Será que 15 anos depois os “ lobos/hienas da bola” continuarão a gargalhar?

terça-feira, junho 23, 2015 Deixe um comentário

Segundo o jornalista Carlos Azevedo em depoimento ao livro CBF-NIKE que relatou todas as investigações da pioneira CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)  escancarando os subterrâneos da cartolagem do futebol brasileiro:

No início de 1999, Aldo Rebelo começava a colher assinaturas para a CPI para analisar a regularidade do contrato entre a CBF e a Nike. A iniciativa foi recebida com gargalhadas na “Embaixada da CBF” em Brasília. A “Embaixada” fica numa mansão alugada pela CBF  e que custou R$660.000,00 em despesas aos cofres da entidade só no ano de 2000. Ali em partidas de futebol society, festas concorridas bem servidas de comidas, bebidas e outras atrações, parlamentares e cartolas confraternizavam e punham-se ao dispor do magnata da CBF. Desde 1998 era a sede da “bancada da bola”.

Consegui o esgotado/censurado livro sobre a polêmica CPI da Nike em 2003 quando coletava material para uma monografia de final de curso em Direito em que eu discutia a tese minoritária de possibilidade de fiscalização da C.B.F pelo M.P.U (Ministério Público da União). A referida obra dos relatores Aldo Rebelo e Sílvio Torres “curiosamente” não era encontrada em nenhuma livraria de pequeno, médio ou grande porte na cidade do Rio de Janeiro. Com muito custo e após me avisar que os exemplares tinham sido arrematados ou simplesmente recolhidos das prateleiras em poucos dias meu amigo Rodrigo, dono da clássica “Folha Seca” na Rua do Ouvidor 37 adquiriu um livro com um colega em São Paulo que guardo até hoje como se fosse um sobrevivente do “BUCHERVERBRENNUNG”, a trágica queima de livros do regime nazista em 1933.

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Uma CPI é regulamentada pelo artigo 58 parágrafo 3 da magna carta e tem como função investigar um “fato determinado” que pode ser encaminhado ao Ministério Público, órgão que possui a competência de denunciar criminalmente ou civilmente as ilegalidades ou arbitrariedades cometidas por um parlamentar, empresa ou cidadão:

Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.

  • As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

A simples abertura da CPI da Nike na Câmara dos deputados e seu desdobramento na comissão do Senado conhecida como CPI do Futebol configurou em uma conquista devido ao contexto favorável aos interesses econômicos da instituição que administra o futebol pátrio e as alianças políticos que os seus dirigentes possuíam com a famigerada “bancada da bola”.

Independentemente da CPI ter sido arquivada devido aos mecanismos desiguais do procedimento legislativo “boleiro”, o fato do relatório ter sido mantido na íntegra, descrevendo sucintamente diversos crimes contra o sistema financeiro e a articulação das redes de poder corruptas que envolviam “amizades” nos três poderes se constituiu em uma grande vitória.

Ademais, apesar de eventuais resultados concretos na esfera civil e penal terem sido evitados pelo arquivamento da CPI, a importância simbólica dos depoimentos evasivos de Ricardo Teixeira e da repercussão midiática na opinião pública dos fatos investigados foram fundamentais para desvelar a aura intocável de legalidade e moralidade da empresa privada gestora da “paixão nacional”.

Neste sentido, e como “recordar é viver” urge a necessidade de acionar a memória das investigações feitas neste episódio justamente para que 15 anos depois, as novas/antigas – denúncias/fatos não sejam novamente arquivadas por herdeiros da microfísica parlamentar do poder no Congresso nacional, se transformando em novas bodas pueris.

Assim sendo, elenco abaixo resumidamente os “pontos sensíveis” apurados no nascimento da adolescente moça batizada CPI da Nike segundo seus relatores (CBF-NIKE, 2003.P26-28):

  1. Contrato CBF-NIKE – Ficou comprovada a supremacia de interesses econômicos da multinacional norte-americana em detrimento do futebol brasileiro e privilegiando os interesses pessoais dos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol.
  2. Corrupção das Federações – As Federações se transformaram em “casas de negócios sujeitas ao continuísmo, nepotismo e corrupção, à ausência de calendários e outros desmandos.” (CBF-NIKE, 2003.P.27)
  3. Administração ruinosa da C.B.F – Gastos indevidos, doações políticas para parlamentares da “bancada da bola”, fraudes fiscais, etc.
  4. Empréstimos externos da CBF, evasão de divisas – Contratos de empréstimos com juros extorsivos no exterior no DELTA BANK, compra de ouro no exterior sem identificação dos beneficiados, remessa ilegal de dinheiro para a FIFA, etc.
  5. Remuneração ilegal da diretoria da CBF – A CBF segundo seu Estatuto, era uma empresa privada sem fins lucrativos gozando dos benefícios legais desta situação atípica, porém seus dirigentes recebiam altos salários. Após a CPI o Estatuto foi modificado.
  6. Ricardo Teixeira usa recursos da CBF para pagar contas dos seus advogados, restaurantes e agradar “amigos’ do Judiciário, Legislativo e Executivo.

Outros escândalos relatados no livro como o retorno da equipe tetracampeã ao país que ficou conhecido como “vôo da muamba”, o desvio de ingressos da final da Copa do Mundo de 1998 pela agência/parceira SBTR, o tráfico de jogadores com passaportes falsos ajudam a revelar a podridão da gestão de um dos maiores ícones do patrimônio cultural brasileiro.

Outrora lobos sagazes, arrogantes e intocáveis os dirigentes da CBF agora parecem hienas covardes cabisbaixas. Mas nenhum animal aceita abandonar a presa, mesmo que esta esteja se transformando em uma fétida carniça putrefata como o moribundo futebol brasileiro.

A famosa máxima hobbesiana de que “O lobo é o lobo do homem” infelizmente na gestão privada da C.B.F e da FIFA pode ser substituída pela metáfora de que a “bola é o lobo do homem”. Que os lobos temporariamente rebaixados à hienas continuem a rir de medo e não de deboche!

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Trabalho do LEME é divulgado no boletim Fronteiras do Conhecimento

A primeira edição do boletim Fronteiras do Conhecimento apresenta em um de seus capítulos o trabalho elaborado pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esporte (LEME). Esta apresentação teve como principais bases as entrevistas concedidas por Ronaldo Helal (co-fundador e coordenador do LEME) e Filipe Mostaro (doutorando e integrante do LEME) ao núcleo de Estudos Avançados.

A equipe de comunicação da Coordenadoria de Estudos Estratégicos e Desenvolvimento (CEED) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) criou, a partir da organização do núcleo de Estudos Avançados e Desenvolvimento, o boletim Fronteiras do Conhecimento. A iniciativa tem como um dos principais objetivos apresentar projetos de estudos estratégicos científicos e tecnológicos de diversas partes do mundo.

Além disso, o boletim é uma publicação bimestral e pretende identificar e divulgar o trabalho promovido por grupos de pesquisas da própria UERJ de forma a atrelá-los à demandas das demais regiões e cidades do Rio de Janeiro integradas ao conhecimento científico, tecnológico, social e aos recursos humanos. Desse modo, é disponibilizado aqui a primeira edição do boletim, no formato de arquivo em PDF:

Boletim Fronteiras do Conhecimento – Junho de 2015 – Ano I, Edição Nº 1.

Uma Pirueta, Duas Piruetas…

terça-feira, junho 9, 2015 Deixe um comentário

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Eu sempre gostei de esporte, então quando entrei na Faculdade de Comunicação me pareceu natural aliar o esporte ao jornalismo, e eu então comecei a trabalhar com jornalismo esportivo dentro da Graduação. Quando comecei a me interessar pela pesquisa acadêmica, também me pareceu muito natural trabalhar a questão do esporte e de novo o jornalismo esportivo apareceu na minha vida.

Durante todo o período da Graduação, tanto meu trabalho no mercado quanto na pesquisa acadêmica estavam voltados para o jornalismo esportivo, e durante esse tempo eu estava mergulhada na área, acessava todos os sites, via todos os programas de televisão , ouvia programas radiofônicos,  possuía informações sobre todos os times e campeonatos de futebol e ficava sempre muito bem colocada no tradicional bolão da Rádio Universitária, hoje Rádio Facom, da UFJF.

Quando eu me formei tive a oportunidade de morar na Europa, e lá mantive os mesmos interesses e hábitos, sempre com muito carinho ao jornalismo esportivo. No continente europeu tive a chance de perceber que a área tão afeta ao meu coração é muito maior do que eu havia imaginado, e muito mais complexo do que o exercido no Brasil.

Durante meus estudos e pesquisas acadêmicas, aprendi que nos primórdios o jornalista que era designado para editoria de esportes tinha um status social, ou valor de trabalho, menor. Essa era uma editoria que se considerava não possuir tanta força política, social e econômica, e aquele jornalista que não possuía muita capacidade intelectual para trabalhar com as outras editorias, consideradas importantes, era relegado ao esporte. Com o passar do tempo o esporte cresceu e tornou-se um forte mercado, e a secção de esportes cresceu junto, ganhando força e importância dentro das redações (importância relativa, mas isso fica para outro post).

A questão é, com o esporte tornando-se mercado o jornalismo esportivo transformou-se em entretenimento.  E o que tenho visto é uma certa “palhaçalização” desse tipo de jornalismo. O que se tem nos programas de televisão e nos sites esportivos de notícia é, além da eterna restrição ao futebol (o que é uma crítica antiga, sobre a necessidade de se divulgar outros esportes), uma revisitação constante, sucessiva, ininterrupta aos jogos que aconteceram no dia, ou fim de semana, anterior no caso da televisão e nos acabados de acontecer por parte dos sites.  Os gols são reprisados ad infinitum, as jogadas são esmiuçadas, os lances polêmicos vistos em super-câmera-lenta, de todos os ângulos, entrevistas de jogadores e técnicos, que não acrescentam em nada são colocadas sob uma lupa. O jornalismo esportivo , então, perde novamente o seu valor, pesando o tripé em toneladas para o lado do entretenimento.

Piadas e brincadeiras, que sempre tiveram espaço, e que são muito válidas visto este tipo de jornalismo ser mais leve, tornam-se mais importante do que as informações e ganham espaço que poderia ser dado à divulgação de outros esportes, ou à investigação, ou ao esporte amador, ou a histórias de interesse social. Com a leveza em excesso o diagnóstico é simples, o jornalismo esportivo inflou-se de gás Hélio e está indo para o “espaço”.

Exemplo clássico dessa “palhaçalização” é o bloco de esportes do Fantástico, programa exibido aos domingos pela Rede Globo, que fecha essa revista eletrônica semanal, que tem se voltado cada vez mais para o entretenimento . Tadeu Schmidt que havia levado um diferencial ao bloco, com o “Bola Cheia” e “Bola Murcha”, e focando na alegria do futebol, tem “pesado na mão”, ficando circunscrito a isso.

Não se trabalha o jornalismo esportivo investigativo no Brasil, como se deveria. Fomos sede da Copa do Mundo em 2014, seremos sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016, e não vejo investigação ou, ao menos reportagens com mais densidade informativa. E quando esse tipo de investigação é feita, não são os jornalistas que trabalham efetivamente com o esporte os autores de tal façanha, e quando são divulgadas, essas matérias encontram-se dissociadas dos blocos, cadernos, secções do esporte.

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Da várzea à Fifa

sexta-feira, junho 5, 2015 Deixe um comentário

No Sertão da Paraíba, nos recantos de uma cidadezinha qualquer, há um clube amador de futebol. Um time de peladeiros, com poucos recursos, sem campo próprio, sem dinheiro para manter o jogo de bola em níveis aceitáveis de qualidade. Jogam em nome do prazer. Para se socializar na base da cachaça e da feijoada ao fim do jogo. Pelo prazer de tirar sarro do rival, igualmente pobre, do bairro vizinho, no famoso clássico entre “com coletes” e “sem coletes” que embalam a comunidade em um domingo de manhã.

Nenhum dos dois jogam por dinheiro. Nenhum dos dois vende ingressos para os jogos. Nenhum dos dois joga em estádios. O palco maior do clássico, em regra, é o campinho de barro, de metas de madeira podre ou de ferro enferrujado, mais famoso por suas irregularidades e imperfeições do que pelas marcações que lembrariam um decente campo de futebol.

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Eles não sabem. Não têm a menor ideia disso. Mas ambos os presidentes de clubes amadores (chamados de clubes muito mais por um formalismo de cartório do que por qualquer sede social que exista) são alguns dos colaboradores da imensa teia internacional que mantém a Fifa na mão de poderosos. Muitos deles corruptos. Todos milionários. Entre eles, afundado em denúncias, Joseph Blatter, o suíco que acaba de renunciar ao cargo de presidente da Fifa.

O caminho é longo. Mas homogêneo. Muda apenas os agrados. Os conchaves. Os comportamentos. Do amadorismo até a cúpula da cartolagem mundial. Porque um belo dia, os “presidentes” destes “clubes amadores” recebem uma visita. Da liga amadora da região que tem direito a voto na eleição da Federação Paraibana de Futebol. Conversa vai, conversa vem, fecham um acordo. A final do campeonato amador do tal município, por exemplo, graças aos contatos políticos do presidente da liga, vai acontecer no modesto estádio de futebol da região. Modesto, é verdade, mas com ares de arena a quem nunca jogou em canto algum.

Em troca, claro, de apenas alguns votos e apoios para a manutenção do presidente da liga no cargo. Afinal, enquanto ele estiver lá as esmolas, as barganhas, as migalhas continuarão chegando. Claro que revestidas de benfeitorias de um para com o coletivo e para com o futebol como um todo.

Uma semana depois, o presidente da tal liga amadora é chamado a João Pessoa. Vai conversar com Rosilene Gomes, por exemplo, a ex-presidente da Federação Paraibana de Futebol que até o ano passado, antes de ser deposta do cargo pela Justiça, deu por 1/4 de século as cartas do futebol estadual. Rosilene conversa. Se apresenta como “doutora” e promete um futuro melhor para o presidente da liga. Dá a ele um kit esportivo, composto por padrões de futebol, chuteiras, bolas. Tudo de graça. É um agrado e tanto para o pobre e sofrido dirigente dos “cafundós” da Paraíba. Como um mimo especial, oferece um ingresso para o próximo jogo da Seleção Brasileira. Um amistoso ou um jogo de eliminatórias de Copa no Recife, no máximo.

Os kits, claro, jamais chegarão aos eleitores do presidente da liga, aqueles mesmos do jogo na terra batida. Estes, a seu modo, já foram regiamente pagos. Não! O kit será integrado ao patrimônio pessoal do presidente da liga. Ou será vendido para seu benefício próprio. Em troca, claro, de apenas alguns votos e apoios para a manutenção da presidente da FPF no cargo. Afinal, enquanto ela estiver lá as esmolas, as barganhas, as migalhas continuarão chegando. Claro que revestidas de benfeitorias de um para com o coletivo e para com o futebol como um todo.

O tempo passa mais um pouco. Rosilene Gomes é chamada por Ricardo Teixeira ou José Maria Marin. Ambos ex-presidentes da CBF. O primeiro renunciou ao cargo e se exilou nos Estados Unidos. O outro foi preso pela polícia suíça a pedido da Justiça norte-americana.

O presidente da CBF, independente de quem seja, beija a mão de Rosilene Gomes. Recebe-a com tapetes vermelhos, Champanhe e agrados financeiros vultosos. Surge um convite: ser a chefe da delegação do Brasil na Copa do Mundo de Futebol Feminino. Ela aceita. Sorri, ao aceitar. Recebe também kits, vários deles, da Seleção Brasileira. E é convidada para assistir copas do mundo, mundo afora. Vive em um conto de fadas do futebol.

Claro que os kits da seleção não chegarão aos presidentes de ligas. Claro que os grandes jogos de Copa do Mundo não serão para ninguém mais do que é para ela e para os seus. Afinal, os presidentes de ligas, a seu modo, já foram regiamente pagos. Não! O gosto doce do champanhe francês servido em banquetes no Rio de Janeiro é restrito aos presidentes de federações estaduais.

Em troca, claro, de apenas alguns votos e apoios para a manutenção do presidente da CBF no cargo. Afinal, enquanto ele estiver lá as esmolas, as barganhas, as migalhas continuarão chegando. Claro que revestidas de benfeitorias de um para com o coletivo e para com o futebol como um todo.

Até que Teixeira ou Marin é recepcionado na sede da Fifa, na Suíça, por Joseph Blatter. O tal presidente que agora renuncia. Ele é o anfitrião dos anfitriões. E recebe a todos com mulheres bonitas, bebidas raras e caras, carros luxuosos como brindes. Relógios Rolex, canetas Mont Blanc, todos de ouro. Mimos e presentes sem penas ou economias. Salários inimagináveis. Comissões milionárias. Viagens sem fim. Cargos. Escolhas para sede de Copa. Escolhas para comissões da Fifa. Eleições para cargos chaves que dão poder e nutrem vaidades. Verdadeiras fortunas rateadas para poucos. Ingressos para a Copa do Mundo. Para grandes jogos. Para shows que nada têm a ver com futebol. Passe grátis para congressos em hotéis sete estrelas. Uma festa. Uma farra sem fim.

Claro que esta farra é para um grupo para lá de restrito. Aos presidentes de federações estaduais, nem um centavo a mais. Estes, a seu modo, já foram regiamente pagos. Não! As farras homéricas na Suíça não são para o bico de reles presidentes de federações. Apenas à alta cúpula é destinado os ovos de ouro.

Em troca, claro, de apenas alguns votos e apoios para a manutenção do presidente da Fifa no cargo. Afinal, enquanto ele estiver lá as esmolas, as barganhas, as migalhas continuarão chegando. Claro que revestidas de benfeitorias de um para com o coletivo e para com o futebol como um todo.

Eis o ciclo eterno e vicioso que move o futebol. Da várzea à Fifa. Dos campos de terra aos salões suíços. A regra é a mesma. A relação é a mesma. Os apegos são os mesmos. Este é o caminho do interior da Paraíba para a sede da Fifa. Cada cidade, cada Estado, em cada país diferente do mundo tem o seu próprio caminho. Todos com a mesma troca de interesses, com os mesmos vícios e com o mesmo destino: o coração da Fifa, em Zurique. Um caminho sem volta que agora começa a ruir com quedas de cartolas em diferentes níveis. Contudo, apenas para a sazonal troca de personagens que manterá o mesmo esquema vivo e intocável.

Significado de Corrupção

quarta-feira, junho 3, 2015 Deixe um comentário

s.f. Ação ou efeito de corromper. 

Ação ou resultado de subornar (dar dinheiro) uma ou várias pessoas em benefício próprio ou em nome de uma outra pessoa; suborno.

Utilização de recursos que, para ter acesso a informações confidenciais, pode ser utilizado em benefício próprio.

Alteração das propriedades originais de alguma coisa: corrupção de um livro.

Ação de decompor ou deteriorar; putrefação: corrupção das frutas.

Desvirtuamento de hábitos; devassidão de costumes; devassidão. 

(Etm. do latim: corruptio.onis)

Levando-se em conta a definição do dicionário, é provável que você já tenha sido corrompido em algum momento da sua vida. Isso não é suficiente para te tornar uma pessoa pior e também não absolve os corruptos de alta patente. Mas precisamos encontrar uma forma coerente de encarar a corrupção e tentar diminuí-la ou minimizar seus efeitos em nossa sociedade. Soluções mirabolantes não funcionam e só servem para criar uma cortina de fumaça. Investigar, punir culpados, obrigá-los a devolver dinheiro e mudar nossas atitudes cotidianas são fundamentais.

As investigações do Departamento de Justiça Norte-Americano, que culminaram na prisão de vários executivos da Fifa, reascenderam as velhas suspeitas de corrupção na entidade máxima do futebol mundial. A princípio, os cartolas são acusados de receber propinas durante a votação da escolha dos países sede da Copa do Mundo e também de negociar suborno na venda de direitos de transmissão de torneios de futebol. No entanto, é difícil crer que as irregularidades parem por aí.

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O temor de muitos é que o fio desse novelo traga indícios e comprove as inúmeras suspeitas de manipulação de resultados. Nesse caso, a maior vítima seria a nossa paixão de torcedor. Nosso envolvimento com o futebol costuma surgir na infância e desde então ouvimos de alguns céticos para não levarmos o jogo tão a sério. Seja porque os jogadores ganham muito (e você não ganha nada) ou também porque sempre houve suspeitas aqui e acolá de que dirigentes interferem nos jogos mais do que deveriam. Mesmo que você prefira ficar alheio a todas essas “teorias da conspiração”, é inegável que nas últimas décadas, as interferências externas aumentaram. Jogadores são punidos, times perdem pontos devido a problemas administrativos e não vemos nenhum critério nas decisões tomadas pelos tribunais e referendadas pelas instituições que comandam o esporte.

Para piorar as coisas, há novos atores nessa polêmica. As emissoras de televisão que transmitem e negociam os direitos das principais competições estão diretamente envolvidas no escândalo da Fifa. Com isso, é difícil acreditar que a mídia tradicional dará conta de cobrir essas questões com o distanciamento e a isenção necessária.

Torço para que as investigações alcancem todos os culpados. Nesse jogo, no qual não há mocinhos, afinal quem acusa também tem sempre algo a ganhar, só quem perde é o torcedor. É impossível negar o mal que estão fazendo ao esporte que tanto amamos e não precisamos fechar os olhos para isso. Mas uma boa estratégia para reagir é continuar se apaixonando pela bola. Portanto, nosso principal objetivo é impedir que roubem a nossa paixão.

“Um de nós”: o esporte em cena

quarta-feira, maio 27, 2015 Deixe um comentário

Faz mais ou menos um mês que assisti à peça “Um de nós”, em cartaz no teatro SESI (Freguesia) para apresentação única. Estava claro que não podia desperdiçar a chance.

 

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É importante explicar como essa peça chegou ao meu conhecimento. Foi bem simples, na verdade. Minha namorada conhecia a produtora, que a convidou para estar presente na apresentação. Junto com o convite, veio uma sinopse da peça. O slogan já havia me conquistado: “uma peça livremente inspirada na história de um judoca iraniano”.

Antes de contar minhas breves impressões sobre a apresentação, deixo registrado os nomes de alguns dos responsáveis por torná-la possível. Roteiro: Pedro Monteiro, Marcus Galiña e Joana Lebreiro; Atores: Gabriela Estevão, Lucas Oradovischi, Jorge Neves e José Wendell; Montagem: Joana Lebreiro.

A sinopse da peça adiantava muitos dos seus eixos dramáticos em torno do protagonista: os problemas com a família, a relação com seu país (Irã), a guerra, os infortúnios, o desejo de ser um campeão do judô. Eis o que estava escrito:

Numa madrugada, um homem assiste a uma entrevista pela TV.

Um judoca iraniano, no Pan Americano de 2007, competindo pela seleção da Guatemala.  (Estranho, não?!)

A luta, que o classificaria para os Jogos Olímpicos de Pequim, não havia acontecido.

O atleta dá uma entrevista, contando a sua trajetória – as tentativas de realizar o seu sonho de ir aos Jogos Olímpicos e as reviravoltas de sua vida e da história do Irã, que o impediram.

Aos 8 anos, um menino iraniano cansou de apanhar do pai, por ser agitado, demais.  Ele, então, fez uma promessa a si: tornar-se um grande lutador e judô, de preferência o maior do seu país.

No auge dos treinos, no entanto, a guerra, em 1980, o obrigaria a lutar por seu país, não nos Jogos Olímpicos de Moscou, mas nas fileiras do exército iraniano.

A partir daí, o homem que assistia à TV não consegue parar de pensar nesse inusitado personagem e começa a imaginar como teria sido essa história.

Logo no início da peça, percebi que o judô não estava na sinopse por acaso. O vestuário de todos os atores era o kimono branco e o palco reproduzia um tatame. A história percorria diferentes lugares, mas o cenário do palco mudava muito pouco. Poucas também foram as mudanças nas roupas dos atores: o kimono serviu até como hiyab. Cada ator interpretava mais de um personagem ao longo da peça, o que demandava um olhar atento dos espectadores para perceber as nuances de interpretação. Acredito que esse jogo de cena acabou tornando-se tão desafiador para a plateia quanto para os atores no palco.

Outro ponto que despertou minha atenção foi o cuidado dos atores com o treinamento para reproduzir fielmente os movimentos do judô. Não conheço a fundo esse esporte/luta, porém os movimentos dos atores se assemelhavam muito ao dos atletas que assisto pela TV nas partidas de judô. Não sei se algum deles já era um judoca antes da peça, mas, ainda que o fosse, esse cuidado com a caracterização merece ser elogiado. Disso resulta que a emoção dos atores nas lutas encenadas transmitia grande verossimilhança e, pelo menos para mim, foi um dos pontos altos da peça.

O protagonista da narrativa é o judoca iraniano Arash Koabi (nome fictício para um personagem da vida real). Coube a Pedro Monteiro interpretá-lo, ao mesmo tempo em que sua voz de roteirista se fez presente em inúmeros momentos da trama – como que em um monólogo, Pedro revelava à plateia o que deve ter sido seu processo criativo para elaboração do roteiro. Na minha opinião, uma boa sacada, que ajudou a dar dinamismo a peça.

A saga do herói clássico já é quase um lugar comum, de tanto que foi difundida pela indústria cinematográfica norte-americana. O herói é aquele que aceita o chamado para a aventura, muitas vezes ainda na infância, e que, com muito esforço, a despeito das dificuldades que possa encontrar pelo caminho, alcança o sucesso esperado. Bem, Arash começou a treinar judô ainda criança e sua vida foi marcada por contratempos. Até aí, ele cumpriu certinho o que se espera de um herói. Entretanto, a conquista da medalha olímpica, que representaria o ápice de sua carreira, nunca chegou.

Trata-se então de uma história improvável de heroísmo, pois seu status heroico é alcançado pelo seu esforço abnegado, porém não recompensado. A história do protagonista parece ser de fato, a saga de cada “de um nós”, anônimos das cidades, que buscamos nossa simbólica medalha de ouro (inalcançável para a grande maioria), isto é, a realização de nosso(s) sonho(s).

Após este breve relato, gostaria de parabenizar a todos os envolvidos na peça, ainda que muito provavelmente eles não me leiam. Desejo que, inspirados pelos Jogos do Rio – 2016, mais roteiristas e diretores teatrais se inspirem em sagas olímpicas para tecer suas tramas. O casamento esporte e teatro me parece ter um caminho profícuo a trilhar.

Outras informações sobre a peça podem ser encontradas nos seguintes endereços:

Mistura

sexta-feira, maio 22, 2015 Deixe um comentário

Olá, Faz três meses que não escrevo aqui neste espaço. Eu pensava em que assunto abordar. Nesse ínterim, desde fevereiro, muita coisa aconteceu . Começando pelo maior de todos os eventos esportivos, o Superbowl, este ano conquistado pelo New English Patriots, no Estádio da UNIVERSIDADE DE PHOENIX. (que vergonha pras Universidades brasileiras, não acham?)

PHOENIX UNIVERSITY STADIUM, AZ, USA

No Basquetebol, a disputa pelo título da NBA e do NBB acirraram-se. No NBB, até aqui, semifinais, uma única surpresa, o interior do Estado de São Paulo ressurge no cenário nacional, com 3 dos 4 clubes finalistas oriundos de SP: Limeira, Mogi das Cruzes e Baurú. Este último, um elenco montado para disputar todos os títulos possíveis. Venceram O Estadual/SP e a Liga das Américas. O outro semifinalista da NBB não é surpresa: C. R. Flamengo, que massacrou o Limeira (3X0) e é finalista mais uma vez. A ausência é o Brasília, que perdeu muitos talentos e não conseguiu repetir as boas campanhas de anos anteriores. Ainda no basquetebol, A final das conferências Leste e Oeste da NBA está muito disputada e emocionante. Lebron James perseguindo os recordes de “Air Jordan” a cada jogo e liderando os Cleveland Cavaliers. Até aqui, eliminaram o Chicago iniciam a decisão da conferência contra Atlanta, neste dia 20/05. Emoções à vista. Poucos ingressos ainda disponíveis, a US$150 cada (não tem meia entrada).

No campo futebolístico, avançou a disputa pela Taça Libertadores da América. A regra que força o cruzamento e consequente eliminação de clubes conterrâneos fez algumas vítimas brasileiras. Com duas derrotas consecutivas o Sport Club Corinthians deu adeus, sendo eliminado pelo Guarani (PAR), sem sequer marcar um gol. Na disputa caseira o Internacional (RS) levou a melhor sobre o Atlético Mineiro, por pouco, mas o suficiente para chegar às quartas de final (19 a 28 de maio). No clássico portenho, O River Plate classificou-se antecipadamente, devido à eliminação do Boca Juniors, Alguns desajustados atacaram os jogadores, lançando spray de pimenta nos mesmos, e o clube foi punido.

A Copa do Brasil ainda engatinha, mas algumas baixas já foram sentidas. E essa invenção maluca dos eliminados na primeira fase da Libertadores entrarem nas fases finais da Copa do Brasil? que acham? eu discordo. Eliminado não merece prêmio.

Houveram ainda, neste meio tempo, os contestados (não por mim), Campeonatos Estaduais de Futebol. Alguns ainda em andamento. Os “principais”, porém, já definidos.

E o Campeonato Brasileiro começou. Até aqui, segunda rodada, desempenho pífio dos clubes cariocas. Ainda ontem, domingo, 17/05, o Fluminense foi goleado por 4 X 1 pelo Atlético Mineiro, o Flamengo se salvou de uma derrota para o Sport em pleno Maracanã, arrancando um empate por 2 X 2 nos últimos minutos, e o Vasco, campeão carioca, empatou em 0  X 0 com o Joinvile. O que eu tenho visto, e muitos “especialistas” e “analistas” têm apontado, é uma carência no meio campo. Falta o articulador de jogadas, o homem das assistências, que mantêm uma média de passes certos acima de 80% e coloca os companheiros em condições de marcar. Esse jogador está em falta no mercado. Mesmo com dinheiro não há quem contratar. O que se vê é um festival de mediocridade no meio- campo. Mesmo os clubes que venceram os Estaduais têm deficiência. Não existe o “camisa 10″. O Flamengo acena com a possibilidade de contratar o experiente meia Diego (ex- Santos), atualmente do Fenerbach, e/ou seu amigo Robinho. A multinacional Jeep, recém chegada ao clube, ajudaria nessa negociação. Após tentar preencher a lacuna com Dario Bottinelli, Lucas Mugni, e mais recentemente, Almir, parece que a paciência da diretoria esgotou e pretende alguém com mais nome. O que impressiona é que os “camisa 10″, o “meia armador”, não surjam mais nas categorias de base dos clubes. Só formam volantes (e ruins). Elogiam muito o Paulo Henrique (vulgo Ganso), mas, sinceramente, nunca achei um grande jogador. Outros da posição do mesmo nível: Valdívia (Palmeiras), Conca (ex-Fluminense), etc.

Ainda dentro do que acontece no cenário esportivo atual, estão as classificatórias para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Mas isso ninguém quer saber ainda, né? Se alguém se importar, esse cara fez uma boa síntese do que vêm acontecendo:

http://olimpiadas2016-classificados.blogspot.com.br/

Uma coisa me espantou… segundo a fonte acima, há 308 atletas brasileiros classificados para os Jogos Olímpicos, enquanto apenas 44 estadunidenses estão com vaga garantida. Isso não faz sentido algum.

http://olimpiadas2016-classificados.blogspot.com.br/2015/05/lista-dos-paises-classificados-para-os.html

E tem também a Copa América este ano. Será que depois do 7 X 1 alguém ainda quer ver a seleção brasileira? eu não!

Até daqui a três meses.

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