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As especulações da imprensa e a falta de compromisso

Ligo a televisão e vejo que Ronaldinho Gaúcho está perto de acertar seu retorno ao Brasil. Pode jogar no Grêmio, no Palmeiras, no Flamengo ou até no Atlético MG. Ouço no rádio o repórter dizer, em primeira mão, que Adriano já acertou as bases salariais com o Corinthians, só falta a liberação da Roma. Ao mesmo tempo, em outra estação, o empresário do jogador garante que o atacante não sairá da Itália. Abro o jornal e descubro que o Flamengo contratou o goleiro Felipe. Na véspera, a mesma publicação garantia que o Rubro-negro iria repatriar Diego Cavalieri para ocupar o lugar de Marcelo Lomba. Enquanto isso, outro jornal garantia em sua capa que Cavileiri iria para o Fluminense.

Um gaiato pode dizer que estas notícias são como as árvores de Natal. Aparecem aos montes logo no início de dezembro. Em pouco tempo nos acostumamos tanto com elas que começam a passar despercebidas. Na virada do ano elas somem e, em janeiro já nem sentimos falta.

Trata-se de uma constante no noticiário esportivo brasileiro. Logo que a temporada se encerra uma avalanche de especulações começa a ocupar os espaços vazios deixados pela ausência de jogos oficiais (peladas beneficentes de final de ano não podem ser consideradas).

A única vítima nesta história é o torcedor. Ávido por reforços, ao mesmo tempo em que reza para que o melhor jogador da sua equipe não vá para algum time do Catar, ele fica sem saber em quem confiar. Como acreditar em um jornal que, um dia anuncia a contratação de um jogador para o Fluminense, mas no outro dia ele vai parar no Botafogo?

A responsabilidade dessa esquizofrenia é dos jornalistas. Nessa época do ano boa parte da imprensa trabalha como vendedores de ilusões e divulgam informações pouco críveis e, muitas vezes, sem nenhuma fundamentação. Entre os repórteres a disputa é para ver quem dá a informação primeiro e não quem dá a informação correta. Sendo assim, é melhor ligar para aquele dirigente que pouca influência tem no Departamento de Futebol, mas que sempre atende à imprensa com carinho. Basta um telefonema para que o rumor vire manchete. Em seguida, é só chamar o comentarista e perguntar se tem lugar para o Ronaldinho Gaúcho no time. Por fim, uma enquete para saber se os torcedores aprovam a contratação do dentuço e pronto. A página está fechada, pronta para ir para a gráfica. Quando todos notarem que a notícia está distante da realidade o jornal já estará falando da saída de Neymar para o Chelsea, Real Madrid ou Barcelona.

Se os responsáveis são os jornalistas, os irresponsáveis são os agentes e os próprios jogadores. Com o mesmo interesse que aparecem para plantar notícias, voltam para desmentir boatos. Com isso, os atletas ficam em evidência durante um período em que dificilmente teriam visibilidade. Ao mesmo tempo, se valorizam e ganham mais poder para renegociarem seus contratos.

A parte mais frágil desta batalha – o torcedor –  só tem uma arma: a informação. Cabe a ele diferenciar o que é pura especulação e o que pode ser indício de uma negociação real. Aos jornalistas cabe apenas exercer sua função com dignidade, de maneira a nunca perder de vista o grau de responsabilidade que a profissão exige.

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Um comentário em “As especulações da imprensa e a falta de compromisso

  1. Podes crer… Eses jornalistas vivem de enganar a gente… não produzem nada, só criticam o que outros fazem… São umas fofoqueiras da sociedade moderna.
    E nessa entresafra fica mais em evidência… o jornal só serve pra enrolar peixe e forrar gaiola!

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