, bloco… Continuar lendo LEME promove seminário sobre mulheres no esporte na próxima semana

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As mulheres e os Jogos Olímpicos – alguns pontos para reflexão

Se atualmente as atletas ocupam lugar de destaque no mundo olímpico, a história nos revela que esse lugar foi conquistado a duras penas. Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos Modernos e presidente do COI por 25 anos, acreditava que o esporte era uma atividade eminentemente masculina. Esse entendimento, de uma maneira ou de outra,… Continuar lendo As mulheres e os Jogos Olímpicos – alguns pontos para reflexão

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