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A bola e a educação

A educação no Brasil vive uma crise sem tamanho, enquanto o futebol, por sua vez, sempre esteve nas graças do povo. Estudar sempre foi uma das coisas mais chatas na vida dos adolescentes, de uma maneira geral. Jogar futebol, principalmente se você for menino, é algo infinitamente mais atrativo que ler um livro ou fazer um dever de casa.

Certa vez, um professor meu disse ter sido chamado para o conselho dos pais no colégio em que seu filho estudava. O debate em questão era sobre o índice de notas baixas em Matemática. Perguntado sobre uma possível saída para este problema, ele respondeu: “O problema são as notas baixas em Matemática? Ora, então acho que devemos aumentar o número de aulas de Educação Física”.

O que o professor quis dizer “subliminarmente” com sua sugestão era que o aprendizado se dá através de todos os meios possíveis e quanto mais prazerosos são esses meios, maiores são os resultados obtidos. As notas dos alunos em Educação Física eram altas e o interesse pelas aulas daquela disciplina era agudo. Sendo assim, por que não usar esse empenho em prol da educação como um todo? Amplificando as indagações e reflexões, proponho ainda outra questão: por que o prazer que um menino tem em “jogar bola” não pode ser obtido pelos estudos?

Imagine só se a sala de aula fosse tão sedutora quanto o campo de futebol? Não acho que seja utopia, até porque já existem aulas com o poder de cativar e interessar os que a assistem. Aprender com a bola e seus ensinamentos seria algo magnífico, ou, na pior das hipóteses, bem melhor do que a forma tradicional e sisuda de se aprender qualquer coisa, típica da maioria das escolas. Então, ouviríamos com encanto uma criança dizer para sua mãe: “Vamos logo! Já vai começar a aula e eu não posso perder nada”.

O que pretende ser dito através destes argumentos não é que o futebol seja idolatrado ou algo do tipo, até porque existem aqueles que sentem repulsa por ele. No entanto, tendo ciência da grandeza do esporte em nosso país, ele se torna uma ferramenta muito eficaz de alcance à massa e, dessa forma, poderia ser aproveitado para muitas outras causas, como a educacional, por exemplo.

As escolas, de uma forma geral, se fecham para qualquer tipo de mudança e se mantém como um lugar onde é proibido ter prazer, como se os estudos tivessem que ser dolorosos e gerassem desgosto. Há exceções, é claro! Pelo menos isso. Mas falo da “normalidade” educacional de hoje em dia, onde a escola é tudo isso, se não algo pior.

E, no que diz respeito ao processo de ensino-aprendizagem, há também a história de que toda ação educativa deve se dar de maneira ordenada, em silêncio, apenas com o uso da mente. Fica claro o “aprisionamento” sofrido pelo corpo na escola, o que explica em grande parte a exclusão do futebol nesse âmbito.

A escola muito tem a ganhar se “abrindo” para as questões encontradas ao seu redor; o futebol se põe como uma dessas fontes inesgotáveis da qual ela se aproveitaria como ferramenta de ensino. Se toda escola fosse tão agradável para a vida de um menino quanto uma escolinha já é, a educação se encontraria num patamar muito mais favorável do que o de hoje e cada dia de aula seria tão prazeroso quanto um dia de clássico no Maracanã.

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3 comentários em “A bola e a educação

  1. ontem estávamos refletindo sobre isso. Como convencer as cirnças da importância de se estudar, se os professores, mestres, aqueles que tanto estudaram, vivem reclamando, fazendo greve, paralisações, sofrendo, enquanto outros, muitas vezes sem estudo formal, conseguem um salário muitas vezes melhor que os professores?

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