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Patricinha Pandora, a Vênus pandémia e o trabalhador Baco Gaúcho.

Após dias com diversos eventos nos gramados mundiais, Eurocopa, Brasileirão, eliminatórias na América do Sul e as expectativas para as semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil, confesso que hesitei em retornar a temática Ronaldinho Gaúcho já abordada neste espaço e pensei em partir para outro assunto.

Porém, a certeza de trazer um outro olhar um tanto quanto polêmico e mitológico, voltar a questão de um dos meus primeiros textos neste blog sobre qual seria o valor do ídolo, além do desfecho litigioso no enlace Flamengo/Ronaldinho, me fizeram propor reflexões sobre o caso que, na minha visão, tem relação direta com a atual gestão da política Patrícia Amorim. Muitas das ideias abaixo surgiram em uma conversa com meu oráculo/amigo S.S, o “Sábio do Sofá”.

Primeiramente gostaria de atestar como associado e ex-atleta do Clube de Regatas Flamengo que a administração social da sede da Gávea tem sido louvável, com diversas benfeitorias necessárias, funcionários recebendo os seus salários em dia e as famílias retornando a frequentar um esplendoroso espaço que é cobiçado pela especulação imobiliária, mas felizmente continua como um grande patrimônio da instituição rubro-negra.

Entretanto, para o torcedor apaixonado, minha outra face nesta história, a forma como o futebol flamenguista tem sido tratado pela atual mandatária e sobretudo, o descaso e a omissão no que concerne as decisões tomadas perante ídolos da bola tem sido desastrosa.

Na sua posse, já houve um mau presságio. João Havelange foi homenageado e tratado como um sábio político de alma pura, benfeitor do esporte nacional. A elegante dama de tailleur preto e echarpe vermelha agradecia seu mestre, mentor, o grande Midas do futebol mundial pela honra da presença em pleno salão nobre da Gávea.

Andrade/Prometeu, técnico campeão brasileiro de 2009, diversos títulos como jogador e campeão do mundo, mesmo classificando a equipe para a segunda fase da Libertadores 2010, foi covardemente demitido do cargo, supostamente por incompatibilidade com jogadores e diretores. Ídolo/Titã roubou o fogo divino da geração de ouro dos anos 80 para guiar um esquadrão de mortais, salvo o semi-deus Persérvio, no épico hexacampeonato rubro-negro, porém foi destroçado pelas pragas que escaparam da caixa de Patricinha Pandora (veja link).

Nem mesmo ZICO/Zeus foi capaz de organizar o devastado mundo rubro-negro, que vem sofrendo pragas administrativas seculares com disputas entre mortais dirigentes e torcedores profissionais eivados de inveja e ódio e que vivem às custas do patrimônio presente/passado e futuro do clube. Desde que a caixa se abriu, toda a baderna, privilégios e luta por interesses pessoais assolou a instituição e nem a força simbólica de Zico foi capaz de recolocar ordem em um mundo caótico e nebuloso. Muitos mortais sucumbiram às intrigas das sátiras figuras de um dirigente Capitão bicheiro e de um torcedor rubro-latino-negro-peruano.

Nos primeiros meses de 2011, o maior ídolo flamenguista do século XXI foi afastado. Problemas com o professor/crupiê aceleraram a despedida do craque Persérvio Pethkovic dos gramados. Sem choro nem vela, o semideus gringo que em 2001 com uma falta magistral petrificou o gigante da colina sem precisar matar a Medusa, saiu singelamente após a primeira etapa de uma partida sem graça contra o Corinthians em uma das primeiras rodadas do Brasileirão. Muitos irão dizer que ele já estava muito velho e não rendia o suficiente, porém um ídolo/herói com lugar cativo no Olimpo rubro-negro não deveria ter sido tratado com tamanha indiferença e poderia ter sido útil pela sua experiência nos momentos de desequilíbrio da equipe na temporada passada.

Enfim, junho de 2012, Ronaldionísio Gaúcho, ou apenas Baco dentuço abandona o Flamengo. Para muitos torcedores, o outrora ídolo, que não conseguiu chegar ao patamar de herói rubro-negro em sua conturbada passagem, se transforma em Centauros no momento em que procura a Justiça do Trabalho pleiteando 40 milhões de reais, porém os mesmos fecham os olhos para a responsabilidade dos dirigentes e advogados que elaboraram o pergaminho com uma inteligência paquidérmica. Sobre o assunto ver essa matéria no blog de Lúcio de Castro.

Todas as festas, regalias e diversões foram lascivamente permitidas ao Baco Gaúcho na gestão da Vênus Patricinha Pandémia. Desde a recepção eufórica que levou cerca de 20.000 pessoas em um dia de semana ao clube, a conivência com os supostos excesso de álcool e noitadas, e a própria anuência com a presença de uma amiga no quarto de hotel na concentração demonstram a permissividade da Pandora rubro-negra ao lidar com o ídolo que culminou uma vexatória invasão de privacidade midiática que foi a divulgação do vídeo do hotel em Londrina muito bem sinalizada pelo advogado Gustavo Serra no blog do torcedor rubro-negro JB. Confiram aqui.

Não é que eu queira culpar exclusivamente a Vênus Patricinha, mas a forma avassaladora com que ídolos futebolísticos foram devorados na gestão Pandora Amorim deve ser alvo de reflexão objetiva e o desfecho do “Projeto Ronaldinho” com certeza maculou a imagem da elegante dama de tailleur preto e echarpe vermelha, outrora mito na natação brasileira, agora mico no futebol rubro-negro.

Com relação ao Baco gaúcho, Ronaldo Helal no post anterior já argumentou que como títulos de maior expressão não vieram no Flamengo, sua vida pessoal, festas, mulheres e bebidas acabaram sendo o assunto midiático mais focado ultimamente.

As cobranças da torcida e atitudes deploráveis dos dirigentes fizeram com que esse “trabalhador” da bola, devidamente amparado pelo judiciário pátrio, fato irônico em virtude das denúncias de negligência do atleta em sua atividade laboral como bem observou o Professor Hugo Lovisolo, já esteja sendo idolatrado em Minas Gerais e com novo “contrato trabalhista” vigorando para receber cerca de módicos trezentos mil reais mensais.

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2 comentários em “Patricinha Pandora, a Vênus pandémia e o trabalhador Baco Gaúcho.

  1. Quando contrataram esse cara, te falei que “ronaldinho é o **%$#@!” lembra? Bom, ele já foi-se. Só falta agora a patrícia. Ela não teve tanta culpa, é boa gente e tentou de tudo. Conseguiu até trazer o Zico, coisa que muitos tentaram e não conseguiram. Trouxe o melhor nadador do mundo…
    Mas infelizmente naufragou em suas tentativas, os resultados foram pífios.
    O caminho pra terra de Hades está cheio de boas intenções.

  2. Também é importante pontuar que, no futebol contemporâneo, as partidas são verdadeiros espetáculos e os atletas, produtos em exibição. Assim como na TV e no cinema, onde os grandes atores atraem o público, no futebol, esse papel é preenchido pelos jogadores “fora-de-série”. É óbvio que, mesmo que seu clube do coração não conte com nenhum grande craque, você continuará indo aos seus jogos e dando seu apoio. No entanto, o ídolo atrai os torcedores por si só. Por exemplo, na simples apresentação de Ronaldinho Gaúcho ao Flamengo, mais de 20 mil rubro negros estavam presentes. Se pegarmos exemplos europeus, os números se multiplicam. Nos eventos de apresentação de Kaká e Cristiano Ronaldo ao Real Madrid, mais de 150 mil torcedores ao Santiago Bernabéu.

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