Artigos

Um convite para a leitura do artigo “Esporte, comunicação e sociologia: uma leitura da trajetória acadêmica e da produção intelectual de Ronaldo Helal”

Não são muitos os autores e pesquisadores que têm sua trajetória acadêmica transformada em objeto de análise e homenagem. Pelo menos na tradição acadêmica brasileira, não é comum esse tipo de registro e quando ocorre, sua motivação, além da excelência da pesquisa, se dá por ocasião de aposentadoria ou mesmo falecimento.

Ocorre que Ronaldo Helal está vivíssimo, intelectualmente atuante e atento à pátria que tem calçado chuteiras cada vez menores.[1] Ronaldo segue em sala de aula formando novas gerações pensantes. E segue devotando ao Flamengo, o amor de um torcedor empedernido.

Uma das principais forças de uma obra ou de um conjunto de obras reside na sua originalidade e na sua capacidade de inspirar outros trabalhos construídos a partir do diálogo de ideias, da admiração e da gratidão intelectual.

Não é grande a lista de autores que consegue desempenhar esse papel em determinado campo do conhecimento.

Ronaldo Helal é um deles.

Fonte: Pinterest.

Sua produtividade acadêmica está longe de acabar e sua trajetória, até o momento, é bastante rica significativa. No campo dos estudos sobre esporte e sua relação com os meios de comunicação de massa, algumas de suas obras assumem um papel, eu diria vanguardista.

Suas análises, tendo como centro o papel dos meios de comunicação de massa, deram um novo fôlego aos estudos das relações entre identidade nacional e futebol, em especial, sobre seleção brasileira e as Copas do Mundo. Não somente. O trabalho de Ronaldo também possibilitou que o campo da Comunicação pudesse se renovar ao encontrar nos esportes novas possibilidades de pesquisas centradas em um dos mais importantes fenômenos culturais do Brasil.

São, portanto, sólidos os motivos que levaram o historiador Bernardo Buarque de Hollanda a compor o artigo “Esporte, comunicação e sociologia: uma leitura da trajetória acadêmica e da produção intelectual de Ronaldo Helal” publicado na revista Alceu[2].

Nesse artigo, a vida acadêmica de Ronaldo é compreendida a partir da perspectiva da “viagem como vocação”[3] o que sinaliza para o fato de que sua produção faz do deslocamento geográfico, para além das fronteiras nacionais, um meio de olhar o “país de fora para dentro” como já o fizera importantes intérpretes do Brasil.

É certo que não necessariamente uma viagem para fora do país resulta em uma renovação de perspectiva a respeito daquilo que nos rodeia. É possível ter esse tipo de perspectiva sem sequer sair de nosso próprio quarto ao estilo de Xavier de Maistre, romancista que inspirou fortemente Machado de Assis, autor que literariamente interpretou de modo profundo o Brasil sem nunca dele ter saído.

O olhar de fora para dentro implica não somente o deslocamento físico, mas é fundamental a sua conjugação com um movimento intelectual de tornar estranho aquilo que nos é familiar e de transformar em familiar aquilo que nos era estranho. Esse movimento marca o itinerário da produção de Ronaldo Helal e sua própria visão pessoal de mundo, inquieta, problematizadora, mas fundamentalmente generosa em reconhecer que o conhecimento é feito de processos marcados pela dinâmica da contradição e da necessária renovação do pensamento crítico.

A formação acadêmica de Ronaldo foi construída na frequência a instituições de pesquisa internacionais nas quais teve contato com um importante contexto de produção de estudos acerca do fenômeno esportivo. Somado a esse material, é de se destacar o diálogo permanente com instigantes interlocutores alguns dos quais construiu uma longa história de amizade.   

A produção de Ronaldo é derivada de sua vocação para fazer da viagem uma fonte de formação intelectual e humana. Vocação que pode ser colocada em prática graças ao apoio institucional da UERJ, universidade na qual leciona há 35 anos, e às agências públicas de fomento FAPERJ, CAPES e CNPq.

Termino aqui convidando você a ler o artigo Esporte, comunicação e sociologia: uma leitura da trajetória acadêmica e da produção intelectual de Ronaldo Helal publicado na revista Alceu.


[1] Faço referência a uma a uma frase dita por Hugo Lovisolo em entrevista para o jornal O Globo em 2001.

[2] Link para o artigo: http://revistaalceu.com.puc-rio.br/index.php/alceu/article/download/267/309

[3] Termo criado por pela antropóloga Fernanda Peixoto e utilizada por Bernardo Buarque de Hollanda no artigo em questão

Produção audiovisual

Já está no ar o vigésimo episódio do Passes & Impasses

Acesse o vigésimo episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O tema do nosso vigésimo episódio é “História das Torcidas Organizadas no Brasil”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Mattheus Reis, recebemos o professor adjunto da Escola de Ciências Sociais da FGV, Bernardo Buarque de Hollanda, e com o docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, da Universidade de Sorocaba, Felipe Lopes.

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O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o vigésimo episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Não quero dinheiro”, do saudoso Tim Maia.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

ARTIGOS, LIVROS E OUTRAS PRODUÇÕES:

Equipe
Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro: Marina Mantuano e Carol Fontenelle
Produção: Marina Mantuano
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Mattheus Reis
Convidados: Bernardo Buarque de Hollanda e Felipe Lopes
Crédito da imagem da capa: Marina Mantuano

Eventos

Seminário Internacional Maraca 70 tem seus primeiros palestrantes confirmados

Gisella de Araújo Moura, Bernardo Buarque de Hollanda, Luiz Antonio Simas, Vivian Fonseca, Juca Kfouri e Marcelo Barreto – é com este timaço que o LEME (Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte), sob a coordenação do professor Ronaldo Helal,  começa a contar para o seu Seminário Internacional Maraca 70.

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No dia 6 de outubro, às 16h, sob a mediação de Álvaro do Cabo, teremos na mesa virtual “O Maracanã na literatura e na arte” Gisella de Araújo Moura, professora e autora do livro O rio corre para o Maracanã. Ao seu lado, dois craques: o professor e historiador da FGV, especialista em estudos relacionados aos modos de torcer, Bernardo Buarque de Hollanda, e o também professor Luiz Antonio Simas, autor do livro Maracanã: uma biografia.

No dia seguinte, no mesmo horário, com moderação de Leda Costa, teremos a mesa “Maracanã: patrimônio cultural e palco de megaeventos”, com a escalação confirmada de Vivian Fonseca, professora e pesquisadora plena do CPDOC – FGV e professora adjunta da UERJ.

Já às 18h30 é a chegada a hora da nossa mesa de encerramento. A tabelinha fica por conta do ex-editor da Revista Placar, Juca Kfouri, e do apresentador do Redação Sportv, Marcelo Barreto, sob a mediação do professor Ricardo Freitas, vice-diretor da Faculdade de Comunicação da UERJ.

Para acompanhar toda a nossa programação, siga o @lemeuerj nas redes sociais e se inscreva em nosso canal no Youtube. É por lá que iremos transmitir nosso seminário.

Lembramos que encontram-se abertas, até o dia 31 de julho, as chamadas de resumos expandidos para apresentação no evento. Mais informações na aba Maraca 70 aqui no blog.

 

Artigos · Produção audiovisual

Estigmatizado no passado, consolidado para o futuro: o esporte na Academia segundo Bernardo Buarque de Hollanda

Pesquisadores cujo objeto de estudo, no passado, era o esporte, sobretudo o futebol, enfrentaram críticas e resistências no meio acadêmico. No entanto, o trabalho de vanguarda desenvolvido por sociólogos como Ronaldo Helal e Maurício Murad elevou a um outro patamar, de maior reconhecimento e relevância, os trabalhos sobre o esporte e suas relações com as… Continuar lendo Estigmatizado no passado, consolidado para o futuro: o esporte na Academia segundo Bernardo Buarque de Hollanda

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Artigos · Produção audiovisual

A surpresa da Copa de 2014, segundo Bernardo Buarque de Hollanda.

As relações entre política e megaeventos esportivos cada vez mais são permeadas pelo planejamento e controle de narrativas e decisões, tanto pela classe política quanto pelos grandes veículos de comunicação. No entanto, o cientista social e professor da Fundação Getúlio Vargas, Bernardo Buarque de Hollanda, destaca que a Copa do Mundo de 2014, sobretudo, inverteu… Continuar lendo A surpresa da Copa de 2014, segundo Bernardo Buarque de Hollanda.

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Artigos · Produção audiovisual

A experiência de Bernardo Buarque de Hollanda com torcidas organizadas francesas

Além de ter pesquisado em seu doutorado as torcidas organizadas dos grandes clubes do Rio de Janeiro, o cientista social e professor da FGV-Rio Bernardo Buarque de Hollanda teve uma rica experiência com as torcidas francesas, em especial a do Bordeaux. Nesta parte de sua entrevista ao LEME, Bernardo Buarque conta as particularidades dessa cultura… Continuar lendo A experiência de Bernardo Buarque de Hollanda com torcidas organizadas francesas

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Artigos · Produção audiovisual

Um outro olhar sobre as torcidas organizadas apresentado por Bernardo Buarque de Hollanda

Você sabia que a fundação de torcidas organizadas cresceu em meio ao contexto autoritário da ditadura militar no Brasil, como forma de fiscalização da atuação dos dirigentes dos clubes? E que diante da repressão estatal à organizações e instituições opositoras aos governos militares, entre 1964 e 1985, essas torcidas compuseram um dos principais meios de… Continuar lendo Um outro olhar sobre as torcidas organizadas apresentado por Bernardo Buarque de Hollanda

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Artigos · Produção audiovisual

A influência do regionalismo e do Modernismo literário na crônica esportiva, segundo Bernardo Buarque de Hollanda.

Bernardo Buarque de Hollanda, cientista social e professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, estudou em seu mestrado as relações entre a literatura e o futebol. José Lins do Rêgo, como Bernardo destaca, foi um dos principais nomes que fomentaram a crônica esportiva nos jornais brasileiros, um trabalho pouco conhecido ainda, dada a… Continuar lendo A influência do regionalismo e do Modernismo literário na crônica esportiva, segundo Bernardo Buarque de Hollanda.

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Artigos · Produção audiovisual

A paixão de José Lins do Rego por futebol

O escritor regionalista José Lins do Rego possui uma vasta obra literária. Os mais notórios de seus trabalhos são as crônicas alusivas ao período colonial do Brasil, em especial quando o açúcar era o carro-chefe da economia, à época, e tinha o Nordeste como centro produtor. No entanto, Bernardo Buarque de Hollanda, professor de história… Continuar lendo A paixão de José Lins do Rego por futebol

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Artigos

Uma geração fã de política e esporte

O futebol teceu, ao longo do século XX, relações intrínsecas com a política. No Brasil, a ditadura civil-militar foi o episódio político em que o futebol foi instrumentalizado de maneira mais evidente, tanto para o autoritarismo quanto para a democracia. A vitória da Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México, serviu de… Continuar lendo Uma geração fã de política e esporte

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