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Os ídolos e suas relações com a economia do futebol

Barcelona e Real Madrid ocupam um espaço de protagonismo no atual cenário do futebol mundial: são os clubes de futebol mais ricos do mundo segundo a revista Forbes (Real Madrid na primeira colocação da lista e o rival catalão em segundo) além de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, os três indicados à “Bola de ouro FIFA” na última temporada, jogarem nessas equipes, que foram as últimas vencedoras da Liga dos Campeões da Europa. No entanto, as filosofias de gestão e de jogo empregadas em Madrid e na Catalunha impressionam pelas diferenças.

O Barcelona contratou nas últimas janelas de transferências nomes de peso, como Rakitic, Suárez e Neymar, desembolsando milhões de euros para reforçar o elenco. Mesmo assim, a a espinha dorsal do time é formada desde o início do século XXI nas categorias de base. De lá, Iniesta, Puyol, Valdés, Pedro, Xavi, Piquet, Messi, Busquets e Jordi Alba chegaram ao time principal e mantiveram o “padrão Barcelona” de jogo, admirado por muitos fãs de futebol. Com essa filosofia, o Barcelona chegou ao topo.

O Real Madrid, por outro lado, monta seus elencos “galácticos” por meio de contratações de jogadores que se destacam em outros clubes. A cada temporada que se inicia, faz parte cultura do time da capital espanhola anunciar com pompas um reforço midiático. Foi assim com Ronaldo, Beckham e Figo, no passado, e com Cristiano Ronaldo e Kaká em 2009, Mesut Ozil e Di Maria em 2010, Gareth Bale em 2013, James Rodriguez e Kroos em 2014. O próprio presidente do clube, Florentino Perez já admitiu que trazer astros do futebol faz parte do planejamento de marketing da diretoria para alavancar bilheteria, venda de produtos oficias e direitos de transmissão.  Como consequência negativa, nenhum destaque da equipe é formado nas categorias de base, um fato que compromete até mesmo a renovação da seleção espanhola para os próximos torneios.

A estratégia de marketing do Real Madrid é um exemplo das transformações ocorridas no futebol atualmente e que o jornalista econômico e pesquisador em Comunicação e Esporte da Mackenzie-São Paulo Anderson Gurgel descreve em sua entrevista concedida ao Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte. Para Anderson, a presença de ídolos no esporte é algo normal já que “o esporte é um fenômeno comunicacional que possui narrativas cuja presença de personagens (os atletas) é indispensável”:

“Qualquer time que se preocupe em ter um ídolo está preocupado em ser protagonista das histórias do futebol. Times que almejam maior verba em direitos de TV e patrocínio vão automaticamente pensar em conquistar espaço em um meio midiático tão disputado. Trazer jogadores como Ronaldinho e Guerrero é aliar histórias e imagens favoráveis e claras às imagens dos clubes, constituindo, assim, oportunidades midiáticas e financeiras.”

Chamar a atenção da mídia através de grandes nomes do esporte pode dar certo financeiramente, mas dentro das quatro linhas o resultado pode não ser tão satisfatório como o esperado. Mesmo atuando com 11 craques em campo, não é possível verificar no Real Madrid um padrão de jogo consolidado, o que é causado também por mudanças constantes no comando técnico, diferentemente do Barcelona. Enquanto o Real Madrid demorou 12 anos para conquistar uma nova taça da Liga dos Campeões, o rival da Catalunha, no mesmo período entre 2002 e 2014, venceu o torneio 3 vezes, além de ter conquistado dois títulos a mais do Campeonato Espanhol.

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