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Já está no ar o décimo nono episódio do Passes & Impasses

Acesse o décimo nono episódio do podcast Passes e Impasses no Spotify*, Deezer*, Apple PodcastsPocketCastsOvercastGoogle PodcastRadioPublic e Anchor.

O tema do nosso décimo nono episódio é “Racismo e Esporte”. Com apresentação de Filipe Mostaro e Carol Fontenelle, recebemos o mestrando da Escola de Comunicação da UFRJ e ex vice-presidente de comunicação do Flamengo, Wellington Silva, e o jornalista (UFS) e jovem pesquisador, Emerson Esteves.

Mais uma vez, gravamos, além do episódio principal, um complemento, o “Prorrogação”. Sabe quando aquele jogo tá tão bom que a gente não quer que acabe? Pensando nisso, tivemos a ideia de criar esse episódio extra. Agora, toda vez que um tema render novas análises, você poderá se aprofundar ouvindo o Prorrogação. Esperamos que gostem!

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O podcast Passes e Impasses é uma produção do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte em parceria com o Laboratório de Áudio da UERJ (Audiolab). O objetivo do podcast é trazer uma opinião reflexiva sobre o esporte em todos os episódios, com uma leitura aprofundada sobre diferentes assuntos em voga no cenário esportivo nacional e internacional. Para isso, contamos sempre com especialistas para debater conosco os tópicos de cada programa.

Você ama esporte e quer acessar um conteúdo exclusivo, feito por quem realmente pesquisa o esporte? Então não deixe de ouvir o nosso décimo nono episódio do Passes & Impasses.

No quadro “Toca a Letra”, a música escolhida foi “Boa Esperança”, do Emicida.

Passes e Impasses é o podcast que traz para você que nos acompanha o esporte como você nunca ouviu.

ARTIGOS, LIVROS E OUTRAS PRODUÇÕES:

  • A invenção do país do futebol: mídia, raça é idolatria – Hugo Lovisolo, Antônio Jorge Gonçalves Soares e Ronaldo Helal
  • Casa Grande e Senzala – Gilberto Freyre
  • O Negro no Futebol Brasileiro – Mário Filho
  • “Sociologia, História e Romance Na Construção da Identidade Nacional Através do Futebol” – Cesar Gordon e Ronaldo Helal
  • “Apolíneos e Dionisíacos” – Thiago Maranhão
  • Futebol, Raça e Nacionalidade no Brasil: Releitura da História Nacional [tese] – Antônio Jorge Gonçalves Soares
  • Guerras do Brasil.doc [Série Documental Netflix, 2018] – Luiz Bolognesi
  • A casa & a rua – espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil – Roberto DaMatta
  • O que é racismo estrutural? – Silvio Luiz de Almeida
  • 13ª Emenda [Documentário Netflix, 2016] – Ava Duvernay e Spencer Averick
  • Olhos que condenam [Série Netflix, 2019] – Ava Duvernay
  • Circuito fechado: quatro ensaios sobre o “poder institucional” – Florestan Fernandes
  • “História social dos negros no futebol brasileiro” – Cesar Gordon
  • Claros e escuros: identidade, povo e mídia no Brasil – Muniz Sodré
  • A elite do atraso: da escravidão a Bolsonaro – Jessé Souza

Equipe

Coordenação Geral: Ronaldo Helal
Direção: Fausto Amaro e Filipe Mostaro
Roteiro: Carol Fontenelle
Produção: Marina Mantuano
Edição de áudio: Leonardo Pereira (Audiolab)
Apresentação: Filipe Mostaro e Carol Fontenelle
Convidados: Wellington Silva e Emerson Esteves
Crédito da imagem da capa: The Washington Post

Notícias

LEME é indicado ao Prêmio Luiz Beltrão

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) é um dos quatro indicados ao Prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação, na categoria Grupo Inovador. A notícia foi comemorada pelos integrantes do Laboratório, que, apesar da pandemia, continuaram produzindo muito academicamente. “Estou muito honrado com esta indicação e agradeço a minha equipe por todo o empenho, mesmo diante deste momento tão difícil para todos nós”, declara Ronaldo Helal, coordenador do Laboratório e professor titular da UERJ.

O Prêmio Luiz Beltrão é uma iniciativa da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e o resultado é divulgado durante o Congresso da entidade, organizado anualmente. A categoria Grupo Inovador contempla núcleos de pesquisa que se destacaram pela capacidade de inovar nos planos teóricos, metodológicos e tecnológicos durante suas pesquisas.

Vale ressaltar que o LEME, mesmo com sua equipe trabalhando de forma remota, continua mantendo atividades que ocorriam no presencial. Dentre elas, estão os Encontros LEME, que agora são virtuais e, com isso, têm recebido a presença de pesquisadores de todo o país, além de Portugal, Peru e Argentina. O sucesso dos Encontros é tão grande que o Laboratório decidiu manter o Seminário Internacional #maraca70, que aconteceria no auditório do PPGCom na UERJ, em outubro. Agora, o Seminário será online, possibilitando, assim, que mais pessoas tenham acesso às pesquisas produzidas em mídia e esporte.

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Fonte: Intercom
Artigos · Entrevistas

Pesquisadora do LEME concede entrevista sobre o Maracanazo

Leda Costa, pesquisadora do LEME, conversou com o GloboEsporte.com sobre as narrativas da final da Copa de 1950. A imagem mais escolhida para representar essa data é a da “falha do goleiro Barbosa”. Será, porém, que é só a partir dela que podemos recontar esse jogo? Trazendo outras narrativas, Leda comenta sobre a identificação entre a Seleção e a nação brasileira e a busca por justificativas que vão além da culpabilização de Barbosa.

Além disso, ela explica como a falta de imagens reais serviu de pretexto para a elaboração de inúmeras histórias que cercam essa fatídica final, muitas das quais não podem ser comprovadas. Mario Filho, o grande jornalista esportivo da época, foi um dos principais narradores de histórias dessa Copa, contada a partir da memória pessoal e de poucos fatos concisos. Participa também da entrevista o pesquisador do Laboratório de História do Esporte e Lazer da UFRJ, Ricardo Pinto. Veja a matéria completa clicando na imagem abaixo.

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A tão merecida taça

O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes.

A frase acima – que, de tão lapidar, poderia ser atribuída às páginas rodrigueanas por compreensível equívoco – foi cunhada em verdade não por um literato, mas por Arrigo Sacchi, técnico de equipes como o histórico Milan que deslumbrou o mundo no fim dos anos 80 e da esquadra italiana derrotada pela Seleção nos ditosos pênaltis de 1994. Eu, nascido praticamente um mês após o mesmo Sacchi conquistar seu único título da Serie A, num remoto ano de 1988, jamais havia experimentado um evento que dotasse sua máxima de tamanho sentido como o que segue a nos assolar. Refiro-me, por óbvio, à pandemia da covid-19 – cujas consequências supostamente levariam a humanidade, num necessário e tardio despertar, a revisar a dinâmica de suas interações em prol da construção de uma sociedade mais razoável, compreensiva e justa. Ao menos no que diz respeito ao papel do esporte nesta pretensa equação, no entanto, faltou combinar tais termos com os atores da alta cúpula de nosso futebol.

O que foi preciso ignorar para que o Flamengo levantasse, ao cabo de um dia com 1.261 perdas mais causadas pelo coronavírus no país, sua trigésima sexta taça estadual ao derrotar o Fluminense – aquele do qual se desgarrou em 1911, num litígio de contornos míticos, para só então iniciar suas campanhas pelos estádios deste mundo? Em que poço sem fundo nos encontramos quando também o futebol, geralmente reconhecido como um dos maiores pilares comunitários de nossa cultura, reduz-se a mero dispositivo de acirramento de ânimos, mobilizando para tanto posições obscurantistas e indiferentes ao sofrimento do outro? Afinal, o que o Campeonato Carioca de 2020 deixará registrado para a posteridade acerca de quem somos hoje?

Para além do célebre provérbio, a menção a Sacchi ao abrir este texto se torna ainda mais elucidativa se atentarmos para o fato de que Milão, metrópole que o projetou para o planeta desde o banco do San Siro, está localizada na região da Lombardia – o epicentro inicial da pandemia na Europa. Foi na Itália que o vírus, após alarmar de início populações orientais, anunciou-se terrivelmente para o Ocidente, logo estupefato em face de toda a provação deflagrada na terra do calcio. No mês de março, quando as cenas geradas pelo coronavírus ainda eram uma novidade assistida à distância por nós, causavam espanto as atualizações que anunciavam um cômputo ainda inédito de 600 mortes diárias. Atônitos, vivíamos a cada amanhecer a descoberta de uma nova dimensão para a fatalidade. Março, contudo, logo ficou para trás. O vírus, como havia de ser, não apenas nos alcançou, mas também encontrou pelas bandas de cá um sem número de tipos capazes de potencializar em muito seus danos. O luto italiano de outrora parecia nos comover mais que o presente padecimento brasileiro.

Convenhamos, somos capazes de banalizar o horror de um modo que nos é peculiar – há, digamos, um jeitinho todo brasileiro de lidar com a mortandade amplificada por desajustes sociais. Pois bem, nesta semana, enquanto a bola chutada por Vitinho desviava no zagueiro Nino e, ao encontrar o caminho das redes tricolores durante os últimos instantes da final do Campeonato Carioca, sacramentava outra conquista de um já emblemático elenco rubro-negro, o hospital de campanha montado no interior do complexo esportivo do Maracanã contabilizava mais algumas despedidas para os registros. Que elas decerto não ocorreram por haver uma partida de futebol no estádio ao lado é um fato evidente. Ainda assim, que tenha sido realizada uma partida de futebol a despeito da luta ainda travada por tantos pela própria vida é outro fato evidentemente sintomático. Não nos deixemos enganar por celebrações temporãs: o gol de Vitinho, como todos aqueles que o antecederam desde o retorno do futebol no Rio de Janeiro, nasceu sob o signo do descaso ostensivo em relação ao pranto dos nossos. A troco exatamente de quê? Receio que jamais será possível responder a esta questão apelando para o bom senso.

Fotos: Del Piero - 09/02/2013 - UOL Esporte
uol.com.br

Voltemos, por exemplo, à Itália de Sacchi. Por lá, medidas de isolamento social foram adotadas e respeitadas em ampla escala por seus habitantes. Apenas após a diminuição significativa dos números relativos à covid-19 a bola voltou a rolar: no dia 13 de junho, sem permissão de acesso de torcedores ao estádio, a Copa da Itália foi responsável pela retomada do calendário de competições. Quando chegou a vez de o Campeonato Italiano reiniciar suas atividades, uma semana depois, o país registrou 262 novos infectados – confirmando queda da média diária de casos pela 12ª semana seguida – e 49 óbitos. Na tentativa de encontrar um difícil arranjo entre saúde e economia, preservando a credibilidade de suas ligas, protocolos similares foram adotados em datas próximas nos três principais centros futebolísticos do globo: Alemanha, Espanha e Inglaterra. A Federação Holandesa, por seu turno, encerrou o campeonato local sem definição de vencedor ou rebaixados. Na França, outro caso insólito: o Paris Saint-Germain foi declarado campeão nacional após desfecho prematuro da Ligue 1 em respeito às orientações de saúde pública.

Mas, se além-mar a possibilidade de cogitar a entrada dos times em campo esteve sempre condicionada à melhora dos índices sanitários e à séria observância a diretrizes científicas, a famigerada Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) – graças a uma aliança pactuada com os pequenos clubes a ela filiados, com o Vasco da Gama e, sobremaneira, com o Flamengo – determinou o retorno de seu cada vez mais moribundo campeonato em tensa reunião arbitral havida no dia 17 de junho, em que tão somente Botafogo e Fluminense se opuseram de modo incisivo à maioria formada. Segundo levantamento empreendido por um consórcio que reuniu grandes veículos de imprensa devido à possível manipulação de dados por parte do próprio governo do país da subnotificação, houvera então 31.475 novos diagnósticos e 1.209 mortes por covid-19 no Brasil. Com efeito, a informação a seguir exige reflexão: quando Flamengo e Bangu se enfrentaram pelo Campeonato Carioca no dia 18 de junho, em meio a 1.204 vidas concidadãs perdidas pela doença, o Campeonato Italiano sequer havia recomeçado. Dada a aviltante resolução confirmada pela FERJ, a dupla de agremiações discordante, em flagrante desvantagem numérica e em termos de influência política no cenário nacional, aventou a hipótese de acionar a Justiça Comum em caso de derrota nos tribunais desportivos ao pleitear a suspensão do retorno do torneio no estado – um caso extremo e suscetível a muitas polêmicas jurídicas. Na prática, porém, não houve revogação do veredicto: o show tem que continuar…

Posto isso, seria possível redigir daqui em diante um texto recapitulando, passo a passo, os imorais episódios proporcionados pelo Carioca desde então. Elementos não faltariam: a lamentável associação entre FERJ, Flamengo e demais clubes contra Botafogo e Fluminense, os únicos que mantiveram uma postura minimamente louvável ao longo de todo este imbróglio (recuso-me a crer que haverá aqui acusações de clubismo); a cobrança de despesas operacionais até dez vezes maiores nos jogos dos dissidentes em sinal de represália; o impedimento de vários jogadores irem a campo defender as cores de seus uniformes devido a inevitáveis testagens positivas para o coronavírus durante o auge da crise; o conluio político que deu à luz a Medida Provisória 384, alterando os princípios concernentes aos direitos de transmissão das partidas com o campeonato em curso e gerando flagrante instabilidade jurídica; o desrespeito, por parte dos dirigentes da Gávea, às prescrições da mesma MP – exarada graças à defesa de seus interesses de ocasião, prontamente abandonados em seguida, junto ao Palácio do Planalto –, na medida em que lutaram para transmitir um Fla-Flu com mando de campo sorteado para o time das Laranjeiras, portanto detentor exclusivo da prerrogativa de veicular as imagens ao vivo segundo a tal normativa de tintas rubro-negras etc. Essas etapas, de todo modo, estão fartamente documentadas e são consabidas.

Quanto àquilo que se restringe às quatro linhas – que, por forças de ordem metafísica, é capaz de suspender o redor pelos minutos transcorridos até o apito derradeiro –, não seria difícil, por exemplo, elencar os inúmeros porquês de este Flamengo, apesar de seus dirigentes e mesmo jogando em intensidade abaixo da regular, seguir como o time a ser batido nos torneios que disputar – e isto independentemente da confirmada transferência de Jorge Jesus, mentor da fase de glórias vigente, para o Benfica. No que tange ao Fluminense, poder-se-ia elogiar a conduta digna do clube também dentro de campo, pois, embora tecnicamente inferior ao arquirrival, ele se manteve vivo na disputa ao longo dos últimos três clássicos, logrando inclusive suplantar o forte adversário na disputa pela Taça Rio. Ou seria cabível observar que, ao tricolor, faltam sem dúvida contundência no arremate – o time segue precisando criar ao menos três boas chances de gol para converter uma, aproveitamento fatalmente comprometedor diante de um oponente mais qualificado – e segurança nas laterais (Gilberto cometeu erro crasso de posicionamento e marcação no gol marcado por Pedro no primeiro jogo da final; Egídio, por sua vez, arriscou um bote incompreensível sobre Gabigol no lance que resultou na virada rubro-negra naquele confronto e, ademais, falhou na saída de bola que acarretou o último tento do torneio). O que acabou por contaminar a escrita, entretanto, foi um sentimento mais amargo do que qualquer justa derrota esportiva, e anterior a toda análise focada em aspectos menores neste momento.

Que os cartolas brasileiros foram e são historicamente incapazes de conceber o futebol nacional em sua dimensão coletiva, na qual cada clube necessariamente depende da grandeza dos outros, é algo notório desde que dedico boa parte da vida a torcer numa arquibancada. Que as paixões particulares por nossos clubes não raro tendem a estabelecer leituras parciais e demasiadamente interessadas também não equivale a nenhuma novidade. Entretanto, que o futebol sirva como instrumento político vil até mesmo durante a mais grave crise sanitária desde a gripe espanhola de 1918 é fenômeno que, se não chega a surpreender, tampouco deixa de abalar ainda mais as convicções em relação ao caráter potencialmente socializante da bola por aqui. Em vez de arena comunitária capaz de congregar diferenças na dor, nem que seja por ensaiada condolência, hoje o esporte sucumbe diante de um cenário em que a morte se fortalece como capital político. No lugar da cultura que alumia, emerge só a pura indústria que massacra simulando afagos.

Estádios, bem o sabemos, constituem um microcosmo da sociedade em que estamos inseridos. Por algum tempo, haverão de permanecer vazios. Apesar disso, o temor no Brasil não surge exatamente pela ausência de torcedores nas arenas do novo século: o verdadeiro risco é o de que, à primeira oportunidade, elas se façam cheias, em mais uma experiência de entretenimento fúnebre. Desejo não faltou à Prefeitura, que chegou a liberar momentaneamente a presença de público em partidas oficiais. Tal cenário nos conduz à pergunta que serve como epítome destes tempos: e daí? Para os responsáveis pelo desfecho do Campeonato Carioca de 2020, concordar com a sentença de Sacchi afinal pode ser bem simples: basta que, entre as ditas coisas menos importantes da existência humana, possamos elencar o respeito à saúde e à vida, estes valores fora de moda, bem abaixo do futebol – enfim convertido em útil ferramenta a ser submetida à verdadeira senhora de todos nós, a importância das importâncias!: a fria lei do cifrão. Ao fim e ao cabo, vá lá, o desenlace teve sua dose de coerência: angariou a taça o clube cuja direção fez de tudo para merecê-la – ainda que para isso tenha precisado abrir mão da moralidade. Que a recompensa lhe caia bem.

Eventos

Encontros LEME discute os 70 anos do Maracanazo

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte realizará, no dia 31 de julho de 2020 às 19h, a sexta edição dos Encontros LEME em 2020. Dessa vez, faremos uma edição especial para lembrar os 70 anos do Maracanazo. Para discutir esse episódio histórico do futebol nacional, contaremos com a presença de Alvaro do Cabo, Gastón Laborido, Francisco Brinati e Sergio Souto.

Por conta da pandemia, os Encontros estão sendo realizados na modalidade virtual. Para essa edição, faremos uma transmissão ao vivo, em nosso canal no Youtube. Não será necessário se inscrever previamente, já que a transmissão será aberta.

Testeira Facebook - Especial 70 anos Maracanazo

Encontros LEME é uma proposta do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte que visa a partir da leitura de textos e análise de produções fílmicas realizar debates com professores, pesquisadores, graduandos e convidados interessados em estudar as interseções da Comunicação com o Esporte.

Eventos

Simoni Guedes é homenageada nesta sexta

Luiz Henrique de Toledo, Rosana da Câmara Teixeira, Nicolás Cabrera e Filipe Mostaro já estão a postos para o Encontros Leme edição especial de amanhã, em homenagem à Simoni Guedes, às 19h, com transmissão pelo Youtube. “Esta live pretende prestar uma homenagem à Simoni Guedes, suas contribuições de vida, teóricas e metodológicas daquela que foi a precursora dos estudos sobre o esporte no Brasil. Contribuições que transcenderam o campo das pesquisas esportivas e cujos impactos podem ser demonstrados na experiência de trabalhos que continuam a recriar abordagens e práticas científicas que dialogam com o legado de Simoni Guedes”, conta Leda Costa, integrante do LEME e idealizadora da iniciativa.

A antropóloga Simoni Guedes, falecida no ano passado, foi professora titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo sido uma das coordenadoras do Programa de Pós-graduação de Antropologia da mesma instituição. Simoni foi a primeira pesquisadora a realizar trabalhos referentes ao futebol, como explica o coordenador do LEME, professor Ronaldo Helal: “Simoni Guedes é a precursora dos estudos acadêmicos sobre futebol no país. Em 1977, ela defendeu a dissertação O Futebol Brasileiro – Instituição Zero. Já em 1982, ela foi uma das autoras do livro Universo do futebol: esporte e sociedade brasileira, organizado por Roberto DaMatta. Foi a partir dessa obra que tivemos o pontapé inicial para a formação estrutural dos estudos acadêmicos sobre o futebol no país, utilizando-se de uma perspectiva ritualística. Na década de 90, tive a oportunidade de conhecer Simoni pessoalmente e aí percebi que, além de dotada de inteligência e sagacidade extraordinárias, ela cativa por sua simpatia, simplicidade e generosidade”, conta Helal, que realizou homenagem à Simoni, antes de sua partida, no artigo “Simoni Guedes, a precursora” (disponível no blog do LEME).

Ao contrário dos outros Encontros, não será necessário se inscrever previamente, já que a transmissão será aberta.

Não se esqueça de seguir nosso canal no Youtube. Ative as notificações para ficar por dentro de tudo que postamos.

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Artigos

Carta para o amigo Ghiggia

Meu querido amigo Ghiggia,

Inicialmente, permita-me chamá-lo de amigo.

Você não me conhece, mas nas últimas sete décadas você esteve presente em quase todos os meus pensamentos sobre futebol, em muitos dos meus sonhos – e pesadelos –, em boa parte de meu imaginário saudoso sobre tempos que não necessariamente eu vivi.

Logo, você jamais será indiferente a mim.

Eu havia de escolher, pois, se você seria meu inimigo ou meu amigo.

E vejo-me obrigado a confessar que por anos eu não desejei menos do que a primeira das opções. Odiá-lo com ímpeto, com cegueira e dor, com fúria e tristeza, com a ignorância típica daqueles que odeiam, apenas pelo bel prazer de descontar em alguém toda a minha incompreensão sobre um dia que existiu justamente para ser incompreendido.

Mas tem uma força dentro da gente, que por falta de condições de nominá-la aqui chamarei de “maturidade”, que nos faz mudar de opiniões, compreender melhor a vida, olhá-la por outros ângulos.

De forma que o ódio virou admiração. A inimizade virou respeito. O pavor virou beleza. A dor virou amor. A tragédia? Bom, tragédia é tragédia. Continuará sendo para sempre. Mas já consigo enxergar aquele dia como um dos mais belos e indescritíveis da história do futebol.

E é justo por isso que estou aqui a te pedir para ser aceito como amigo.

Eu sei, precisou-se de todo este tempo de hiato para que eu admitisse a ti a beleza de tuas pernas, de teu gingado, de tua força, de tua habilidade, de tua velocidade, de teu gol.

Perdoe-me por isso, amigo. E que não seja tarde. Que do olimpo, da eternidade, do além onde os craques viram deuses, você não guarde mágoas de um tolo como eu.

Hoje já consigo assistir aquele gol sem chorar, ainda que o coração insista em acelerar, numa busca insana por mudar a direção da bola, por absolver o velho Barbosa, condenado para sempre por uma culpa que não deveria ser dele.

Desculpa o devaneio, Ghiggia, querido. Como te disse, e repito agora, já consigo ver todo o esplendor do lance, mas ele não deixa de ser trágico e asfixiante por causa disso.

Mas eis que estamos aqui a lembrar dos 70 anos daquele dia inexprimível.

Num 16 de julho como hoje, mas em 1950, no saudoso Estádio Municipal, o conceito de “instante” foi modificado para sempre.

Que dia impressionante de se resgatar, meu amigo. Parabéns por ele. Você, Obdúlio, Máspoli, Schiaffino e todos os seus companheiros merecem os louros.

A propósito, amigo, se me permitir mais uma indelicadeza neste momento, anseio em falar algo mais. Em compartilhar contigo algo que me assombra justamente sobre o dia de tua morte.

Porque, se há uma coincidência que me arrepia toda vez que a percebo é o fato de você ter morrido na exata mesma data do Maracanazo que tu foste protagonista. Pois hoje é dia de sentir em toda a sua profundidade não só os 70 anos da final da Copa de 1950 e do bicampeonato mundial do Uruguai, mas também os cinco anos da morte do homem que tornou aquele momento eterno.

Aliás, uma última questão.

Desculpe-me de verdade por nós brasileiros, que temos a péssima mania de preferir nos culpar a admitir a superioridade adversária. Mas hoje sei que, acima de tudo, foi uma conquista que a brava e heroica Celeste fez por merecer.

Beijos, querido.

Nem sei bem porque, mas obrigado por aquele dia.

Ele é mágico justamente por ser inexplicável.

Ghiggia morreu assistindo ao jogo do Inter na Libertadores, revela ...
Fonte: ESPN.
Produção bibliográfica

Pesquisador do LEME organiza livro sobre clube-empresa

O Brasil voltou a discutir uma nova legislação pra incentivar a transformação dos clubes de futebol de associações sem fins lucrativos para sociedades empresárias, mais de vinte anos após a promulgação da Lei Pelé. O livro Clube-empresa: abordagens críticas globais às sociedades anônimas do futebol busca trazer uma série de análises alternativas sobre o tema.

Aliando pesquisas acadêmicas e relatos de movimentos de torcedores de Chile, Argentina, Portugal e Espanha, a obra traz um quadro amplo e diverso de entendimentos sobres os verdadeiros impactos da entrega dos clubes a grupos privados.

Os textos da obra desconfiam e contestam, a partir de casos concretos, os mantras da profissionalização, da eficiência gerencial, da atração de investimentos, da transparência nas contas, da boa governança corporativa e do ganho de competitividade em campo, estabelecendo um quadro real e pouco animador sobre a atual situação dos clube-empresa no mundo.

Analisam também o perfil geral dos grandes proprietários de clubes em todo o mundo, cujos objetivos geopolíticos expõem uma indústria do futebol dominada por interesses muito distantes de uma lógica tradicional de mercado.

*Release enviado pela editora

Serviço

Autor: Irlan Simões (org.)

Editora: Corner

Ano: 2020

Páginas: 362

Link para compra do livro: https://leiacorner.com.br/produto/clube-empresa/

 

  • SUMÁRIO
 
Introdução: Clube-empresa: histórico, impactos reais e abordagens alternativas
Irlan Simões
 
 
Parte I – Análises
 
Capítulo 1
A “Ley de Deporte” na Espanha e o modelo de “sociedad anónima deportiva”: um balanço dos últimos 30 anos
Daniel Ferreira & Victor de Leonardo Figols
Capítulo 2
Acabou o amor: o processo de divórcio entre clube e SAD em Portugal
Fernando Borges
Capítulo 3
“Sociedades anónimas deportivas” no Chile: o declínio do futebol social
Sebástian Campos Muñoz
Capítulo 4
As associações civis desportivas no futebol argentino: privatizações e resistências
Verónica Moreira & Rodrigo Daskal
 
 
Parte II – Torcedores
 
Capítulo 5
Sevilla Fútbol Club: a luta pelo patrimônio dos seus torcedores
Accionistas Unidos del Sevilla Fútbol Club (Moisés Sampedro Contreras)
Capítulo 6
Clube de Futebol “Os Belenenses”: síntese histórica de um clube grande e histórico em Portugal
Assembleia de Sócios de “Os Belenenses” (Edgar Macedo & Rui Silva)
Capítulo 7
Club Universidad de Chile: recuperar o clube para os seus torcedores, superando o fracasso das S.A.
Asociación de Hinchas Azules
(Gabriel Ruete, Daniela Tapia, Sebástian Diaz, Santiago Rosselot & Daniel Albornoz)
Capítulo 8
Racing Club de Avellaneda: os torcedores e a mercantilização do futebol 
Movimiento “Racing es de su Gente” (Lucía Ravecca)
 
 
Parte III – Outras questões
 
Capítulo 9
A raíz do problema: o declínio do futebol brasileiro após o período das parcerias dos anos 1990
Marco Sirangelo
Capítulo 10
O modelo societário do futebol alemão: uma referência de sucesso em questão
Carles Viñas
Capítulo 11
Faixa, rota e bola: o futebol como instrumento de “soft power” chinês
Emanuel Leite Junior & Carlos Rodrigues
Capítulo 12
“Soft power” e futebol: os casos de Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita
Emanuel Leite Junior & Carlos Rodrigues
Capítulo 13
“Multi-club ownership”: um novo estágio da globalização dentro do futebol
João Ricardo Pisani
Artigos

70 anos do Maracanazo e entrevista de Ronaldo Helal

No dia 16 de julho de 1950, com a presença de mais de 200 mil pessoas, o Brasil se calava diante dos gols de Shiaffino e Ghiggia, no Maracanã, construído especialmente para a Copa do Mundo. O Brasil era então vice-campeão mundial, perdendo a partida final para o Uruguai.

A data emblemática para a história do nosso futebol foi relembrada pela agência de notícias France Presse – AFP.  Procurado pelo jornalista Pau Ramirez, o professor Ronaldo Helal, coordenador do Leme, foi entrevistado para a matéria. Helal explicou o que representa o Maracanazo para a nossa história e a notícia está em vários sites em Bangladesh, Brasil, EUA, Espanha, Croácia e França, dentre eles Dhaka Tribune, Yahoo Sports, EstadãoIsto é, France24, Glasistre e Le 360° Sport.

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Eventos

Seminário Internacional Maraca 70 tem seus primeiros palestrantes confirmados

Gisella de Araújo Moura, Bernardo Buarque de Hollanda, Luiz Antonio Simas, Vivian Fonseca, Juca Kfouri e Marcelo Barreto – é com este timaço que o LEME (Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte), sob a coordenação do professor Ronaldo Helal,  começa a contar para o seu Seminário Internacional Maraca 70.

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No dia 6 de outubro, às 16h, sob a mediação de Álvaro do Cabo, teremos na mesa virtual “O Maracanã na literatura e na arte” Gisella de Araújo Moura, professora e autora do livro O rio corre para o Maracanã. Ao seu lado, dois craques: o professor e historiador da FGV, especialista em estudos relacionados aos modos de torcer, Bernardo Buarque de Hollanda, e o também professor Luiz Antonio Simas, autor do livro Maracanã: uma biografia.

No dia seguinte, no mesmo horário, com moderação de Leda Costa, teremos a mesa “Maracanã: patrimônio cultural e palco de megaeventos”, com a escalação confirmada de Vivian Fonseca, professora e pesquisadora plena do CPDOC – FGV e professora adjunta da UERJ.

Já às 18h30 é a chegada a hora da nossa mesa de encerramento. A tabelinha fica por conta do ex-editor da Revista Placar, Juca Kfouri, e do apresentador do Redação Sportv, Marcelo Barreto, sob a mediação do professor Ricardo Freitas, vice-diretor da Faculdade de Comunicação da UERJ.

Para acompanhar toda a nossa programação, siga o @lemeuerj nas redes sociais e se inscreva em nosso canal no Youtube. É por lá que iremos transmitir nosso seminário.

Lembramos que encontram-se abertas, até o dia 31 de julho, as chamadas de resumos expandidos para apresentação no evento. Mais informações na aba Maraca 70 aqui no blog.