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Publicidade olímpica

O Globo de hoje (19/01), em seu caderno de economia, publica uma notícia dando conta da publicidade envolvendo os Jogos Olímpicos de 2016. Versando sobre o uso que as marcas já começam a fazer do evento que ocorrerá em agosto, o texto explora a figura dos garotos-propaganda. Interessante observar na matéria como os personagens escolhidos pelas principais marcas são oriundos do mundo do futebol (Neymar, Messi, Raí…). Muitos deles nem participarão dos Jogos Olímpicos. Tal incompatibilidade se desfaz se pensarmos no lugar de adoração única ocupado pelo futebol na sociedade brasileira.

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Créditos da imgem: Jornal O Globo (19/01/2016)

Não restam dúvidas de que o futebol é o esporte mais praticado, mais assistido e para o qual convergem os principais gastos dos patrocinadores. Tê-lo como principal mote de anúncios publicitários com a temática esportiva vem, assim, ao encontro da demanda social. O que causa certa estranheza é o fato de nem com a realização iminente dos Jogos Olímpicos essa tendência mudar ligeiramente. Não carecemos atualmente de ídolos nos esportes olímpicos. A venda de ingressos transcorre sendo um sucesso. Então por que não fomentar nas mensagens publicitárias uma cultura mais estritamente olímpica?

Obviamente ao olharmos para a história do Olimpismo no Brasil observaremos como custamos a entrar no mundo olímpico. A primeira participação brasileira ocorre em 1920, ou seja, vinte e quatro anos após os primeiros jogos ocorrerem em Atenas-1896. Nosso Comitê Olímpico é oficialmente formado em 1935 (ainda que existam registros que comprovem a existência de um comitê nacional desde 1914). Nossa primeira medalha em esportes femininos acontece apenas em 1996. Nossa primeira medalha em esportes coletivos, em 1952. Apenas em Atlanta-1996  ultrapassamos o total de uma dezena de medalhas em uma mesma edição dos Jogos.

Como estudioso do esporte olímpico, me deparo, na produção acadêmica, com a mesma carência de atenção que as Olimpíadas recebem nas demais esferas sociais. São ainda poucos os pesquisadores dedicados ao tema, e menor ainda é quantidade de trabalhos de relevo. Sabemos pouco sobre nossa história olímpica. Menos ainda sobre a história anterior à primeira participação olímpica brasileira, em 1920. Este é justamente meu tema no doutorado, aliás. Precisamos mudar ao menos um tantinho o cenário de pesquisas sociais sobre esporte no Brasil.

O principal legado que poderia ser deixado pelos Jogos Olímpicos realizados no Rio de Janeiro, a meu ver, é a formação de uma cultura esportiva mais plural, o que seria benéfico em termos de saúde física para a população em geral, para as empresas de mídia, que veriam ampliar o número de espectadores de eventos esportivos variados, para os futuros jornalistas esportivos e demais profissionais da área de esportes, que teriam um maior campo de trabalho. Um passo importante nessa direção está sendo dado com a formação da Comissão para criação de um curso de graduação e pós-graduação em gestão do esporte e do futebol. Se tal iniciativa vier, de fato, a ser realizada, espero que o foco do(s) curso(s) possa estar tanto em seu primeiro eixo (o esporte) quanto no segundo (o futebol), reequilibrando em parte os pesos da balança nesse campo social.

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