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Alguém conhece Don Antonio Botta?

Nos sites de tango e em alguns livros se registra que nasceu em São Paulo, possivelmente nos finais do século XIX. Depois, um longo silêncio que gostaria de musicar biograficamente, não consigo saber nem quando chegou à Argentina. Sombras nada mais de um brasileiro no tango. Sombra maior a de outro brasileiro, Alfredo Le Pera, nascido em São Paulo em 1900, arribou à Argentina dois meses após respirar, e cuja relação umbilical com Gardel é bem conhecida. Le Pera e Botta trabalharam juntos na obra “Um directo al corazón” (que influencia do boxe naqueles tempos!). Le Pera também escreveu uma peça que não li ainda, mas que ainda lerei, “Que quieren los brasileños”. Obra que deveria ser editada por estas terras!

As histórias de Don Antonio Botta em Buenos Aires são bastante conhecidas e mencionadas: diretor e autor teatral, diretor de cinema, autor de um punhado de tangos. Dentre os quais ganhou destaque e popularidade “Si soy así. Héctor Angel Benedetti o inclui em sua obra “Las mejores letras de tango” (Buenos Aires, Booket, 2077, 6º Ed.). O tango foi gravado por Carlos Gardel e pela orquestra típica de Francisco Lomuto e o conjunto de Francisco Canaro. Escrito em 1931, foi gravado em 1933. Benedetti afirma que pode ser considerado como antecedente de outro tango famoso “Que me van a hablar de amor”. Tango de 1946 de autoria de Héctor Stamponi (música) e Homero Exposito (letra) e que em minha infância escutei pela voz de Júlio Sosa, tanto escutei que ainda a lembro.

Na hagiografia “gardeliana” se registra que estiveram juntos e parece que ele contava uma famosa anedota sobre Gardel que não contarei aqui. Importa destacar que Botta inicia seu relato na Suíça onde estava assistindo (como correspondente) a um torneio de tênis. O leitor pode-se informar sobre a anedota — muito boa, como a maioria das que contam com Carlitos como personagem — entrando com o nome de nosso autor no site Todo Tango da Argentina. A anedota é mencionada por Julián y Osvaldo Barsky, em sua monumental obra “Gardel: La biografia” (Buenos Aires, Aguilar, Altea, Taurus, Alfaguara, 2004, 942 páginas), tendo como referência a obra de Orlando Del Greco, “Gardel y los autores de sus canciones” (Buenos Aires, Akian Ediciones, 1990). Espero que os Barsky, pai ou filho, leiam nosso blog e me forneçam alguma dica. Caso contrário, deverei falar com esse enciclopedista, historiador e poeta do tango que é Don Horacio Ferrer.

“Si soy asi”, lembremos novamente, foi gravado por Gardel. A letra por seu tom alegre e descontraído poderia ter inspirado o baiano Jorge Amado para compor seu personagem do malandro, Vadinho, em “Dona Flor e seus dois maridos” (os malandros são mais internacionais do que parecem pensar muitos brasileiros, a diferença talvez esteja em ter ou não ter orgulho da malandragem). Comprove-se lendo o tango escrito em 1933 e cuja música é de Francisco Lomuto, seu parceiro habitual.

Si soy así

Tango 1933

Música: Francisco Lomuto

Letra: Antonio Botta

Si soy así,
¿qué voy a hacer?
Nací buen mozo
y embalao para querer.
Si soy así
¿qué voy a hacer?
Con las mujeres
no me puedo contener.
Por eso tengo
la esperanza que algún día
me toqués la sinfonía
de que ha muerto tu ilusión.
Si soy así
¿qué voy a hacer?
Es el destino
que me arrastra a serte infiel.
Donde veo unas polleras
no me fijo en el color…
Las viuditas, las casadas y solteras
para mí todas son peras
en el árbol del amor.
Y si las miro coqueteando por la calle
con sus ojos tan porteños y su talle cimbreador,
le acomodo el camouflage
de un piropo de mi flor.
Si soy así
¿qué voy a hacer?
Pa’ mí la vida
tiene forma de mujer.
Si soy así,
¿qué voy a hacer?
Es Juan Tenorio
que hoy ha vuelto a renacer.
Por eso, nena,
no sufrás por este loco
que no asienta más el coco
y olvidá tu metejón.

Que faz o tango num blog de esporte, além de indicar que houve brasileiros no tango e de estimular um possível parente ou conhecido de Don Antonio à apresentar informações? Meramente introduz uma outra produção sua que tem a ver com o esporte. Sua “Canción del deporte”, uma marcha, também em colaboração com Lomuto e também escrita em 1933. Talvez uma marcha produzida por encargo nos anos trinta, década de militarismo em toda América Latina e de nacionalismo exaltado. Leiam.

La canción del deporte

Marcha 1933

Música: Francisco Lomuto 

 Letra: Antonio Botta 

En un marco de azul celestial
y al rayo solar
va la juventud.
En el pecho un soberbio ideal
y un ansia sin par
de goce y salud.
Una insignia en el corazón
un emblema como ilusión
y en el alma un deseo
de honor y de gloria
que vibra y es siempre emoción.
Luchar, en justa varonil.
Luchar con ansia juvenil.
Y para la raza
conseguir el ejemplar
del porvenir.
Luchar, luchar para triunfar,
luchar y nunca desmayar.
Alentando siempre
la esperanza de imponer
la divisa “Vencer y vencer”.
Caballeros del juego hay que ser,
al campo a salir
con fe y con valor.
Adversarios que van a ofrecer
en brega gentil
ejemplo y vigor.
La confianza y la inspiración
del amor a una institución
ha de darnos aliento

“La canción del deporte” é um sumário das representações civilizadoras que o acompanham desde sua fundação. Sua ordem moral, do espírito, do corpo e da conduta, se contrapõe ao espírito brincalhão e irresponsável de Si soy así. Apesar de ambas terem sido escritas no mesmo ano.

Temos indícios suficientes para pensar que o Antonio Botta adorava artes cênicas, cinema, esportes, tangos e, como todo portenho, as noites e seus lugares de inspiração: cabarés, bares, restaurantes, teatros e, pelo tango, sobretudo, mulheres. Se alguém tem informações sobre ele, por favor, as envie. Pode ser em prosa, em verso ou nessa nova linguagem que aparece na internet.

Confira abaixo o áudio dos tangos mencionados nesse post:


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