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Práticas de incentivo ao Futebol Feminino

Sabemos que a realidade do futebol feminino brasileiro ainda não é nada acolhedora e inclusiva. Muitas são as barreiras que as mulheres driblam todos os dias para conseguirem praticar sua paixão e perseverarem no esporte. Além do preconceito, a escassez de incentivos prejudica o desenvolvimento do modo de jogar e, consequentemente, o resultado nos campeonatos e a formação de novas atletas.

O Brasil conta hoje com relativamente pouco estímulo ao futebol de mulheres, em comparação com o futebol masculino, fazendo com que a curiosidade e a atração pela modalidade acabem não sendo desenvolvidas em muitas meninas. Afinal, quem não conhece, não tem como amar. Nosso país necessita, portanto, despertar cada vez mais o interesse pelo esporte em jovens mulheres, a fim de que novas atletas sejam formadas.

Felizmente, já podemos enumerar alguns inspiradores projetos que buscam promover o esporte feminino. Aqui falamos de escolinhas profissionalizantes de meninas, como as do Flamengo, PSG e Corinthians. Conseguimos observar um pequeno, mas significativo, aumento na criação de turmas femininas em clubes renomados e em pequenos clubes periféricos. As redes sociais também são grandes aliadas, e certos perfis, como o @dribradoras e o @futdelasbr, colaboram para a promoção do interesse e da prática do esporte por mulheres.

Dentre as instituições de memória, o Museu do Futebol de São Paulo tem acervos e parte do seu projeto voltado exclusivamente para o impulsionamento do futebol feminino, trazendo visibilidade para a causa por meio de história e informação. Um bom exemplo é o podcast “Audioguia Mulheres no Futebol” e exposições sobre o tema, como “Visibilidade para o futebol feminino de 2015” e “Contra-Ataque: as mulheres do futebol de 2019”.
E é com a parceria do Museu do Futebol que vamos contar no nosso “V Seminário Internacional do LEME – Agora é com elas: 30 anos da Copa do Mundo de Futebol de Mulheres”. Juntos, LEME e Museu, vão contribuir para a disseminação do conhecimento sobre o futebol de mulheres. O evento ocorre nos dias 08 e 09 de novembro. Para acompanhar as atualizações sobre o evento, siga o LEME no Instagram e fique de olho na aba do evento aqui no blog.

E para começarmos a aquecer antes do Seminário, indicamos algumas leituras que irão te deixar por pro dentro do tema. Confira!

  • ALMEIDA, Caroline. “Boas de bola”: um estudo sobre o ser jogadora de futebol no Esporte Clube Radar durante a década de 1980. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 2013.
  • BONFIM, Aira. Football Feminino entre festas esportivas, circos e campos suburbanos: uma história social do futebol praticado por mulheres da introdução à proibição (1915-1941). Dissertação – FGV, 2019. Dissertação (mestrado) – Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas, Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais.
  • GOELLNER, Silvana Vilodre. Mulheres e futebol no Brasil: entre sombras e visibilidades. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.19, n.2, p.143-51, abr./jun. 2005
  • SALVINI, Leila. MARCHI JÚNIOR, Wanderley Uma história do futebol feminino nas páginas da Revista Placar entre os anos de 1980-1990. Movimento. Porto Alegre, v. 19, n. 01, p. 95-115, jan/mar de 2013.
  • KESSLER, Claudia. Mulheres na área gênero, diversidade e inserções no futebol. RS: Editora da URFGS.
  • KESSLER, Claudia. COSTA, Leda; PISANI, Mariane. As mulheres no universo do futebol brasileiro. Santa Maria: Editora UFSM, 2020

Eventos

LEME divulga os aprovados para o Seminário “Agora é com elas”

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) divulga hoje, 6 de setembro, a lista de trabalhos aprovados para o Seminário Internacional “Agora é com elas: 30 anos da Copa do Mundo de Futebol de Mulheres”.

O seminário faz referência aos 30 anos da primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino. Além de palestras, teremos dois GTs: 1 – História, memórias e resistências e 2 – Futebol feminino nos rastros da profissionalização.

As apresentações dos resumos aprovados irão acontecer via Google Meet, nos dias 8 e 9 de novembro. 

Acesse os trabalhos aprovados e os seus respectivos autores aqui.

Eventos

SUBMISSÕES PRORROGADAS: Seminário Internacional “Agora é com elas” recebe trabalhos até o dia 31 de agosto

Atendendo a pedidos de pesquisadores de todo o país, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) recebe, até o dia 31 de agosto, resumos expandidos para o seu Seminário Internacional “Agora é com elas”. O prazo original era 15 de agosto.

“Agora é com elas” acontecerá em referência aos 30 anos da primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino. Divididos em dois GTs (GT1: História, memórias e resistências e GT2: Futebol feminino nos rastros da profissionalização), os trabalhos devem ter de 7 a 12 mil caracteres e podem estar escritos em Português ou Espanhol. As apresentações dos textos aprovados irão acontecer via Google Meet, nos dias 8 e 9 de novembro.  O evento contará ainda com apresentação de palestras, ao vivo, pelo canal do LEME no Youtube, em programação ainda a ser definida.

Grupos de trabalho

GT 1: História, memórias e resistências

A participação das mulheres no futebol é fenômeno derivado de um processo que envolve fatores diversos relacionados tanto aos aspectos esportivos quanto a um conjunto de reivindicações e lutas das mulheres pela equidade de direitos. Este GT pretende discutir as dimensões históricas e sociais da trajetória do futebol de mulheres no Brasil e em outros países, contemplando a prática esportiva e a dimensão torcedora.

Coordenação: Leda Costa

GT2: Futebol feminino nos rastros da profissionalização

A participação profissional das mulheres no futebol para além dos gramados tem sido objeto de importantes investigações. Este GT se propõe a discutir os obstáculos e horizontes futuros para as mulheres no exercício de algumas funções como, por exemplo, a arbitragem, a ocupação de cargos em Federações e clubes, no jornalismo esportivo, assim como sua presença na pauta de políticas públicas voltadas ao esporte.

Coordenação: Carol Fontenelle

Regras e prazo para submissão de trabalhos

Recebimento de resumos expandidos em Português ou Espanhol: de 04 de junho até 31 de agosto (prazo já prorrogado).

Atenção especial a este item: o resumo expandido deve ter no mínimo 7.000 e no máximo 12.000 caracteres, com espaços, incluindo resumo e bibliografia e deve estar no template do evento, seguindo todas as suas regras de formatação.

Envio de resumos expandidos

O template pode ser baixado aqui.

Devem ser enviados para o e-mail: seminariocopadomundodemulheres@gmail.com

No campo assunto deve ser colocado o nome do GT para qual o trabalho se destina.

O arquivo final deve ser salvo em .doc ou .docx e deve ter o nome+sobrenome do autor principal.

Ex.: Joaodasilva.docx

Quem pode enviar os resumos expandidos?

Graduandos, graduados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores, que vinculem seus textos aos GTs e às áreas de Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Educação Física, Linguística, Letras e Artes. Não é permitido o envio de mais de um trabalho de um mesmo autor para um mesmo GT. No caso de um autor desejar enviar um trabalho para cada GT, ele deve ser autor principal em um e coautor no outro.

Divulgação dos resumos expandidos aprovados: 6 de setembro

Pagamento de inscrições de trabalhos aprovados

A taxa de inscrição deverá ser realizada a título de doação para uma instituição (ainda a ser escolhida). Só haverá pagamento da referida taxa para os autores que tiverem seus trabalhos aprovados. Caso um mesmo resumo expandido seja escrito por mais de uma pessoa, todos os autores devem fazer o pagamento da inscrição, caso queiram receber certificado online. No momento da apresentação, é permitida a escolha de somente um autor para explanação, que será de 15 minutos, seguida de discussão entre os presentes na sala de reunião do Meet.

Estudantes de graduação: R$ 10.

Demais: R$20.

Prazo de pagamento: 6 a 30 de setembro (informações detalhadas serão comunicadas posteriormente).

Eventos

ATENÇÃO: termina dia 15 de agosto o prazo de envio de trabalhos para o Seminário Internacional “Agora é com elas”

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) recebe, até dia 15 de agosto, resumos expandidos para o seu Seminário Internacional “Agora é com elas”, em referência aos 30 anos da primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino. Divididos em dois GTs (GT1: História, memórias e resistências e GT2: Futebol feminino nos rastros da profissionalização), os trabalhos devem ter de 7 a 12 mil caracteres e podem estar escritos em Português ou Espanhol. As apresentações dos textos aprovados irão acontecer via Meet, nos dias 8 e 9 de novembro. O evento contará ainda com palestras, ao vivo, pelo canal do LEME no Youtube, em programação ainda a ser definida.

Grupos de trabalho

GT 1: História, memórias e resistências

A participação das mulheres no futebol é fenômeno derivado de um processo que envolve fatores diversos relacionados tanto aos aspectos esportivos quanto a um conjunto de reivindicações e lutas das mulheres pela equidade de direitos. Este GT pretende discutir as dimensões históricas e sociais da trajetória do futebol de mulheres no Brasil e em outros países, contemplando a prática esportiva e a dimensão torcedora.

Coordenação: Leda Costa

GT2: Futebol feminino nos rastros da profissionalização

A participação profissional das mulheres no futebol para além dos gramados tem sido objeto de importantes investigações. Este GT se propõe a discutir os obstáculos e horizontes futuros para as mulheres no exercício de algumas funções como, por exemplo, a arbitragem, a ocupação de cargos em Federações e clubes, no jornalismo esportivo, assim como sua presença na pauta de políticas públicas voltadas ao esporte.

Coordenação: Carol Fontenelle

Regras e prazo para submissão de trabalhos

Recebimento de resumos expandidos em Português ou Espanhol: de 04 de junho a 15 de agosto de 2021.

Atenção especial a este item: o resumo expandido deve ter no mínimo 7.000 e no máximo 12.000 caracteres, com espaços, incluindo resumo e bibliografia e deve estar no template do evento, seguindo todas as suas regras de formatação.

Envio de resumos expandidos

O template pode ser baixado aqui.

Devem ser enviados para o e-mail: seminariocopadomundodemulheres@gmail.com

No campo assunto deve ser colocado o nome do GT para qual o trabalho se destina.

O arquivo final deve ser salvo em .doc ou .docx e deve ter o nome+sobrenome do autor principal.

Ex.: Joaodasilva.docx

Quem pode enviar os resumos expandidos?

Graduandos, graduados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores, que vinculem seus textos aos GTs e às áreas de Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Educação Física, Linguística, Letras e Artes. Não é permitido o envio de mais de um trabalho de um mesmo autor para um mesmo GT. No caso de um autor desejar enviar um trabalho para cada GT, ele deve ser autor principal em um e coautor no outro.

Divulgação dos resumos expandidos aprovados: 6 de setembro

Pagamento de inscrições de trabalhos aprovados

A taxa de inscrição deverá ser realizada a título de doação para uma instituição (ainda a ser escolhida). Só haverá pagamento da referida taxa para os autores que tiverem seus trabalhos aprovados. Caso um mesmo resumo expandido seja escrito por mais de uma pessoa, todos os autores devem fazer o pagamento da inscrição, caso queiram receber certificado online. No momento da apresentação, é permitida a escolha de somente um autor para explanação, que será de 15 minutos, seguida de discussão entre os presentes na sala de reunião do Meet.

Estudantes de graduação: R$ 10.

Demais: R$20.

Prazo de pagamento: 6 a 30 de setembro (informações detalhadas serão comunicadas posteriormente).

Artigos

Breve panorama sobre Futebol Feminino no Brasil de 2019 a 2021: da obrigação à realidade

Por Camila Augusta e Luiza Gaborginni

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”, a frase é do artigo 54 do Decreto-lei 3199, de abril de 1941, quando Getúlio Vargas governava o país. Os reflexos dessa medida são vistos até os dias atuais e 40 anos depois da permissão, o que se nota é um lento movimento dos clubes do país em prol do desenvolvimento do futebol feminino.

A partir de 2019, na tentativa de incentivar a modalidade, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) obrigaram os clubes a formarem um departamento feminino nos times nacionais. Dessa forma, esse texto reflete um pouco sobre como a regulamentação impactou os clubes no desenvolvimento de suas equipes femininas naquele ano e trazer luz sobre a realidade em 2021.

Ao final do livro “La era del fútbol” (2005), o argentino Juan José Sebreli, um crítico assíduo do esporte, observa que “nenhuma das grandes ideologias universais – o cristianismo, islamismo ou socialismo (…) puderam abarcar unanimemente sociedades, culturas, continentes, raças e sistemas políticos tão diversos como o futebol”. Além da paixão envolvida, o futebol também envolve reflexões sobre os conflitos raciais, religiosos, políticos, de gênero, entre outros.

Não muito distante, seria esse o contexto de debate sobre a busca pelo lugar da mulher dentro do futebol. No Brasil, a história de desigualdades e falta de espaço refletem ainda no parco investimento na modalidade quando praticada por mulheres.

Após essa proibição inicial, o futebol institucionalizado teve início em meados da década de 1980. Salles, Silva e Costa, (1996, p.80), para breve contextualização, afirmam que a primeira liga de futebol feminino foi formada em 1981, no Rio de Janeiro. Os autores afirmam que “havia então uma ordem implícita inibidora da presença da mulher neste espaço, ditando códigos excludentes para o sexo feminino”. Assim, o Esporte Clube Radar (E.C.R.), do Rio de Janeiro, foi o pioneiro na modalidade no país e teve uma trajetória de conquistas.

Time do Esporte Clube Radar (E.C.R) do Rio de Janeiro. Fonte: Kike da bola

À medida que os anos foram passando, as entidades que regem o futebol brasileiro enfrentaram, e enfrentam, dificuldades e desafios para encontrar as formas de investir e divulgar o futebol feminino. A manutenção de um time de futebol feminino adulto e na base está entre as medidas exigidas pelo Licenciamento de Clubes, que serve para estruturar e regularizar a gestão dos clubes no país. A medida foi aprovada no fim de 2016 e deu aos clubes dois anos para se adequar às regras. O estatuto da Fifa também inclui artigos que falam sobre a igualdade de gênero.

A partir de 2016, na tentativa de se engajar nas tendências contemporâneas de maior inclusão e igualdade, além de se adequar às mudanças do mundo, a Conmebol decidiu que era hora de tentar fortalecer o futebol feminino. Não só o cenário nos clubes mostrava a importância da ação, mas o rendimento das seleções repercutia no universo esportivo.

No mesmo ano, a Fifa publicou um documento sobre sua visão do futebol nos próximos dez anos. Nele, o incentivo ao futebol feminino ganhou muita importância. Entre os objetivos estão: estabelecer competições ao redor do mundo, assegurar o desenvolvimento local da modalidade, criar um programa de marketing e aumentar o número de mulheres nas entidades. Por isso, a Conmebol passou a exigir que os clubes que disputariam suas competições masculinas tivessem o investimento no departamento feminino e, consequentemente, em torneios da modalidade. A entidade passou a exigir equipe feminina (ou se associar a um clube que tenha); pelo menos uma categoria juvenil feminina (ou se associar a clube que tenha); suporte técnico, equipamento e infraestrutura com campo para treinamento e jogos; participar de competições nacionais e/ou regionais da CBF ou Federações estaduais.

A Copa Libertadores da América de Futebol Feminino completou 10 edições em 2018. Cada país associado à entidade teria direito a uma vaga, dada às campeãs do campeonato nacional. Antes do início da disputa em 2019, o Brasil era o país com mais títulos na competição, somando sete ao todo (Santos, duas vezes campeão; São José, três vezes; Ferroviária e Audax/Corinthians, uma vez cada).

A CBF também tornou a medida obrigatória para os clubes da Série A, exigindo uma equipe feminina disputando competições nacionais ou estaduais em 2018 ou 2019 (ou se associar a clube que tenha) e estrutura à disposição do time feminino, com equipe técnica e médica dedicadas, instalações para treinamento, campo para jogos, e eventuais contratos de patrocínio. Como prova da resistência que ainda existe, a determinação não refletiu bem alguns clubes.

De acordo com a CBF, os clubes que não cumprissem, em 2019, as regras estabelecidas estariam sujeitos a serem eliminados das competições que exigem a licença. São eles a Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana e Libertadores. A entidade previa antes da exclusão da equipe que não se adequasse, uma orientação para que as medidas fossem cumpridas. A previsão de início era que as Séries B, C e D precisariam atender às exigências de forma gradativa, ou seja, em 2020, 2021 e 2022, respectivamente.

Assim, apenas sete clubes participantes do campeonato nacional iniciaram 2019 com o departamento de futebol feminino já estruturado. Eram eles Ceará, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco. No dia 26 de fevereiro, após a divulgação da tabela das Séries A1 e A2, apenas CSA, Fortaleza e Goiás, disputariam somente o campeonato estadual feminino naquele ano.

A partir de coleta realizada em 2019 nos portais dos clubes, é possível afirmar que no Rio de Janeiro o Club de Regatas Vasco da Gama tem um projeto próprio, de base e adulto, assim como o Botafogo de Futebol e Regatas, que montou sua equipe às vésperas do início do Brasileiro mesmo ano, com recursos próprios e um investimento de R$ 25 mil. O Clube de Regatas do Flamengo tem, desde 2011 uma parceria com a Marinha do Brasil. O clube compôs com os próprios recursos um time sub-18, pois, assim como os outros cariocas, teria direito a uma vaga no Brasileiro da categoria. O Fluminense Football Club assinou um acordo com o projeto Daminhas da Bola, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Neste caso, a parceria atende também a base, com equipes sub-11, sub-13 e sub-15 no futsal e sub-15 e sub-17 de futebol de campo.

O cenário em São Paulo se desenvolveu como um dos mais promissores do país. Sport Club Corinthians Paulista e Santos Futebol Clube contam com equipes de ponta e de gestão própria. O primeiro criou em 2019 uma equipe sub-17 e tinha uma parceria com o Audax até o início de 2018 e o segundo foi vice-campeão da Libertadores e funciona desde 2015. O sub-17 é feito em parceria com o colégio Santa Cruz e com a Universidade de São Paulo. O São Paulo Futebol Clube tem parceria com o Centro Olímpico, com times sub-17 e adulto. O clube, inclusive, contratou a veterana Cristiane, um dos principais nomes da modalidade. Apesar de ter montado o projeto apenas em 2019, o São Paulo se planeja desde 2017 com alojamento e centro de treinamento. A Sociedade Esportiva Palmeiras montou a equipe às pressas, representando naquele ano time mais caro do país. Sob o comando da experiente treinadora Ana Lúcia Gonçalves, o projeto tem sede na cidade de Vinhedo.

Em Minas Gerais, o Clube Atlético Mineiro tem uma parceria como Prointer Futebol Clube, firmada em 12 de dezembro de 2018. O time é único, até 21 anos. O Cruzeiro Esporte Clube foi um dos últimos a anunciar a equipe. Com um investimento de pouco mais de R$ 1 milhão por ano, o clube formou uma equipe própria e primeiro focou no time adulto para futuramente montar um sub-18. O Goiás Esporte Clube funciona em parceria com a Universidade Salgado Filho, com times adulto e de base.

No Nordeste, o Esporte Clube Bahia firmou parceria com o Lusaca, time feminino da cidade de Dias d’Ávila, e tem times sub-17, sub-20 e adulto. O Ceará Sporting Club tem vínculo com a Associação Menina Olímpica e também time de base e profissional. O Centro Sportivo Alagoano (CSA) montou a equipe adulta com gestão independente e estrutura uma escolinha, com o sub-15, sub-17 e sub-20. Até 2018, o time feminino era gerenciado por voluntários e as atletas jogavam recebendo pouco. O Fortaleza preferiu montar um projeto próprio, mesmo com propostas de parcerias, e jogou apenas o Estadual no primeiro ano de obrigatoriedade.

No Sul, o Club Athletico Paranaense firmou a parceria com o Foz Cataratas, que trabalhava com o Coritiba desde 2016. São equipes adultas e de base e o Foz é um dos times femininos com melhor rendimento dos últimos anos. O Avaí Futebol Clube também assinou um acordo com um projeto de sucesso, o Kindermann, tradicional equipe da categoria, tem 10 títulos do Campeonato Catarinense. O Grêmio tem gestão independente e times adultos, Sub -20, Sub-17 e Sub-15. O clube prometeu profissionalizar todas as jogadoras neste ano. É o mesmo caso do Sport Club Internacional, que também planeja um Centro de Treinamento junto ao alojamento. A Associação Chapecoense de Futebol montou primeiro a equipe de base, para depois estruturar seu time adulto. O clube tem parceria com a escola pública Associação Desportiva de Lourdes Lago desde 2016.

Como os dados acima apresentados refletem o cenário pós obrigatoriedade da Conmebol e CBF de 2019, é necessária breve revisão sobre a realidade das equipes femininas e os campeonatos nacionais hoje. Tal fato expressa relevância quando se observa o contexto de pandemia da COVID-19 em 2021, o vírus Sars-CoV-2 que afeta o sistema respiratório assola o mundo e, particularmente o Brasil, com mais de 510 mil mortes no país em junho do mesmo ano, fruto de um governo que não cumpre com as medidas protocolares indicadas a prevenção da doença, bem como com a falta de políticas públicas para o cuidado com a população. Obviamente, é necessário lembrar ainda a crise econômica que afeta alguns clubes brasileiros e que reflete na estrutura das equipes femininas.

Atletas fazem teste de Covid-19 Fonte: Clube Atlético Juventus

No Rio de Janeiro, o Botafogo mantém a equipe feminina, as Gloriosas, que atualmente disputa o Campeonato Brasileiro A1, na tentativa de permanecer na série da competição. Em 2020 o clube encerrou a categoria de base feminina sub-18. A equipe do Vasco da Gama disputa o Campeonato Brasileiro Série A2 em 2021. No mês de junho, o clube implantou na Vila Olímpica de Duque de Caxias um novo Centro de Treinamento para todas as equipes de futebol feminino do clube. Já a equipe feminina do Flamengo foi campeão da Taça Guanabara de 2021 e segue na disputa do Campeonato Brasileiro A1 e do Brasileiro sub-18 . As jogadoras do Fluminense seguem disputando as oitavas de final do Campeonato Brasileiro Série A2.

Em São Paulo, as equipes dos clubes Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo estão disputando a Série A1 do Campeonato Brasileiro. Outras equipes do estado que também participam do campeonato são Ferroviária e São José, de Araraquara e São José dos Campos, respectivamente. A equipe feminina da Ponte Preta marca presença no Campeonato Brasileiro Série A2.

Time feminino da Ferroviária, atual campeã da Libertadores Feminina.
Fonte: CBF

Ao todo, a Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino conta, em 2021, com 16 equipes. Além das equipes cariocas e paulistas, disputam a competição Kindermann-Avaí e Napoli, de Santa Catarina; Internacional e grêmio, do Rio Grande do Sul; Minas Brasília e Real Brasília, do Distrito Federal; e Bahia.

O Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 já se encontra nas oitavas de final, mas iniciou 2021 com 36 equipes. A relação dos jogos e clubes que ainda estão na disputa do campeonato pode ser encontrada aqui.

Além de contar com Campeonatos Brasileiros de Futebol Feminino Sub-18 e Sub-16, é importante ressaltar que em maio deste ano, foi anunciada a criação da Série A3, a terceira divisão do Campeonato Brasileiro Feminino. Com 32 clubes participantes, a competição terá início em 2022. Tal fato demonstra o crescimento do futebol feminino no Brasil, que precisa cada vez mais de incentivo e apoio no país extremamente conservador, principalmente no universo esportivo.


Este texto contém partes do artigo:

PEREIRA, Camila Augusta; GARBOGGINI, Luíza. A obrigação explica o desenvolvimento: clubes cariocas e o futebol feminino em 2019. Anais do 43º CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. Evento virtual – Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Salvador-BA – 1º a 10 de setembro de 2020. Disponível em: https://portalintercom.org.br/anais/nacional2020/lista_area_DT6-CE.htm

Outras fontes:

CAMPEONATO BRASILEIRO FEMININO DE FUTEBOL

SALLES, J. G. C.; SILVA, M.C.P. & COSTA, M.M. (1996). A mulher e o futebol: significados históricos. Em S., Votre (Coord.) A representação social da mulher na educação física e no esporte. Rio de Janeiro: Editora Central da UGF.

SEBRELI, Juan José. La era del fútbol. Buenos Aires: Debolsillo, 2005.

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Quem sediará a Copa do Mundo Feminina 2023?

Troféu da Copa do Mundo feminina — Foto: Getty Images

A Copa do Mundo Feminina 2019, sediada na França, foi marcada por uma bela campanha, em termos de seleções niveladas por alto (razão da força das ligas de futebol feminino), de imprensa/transmissão (130 emissoras envolvidas e com alcance de 135 países) e de recordes na venda de ingressos (entrada para finais e semifinais esgotadas em 48 horas). Depois dessa edição, o evento se tornou ainda mais interessante. A FIFA divulgou que irá anunciar no dia 25 de junho quem sediará a próxima edição dentre as quatro candidaturas no páreo. Concorrem com o Brasil para receber o Mundial a Colômbia, o Japão e a candidatura conjunta de Austrália e Nova Zelândia.

A votação ocorreria no início de junho em Addis Ababa, capital da Etiópia. No entanto, em razão da pandemia do coronavírus, a FIFA precisou adiar para 25 de junho a escolha da sede e informou que o encontro será feito de forma online e que os votos de cada delegado serão tornados públicos no site da entidade.

Além disso, a secretária geral da FIFA, Fatma Samoura, comentou que a federação tem por objetivo investir um total de 1 bilhão de dólares na modalidade no ciclo atual.

“A FIFA continua comprometida com a implementação do processo de licitação mais abrangente, objetivo e transparente da história da Copa do Mundo Feminina da FIFA. Isso faz parte do nosso compromisso geral com o futebol feminino que, entre outras coisas, verá a FIFA investir US $ 1 bilhão no futebol feminino durante o ciclo atual”, disse Samoura.

De acordo com o portal Trivela, a candidatura da Austrália é uma das favoritas, uma vez que o país possui estrutura pronta para realização de jogos. Além disso, o país também tem uma liga profissional feminina forte (burocracia esportiva). Já o Japão tem como trunfo o fato de sediar a Olimpíada de 2020 (adiada para 2021), enquanto a Colômbia tenta convencer os votantes por meio da infraestrutura já existente dos eventos de base, como o Mundial Sub-20 realizado em 2011.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entregou no dia 12 de dezembro de 2019, na sede da FIFA em Zurique, os documentos que tornaram oficial a candidatura do país para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2023. Um fato, porém, chamou a atenção de Tariq Panja, jornalista do New York Times: a ausência de mulheres entre os representantes brasileiros à Uefa.

No Twitter, Panja questionou: “A Confederação Brasileira de Futebol veio à Uefa para tentar o direito de sediar a Copa do Mundo feminina de 2023. Só ficou faltando uma pessoa na delegação: uma mulher”.

A CBF alega que somente as pessoas diretamente envolvidas na parte técnica do projeto poderiam participar desse momento, quando o país ainda está na candidatura e não foi confirmado como sede. Segundo a CBF, estiveram presentes o responsável pelo projeto, Ricardo Trade – antigo CEO da Copa de 2014, que agora comanda o projeto para sediar o Mundial feminino em 2023 – e o diretor de Compliance da entidade, André Megale. Fernando Sarney, vice-presidente da confederação, também esteve na Uefa, mas como membro do Conselho da FIFA. A CBF reforça ainda que há muitas mulheres envolvidas no desenvolvimento do projeto para receber a Copa do Mundo feminina.

Apesar disso, na carta enviada à FIFA, a proposta do Brasil ressalta aspectos como promoção da igualdade de gênero, prevenção de todas as formas de assédio e a importância do futebol feminino para o país. A candidatura prevê jogos em oito cidades distribuídas em todas as regiões do país, que também receberam jogos da Copa do Mundo de 2014. São elas: Manaus, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

De acordo com a CBF, por ter sido sede de duas Copas do Mundo nos últimos cinco anos (Copa do Mundo masculina de 2014 e da Copa do Mundo Sub-17 de 2019), o Brasil aposta nessas experiências bem-sucedidas para convencer a entidade mundial a realizar o evento feminino no país. A infraestrutura será a mesma já usada nessas grandes competições recentes.

“A FIFA já demonstrou que confia na nossa capacidade de realizar eventos deste porte. Eu tenho repetido que a partir de agora a CBF será candidata a receber todas as grandes competições do futebol mundial, pois temos experiência e equipamentos comprovadamente de excelência. Sabemos que temos fortes concorrentes, mas acreditamos na possibilidade de termos mais uma Copa do Mundo no Brasil”, ressalta Rogério Caboclo, presidente da CBF, no site oficial da confederação.

A FIFA disponibilizou os cadernos com as candidaturas de cada um dos finalistas. Na carta da candidatura do Brasil, Caboclo ressalta que “a emoção e a excelência da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023 no Brasil irão garantir que uma nova geração no país, na América do Sul e em todo o mundo descubra o futebol feminino. O Brasil pode abrir novos caminhos ajudando a elevar o jogo das mulheres a alturas sem precedentes em todo o mundo. Juntos, vamos fazer história”.

CBF apresentou proposta para sediar Copa do Mundo de 2023 – Fonte: CBF

A Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023 terá uma novidade: contará com 32 seleções e não mais 24, como a edição anterior na França. Ela seguirá o modelo atual da Copa do Mundo Masculina. A última edição feminina foi a mais vista da história, com cerca de 1,1 bilhão de espectadores acompanhando a cobertura no mundo inteiro.

Mas, afinal, quem sediará a Copa do Mundo Feminina 2023? Vamos aguardar a votação de junho e torcer por nossas favoritas.

Fontes:

Site oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

Site oficial da Federation International Football Association (FIFA)

Documentos oficiais das quatro candidaturas finais ( Austrália e Nova Zelândia:  Caderno de Candidatura / Sumário Executivo , Brasil: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo , Colômbia: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo , Japão: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo)

 

 

Produção audiovisual

Palestra de Aira Bonfim disponível no Youtube

Está disponível no canal do LEME no Youtube o vídeo da palestra de Aira Bonfim nos Encontros LEME 2019. Aira esteve conosco no dia nove de setembro, no auditório do PPGCom/UERJ, para falar de sua pesquisa no Mestrado em História, Política e Bens Culturais da FGV: “Football Feminino entre festas esportivas, circos e campos suburbanos:… Continuar lendo Palestra de Aira Bonfim disponível no Youtube

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Produção audiovisual

Está no ar o quarto episódio do podcast Passes e Impasses

Acesse o quarto episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple Podcasts, PocketCasts, Overcast, Google Podcast, RadioPublic e Anchor. O tema do nosso quarto episódio é “Agora é com elas – chegou a vez das mulheres no futebol ”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Marina Mantuano, recebemos no nosso programa Leda Costa, professora visitante da UERJ e pesquisadora do… Continuar lendo Está no ar o quarto episódio do podcast Passes e Impasses

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Sobre o molho de couve-flor e o Campeonato carioca feminino

Nem mesmo se fosse o Vasco, o dono de tantos gols, eu me sentiria à vontade para comemorar um placar tão elástico como o aquele que pode ser visto no campeonato carioca feminino. Foi mais que goleada. Na verdade, não sei bem como denominar o resultado do jogo entre Flamengo (56) e Greminho (0). Porém,… Continuar lendo Sobre o molho de couve-flor e o Campeonato carioca feminino

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Encontros LEME debate futebol feminino

No dia 09/09, segunda-feira, às 15h, no auditório do PPGCom/UERJ, a pesquisadora Aira Bonfim fará a palestra: “Football Feminino entre festas esportivas, circos e campos suburbanos: uma história social do futebol praticado por mulheres da introdução à proibição (1915-1941)”. O encontro faz parte dos Encontros LEME e das reuniões do grupo de pesquisa Comunicação e… Continuar lendo Encontros LEME debate futebol feminino

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