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Bola fora da CBV

Nas duas últimas semanas escândalos ligados a Confederação Brasileiro de Vôlei repercutiram na mídia. A descoberta do desvio da verba de patrocínio envolvendo nomes de empresas de ex-dirigentes da CBV foi o ponto de partida para as investigações que correm em sigilo de justiça. O marco inicial do caso foi a existência de dinheiro de origem pública nas movimentações dessas empresas e da CBV, mas especificamente do Banco do Brasil, principal patrocinador do esporte e dos eventos do vôlei no país.

dossieVOLEIUm dossiê sobre o caso vem sendo atualizado constantemente pelo jornalista Lúcio de Castro, em seu blog no site da ESPN.

As provas do desvio da verba de patrocínio do Banco do Brasil são contundentes e a Controladoria – Geral já ordenou o início das investigações na CBV. Dez milhões de reais é o valor que a CBV pagou a SMP Logística e Serviços, empresa de Marcos Pina, atual superintendente da CBV. Segundo apuração divulgada no site da ESPN, a remuneração seria relativa aos contratos de patrocínios firmados entre a CBV e o Banco do Brasil, com vigência de 2012 até 2017. Assim sendo, o repasse de dinheiro da CBV para a SMP a título de “venda de patrocínio”, como está na primeira cláusula do contrato entre ambas as partes, é realizado após a venda da cota de patrocínio. Porém, o repasse do valor pelo Banco do Brasil é feito de forma direta, sem a necessidade de empresas intermediárias.

As despesas de marketing e produção da CBV tiveram um aumento de 2.241%, entre 2008 e 2012. Enquanto o aumento das receitas de patrocínio ficou apenas com 145% de crescimento (Fonte: ESPN).

O esporte é um produto de alto potencial mercadológico quando é capaz de gerar receita para si próprio. “Um produto autossustentável que vende e vende-se no mercado. Isso significa aumento do número de torcedores e praticantes que compram produtos esportivos, consomem serviços afins, assistem às transmissões esportivas pela TV e pela internet (…), compram ingressos e dão preferência a produtos e serviços licenciados pelas marcas esportivas.” (MELO, 2013)

Outro fator que determina o potencial econômico do esporte como um produto é o grau de cobertura que este tem na mídia, que atrai mais empresas interessadas em patrocínio e em anúncios.  E o vôlei é uma modalidade vitoriosa, com muitas conquistas internacionais e uma competição nacional consolidada hoje no país, a Superliga de Vôlei.

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Dessa forma, o vôlei tornou-se um excelente produto mercadológico no Brasil, com o aumento de torcedores e praticantes, além de crescente interesse da cobertura da mídia e das empresas investidoras. O esporte só perde em popularidade e em número de investimentos para o futebol. Por tudo isso, é uma decepção a descoberta de fraudes e administração corrupta no esporte que até então seria referência em administração e marketing esportivo no Brasil.

Muitos fãs do vôlei, técnicos e atletas já se expuseram na mídia, em manifesto contra o caso, pedindo a apuração e banimento dos dirigentes culpados no escândalo. De acordo com o dossiê de Lúcio de Castro, a revolta vem crescendo entre os atletas.

A renúncia de Ary Graça, até então presidente licenciado da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e atual presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), foi anunciada no último dia 14/04. Este fato não será o fim das denúncias. As irregularidades descobertas nos faz prestar mais atenção nos órgãos estatais que investem altos valores em entidades esportivas no Brasil. Além do Banco do Brasil, também o Ministério do Esporte multiplicou seus investimentos em confederações ligadas aos esportes olímpicos nos últimos anos, e a CBV é uma das mais beneficiadas.

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