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Foz do Iguaçu, Intercom 2014, GP Comunicação e Esporte: um breve relato

Mais um Intercom, o trigésimo sétimo, ocorreu entre os dias um e cinco de setembro desse mês. O Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação teve Foz do Iguaçu como sede. A cidade é o segundo maior destino turístico do país, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. Esse atrativo pode ter colaborado para uma maior quantidade de trabalhos recebidos pelo GP de Comunicação e Esporte. Foram 36 artigos aceitos. Pude assistir a maioria das apresentações.

Pretendo brevemente relatar minhas impressões sobre o congresso, em especial aquilo que presenciei no grupo de trabalho voltado aos estudos de mídia e esporte.

Cheguei à cidade de Foz na segunda-feira, dia da abertura oficial do evento. Não pude assistir a nenhuma das atividades desse dia, pois a viagem e a noite anterior mal dormida não me permitiram explorar nada além do hotel e suas redondezas. Mesmo assim, pude perceber duas coisas: a comida de Foz é excelente e seu custo muito baixo (se comparada ao Rio então…); e os iguaçuenses são extremamente educados e receptivos.

No dia 02 de setembro, me dirigi bem cedo à Itaipu. A usina, que supre quase 20% da necessidade energética brasileira e é orgulho dos habitantes de Foz, patrocinou o Intercom e cedeu seu Parque Tecnológico para os minicursos e o Teatro dos Barrageiros para o show de abertura. Cheguei bem cedo para poder fazer a viagem panorâmica pela usina e conhecer um pouco de sua estrutura e de sua história. É interessante perceber o paradoxo que a cerca: ao mesmo tempo em que precisamos de energia para manter a produção da indústria e a necessidade dos lares brasileiros, a natureza e as cidades instaladas no território que será “alagado” devem dar passagem a esse progresso.

No “tour”, o guia nos informou que cerca de 40 mil famílias (salvo falha da minha memória) foram removidas para a construção da barragem. Os animais, que subiam nas árvores após o alagamento das margens do Rio Paraná, foram resgatados e recolados na reserva ecológica que hoje é mantida pela Itaipu. Assim como os animais, os habitantes das cidades que submergiram para dar lugar à usina também foram transferidos para outros lugares (infelizmente, não me lembro bem dessa parte da explicação).

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Foto tirada por mim durante a visita panorâmica.
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Esta e as outras fotos do GP foram publicadas na página do Intercom no Facebook.

Pularei o minicurso que realizei, bem como o show de abertura, e passarei direto às atividades do GT de Comunicação e Esporte. O dia 04 de setembro foi iniciado justamente pelas apresentações de dois artigos meus: As cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas/1896 a Londres/1948 nas páginas do Jornal do Brasil (em coautoria com meu amigo e mestrando da Uerj Filipe Mostaro) e  Mídia, Esporte e Idolatria: o Jornal do Brasil e a representação dos atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos (escrito em parceria com meu orientador Ronaldo George Helal). Os outros artigos aceitos para apresentação na parte da manhã foram:

  • Sessão 1: Representação, identidade e o Jornalismo Esportivo

Coordenação: Prof. Dr. José Carlos Marques (UNESP)

  1. A popularização do futebol, o papel da mídia e a construção da identidade nacional brasileira – Lucas Lisboa Peths (UFJF); Paulo Roberto Figueira Leal (UFJF)
  2. Copa do Mundo de 1978. Reflexões nacionais da Revista Placar a partir da seleção brasileira – Alvaro Vicente do Cabo (UFRJ/UCAM)
  3. A goleada inesperada e o ressurgimento do “complexo de vira-latas” – Christiane Bara Paschoalino (UFJF) e Márcio de Oliveira Guerra (UFJF)
  4. “Mineiratzen”, Seleção Brasileira e Imprensa: a representação da derrota das derrotas na Folha de S. Paulo e O Globo – Francisco Angelo Brinati (UFSJ)
  5. Futebol-arte e Mestiçagem: Identidades e Representações do “Estilo Nacional” – Ronaldo George Helal (UERJ); Filipe Fernandes Ribeiro Mostaro (UERJ)
  6. A cobertura esportiva de um jornal colonial português em 1968 – Rafael Fortes Soares (UNIRIO)

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O volume de trabalhos tornou necessária a realização de duas sessões paralelas na parte da tarde, agrupadas pelas temáticas “Jornalismo Esportivo e os ‘media’” (mesa coordenada pelo prof. Rafael Fortes) e “Gênero, atleta paraolímpico e comunicação esportivo” (mesa coordenada pelo prof. Anderson Gurgel).

  •  Sessão 2: Jornalismo Esportivo e os “media”

Coordenação: Prof. Dr. Rafael Fortes Soares (UNIRIO)

  1. Fotojornalismo Esportivo: cobertura fotojornalística da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014 sob a ótica de três jornais de grande circulação – Neide Maria Carlos (UNESP)
  2. Reflexões sobre o compromisso público da imprensa a partir de uma coletiva de Neymar no período da Copa do Mundo – Fábio Aguiar Lisboa (UERJ)
  3. Nova tendência do Jornalismo Esportivo televisivo: relação dialógica entre os apresentadores e os telespectadores dos programas Central da Copa e Os Donos da Bola – Maria Do Socorro de Sousa Cruz (UFPI)
  4. Guerras simbólicas substituem as reais: Análise discursiva dos comentários de Arnaldo Jabor na Copa do Mundo Fifa 2014 – Danielle Cândido da Silva Nascimento (FITS)
  5. MMA e televisão: uma adaptação pós-moderna do Coliseu romano – Eugênio Carlos do Rego Araújo (UFPI); Ana Maria da Silva Rodrigues (UFPI)
  6. A comunidade e a troca de figurinhas da Copa do Mundo de 2014 – Camila Augusta Alves Pereira (UERJ)
  7. O rádio na copa 2014: o desafio das surpresas de uma competição para jovens narradores de futebol – Márcio de Oliveira Guerra (UFJF)
  8. A Construção Estética da Transmissão Televisiva na Copa do Mundo de 1998 – Tatiana Zuardi Ushinohama (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)

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  • Sessão 3: Gênero, atleta paraolímpico e comunicação esportiva

Coordenação: Prof. Dr. Anderson Gurgel Campos (Mackenzie)

  1. O Craque, o Símbolo Sexual, o Homem Bem-Sucedido: a Construção da Imagem de Neymar no Mercado de Revistas Brasileiro – Luís Henrique Mendonça Ferraz (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)
  2. Perfil da Consumidora de Futebol no Brasil – Quem São Elas e o que Querem Elizangela – Aparecida da Silva (UNINOVE)
  3. Quem são as “Mulheres Olímpicas Brasileiras” – Mayara Cristina Mendes Maia (UFRN); Allyson Carvalho de Araújo (UFRN)
  4. Mulheres & Esporte: Análise da publicidade do Rúgbi Feminino no Brasil – Marta Regina Garcia Cafeo (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)
  5. A Comunicação Oficial dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016: infraestrutura e transparência como pautas centrais – Flávio Agnelli Mesquita (UNINOVE); Ana Lúcia Nishida Tsutsui (UNINOVE)
  6. Primeiro o esporte, depois a deficiência? Análise da cobertura midiática dos Jogos Paralímpicos de 2012 – Tatiane Hilgemberg Figueiredo (UERJ)

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No dia 05 de setembro, mais 14 trabalhos estavam inscritos para apresentação. Foram eles:

  • Sessão 4: Esporte e Comunicação Organizacional

Coordenação da Sessão: Prof. Dr. Márcio de Oliveira Guerra (UFJF)

  1. Os patrocínios na camisa do Corinthians: As relações entre time, mídia e patrocinadores – Gabriel Arroyo (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)
  2. Bola na rede: uma análise da influência da Copa do Mundo 2014 nos perfis no Facebook de Nike, Adidas e Puma – Karla Caldas Ehrenberg (UMESP)
  3. Fora dos Gramados, Goleada de Comunicação da Seleção Alemã – Tariana Brocardo Machado (USP)
  4. Corinthians x Mídia: a Repercussão da Morte do Torcedor Boliviano vista pelo Relatório de Sustentabilidade do Clube e pela Folha de S. Paulo – Roberta Ferreira dos Santos (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)
  5. A Importância Estratégica da Comunicação Integrada na Gestão de Equipes Esportivas: os casos FC Barcelona e AFC Ajax – Ary José Rocco Junior (EEFE/USP – UNINOVE)
  6. Conflitos urbanos do século XXI: a invasão do CT do Corinthians sob a ótica da imprensa esportiva e da assessoria de imprensa do clube – Ana Lúcia Nishida Tsutsui (UNINOVE); Flávio Agnelli Mesquita (UNINOVE)
  7. O “jeitinho brasileiro” na propaganda: os elementos que caracterizam o futebol do Brasil utilizados como apelo publicitário por emissoras de TV – Nathaly Barbieri Marcondes Cesar (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)

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  • Sessão 5: A Comunicação no Esporte e as Teorias da Comunicação

Coordenação d: Prof. Dr. Ary José Rocco Júnior (EEFE/USP – UNINOVE)

  1. Em Busca do Equilíbrio Tático: reflexão sobre a construção textual no Jornalismo Esportivo – Matheus Simões Mello (UFSC)
  2. A Materialidade dos Eventos: Os Objetos Simbólicos e As Relações de Poder na Abertura da Copa do Mundo de 2014 – Ana Paula Moratori Ferreira (UFJF); Márcio de Oliveira Guerra (UFJF)
  3. RBS Esporte: Rotinas de Produção sob Análise do Newsmaking no Telejornalismo – Mariana Corsetti Oselame (UNIRITTER); Leandro Olegário dos Santos (UNIRITTER)
  4. Espetáculo para além das quatro linhas: as interfaces entre, futebol, propaganda e autoritarismo nas copas do mundo de 34 e 78 – José Guibson Dantas (UFAL)
  5. A semiótica do futebol televisivo: narrativas imersivas, intervalares e fragmentadas -Marcio Telles da Silveira (UFRGS); Alexandre Rocha da Silva (UFRGS)
  6. Megaeventos Esportivos: Algumas Contribuições e Reflexões para os Estudos Comunicacionais sobre os Legados da Copa do Mundo de 2014 no Brasil – Anderson Gurgel Campos (Mackenzie)
  7. Cobertura da Copa do Mundo de 1950 pelas revistas semanais da época: levantamento – quantitativo e critérios de noticiabilidade – Júlio César Penariol (UNESP); José Carlos Marques (UNESP)       10671418_332511950242232_2310876096808576477_n 10678869_332511976908896_6372891078689512337_n

 

Todos os artigos aceitos para o Intercom desse ano podem ser lidos aqui (infelizmente, alguns links estão fora do ar; espero que o Intercom resolva esse problema antes da publicação desse post).

Nesse mesmo dia 05, a reunião dos sócios ao final das apresentações do GP foi bastante produtiva. Dentre os temas mais importantes, estavam aqueles concernentes aos rumos do grupo. Ficou decidida a manutenção do prof. Ary Rocco como coordenador e a indicação do prof. Rafael Fortes como vice-coordenador. Alguns dados importantes também foram expostos. O GP contou com participantes de quase todas as regiões do Brasil, com destaque para o volume de trabalhos provenientes de pesquisadores do eixo Rio-São Paulo (com destaque para o nosso grupo de pesquisas em Comunicação e Esporte).

Como participante do GP desde 2011, foi gratificante perceber o aumento de interessados pela temática e a evolução das pesquisas de colegas e amigos que vem apresentando trabalhos desde então. A proposta de expor seu trabalho é justamente essa: receber o feedback de outros pesquisadores e melhorar sua pesquisa. Como ouvintes, aprendemos muito sobre temas que por vezes não conhecemos tão bem e colhemos contribuições preciosas para nossas próprias análises e investigações acadêmicas.

Tive ainda meu momento turista. Visitei as Cataratas tanto pelo lado brasileiro quanto pelo argentino. Só a visão dessa maravilha natural já vale a viagem à cidade. Também pude cruzar as fronteiras com Argentina (para Puerto Iguazú) e para o Paraguai (Ciudad del Este). Esta última é um alento para quem está acostumado a pagar preços exorbitantes em eletrônicos, perfumes, peças de vestuário… Como nem tudo são flores, há certa sensação de insegurança ao se caminhar pelas ruas da cidade – armas são vendidas em barraquinhas espalhadas pela avenida principal e seguranças armados fazem a segurança das lojas. Nada disso, porém, retira a experiência de poder cruzar a pé a fronteira binacional. Vale pela experiência sociológica e turística.

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Foto tirada por mim no lado brasileiro das Cataratas.

Outro dado interessante é a presença de imigrantes árabes em Foz. Ao conversar com taxistas da região, percebi certo orgulho em afirmar que Foz do Iguaçu concentra a segunda maior colônia de imigrantes árabes do Brasil (a maior fica em São Paulo). Pude visitar o bairro árabe (repleto de ruas que fazem alusão ao Oriente, como a rua Meca), passar em frente a mesquita (visitarei em minha próxima visita) e jantei no Castelo Libanês – o buffet de comida árabe servido durante a janta merece ser provado. Falando ainda de imigrantes, o restaurante Vó Bertilla é um recanto para degustar a culinária italiana e foi fundado pelos netos de uma descendente de italianos nascida em São Paulo (a Bertilla que dá nome ao lugar).

Bem, fico por aqui com minhas anotações de turista e acadêmico. O relato acabou sendo mais descritivo e objetivo do que eu esperava, mas vale como um informativo para aqueles que não puderam comparecer ao evento. Voltei de Foz com várias ideias na mala e a sensação de que a área de mídia e esportes está se fortalecendo (pouco a pouco, mas continuamente). Espero que no Intercom 2015, no Rio de Janeiro, o GP de Comunicação e Esporte mantenha seu crescimento tanto quanto como qualitativamente e que o acesso ao conteúdo dos anais do evento continue livre e gratuito. Até lá!

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