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De frente para trás

Daqui a algum tempo estaremos vendo os jogadores em campo com caneleira e capacete.

Essa frase foi dita pelo ex-jogador e comentarista Walter Casagrande durante o programa “Arena SporTV” do dia 06 de Março. Ele afirma isso (de modo um pouco caricato) baseado na alteração do estilo de jogo brasileiro: antes jogado “para frente” e hoje preocupado principalmente com a marcação, aumentando assim os choques e as lesões.

Já não é de hoje que grandes entendedores do esporte apontam essa mudança que caracterizaria um retrocesso para o nosso futebol. A famosa frase “Quem corre é a bola.” não está no seu auge prático. Quem anda correndo são todos em campo, e correndo muito. Na maior parte das vezes para trás, marcando, sem exceção de posição. Marca o atacante, o zagueiro e todo o resto, menos o goleiro.

O que quero discutir aqui não são os meios pelos quais toda essa “evolução” ocorreu, mas sim uma de suas possíveis conseqüências: a mudança no perfil dos jogadores brasileiros “exportados”. Se, antes, nossos atacantes eram referências e muito visados por todos os grandes clubes da Europa, hoje é a vez dos zagueiros.

É claro que exceções existem, mas são exatamente essas que comprovam a regra. O caso do Neymar é o mais notório nesse ponto, acompanhado por seu companheiro de Santos e Seleção brasileira, Ganso – que já tem seu valor de mercado questionado por muitos, erroneamente a meu ver. Lucas, do São Paulo, fecha a lista de grandes jogadores ofensivos pretendidos por “toda a Europa”.

Existem também os jogadores “de frente” que são visados pelo exterior, mas não com tanta força quanto os casos já citados anteriormente: é o caso, por exemplo, de Éder Luís, do Vasco, tendo, ora e meia, a sua atuação no clube cruzmaltino posta em xeque por propostas do Benfica.

O cenário do futebol mundial, hoje, tem a participação luxuosa dos zagueiros brasileiros como sendo frutos de grande interesse e valor mercadológico. Tal importância começou a ser dada, talvez, com a ida do zagueiro Lúcio (ex-Internacional) para o Bayer Leverkusen, chegando a ser considerado o melhor jogador da Bundesliga na temporada de 2001/2002. Essa posição de destaque dada aos zagueiros “canarinhos” foi consolidada com a ida de Juan (ex-Flamengo) também para o Leverkusen, em 2002.

Juan era classificado como um zagueiro “classudo”, que jogava de cabeça em pé e sabia sair para o jogo. Esse estilo diferenciado para um back foi o que encantou a Europa e, desde então, o interesse por nossos homens de trás só vem crescendo; vide o caso atual do Dedé (Vasco), ambicionado pelos arquirrivais Milan e Inter de Milão, dentre outros “gigantes”.

Sem contar o caso dos nossos dois zagueiros titulares da Seleção David Luiz, que, depois de fazer história no Benfica, foi vendido a preço descomunal ao Chelsea, e Thiago Silva, zagueiro do Milan, apontado como o maior jogador da posição atualmente.

É evidente a grandeza dos defensores brasileiros mundo a fora, mas todo esse panorama me leva a uma reflexão: será que a mudança do paradigma do futebol brasileiro não influenciou nesses casos de sucesso? Vale a ressalva de que em nenhum momento tiro o mérito desses jogadores, no entanto, eles não são “filhos” deste processo extenso de transformações?

Independente da resposta, penso que as qualidades dessa nova geração de zagueiros tão bem vistas por todos – “joga de cabeça em pé”, sabe sair para o jogo e, sobretudo, a respeito da “classe” dentro de campo – são as mesmas atribuídas aos nossos atacantes de ontem. Bons tempos.

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