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Adeus ano novo. Feliz ano velho. De novo!

Uma das obrigações que chegam junto com o mês de dezembro é a de fazer um balanço do que foi o ano. Avaliar o que deu certo e traçar planos para corrigir ou colocar em prática tudo o que você adiou por doze meses. Em regra, somos tomados por um otimismo sem sentido que nos inspira a acreditar que desta vez vamos conseguir tirar tudo papel.

No começo de 2014, escrevi para o blog sobre o pessimismo que se abatia sobre o futebol brasileiro. Apesar da Copa do Mundo, a perspectiva era controversa. Dentro de campo, as críticas à qualidade do futebol apresentado no Brasil não paravam de crescer. Fora das quatro linhas, antigos problemas continuavam nos assombrando.

Ariano Suassuna, que morreu em julho (anote aí mais um motivo para lamentar 2014), se definia como um “realista esperançoso”. No entanto, acho que, quando se fala do futebol brasileiro, até ele teria dificuldades para encontrar motivos para sorrir. O ano que passou foi sombrio. Talvez a única coisa que tenha aumentado foi o número de programas esportivos nas TVs por assinatura. São pelo menos seis emissoras e muitas delas com mais de um canal. Uma pena que essa overdose de programação ao vivo não consiga apresentar soluções ou ao menos influenciar na melhoria do nosso futebol.

A tragédia do Mineirão dificilmente será esquecida. E, pior que isso, parece não ter sido compreendida. Ainda não descobrimos onde erramos. O placar de 7×1 talvez só tenha servido para explicar que um vexame de um país sede nada tem a ver com o vice-campeonato brasileiro, em 1950.

Temos uma penca de estádios novos, mas eles continuam vazios na maior parte dos jogos. A violência entre torcedores não foi contida. Já a alegria e a espontaneidade das arquibancadas está quase sendo proibida. A CBF trocou de dono, mas nada mudou. Suspeitas de corrupção continuam e a velha forma de comandar permanece. Nenhum clube brasileiro disputou a final dos principais torneios sulamericanos. Para completar, Eurico Miranda está de volta.

Durante todo o ano, casos de racismo no mundo esportivo foram registrados aos montes. Mas talvez aí esteja escondida uma boa notícia. O aumento de casos reflete necessariamente pelo aumento das denúncias. Vítimas se calam menos. E se devemos lamentar que nossa sociedade ainda seja obrigada a conviver com essa prática nefasta, pelo menos estamos começando a encarar o tema de frente. O que certamente é melhor do que ignorá-lo.

Para os torcedores esperançosos, é a hora de torcer para que aquela sonhada contratação se concretize. Para os realistas, é o momento de fazer as contas e ver o que vai ser possível realizar no curto período de doze meses. Arrumar a casa pode ser um bom começo.

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