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Feminismo invade o futebol brasileiro e a mídia esportiva

A representatividade feminina no futebol tem sido uma constante este ano. Além de o Brasil ganhar a Copa América com o time feminino, atletas e repórteres estão engajadas com o propósito de aumentar os patrocínios, diminuir o machismo e exigir, cada vez mais, o respeito.

O Corinthians, atual campeão da Taça Libertadores da América no futebol feminino, criou a campanha #Caleopreconceito, com o objetivo de gerar visibilidade e atrair recursos.  Nela, jogadoras estão utilizando o uniforme do time, sendo que, no lugar do patrocínio máster (que o clube não tem na divisão feminina) estão frases do tipo: “Mulher não pode estar no futebol”, “Futebol feminino só vai ser bom quando acabar”, “Mulher é na cozinha, não jogando futebol”. Desta forma, o Corinthians busca chamar a atenção dos patrocinadores, colocando em pauta a discussão, já que o investimento no futebol feminino é muito pequeno, pois as partidas não são transmitidas pela televisão e não têm cobertura nos programas de TV tal qual o futebol masculino.

CAMPEONATO BRASILEIRO DE FUTEBOL FEMININO A1 2018: CORINTHIANS X SÃO FRANCISCO-BA
Fonte: Gazeta Esportiva

Já em março foi lançado o movimento #DeixaElaTrabalhar, que visa contribuir para o debate sobre machismo, assédio e desrespeito, não apenas nos estádios, mas também nas redações e nas redes sociais. A iniciativa surgiu após dois episódios: no dia 14 de março, a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, estava em uma cobertura ao vivo quando foi beijada à força por um torcedor, na partida entre Vasco e Universidad do Chile, pela Taça Libertadores da América. Apesar da investida, a jornalista disse que a atitude “não foi legal” e seguiu com a transmissão. Três dias depois, em Porto Alegre, durante a cobertura da partida entre Grêmio e Internacional, Renata Medeiros, da Rádio Gaúcha, sofreu insultos de um “torcedor”.

Estes casos recentes ganharam alguma notoriedade na mídia e contribuíram para que 50 mulheres jornalistas criassem o movimento.  “A ideia é dar uma resposta aos assédios e às situações recentes da Bruna e da Renata, que é também um pouco a história de todas nós, que já fomos assediadas nas redações, nos estádios e sofremos violência nas redes sociais”, disse Bibiana Bolson, jornalista que aderiu a campanha, em entrevista, publicada no dia 25 de março, no site El País.

Atualmente, #DeixaElaTrabalhar já conta com mais de 20 mil apoiadores na página do Facebook, dentre eles, muitos homens que se uniram à causa. Bruna utilizou também da rede social para expor sua opinião sobre o fato dela ter sido beijada a força. “Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada”.

O movimento parece que terá um longo trabalho de desconstrução de estereótipos, já que o machismo está enraizado na cultura. Exemplo disso foi um post do #DeixaElaTrabalhar relatando que foram convidadas para estarem presentes com uma faixa na final do estadual Piauense e tiveram que ouvir gritos vindos da torcida como “Deixa ela trabalhar lá em casa”, “Nossa, como esse futebol tem coisa boa, viu!”.

O desrespeito é uma tônica no futebol também para as atletas não apenas devido ao assédio, mas também pelo fato de alguns homens julgarem as mulheres incapazes de realizar estas atividades. Muito deste conceito vem da própria história do futebol feminino no país.

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