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Alerta de pessimismo

Se você estiver precisando de um texto motivacional, sugiro que procure uma mensagem de otimismo no grupo da família no Whatsapp. Nas próximas linhas o leitor só encontrará rancor e desalento. Acredito que seja obrigação do brasileiro estar desmotivado depois de tantos 7×1’s seguidos. Talvez esteja na hora de começar a escrever “sete-a-um” como um sinônimo de derrota.

“Não fale em crise, trabalhe”. Uma ova! Isso é conversa para boi dormir. Papo de quem se beneficia do massacre ao qual a classe trabalhadora tem sido submetida. A corrupção escancarada com que o país convive, obviamente, não é novidade. O que há de novo é a desfaçatez com que as classes médias a têm tolerado. Até outro dia era legítimo ir às ruas pedir a saída de um governante. Hoje, mesmo que os indícios sejam claros, protestar tornou-se defeito. Eu não vou abrir mão de reclamar.

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O povo brasileiro é guerreiro, mas gritar “Fora Temer” por um ano inteiro sem nenhuma influência sobre a classe política frustra (Foto: Érico Andrade / G1).

Para qualquer lado que se olhe é possível achar um motivo. Pode ser a tal crise econômica, a impunidade ou as reformas empurradas goela abaixo da população (que favorecem apenas alguns setores e que são conduzidas e aprovadas por políticos sem legitimidade). Sem falar no completo sucateamento do Estado do Rio de Janeiro que atinge de forma tão dura a nossa querida Uerj. Mas nada é mais revoltante que a letargia e o silêncio que estamos fazendo nesse momento.

Aprisionado nesse labirinto de desgraças, tenho tentado me enfeitiçar novamente pelo futebol. Em vão. A alegria de um gol até permite um discreto sorriso. Aquele palavrão gritado a plenos pulmões até ajuda. Mas não basta. O esporte diverte, mas não esconde as nossas mazelas sociais. A violência entre torcedores nos lembra da guerra civil que vivemos nas grandes cidades. O racismo, o sexismo e a homofobia, no campo e na arquibancada, evidenciam como a desigualdade e o preconceito mais torpe ainda está presente no Brasil. A irresponsabilidade de grande parte da crônica esportiva reflete como a mídia brasileira é parcial e nada independente. Eu tentei, mas no fundo já sabia que o futebol não conseguiria ser meu ópio.

Acreditei que encontraria uma forma de encerrar esse texto com algum pingo de esperança. Mas enquanto escrevia, tomei conhecimento do falecimento trágico, aos 18 anos, de João Pedro Braga, filho do treinador Abel Braga.

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