Produção audiovisual

Palestra de Aira Bonfim disponível no Youtube

Está disponível no canal do LEME no Youtube o vídeo da palestra de Aira Bonfim nos Encontros LEME 2019. Aira esteve conosco no dia nove de setembro, no auditório do PPGCom/UERJ, para falar de sua pesquisa no Mestrado em História, Política e Bens Culturais da FGV: “Football Feminino entre festas esportivas, circos e campos suburbanos: uma história social do futebol praticado por mulheres da introdução à proibição (1915-1941)”.

Aira Bonfim teve como intuito na sua pesquisa apresentar um panorama do envolvimento de diferentes grupos sociais de mulheres que aderiram à prática do futebol, em diversos momentos históricos, desempenhando distintos papéis. Locais como os das festas esportivas, dos picadeiros circenses e dos campos suburbanos do Rio de Janeiro mostraram-se ricos na manifestação do fenômeno “football feminino”. Em seu trabalho, a pesquisadora utiliza como fontes jornais e revistas do período, bem como acervos iconográficos institucionais e pessoais.

A palestra fez parte dos Encontros LEME, uma proposta do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte que visa realizar debates com professores, pesquisadores, graduandos e convidados interessados em estudar as interseções entre Comunicação, Esporte e Cultura. Os encontros pretendem oferecer um espaço de diálogo e formação acadêmica.

Print tela 2.png

Produção audiovisual

Está no ar o quarto episódio do podcast Passes e Impasses

Acesse o quarto episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCasts, Overcast, Google PodcastRadioPublicAnchor.

O tema do nosso quarto episódio é “Agora é com elas – chegou a vez das mulheres no futebol ”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Marina Mantuano, recebemos no nosso programa Leda Costa, professora visitante da UERJ e pesquisadora do LEME, e Talita Giudicce e Tiago Fernandes, criadores do blog Futebol é Coisa de Mulher.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, traremos sempre especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa. Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o quarto episódio do podcast Passes e Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, trouxemos a música “Jogadeira”, criada em 2011, pela atacante Cacau, em parceria com Gabi Kivitz, que já foi jogadora e hoje é comunicóloga. Ao longo do programa, também trouxemos algumas referências bibliográficas, que listamos abaixo:

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro: Carol Fontenelle
Produção: Fausto Amaro e Marina Mantuano
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Marina Mantuano
Convidados: Leda Costa, Talita Giudicce e Tiago Fernandes

Artigos

Mulheres torcedoras: a busca por visibilidade em um ambiente marcante pela masculinidade

Quando o Ibercom (Congresso Iberoamericano de Comunicação) divulgou o tema para a edição deste ano, que acontece no final de novembro, em Bogotá (Colômbia), conversei com meu orientador de mestrado, Ronaldo Helal, sobre a possibilidade de escrevermos um artigo. O tema do congresso este ano é “Comunicação, violências e transições”, e eu, como torcedora e agora pesquisadora, observo o quanto este tema é urgente quando pensamos em futebol e representatividade das mulheres nas arquibancadas.

Fizemos um resumo, no qual abordamos a cobertura midiática referente ao tema e submetemos ao congresso.  Tendo a aprovação, fomos a campo entrevistar integrantes de torcidas organizadas (TOs). Para este pequeno post, apresento a vocês uma prévia das entrevistas com estas mulheres. Vamos denomina-las de acordo com os seus times: torcedora do Flamengo, integrante da Nação 12; do Fluminense, integrante da Garra Tricolor; da Ponte Preta, pertencente à Torcida Jovem Amor Maior; e do Remo, pertencente à torcida Camisa 33. Tentamos contato com integrantes de torcidas de diferentes estados, justamente para termos ideia se realmente a violência existia e se ela era um fenômeno regional. Todas as entrevistadas relataram histórias bem parecidas envolvendo assédio, abuso físico e abuso de poder.

As mulheres ficaram proibidas de jogar futebol pelo decreto lei 3.199, até 1979, quando ele foi revogado. Durante estes anos, restaram a elas jogarem de forma marginal ou irem às arquibancadas. Surgiram, assim, figuras marcantes do universo do futebol como Dulce Rosalina, primeira mulher presidente de uma torcida organizada, a TOV – Torcida Organizada do Vasco, em 1956. Ainda na década de 1950, o Corinthians tinha uma torcedora símbolo, Elisa, que chegou a ganhar ingresso permanente da Federação Paulista de Futebol. Em 1961, Dulce também ganha o concurso de melhor torcedor do país.

Resultado de imagem para dulce rosalina
Fonte: Casaca.

Naquela época, as torcedoras símbolo eram vistas quase como mães de jogadores, já que elas tinham participação ativa, frequentando treinos e aconselhando os atletas. De lá para cá, muitas outras mulheres estão presentes no universo do futebol e não com a mesma figura que Rosalina e Elisa. Elas tentam conquistar papel de destaque nas organizadas e participar ativamente do espetáculo realizado nas arquibancadas. “Em março, as meninas da minha torcida quiseram fazer uma ação sobre a semana da mulher. Torcedores de outros times e até do Remo disseram que ali não era lugar para a gente e queríamos era repercussão na internet”, conta a torcedora do clube do Pará.

Desta forma, percebemos que as mulheres não costumam ocupar cargos de liderança em torcidas justamente pelo ambiente ser predominantemente masculino e a maioria das TOs terem sido criadas por homens. A torcedora da Ponte-Preta também apontou o quanto é difícil para uma mulher estar em organizada: “Mulheres geralmente cuidam da responsabilidade social, do setor kids, das redes sociais e geralmente é com um homem na supervisão. Mulher em cargos de direção é muito raro. Só conheci três mulheres presidentes de torcida, vice-presidente não conheci nenhuma e diretora também não. Porque não se tem o entendimento que a mulher é como o cara. Na minha torcida, por exemplo, temos um espaço interessante. Não é perfeito, mas perto do que acontece por aí”. Ela afirma ainda que, em alguns casos, há também disputa entre as mulheres por espaço. “Quando o homem falha na organizada tudo bem, mas quando é mulher, falhou porque é mulher. É quase um mantra. A gente tem que se cuidar mais. Temos que nos policiar, a mulher que quer o progresso das mulheres tem que uma ajudar a outra”.

Além da busca de representatividade nas organizadas, as mulheres também querem respeito quando frequentam os estádios. “Quando a gente fala que é de organizada, acham que somos vagabundas por estarmos no meio de um monte de homem”, conta a torcedora do Flamengo. A torcedora do Fluminense traz ainda mais elementos do universo das arquibancadas. “Já tive cabelo e braços puxados, passada de mão no corpo, policial falando gracinha. Tem gente que acha que jogo é micareta e que as mulheres estão ali só para ‘pegar’ homem e não por gostar de futebol. Às vezes a gente tem que fingir que é namorada de outra menina para ir ao banheiro para ter um pouco de respeito quando estiver passando. Se a gente fala que tem namorado, eles dizem: ‘ué, cadê o namorado?’ Então é a primeira coisa que a gente faz para se proteger. Já cheguei a dar tranco em cara dizendo que minha amiga era minha namorada.  Mas quando os amigos ou namorado estão juntos,  respeitam muito mais”.

A torcedora do Remo apresentou um relato mais grave ainda: “uma conhecida recebeu bebida com algo e ela apagou no estacionamento do estádio depois de um jogo e acordou na vala. Mas ela afirma que não sofreu abuso sexual”, conta.

Podemos observar ainda que nem todas as torcedoras têm noção que sofrem preconceito e contribuem para este ambiente no qual os homens têm mais destaque. É como se elas estivessem gratas aos homens por terem algum espaço nas torcidas.  “Eu acredito que algumas meninas não têm sequer a consciência do tamanho do machismo que enfrentamos em uma organizada. Eu já ouvi frases do tipo: ‘se você fosse homem, poderia ser presidente da torcida’. Eu nunca almejei isto porque eu não tô disponível a suportar certas coisas, como ter que ficar provando as coisas para alguém o tempo todo. Já ouvi também ‘você é uma mulher que afronta um homem’. Quantas e quantas vezes ouvi: ‘E seu marido?’, ‘por que você não vai fazer o jantar para seu marido?’, ‘Ce é loko, se minha mulher fosse assim…’ Como se viajar com minha torcida fosse um adultério conjugal que precisava ser julgado, como nos tempos de Jesus no Oriente Médio,  que a mulher era apedrejada até a morte”, desabafa a torcedora da Ponte Preta.

As mulheres entrevistadas apresentaram ainda outros relatos sobre como são tratadas como consumidoras pelas marcas patrocinadoras dos clubes e deram mais detalhes dos seus papéis como torcedoras. Mas estas histórias vocês poderão ler em nosso artigo, que será publicado nos anais do congresso em breve. Nesta quarta (13/11), vocês podem ouvir o 4º episódio do podcast do LEME, o Passes e Impasses, disponível em todas as plataformas (Spotify, Deezer, iTunes), no qual o tema foi justamente as mulheres no futebol, com enfoque nas coberturas da mídia, na visibilidade das atletas e do quanto é difícil ser atleta, jornalista e torcedora.

Resultado de imagem para mulher torcida estádio
Fonte: Redação Mackenzie.
Resultado de imagem para mulher torcida estádio
Fonte: Justiça de Saia.
Eventos

LEME marca presença no evento “Em Foco”, na UERJ

É hoje (quarta-feira)! O “Em Foco”, deste ano, discutirá o preconceito contra a mulher no mercado de trabalho. E o LEME estará presente, representado pela professora e pesquisadora Leda Costa, mediadora de duas mesas. De 18h às 19h30 é a vez da mesa 1, com Karin Duarte, repórter do grupo O Globo, Vanessa Riche, apresentadora… Continuar lendo LEME marca presença no evento “Em Foco”, na UERJ

Avalie isto:

Artigos

Museu do Impedimento relembra a proibição do futebol feminino no Brasil*

Em parceria com o Museu do Futebol, o Google Arts & Culture lançou o “Museu do Impedimento”. Um projeto virtual que apresenta imagens, documentos e relatos sobre o período, entre os anos de 1941 e 1979, em que as mulheres foram proibidas de jogar o esporte mais popular do Brasil. Uma homenagem a todas aquelas… Continuar lendo Museu do Impedimento relembra a proibição do futebol feminino no Brasil*

Avalie isto:

Artigos

“O empoderamento feminino motivou a Rede Globo a transmitir a Copa do Mundo Feminina esse ano”, comentam Cíntia Barlem e Emily Lima

Depois de oito edições do campeonato, a emissora tem como objetivo ser parceira na luta das mulheres por direitos iguais A Copa do Mundo Feminina de futebol será transmitida pela Rede Globo pela primeira vez na história. O campeonato mundial feminino existe desde 1991 e assim como o masculino, esse torneio acontece de quatro em quatro anos. Porém,… Continuar lendo “O empoderamento feminino motivou a Rede Globo a transmitir a Copa do Mundo Feminina esse ano”, comentam Cíntia Barlem e Emily Lima

Avalie isto:

Artigos

Jogando como Tiffanny

O Sesi-Bauru não conseguiu chegar à final da superliga de vôlei. O clube fez a melhor campanha em sua história na competição, o que inclui a vitória sobre o SESC-Rio nas semifinais.  Esse jogo recebeu ampla atenção midiática não somente por se tratar de um resultado significativo, em termos esportivos. Mas por conta das polêmicas… Continuar lendo Jogando como Tiffanny

Avalie isto: