LEME recebe intelectual alemão Hans Gumbrecht

Por Mattheus Reis

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O Laboratório de Estudos de Mídia e Esporte teve o prazer de receber, na noite desta segunda-feira, um dos mais influentes intelectuais alemães da atualidade. Hans Ulrich Gumbrecht, em palestra no Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UERJ, comentou os principais aspectos presentes na sua mais recente obra, o livro “Esporte e Mídia: novas perspectivas – a influência de Hans Ulrich Gumbrecht”, que contou com a organização de Ronaldo Helal e Fausto Amaro, e cuja motivação foi a fidelidade dos torcedores com os seus clubes do coração.

Entusiasmado por retornar à UERJ após ter ministrado aulas na instituição durante os anos 1980, o teórico literário alemão consegue fazer uma mistura de conceitos culturais, sociológicos e antropológicos para ir a fundo nos fenômenos midiáticos esportivos e na intrínseca relação entre praças esportivas, torcida e atletas. Por conta dessa interdisciplinaridade o debate sobre o tema se torna ainda mais enriquecido e fascinante.IMG_1549

Em sua palestra, que durou aproximadamente 1 hora e meia, abordou a questão da dramaticidade no esporte, reproduzida na constante busca pela vitória. Esse objetivo, segundo Gumbrecht, une as figuras do jogador e do torcedor, transformando-as em um “corpo místico uno e integrado” nos estádios. Além disso, caracterizou as regras de inúmeras modalidades, como o basquete, futebol americano e futebol, sob o ponto de vista de “contingências” e “normatizações”. Normatizações essas cada vez mais presentes no processo de evolução dos comportamentos da humanidade e responsáveis por demarcar e impor, no ritual muitas vezes irracional e passional do jogo, certa neutralidade e equilíbrio em um contexto notoriamente envolto por tensões e até mesmo violência, em casos mais extremos.

IMG_1565Como não poderia ser diferente, a discussão sobre a situação atual do futebol brasileiro ‘pós-7 a 1’ ficou evidente. O diagnóstico de Gumbrecht foi preciso: se há uma crise de fidelidade do torcedor brasileiro com sua seleção nacional, ela é reflexo de outras crises, dentro e fora das quatro linhas. A traumática eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2014 contribuiu para isso, assim como o atual clima de pessimismo generalizado no país, ocasionado sobretudo pelas crises política e econômica.

Publicado pela editora UERJ, “Esporte e Mídia: novas perspectivas – a influência do pensamento de Hans Ulrich Gumbnrecht” traz uma coletânea de 11 artigos sobre o mundo do esporte; dentre eles um escrito pelo próprio pensador alemão, intitulado “Perdido numa intensidade focada: esportes e estratégias de reencantamento”, publicado originalmente na revista Aletria (letras/UFMG) e cedido pelo autor para o livro da Editora da UERJ. Uma obra essencial para uma melhor compreensão sobre a influência e diversidade, nos tempos atuais, da comunicação, e, à qual, cada vez mais o esporte está associado.
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Mediação: o estímulo e o resultado

terça-feira, agosto 25, 2015 Deixe um comentário

“Misunderstandings are the medium in which the noncommunicable is communicated.”
– Theodor Adorno, Prisms.

Estava eu quieto em meu canto, quando a TV invade minha privacidade com um inusitado “bate-boca” velado e indireto entre o entrevistado e o pseudo-entrevistador. Coisa banal em outras áreas, mas extremamente rara em campos esportivos, especialmente em campos de futebol.

Aquilo me chamou a atenção. Talvez estejamos presenciando algo realmente “novo” no que tange à mediação, na seara esportiva. Se antes o sujeito limitava-se a dizer que “dessa vez não deu, agora temos que erguer a cabeça e continuar trabalhando que quarta tem mais jogo”(sic), Não parece ser esse o caso doravante. Gostei muito dessa nova atitude judaica. Bateu-Levou. “olho por olho”. O tijolo e a vidraça . Ninguém aguenta ficar só apanhando, infinitamente, sem revidar, “dar a outra face”. Enfim, aos fatos.

Após a partida entre Fluminense X Vasco da Gama, em 19/07/2015, no Maracanã, o repórter da Rede Globo entrevista o zagueiro Rodrigo, da equipe vencedora da partida, o Vasco. Assista ao vídeo na íntegra:

O que captou minha atenção neste caso, foi a referência direta do entrevistado, o normalmente paciente e deslumbrado jogador de futebol, ao comentarista esportivo, essa entidade suprema acima do bem e do mal.

Anteriormente já havíamos abordado o assunto comentaristas, em duas postagens: “O tijolo e a vidraça”, e “Uma ave que cai”. Em ambos os textos essa faceta de superioridade e autoridade suprema dos comentaristas é o tema principal. Ao ver esse mesmo tipo de reação partir de dentro do gramado, ao vivo, conclue-se que há realmente algum tipo de reverberação.

Seria bom que os jornalistas e comentaristas tivessem mais cuidado ao tecer seus comentários, para evitar que cenas como estas se repitam:

Eu, na minha reles posição de telespectador, nem considero necessário que haja comentarista esportivo numa partida de futebol. Havia essa necessidade no caso do rádio, onde não se tinha acesso às imagens, mas na televisão? pra que? eu vi que foi pênalti. Eu vi que a bola saiu, que o jogador X está jogando mal. Inútil. Lembro de uma vez em que um jornalista foi até o treino do Flamengo em Resende. O lateral Fábio Baiano o viu, abandonou o gramado e o agrediu. Após, ao dar sua versão da briga, disse: “É muita cara de pau esse cara escrever um monte de M**** a meu respeito, criticar meu trabalho e depois vir aqui mostrar a cara”. Pois é.  O Jair Picerni também se irritou certa vez:

Quem fala o que quer…

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ÚLTIMA CHAMADA PARA A PALESTRA

segunda-feira, agosto 24, 2015 Deixe um comentário

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LEME divulga vídeo com o pesquisador Fernando Segura M. Trejo

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) realizou uma entrevista com o pesquisador e sociólogo Fernando Segura M. Trejo, que nasceu no México, cresceu na Argentina e utiliza o futebol como objeto de sua pesquisa.

Neste primeiro vídeo, Fernando conta sobre sua trajetória acadêmica e sobre sua pesquisa, que gira em torno de dois temas: futebol e desenvolvimento social e a violência no futebol.

Todos os vídeos gravados pelo LEME podem ser assistidos em nosso canal no YouTube.

Vamos torcer!

sexta-feira, agosto 14, 2015 Deixe um comentário

Por Mattheus Reis, aluno do 2º período da graduação de Comunicação Social da UERJ.

O dia 5 de agosto de 2015 marca a reta final dos preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016. Os olhos do mundo se voltarão novamente para a cidade do Rio de Janeiro daqui a aproximadamente um ano. Após sediar no ano passado a grande final da Copa do Mundo em julho de 2014, o Maracanã será palco principal do maior evento esportivo do planeta. Ciente da responsabilidade de sediar a competição pela primeira vez na América do Sul, a cidade está definitivamente em obras, que causarão mudanças em questões como a mobilidade urbana. Apesar disso, o planejamento e o legado são alvos de inúmeras críticas, concentradas, sobretudo, em relação à poluição na Baía de Guanabara e na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Conforme era o esperado, as despoluições da Baía e da Lagoa, prometidas quando a cidade se candidatou a sediar os jogos, dificilmente serão concluídas e se tornaram um grande problema para o Comitê Organizador dos Jogos. Os locais onde serão disputadas as provas de iatismo e remo em 2016 somente poderão ter sua biodiversidade recuperada após contínuos projetos de combate ao lançamento de esgoto e de resíduos sólidos nas águas e mananciais da região metropolitana; um esforço que pode levar 20 anos para ter seus primeiros resultados concretos vistos, conforme afirmou recentemente a ministra do meio-ambiente Izabella Teixeira.

Fonte: Globoesporte.com

Apesar de a porcentagem de esgoto lançado in natura, ou seja sem nenhum tratamento, na Baía ter diminuído de 83% para 51% nos últimos 8 anos, segundo o governo do estado do Rio de Janeiro, inúmeros velejadores - motivados tanto por vantagens quanto pela saúde dos atletas - e a Federação Internacional de Iatismo apelaram aos comitês Olímpico Internacional e Organizador dos Jogos pela mudança do local das competições.

Diante de tantos problemas pelos quais o Brasil enfrenta em termos de qualidade de serviços públicos e desigualdade social, os Jogos Olímpicos no Brasil acabam sendo vistos como algo “supérfluo”. Quem nunca ouviu verdades do tipo “Os recursos poderiam ser destinados ao que realmente importa, como a educação e a saúde.”?  É preciso destacar, no entanto, que, mesmo em tempos de ajuste fiscal e aperto nos gastos, os cidadãos brasileiros pagam uma das maiores quantidades de impostos do mundo. Não é preciso ser um renomado analista de finanças públicas para perceber a possibilidade de se conciliar demandas diversas, seja a de um megaevento ou a de desenvolvimento social e sustentável desde que os recursos sejam administrados de forma planejada, correta e honesta. Perdemos por ano mais de 200 bilhões de reais por conta da falta de planejamento, da corrupção e do desperdício do poder público. Os Jogos Olímpicos no Rio estão orçados, a princípio, em 38 bilhões de reais, valor custeado não só pelo poder público, mas também pela iniciativa privada. Se existe algum vilão nessa história, não são unicamente os Jogos Olímpicos.

As Olimpíadas e o esporte como um todo, trazem em si uma mensagem de superação, sendo um dos últimos elementos restantes de união e confraternização entre as nações do mundo. Além disso, eventos desse porte podem ser catalisadores de transformações sociais e urbanas. Barcelona, sede em 1992, é um exemplo do que pode–se dizer “antes e depois dos Jogos”. Aos “trancos e barrancos”, ‘a cidade maravilhosa’ e, agora, ’olímpica’ tenta fazer o mesmo, sem sabermos, porém, se terá o mesmo sucesso.

No âmbito esportivo, o Comitê Olímpico Brasileiro espera colher bons resultados do pesado investimento feito a partir de 2012 com a finalidade de melhorar o rendimento de atletas, principalmente aqueles cujas modalidades praticadas não possuem tanta tradição no país e notórios resultados em competições internacionais. A partir da contratação de profissionais estrangeiros, do desenvolvimento da infraestrutura de treinamento e de bons resultados vistos nas recentes competições internacionais, quando modalidades como a canoagem conquistaram medalhas inéditas, o objetivo traçado de que o Brasil figure entre os 10 melhores países no quadro geral de medalhas pode vir a se concretizar, o que seria a sua melhor participação na história das Olimpíadas. Essa expectativa é, no entanto, apenas um detalhe diante da necessidade de uma vitória ainda maior.

Os Jogos Olímpicos para o Brasil e para o Rio de Janeiro, mais precisamente, devem ser um fator responsável por acelerar mudanças na qualidade de vida e na infraestrutura da cidade, provar a capacidade do país em organizar grandes eventos e, acima de tudo, inserir de vez nos debates políticos e públicos uma cultura esportiva, que zele tanto pela saúde e bem-estar da população quanto pela inclusão social e formação de novos atletas. Diante das dificuldades enfrentadas por muitos jovens, eles já são campeões na vida e poderão ser, quem sabe, vitoriosos também nos campos, nas quadras ou tatames. Os brasileiros, mesmo que em cima da hora, como aconteceu na Copa do Mundo, farão a sua parte e torcerão pelos atletas do país a partir de 5 de agosto de 2016. Vamos torcer – e cobrar – ainda mais para que a cidade do Rio de Janeiro, infelizmente uma das mais violentas do mundo, comece a ser, daqui a um ano, maravilhosa de fato.

Entrevista com Óscar Washington Tabárez

segunda-feira, agosto 10, 2015 Deixe um comentário

Entrevista de Óscar Washington Tabárez, ex-jogador e Técnico da Seleção Uruguaia de Futebol desde 2006, concedida no Complejo Uruguay Celeste, centro de treinamento de todas as seleções uruguaias, em 29 de julho de 2015.

Durante esta segunda passagem pela Seleção principal implementou e gerencia o projeto de sua autoria: “Institucionalização dos processos das seleções nacionais e da formação do seus atletas”, que visa fixar objetivos, critérios e ações comuns em todo o espectro do futebol uruguaio, a partir das seleções de base (sub-15) até a Seleção Nacional. Este projeto se mostrou eficiente, e após dirigir a Seleção Nacional por mais de 150 jogos, obteve um quarto lugar na Copa do Mundo de 2010, conquistou pela 15a. Vez a Copa América de 2011, disputada na Argentina, onde também ganhou o troféu Fair Play, mudando o estigma de “violento” que recai sobre o Uruguai.

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Lançamento de novo livro organizado por membros do blog

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Ensaios debatem o esporte sob a perspectiva de Hans Ulrich Gumbrecht

Hans Ulrich Gumbrecht é considerado um dos mais importantes intelectuais alemães da atualidade. Com formação em teoria literária, sua atuação abrange diversas disciplinas, como história e filosofia, demonstrando-se sensível também aos fenômenos esportivos do mundo contemporâneo. Por sua complexidade, seu legado também se faz útil à área de comunicação, o que pode ser constatado em Esporte e mídia: novas perspectivas – a influência de Hans Ulrich Gumbrecht, livro organizado por Ronaldo Helal e Fausto Amaro, lançamento da Editora da UERJ.

A obra traz 11 artigos com reflexões sobre o mundo do esporte que se utilizam, em alguma medida, das contribuições do pensamento gumbrechtiano. São abordados aspectos como o engajamento das torcidas, a transmissão televisiva, a experiência estética do futebol no cinema brasileiro e o fascínio da seleção brasileira.

O próprio Gumbrecht assina um dos capítulos, “Perdido numa intensidade focada: esportes e estratégias de reencantamento”, publicado originalmente na revista Aletria (letras/UFMG) e cedido pelo autor para o livro da Editora da UERJ. Em sua reflexão, ele procura entender por que o esporte tem um apelo tão forte. Em sua visão, o espetáculo esportivo consegue dissociar-se do cotidiano, construindo instantes de epifania, como o da bela jogada, que “começa a desaparecer no exato momento em que acontece”. Nessa perspectiva, a atividade esportiva remete à procura da superação de limites pessoais e à busca pela perfeição, viés que muitas vezes se sobrepõe ao da competição. A experiência estética do esporte é ressaltada, indo em direção oposta à dos intelectuais que desconfiam de manifestações oriundas das classes mais populares ou daqueles que acreditam só ser possível encontrar valor artístico em museus e galerias.

Ao contrário de pensadores que consideram o esporte alienante ou descartável, por se fixarem em uma leitura do paradigma de indústria cultural da Escola de Frankfurt, Gumbrecht elenca aspectos estéticos e culturais de atividades como o futebol, sugerindo novos campos de pesquisa. Nessa empreitada, alia o domínio em teoria literária a sua experiência tão ampla quanto diversificada como espectador de eventos esportivos. Sua observação muitas vezes é feita a partir de uma perspectiva kantiana, mas sem se limitar a ela.

Vale ressaltar que o trabalho intelectual de Gumbrecht abrange múltiplos temas, em áreas diversas, podendo ir da política a questões relativas à cultura, esporte ou à filosofia. Entre os seus livros está “Corpo e forma”, de 1998, lançado pela EdUERJ.

O lançamento de Esporte e mídia está em sintonia com o momento por que passam os fenômenos de característica midiática. O compartilhamento de vídeos, as crescentes comunidades de fãs virtuais e a possibilidade de manusear material audiovisual no metrô ou no ônibus, por intermédio de smartphones, ocasionaram uma estimulação de tal amplitude que alavanca os atletas a astros populares, redimensionando a importância dos esportes em nossas vidas.  Para os estudiosos da comunicação, analisar a interface esporte e mídia em nossa época é um desafio que se faz cada vez mais premente.

Fonte: Blog EdUERJ

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