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Legado ou herança maldita?

Quando o Rio de Janeiro venceu as eleições para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, como a maioria dos brasileiros, eu festejei. O país estava em um momento de crescimento econômico, e o evento não só trazia esperanças de legado fundamental e necessário para a cidade, como também aprovação internacional, o Rio tinha capacidade para receber os dois maiores eventos esportivos do mundo. Não demorou muito para percebermos que essa não foi uma boa ideia. Um ano antes da abertura dos Jogos, 68% dos cariocas não acreditavam em um legado concreto que o megaevento esportivo poderia deixar após o seu término.

Pouco mais de seis meses se passaram desde que a Cidade Maravilhosa recebeu os Jogos, e, mesmo antes, os impactos negativos já eram percebidos. Além das inúmeras obras que não foram realizadas dentro do prazo, ou do orçamento do pré-evento, o pós-evento apresenta subutilização dos espaços construídos, o não cumprimento de promessas, e a debandada dos investimentos em atletas.

A piscina aquecida do Parque Olímpico está abandonada, assim como todo o complexo, que apesar de aberto não oferece serviços básicos, como banheiro.

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O bairro de Deodoro, na periferia do Rio, onde foi construído o segundo maior conjunto de instalações olímpicas e onde o legado olímpico e paralímpico poderia fazer a diferença, vê as promessas não serem cumpridas. A raia da canoagem que deveria ser convertida em piscina pública foi fechada ao público em dezembro.

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O Parque Radical de Deodoro, o complexo do Maracanã e o Parque Olímpico ainda não estão licitados. Com o imbróglio, o Ministério do Esporte assumiu emergencialmente a administração do Parque Olímpico, na Barra. (Foto: Fábio Guimarães/ O Globo)

O histórico estádio do Maracanã tornou-se símbolo do desvio de verba e superfaturamento, como bem mostrou Chico Brinatti em seu artigo O Rio corre “do” Maracanã. E, mesmo após a conquista do ouro inédito no futebol, e com contrato até 2020 com a CBF, o técnico Rogério Micale foi demitido.

Artur Zanetti, prata no Jogos de 2016, perdeu sete dos seus dez patrocínios/apoios. Poliana Okimoto, primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica em esportes aquáticos, também perdeu investidores. Isso sem falar de esportes com menor expressão, que viram a debandada de patrocinadores após os Jogos. Em entrevista à BBC Radio, Ane Marcelle, nona colocada no tiro com arco em sua primeira participação no Jogos, conta que o Comitê Olímpico Brasileiro cortou todo o seu apoio, inclusive, plano de saúde. A história se repete com outros atletas em diversas modalidades.

Infelizmente quando a chama olímpica se apagou, apagou-se também qualquer vontade de se manter o legado para a cidade do Rio de Janeiro. É triste ver as instalações abandonadas e deteriorando, em um país com grande potencial esportivo.

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