Laboratórios da UERJ se unem para realizar um ciclo de debates e leituras

quarta-feira, setembro 17, 2014 Deixe um comentário

Atendendo à convocação para “ocuparmos” esse novo e já bem-sucedido espaço cultural da UERJ, localizado em Botafogo, o Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) e o Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (LACON) se uniram para realizar um ciclo de leituras e debates a partir de aulas sobre as mais diferentes temáticas dentro do eixo “Megaeventos, Esporte e Cultura”. O evento almeja reunir pessoas interessadas em aprender e dialogar sobre temas caros aos habitantes das cidades contemporâneas, em especial o Rio de Janeiro, sede da Copa do Mundo desse ano e dos Jogos Olímpicos em 2016. Para isso, reunimos um corpo de pesquisadores-doutorandos e professores de ambos os laboratórios.

O curso fornecerá aos alunos conhecimentos introdutórios sobre os estudos sociocomunicacionais em Esportes e Megaeventos – dois fenômenos associados às cidades contemporâneas. Para abordar essas temáticas contaremos com a presença do professor Ronaldo Helal (especialista em sociologia do esporte e das relações entre mídia e futebol) e do professor Ricardo Freitas (estudioso dos megaeventos e também dos espaços de consumo urbanos). Os orientandos de doutorado e mestrado de ambos os professores completarão a programação, apresentando temas relacionados às suas pesquisas em andamento.

Alguns dos assuntos que serão abordados: Copa do Mundo e narrativas jornalísticas; a publicidade em períodos de Copa do Mundo; cobertura midiática dos Jogos Olímpicos; a presença da música na cidade do Rio; curta-documentários que têm a cidade como pano de fundo. As leituras sugeridas, bem como outros materiais complementares, serão disponibilizadas àqueles que se inscreverem no Ciclo. As aulas terão duração máxima de duas horas.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.casadirce.com.br ou pelo telefone 2334-8727.

Para maiores informações e para conhecer um pouco melhor os professores e seus orientandos acesse Release CASA DIRCE CORTES RIEDEL.

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Teve Copa sim, !!! mas não no país do futebol….

Por Juan Silveira

O fato de ser pentacampeão não é credencial determinante do título que a imprensa teima em adjudicar ao Brasil “País do Futebol”.

Não conheço nenhuma ação pública para promover a prática do futebol (somente escolinhas particulares e pagas), nenhuma política de Estado que contemple os esportes em geral. Nem o amparo da Lei trabalhista é respeitado, vide as principais reclamações do grupo Bom Senso FC.

A média de público nos estádios brasileiros é incompatível com esse título.

Dos 100 times top do mundo, 24 pertencem ao Velho Continente  e 77 dessa lista são europeus. Alemanha, Inglaterra e Espanha ocupam as 5 primeiras posições. Brasil só aparece a partir do 90º lugar. O Borussia Dortmund apresenta uma média de 100% de ocupação, com 80.558 espectadores por jogo; Manchester United com 75.500, o Barcelona com média de 70% de ocupação atrai  cerca de 70.000 espectadores e o Bayern de Munique leva 72.000 torcedores à Allianz Arena por jogo.

No Brasil, o Corinthians, 91º na lista, tem 66% de ocupação, levando 30.000 loucos do Bando por jogo, depois aparece o Santa Cruz de Pernambuco com 25.000 torcedores em média (44% da capacidade do Arruda), e o São Paulo encerra a participação de clubes brasileiros na lista, com 24.000 torcedores no Morumbi.

Não estou considerando a população destes países, Alemanha 83 milhões, Espanha 48 milhões  e Inglaterra 53 milhões. Se entrar nessa seara, de relativizar o desempenho futebolístico com a população do país, o título de “país do futebol” seria menor ainda, vide o Uruguai com 2 títulos mundiais e 2 olimpíadas, somente tem 3 milhões de habitantes.

Por um outro ponto de vista, a análise do fato do Brasil ser exportador de “artistas” e não do espetáculo, merece uma séria reflexão.

 

 

Vesti uma camisa listrada e saí por aí: Madureira x CRB e os futebóis do Brasil

quinta-feira, outubro 23, 2014 Deixe um comentário

Sábado, 18 de outubro, abri meu armário e pus pra fora a camisa listrada do Madureira Futebol Clube que comprei na última vez que estive no Estádio Aniceto Moscoso, há cerca de dois meses atrás

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Naquela ocasião fui assistir a Madureira X Guarani em jogo da terceira divisão.

Não….

Não sou torcedora do Madureira.

Sou apaixonada por futebol e pesquisadora que desde 2003 tanta unir essas duas dimensões no blog Caravana de Boleiros (http://caravanadeboleiros.blogspot.com.br/). Nesse espaço vou em busca dos futebóis que fazem parte daquilo que chamamos de o “futebol brasileiro”. Fazem parte, mas são pouquíssimos mencionados, especialmente, pela imprensa esportiva.

Nos jornais e nos programas esportivos de TV o que se percebe é o privilégio dado ao campeonato da Série A, Copa do Brasil e no máximo aos campeonatos estaduais. Mesmo assim a atenção recai sempre sobre os principais clubes dos estados de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.

Há quatro divisões principais de futebol, sendo que grande parte das informações que circulam nos mais importantes veículos de comunicação se referem à Série A. É certo que a Série B tem merecido atenção, mas sobretudo porque nos últimos anos contou com a presença de clubes grandes como Botafogo, Palmeiras, Vasco e o Corinthians, dono da segunda maior torcida do país.

Quanto ao restante das séries, temos fragmentos de informação que geralmente se tornam mais frequentes quando os momentos decisivos vão chegando.

É o que aconteceu com o Madureira cujo jogo de sábado passado, dia 18 de outubro, contou com a presença da imprensa, chegando a merecer uma matéria – de menos de meia página – publicada no caderno de esportes da edição de domingo do jornal O Globo.

Isso significa que quando se fala em “o futebol brasileiro” em grande medida está se fazendo referência à seleção brasileira e a um conjunto limitado de clubes e torcedores, o que em parte se justifica dada a lógica mercadológica tanto do futebol quanto da própria imprensa.

Sendo assim quando se fala em “futebol brasileiro”, é importante indagar de qual futebol estamos falando?

Certamente não se está falando dos clubes que jogam frequentemente em campos pequenos, em estádios antigos e absolutamente longes do “padrão Fifa” – muitos dos quais sequer possuem uma sala de imprensa.  Clubes que lutam pela sobrevivência em um contexto altamente mercadorizado e financeiramente desigual do futebol brasileiro. Clubes muitos dos quais centenários e que por motivos variados ficaram de fora – ou nunca participaram – do menu principal do futebol brasileiro.

E o que nos dizem os jogos desses clubes que embora pertencentes ao futebol de “matriz espetecaluzarizada”[1] – guardam distância considerável do pequeno grupo seleto que compõe aquele “futebol brasileiro”, discutido e veiculado por grande parte da imprensa esportiva do país?

A torcida mista

O Madureira é um clube do subúrbio carioca homônimo. Em 2014 festeja-se seu centenário. Na verdade o Madureira Esporte Clube até a década de 1970 chamava-se Madureira Atlético Clube, resultado da fusão do Fidalgo Madureira Atlético Clube e do Magno Futebol Clube, clube de quem herdou a data de nascimento 08 de agosto de 1914.

Madureira Esporte Clube é nome que surge somente na década de 1970, após outra fusão, a do Madureira Atlético Clube com o Madureira Tênis Clube e por fim o Imperial Basquete Clube.

O Madureira detém uma interessante marca:  é o clube que mais tempo ficou em excursão pelo exterior. Foram ao total 36 jogos, realizados ao longo de 144 dias, no ano de 1961.  Além de ter ido em Cuba, o Madureira também fez “a viagem proibida” que consistiu em uma excursão feita na China:

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(Fonte: http://caravanadeboleiros.blogspot.com.br/2013/02/madureira-e-audax-futebol-samba-e.html)

Pelo Madureira passaram importantes jogadores como Jair da Rosa Pinto e Evaristo de Macedo cuja imagem é usada em uma bandeira de uma torcida Organizada do clube.

Sim… o Madureira tem torcida organizada – mais de uma, aliás – formada em sua maioria por jovens moradores do bairro e dos arredores.

Porém, torcer para um clube que não frequenta grandes campeonatos e que tem pouco convívio com momentos gloriosos pode adquirir feições diferentes das que estamos acostumados.

Embora logo na entrada das sociais do clube nos deparemos com a frase “aqui só se torce pelo Madureira”, é plenamente aceitável a presença de pessoas com camisas de Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo etc. Trata-se de uma convivência que no caso do Madureira se dá de modo pacífico.

Torcer para dois times é realidade comum na composição das torcidas de alguns dos chamados times de baixo investimento. E esse fenômeno se evidenciou na promoção realizada pelo Madureira para o jogo contra o CRB na qual quem fosse vestido com a camisa de qualquer clube do Rio poderia adquirir um ingresso e entrar de graça no estádio.

Essa promoção foi posta em prática de modo confuso, com pouca informação ao público e pouca organização na troca de ingressos, o que provocou uma perigosa aglomeração de pessoas na porta de entrada do estádio.

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Um policial tentou por ordem na fila, porém ele estava visivelmente nervoso e despreparado para a situação:

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Há certas misturas que são fatais para o desencadeamento de tumultos em estádios: falta de informação, falta de organização, falta de entradas suficientes para o público (havia apenas uma pequena) e policiais despreparados. Se o público presente de fato fosse em sua maioria formada por torcedores do Madureira, ávidos por ver o jogo, teria havido muita confusão como aquelas que cansamos de ver antes de jogos em São Januário ou mesmo no Maracanã.

Entrei no estádio apenas no final do segundo tempo….

O estádio estava cheio. Um mosaico de camisas dos clubes cariocas compunha o público das arquibancadas. Mesmo na parte em que ficaram reunidos os agrupamentos das organizadas do Madureira, podia-se ver lado a lado indivíduos botafoguenses, vascaínos, flamenguistas e tricolores. Um dos instrumentos de percussão de uma das torcidas organizadas do Madureira era tocado por um rapaz que trajava uma camisa do Botafogo.

A ideia dessa promoção é compreensível dada a vontade de encher o estádio em um dos mais importantes dias da história do Madureira que tinha possibilidades reais de dar largos passos para a série B do Campeonato Brasileiro.

Encher o estádio também se justificava dada a péssima média de público dos jogos do Madureira. Contabilizando o público de toda a primeira fase da Série C – 18 rodadas – o Madureira foi dono da segunda pior média, perdendo apenas para o Duque de Caxias. Cerca de 274 pessoas em média assistiram aos jogos do tricolor suburbano (Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-c/publico-seriec.html)

Por outro lado a composição mista das arquibancadas no sábado, me causou certo estranhamento e me fez pensar que teria sido mais interessante uma promoção que objetivasse encher o estádio com as cores do Madureira, fortalecendo velhos e construindo novos laços de identificação com os símbolos do clube.

Essa composição mista seria interessante de ser futuramente investigada a fim de lançar novas perspectivas sobre os modos de torcer.

O galo maluco

Em relação ao time do CRB há de se destacar que um bom número de torcedores esteve presente no Aniceto Moscoso. Antes da partida era possível vê-los andando pelas ruas de Madureira ostentando bandeiras, camisas e cantando “nós somos  Galo, Gaaalo maluuuuuco”!

Resolvi seguir alguns que seguiram pelo Mercadão de Madureira, pelas ruas do bairro e acabei encontrando o bar onde a maioria se reunia. Lá fui recebida – e muito bem recebida – por torcedores e torcedoras que enfrentaram uma viagem de Alagoas ao Rio.

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No caso da torcida do CRB não vi mesclas de camisas de outros clubes. Vi camisas variadas comemorativas ao centenário do clube ou aquelas típicas retrôs, o que indicava que poderia haver um bom investimento na comercialização de produtos licenciados pelo CRB. E de fato parece que há. Fui ao site do clube onde podemos ser direcionados para a loja virtual na qual se pode adquirir uma variedade de roupas e objetos ligados ao CRB

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A estrutura mercadorizada e espetacularizada da qual participa os principais clubes do país também é apropriado pelos chamados clubes de “baixo investimento” se traduzindo em lojas virtuais e físicas, e no licenciamento de produtos vendidos ao torcedor, assim como oferecendo programas de sócio-torcedor.

No contexto atual globalizado em que jogadores de futebol se transformam em celebridades midiáticas consumidas mundialmente por públicos amplos, não é muito fácil – sobretudo para os clubes que estão fora do circuito principal futebolístico – a manutenção de seus torcedores.

Por outro lado, esse mesmo impulso globalizante é capaz de fortalecer os laços locais importantes para a manutenção do pertencimento clubístico, sentimento que move os torcedores independentemente da divisão às quais seu time joga. O CRB parece ter uma força local grande, com a conquista de diversos títulos estaduais e nutrindo com o CSA uma forte rivalidade de longa data.

Isso não ocorre com o Madureira, infelizmente

Debaixo do sol e ao lado e cercados por um “cordão de isolamento” a compacta massa vermelha dos torcedores do CRB assistiram à vitória do time por 2 x 1.

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Às vezes se ganha mesmo perdendo

O Madureira saiu de campo aplaudido pela maioria dos que estavam no estádio, seja pelos torcedores de ocasião, seja por aqueles que acompanham o time com mais frequência.

Em alguns jogos que fogem ao circuito principal do futebol brasileiro, a vitória e a derrota podem adquirir sentidos diferentes. Os aplausos dados ao Madureira se justificam em primeiro lugar porque o público não era formado exatamente pelo que convencionamos a chamar de torcedores, muito menos por indivíduos movidos pelo “pertencimento clubístico” já mencionado.

O horizonte de expectativas que cerca times como o Madureira é um tanto limitado e há um certo nível de consciência em relação à sua realidade difícil, o que faz com que muitas vezes o simples fato de se chegar às quartas de final de um campeonato da terceira divisão possa significar uma espécie de vitória.

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Entretanto a rotina de derrotas e a dificuldade em participar de competições mais regulares ao longo do ano pesa financeiramente para os clubes e torna ainda difícil sua manutenção assim como a formação de novos torcedores.

O abismo econômico entre os clubes no Brasil se evidencia quando frequentamos jogos que vão além daqueles que compões as primeiras páginas dos jornais esportivos.

Esse aspecto é bastante preocupante. O risco de desaparecerem do mapa futebolístico sempre ronda os chamados clubes de menor investimento.

Frequentar ou mesmo assistir a jogos como os de sábado passado também é uma oportunidade de se questionar a cara noção de “futebol-arte” como sendo elemento fundador do futebol brasileiro. Esses jogos “de contracapa”[2] evidenciam que grande parte do futebol brasileiro se movimenta à margem do tão exaltado “futebol-arte”, questão que já se mostra clara nos jogos da própria série A do Brasileirão e que no caso de times de pequeno investimento faz-se padrão dominante.

O futebol-arte é uma categoria historicamente construída, certamente que fundamentada na atuação hábil de jogadores excepcionais que fizeram parte de algumas seleções brasileiras.

Mas há de se pensar que mais do que uma regra, o futebol-arte pode ser uma exceção que foi tomada como uma espécie de essência do estilo brasileiro e que, muitas vezes, funciona como uma categoria que aprisiona e limita criticamente nossos olhares lançados sobre o futebol nacional.

Sendo assim, me questiono muito quando ouço as análises que se faz do “futebol brasileiro”, especialmente aquelas que se tornaram comuns após os 7 x 1 contra a Alemanha, na Copa do Mundo.

Como é possível propor uma análise menos superficial sobre algo que se conhece e que se divulga tão parcialmente.

Quando se fala em renovação do futebol brasileiro olhar para esse futebol buscando nele sua diversidade, oferecendo suporte para manutenção e crescimento de clubes que embora possam estar longe do circuito principal são parte constitutiva do futebol nacional.

[1] Arlei Sander Damo propõe que há diferentes maneiras de se praticar futebol que podem ser agrupadas em quatro matrizes denominadas: espetacularizada, bricolada, comunitária e escolar (cf. Damo, 2007, 40). A matriz espetacularizada que se caracterizaria por ser organizada de maneira “monopolista, globalizada e centralizada através da FIFA (…) Divisão social do trabalho dentro e  fora de campo. Não obstante a distinção clara e precisa entre quem pratica e quem assiste (..)” (2007, 43). Sobre esse aspecto ver DAMO, Arlei. Do Dom À Profissão – A Formação de Futebolistas no Brasil e na França. São Paulo: Editora Hucitec, 2007.

[2] Referência ao título do livro Oliveira, Allan de Paula, Souza, Hélder Cyrelli de e Castelo Branco, João. O futebol da contracapa: uma etnografia da Suburbana em Curitiba. Curitiba: Editora Máquina de escrever, 2012.

VI Seminário Nacional: Política, Sociedade & Cultura

Durante os dias 20 e 24 de outubro vai acontecer o IX Semana de História Política do PPGH-UERJ. No dia 23/10 acontecerá o Simpósio Temático “História e Esporte”, organizado por Alvaro do Cabo, membro do grupo de pesquisa Esporte e Cultura, e pelo professor Mauricio Drumond.

Seguem abaixo os trabalhos que serão apresentados neste Simpósio e os interessados em assitir outros simpósios pode acessar a programação completa.

História e Esporte.
Coordenação: Prof. Dr. Álvaro Cabo Truppel (UFRJ) e Prof. Dr. Maurício Drumond (UFRJ)
23/10/2014 (Quinta-feira) de 13:30 às 17:30 – Sala 9054F

  • Celebrando a pátria amada: esporte e política nos festejos do Sesquicentenário da Independência do Brasil (1972) (Bruno Duarte Rei)
  • As relações entre esporte e política no Brasil (1933-1941) e na Colômbia (1948-1954): uma análise acerca da profissionalização do futebol (Eduardo de Souza Gomes)
  • “Um estadio á altura de seu progresso esportivo”: análise dos discursos jornalísticos em tempos de preparativos para a IV Copa do Mundo de futebol (1950) em Belo Horizonte/MG(Euclides Couto / Karen Lima / Marcus Vinícius Costa Lage
  • A Ditadura da bola: um militar e um comunista à serviço da seleção. (Lucas Toledo Gonçalves)
  • Passe livre, governo ditatorial: o documentário de Oswaldo Caldeira (1974), política, futebol e sociedade. (Luiz Carlos Ribeiro de Sant’ana)
  • Futebol e trabalho no regime Vargas: disputas políticas na implantação do profissionalismo esportivo no Brasil (Maurício da Silva Drumond Costa)
  • A Lei Bosman e o FC Barcelona: globalização do futebol e identidade regional (Victor de Leonardo Figols)
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Imprensa pode comentar a violência dos estádios com isenção ?

Por Juan Silvera

Qual o grau de  responsabilidade que a imprensa esportiva em geral tem perante as atitudes do torcedor no que tange à violência desencadeada por resultados adversos, erros de arbitragem e outros componentes “naturais” que desagradam e frustram as expectativas dos mesmos?

Assistindo ao videoteipe da transmissão da partida válida pelas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Londres 2010 entre as seleções de Brasil e Coreia do Sul, esta foi prejudicada em duas oportunidades  em que a arbitragem deixou de marcar  faltas grosseiras contra o time do Brasil, faltas estas cometidas  dentro da grande área, o que caracterizaria penalidade máxima. A primeira falta ocorreu aos 15 minutos do primeiro tempo – o zagueiro Juan levantou exageradamente o pé e acertou a cabeça do atacante asiático. Aos 3 minutos do Segundo tempo, Sandro derruba Bokyung Kim na área, falta mais clara que a primeira, mas o juiz da República Tcheca, nas duas oportunidades, mandou continuar o jogo, fatos que  certamente mudariam o desenlace da partida.

Após pesquisar na mídia da época, somente encontrei um artigo do jornalista Carlos Padeiro, da Uol (Universo on Line), comentando os erros do juiz Pavel Kralovec. Os outros comentaristas apelaram para a  dúvida de interpretação  e os fatos foram esquecidos. Dúvida é prerrogativa  exclusiva do árbitro que tem frações de segundo para decidir e um só ângulo de visão.

A imprensa tem à sua disposição tempo e recursos tecnológicos para dissipar dúvidas. O auxilio tecnológico vai desde o número de câmeras de grande alcance com altíssima definição e câmera lenta (na Copa do Brasil 2014 foram 34 câmeras)  a recursos espetaculares de computação gráfica, que permitem o esclarecimento de qualquer lance praticamente em tempo real.

Num segundo momento, os mesmos jornalistas fizeram severas críticas ao técnico da  equipe chinesa de ginástica que insinuou ter havido favorecimento ilícito a favor do Brasil na decisão da medalha de ouro, na modalidade argolas. Foi chamado entre outros adjetivos de  “mau perdedor “,  o que me leva à reflexão de que se existe mau e bom perdedor, teria de ter também mau e bom ganhador.

Uma decisão que nos favorece sempre leva em consideração  fatores humanos. Isenta o árbitro que não conta com o  “replay” ou estava no momento do lance numa posição desfavorável ou com a visão obstruída, já os erros que nos prejudicam trazem à tona a péssima preparação dos árbitros iluminando  a falta de caráter de quem cometeu a falta; isto, se o autor não estiver vestindo a amarelinha, com ela falta de caráter vira malandragem, expertise.

Puxando pela memória, lembro-me de alguns exemplos históricos como os gols convertidos com a mão (uma de Deus) de Maradona contra a Inglaterra no estádio Azteca, em 22 de junho de 1986, pelas quartas de final da Copa do México, e outro do Túlio Maravilha contra a Argentina pelas quartas de final Copa América de 1995 no estádio Atilio Paiva de Oliveira, em 17 de julho de 1995, na cidade de Rivera, Uruguay.

O primeiro é lembrado até hoje como falta de caráter  e entra em pauta diversas vezes ao ano, numa tentativa de nunca apagar da memória do torcedor tremenda falcatrua (na Web encontrei mais de 210.000 citações), falta de espírito esportivo, deslealdade e péssimo exemplo para as gerações de atletas em formação. O outro (o do Túlio) virou uma peça do folclore, amplamente festejado até por ter sido cometido contra um arquirrival. Na transmissão da Globo Galvão Bueno diz: “Ele foi malandro” “Os argentinos vão chorar durante um mês” “Túlio é Maravilha até com o braço isso reforça  a frase de sua autoria: “Ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é melhor ainda”. Mauricio Torres no programa Galeria Gol comenta …se com o pé ele desperdiça, com o braço ele é brilhante! Maravilha de braço!”.

A ajeitada “manual” que o francês Thierry Henry realizou antes do passe para o gol de Gallas nas eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul,   que tirou a Irlanda da competição, foi catalogada como vergonha nacional para os Blues. Irlanda Roubada, diz a manchete do blog de Juca Kfouri e continua: A Irlanda foi vergonhosamente garfada em Paris e perdeu vaga na Copa de 2010 para a França graças a um gol que nasceu de uma matada com a mão de Henry. Tão clara que o francês merece ser punido com a proibição de embarcar para África do Sul”.

Já na ajeitada do  Fabuloso Luís Fabiano contra a Costa de Marfim, na Copa da África do Sul,  o mesmo jornalista escreveu: “Luís Fabiano acaba de fazer um gol de Pelé, simplesmente com três chapéus!!! Aos 5. (E com uma matada no braço, admitamos…)” e no final da matéria ao dar nota ao elenco brasileiro escreve: “Luis Fabiano; fez dois gols, um com três chapéus (que anula um braço….) nota 8” , já Tadeu Schmidt no programa Fantástico parafraseia o Hino Nacional e diz: “Puxa no braço, Luís Fabiano! Domina no braço essa desgraçada!”,  “É o gol conseguimos conquistar com braço forte.”,  “Luís Fabiano é o Jabulani cheia da semana”.

A entrada “criminosa” de Maradona em Batista, do Brasil, na Copa de 1990 na Itália contrasta com  a    “precipitação”,  de Felipe  Mello, ao “atingir”  Robben, da Holanda, no jogo de despedida do Brasil nas quartas de final  da Copa de 2010, segundo os comentários da imprensa.

A imprensa tem a obrigação de comentar todas estas ações  e tratá-las com igualdade e imparcialidade, do contrário é um incentivo à ideia de que levar vantagem é bom  e a desabilita a criticar a violência nos estádios com isenção, além de  outorgar-lhe uma dose de culpa pela mesma.

 

 

 

A cobertura da Copa do Mundo de 2014 em debate. Um passo para uma terceira realidade.

quarta-feira, outubro 15, 2014 Deixe um comentário

Como a maior parte dos leitores deste blog já sabe; no final de setembro, os integrantes do LEME organizaram um ótimo evento acadêmico para debater o legado da Copa de 2014, que contou com a presença de importantes pesquisadores brasileiros e estrangeiros, oficinas de jornalismo esportivo e um fórum com a discussão de trabalhos de jovens pesquisadores, lotando a sala da RAV no décimo andar da Faculdade de Comunicação da UERJ. Gostaria de primeiramente parabenizar os participantes e responsáveis pela iniciativa e agradecer o acolhedor ambiente do seminário.

Entretanto no presente post, farei outra abordagem mais opinativa sobre a mesa onde se reuniram experientes profissionais do jornalismo esportivo no país com a finalidade de debater a cobertura do torneio realizado no Brasil justamente pelo fato da mesma ter a finalidade de aproximar a Academia do que seria o mundo concreto, real, sensível imperfeito da luta cotidiana dos jornalistas em busca de audiência. Quem quiser ver ou rever um outro relato mais objetivo da mesa, este foi muito bem feito por Gabriel Py neste mesmo espaço.

Muitas vezes parece que temos de superar no “mundus academicus” uma espécie de romântico dualismo platônico em que os pesquisadores viveriam no mundo ideal, puro e inteligível para a maior parte dos cidadãos comuns e os jornalistas representariam simulacros, pálidas imperfeições dos valores ideais do esporte: ética, fair play e o mítico caráter lúdico que possivelmente nem existia nos jogos com bola da Idade Média e ainda mais em pleno século XXI.

Neste sentido, a mesa moderada pelo professor da UFJF Márcio Guerra, e composta por Sidney Garambone da Rede Globo de televisão, Marcelo Barreto do canal fechado SPORTV e Lúcio de Castro da ESPN Brasil, além da louvável presença feminina da responsável pelo acervo e documentação da Rádio GLOBO, Wanessa Canelas, proporcionaram um campo aberto para um intenso debate que pode ajudar a refletir nas possibilidades de interação entre o mundo das ideias universitárias e a realidade da pratica jornalística no esporte.

A apresentação de Garambone foi leve, descontraída, fugaz. A exibição de um vídeo claramente institucional ensejou uma espécie de discurso oficial que também é oportuno para o debate. Na minha opinião, o palestrante poderia ter sido mais veemente nos seus argumentos ou ter abordado questões políticas e econômicas das grandes corporações, visto que é um especialista em Relações Internacionais e tem grande experiência no assunto.

Como já tinha assistido a uma palestra muito interessante dele alguns anos atrás, acho que em um evento sobre Globalização no Museu Histórico Nacional, confesso que fiquei um pouco decepcionado, mas entendo que o tema e a proximidade do evento, bem como o “local da onde se fala” dificultaram sua exposição.

Todavia, reitero o fato de que o olhar oficial da empresa que é a majoritária no mercado midiático brasileiro obviamente precisa ser compreendido e estudado independentemente de questões ideológicas ou opiniões pessoais dos pesquisadores, além do que, as inovações tecnológicas da cobertura abordadas na apresentação, bem como as preocupações geradas com a forma de lidar com o tema no contexto político da realização do torneio também são relevantes no debate sobre a cobertura do evento.

Wanessa Canelas da Rádio Globo apresentou questões relativas à pesquisa e ao acervo da instituição, acionando a memória de antigos locutores esportivos de rádio e do “imortal” José Carlos Araújo, o Garotinho, a partir de um vídeo com importantes gols e narrações das conquistas brasileiras nos cinco mundiais. O ambiente na sala, muito bem decorada desde o início do Seminário com camisas retrô de grandes seleções da História do futebol mundial se transformou praticamente em uma arquibancada com sorrisos emocionados e expressões nostálgicas.

O terceiro convidado foi o carismático apresentador do SPORTV Marcelo Barreto. Sua exposição foi divertida e declaradamente improvisada. Ele falou das suas experiências na cobertura das Copas anteriores da Alemanha e África do Sul, apontou aspectos positivos e negativos de se trabalhar diretamente em um megaevento esportivo, relatou curiosidades e falou da sua emoção em trabalhar em um torneio no Brasil e ter a oportunidade de compartilhar este fato com seu filho que se não me falha a memória está com seis anos.

Foi uma apresentação cativante que anunciou a possibilidade de se encaminhar um debate mais específico sobre o tema, pois paralelamente aos seus casos particulares, o palestrante abordou o papel profissional do jornalista esportivo nesses megaeventos.

A última fala coube ao polêmico e contestador colega Lúcio de Castro. Conheço o Lúcio faz anos. Como ele próprio lembrou foi meu veterano no final do século passado no curso de História da UFRJ. Independentemente da nossa antiga amizade admiro sua franqueza, bem como a paixão que tem pela profissão e por trabalhar com reportagem investigativa. E Lúcio veio para a mesa como dinamite!

Primeiro afirmou de forma categórica que assim como a seleção foi humilhada pela Alemanha na semifinal disputada em Belo Horizonte, a cobertura da Copa pelas emissoras brasileiras também teria sofrido uma goleada moral durante o evento. Citou a omissão generalizada em todos os veículos da denúncia de falta de treinamento da Família Scolari, criticou a permanência na concentração de uma TV privada da CBF com cerca de 25 integrantes invadindo a privacidade dos jogadores durante o torneio, além da própria liberdade que o helicóptero de Luciano Huck teria para adentrar na concentração da seleção brasileira.

Seu segundo argumento retórico buscou desconstruir a famosa dicotomia entre o bem e o mal no jornalismo esportivo, não se utilizando da sua posição simbólica de integrante de uma emissora fechada considerada por muitos telespectadores mais crítica, para afirmar que o problema não é o local em que se trabalha, pois estamos diante de um jogo de grandes corporações, mas a atitude dos homens. Em todos os canais abertos e fechados, os interesses oriundos do processo de mercantilização do desporto serão uma realidade com a qual os jornalistas terão que lidar. Caberá a cada um buscar as brechas no sistema para tentar desenvolver um trabalho de melhor qualidade investigativa e de consciência política caso tenham realmente este desejo.

Para finalizar Lúcio bradou que o ponto principal nesta discussão é a questão dos direitos de transmissão sobre os megaeventos esportivos. As disputas de mercado, seja no exterior ou no Brasil passam pelo debate em cima da exclusividade ou não dos direitos de transmissão. Tanto na tv aberta, quanto na fechada este é o pomo da discórdia, o calcanhar de Aquiles das grandes corporações.  Subliminarmente entendi que a atitude dos homens deve ser para buscar democratizar esta questão independentemente do canal X, Y ou Z.

Com o final das palestras, o debate foi acalorado, os estudantes vibraram com as apresentações e intervenções, as respostas ampliaram a discussão e a impressão que fiquei, é que retornando a Platão, é necessário tanto para os jornalistas, quanto para os acadêmicos saírem da caverna para buscar encontrar a luz do conhecimento.

Aproximar os dois mundos hipotéticos platônicos pode ser o caminho para superar esta dualidade existente entre o discurso teórico acadêmico e a realidade factível dos jornalistas esportivos. A instigante mesa apresentada nas linhas acima foi um pequeno passo na direção de uma terceira realidade crítica possível. Será possível chegar ao “Demiurgo” midiático?

TIRO NO PÉ

Por Juan Silvera

Na dramaturgia, o conflito cumpre função de relevante importância no enredo da historia, cabe a ele o papel de prender a atenção do leitor ou espectador, assim determinando o sucesso ou não do espetáculo. Sem conflito o desinteresse impera.

Este pode  ser afetivo, emocional, intelectual, físico ou a combinação de alguns deles, só não pode ser banal, “manjado”, tem que ser inesperado, surpreendente,  ele vai ditar o ritmo e a intensidade. Com certeza imprimirá no espectador sensações divergentes. Quando explorado com inteligência e perspicácia, ultrapassa o seu próprio ambiente, suscita comentários e gera as polêmicas oriundas dos diferentes pontos de vista dos espectadores. Brincando, diria que dá a luz  a um meta-conflito travado quase que invariavelmente na realidade de uma mesa de bar ou no conforto do sofá da sala após a cena final.

Portanto, o conflito é duplamente importante: ele prende a atenção do espectador e, a troca de impressões no ambiente externo, gera novos espectadores num círculo virtuoso. Em nada prejudica o espectador, pelo contrário, dá a possibilidade de trocas sociais enriquecedoras, apesar da pluralidade de opiniões.

O esporte de alto rendimento como espetáculo de linguagem universal, interpretado de forma idêntica independentemente de costumes, raças, idiomas e cultura, atingiu hoje níveis de excelência, onde se viu impelido a recrutar equipes multidisciplinares de profissionais de apoio e incorporar a tecnologia no auxílio da arbitragem para torná-lo mais atraente e sério. Contrariamente à dramaturgia, tenta extirpar os conflitos culturais – erros induzidos, alheios à prática do esporte, geralmente erros de arbitragem – do seu âmbito.

Cada dia, mais esportes são transmitidos ao vivo pelas redes de televisão no mundo, criando novos adeptos, novos praticantes, gerando novos produtos e empregos, alimentando a cadeia de consumo. O conflito neste caso atua negativamente dando instabilidade ao cronograma das emissoras onde a máxima “time is money” é fato.

O futebol, esporte de maior penetração neste planeta, é um dos poucos que ainda persiste em manter os conflitos, os utiliza como alimento para rádio, jornais, revistas especializadas e para as emissoras de televisão que fazem deles combustível para programas de discussões acaloradas e inúteis reflexões redundantes, onde sabidamente o prêmio para quem chegar à solução é a morte da discussão.

Uma obra prima, oriunda de uma jogada genial de um craque, não pode ser considerada conflito e rende, no máximo, duas fotos, algumas linhas mais inspiradas de texto, o replay de vários ângulos e só.  Já um gol de mão ou um pênalti não marcado geram conflitos que se desdobram em outros eventos incluindo ali a violência e brigas de torcedores, que multiplicam a pauta da mídia, quando não colaboram também com o obituário.

Até onde o apoio maciço da mídia à incorporação da tecnologia no futebol seria um tiro no próprio pé?

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NFL e a política de “vista grossa”

terça-feira, setembro 30, 2014 Deixe um comentário

Em Fevereiro deste ano o jogador de futebol americano Ray Rice foi acusado de agredir sua então noiva, hoje esposa, Janay Palmer em um elevador do Revel Cassino em Altantic City. Nesta época apenas o vídeo de Ray arrastando o corpo inconsciente de sua noiva para fora do elevador havia sido divulgado pela mídia. No mês seguinte o jogador foi indiciado por lesão corporal qualificada em terceiro grau, e em Maio foi aceito num programa de reabilitação pré-julgamento a fim de evitar um processo.

ray

John Harbaugh técnico dos Baltimore Ravens, naquele momento time de Ray, defendeu o jogador dizendo que “quando a pessoa bebe demais em público, coisas desse tipo podem acontecer”.  A poderosa NFL suspendeu Ray por dois jogos. Só para se ter uma ideia Josh Gordon foi suspenso por um ano e Justin Blackmon foi suspenso indefinidamente, punidos por uso de substância ilícita (maconha). Foi então que o mundo do futebol americano foi abalado com a divulgação de um novo vídeo mostrando Ray dando um soco no rosto da noiva deixando-a inconsciente. A partir desta divulgação a NFL e os Ravens declararam-se envergonhados, Ray foi demitido e suspenso indefinidamente pela NFL.

Agora eu lhe pergunto por que foi necessária a divulgação do vídeo da agressão para que tanto NFL quanto Ravens tomassem medidas mais rigorosas? Ninguém, dessas duas entidades, havia visto o vídeo antes da divulgação? Qual a diferença entre saber da agressão e ver a agressão? Ray Rice já havia sido preso e confessado a agressão.

Casos de violência doméstica não são incomuns no esporte. Ray MacDonald, do San Francisco 49ers, foi preso recentemente acusado de agredir a namorada grávida; Adrian Peterson, do Minnesota Vikings, foi acusado de agredir o filho de quatro anos. Sem contar os casos brasileiros, como por exemplo em 2010 quando  o então jogador de futebol Adriano teria mandado amarrar a namorada a uma árvore; ao ser questionado, em entrevista, sobre essa situação Bruno, ex-goleiro do Flamengo, afirmou “Em briga de marido e mulher não se mete a colher, xará”, e ainda completou, “quem nunca saiu na mão com uma mulher?”. Bruno está preso acusado de mandar matar Elisa Samúdio,  com quem havia tido um caso.

Um estudo realizado em 2013 pelo Instituto e Marketer mostrou que 47% dos telespectadores da NFL são mulheres entre 25 a 44 anos. E apesar de já ter começado a adotar medidas direcionadas a essa fatia de mercado a NFL perdeu uma cara oportunidade de se posicionar contra a violência contra a mulher, e percebeu isso ao iniciar uma discussão sobre mudanças nas penas para futuras ocorrências. De acordo com o noticiado pelo Washington Post no último dia 13 de Setembro, quem for flagrado em primeira ofensa poderá ser suspenso por até seis jogos, enquanto o reincidente poderá ficar fora da Liga por um ano. Contudo a política de vista grossa adotada pela NFL não agradou e colocou uma mancha na história da Liga que vai ser difícil de ser apagada.

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