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Machismo, futebol e jornalismo

Após o assédio contra a repórter de TV do Esporte Interativo Bruna Dealtry durante a transmissão do jogo do Vasco, na última quarta, dia 14, me senti no dever de falar sobre a posição da mulher perante o machismo no futebol e no jornalismo. Outro caso recente foi o da jornalista Renata de Medeiros, da Rádio Gaúcha (RS). Ela foi agredida por um torcedor enquanto trabalhava no clássico Grenal do último domingo, dia 11, no Beira-Rio. Foram dois casos parecidos na mesma semana. Com base nisso, o que podemos dizer desses fatos?

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Fonte: Veja

Machismo é a palavra que melhor define essas duas cenas. Porém, cabe perguntar: quantos são os relatos de assédio e agressão sofridos por mulheres dentro dos estádios? E por que poucos são divulgados?

Costumo falar que a divulgação dos fatos está baseada na repercussão e no interesse público. Os dois acontecimentos foram amplamente vistos por conta das duas estarem “no ar” na hora em que aconteceu a violência e por ambas serem figuras públicas conhecidas na mídia esportiva. A jornalista da Rádio Globo Ana Thaís Matos em uma entrevista ao SporTV afirmou, de forma convicta e sucinta, que a mulher não quer nada que não é dela. Em suma, a mulher quer ter espaço e voz para falar do que sabe, do que entende, do que gosta, do que está acontecendo em campo. Isso é direito das mulheres, isso nos pertence.

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Fonte: Globo Esporte

Numa pesquisa feita em maio de 2010 pela empresa americana de mídia digital Batanga Media do grupo Bolsa de Mulher, 2.084 mulheres brasileiras, entre 18 e 60 anos, foram entrevistadas, em todo o país. Dessas, estima-se que 80% torciam para algum time. Desse percentual, 30% acompanhavam de perto campeonatos e jogos, principalmente os da seleção brasileira. O curioso é que, apesar do crescente número de mulheres ativas no futebol, a discriminação sexual ainda é muito grande, neste campo.

A participação feminina nas transmissões dos jogos e no contexto jornalístico é muito maior do que há 40 anos. Além disso, vale comentar que a profissão de jornalista, principalmente na área de esporte, era uma profissão majoritariamente composta por homens. A pioneira do jornalismo esportivo foi Regiani Ritter, que, em 1983, recebeu um convite de Pedro Luiz Paoiello para cobrir as folgas dos repórteres que faziam a cobertura dos clubes paulistanos, na Rádio Gazeta.

Sendo assim, embora persista um número expressivo de ocorrências de machismo nos estádios, creio que exista também um bom número de homens, como Paoiello, que incentivam e apoiam a participação da mulher no campo esportivo, seja como torcedora ou como jornalista.

Em tempo: sou mulher, apaixonada por futebol e futura jornalista. Considero de suma importância falar sobre os casos de violência contra a mulher nos estádios, bem como aumentar a luta das mulheres jornalistas esportivas e valorizar a presença feminina nesse ramo. O que aconteceu com a Bruna e a Renata precisa ser registrado e os agressores, punidos. O Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE) tem de refletir sobre a criação de um departamento específico para os casos de agressão contra mulheres e sobre a elaboração de medidas que lhes proporcione segurança para ir aos estádios.

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