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Um outro olhar sobre as torcidas organizadas apresentado por Bernardo Buarque de Hollanda

Você sabia que a fundação de torcidas organizadas cresceu em meio ao contexto autoritário da ditadura militar no Brasil, como forma de fiscalização da atuação dos dirigentes dos clubes? E que diante da repressão estatal à organizações e instituições opositoras aos governos militares, entre 1964 e 1985, essas torcidas compuseram um dos principais meios de integração de uma juventude contestadora aos valores daquela época?

Provavelmente uma geração inteira de fãs de esporte não sabe disso, porque, desde os anos 1980, a narrativa hegemônica e pouco plural sobre as torcidas organizadas enfoca os episódios de violência nelas ocorridos, segundo o cientista social e professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro Bernardo Buarque de Hollanda.

Em sua tese de doutorado, Bernardo Buarque afirma, em entrevista para o “Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte”, que estudou, sob uma visão etnográfica e também com base em reportagens publicadas na mídia esportiva, como o “Jornal dos Sports”, o cotidiano e as relações existentes no universo das torcidas, especificamente as do Rio de Janeiro. Na pesquisa, que tem aproximadamente 770 páginas, há a preocupação em detalhar todo o histórico de formação dessas agremiações e os momentos de transformação e inflexão em sua relação com os contextos políticos e sociais dos anos 1960, 1970 e 1980. Outro aspecto a ser destacado em sua tese diz respeito às ambiguidades nas representações feitas pela imprensa, que ora “criminaliza a forma de torcer das torcidas organizadas, ora demonstra uma ligação próxima entre seus integrantes e os jornalistas esportivos”.

Poucos são os projetos, tanto acadêmicos como dos grandes veículos de comunicação, preocupados em ampliar o imaginário da opinião pública sobre a violência no futebol e capazes de reorientar as abordagens e negociações entre o Estado e as torcidas organizadas, visando à construção de uma cultura de paz no esporte. Além da pesquisa de doutorado de Bernardo Buarque, vale destacar, como um outro olhar sobre o tema, o seriado “Dia de Clássico”, apresentado pelo jornalista Daniel Leon no canal por assinatura “+ Globosat”.

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O livro “A voz da arquibancada: narrativas de lideranças da Federação de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro” é fruto da tese de doutorado “O clube como vontade e representação”, elaborada por Bernardo Buarque de Hollanda.

O trabalho desenvolvido por Bernardo Buarque se expandiu para além das páginas e ganhou espaço no meio audiovisual com a divulgação do documentário “A voz da arquibancada”.

Abaixo, você pode conferir tanto a entrevista de Bernardo Buarque de Hollanda para o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte, quanto o documentário produzido com base em sua tese de doutorado.

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