Laboratórios da UERJ se unem para realizar um ciclo de debates e leituras

quarta-feira, setembro 17, 2014 Deixe um comentário

Atendendo à convocação para “ocuparmos” esse novo e já bem-sucedido espaço cultural da UERJ, localizado em Botafogo, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) e o Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (LACON) se uniram para realizar um ciclo de leituras e debates a partir de aulas sobre as mais diferentes temáticas dentro do eixo “Megaeventos, Esporte e Cultura”. O evento almeja reunir pessoas interessadas em aprender e dialogar sobre temas caros aos habitantes das cidades contemporâneas, em especial o Rio de Janeiro, sede da Copa do Mundo desse ano e dos Jogos Olímpicos em 2016. Para isso, reunimos um corpo de pesquisadores-doutorandos e professores de ambos os laboratórios.

O curso fornecerá aos alunos conhecimentos introdutórios sobre os estudos sociocomunicacionais em Esportes e Megaeventos – dois fenômenos associados às cidades contemporâneas. Para abordar essas temáticas contaremos com a presença do professor Ronaldo Helal (especialista em sociologia do esporte e das relações entre mídia e futebol) e do professor Ricardo Freitas (estudioso dos megaeventos e também dos espaços de consumo urbanos). Os orientandos de doutorado e mestrado de ambos os professores completarão a programação, apresentando temas relacionados às suas pesquisas em andamento.

Alguns dos assuntos que serão abordados: Copa do Mundo e narrativas jornalísticas; a publicidade em períodos de Copa do Mundo; cobertura midiática dos Jogos Olímpicos; a presença da música na cidade do Rio; curta-documentários que têm a cidade como pano de fundo. As leituras sugeridas, bem como outros materiais complementares, serão disponibilizadas àqueles que se inscreverem no Ciclo. As aulas terão duração máxima de duas horas.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.casadirce.com.br ou pelo telefone 2334-8727.

Para maiores informações e para conhecer um pouco melhor os professores e seus orientandos acesse Release CASA DIRCE CORTES RIEDEL.

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Imprensa pode comentar a violência dos estádios com isenção ?

Por Juan Silvera

Qual o grau de  responsabilidade que a imprensa esportiva em geral tem perante as atitudes do torcedor no que tange à violência desencadeada por resultados adversos, erros de arbitragem e outros componentes “naturais” que desagradam e frustram as expectativas dos mesmos?

Assistindo ao videoteipe da transmissão da partida válida pelas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Londres 2010 entre as seleções de Brasil e Coreia do Sul, esta foi prejudicada em duas oportunidades  em que a arbitragem deixou de marcar  faltas grosseiras contra o time do Brasil, faltas estas cometidas  dentro da grande área, o que caracterizaria penalidade máxima. A primeira falta ocorreu aos 15 minutos do primeiro tempo – o zagueiro Juan levantou exageradamente o pé e acertou a cabeça do atacante asiático. Aos 3 minutos do Segundo tempo, Sandro derruba Bokyung Kim na área, falta mais clara que a primeira, mas o juiz da República Tcheca, nas duas oportunidades, mandou continuar o jogo, fatos que  certamente mudariam o desenlace da partida.

Após pesquisar na mídia da época, somente encontrei um artigo do jornalista Carlos Padeiro, da Uol (Universo on Line), comentando os erros do juiz Pavel Kralovec. Os outros comentaristas apelaram para a  dúvida de interpretação  e os fatos foram esquecidos. Dúvida é prerrogativa  exclusiva do árbitro que tem frações de segundo para decidir e um só ângulo de visão.

A imprensa tem à sua disposição tempo e recursos tecnológicos para dissipar dúvidas. O auxilio tecnológico vai desde o número de câmeras de grande alcance com altíssima definição e câmera lenta (na Copa do Brasil 2014 foram 34 câmeras)  a recursos espetaculares de computação gráfica, que permitem o esclarecimento de qualquer lance praticamente em tempo real.

Num segundo momento, os mesmos jornalistas fizeram severas críticas ao técnico da  equipe chinesa de ginástica que insinuou ter havido favorecimento ilícito a favor do Brasil na decisão da medalha de ouro, na modalidade argolas. Foi chamado entre outros adjetivos de  “mau perdedor “,  o que me leva à reflexão de que se existe mau e bom perdedor, teria de ter também mau e bom ganhador.

Uma decisão que nos favorece sempre leva em consideração  fatores humanos. Isenta o árbitro que não conta com o  “replay” ou estava no momento do lance numa posição desfavorável ou com a visão obstruída, já os erros que nos prejudicam trazem à tona a péssima preparação dos árbitros iluminando  a falta de caráter de quem cometeu a falta; isto, se o autor não estiver vestindo a amarelinha, com ela falta de caráter vira malandragem, expertise.

Puxando pela memória, lembro-me de alguns exemplos históricos como os gols convertidos com a mão (uma de Deus) de Maradona contra a Inglaterra no estádio Azteca, em 22 de junho de 1986, pelas quartas de final da Copa do México, e outro do Túlio Maravilha contra a Argentina pelas quartas de final Copa América de 1995 no estádio Atilio Paiva de Oliveira, em 17 de julho de 1995, na cidade de Rivera, Uruguay.

O primeiro é lembrado até hoje como falta de caráter  e entra em pauta diversas vezes ao ano, numa tentativa de nunca apagar da memória do torcedor tremenda falcatrua (na Web encontrei mais de 210.000 citações), falta de espírito esportivo, deslealdade e péssimo exemplo para as gerações de atletas em formação. O outro (o do Túlio) virou uma peça do folclore, amplamente festejado até por ter sido cometido contra um arquirrival. Na transmissão da Globo Galvão Bueno diz: “Ele foi malandro” “Os argentinos vão chorar durante um mês” “Túlio é Maravilha até com o braço isso reforça  a frase de sua autoria: “Ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é melhor ainda”. Mauricio Torres no programa Galeria Gol comenta …se com o pé ele desperdiça, com o braço ele é brilhante! Maravilha de braço!”.

A ajeitada “manual” que o francês Thierry Henry realizou antes do passe para o gol de Gallas nas eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul,   que tirou a Irlanda da competição, foi catalogada como vergonha nacional para os Blues. Irlanda Roubada, diz a manchete do blog de Juca Kfouri e continua: A Irlanda foi vergonhosamente garfada em Paris e perdeu vaga na Copa de 2010 para a França graças a um gol que nasceu de uma matada com a mão de Henry. Tão clara que o francês merece ser punido com a proibição de embarcar para África do Sul”.

Já na ajeitada do  Fabuloso Luís Fabiano contra a Costa de Marfim, na Copa da África do Sul,  o mesmo jornalista escreveu: “Luís Fabiano acaba de fazer um gol de Pelé, simplesmente com três chapéus!!! Aos 5. (E com uma matada no braço, admitamos…)” e no final da matéria ao dar nota ao elenco brasileiro escreve: “Luis Fabiano; fez dois gols, um com três chapéus (que anula um braço….) nota 8” , já Tadeu Schmidt no programa Fantástico parafraseia o Hino Nacional e diz: “Puxa no braço, Luís Fabiano! Domina no braço essa desgraçada!”,  “É o gol conseguimos conquistar com braço forte.”,  “Luís Fabiano é o Jabulani cheia da semana”.

A entrada “criminosa” de Maradona em Batista, do Brasil, na Copa de 1990 na Itália contrasta com  a    “precipitação”,  de Felipe  Mello, ao “atingir”  Robben, da Holanda, no jogo de despedida do Brasil nas quartas de final  da Copa de 2010, segundo os comentários da imprensa.

A imprensa tem a obrigação de comentar todas estas ações  e tratá-las com igualdade e imparcialidade, do contrário é um incentivo à ideia de que levar vantagem é bom  e a desabilita a criticar a violência nos estádios com isenção, além de  outorgar-lhe uma dose de culpa pela mesma.

 

 

 

A cobertura da Copa do Mundo de 2014 em debate. Um passo para uma terceira realidade.

quarta-feira, outubro 15, 2014 Deixe um comentário

Como a maior parte dos leitores deste blog já sabe; no final de setembro, os integrantes do LEME organizaram um ótimo evento acadêmico para debater o legado da Copa de 2014, que contou com a presença de importantes pesquisadores brasileiros e estrangeiros, oficinas de jornalismo esportivo e um fórum com a discussão de trabalhos de jovens pesquisadores, lotando a sala da RAV no décimo andar da Faculdade de Comunicação da UERJ. Gostaria de primeiramente parabenizar os participantes e responsáveis pela iniciativa e agradecer o acolhedor ambiente do seminário.

Entretanto no presente post, farei outra abordagem mais opinativa sobre a mesa onde se reuniram experientes profissionais do jornalismo esportivo no país com a finalidade de debater a cobertura do torneio realizado no Brasil justamente pelo fato da mesma ter a finalidade de aproximar a Academia do que seria o mundo concreto, real, sensível imperfeito da luta cotidiana dos jornalistas em busca de audiência. Quem quiser ver ou rever um outro relato mais objetivo da mesa, este foi muito bem feito por Gabriel Py neste mesmo espaço.

Muitas vezes parece que temos de superar no “mundus academicus” uma espécie de romântico dualismo platônico em que os pesquisadores viveriam no mundo ideal, puro e inteligível para a maior parte dos cidadãos comuns e os jornalistas representariam simulacros, pálidas imperfeições dos valores ideais do esporte: ética, fair play e o mítico caráter lúdico que possivelmente nem existia nos jogos com bola da Idade Média e ainda mais em pleno século XXI.

Neste sentido, a mesa moderada pelo professor da UFJF Márcio Guerra, e composta por Sidney Garambone da Rede Globo de televisão, Marcelo Barreto do canal fechado SPORTV e Lúcio de Castro da ESPN Brasil, além da louvável presença feminina da responsável pelo acervo e documentação da Rádio GLOBO, Wanessa Canelas, proporcionaram um campo aberto para um intenso debate que pode ajudar a refletir nas possibilidades de interação entre o mundo das ideias universitárias e a realidade da pratica jornalística no esporte.

A apresentação de Garambone foi leve, descontraída, fugaz. A exibição de um vídeo claramente institucional ensejou uma espécie de discurso oficial que também é oportuno para o debate. Na minha opinião, o palestrante poderia ter sido mais veemente nos seus argumentos ou ter abordado questões políticas e econômicas das grandes corporações, visto que é um especialista em Relações Internacionais e tem grande experiência no assunto.

Como já tinha assistido a uma palestra muito interessante dele alguns anos atrás, acho que em um evento sobre Globalização no Museu Histórico Nacional, confesso que fiquei um pouco decepcionado, mas entendo que o tema e a proximidade do evento, bem como o “local da onde se fala” dificultaram sua exposição.

Todavia, reitero o fato de que o olhar oficial da empresa que é a majoritária no mercado midiático brasileiro obviamente precisa ser compreendido e estudado independentemente de questões ideológicas ou opiniões pessoais dos pesquisadores, além do que, as inovações tecnológicas da cobertura abordadas na apresentação, bem como as preocupações geradas com a forma de lidar com o tema no contexto político da realização do torneio também são relevantes no debate sobre a cobertura do evento.

Wanessa Canelas da Rádio Globo apresentou questões relativas à pesquisa e ao acervo da instituição, acionando a memória de antigos locutores esportivos de rádio e do “imortal” José Carlos Araújo, o Garotinho, a partir de um vídeo com importantes gols e narrações das conquistas brasileiras nos cinco mundiais. O ambiente na sala, muito bem decorada desde o início do Seminário com camisas retrô de grandes seleções da História do futebol mundial se transformou praticamente em uma arquibancada com sorrisos emocionados e expressões nostálgicas.

O terceiro convidado foi o carismático apresentador do SPORTV Marcelo Barreto. Sua exposição foi divertida e declaradamente improvisada. Ele falou das suas experiências na cobertura das Copas anteriores da Alemanha e África do Sul, apontou aspectos positivos e negativos de se trabalhar diretamente em um megaevento esportivo, relatou curiosidades e falou da sua emoção em trabalhar em um torneio no Brasil e ter a oportunidade de compartilhar este fato com seu filho que se não me falha a memória está com seis anos.

Foi uma apresentação cativante que anunciou a possibilidade de se encaminhar um debate mais específico sobre o tema, pois paralelamente aos seus casos particulares, o palestrante abordou o papel profissional do jornalista esportivo nesses megaeventos.

A última fala coube ao polêmico e contestador colega Lúcio de Castro. Conheço o Lúcio faz anos. Como ele próprio lembrou foi meu veterano no final do século passado no curso de História da UFRJ. Independentemente da nossa antiga amizade admiro sua franqueza, bem como a paixão que tem pela profissão e por trabalhar com reportagem investigativa. E Lúcio veio para a mesa como dinamite!

Primeiro afirmou de forma categórica que assim como a seleção foi humilhada pela Alemanha na semifinal disputada em Belo Horizonte, a cobertura da Copa pelas emissoras brasileiras também teria sofrido uma goleada moral durante o evento. Citou a omissão generalizada em todos os veículos da denúncia de falta de treinamento da Família Scolari, criticou a permanência na concentração de uma TV privada da CBF com cerca de 25 integrantes invadindo a privacidade dos jogadores durante o torneio, além da própria liberdade que o helicóptero de Luciano Huck teria para adentrar na concentração da seleção brasileira.

Seu segundo argumento retórico buscou desconstruir a famosa dicotomia entre o bem e o mal no jornalismo esportivo, não se utilizando da sua posição simbólica de integrante de uma emissora fechada considerada por muitos telespectadores mais crítica, para afirmar que o problema não é o local em que se trabalha, pois estamos diante de um jogo de grandes corporações, mas a atitude dos homens. Em todos os canais abertos e fechados, os interesses oriundos do processo de mercantilização do desporto serão uma realidade com a qual os jornalistas terão que lidar. Caberá a cada um buscar as brechas no sistema para tentar desenvolver um trabalho de melhor qualidade investigativa e de consciência política caso tenham realmente este desejo.

Para finalizar Lúcio bradou que o ponto principal nesta discussão é a questão dos direitos de transmissão sobre os megaeventos esportivos. As disputas de mercado, seja no exterior ou no Brasil passam pelo debate em cima da exclusividade ou não dos direitos de transmissão. Tanto na tv aberta, quanto na fechada este é o pomo da discórdia, o calcanhar de Aquiles das grandes corporações.  Subliminarmente entendi que a atitude dos homens deve ser para buscar democratizar esta questão independentemente do canal X, Y ou Z.

Com o final das palestras, o debate foi acalorado, os estudantes vibraram com as apresentações e intervenções, as respostas ampliaram a discussão e a impressão que fiquei, é que retornando a Platão, é necessário tanto para os jornalistas, quanto para os acadêmicos saírem da caverna para buscar encontrar a luz do conhecimento.

Aproximar os dois mundos hipotéticos platônicos pode ser o caminho para superar esta dualidade existente entre o discurso teórico acadêmico e a realidade factível dos jornalistas esportivos. A instigante mesa apresentada nas linhas acima foi um pequeno passo na direção de uma terceira realidade crítica possível. Será possível chegar ao “Demiurgo” midiático?

TIRO NO PÉ

Por Juan Silvera

Na dramaturgia, o conflito cumpre função de relevante importância no enredo da historia, cabe a ele o papel de prender a atenção do leitor ou espectador, assim determinando o sucesso ou não do espetáculo. Sem conflito o desinteresse impera.

Este pode  ser afetivo, emocional, intelectual, físico ou a combinação de alguns deles, só não pode ser banal, “manjado”, tem que ser inesperado, surpreendente,  ele vai ditar o ritmo e a intensidade. Com certeza imprimirá no espectador sensações divergentes. Quando explorado com inteligência e perspicácia, ultrapassa o seu próprio ambiente, suscita comentários e gera as polêmicas oriundas dos diferentes pontos de vista dos espectadores. Brincando, diria que dá a luz  a um meta-conflito travado quase que invariavelmente na realidade de uma mesa de bar ou no conforto do sofá da sala após a cena final.

Portanto, o conflito é duplamente importante: ele prende a atenção do espectador e, a troca de impressões no ambiente externo, gera novos espectadores num círculo virtuoso. Em nada prejudica o espectador, pelo contrário, dá a possibilidade de trocas sociais enriquecedoras, apesar da pluralidade de opiniões.

O esporte de alto rendimento como espetáculo de linguagem universal, interpretado de forma idêntica independentemente de costumes, raças, idiomas e cultura, atingiu hoje níveis de excelência, onde se viu impelido a recrutar equipes multidisciplinares de profissionais de apoio e incorporar a tecnologia no auxílio da arbitragem para torná-lo mais atraente e sério. Contrariamente à dramaturgia, tenta extirpar os conflitos culturais – erros induzidos, alheios à prática do esporte, geralmente erros de arbitragem – do seu âmbito.

Cada dia, mais esportes são transmitidos ao vivo pelas redes de televisão no mundo, criando novos adeptos, novos praticantes, gerando novos produtos e empregos, alimentando a cadeia de consumo. O conflito neste caso atua negativamente dando instabilidade ao cronograma das emissoras onde a máxima “time is money” é fato.

O futebol, esporte de maior penetração neste planeta, é um dos poucos que ainda persiste em manter os conflitos, os utiliza como alimento para rádio, jornais, revistas especializadas e para as emissoras de televisão que fazem deles combustível para programas de discussões acaloradas e inúteis reflexões redundantes, onde sabidamente o prêmio para quem chegar à solução é a morte da discussão.

Uma obra prima, oriunda de uma jogada genial de um craque, não pode ser considerada conflito e rende, no máximo, duas fotos, algumas linhas mais inspiradas de texto, o replay de vários ângulos e só.  Já um gol de mão ou um pênalti não marcado geram conflitos que se desdobram em outros eventos incluindo ali a violência e brigas de torcedores, que multiplicam a pauta da mídia, quando não colaboram também com o obituário.

Até onde o apoio maciço da mídia à incorporação da tecnologia no futebol seria um tiro no próprio pé?

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NFL e a política de “vista grossa”

terça-feira, setembro 30, 2014 Deixe um comentário

Em Fevereiro deste ano o jogador de futebol americano Ray Rice foi acusado de agredir sua então noiva, hoje esposa, Janay Palmer em um elevador do Revel Cassino em Altantic City. Nesta época apenas o vídeo de Ray arrastando o corpo inconsciente de sua noiva para fora do elevador havia sido divulgado pela mídia. No mês seguinte o jogador foi indiciado por lesão corporal qualificada em terceiro grau, e em Maio foi aceito num programa de reabilitação pré-julgamento a fim de evitar um processo.

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John Harbaugh técnico dos Baltimore Ravens, naquele momento time de Ray, defendeu o jogador dizendo que “quando a pessoa bebe demais em público, coisas desse tipo podem acontecer”.  A poderosa NFL suspendeu Ray por dois jogos. Só para se ter uma ideia Josh Gordon foi suspenso por um ano e Justin Blackmon foi suspenso indefinidamente, punidos por uso de substância ilícita (maconha). Foi então que o mundo do futebol americano foi abalado com a divulgação de um novo vídeo mostrando Ray dando um soco no rosto da noiva deixando-a inconsciente. A partir desta divulgação a NFL e os Ravens declararam-se envergonhados, Ray foi demitido e suspenso indefinidamente pela NFL.

Agora eu lhe pergunto por que foi necessária a divulgação do vídeo da agressão para que tanto NFL quanto Ravens tomassem medidas mais rigorosas? Ninguém, dessas duas entidades, havia visto o vídeo antes da divulgação? Qual a diferença entre saber da agressão e ver a agressão? Ray Rice já havia sido preso e confessado a agressão.

Casos de violência doméstica não são incomuns no esporte. Ray MacDonald, do San Francisco 49ers, foi preso recentemente acusado de agredir a namorada grávida; Adrian Peterson, do Minnesota Vikings, foi acusado de agredir o filho de quatro anos. Sem contar os casos brasileiros, como por exemplo em 2010 quando  o então jogador de futebol Adriano teria mandado amarrar a namorada a uma árvore; ao ser questionado, em entrevista, sobre essa situação Bruno, ex-goleiro do Flamengo, afirmou “Em briga de marido e mulher não se mete a colher, xará”, e ainda completou, “quem nunca saiu na mão com uma mulher?”. Bruno está preso acusado de mandar matar Elisa Samúdio,  com quem havia tido um caso.

Um estudo realizado em 2013 pelo Instituto e Marketer mostrou que 47% dos telespectadores da NFL são mulheres entre 25 a 44 anos. E apesar de já ter começado a adotar medidas direcionadas a essa fatia de mercado a NFL perdeu uma cara oportunidade de se posicionar contra a violência contra a mulher, e percebeu isso ao iniciar uma discussão sobre mudanças nas penas para futuras ocorrências. De acordo com o noticiado pelo Washington Post no último dia 13 de Setembro, quem for flagrado em primeira ofensa poderá ser suspenso por até seis jogos, enquanto o reincidente poderá ficar fora da Liga por um ano. Contudo a política de vista grossa adotada pela NFL não agradou e colocou uma mancha na história da Liga que vai ser difícil de ser apagada.

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Palestra de encerramento com Samuel Martínez e Hugo Lovisolo

O pesquisador Hugo Lovisolo (Uerj) abriu a palestra falando sobre as identidades e como suas diferenças estão relacionadas às disputas de poder. As identidades não são uma invenção e as narrativas acabam por “lapidar” o sujeito. Sobre as identidades clubísticas, lembra que não temos como teorizar os motivos que levam uma pessoa a torcer por determinado time.

Após esta breve introdução, Lovisolo teceu comentários sobre o México, para apresentar o pesquisador Samuel Martínez (Universidad Iberoamericana de México). Martínez deu início à palestra com tema “La Selección Mexicana de Futbol durante la Copa del Mundo Brasil 2014” falando sobre a Copa enquanto uma concentração de indústria verticalizada.

A Copa do Mundo pertence a um modelo vertical, e tem seu potencial de espetáculo explorado através do sentimento nacionalista que desperta. Segundo ele, os grandes eventos que implicam em transformações urbanas, não datam de mais de 30 anos e foram impulsionados pelo espírito ganancioso de busca pelo poder. Os mega eventos surgem como uma nova segmentação do mercado, um novo tipo de capitalismo com o intuito de mostrar às outras nações o seu poder na realização de um bom evento e reforçando assim, seu nacionalismo.

O palestrante discorreu sobre a seleção mexicana ser um símbolo laico, pois não pertence ao Estado e sim, a uma organização particular, no caso a FMF (Federección Mexicana de Futbol). As seleções representam suas nações simbolicamente e os atletas tentam convencer a audiência de que sua equipe é a melhor. Uma das peculiaridades no caso da seleção mexicana é o fato da FMF ser controlada pela Televisa, o maior conglomerado midiático do México. Isto reforça a imagem e o uso do futebol como um produto de entretenimento e logo, um produto econômico, vendável.

A seleção mexicana é a única que possui dois mercados econômicos: uma para os mexicanos que vivem em seu país e outro para os mexicanos que vivem nos Estados Unidos. Também registra um grande público em jogos fora de casa, levando em consideração o poder aquisitivo dos mexicanos que moram nos EUA. Com todas as dificuldades na imigração para os EUA, não é de se admirar que os mexicanos considerem os Estados Unidos seu maior rival em competições.

O México passou por constantes mudanças de técnicos e passou para o Mundial apenas na repescagem, ironicamente, graças a uma vitória dos Estados Unidos. No pré-Copa, os meios de comunicação repercutiram a possibilidade da seleção mexicana não disputar o Mundial e a vaga foi bastante comemorada por lá.

O palestrante ainda comentou sobre a história política do México, que por muitos anos teve apenas a Virgem de Guadalupe como símbolo nacional e o surgimento de novos símbolos nacionalistas. O México vivenciou uma ditadura de 30 anos, que trouxeram crescimento econômico e político, a base de muita opressão das classes mais baixas. A mudança deste cenário só foi possível com a Revolução Mexicana que enfraqueceu o regime anterior, instaurou o populismo e trouxe crescimento dos meios de comunicação de massas.

No México, o futebol não ocupava um espaço tão importante para a formação de sua identidade nacional, outros esportes como a luta-livre e o beisebol tinham maior foco. A partir dos anos 90, este cenário mudou graças aos meios de comunicação que enxergaram o potencial de marca presente no futebol. A seleção hoje ocupa um lugar importante na identidade do povo e é vista como símbolo de esperança num país melhor e competitivo, apesar de alguns enxergarem a seleção como objeto de manipulação.

Graças à televisão, o futebol tem crescido no mercado, em audiência junto com telenovelas e produtos cômicos como “Chaves”, ou seja, o papel da Televisa foi crucial neste processo. A Copa do Mundo de 2014 foi vivenciada de forma intensa pelos mexicanos, desde os obstáculos ultrapassados para garantir a vaga, os jogos disputados durante o Mundial e a desoladora volta pra casa. Mas, a identificação nacional que foi construída ao longo do tempo, garante que sentimentos como este ressurgirão daqui a quatro anos e quiçá com melhores resultados.

* Mais fotos podem ser conferidas na página oficial do LEME no Facebook.

Por Nathália Corrêa Costa, graduanda de Relações Públicas na UERJ.

Debates com jornalistas encerrou as mesas de debates do I Seminário Internacional do LEME

O tema da última mesa de debates do “Seminário Internacional – Copa do Mundo, Mídia e Identidades Nacionais” foi a cobertura das Copa do Mundo. O evento realizado na Faculdade de Comunicação Social da UERJ, foi organizado pelo Laboratório de Estudos em Mídia e Esportes e aconteceu entre os dias 24 e 26 de setembro. Debatendo a respeito nesta mesa, os jornalistas Sidney Garambone, Wanessa Canellas, Marcelo Barreto e Lúcio de Castro levantaram questões e propuseram reflexões de muito proveito acerca da temática. O responsável pela mediação foi Márcio Guerra, pesquisador e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Márcio iniciou a sequência de falas dos convidados descontraindo a todos ao citar a presença de alguns ouvintes vestidos com camisas de clubes pequenos do Rio de Janeiro, dizendo não ser todo dia que se vê tal situação e que com certeza as discussões já começariam com o pé direito.

Em seguida, guerra anunciou o primeiro a falar: Sidney Garambone, jornalista formado pela UFRJ e profissional da TV Globo. Sua apresentação inicia com a exposição de um vídeo institucional da Rede Globo – produzido pelo próprio e sua equipe – a respeito de todos os números que a emissora de televisão alcançou na Copa de 2014. O passo a passo da maior cobertura já realizada pela imprensa brasileira em um evento esportivo explicado por números bastante chamativos. Ao término do vídeo, Garambone lembrou da preocupação que era constante para ele e sua equipe, encontrada no perigo do exagero e saturação de pautas a respeito do assunto “Copa”, podendo levar o público ao desinteresse. Outra preocupação lembrada pelo editor foi com as manifestações das ruas, que deram a tônica nos dias de realização da Copa das Confederações do ano passado. Mas, ao contrário do que se pensava, tanto em relação à saturação de informações, quanto em relação a manifestações, os riscos acabaram por não acontecer.

Ao fim da fala de Garambone, Marcio Guerra passou a palavra a Wanessa Canellas, Doutora em Memória Social pela Unirio e, desde 2004, coordenadora da área de Documentação e Pesquisa do Sistema Globo de Rádio. A voz radialista do debate começou qualificando a cobertura, que começou há quatro anos atrás para ela e sua equipe, como “punk”. Os detalhes, a logistica, as planilhas, os acontecimentos que continuam a ocorrer paralelamente ao evento. Tudo isso, segundo ela, engrossa o caldo informativo do Brasil e do mundo, exigindo uma velocidade enorme das emissoras em repassar notícias quentes.

A missão de seu trabalho em recuperar arquivos antigos de transmissões clássicas do esporte é a de ser útil a todos os jornalistas de todas as mídias. Matérias especiais contrapondo momentos históricos das Copas com a que seria realizada no Brasil puderam ser fomentadas graças a disponibilidade dos arquivos resgatados.  O trabalho só foi possivel, lembrou Wanessa, graças ao investimento das Organizações Globo e aos avanços da tecnologia contemporânea, que acabaram por trazer de volta uma historicidade necessária para o futebol brasileiro.

- Todo material histórico precisa estar disponivel. Todo jornalista precisa deste anteparo. E só a Copa do Mundo pode proporcionar isto com os investimentos inerentes a ela. Com cerca de 90% dos acervos recuperados, a Rádio Globo tornou-se a principal fonte de pesquisa de materiais radiofônicos e de futebol. É uma conquista para a empresa, que fez o esforço para isto acontecer – disse Wanessa, enaltecendo todas as possibilidades oferecidas pelo trabalho realizado.

Márcio Guerra aproveitou o espaço que surgiu após o término da palavra da pesquisadora para fazer grandes elogios ao evento como um todo que estava sendo realizado. O gancho foi justamente a lembrança de Garambone e Wanessa a respeito do quanto uma organização é exigida quando um evento importante para ela é idealizado ou se aproxima. Os detalhes que às vezes passam despercebidos, segundo Guerra, são as grandes preocupações de uma equipe organizadora. Após isto, Marcelo Barreto foi chamado para trazer novas ideias à discussão.

O jornalista da Sportv, atualmente na função de âncora do programa SportvNews da noite, iniciou declarando toda sua admiração pelo evento em debate. A Copa do Mundo, para ele, não tem como correr o risco de ser “over” em nenhum momento. “Over são os quatro anos sem a Copa”, completou Marcelo, arrancando gargalhadas dos presentes. A competição é puro entretenimento e alegria. Diferente de quando se trata da cobertura da mesma. Esta vai além da emoção de estar na atmosfera proporcionada pelo maior evento do futebol mundial, para ele.  É preciso ter em mente que a essência do futebol fica mais clara durante a Copa do Mundo, e o imaginário de nação reunida em prol de uma paixão. Barreto frizou que talvez a maior inimiga e reguadora desta emoção seja a FIFA, guiando o futebol por um modelo empresarial.

O começo de uma cobertura da Copa geralmente é negativo, devido às informações que chegam até a redação. Se é uma obra atrasada ou uma quantidade de dinheiro público muito grande sendo gasto, as notícias são rapassadas pois se tratam das mais atuais e quentes. A negatividade faz parte de uma imprensa brasileira pouco arrojada, para Barreto. Mas ele acredita que esta talvez tenha sido uma boa oportunidade para a mesma imprensa aprender mais sobre a dinâmica do evento para as próximas edições. E levantando um ponto alto desta edição de 2014, marcelo lembrou da ocupação feita pelos torcedores latinos e da presença das respectivas seleções do continente na segunda fase do torneio. “Foi uma coleção de emoções e sentimentos”, finalizou o jornalista.

O microfone foi então levado às mãos de Lúcio de Castro, repórter investigativo e comentarista da ESPN Brasil, após a apresentação feita mais uma vez por Márcio Guerra. Lúcio propôs uma reflexão em tom parecido ao de Marcelo Barreto em relação à postura dos jornalistas e dos veículos de noticias brasileiros. Com uma critica mais direcionada e ácida, Lúcio lembrou da “bagunça cotidiana que eram os treinos da Seleção”. Para ele, a cobertura foi omissa e covarde ao não relatar casos estranhos que aconteciam nos treinamentos. A presença de tendas de patrocinadores, a agitação causada pelos mil jornalistas e a falta de treinamentos de fato, para Lúcio, foram os fatores predominantes para acontecer a “vexatória derrota para a Alemanha”. Ele considera uma derrota moral, traduzida na frase: “o 7 a 1 moral” sofrido pela imprensa esportiva e o futebol nacional. “Apenas depois da histórica derrota sofrida é que os jornalistas passaram a criticar e procurar respostas”.

O erro maior, para Lúcio, se concentrou naquele que é cometido no processo de treinamento brasileiro. A prepação dos jovens atletas precisaria ser reformulada drasticamente, juntamente com a postura da imprensa em relação ao assuntos vistos dentro e fora de campo. A explicação, exemplo do próprio, de que a culpa da derrota foi pela fraqueza psicológica do plante canarinho é algo terrível para o futebol, pois empobrece e dificulta ainda mais a localização da raiz dos problemas. O tema delicado também é considerado por Lúcio como algo contido dentro do tipo de jornalismo que se faz atualmente, que se estabelece numa dicotomia entre o comercial e o puramente informativo.

- É preciso resolver o grande drama que é encontrado nas amarras do sistema. E isto deve partir do próprio profissional, que tem o dever de investigar com mais afinco e autonomia as verdadeiras razões do que está dando errado. Mesmo que seu emprego seja posto em cheque, o mesmo jornalista tem de experimentar os limites existentes, delimitados pelos interesses financeiros da corporação na qual está inserido, e dos parceiros comerciais da mesma – afirmou veementemente.

Mais fotos podem ser conferidas na página oficial do LEME no Facebook.

Por Gabriel Py, graduando de Relações Públicas na UERJ e colaborador do site www.jogadaensaiada.com.br

Palestra Identidade Cultural e Copa do Mundo

IMG_0877O ciclo de debates e palestras continua no Seminário Internacional Copa do Mundo, Mídia, Esporte e Identidades Nacionais, e desta vez a mesa contou com a participação de diversos pesquisadores da área. O tema foi: “Identidade Cultural e Copa do Mundo”.

O cientista social e pesquisador Luiz Henrique Toledo, que desenvolve pesquisas relacionando antropologia e esporte, esteve presente na palestra debatendo sobre a atual situação da identidade nacional em nosso país. Segundo o professor, com a derrota da Seleção Brasileira no Mundial de 2014 podemos perceber as significativas mudanças de representação nacional, entre outros mundiais e a atual. O pesquisador questionou a falta de tristeza com o fracasso da seleção, e enfatizou também a falta do “choro representativo”, que representaria a síntese da tristeza de toda a nação.

José Carlos Marques, professor e pesquisador da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), enfatizou logo no início de sua fala as diferenças entre identidade nacional e cultural e como elas se misturam em nosso país.  O que não ocorre em  alguns países europeus que tem as identidades bem definidas e independentes uma das outras. De acordo com o pesquisador, nós temos a tendência de olhar o Brasil através do olhar europeu e destacou que nós devemos mudar essa posição, que devemos olhar o Brasil através de nós mesmos.

Além disso, José Carlos demonstrou as grandes diferenças de identidade nacional existentes através da comparação de diversas capas de jornais pelo Brasil e pelo mundo após as derrotas da seleção canarinho nos mundiais de 2010, na África do Sul, e também em 2014, em nosso país. Diante desta comparação, ficou claro as diferentes transposições de sentimentos em todas as regiões do Brasil, a procura de culpados e pincipalmente a identificação dos meios de comunicação comoIMG_0893 produtores de identidade, seja ela nacional ou cultural.

O pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Esporte e Sociedade e editor da revista Esporte e Sociedade, Martin Curi também esteve no evento. O pesquisador destacou em sua análise uma particularidade da pauta deste mundial de 2014. Além das já esperadas discussões a respeito da validade do mundial em termos econômicos, também foram discutidas questões sociais, principalmente com o advento das manifestações de julho de 2013, em que milhares de brasileiros saíram às ruas para questionar a política nacional do Brasil e lutar por mais direitos.

Martin Curi é Alemão, mas e vive no Brasil há 14 anos e ele aproveitou a palestra para destacar algumas diferenças entre Brasil e Alemanha.  Um dos pontos foi o fato de no Brasil a Copa do Mundo ter servido como uma oportunidade para se discutir toda a sociedade em si, o que  não ocorreu no Alemanha. Além disso, o pesquisador ressaltou sua visão do mundial deste ano, em que pode acompanhar a seleção alemã em seus sete jogos.  Segundo o pesquisador, as cidades sedes como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo realmente apresentaram facilidades de locomoção e serviços mais avançados do que sedes da região Nordeste, por exemplo.  Além disso, Martin se surpreendeu com a agressividade dos torcedores e principalmente dos seguranças dentro dos estádios.

O pesquisador alemão também salientou o fato do Brasil se apresentar como uma unidade única durante o mundial, como se tudo dependesse dos resultados conquistados dentro de campo, e também a representação do futebol brasileiro nos pés de Neymar.IMG_0885

* As fotos do evento podem ser conferidas na página do LEME no Facebook.

Por Guilherme Oliveira, graduando de Jornalismo na Uerj

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