LEME divulga vídeos com o pesquisador Hugo Lovisolo

quinta-feira, novembro 13, 2014 Deixe um comentário

O Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) vem desenvolvendo um projeto de gravar vídeos-aula com pesquisadores renomados na área da Comunicação e do Esporte com a intenção de apresentar pesquisas acadêmicas já realizadas ou em curso dentro dessa área das Ciências Sociais Aplicadas.

O vídeo publicado em canal recentemente foi com o pesquisador argentino Hugo Lovisolo.  A conversa com o Hugo gerou 3 vídeos: os reflexos da Copa no Brasil, a história e o desenvolvimento acadêmico da relação entre a comunicação e o esporte e um vídeo sobre a rivalidade Pelé x Maradona.

Todos os vídeos gravados pelo LEME podem ser conferidos em nosso canal no Youtube.

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Um fantasma difícil de ser exorcizado

terça-feira, novembro 11, 2014 Deixe um comentário

Na próxima quarta a seleção brasileira volta a disputar uma partida amistosa. O adversário nesta ocasião será a Turquia. A equipe do técnico Dunga chega ao confronto com um retrospecto positivo. Em quatro jogos sob o comando do treinador, que assumiu após a Copa de 2014, a seleção brasileira alcançou quatro vitórias.

Contudo, suspeito que há algo que mesmo uma longa sequência de vitórias da seleção brasileira não será capaz de apagar com facilidade: a derrota de 7 a 1 para a Alemanha em jogo válido pelas semifinais da Copa de 2014, competição realizada no Brasil.

Talvez por esta razão a CBF esteja realizando um esforço para programar um amistoso com a seleção alemã. Porém, também suspeito que mesmo uma vitória de goleada sobre a Alemanha em um possível amistoso não seja capaz de exorcizar o fantasma do 7 a 1 para a Alemanha.

Para superar esta derrota, que constantemente tem sido relembrada pela imprensa esportiva, apenas uma vitória de goleada em um jogo com um contexto semelhante ao da partida da goleada do 7 a 1.

Como uma vitória da seleção brasileira sobre a Alemanha em tal contexto deve ser algo que vá demorar a acontecer, este parece ser um fantasma difícil de ser exorcizado.

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Emoção no Rádio em Santa Catarina

sexta-feira, novembro 7, 2014 Deixe um comentário

Na última terça-feira, 04/11, o Joinville Esporte Clube garantiu sua participação na Série A do Campeonato Brasileiro de 2015. No Estádio Castelão, em São Luís/MA, venceu o Sampaio Corrêa por 2 a 1, pela 34ª rodada, e garantiu matematicamente o acesso à elite do futebol brasileiro.

Pela primeira vez, desde 1987, o Joinville voltará a disputar a primeira divisão do futebol quando naquele ano jogou a Copa União. Sua melhor participação na elite do futebol nacional foi em 1985 quando ficou em um histórico oitavo lugar. A ascensão confirma a grande fase do Joinville que fora Campeão da Série C em 2011.

Mas, em tempo de final de período letivo, só tomei conhecimento da conquista antecipada do Joinville por meio de um áudio compartilhado por um amigo na rede social. O áudio era do Redação AM, quadro do programa Redação Sportv, que apresenta narrações radiofônicas marcantes no universo esportivo. No áudio, o locutor Charles Fisher, da Rádio 89 AM Joinville, de Santa Catarina, fica sem voz e vai às lágrimas com o apito final. O narrador se diz incapaz de descrever o momento de retorno do time há 28 anos longe da Série A.

http://globotv.globo.com/sportv/redacao-sportv/v/redacao-am-veja-a-narracao-emocionante-dos-gols-que-garantiram-acesso-do-joinville/3743903/

O áudio é de arrepiar qualquer amante do futebol. Emoção que só o rádio seria capaz de transmitir, tanto que ainda hoje existem os torcedores que preferem o bom e velho radinho de pilha para ouvir as partidas, companheiro fiel até nos estádios.

É inegável que o rádio, considerado veículo de massa com forte penetração social, contribuiu para a popularização do futebol no Brasil. Considerado o primeiro grande meio de comunicação de massa com amplo alcance popular, se tornou um verdadeiro companheiro para as os ouvintes. Durantes os Anos Dourados do Rádio, o veículo tinha o poder de reunir a família ocupando um lugar de destaque nos lares.

A primeira rádio a transmitir uma partida de futebol no Brasil foi a Rádio Educadora Paulista. Porém, já em 1928, a Rádio Record de São Paulo havia criado um serviço durante a programação para informar resultados de jogos realizados. A irradiação dos jogos tinha forte penetração e provocava efeitos sociais que colaboram para tornar o esporte assunto de domínio público. Com a chegada da televisão no Brasil em 1950, o rádio começou a perder parte de sua audiência, mas a preferência pelo veículo para acompanhar as partidas de futebol ainda se manteve durante muito tempo.

Uma das narrações radiofônicas esportivas mais marcantes e que se perpetuará para sempre na memória dos fãs de futebol é do segundo gol do Maradona contra a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986. A locução emocionada, que levou o narrador às lágrimas e toda a Argentina ao êxtase nacionalista, é do jornalista uruguaio Víctor Hugo Morales transmitida pela Rádio Mítre/ARG. Para amantes do futebol, este é o Gol do Século e, de acordo com a FIFA, o “Mais bonito gol da história das Copas do Mundo”.

Ainda que todos se lembrem da genialidade de Maradona em campo, da “pintura” que foi a jogada, a narração radiofônica é considerada por muitos a melhor e mais emocionante descrição do gol que consagrou o jogador argentino.

Ambas as narrações radiofônicas que vemos aqui confirmam o poder e o afeto do Rádio enquanto veículo de comunicação. Ao lado dos catarinenses, o rádio ainda é capaz de despertar emoções nos torcedores narrando o retorno do Joinville à Série A.

É indiscutível o alcance do Rádio, que hoje participa da vida do brasileiro integrado a outros meios de comunicação. Para tal, as emissoras radiofônicas tiveram que adaptar sua programação às novas formas da população ouvir rádio. Mas quando falamos da relação entre o rádio e o futebol, a história de duas paixões nacionais é cercada de afeto e emoção. Fatores que podem garantir a perpetuação do veículo ainda por muito tempo.

 

Referências:

FERRARETO, Luiz. O rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre: Sagra Luzzato, 2001.

PEREIRA, Camila Augusta. A publicidade no Rádio como fator de construção da identidade nacional: O caso da partida final da Copa do Mundo de futebol de 1970. Revista Rádio-Leituras. Edição Janeiro – julho 2011. ISSN: 2179-6033

Por que o Esporte ficou de fora do Fla x Flu eleitoral?

terça-feira, novembro 4, 2014 1 comentário

Passadas algumas poucas semanas da mais acirrada eleição presidencial da história do país, ainda me pergunto por que o Esporte – que já foi “canto de redação” e “patinho feio” das pesquisas acadêmicas – foi jogado para escanteio nas propostas de governo? Quem acompanhou as propagandas na TV e rádio dos principais candidatos, quem viu os debates deve ter ficado com uma interrogação: o que vai ser feito do esporte brasileiro nos próximos anos? Tudo bem, vá lá, a reeleição de Dilma não levanta tantas questões de como será pautada a pasta em quatro anos, mas seria interessante sabermos se algo novo vai ser colocado em prática. O que ficou de legado da Copa? O que será do Rio-2016?

Nos planos de governo dos dois “finalistas”, tanto Dilma, quanto Aécio – por mais que esse tenha levado para o seu time, craques como o técnico Bernardinho, Ronaldo Fenômeno, Zico e Neymar – apresentaram projetos mais gerais na área, sem especificar muito.

“O Esporte não dá voto”, podem responder alguns políticos. Mas dá PIB. Ainda mais com tantos megaeventos sendo sediados por aqui. É no mínimo estranho analisarmos o cenário nacional dos últimos dois anos, onde a realização de torneios como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, suscitou debates na imprensa, nos plenários, nos bares, nas esquinas, tenha ficado de fora.

Senti falta de colocarmos na arena de discussões, a importância e os riscos de ser sede. Ganhos com turismo, mobilidade urbana. Problemas de desvio e corrupção. Atrasos em obras, segurança. Os envolvidos precisam dar ao Esporte a importância dele, tanto como entretenimento, assim como contribuição social na formação dos jovens. Além, claro, dos valores, impostos e mercados envolvidos.

Em menos de dois anos, teremos novamente, o olhar do mundo voltado para o nosso país. Teremos novamente denúncias de superfaturamento e medo em relação à segurança dos Jogos. Precisamos abrir o debate já. Colocar o nosso olhar sobre o Esporte. Para que possamos vislumbrar o novo mandato Dilma.

Teremos mais Bom Senso? Calendários ajustados? Melhor aproveitamento das Arenas da Copa? Mais incentivo a atletas? Mais universidades de formação? Menos desvios nas obras de 2016? Não se falou. Nada se prometeu. Na TV, apenas usar o sistema integrado de segurança – utilizado na Copa – como referência.

Perdeu-se e perde-se muito tempo com agressões de todos os lados, xingamentos e um ódio que tem extrapolado os estádios. Contaminado as redes sociais. Sem apresentarmos propostas. Não quero intervenções. Quero mais disputa e debate nos moldes dos irmãos Nelson Rodrigues e Mário Filho. Esse, sim, um Flu e Fla no que a rivalidade tem de melhor.

A Política Internacional dos Jogos Olímpicos: o caso da Cidade do México (1968)

segunda-feira, novembro 3, 2014 Deixe um comentário

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Teve Copa sim, !!! mas não no país do futebol….

Por Juan Silveira

O fato de ser pentacampeão não é credencial determinante do título que a imprensa teima em adjudicar ao Brasil “País do Futebol”.

Não conheço nenhuma ação pública para promover a prática do futebol (somente escolinhas particulares e pagas), nenhuma política de Estado que contemple os esportes em geral. Nem o amparo da Lei trabalhista é respeitado, vide as principais reclamações do grupo Bom Senso FC.

A média de público nos estádios brasileiros é incompatível com esse título.

Dos 100 times top do mundo, 24 pertencem ao Velho Continente  e 77 dessa lista são europeus. Alemanha, Inglaterra e Espanha ocupam as 5 primeiras posições. Brasil só aparece a partir do 90º lugar. O Borussia Dortmund apresenta uma média de 100% de ocupação, com 80.558 espectadores por jogo; Manchester United com 75.500, o Barcelona com média de 70% de ocupação atrai  cerca de 70.000 espectadores e o Bayern de Munique leva 72.000 torcedores à Allianz Arena por jogo.

No Brasil, o Corinthians, 91º na lista, tem 66% de ocupação, levando 30.000 loucos do Bando por jogo, depois aparece o Santa Cruz de Pernambuco com 25.000 torcedores em média (44% da capacidade do Arruda), e o São Paulo encerra a participação de clubes brasileiros na lista, com 24.000 torcedores no Morumbi.

Não estou considerando a população destes países, Alemanha 83 milhões, Espanha 48 milhões  e Inglaterra 53 milhões. Se entrar nessa seara, de relativizar o desempenho futebolístico com a população do país, o título de “país do futebol” seria menor ainda, vide o Uruguai com 2 títulos mundiais e 2 olimpíadas, somente tem 3 milhões de habitantes.

Por um outro ponto de vista, a análise do fato do Brasil ser exportador de “artistas” e não do espetáculo, merece uma séria reflexão.

 

 

Vesti uma camisa listrada e saí por aí: Madureira x CRB e os futebóis do Brasil

quinta-feira, outubro 23, 2014 Deixe um comentário

Sábado, 18 de outubro, abri meu armário e pus pra fora a camisa listrada do Madureira Futebol Clube que comprei na última vez que estive no Estádio Aniceto Moscoso, há cerca de dois meses atrás

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Naquela ocasião fui assistir a Madureira X Guarani em jogo da terceira divisão.

Não….

Não sou torcedora do Madureira.

Sou apaixonada por futebol e pesquisadora que desde 2003 tanta unir essas duas dimensões no blog Caravana de Boleiros (http://caravanadeboleiros.blogspot.com.br/). Nesse espaço vou em busca dos futebóis que fazem parte daquilo que chamamos de o “futebol brasileiro”. Fazem parte, mas são pouquíssimos mencionados, especialmente, pela imprensa esportiva.

Nos jornais e nos programas esportivos de TV o que se percebe é o privilégio dado ao campeonato da Série A, Copa do Brasil e no máximo aos campeonatos estaduais. Mesmo assim a atenção recai sempre sobre os principais clubes dos estados de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.

Há quatro divisões principais de futebol, sendo que grande parte das informações que circulam nos mais importantes veículos de comunicação se referem à Série A. É certo que a Série B tem merecido atenção, mas sobretudo porque nos últimos anos contou com a presença de clubes grandes como Botafogo, Palmeiras, Vasco e o Corinthians, dono da segunda maior torcida do país.

Quanto ao restante das séries, temos fragmentos de informação que geralmente se tornam mais frequentes quando os momentos decisivos vão chegando.

É o que aconteceu com o Madureira cujo jogo de sábado passado, dia 18 de outubro, contou com a presença da imprensa, chegando a merecer uma matéria – de menos de meia página – publicada no caderno de esportes da edição de domingo do jornal O Globo.

Isso significa que quando se fala em “o futebol brasileiro” em grande medida está se fazendo referência à seleção brasileira e a um conjunto limitado de clubes e torcedores, o que em parte se justifica dada a lógica mercadológica tanto do futebol quanto da própria imprensa.

Sendo assim quando se fala em “futebol brasileiro”, é importante indagar de qual futebol estamos falando?

Certamente não se está falando dos clubes que jogam frequentemente em campos pequenos, em estádios antigos e absolutamente longes do “padrão Fifa” – muitos dos quais sequer possuem uma sala de imprensa.  Clubes que lutam pela sobrevivência em um contexto altamente mercadorizado e financeiramente desigual do futebol brasileiro. Clubes muitos dos quais centenários e que por motivos variados ficaram de fora – ou nunca participaram – do menu principal do futebol brasileiro.

E o que nos dizem os jogos desses clubes que embora pertencentes ao futebol de “matriz espetecaluzarizada”[1] – guardam distância considerável do pequeno grupo seleto que compõe aquele “futebol brasileiro”, discutido e veiculado por grande parte da imprensa esportiva do país?

A torcida mista

O Madureira é um clube do subúrbio carioca homônimo. Em 2014 festeja-se seu centenário. Na verdade o Madureira Esporte Clube até a década de 1970 chamava-se Madureira Atlético Clube, resultado da fusão do Fidalgo Madureira Atlético Clube e do Magno Futebol Clube, clube de quem herdou a data de nascimento 08 de agosto de 1914.

Madureira Esporte Clube é nome que surge somente na década de 1970, após outra fusão, a do Madureira Atlético Clube com o Madureira Tênis Clube e por fim o Imperial Basquete Clube.

O Madureira detém uma interessante marca:  é o clube que mais tempo ficou em excursão pelo exterior. Foram ao total 36 jogos, realizados ao longo de 144 dias, no ano de 1961.  Além de ter ido em Cuba, o Madureira também fez “a viagem proibida” que consistiu em uma excursão feita na China:

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(Fonte: http://caravanadeboleiros.blogspot.com.br/2013/02/madureira-e-audax-futebol-samba-e.html)

Pelo Madureira passaram importantes jogadores como Jair da Rosa Pinto e Evaristo de Macedo cuja imagem é usada em uma bandeira de uma torcida Organizada do clube.

Sim… o Madureira tem torcida organizada – mais de uma, aliás – formada em sua maioria por jovens moradores do bairro e dos arredores.

Porém, torcer para um clube que não frequenta grandes campeonatos e que tem pouco convívio com momentos gloriosos pode adquirir feições diferentes das que estamos acostumados.

Embora logo na entrada das sociais do clube nos deparemos com a frase “aqui só se torce pelo Madureira”, é plenamente aceitável a presença de pessoas com camisas de Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo etc. Trata-se de uma convivência que no caso do Madureira se dá de modo pacífico.

Torcer para dois times é realidade comum na composição das torcidas de alguns dos chamados times de baixo investimento. E esse fenômeno se evidenciou na promoção realizada pelo Madureira para o jogo contra o CRB na qual quem fosse vestido com a camisa de qualquer clube do Rio poderia adquirir um ingresso e entrar de graça no estádio.

Essa promoção foi posta em prática de modo confuso, com pouca informação ao público e pouca organização na troca de ingressos, o que provocou uma perigosa aglomeração de pessoas na porta de entrada do estádio.

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Um policial tentou por ordem na fila, porém ele estava visivelmente nervoso e despreparado para a situação:

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Há certas misturas que são fatais para o desencadeamento de tumultos em estádios: falta de informação, falta de organização, falta de entradas suficientes para o público (havia apenas uma pequena) e policiais despreparados. Se o público presente de fato fosse em sua maioria formada por torcedores do Madureira, ávidos por ver o jogo, teria havido muita confusão como aquelas que cansamos de ver antes de jogos em São Januário ou mesmo no Maracanã.

Entrei no estádio apenas no final do segundo tempo….

O estádio estava cheio. Um mosaico de camisas dos clubes cariocas compunha o público das arquibancadas. Mesmo na parte em que ficaram reunidos os agrupamentos das organizadas do Madureira, podia-se ver lado a lado indivíduos botafoguenses, vascaínos, flamenguistas e tricolores. Um dos instrumentos de percussão de uma das torcidas organizadas do Madureira era tocado por um rapaz que trajava uma camisa do Botafogo.

A ideia dessa promoção é compreensível dada a vontade de encher o estádio em um dos mais importantes dias da história do Madureira que tinha possibilidades reais de dar largos passos para a série B do Campeonato Brasileiro.

Encher o estádio também se justificava dada a péssima média de público dos jogos do Madureira. Contabilizando o público de toda a primeira fase da Série C – 18 rodadas – o Madureira foi dono da segunda pior média, perdendo apenas para o Duque de Caxias. Cerca de 274 pessoas em média assistiram aos jogos do tricolor suburbano (Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-c/publico-seriec.html)

Por outro lado a composição mista das arquibancadas no sábado, me causou certo estranhamento e me fez pensar que teria sido mais interessante uma promoção que objetivasse encher o estádio com as cores do Madureira, fortalecendo velhos e construindo novos laços de identificação com os símbolos do clube.

Essa composição mista seria interessante de ser futuramente investigada a fim de lançar novas perspectivas sobre os modos de torcer.

O galo maluco

Em relação ao time do CRB há de se destacar que um bom número de torcedores esteve presente no Aniceto Moscoso. Antes da partida era possível vê-los andando pelas ruas de Madureira ostentando bandeiras, camisas e cantando “nós somos  Galo, Gaaalo maluuuuuco”!

Resolvi seguir alguns que seguiram pelo Mercadão de Madureira, pelas ruas do bairro e acabei encontrando o bar onde a maioria se reunia. Lá fui recebida – e muito bem recebida – por torcedores e torcedoras que enfrentaram uma viagem de Alagoas ao Rio.

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No caso da torcida do CRB não vi mesclas de camisas de outros clubes. Vi camisas variadas comemorativas ao centenário do clube ou aquelas típicas retrôs, o que indicava que poderia haver um bom investimento na comercialização de produtos licenciados pelo CRB. E de fato parece que há. Fui ao site do clube onde podemos ser direcionados para a loja virtual na qual se pode adquirir uma variedade de roupas e objetos ligados ao CRB

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A estrutura mercadorizada e espetacularizada da qual participa os principais clubes do país também é apropriado pelos chamados clubes de “baixo investimento” se traduzindo em lojas virtuais e físicas, e no licenciamento de produtos vendidos ao torcedor, assim como oferecendo programas de sócio-torcedor.

No contexto atual globalizado em que jogadores de futebol se transformam em celebridades midiáticas consumidas mundialmente por públicos amplos, não é muito fácil – sobretudo para os clubes que estão fora do circuito principal futebolístico – a manutenção de seus torcedores.

Por outro lado, esse mesmo impulso globalizante é capaz de fortalecer os laços locais importantes para a manutenção do pertencimento clubístico, sentimento que move os torcedores independentemente da divisão às quais seu time joga. O CRB parece ter uma força local grande, com a conquista de diversos títulos estaduais e nutrindo com o CSA uma forte rivalidade de longa data.

Isso não ocorre com o Madureira, infelizmente

Debaixo do sol e ao lado e cercados por um “cordão de isolamento” a compacta massa vermelha dos torcedores do CRB assistiram à vitória do time por 2 x 1.

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Às vezes se ganha mesmo perdendo

O Madureira saiu de campo aplaudido pela maioria dos que estavam no estádio, seja pelos torcedores de ocasião, seja por aqueles que acompanham o time com mais frequência.

Em alguns jogos que fogem ao circuito principal do futebol brasileiro, a vitória e a derrota podem adquirir sentidos diferentes. Os aplausos dados ao Madureira se justificam em primeiro lugar porque o público não era formado exatamente pelo que convencionamos a chamar de torcedores, muito menos por indivíduos movidos pelo “pertencimento clubístico” já mencionado.

O horizonte de expectativas que cerca times como o Madureira é um tanto limitado e há um certo nível de consciência em relação à sua realidade difícil, o que faz com que muitas vezes o simples fato de se chegar às quartas de final de um campeonato da terceira divisão possa significar uma espécie de vitória.

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Entretanto a rotina de derrotas e a dificuldade em participar de competições mais regulares ao longo do ano pesa financeiramente para os clubes e torna ainda difícil sua manutenção assim como a formação de novos torcedores.

O abismo econômico entre os clubes no Brasil se evidencia quando frequentamos jogos que vão além daqueles que compões as primeiras páginas dos jornais esportivos.

Esse aspecto é bastante preocupante. O risco de desaparecerem do mapa futebolístico sempre ronda os chamados clubes de menor investimento.

Frequentar ou mesmo assistir a jogos como os de sábado passado também é uma oportunidade de se questionar a cara noção de “futebol-arte” como sendo elemento fundador do futebol brasileiro. Esses jogos “de contracapa”[2] evidenciam que grande parte do futebol brasileiro se movimenta à margem do tão exaltado “futebol-arte”, questão que já se mostra clara nos jogos da própria série A do Brasileirão e que no caso de times de pequeno investimento faz-se padrão dominante.

O futebol-arte é uma categoria historicamente construída, certamente que fundamentada na atuação hábil de jogadores excepcionais que fizeram parte de algumas seleções brasileiras.

Mas há de se pensar que mais do que uma regra, o futebol-arte pode ser uma exceção que foi tomada como uma espécie de essência do estilo brasileiro e que, muitas vezes, funciona como uma categoria que aprisiona e limita criticamente nossos olhares lançados sobre o futebol nacional.

Sendo assim, me questiono muito quando ouço as análises que se faz do “futebol brasileiro”, especialmente aquelas que se tornaram comuns após os 7 x 1 contra a Alemanha, na Copa do Mundo.

Como é possível propor uma análise menos superficial sobre algo que se conhece e que se divulga tão parcialmente.

Quando se fala em renovação do futebol brasileiro olhar para esse futebol buscando nele sua diversidade, oferecendo suporte para manutenção e crescimento de clubes que embora possam estar longe do circuito principal são parte constitutiva do futebol nacional.

[1] Arlei Sander Damo propõe que há diferentes maneiras de se praticar futebol que podem ser agrupadas em quatro matrizes denominadas: espetacularizada, bricolada, comunitária e escolar (cf. Damo, 2007, 40). A matriz espetacularizada que se caracterizaria por ser organizada de maneira “monopolista, globalizada e centralizada através da FIFA (…) Divisão social do trabalho dentro e  fora de campo. Não obstante a distinção clara e precisa entre quem pratica e quem assiste (..)” (2007, 43). Sobre esse aspecto ver DAMO, Arlei. Do Dom À Profissão – A Formação de Futebolistas no Brasil e na França. São Paulo: Editora Hucitec, 2007.

[2] Referência ao título do livro Oliveira, Allan de Paula, Souza, Hélder Cyrelli de e Castelo Branco, João. O futebol da contracapa: uma etnografia da Suburbana em Curitiba. Curitiba: Editora Máquina de escrever, 2012.

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