Produção audiovisual

Já está no ar o vigésimo sétimo episódio do Passes e Impasses

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O tema do nosso vigésimo sétimo episódio é “O legado dos Jogos Olímpicos Rio/2016”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Mattheus Reis, recebemos Vivian Fonseca, doutora em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas – RJ e professora adjunta na UERJ e na FGV.

Fonte: Rio On Watch

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o vigésimo sexto episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Aquele abraço“, composta por Gilberto Gil e interpretada por Luiz Melodia.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

ARTIGOS, LIVROS E OUTRAS PRODUÇÕES:

Portal Memória Olímpica – Fundação Casa de Rui Barbosa

Rio Olímpico: legado dos Jogos – Instituto PACs

Obras do Gilmar Mascarenhas

Memória das Olimpíadas no Brasil – diálogos e olhares – volumes 1 e 2

Equipe
Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro e produção: Marina Mantuano, Carol Fontenelle e Fausto Amaro
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Mattheus Reis
Convidada: Vivian Fonseca

Artigos

Zagallo, o coadjuvante revolucionário

As efemérides deram o tom das últimas semanas no mundo do futebol. Inúmeras foram as homenagens prestadas àqueles que, para além das discussões estritamente técnicas que ganharam força desde a consolidação de Lionel Messi, seguem indubitavelmente como as duas maiores forças simbólicas a terem adentrado o campo de jogo: Pelé, que em 23 de outubro chegou aos oitenta anos, e Diego Armando Maradona, com seus seis decênios completados uma semana depois. Eternizadas numa época em que o esporte ainda era mais propício ao âmbito polissêmico da crônica literária do que à estatística pormenorizada em tempo real, suas trajetórias – e os modos de perpetuação que a comunicação de então permitia – parecem impossíveis de serem superadas. Ora, o brasileiro tinha o mundo aos seus pés já aos dezessete anos, quando, após uma final de Copa do Mundo em que marcou dois gols antológicos (o primeiro, com o famoso chapéu sobre o marcador, é decerto mais lembrado, mas a jogada do último tento da partida, conjugando uma soberana matada de bola no peito, um passe de calcanhar, a inteligente movimentação e a cabeçada fatal, é digna de nota), fez descer da tribuna do Estádio Råsunda o rei Gustavo Adolfo VI, da derrotada anfitriã Suécia, em busca de cumprimentos. Setenta anos após a abolição oficial da escravatura no Brasil, mal que perdurou formalmente por mais de três séculos pelas bandas de cá, a face que nosso país projetava para o planeta era enfim a de um jovem negro convertido em majestade. Quanto ao hermano, responsável maior pelo segundo título mundial argentino, as cenas do confronto contra a Inglaterra pelas quartas-de-final de 1986, quatro anos após o revés infligido pelos britânicos na Guerra das Malvinas, tornaram-se mesmo emblema político: em menos de cinco minutos, o visceral Pibe nos legava não apenas La Mano de Dios ­– o mais polêmico dos lances –, mas também El Gol del Siglo – a mais celebrada dentre todas as jogadas individuais. Por uma espécie de capricho, quis o destino que aquele Argentina x Inglaterra tivesse lugar no mesmíssimo Estádio Azteca que, em 1970, converteu-se no cenário para a coroação definitiva de Pelé após a conquista do tricampeonato.         

De Pelé e Maradona, é difícil imaginar algum feito que ainda não tenha sido registrado e minuciosamente analisado. Não por acaso, é a tensão entre os dois que, ao menos desde os anos 80, estrutura o universo futebolístico como uma espécie de mito cosmogônico, a fornecer ao todo sua própria sustentação e sentido. No entanto, gravitam ao redor destas figuras centrais alguns coadjuvantes de luxo que, embora não lhes possam fazer frente em termos de fundamentos (ao fim e ao cabo, quantos poderiam?), compõem o rol de desbravadores que revolucionaram o esporte em sua dimensão tática. Suas conquistas, porquanto mais discretas e sutis, nem sempre são festejadas com o entusiasmo que merecem – ou o são tão somente após sua morte. Nas próximas linhas, tentaremos lançar luz sobre um nome que atuou como fio condutor de alterações fundamentais para que o futebol viesse a se configurar como o entendemos hoje: Mário Jorge Lobo Zagallo.   

Fonte: pinterest.com

Comecemos por uma verdade paradigmática: em 1958 e 1962, Zagallo foi simplesmente o responsável pelo surgimento do 4-3-3 ao longo da campanha do bicampeonato mundial brasileiro. Mas, afinal, que elementos permitem que tal afirmação possa ser feita com tamanha segurança? Ocorre que, apesar de atuar como ponta-esquerda, função hoje extinta, ele também ajudava a compor o meio de campo, auxiliando o lendário botafoguense Nilton Santos na marcação quando necessário. Zagallo revezava, pois, entre duas funções – com e sem a bola –, e este trabalho incansável, prestimoso e em seu tempo inédito lhe rendeu o apelido de Formiguinha. Exemplo radical: na estreia contra a Áustria, com vitória do escrete por 3 x 0, o segundo gol, anotado pela Enciclopédia Nilton Santos, ganhou notoriedade pelo fato de um lateral, como ele o era, ter avançado contra a retaguarda adversária numa época em que a posição era estritamente defensiva. Tal postura parecia levar a termo flagrantemente uma tática kamikaze, já que a consequência de uma possível perda da posse de bola seria a exposição de todo um flanco do campo para o contra-ataque rival. No entanto, Nilton Santos não subiu à toa: Zagallo o cobria. Ali, ampliavam-se horizontes e possibilidades do jogo: o ponta ficava, o lateral avançava – em outras palavras, o responsável tradicional pela ofensiva defendia para que o até então defensor agredisse, surpreendendo a todos. “Enquanto o Vicente Feola [técnico brasileiro] gritava ‘Volta, volta!’ [para o Nilton], eu falava ‘Vai! Pode ir que eu tô cobrindo!’”. Alternando entre ponta e meia, Zagallo transitava pelo dobro da distância habitual de seus concorrentes. Sendo assim, ao retornar para a metade da cancha, seu movimento liberava o dito apoio de Nilton Santos – além do nada modesto trio Garrincha, Didi e Pelé. Ah, e é claro: de quebra, ele marcou um dos gols da final contra a Suécia – o quarto dos 5 x 2 que nos conduziu ao apogeu pela primeira vez.

Ademais, na campanha do tri, a quintessência do futebol desfilou no México sob seu comando. Em 1970, Zagallo entrou para a história como o técnico da seleção mais refinada e equilibrada já formada. Foi ele o mentor de um time que tinha simultaneamente Gérson, Jairzinho, Rivellino, Tostão e Pelé no gramado enquanto titulares. Na decisão contra a Itália, seu trabalho foi arrematado com o tento coletivo mais bonito de todas as Copas. E como aquele lance de cinema explica mais um brilhantismo tático? Antes de Zagallo, a Seleção fora treinada por João Saldanha, que adotava o 4-2-4 como sistema de jogo. Com o novo técnico, o Brasil passou a defender no 4-5-1. Este 1 era Tostão, que, apesar de jogar mais avançado no novo esquema, recuava se preciso fosse – compromisso para que a escalação de tantos gênios no meio funcionasse. Assim fez o atacante aos 41min do segundo tempo daquela final, quando pressionou o adversário e recuperou a posse de bola em nosso campo de defesa. De Tostão para Piazza, de Piazza para Clodoaldo, rápida triangulação com Pelé e Gérson, até que a pelota retorna a Clodoaldo. Tem início a mágica – quatro dribles desmoralizantes trazem o Azteca abaixo. Passe para Rivellino. Lembremos: Clodoaldo e Riva eram o mais das vezes reservas de Marco Antonio e Paulo Cézar Caju com Saldanha. Zagallo fez com que Rivellino compusesse o setor esquerdo sem a bola, de modo que Everaldo, o lateral do mesmo lado, não subisse. As investidas ofensivas ficavam a cargo de Carlos Alberto pela direita – o autor do gol –, aproveitando as infiltrações diagonais do ponta à sua frente, Jairzinho, o Furacão da Copa. Contudo, reparem em qualquer replay deste gol: é justamente Jairzinho quem recebe a pelota de Rivellino, mas desta vez pela canhota. O que o ponta-direita lá fazia? O treinamento de Zagallo explica: Jair era marcado individualmente naquela tarde por Giacinto Facchetti, icônico capitão da Azzurri; ao surgir do outro lado do relvado, o brasileiro puxou a marcação do italiano e o deslocou por completo, liberando um enorme corredor na direita para o avanço do Capita. Quando Pelé recebe na intermediária, com aquele 10 pertencente ao terreno do imemorial às costas, a zaga europeia já estava vendida há muito sem o saber. Seu olhar confirma num átimo a carreira de Carlos Alberto, que recebe o passe pitoresco da Majestade. Quem respira os ares do futebol sabe que aquele misto de displicência e imponência de Pelé continha uma mensagem inequívoca e incontestável: “Faz”. Como se irritado por não ter participado da trama até li, o acaso entrou em cena para reivindicar ao menos algum papel auxiliar: foi o quique que antecedeu e propiciou a finalização perfeita, um cruzado inapelável na veia. Os protagonistas, contudo, têm nome, dentre os quais fulgura o de Zagallo: de Clodoaldo e Riva, titulares na campanha imbatível no México, à inversão de Jairzinho a fim de criar espaços no lado oposto para Carlos Alberto, passando pela centralidade de Pelé, o Velho Lobo esteve presente. Multicampeão. Gigante. Histórico. Cinco finais em sete Copas disputadas (52 e 68 como jogador, 70 como técnico, 94 e 98 como assistente), com quatro delas na prateleira. Para a felicidade geral da nação, tiveram de engolir. Que, em seus 90 anos pela proa, tenhamos a oportunidade de transmitir devidamente às novas gerações, tão afeitas ao esquecimento, o tamanho deste legado esportivo.

Fonte: medium.com

Artigos

Laís: para sempre uma lenda

Ex-jogadora e técnica de basquete, Laís Elena Aranha da Silva, foi vítima de um câncer de mama e faleceu na terça-feira, dia 12, em Santo André, um dia após completar 76 anos de vida. É impossível não associar a história de Laís Elena com o basquete brasileiro, especialmente com a modalidade feminina. Enquanto jogadora e como armadora,… Continuar lendo Laís: para sempre uma lenda

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Artigos

Legado ou herança maldita?

Quando o Rio de Janeiro venceu as eleições para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, como a maioria dos brasileiros, eu festejei. O país estava em um momento de crescimento econômico, e o evento não só trazia esperanças de legado fundamental e necessário para a cidade, como também aprovação internacional, o Rio tinha… Continuar lendo Legado ou herança maldita?

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O Rio corre “do” Maracanã

Construído como um dos símbolos de um Brasil “próspero e grande” que se posicionava mundialmente no cenário pós-Guerra, o então Estádio Municipal se tornou um templo do esporte mundial. Palco de duas finais de Copas do mundo, de abertura e encerramento de Olimpíadas, casa dos cariocas que transformaram o “domingo eu vou ao Maracanã” em… Continuar lendo O Rio corre “do” Maracanã

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Artigos · Eventos

LEME promoverá, em dezembro, Seminário internacional sobre Jogos Olímpicos e Paralímpicos

O Seminário “Jogos Olímpicos e Paralímpicos: Cidade, mídias e identidades” será organizado pelo Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME-Uerj), iniciativa do Grupo de Pesquisa em Esporte e Cultura (cadastro no CNPq desde 1998). O Rio de Janeiro sediou em agosto deste ano os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que gerou impactos ao cotidiano da… Continuar lendo LEME promoverá, em dezembro, Seminário internacional sobre Jogos Olímpicos e Paralímpicos

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Artigos

E agora, Michel?

Desde que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016, vivemos uma grande expectativa sobre os impactos que essas duas competições esportivas iriam trazer para o país. O anúncio de que o Brasil receberia a Copa foi feito no dia 30 de outubro de… Continuar lendo E agora, Michel?

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Os Jogos Olímpicos vêm aí, e aí?

Quando o Rio foi eleito sede dos Jogos de 2016, o país foi acometido por grande euforia. Naquele momento tínhamos um presidente relativamente popular e a economia ia muito bem obrigada. Não passou pela cabeça de ninguém, ou pelo menos da grande maioria, que sediar três mega-eventos – Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas… Continuar lendo Os Jogos Olímpicos vêm aí, e aí?

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Artigos

O Rio e a Copa do Mundo. Será que vai? Vai para onde?

Outro título, já quase bordão, poderia ser “Imagina na Copa…”.   Muitos veem tal ideia como um olhar simploriamente pessimista; não eu. Os argumentos são simples, mas o simbolismo das ações (e, principalmente, das “não-ações”) nesse cenário é que determina a minha posição perante esse assunto. Não pretendo colocar de maneira metódica a análise dos… Continuar lendo O Rio e a Copa do Mundo. Será que vai? Vai para onde?

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