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Yes, nós baba o Obama

O maior acontecimento esportivo desta semana na “cidade maravilhosa” não foi a ridícula derrota do Fluminense para o Boavista no sábado, a freada do bonde rubro-negro diante da Cabofriense com direito a bronca ao estilo “técnico de vôlei russo”, por parte do outrora britânico Vanderlei Luxemburgo, e nem mesmo a aparente ressurreição vascaína diante do combalido Botafogo em uma incontestável vitória por 2×0.

A comoção no Rio estava voltada para a passagem do presidente norte-americano, afro-descendente, showman e elegante figura Barack Obama. Todos os holofotes e atenções estavam concentrados na sua comitiva e o esporte acabou sendo um referencial na visita meteórica do estadista estadunidense.

Desde uma patética disputa de marketing entre Flamengo x Vasco para quem entregaria camisas à Obama, passando pelas suas duas “embaixadinhas” com crianças da comunidade da Cidade de Deus, até o possível apoio aos Jogos Olímpicos de 2016 independentemente da derrota da sua candidata Chicago, o esporte esteve na pauta do dia e serviu como instrumento de aproximação utilizado habilmente pelo “novo Princípe” que não é mais o etíope como Nelson Rodrigues se referia ao craque Didi, mas é o global.

Voltando ao clássico babão, a Operação Obama realizada pela também elegante moça de tailleur preto que arrematou a rara peça dos dentes de porcelana, e que preside o clube com maior torcida do país foi um retumbante sucesso midiático. Um drible da vaca no protocolo, e aproveitando a necessidade logística da imperial paranóia militar yankee, a camisa 10 Obama foi entregue em pleno campo minado da Gávea.

Porém, o Flamengo, mesmo tendo sido ocupado pelo FBI nos dias anteriores, inclusive com restrições aos sócios no espaço social do clube, não era o único a se curvar diante de Vossa Majestade, o principal rival também queria levar seu histórico uniforme até o rei e os mensageiros eram nada menos que o alcaide e o Governador da Província. Cabralzinho entregou não só o presente do seu clube de coração, mas levou outras miçangas do próprio Flamengo, Botafogo e Fluminense, além da canarinha seleção cara de Pau-brasileira. Só faltaram os espelhinhos. Estarão essas camisas neste momento em um Big closet cofre na Casa Branca, ou foram divididas entre os poucos agentes latinos que amam o “soccer”?

Na visita a comunidade da Cidade de Deus não há como negar a simpatia de Obama no seu “bate-bola” com os garotos, que também na sua inocência infantil não tiveram como negar que o presidente apesar de parecer “legal” era muito “pereba”. Além do tradicional diplomático “altinho” já tentado anteriormente por Bill Clinton na comunidade da Mangueira, olha a Capoeira aí gente. A estupefação de Obama perante a apresentação de um pequeno garoto ficou registrada como imagem em diversos jornais e capa do Estado de São Paulo. Seria o olhar do outro vislumbrando o exótico e o tropical em uma prática esportiva? O que pensava o homem mais poderoso do planeta diante do pequenino capoeirista.

Teatro Municipal, domingo 20 de março de 2011 à tarde. Na praça dos antigos cinemas de Francisco Serrador alguns frustrados, pois queriam ver “o cara”, mas a CIA disse: vai não, pode não, além de outros militantes de esquerda que queriam mostrar a cara da oposição mais extremada.

Espetáculo na Ópera tupiniquim: Babar Barack Obama. Não contesto que foi boa a apresentação retórica. Novamente o futebol presente com alusão ao clássico do Engenhão. Os Jogos Olímpicos também, business my friends. Nossas empresas estão aí. Não vai ser em Chicago mas…podemos ajudar vocês, mas quem quer rir tem de fazer rir.  Porém a afirmação que deixou embriagados de felicidade todos os 2200 Zés Cariocas presentes: Somos parceiros, estamos juntos e misturados. É mesmo é?

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Um comentário em “Yes, nós baba o Obama

  1. Vasco, “O principal rival”? em quê? em número de títulos? não o é. (O fluminense é o segundo em títulos estaduais), em rivalidade próxima (finais disputadas) também não, pois o Botafogo ocupa atualmente esse espaço. Creio que, longe de ser “principal rival” ou mesmo “ameaça”, o outrora vice da gama é apenas um coadjuvante menor no tabuleiro do futebol carioca. (desde 2003 – ou 2004, sei lá) sem ganhar NADA?
    principal rival? me poupe!
    Jorgão

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