Laboratórios da UERJ se unem para realizar um ciclo de debates e leituras

quarta-feira, setembro 17, 2014 Deixe um comentário

Atendendo à convocação para “ocuparmos” esse novo e já bem-sucedido espaço cultural da UERJ, localizado em Botafogo, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) e o Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (LACON) se uniram para realizar um ciclo de leituras e debates a partir de aulas sobre as mais diferentes temáticas dentro do eixo “Megaeventos, Esporte e Cultura”. O evento almeja reunir pessoas interessadas em aprender e dialogar sobre temas caros aos habitantes das cidades contemporâneas, em especial o Rio de Janeiro, sede da Copa do Mundo desse ano e dos Jogos Olímpicos em 2016. Para isso, reunimos um corpo de pesquisadores-doutorandos e professores de ambos os laboratórios.

O curso fornecerá aos alunos conhecimentos introdutórios sobre os estudos sociocomunicacionais em Esportes e Megaeventos – dois fenômenos associados às cidades contemporâneas. Para abordar essas temáticas contaremos com a presença do professor Ronaldo Helal (especialista em sociologia do esporte e das relações entre mídia e futebol) e do professor Ricardo Freitas (estudioso dos megaeventos e também dos espaços de consumo urbanos). Os orientandos de doutorado e mestrado de ambos os professores completarão a programação, apresentando temas relacionados às suas pesquisas em andamento.

Alguns dos assuntos que serão abordados: Copa do Mundo e narrativas jornalísticas; a publicidade em períodos de Copa do Mundo; cobertura midiática dos Jogos Olímpicos; a presença da música na cidade do Rio; curta-documentários que têm a cidade como pano de fundo. As leituras sugeridas, bem como outros materiais complementares, serão disponibilizadas àqueles que se inscreverem no Ciclo. As aulas terão duração máxima de duas horas.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.casadirce.com.br ou pelo telefone 2334-8727.

Para maiores informações e para conhecer um pouco melhor os professores e seus orientandos acesse Release CASA DIRCE CORTES RIEDEL.

banner.megaeventos

CategoriasEventos

NFL e a política de “vista grossa”

terça-feira, setembro 30, 2014 Deixe um comentário

Em Fevereiro deste ano o jogador de futebol americano Ray Rice foi acusado de agredir sua então noiva, hoje esposa, Janay Palmer em um elevador do Revel Cassino em Altantic City. Nesta época apenas o vídeo de Ray arrastando o corpo inconsciente de sua noiva para fora do elevador havia sido divulgado pela mídia. No mês seguinte o jogador foi indiciado por lesão corporal qualificada em terceiro grau, e em Maio foi aceito num programa de reabilitação pré-julgamento a fim de evitar um processo.

ray

John Harbaugh técnico dos Baltimore Ravens, naquele momento time de Ray, defendeu o jogador dizendo que “quando a pessoa bebe demais em público, coisas desse tipo podem acontecer”.  A poderosa NFL suspendeu Ray por dois jogos. Só para se ter uma ideia Josh Gordon foi suspenso por um ano e Justin Blackmon foi suspenso indefinidamente, punidos por uso de substância ilícita (maconha). Foi então que o mundo do futebol americano foi abalado com a divulgação de um novo vídeo mostrando Ray dando um soco no rosto da noiva deixando-a inconsciente. A partir desta divulgação a NFL e os Ravens declararam-se envergonhados, Ray foi demitido e suspenso indefinidamente pela NFL.

Agora eu lhe pergunto por que foi necessária a divulgação do vídeo da agressão para que tanto NFL quanto Ravens tomassem medidas mais rigorosas? Ninguém, dessas duas entidades, havia visto o vídeo antes da divulgação? Qual a diferença entre saber da agressão e ver a agressão? Ray Rice já havia sido preso e confessado a agressão.

Casos de violência doméstica não são incomuns no esporte. Ray MacDonald, do San Francisco 49ers, foi preso recentemente acusado de agredir a namorada grávida; Adrian Peterson, do Minnesota Vikings, foi acusado de agredir o filho de quatro anos. Sem contar os casos brasileiros, como por exemplo em 2010 quando  o então jogador de futebol Adriano teria mandado amarrar a namorada a uma árvore; ao ser questionado, em entrevista, sobre essa situação Bruno, ex-goleiro do Flamengo, afirmou “Em briga de marido e mulher não se mete a colher, xará”, e ainda completou, “quem nunca saiu na mão com uma mulher?”. Bruno está preso acusado de mandar matar Elisa Samúdio,  com quem havia tido um caso.

Um estudo realizado em 2013 pelo Instituto e Marketer mostrou que 47% dos telespectadores da NFL são mulheres entre 25 a 44 anos. E apesar de já ter começado a adotar medidas direcionadas a essa fatia de mercado a NFL perdeu uma cara oportunidade de se posicionar contra a violência contra a mulher, e percebeu isso ao iniciar uma discussão sobre mudanças nas penas para futuras ocorrências. De acordo com o noticiado pelo Washington Post no último dia 13 de Setembro, quem for flagrado em primeira ofensa poderá ser suspenso por até seis jogos, enquanto o reincidente poderá ficar fora da Liga por um ano. Contudo a política de vista grossa adotada pela NFL não agradou e colocou uma mancha na história da Liga que vai ser difícil de ser apagada.

CategoriasArtigos

Palestra de encerramento com Samuel Martínez e Hugo Lovisolo

O pesquisador Hugo Lovisolo (Uerj) abriu a palestra falando sobre as identidades e como suas diferenças estão relacionadas às disputas de poder. As identidades não são uma invenção e as narrativas acabam por “lapidar” o sujeito. Sobre as identidades clubísticas, lembra que não temos como teorizar os motivos que levam uma pessoa a torcer por determinado time.

Após esta breve introdução, Lovisolo teceu comentários sobre o México, para apresentar o pesquisador Samuel Martínez (Universidad Iberoamericana de México). Martínez deu início à palestra com tema “La Selección Mexicana de Futbol durante la Copa del Mundo Brasil 2014” falando sobre a Copa enquanto uma concentração de indústria verticalizada.

A Copa do Mundo pertence a um modelo vertical, e tem seu potencial de espetáculo explorado através do sentimento nacionalista que desperta. Segundo ele, os grandes eventos que implicam em transformações urbanas, não datam de mais de 30 anos e foram impulsionados pelo espírito ganancioso de busca pelo poder. Os mega eventos surgem como uma nova segmentação do mercado, um novo tipo de capitalismo com o intuito de mostrar às outras nações o seu poder na realização de um bom evento e reforçando assim, seu nacionalismo.

O palestrante discorreu sobre a seleção mexicana ser um símbolo laico, pois não pertence ao Estado e sim, a uma organização particular, no caso a FMF (Federección Mexicana de Futbol). As seleções representam suas nações simbolicamente e os atletas tentam convencer a audiência de que sua equipe é a melhor. Uma das peculiaridades no caso da seleção mexicana é o fato da FMF ser controlada pela Televisa, o maior conglomerado midiático do México. Isto reforça a imagem e o uso do futebol como um produto de entretenimento e logo, um produto econômico, vendável.

A seleção mexicana é a única que possui dois mercados econômicos: uma para os mexicanos que vivem em seu país e outro para os mexicanos que vivem nos Estados Unidos. Também registra um grande público em jogos fora de casa, levando em consideração o poder aquisitivo dos mexicanos que moram nos EUA. Com todas as dificuldades na imigração para os EUA, não é de se admirar que os mexicanos considerem os Estados Unidos seu maior rival em competições.

O México passou por constantes mudanças de técnicos e passou para o Mundial apenas na repescagem, ironicamente, graças a uma vitória dos Estados Unidos. No pré-Copa, os meios de comunicação repercutiram a possibilidade da seleção mexicana não disputar o Mundial e a vaga foi bastante comemorada por lá.

O palestrante ainda comentou sobre a história política do México, que por muitos anos teve apenas a Virgem de Guadalupe como símbolo nacional e o surgimento de novos símbolos nacionalistas. O México vivenciou uma ditadura de 30 anos, que trouxeram crescimento econômico e político, a base de muita opressão das classes mais baixas. A mudança deste cenário só foi possível com a Revolução Mexicana que enfraqueceu o regime anterior, instaurou o populismo e trouxe crescimento dos meios de comunicação de massas.

No México, o futebol não ocupava um espaço tão importante para a formação de sua identidade nacional, outros esportes como a luta-livre e o beisebol tinham maior foco. A partir dos anos 90, este cenário mudou graças aos meios de comunicação que enxergaram o potencial de marca presente no futebol. A seleção hoje ocupa um lugar importante na identidade do povo e é vista como símbolo de esperança num país melhor e competitivo, apesar de alguns enxergarem a seleção como objeto de manipulação.

Graças à televisão, o futebol tem crescido no mercado, em audiência junto com telenovelas e produtos cômicos como “Chaves”, ou seja, o papel da Televisa foi crucial neste processo. A Copa do Mundo de 2014 foi vivenciada de forma intensa pelos mexicanos, desde os obstáculos ultrapassados para garantir a vaga, os jogos disputados durante o Mundial e a desoladora volta pra casa. Mas, a identificação nacional que foi construída ao longo do tempo, garante que sentimentos como este ressurgirão daqui a quatro anos e quiçá com melhores resultados.

* Mais fotos podem ser conferidas na página oficial do LEME no Facebook.

Por Nathália Corrêa Costa, graduanda de Relações Públicas na UERJ.

Debates com jornalistas encerrou as mesas de debates do I Seminário Internacional do LEME

O tema da última mesa de debates do “Seminário Internacional – Copa do Mundo, Mídia e Identidades Nacionais” foi a cobertura das Copa do Mundo. O evento realizado na Faculdade de Comunicação Social da UERJ, foi organizado pelo Laboratório de Estudos em Mídia e Esportes e aconteceu entre os dias 24 e 26 de setembro. Debatendo a respeito nesta mesa, os jornalistas Sidney Garambone, Wanessa Canellas, Marcelo Barreto e Lúcio de Castro levantaram questões e propuseram reflexões de muito proveito acerca da temática. O responsável pela mediação foi Márcio Guerra, pesquisador e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Márcio iniciou a sequência de falas dos convidados descontraindo a todos ao citar a presença de alguns ouvintes vestidos com camisas de clubes pequenos do Rio de Janeiro, dizendo não ser todo dia que se vê tal situação e que com certeza as discussões já começariam com o pé direito.

Em seguida, guerra anunciou o primeiro a falar: Sidney Garambone, jornalista formado pela UFRJ e profissional da TV Globo. Sua apresentação inicia com a exposição de um vídeo institucional da Rede Globo – produzido pelo próprio e sua equipe – a respeito de todos os números que a emissora de televisão alcançou na Copa de 2014. O passo a passo da maior cobertura já realizada pela imprensa brasileira em um evento esportivo explicado por números bastante chamativos. Ao término do vídeo, Garambone lembrou da preocupação que era constante para ele e sua equipe, encontrada no perigo do exagero e saturação de pautas a respeito do assunto “Copa”, podendo levar o público ao desinteresse. Outra preocupação lembrada pelo editor foi com as manifestações das ruas, que deram a tônica nos dias de realização da Copa das Confederações do ano passado. Mas, ao contrário do que se pensava, tanto em relação à saturação de informações, quanto em relação a manifestações, os riscos acabaram por não acontecer.

Ao fim da fala de Garambone, Marcio Guerra passou a palavra a Wanessa Canellas, Doutora em Memória Social pela Unirio e, desde 2004, coordenadora da área de Documentação e Pesquisa do Sistema Globo de Rádio. A voz radialista do debate começou qualificando a cobertura, que começou há quatro anos atrás para ela e sua equipe, como “punk”. Os detalhes, a logistica, as planilhas, os acontecimentos que continuam a ocorrer paralelamente ao evento. Tudo isso, segundo ela, engrossa o caldo informativo do Brasil e do mundo, exigindo uma velocidade enorme das emissoras em repassar notícias quentes.

A missão de seu trabalho em recuperar arquivos antigos de transmissões clássicas do esporte é a de ser útil a todos os jornalistas de todas as mídias. Matérias especiais contrapondo momentos históricos das Copas com a que seria realizada no Brasil puderam ser fomentadas graças a disponibilidade dos arquivos resgatados.  O trabalho só foi possivel, lembrou Wanessa, graças ao investimento das Organizações Globo e aos avanços da tecnologia contemporânea, que acabaram por trazer de volta uma historicidade necessária para o futebol brasileiro.

- Todo material histórico precisa estar disponivel. Todo jornalista precisa deste anteparo. E só a Copa do Mundo pode proporcionar isto com os investimentos inerentes a ela. Com cerca de 90% dos acervos recuperados, a Rádio Globo tornou-se a principal fonte de pesquisa de materiais radiofônicos e de futebol. É uma conquista para a empresa, que fez o esforço para isto acontecer – disse Wanessa, enaltecendo todas as possibilidades oferecidas pelo trabalho realizado.

Márcio Guerra aproveitou o espaço que surgiu após o término da palavra da pesquisadora para fazer grandes elogios ao evento como um todo que estava sendo realizado. O gancho foi justamente a lembrança de Garambone e Wanessa a respeito do quanto uma organização é exigida quando um evento importante para ela é idealizado ou se aproxima. Os detalhes que às vezes passam despercebidos, segundo Guerra, são as grandes preocupações de uma equipe organizadora. Após isto, Marcelo Barreto foi chamado para trazer novas ideias à discussão.

O jornalista da Sportv, atualmente na função de âncora do programa SportvNews da noite, iniciou declarando toda sua admiração pelo evento em debate. A Copa do Mundo, para ele, não tem como correr o risco de ser “over” em nenhum momento. “Over são os quatro anos sem a Copa”, completou Marcelo, arrancando gargalhadas dos presentes. A competição é puro entretenimento e alegria. Diferente de quando se trata da cobertura da mesma. Esta vai além da emoção de estar na atmosfera proporcionada pelo maior evento do futebol mundial, para ele.  É preciso ter em mente que a essência do futebol fica mais clara durante a Copa do Mundo, e o imaginário de nação reunida em prol de uma paixão. Barreto frizou que talvez a maior inimiga e reguadora desta emoção seja a FIFA, guiando o futebol por um modelo empresarial.

O começo de uma cobertura da Copa geralmente é negativo, devido às informações que chegam até a redação. Se é uma obra atrasada ou uma quantidade de dinheiro público muito grande sendo gasto, as notícias são rapassadas pois se tratam das mais atuais e quentes. A negatividade faz parte de uma imprensa brasileira pouco arrojada, para Barreto. Mas ele acredita que esta talvez tenha sido uma boa oportunidade para a mesma imprensa aprender mais sobre a dinâmica do evento para as próximas edições. E levantando um ponto alto desta edição de 2014, marcelo lembrou da ocupação feita pelos torcedores latinos e da presença das respectivas seleções do continente na segunda fase do torneio. “Foi uma coleção de emoções e sentimentos”, finalizou o jornalista.

O microfone foi então levado às mãos de Lúcio de Castro, repórter investigativo e comentarista da ESPN Brasil, após a apresentação feita mais uma vez por Márcio Guerra. Lúcio propôs uma reflexão em tom parecido ao de Marcelo Barreto em relação à postura dos jornalistas e dos veículos de noticias brasileiros. Com uma critica mais direcionada e ácida, Lúcio lembrou da “bagunça cotidiana que eram os treinos da Seleção”. Para ele, a cobertura foi omissa e covarde ao não relatar casos estranhos que aconteciam nos treinamentos. A presença de tendas de patrocinadores, a agitação causada pelos mil jornalistas e a falta de treinamentos de fato, para Lúcio, foram os fatores predominantes para acontecer a “vexatória derrota para a Alemanha”. Ele considera uma derrota moral, traduzida na frase: “o 7 a 1 moral” sofrido pela imprensa esportiva e o futebol nacional. “Apenas depois da histórica derrota sofrida é que os jornalistas passaram a criticar e procurar respostas”.

O erro maior, para Lúcio, se concentrou naquele que é cometido no processo de treinamento brasileiro. A prepação dos jovens atletas precisaria ser reformulada drasticamente, juntamente com a postura da imprensa em relação ao assuntos vistos dentro e fora de campo. A explicação, exemplo do próprio, de que a culpa da derrota foi pela fraqueza psicológica do plante canarinho é algo terrível para o futebol, pois empobrece e dificulta ainda mais a localização da raiz dos problemas. O tema delicado também é considerado por Lúcio como algo contido dentro do tipo de jornalismo que se faz atualmente, que se estabelece numa dicotomia entre o comercial e o puramente informativo.

- É preciso resolver o grande drama que é encontrado nas amarras do sistema. E isto deve partir do próprio profissional, que tem o dever de investigar com mais afinco e autonomia as verdadeiras razões do que está dando errado. Mesmo que seu emprego seja posto em cheque, o mesmo jornalista tem de experimentar os limites existentes, delimitados pelos interesses financeiros da corporação na qual está inserido, e dos parceiros comerciais da mesma – afirmou veementemente.

Mais fotos podem ser conferidas na página oficial do LEME no Facebook.

Por Gabriel Py, graduando de Relações Públicas na UERJ e colaborador do site www.jogadaensaiada.com.br

Palestra Identidade Cultural e Copa do Mundo

IMG_0877O ciclo de debates e palestras continua no Seminário Internacional Copa do Mundo, Mídia, Esporte e Identidades Nacionais, e desta vez a mesa contou com a participação de diversos pesquisadores da área. O tema foi: “Identidade Cultural e Copa do Mundo”.

O cientista social e pesquisador Luiz Henrique Toledo, que desenvolve pesquisas relacionando antropologia e esporte, esteve presente na palestra debatendo sobre a atual situação da identidade nacional em nosso país. Segundo o professor, com a derrota da Seleção Brasileira no Mundial de 2014 podemos perceber as significativas mudanças de representação nacional, entre outros mundiais e a atual. O pesquisador questionou a falta de tristeza com o fracasso da seleção, e enfatizou também a falta do “choro representativo”, que representaria a síntese da tristeza de toda a nação.

José Carlos Marques, professor e pesquisador da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), enfatizou logo no início de sua fala as diferenças entre identidade nacional e cultural e como elas se misturam em nosso país.  O que não ocorre em  alguns países europeus que tem as identidades bem definidas e independentes uma das outras. De acordo com o pesquisador, nós temos a tendência de olhar o Brasil através do olhar europeu e destacou que nós devemos mudar essa posição, que devemos olhar o Brasil através de nós mesmos.

Além disso, José Carlos demonstrou as grandes diferenças de identidade nacional existentes através da comparação de diversas capas de jornais pelo Brasil e pelo mundo após as derrotas da seleção canarinho nos mundiais de 2010, na África do Sul, e também em 2014, em nosso país. Diante desta comparação, ficou claro as diferentes transposições de sentimentos em todas as regiões do Brasil, a procura de culpados e pincipalmente a identificação dos meios de comunicação comoIMG_0893 produtores de identidade, seja ela nacional ou cultural.

O pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Esporte e Sociedade e editor da revista Esporte e Sociedade, Martin Curi também esteve no evento. O pesquisador destacou em sua análise uma particularidade da pauta deste mundial de 2014. Além das já esperadas discussões a respeito da validade do mundial em termos econômicos, também foram discutidas questões sociais, principalmente com o advento das manifestações de julho de 2013, em que milhares de brasileiros saíram às ruas para questionar a política nacional do Brasil e lutar por mais direitos.

Martin Curi é Alemão, mas e vive no Brasil há 14 anos e ele aproveitou a palestra para destacar algumas diferenças entre Brasil e Alemanha.  Um dos pontos foi o fato de no Brasil a Copa do Mundo ter servido como uma oportunidade para se discutir toda a sociedade em si, o que  não ocorreu no Alemanha. Além disso, o pesquisador ressaltou sua visão do mundial deste ano, em que pode acompanhar a seleção alemã em seus sete jogos.  Segundo o pesquisador, as cidades sedes como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo realmente apresentaram facilidades de locomoção e serviços mais avançados do que sedes da região Nordeste, por exemplo.  Além disso, Martin se surpreendeu com a agressividade dos torcedores e principalmente dos seguranças dentro dos estádios.

O pesquisador alemão também salientou o fato do Brasil se apresentar como uma unidade única durante o mundial, como se tudo dependesse dos resultados conquistados dentro de campo, e também a representação do futebol brasileiro nos pés de Neymar.IMG_0885

* As fotos do evento podem ser conferidas na página do LEME no Facebook.

Por Guilherme Oliveira, graduando de Jornalismo na Uerj

CategoriasEventos

Pesquisadores discutem relações entre Mídia e Copa do Mundo

Palestra organizada pelo LEME teve como tema principal o posicionamento da mídia em relação às maiores derrotas da história da Seleção brasileira

 

IMG_0812

Na tarde desta quarta-feira (25), o Seminário Internacional Copa do Mundo, Mídia e Identidades Nacionais, organizado pelo Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME), contou com uma palestra sobre as relações entre Mídia e Copa do Mundo. Ministrada pelos pesquisadores Bernardo Buarque de Holanda (FGV-SP), Edison Gastaldo (UFRRJ) e Maurício Drumond (UFRJ), as discussões giraram em torno, principalmente, das visões e do posicionamento da imprensa e da mídia sobre as duas maiores derrotas da história da Seleção brasileira: o “Maracanazzo”, de 1950, e os 7 a 1 sofridos para a Alemanha, na última Copa.

Com moderação de Álvaro do Cabo (UFRJ), o debate teve um grande número de estudantes, professores e pesquisadores. Na primeira parte, Bernardo Buarque de Holanda apresentou a exposição “Produção Editorial de Livros da Copa do Mundo de 50”, em que foram citadas algumas das principais obras sobre a histórica derrota brasileira para o Uruguai, entre eles “Dossiê 50”, de Geneton Moraes Neto, e “Maracanazzo”, de Teixeira Heizer. Além disso, o pesquisador também falou sobre os momentos que antecederam o começo da primeira Copa sediada no Brasil.

Em seguida, Edison Gastaldo se aprofundou na questão da transformação da Copa em um grande evento. Sobre os 7 a 1, Gastaldo afirmou que o vexame em 2014 não causou tanto impacto como o Maracanazzo de 50. “Apesar do vexame, nada mudou. Apenas o afeto, pois não tem mais graça, já que o Marín (presidente da CBF) continuou, o Dunga voltou… Os 7 a 1 vão ficar marcados apenas nos dados estatísticos. Pelo significado nada superará os 2 a 1 de 1950. Muito pelo simbolismo, causado por aquela Copa ser no Brasil, por um ideário nacionalista em volta”, opinou o pesquisador, que também condenou e criticou o misticismo em torno da “amarelinha”. “Se abandonarmos esse misticismo da pátria de chuteiras, avançaremos como nação”, afirmou.

Por fim, Maurício Drumond trabalhou a relação da imprensa brasileira com as derrotas da Seleção em Copas. O debate focou na questão da “vilanização na derrota”, em que personagens eram “eleitos” pela imprensa como os principais responsáveis pelos fracassos do Brasil. Exemplo recente é o de Felipão, que foi alvo de muitas críticas após os 7 a 1 e considerado o maior culpado do vexame no Mundial deste ano. Baseado nessa constatação, Maurício apresentou os diferentes tratamentos dados pelos jornais sobre as causas para as derrotas do Brasil, incluindo todas as Copas em que não houve um vilão específico. Caso de 1982, em que a culpa acabou recaindo sobre o futebol arte e uma suposta indisciplina tática.

* As fotos do evento podem ser conferidas na página do LEME no Facebook.

Por Rafael Souza, graduando de Jornalismo na Uerj e colaborador do site www.jogadaensaiada.com.br

CategoriasEventos

Palestra de abertura “Brasil, me diz como se sente” com Pablo Alabarces

quinta-feira, setembro 25, 2014 Deixe um comentário

O professor e sociólogo argentino Pablo Alabarces (UBA) deu início à palestra com tema “Brasil, me diz como se sente” explicando a origem da música “Brasil, decime qué se siente”, cantada pelos argentinos para debochar dos brasileiros durante a Copa do Mundo de 2014. A música original “Bad Moon Rising” do grupo norte-americano Creedence Clearwater Revival já era bastante utilizada em paródias sobre política e futebol.

Segundo ele, a escolha dessa canção para as diversas paródias existentes passam pelo fato de o grupo pertencer ao movimento rock proletário e a canção possuir uma boa memória musical através da sua melodia simples. Porém, a escolha da mesma para a paródia especificamente criada para a Copa não tem um motivo declarado.

Esta versão foi escrita por torcedores jovens e viralizada nas ruas de Copacabana, nas redes sociais e também em vídeos com os jogadores da seleção argentina. O ritmo escolhido nesta paródia não pertence ao mesmo estilo da original e das demais paródias, o rock. Segundo Alabarces, podemos perceber uma “argentinização” da música, utilizando o estilo cúmbia como base para a melodia e a paródia de resposta dos brasileiros veio em forma de samba, símbolo da nossa brasilidade.

O palestrante também discorreu sobre a falta de identidade nacional na escolha das músicas oficiais dos mundiais, como por exemplo, a falta de brasilidade na canção “We Are One (Ole Ola)” e o erro na escolha do cantor Pitbull como intérprete. Segundo ele, a partir dos anos 90, as músicas oficiais passaram a ser no estilo pop e o foco mudou para o ponto de vista do torcedor, agora voz principal da narrativa e não mais, os esportistas.

Após as explicações iniciais sobre a melodia, Alabarces retomou com uma tradução do sentido da paródia “Brasil, decime qué se siente”. O palestrante explicou que a figura do Diego Maradona não poderia ficar de fora e muito menos a rixa com Pelé. Descobrimos após uma providencial intervenção do Professor Ronaldo Helal que “tener en casa a tu papá” significa que temos o líder em confrontos diretos, ou seja, nós brasileiros seríamos o freguês dos argentinos.

Nossa rivalidade não é culpa do futebol, mas neste esporte depositamos maior energia. Foi curioso descobrir a fama que o Pelé tem na Argentina em torno da sua opção sexual, através da expressão já enraizada por lá: “Pelé debutó con un pibe”. No Brasil, o Pelé é conhecido como mulherengo, apesar de ser lembrado apenas por ter namorado a Xuxa, tratada como símbolo sexual pelos argentinos.

Alabarces ainda comentou sobre a “invasão argentina” durante a Copa. O objetivo central da torcida é justamente ocupar o território do outro e melhor que seja da forma como foi: televisionado, usando celulares para publicar nas redes sociais e viralizando uma canção que trata de forma sarcástica o seu maior rival.

O palestrante chama atenção para o fato de que nem tudo deu certo para os argentinos. Messi não se concretizou como o herói da canção e continua muito distante do ídolo Maradona, este sim, peronista, carismático, ativo nas questões políticas, enquanto Messi permanece calado.

Como uma apaixonada por futebol, talvez seja previsível dizer o quanto me encantou ouvir sobre aquela música que captou minha atenção no metrô ao cruzar com meia dúzia de hermanos horas antes dos jogos, digo meia dúzia, pois o meu orgulho me impede de ser sincera quanto aos números. A palestra do Pablo Alabarces abriu o Seminário com excelência e respondendo apenas em meu nome devo admitir ter sentido certa inveja dessa torcida aguante e da sua invasão branca e azul.

* As fotos do evento podem ser conferidas na página do LEME no Facebook.

Por Nathália Corrêa Costa *graduanda de Relações Públicas na Uerj

Abertura do I Seminário Internacional do LEME está sendo transmitida ao vivo no Youtube

quarta-feira, setembro 24, 2014 Deixe um comentário

A todos os interessados na palestra do professor Pablo Alabarces (conferência de abertura do seminário), ela está sendo transmitida on-line no canal do LEME no Youtube. Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=d3inc3lSAkM

CategoriasEventos
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 617 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: