Produção audiovisual

Já está no ar o trigésimo sétimo episódio do Passes e Impasses

Acesse o mais novo episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O tema do nosso trigésimo sétimo episódio é “Mané Garrincha”. Com apresentação de Fausto Amaro e Marina Mantuano, gravamos remotamente com Rafael Casé, pesquisador do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte e professor de Comunicação da UERJ, e Filipe Mostaro, doutor em Comunicação e também pesquisador do LEME.

O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o trigésimo sétimo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Balada nº7”, canção composta por Alberto Luiz e interpretada por Moacyr Franco.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

Ondas do LEME (recomendações de artigos, livros e outras produções):

Hoje é dia de Botafogo – Rafael Casé [livro]

Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha – Ruy Castro [livro]

Garrincha x Pelé: futebol, cinema, literatura e a construção da identidade nacional – Victor Andrade de Melo [artigo]

Pra frente, Brasil! Do maracanazzo aos mitos de Pelé e Garrincha , a dialética da ordem e da desordem (1950-1983) – Denaldo Archone de Souza [livro]

Garrincha: A Flecha funiô – Mestiçagem, Futebol-Arte e Crônicas pioneiras – Mario Lima [livro]

Tomar ou não tomar o Chicabon?, eis a questão – Nelson Rodrigues [crônica]

Mané e o sonho – Carlos Drummond de Andrade [coluna]

Pelé Eterno [filme]

Garrincha, alegria do povo [filme]

Garrincha, estrela solitária [filme]

Garrincha, a Flecha fulniô das Alagoas – Mestiçagem, Futebol-Arte e Crônicas pioneiras- Mário Lima [livro]

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro
Roteiro e produção: Marina Mantuano, Fausto Amaro e Carol Fontenelle
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Fausto Amaro e Marina Mantuano
Convidados: Filipe Mostaro e Rafael Casé

Artigos

Garrincha

É uma postura altiva. Garrincha está parado. Pernas eretas e afastadas uma da outra. Braços um pouco inclinados para trás. Tronco do corpo sutilmente projetado para frente para facilitar o momento exato em que a inércia momentânea será quebrada.

É, sem dúvida alguma, uma posição de ataque.  De enfrentamento. De quem, em algum momento incerto, vai dar o bote certeiro.

O adversário sabe disso. Ainda que não imagine em que microssegundo para frente isso acontecerá. Ainda que não saiba qual dos milhares de botes possíveis o outro vai escolher.

Indeciso, pois, o tal adversário se posiciona de forma defensiva a cerca de um metro de distância. Será dele o dever de conter aquele homem, de dar o primeiro combate, enfim. Mas a mão direita levemente erguida para a frente, como que tateasse o nada em busca de algum tipo de amparo, o denuncia. O rival está titubeante. Não aparenta saber bem o que deverá fazer para conseguir parar o imparável.

A descrição da cena é retirada de um videoteipe em preto e branco. O jogo é entre Botafogo e Flamengo. E ainda que eu não tenha certeza absoluta, minha suspeita é a de que seja a final do Campeonato Carioca de 1962.

Se isso for mesmo verdade, o impacto é ainda maior.

Porque o desorientado, o tolo que não sabia o que fazer, não é outro senão Gerson. Ainda jovem, é bem verdade, mas aquele que viria a ser tricampeão do mundo em 1970.

Aliás, o próprio Gerson já deu inúmeras entrevistas falando daquele dia em que foi um dos “Joãos” de Garrincha, o que reforça minha suspeita.

Mas, isso não importa tanto aqui.

Fato mesmo é que estão, frente a frente, Garrinha e João – chamemo-lo assim, afinal.

Garrincha veste calção negro. Camisa do Botafogo listrada em preta e branca, de mangas compridas, número 7 às costas.

João veste uma camisa escura, que é difícil de distinguir os detalhes. O calção é branco.

Estão no Maracanã. Lado direito do campo de jogo. Na imagem dá para ver a linha lateral à direita e os limites da grande área numa diagonal à esquerda. Pouco mais atrás, um segundo defensor (Jordan, um dos maiores nomes da história flamenguista, acaso minhas suspeitas estiverem corretas).

Uma cena épica está prestes a acontecer.

Garrincha e João se olham de frente, mas não chegam a se encarar. Têm as visões meio abaixadas, mirando as pernas um do outro.

Próximo ao pé de Mané, a bola, alvo de desejo dos dois.

O repertório de Garrincha é incalculável. E a paralisia de João mostra o respeito que tem ao rival.

É uma cena comovente, até. Poética. Rara. Engraçada também.

Por alguns segundos, parece que o jogo está suspenso.

Garrincha está imóvel. Não toca na bola. Como que convidando o outro para avançar inadvertidamente.

João não avança. Aguarda. Teme, acima de tudo.

Se nada mais acontecesse, o jogo acabaria ali mesmo. Garrincha convidando, João vacilando. Até o apito final do árbitro.

Mas, a poesia acontece.

Garrincha dá um impulso para a direita, numa cena que lembraria uma largada de 100m rasos, não fosse o detalhe de que ele dá apenas um passo e retorna exatamente para onde estava.

João, na certeza absoluta de que a corrida era para valer, tenta acompanhar o adversário, e somente muito atabalhoadamente percebe o blefe e consegue retornar para onde estava.

O que torna a cena única, contudo, é que, nos segundos seguintes, Garrincha vai repetir exatamente o mesmo movimento mais duas vezes, e em ambas as oportunidades vai conseguir ludibriar o adversário da mesma forma que a primeira.

Dá para entender?

Seis segundos, três dribles idênticos e bem sucedidos em cima do mesmo marcador, zero vezes a bola incomodada.

Até que Garrincha se cansa da brincadeira.

A impressão é que ele poderia repetir o movimento quantas vezes quisesse e em todas elas João cairia no engodo.

Mas ele se cansa, toca a bola de lado, deixa João zonzo sem saber bem o que danado aconteceu.

Os tolos vão dizer, talvez, que o lance não é tudo isso, visto que não levou a nenhum resultado mais efetivo.

Mas esses são o que são: tolos.

O lance, muito pelo contrário, representa toda a essência, toda a habilidade, toda a irreverência, toda a genialidade do homem que esta semana completaria 87 anos se estivesse vivo.

Parabéns, Garrincha.

Fonte: YouTube
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