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Raul do Rio Branco, embaixador dos esportes

Raul do Rio Branco é para muitos uma figura desconhecida. Seu sobrenome talvez desperte alguma familiaridade em alguns. A importância de Raul para a história do esporte é ainda menos reconhecida. Filho de José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845-1912), o Barão do Rio Branco, e Marie Philomène Stevens (1849-1898), uma atriz belga radicada no Rio de Janeiro, Raul é descendente de uma importante linhagem nobiliárquica. Tanto seu pai, o barão, quanto seu avô, o Visconde do Rio Branco, foram figuras destacadas da diplomacia brasileira. José Maria da Silva Paranhos, o visconde, foi instrumental na promulgação da Lei do Ventre Livre. Já o Barão do Rio Branco, título concedido a ele pela Princesa Isabel em 1888, teria papel decisivo na delimitação das fronteiras nacionais.

Dentre os filhos do barão, Paulo do Rio Branco me parece ser aquele de maior renome. Paulo morava em Paris, onde exercia sua profissão de médico, além de ter uma carreira bem-sucedida no rúgbi. Segundo sua página na Wikipédia, sua trajetória de vida lhe valeu a medalha de cavaleiro da Legião de Honra (Chevalier de La Légion d’Honeur), a maior condecoração possível da república francesa. Não consegui confirmar essa informação em outras fontes. No entanto, é importante ressaltar que, dentre os filhos do barão do Rio Branco, apenas Paulo possui uma página na Wikipedia.

Os dois irmãos Rio Branco trazem forte ligação com o esporte de suas infâncias, quando, influenciados pelo pai, praticavam atividades desportivas na escola (Jornal do Commercio, 03/04/1914, p. 3). Raul, em específico, era praticante de inúmeros esportes, dentre os quais o boxe, o futebol, o ciclismo, a natação, o tiro e a esgrima (O Paiz, 13/09/1913, p. 7).

No decorrer de suas vidas, seria Raul aquele com vínculo mais duradouro com o esporte. Ele foi o primeiro delegado olímpico brasileiro, além de membro honorário do primeiro Comitê Olímpico Brasileiro. Antes de contar como ele conseguiu alcançar esses dois postos, temos de retroceder um pouco.

Seguindo a tradição familiar, Raul do Rio Branco ingressou no serviço diplomático em 1895, quando possuía apenas 22 anos. No Ministério das Relações Exteriores, ocupou os cargos de 1º secretário da legação brasileira em Berlim, secretário do ministro das Relações Exteriores e ministro plenipotenciário do Brasil em Berna. Foi durante sua estada na Suíça que pôde participar do Congresso Olímpico de 1913, realizado em Lausanne. Nesse evento, encontrou com Pierre de Coubertin, fundador e presidente do Comitê Olímpico Internacional e um antigo conhecido de Raul. Coubertin instigou o brasileiro a aceitar a distinção de delegado olímpico, bem como a participar do Congresso Olímpico do ano seguinte, que seria realizado em Paris.

Ainda que inicialmente relutante, Raul não apenas aceitou a posição de delegado como também enviou uma carta para personalidades do esporte brasileiro, instando-os a fundar um comitê olímpico no país. Essa carta será assunto de outro texto meu. Por ora, aponto que esse documento possui importância capital para a constituição do primeiro comitê olímpico nacional e para a participação brasileira nos Jogos de 1920. A relevância da carta pode ser evidenciada pela rápida sucessão dos fatos. Em 30 de abril, Raul escrevia sua missiva. Por fins de maio, ela chegava ao Rio de Janeiro, sendo publicada em alguns jornais da cidade. Em oito de junho, tem-se a fundação oficial do primeiro Comitê Olímpico Brasileiro. Ainda em junho, o Brasil participar com quatro representantes no Congresso Olímpico daquele ano. Nesse encontro, o COI reconhece o comitê nacional, o que autorizava o Brasil a participar dali por diante dos jogos olímpicos internacionais.

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Figura 1 – A carta de Raul do Rio Branco digitalizada. Fonte: Arquivos do Comitê Olímpico Internacional.

Por seu papel central para a formação do primeiro COB, Raul recebeu da entidade o título de membro honorário. Nos anos seguintes, ele continuaria a figurar entre os nomes proeminentes do esporte brasileiro, mesmo morando na Suíça. Da Europa, Raul ajudava os dirigentes esportivos brasileiros sempre que possível, o que pode ser comprovado por meio da análise dos jornais cariocas da época.

Continuo minha investigação sobre a vida de Raul do Rio Branco e sua contribuição para o esporte nacional. Os resultados dessa pesquisa estarão presentes em meus próximos textos. Quem ficou interessado pelo assunto, sugiro a leitura de parte da minha tese e, futuramente, do artigo que apresentarei no Intercom deste ano, tratando especificamente da carta de 1914.

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